segunda-feira, 4 de setembro de 2017

[Review] Dead Cross - Dead Cross


Dead Cross // Ipecac‎ / Three One G // agosto de 2017
7.5/10

O supergrupo Dead Cross, formado em 2015 e cujo pedigree inclui as milhentas vozes de Mike Patton (Faith No More, Mr. Bungle, Peeping Tom), a fúria espalhafatosa de Justin Pearson e Michael Crane (Retox), e o poderio percussivo de Dave Lombardo (Slayer, Suicidal Tendencies), lança o seu primeiro registo homónimo pela Ipecac Recordings.

Numa sonoridade enquadrada algures entre o punk hardcore e no thrash metal, e por vezes a roçar os territórios do post-hardcore, pode-se esperar por momentos de passagens sónicas ora frenéticas, ora vagarosas (e com noise regular), letras de crítica política e social tão próprias do género e, claro, os vocais esquizofrénicos - seja gritaria, seja crooning, seja algo intermédio - de Mike Patton, que tal como em qualquer um dos outros seus mil e um projetos, estão praticamente confirmados a ocupar um lugar de destaque.

Pode-se então dizer que este primeiro registo vive, primariamente, da imprevisibilidade e da fúria espalhados à volta de dez faixas com uma duração total de pouco menos de meia hora, confirmando que é um disco que faz jus ao que promete, isto é, um álbum de estrilho instantâneo puro e duro. Ao reparar em faixas como os singles "Seizure and Desist" e "Obedience School", a última música do alinhamento "Church of the Motherfuckers" e a cover aventureira q.b. da "Bela Lugosi’s Dead" dos Bauhaus, conclui-se que a banda diverte-se com esta abordagem sonora mais direta ao assunto ao longo do álbum.


No entanto, e como no caso de vários outros supergrupos, o resultado acaba por ficar um pouco aquém do esperado de músicos consumados. Enquanto que a música está longe de ser cookie-cutter, há algumas 'favas' não tão memoráveis, ou pelo menos não tão bem conseguidas, perdidas na miríade de experimentação em faixas mais curtas como "Grave Slave". De facto, o álbum perde um pouco do seu vigor algures durante a segunda metade do álbum. Isso acaba por não ser grave, pois esse vigor é recuperado quando "Gag Reflex" começa a tocar.

Este registo deverá certamente agradar a fãs do lado mais abrasivo do punk. O supergrupo da Califórnia apresenta aqui bastantes argumentos a seu favor, não só pelos talentos há muito consagrados na música pesada e alternativa que reúne, mas também por ter um estilo próprio dentro deste espectro mais alto, pesado e rápido do género, o que não é tarefa fácil. Dos Dead Cross, pode-se esperar espetáculos turbulentos ao vivo e um futuro promissor no que toca à sua evolução contínua.


Texto: Rúben Leite

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