quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Reportagem: And So I Watch You From Afar + Paisiel [Hard Club, Porto]



Na noite que marcou o regresso dos irlandeses And So I Watch You From Afar a Portugal, os primeiros a serem ouvidos foram Paisiel, duo composto pelo saxofonista alemão Julius Gabriel e pelo português João Pais Filipe, baterista e percussionista. A banda deu um concerto curto, de aproximadamente meia hora, no qual passaram tanto por músicas mais atmosféricas, como por outras que chegavam a ter momentos (quase) dançáveis. Enquanto a percussão se mantinha sem alterações durante longos períodos de tempo, o saxofone ficava com o protagonismo, com as suas diversas melodias a captar a atenção. João Filipe usou alguns dispositivos para alterar o som e criar efeitos que tornaram o concerto mais interessante. Por vezes, certos sons da bateria sobrepuseram-se demasiado ao saxofone, mas sem nunca prejudicar muito as músicas.


Paisiel

Ao som de “Tooth Moves”, de Clark, entraram em palco os And So I Watch You From Afar. O quarteto começou em grande, com “Search:Party:Animal”. Os riffs das guitarras, o poder do baixo, tudo foi amplificado ao vivo e tenho que admitir que fiquei impressionado com um início tão poderoso. De seguida tocou-se “Like a Mouse”, uma das várias músicas com melodias vocais. Não acho que encaixem sempre, mas no caso desta música resultam. Parte do público cantou em conjunto com a banda e já se notava que o ambiente estava muito bom.

O concerto continuou com músicas como “BEAUTIFULUNIVERSEMASTERCHAMPION” e “Dying Giants”, entre muitas outras. Algumas mais viradas para o math rock, outras para o pós-rock, quase todas energéticas e contagiantes, nem todas perfeitas. Não faltou energia dentro e fora do palco e a paixão de alguns fãs era notável. Fiquei com a opinião de que, às vezes, se sentiu pequenas quebras de qualidade no alinhamento ou havia demasiada repetição entre músicas, mas nada que tenha criado um verdadeiro aborrecimento. Foi sempre interessante ver estes músicos de qualidade tocar as suas músicas bem e energeticamente. Em “Set Guitars To Kill” desceram a intensidade imenso, até tocarem extremamente baixo, para depois voltarem a subir o volume.


And So I Watch You From Afar

Antes de se despedirem pela última vez, voltaram ao palco para um encore. "Run Home", "Big Thinks Do Remarkable" e "The Voiceless" fecharam o concerto. Achei a última uma má e estranha escolha para terminá-lo, pois é das músicas menos características da banda, tendo uma sonoridade pós-rock mais típica. Isto não originou um final tão espetacular como poderia ter havido com uma música mais explosiva, mas não me impediu de sair contente do Hard Club.

Reportagem fotográfica completa aqui.

Texto: Rui Santos
Fotografia: David Madeira

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