segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Reportagem: Greg Fox [sub-placo do Teatro Municipal Rivoli, Porto]

© Ana Carvalho dos Santos

Foi esta sexta feira que regressamos ao subterrâneo do Teatro Rivoli, no Porto, para mais um concerto com curadoria Lovers & Lollypops. Depois de trazerem nomes como Jibóia, Pop.1280 e Za, foi a vez do baterista  nova iorquino  Greg Fox se apresentar no sub-palco do Teatro Rivoli para uma performance a solo.  

Membro integrante dos mais diversos projetos, entre os quais se encontram Liturgy , Zs e Ex Eye, com quem gravou este ano um disco ao lado do saxofonista Colin Stetson, foi com o seu segundo disco em nome próprio que Fox se apresentou novamente  em Portugal. The Gradual Progression, assim se intitula o novo disco de Fox, foi o disco que serviu de mote à tour europeia que terminou precisamente na cidade do Porto.

Para a sua performance a solo, Fox veio equipado com um software de percussão sensorial, o mesmo utilizado na produção do seu mais recente disco. Por me encontrar um pouco longe do palco não pude averiguar com mais profundidade o funcionamento deste sistema, mas com um pouco de pesquisa pude entender que a ligação dos diferentes elementos da bateria ao sistema permitem-lhe criar diversos tipos de sons diferentes, proporcionando um espetáculo mais completo num registo one man band.



Tendo o jazz sempre como base, o concerto iniciou-se de modo mais improvisado e experimental com alguns temas que poderão integrar um possível novo disco, segundo o próprio baterista. A aplicação do sistema e de pré-gravações de saxofone trazem riqueza e volume à sua atuação que recebe assim mais elementos fora da esfera jazzística como a música ambient, delineada em finas camadas de sintetizadores que surgem em perfeita união com a bateria de Fox.

Na segunda metade do concerto começávamos a ouvir alguns dos temas mais familiares que integram The Gradual Progression como “By Virtue of Emptiness (que recebeu recentemente novo trabalho audiovisual) e a poderosa “My House of Equalizing Predecessors”, onde se ouvem finalmente os tão aguardados blast beats que caraterizam o estilo de Fox, não fosse ele baterista dos vanguardistas do black metal Liturgy. Com uma bateria certeira e a velocidade estonteante, foi assim que chegamos ao fim da atuação, com uma bela e extensa versão do tema anteriormente referido. Entre as quebras e depois de uma procura pelo silêncio, Fox atacava a bateria com tudo, agora sem a companhia de sons pré-gravados. Só ele e a bateria.

Foram 40 minutos de pura intensidade executados por um dos artistas mais desafiantes e intrigantes do momento, detentor de uma sonoridade complexa que transcende as normas convencionais não só do jazz mas de uma infinidade de géneros musicais, culminando assim mais uma aposta bem sucedida no que diz respeito ao circuito musical vanguardista e mais exploratório.


Greg Fox @sub-palco Teatro Municipal Rivoli, Porto

Texto: Filipe Costa
Fotografia: Ana Carvalho dos Santos

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