sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Somos todos Cem Soldos #2

© Rafaela Suzano 
Cem Soldos, aldeia onde já fomos felizes e vamos, com certeza, continuar a ser felizes por muitos e bons anos, vai receber a oitava edição do Bons Sons. De a 11 a 14 de Agosto, a melhor música nacional vai tomar conta da aldeia. 

Com mais de 40 actuações divididas por oito palcos, as ruas, praças e largos de Cem Soldos vão ser animadas por feira de artesãos, exposições de arte, espaço para crianças, comida tradicional e muito mais. Durante estes dias, qualquer festivaleiro se sente integrado e é convidado a conhecer as suas tradições. São os habitantes que acolhem e servem os visitantes, numa partilha especial entre quem recebe e quem visita, proporcionando a vivência ímpar de um evento musical.

Em 2017 o cartaz volta a apostar em projetos emergentes, indo também de encontro aos músicos mais consagrados do panorama musical português. Compilando sonoridades que vão desde o fado ao indie rock acústico ao electrónico, do rural ao urbano, das influências tradicionais às contemporâneas, fiquem com a nossa sugestão do itinerário ideal para este Bons Sons.

Já aqui falámos dos dias 11 e 12 de agosto.


Dia 13 de agosto


Com dois de festival já nas pernas, há que continuar a celebrar o que de melhor a aldeia tem para  nos oferecer. Começando pelo palco MPAGDP, temos os Moços da Vila às 15h com o seu cante alentejano bem jovem. Segue-se Joana Barra Vaz no Giacometti por voltas das 16h15. Que melhor coreto para Joana apresentar Mergulho em Loba, álbum editado no ano passado, que não este? 
Esperam-se temas que nos levem a viajar pelo mar, principal inspiração deste último trabalho da artista. 



Quando a tarde já for a meio (17h30), visitem o palco Tarde ao Sol e assistam à apresentação de Phobos, orquestra robótica disfuncional pela Sonoscopia. Esta performance é constituída por um conjunto de pequenas máquinas e dispositivos de geração automática de música que formam uma orquestra de estranhos instrumentos com defeitos, mutações genéticas e comportamentos errantes. Representa uma crítica da sobreposição tecnológica ao pensamento humano, da função do trabalho e das modernas formas de escravidão, fazendo também uma retrospetiva histórica das várias tentativas de libertação humana.

Às 18h45 há Captain Boy no Giacometti. Alter ego de Pedro Ribeiro, editou no início do ano o seu álbum de estreia, 1, onde o tema “Sailorman” é o principal destaque. Antes de irem jantar passem uma vez mais pelo Tarde ao Sol para assistirem aos Sampladélicos. Duo formado por Sílvio Rosado, músico, e Tiago Pereira, documentarista, cujo processo criativo consiste na recolha de sons e imagens de um determinado local. Estes sons e imagens (samples, daí o nome do projeto) são misturados de modo a criar músicas. Cada música propõe que descubramos de onde vêm tais sons e permite recriar historias passadas nos tais locais.



Com o jantar já na barriga, podem dirigir-se até ao Lopes-Graça para assistir ao concerto de Paulo Bragança, que começa às 21h. O fadista está de regresso aos palcos portugueses depois de largos anos a viver na Irlanda. Artista irreverente dentro do género, sempre apostou na renovação do fado, tendo até editado álbuns pela editora de David Byrne (Talking Heads), Luaka Bop. Depois deste concerto, há que seguir rapidamente para o Eira. Afinal de contas, é do Tio Samuel que estamos a falar. Com um dos melhores registos de 2016, Carga de Ombro, Samuel Úria vem até Cem Soldos contar as suas belas histórias que tanto gosto dão ouvir. É preciso que ele não diminua pois o Bons Sons precisa de um Samuel à maneira. 

O embarque está agendado para as 23h30 no Lopes-Graça. Capitão Cid aos comandos da nave que nos vai levar ao mundo cósmico de 10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte. É sempre um privilégio poder assistir ao vivo a todos os sons que compõe esta obra prima editada em 1978 e todos os que vão estar em Cem Soldos podem considerar-se uns felizardos. Agarrem-se bem aos vossos lugares!



E para terminar a noite nada melhor que deixarmos as energias que restam num concerto de Orelha Negra. É as 00h45 que o Eira se vai tornar numa enorme pista de dança e emoções. Depois de terem regressados aos concertos no ano passado com a mítica atuação com lotação esgotada no grande auditório do CCB, os Orelha Negra estão mais coesos e destemidos. Com álbum novo a caminho, esperam-se músicas novas guarnecidas coma já habitual fusão de hip-hop, funk, soul, jazz e até rock.




14 de agosto


Chegámos ao último dia de Bons Sons e o cansaço vai ser o nosso maior inimigo. Na verdade, ninguém vai a Cem Soldos para descansar, mas sim para celebrar a música e a cultura portuguesa. Começando pelo MPAGDP, há Sanct’Irene e Moçoilas a partir das 14h. Às 16h45 chega Marco Luz ao Giacometti com a sua guitarra para apresentar o seu álbum de estreia, Cores.

Seguindo para o Tarde ao Sol, já LST – Lisboa String Trio às 18h. Este trio formado por José Peixoto na guitarra clássica, Bernardo Couto na guitarra portuguesa e Carlos Barretto no contrabaixo, editou no ano passado Lisboa, trabalho que conta com composições de José Peixoto, Paulo Paz, e temas do universo da guitarra de Lisboa, assinados por Jaime Santos, José Nunes e Domingos Camarinha. Voltando ao coreto do Giacometti, há Valter Lobo para assistir quando passarem 15 minutos das 19h. Espera-se uma aventura de grande intimidade pelo Mediterrâneo, primeiro disco do guitarrista, dotado de uma sonoridade intensa e de uma componente lírica muito rica.



Agora com a sandocha na mão, está na hora (20h45) de visitar o one man band que habita no Lopes-Graça. Frankie Chavez é o homem banda, guitarrista de blues e folk que gosta de fazer incursões em ambientes mais crus e psicadélicos. Na bagagem traz Double or Nothing, álbum editado em abril deste ano e influenciado pelo contexto social dos nossos dias. 

Prontos para o rock’n’roll? Venham até ao Eira quando forem 22h mexer esse pezinho ao som dos The Poppers. Experientes, intensos, mas acima de tudo provocadores, a banda lisboeta vem apresentar Lucifer, álbum que editaram no início do ano e que foi produzido por Paulo Furtado (The Legendary Tigerman/ WrayGunn). 

De volta ao Lopes-Graça, temos Rodrigo Leão em palco às 23h15, um dos mais versáteis e reconhecidos músicas e compositores portugueses, não tivesse sido ele parte integrante dos Sétima Legião e Madredeus. Em 2017, os concertos do artista abordam a sua faceta mais pop, enérgica e leve, sendo acompanhado pela voz de Ana Vieira e pela “trindade básica” de guitarra, bateria e baixo. Ao todo, serão oito elementos a interpretar uma mão-cheia de canções dos tempos de Cinema, A Montanha Mágica, entre outros. 


Ok, só mais um bocadinho e já podem ir descansar. É para deixar a pele no Eira. A ocasião? 

Octa Push à 0h45. A dupla composta pelos irmãos Bruno e Leonardo Guichon lançou em 2016 novo álbum de estúdio, Língua. Com a sua sonoridade que funde a eletrónica com a música lusófona, os Octa Push prestam homenagem às ligações entre Portugal e os PALOP. Este novo trabalho conta com a participação de Tó Trips (Dead Combo), Batida, José Braima Galissá, Ary ou Cachupa Psicadélica, João Gomes (Orelha Negra), entre outros.


Os bilhetes estão à venda nos locais habituais. 
Passe 4 dias: 45€ 
Bilhete diário: 22€

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