terça-feira, 1 de agosto de 2017

Road to Moledo #2

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Truckfighters no SonicBlast Moledo 2016

Já não falta muito tempo para o início de mais uma edição do SonicBlast Moledo, referência nacional para todos os fãs de stoner e de festivais com piscina que não ficam em Barcelos.

Esta será a sua sétima edição, o qual tem apresentado um impressionante crescimento desde a sua primeira edição, contando no ano passado com nomes impressionantes como Uncle Acid and the Deadbeats, Truckfighters, All Them Witches ou Stoned Jesus e, em passadas edições com nomes de peso dentro do género como os icónicos Pentagram, os japoneses Church of Misery ou My Sleeping Karma.

A edição de 2017 apresenta um cartaz mais diversificado, uma vez que se por um lado apresentam bandas pesadonas para os ouvidos como Monolord ou Acid King, assim como bandas que se afastam deste peso e compensam com uma dose extra de psicadelismo, como é o caso dos Kikagaku Moyo.

Neste artigo vou deixar algumas recomendações que espero que sirvam como guia para a ementa musical que vai ser servida na praia de Moledo.

Dia 2

Orange Goblin - Time Traveling Blues



Não é fácil escolher um álbum naquela que é a tão vasta discografia de Orange Goblin, por isso optei por um dos mais icónicos álbuns da banda inglesa. Esta banda de culto, que provavelmente vai receber uma das maiores audiências do festival, promete uma boa mistura de stoner doom, punk, southern metal e blues mergulhados em testosterona.

Um concerto ideal para beber um ou dois finos e partir para uma batalha épica no epicentro do mosh ao som de músicas como “Blue Snow” ou “The Man Who Invented Time”. Um bom álbum para começar a descoberta da discografia desta banda que, apesar de terem alterado as suas sonoridades ao longo do tempo, foi neste que adquiriram grande parte do estatuto que tem hoje.



Colour Haze - Tempel



O concerto deste trio alemão é um dos mais aguardados da edição 2017 do festival. Na sua estreia em palcos nacionais contam já com uma grande experiencia e legião de fãs. Apesar de trazerem um álbum novo editado este ano, In Her Garden, o que muitos aguardam ansiosamente por ouvir são as faixas do icónico álbum Tempel, onde exploram diversos elementos do planeta Terra, sejam estes materiais ou não, como é o caso de “Aquamaria”, faixa mais famosa da banda e, discutivelmente, uma das mais icónicas musicas deste género musical.

“Fire” ou “Mind” e as restantes musicas do álbum, apesar de não terem a mesma atenção que a anterior referenciada, são inquestionáveis na sua qualidade e um bom exemplo do quão eficazes estes homens conseguem ser sem recorrer a grandes artifícios.



Acid King - Busse Woods



Muitos músicos lendários já pisaram os palcos montados em Moledo e esta edição vai receber os Acid King, liderados pela enorme Lori S., uma das principais figuras femininas no movimento stoner.

O álbum que escolhi para apresentar a banda retira o nome de uma reserva florestal onde Lori e os seus amigos iam ouvir música e vender substâncias ilícitas, até ao dia em que foram apreendidos pela polícia. Este álbum é um tributo a esses tempos de glória.

Aqui podemos encontrar um conjunto de músicas que deixam os olhos injetados de sangue só com o seu peso, com faixas como “Electric Machine”, uma das mais louvadas dentro do mundo místico que é o Stoner Metal. “Drive Fast, Take Chances” deixa saudades de quando as pessoas ouviam “yolo” ou “carpe diem”, não reviravam os olhos e vomitavam as entranhas. Esta poderosa música sobre aproveitar a vida em cima de uma mota e violar os limites de velocidade transmite o som característico da banda, assim como “Silent Circle”, inspirada nos crimes do assassino Ricky Masso.




The Machine - Solar Corona



Esta escolha recai para todos aqueles que nas viagens de descobertas musicais pelas profundezas do YouTube nunca se depararam pelo álbum com riscas laranjas e pretas dos holandeses The MachineSe necessitarem de razões precisas e objetivas para comprarem um bilhete para este festival, percam aproximadamente 17 minutos das vossas vidas a ouvir “Moons of Neptune”, última faixa deste álbum.

Sintam os poderes que estes magos possuem quando utilizam os seus instrumentos musicais. Apesar de não serem a banda mais “mediática” do festival, possuem o estatuto de banda de culto, alcançado com este álbum e são sem dúvida um dos concertos que, pessoalmente, mais quero ver.




Löbo - Älma



Com o fim do hiato que durava desde 2012, após um último concerto no Amplifest, os fantásticos Löbo estão de regresso à estrada onde tem mostrado a nova vida do seu unico álbum de longa duração, Älma.

Desde momentos mais tensos até aos mais hipnotizantes, as sonoridades deste conjunto de Lisboa, que conta com Ricardo Remédio no sintetizador, Luís Pestana na guitarra e Renato Sousa no baixo, são essencialmente ecléticas oferecendo uma experiência instrumental que combina doom metal, post-rock, eletrónica progressiva e drone ambiental.

Com músicas como “Aqui em baixo a alma mede-se com mãos cheias de pedras” e “Matei os meus mestres – Silenciei os meus ídolos”, os Löbo pretendem fazer os seus ouvintes questionarem-se quanto é que pesa a sua alma na viagem sonora que são os seus concertos.




Texto por: Hugo Geada

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