sábado, 4 de fevereiro de 2017

STREAM: The Machine Wolf - Skin


Os The Machine Wolf lançaram esta semana o segundo EP de estúdio, Skin, que dá seguimento a Electric, o EP que os estreou nos registos em 2016. Ainda a explorar uma sonoridade característica, os The Machine Wolf afirmam em Skin a sua aura eletrónica com um quê de psych-rock (ouvir "We Are Healed"), e através de quatro músicas, mostram que são uma das novas bandas portuguesas a ter debaixo de olho.

O primeiro single de avanço deste novo trabalho surgiu com "Drama", onde a banda aveirense mostrou que além de bons músicos, os The Machine Wolf têm todo um conceito artístico envolto, sabendo explorar uma imagem (já característica) e qualitativa no ramo audiovisual. O trio composto por Marcelo Pestana (voz), Gonçalo Lemos (guitarra) e Jorge Oliveira (bateria) apresenta agora um novo EP que ganha destaque nestes primeiros lançamentos do ano e é a amostra de uma banda que ainda vai dar muito que falar. 

Skin foi editado a 1 de fevereiro e pode ser ouvido a íntegra, abaixo.


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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Playlist: 6 Songs For The Devil


Esta semana atingimos um marco interessante que só se voltará a repetir daqui a alguns anos. Demorou pouco tempo mas foi giro. Alcançámos 6666 pessoas envolvidas na nossa rede social. Como agradecimento escolhemos 6 canções que de alguma forma têm uma relação com o diabo e o mundo obscuro, que num conceito reduzido e em termos numéricos podem ser representados por 666 e mais 6 à mistura. Assim, com o fim de vos fazer explorar este universo, deixamos abaixo seis canções para o diabo.

1 - Jenny Hval - The Plague


Pegamos na pop mais abstrata e avant-garde de Jenny Hval e eis que surge um disco que nos fala sobre vampiros, ciclos lunares, menstruação e filmes de terror dos anos 90.  O álbum conceptual que Blood Bitch é apresenta-nos um tema que facilmente pode ser retratado como tribal e satânico. Falo pois de “The Plague”, música que nos invade e consome a alma. Sempre acompanhada por sintetizadores arrepiantes, a antiga vocalista de uma banda de metal gótico consegue mergulhar num turbilhão de emoções que envolvem o demónio da solidão, da loucura e, por fim, da redenção. Estamos perante uma caça às bruxas, gritos lunáticos e colagens esquizofrénicas. Um quase exorcismo.

2 - King Dude - Deal with the devil 



King Dude é um já iconográfico homem das trevas. Frequentemente acompanhado pela sua garrafa de whisky, Thomas Jefferson Cowgill, de nome próprio, tem uma voz poderosa que invade a alma do ouvinte e o coloca perante sentimentos de insegurança, nostalgia, brutalidade e uma aura muito obscura, como ser. “Deal with The Devil” não é exceção e através de uma sonoridade muito próxima à de Nick Cave, King Dude pronuncia o nome do diabo enquanto o abraça o ouvinte, num aperto onde a fuga só é possível no findar da canção.

3 - Butthole Surfers - Sweat Loaf


"And by the way, if you see your mom this weekend, Be sure and tell her, SATAN, SATAN, SATAN". 
Assim termina o diálogo que inicia "Sweat Loaf", o tema de abertura do terceiro disco dos Butthole Surfers, seguido de um riff emprestado a "Sweet Leaf", dos Black Sabbath, repetido até à exaustão, num tema que tem tudo para ser apontado como bizarro, perverso e até mesmo diabólico. Uma celebração da droga em homenagem (ou sátira) a uma canção que, por si só, já é dedicada à marijuana.

4 - Slayer – Raining Blood



"Raining Blood", dos Slayer é uma música que fala sobre destruir o paraíso e que acaba com sangue a cair do céu. É difícil fazer algo mais diabólico que isto. Tanto a letra como o instrumental, rápido e barulhento, são muito intensos. Esta música não só tem alguns dos riffs mais icónicos da banda, mas também solos extremamente arrebatadores onde ambas as guitarras gritam e o barulho sobrepõe-se a qualquer melodia. Um dos melhores e mais marcantes momentos do thrash metal.

5 - Black Sabbath – Black Sabbath


Não só um dos mais populares exemplos do Demónio na música popular como um dos primeiros, a música "Black Sabbath", da banda Black Sabbath, do álbum Black Sabbath tornou-se um pilar para todos aqueles que querem inserir influências demoníacas na música.

Reza a lenda que a letra desta música foi inspirada numa experiência de Geezer Butler (principal letrista da banda). Nos primórdios de Black Sabbath (quando ainda se chamava Earth) decidiu pintar o seu apartamento todo de preto e colocar crucifixos invertidos pelas paredes. Para complementar a decoração, Ozzy Osbourne (esta história não ficava completa sem ele) ofereceu ao seu colega um livro sobre bruxaria. Depois de o ler, Geezer colocou-o numa prateleira ao lado da sua cama. Quando acordou, a primeira coisa que viu foi uma figura de negro aos pés da sua cama. Após se ter levantado a figura desapareceu e o livro também.

Para além da letra sobrenatural, também o instrumental contem influências satânicas, uma vez que o riff principal contem o trítono invertido, também conhecido como o Diabolus in Musica. A influência desta musica é incontornável na música moderna tendo gerado não só inúmeras bandas como também diversos géneros.

6 -  Burzum - Beholding The Daughters Of The Firmament


Apesar de Varg Vikernes não se afirmar como satânico, não há nada que grite mais '666' que Burzum. A banda norueguesa, no qual Varg é o único integrante, tem uma história algo conturbada com homicídios e queimas de igrejas. Ainda assim, a sonoridade distorcida e lo-fi de Burzum continua a inspirar inúmeras bandas de metal (e não só). O projeto terminou, mas o legado de Filosofem continua vivo até aos nossos dias. "Beholding The Daughters Of The Firmament" é uma das músicas deste disco, um álbum que ficou escrito nos anais do black metal.

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Oiçam aqui três temas de "Mudra", o novo disco de Marco Franco


Marco Franco, o baterista dos Memória de Peixe e um músico com uma vasta experiência nos campos rock e jazz tem novo disco em nome próprio, Mudra, onde a aposta se centra num só intrumento: o piano. 

Este primeiro álbum a solo, no teclado, transmite uma tensão minimalista tendo sido inspirado no passado profundamente enraizado nos movimentos indie e jazz, (Mikado Lab), para um futuro sedimentado num contexto mais erudito, mas que não se dilui em comunicação. Em press release, "Mudra, mais do que uma forma de identificar posturas e de melhor definir, através delas, outputs criativos, espirituais e sensoriais, é o documento de Marco Franco sobre as suas possibilidades; sobre a melhor forma de canalizar energias através das mãos".

Mudra tem selo da Revolve e é editado oficialmente a 7 de março. Podem ouvir os três primeiros singles de avanço deste disco abaixo.


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Lisbon Psych Fest 2017 anuncia novas confirmações



O Lisbon Psych Fest (LPF 2017) está de volta entre os dias 7 e 8 de abril ao habitual Teatro do Bairro, em Lisboa. O psicadelismo regressa novamente em peso à cidade de Lisboa e promete um fim de semana intenso de música no Bairro Alto.

Desde a sua estreia em 2015, o Festival, organizado pela produtora Killer Mathilda, já contou com concertos de bandas como The Vacant Lots, Black Market Karma, GNOD, The Underground Youth, Chicos de Nazca, ou 10 000 Russos


Esta semana foram confirmados mais alguns nomes que compõe o cartaz: o regressos dos berlinenses Camera, Sugar Candy Moutain, The Miami Flu e Hércules a 7 de abril;  K-X-P, The Japanese Girl e Qer Dier a 8 de abril.



Lisbon Psych Fest está também a preparar uma festa de preparação para o festival a 18 de março com os holandeses The Wild Rasperries, no Damas, Lisboa.

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Reportagem: Death Valley Girls [Cool Trash Club #2, Sabotage - Lisboa]


Na semana passada, numa quarta-feira fria e chuvosa, fomos até ao Sabotage Club para ouvir o punk rock das Death Valley Girls. Como o concerto era num dia de semana, e devido ao tempo pouco apetecível para sair debaixo das mantas, o Cais estava quase vazio. Mas ainda assim, o Sabotage foi-se enchendo bem para a segunda edição do Cool Trash Club

Não muito tempo depois da hora prevista para o começo do concerto, e já com um público bem composto, as Death Valley Girls entraram em palco para começar a noite. As raparigas de Los Angeles (com a exceção do guitarrista homem) editaram o seu segundo disco no passado mês de junho, via Burger Records, com o nome Glow In The Dark. E foi em tour deste novo disco que as Death Valley Girls vieram a Lisboa, onde foram recebidas da melhor maneira. 


Mal o concerto tinha começado e já podíamos sentir a energia da banda californiana, um punk perigoso para os que sofrem do coração. “Death Valley Boogie”, “Seis Seis Seis” e “I’m A Man Too” foram algumas das músicas ‘novas’ que as raparigas apresentaram em Lisboa. Elas que iam interagindo bastante com o público, sempre simpáticas e bem-dispostas a falar com os presentes. 

A vocalista até distribuiu abraços depois de uma música que falava sobre LSD, tal era o ambiente dentro do Sabotage. Alem das malhas do novo álbum, houve também espaço para algumas das antigas. Como “Gettin’ Hard” e “Electric High”, duas das músicas mais apreciadas das Death Valley Girls. Este concerto mostrou o melhor que se faz na cena actual do punk californiano. Um concerto intenso, sem grandes complicações, e que esteve bem à altura do Sabotage Club.

Death Valley Girls @ Cool Trash Club

Texto: Tiago Farinha
Fotografia: Rui Gameiro

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

UM AO MOLHE regressa já esta sexta-feira em Vila Real


O UM AO MOLHE, festival itinerante de One-Man Bands, está de regresso à estrada. Com duas edições de sucesso, o festival deu a conhecer já vários artistas, percorrendo várias cidades e sempre com o apoio inestimável de diversos parceiros de viagem. 

Em 2017, o cubo volta a representar os artistas a solo e a fazer-lhes companhia durante 3 meses. Com festa de abertura agendada para dia 3 de Fevereiro em Vila Real, o UM AO MOLHE tem rota traçada de Fevereiro a Abril, por muitos lugares de Portugal. A novidade deste ano é a inclusão de uma tour europeia por Espanha (Zaragoza, Barcelona, Santiago de Compostela, Madrid) e França (Montpellier, Toulouse)


No cartaz da terceira edição encontramos nomes já familiares de edições passadas, como Acid Acid, Alek Rein, Gobi Bear, Surma, Coelho Radioactivo, Joana Guerra, Daniel Catarino, Rapaz Improvisado, O Manipulador, Tren Go! Sound System, Calcutá, e muito mais. Também novos nomes serão apresentados, que prometem concertos imperdíveis, como Mr. Gallini, O Lendário Homem do Trigo ou emmy Curl, entre outras novidades a anunciar. 


De 2 a 11 de março, em modo de comemoração do Dia Internacional da Mulher, o UM AO MOLHE dedica uma semana exclusivamente às One-Woman-Bands, organizando concertos, workshops e outras atividades, de norte a sul do país. 

Podem consultar em baixo toda a programação do mês de fevereiro:


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Woods com passagem no Musicbox em abril

Foto de Woods.

Depois de terem marcado presença na tarde solarenga do ultimo dia do festival Vodafone Paredes de Coura de 2015, a banda norte americana de psych folk, Woods, regressa a Portugal com um concerto no Musicbox, Lisboa, no dia 9 de abril.

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Fleet Foxes vão tocar em Portugal em julho



O vocalista dos Fleet Foxes, Robin Pecknold, confirmou no seu Instagram que a banda vem a Portugal em julho deste ano. A banda folk regressou o ano passado, após um período de hiato, e deverá lançar em breve o seu terceiro álbum de estúdio.


A banda deverá marcar presença no NOS Alive ou no Super Bock Super Rock, mas para já ainda não foi feita uma confirmação oficial por parte de nenhum festival ou promotora.

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Noiserv em entrevista:" A música portuguesa está numa das melhores alturas"


Três anos depois da edição do último longa duração, noiserv regressou com disco novo. 00:00:00:00 é o nome do sucessor de Almost Visible Orchestra, e foi descrito pelo músico lisboeta como “a banda sonora para um filme que ainda não existe, mas que talvez um dia venha a existir”.

Neste disco noiserv substitui a sua tão característica "orquestra de sons" para nos mostrar um piano tocado a muitas mãos e uma voz que nos conta histórias em português. 

Threshold Magazine (TM) - O que podemos esperar de 00:00:00:00?

Noiserv - O esperar é relativo. Cada um tem que ouvir e perceber se gosta ou não gosta, perceber o que as músicas dizem. Embora este disco seja um bocado diferente dos outros e de se focar só no piano, acho que as músicas todas passam pelo mesmo género, de auto-crítica minha. Tenho de gostar muito das músicas para elas saírem. O que as pessoas podem esperar é um conjunto de músicas que eu gosto, à partida. Agora se as pessoas vão gostar disso ou não, depende das suas próprias conclusões

TM - O que te levou a deixar a tua “orquestra de sons” e a pegar no piano?

Noiserv -
Não foi bem deixar porque não sei se o meu próximo disco será obrigatoriamente em piano. A escolha dos discos, pelos menos para mim, é uma coisa que tu defines à partida, de como é que vai ser o disco. É tudo uma consequência de co
nsequências, de coisas que tu vais fazendo e pequenos rascunhos de músicas que vais escrevendo. E de repente tens 10 rascunhos de músicas, e neste caso, esses 10 rascunhos que tinha eram em piano. Sendo um instrumento que eu gosto tanto, se não fosse agora, seria mais tarde que iria fazer um disco em piano. Como já tinha tantos rascunhos de músicas, pensei em fazer agora esse disco. Portanto, não foi obrigatoriamente a ideia de fugir ao que já tinha, foi mais aproveitar as coisas que surgiram ao piano.


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TM - E a parte de contares estórias em português?

Noiserv - Isso vem também das primeiras brincadeiras que fiz com melodias, a cantar por cima dessas ideias ao piano. Fez-me sempre mais sentido em português, não sei muito bem porquê. A língua portuguesa encaixou melhor nos espaços que o piano deixava. Cheguei a fazer um ou dois testes em inglês e pareceu-me mais forçado. Aquilo que para outra estética me parece forçado em português, em inglês encaixa melhor. Aqui o português fez-me mais sentido. Mais uma vez, não foi "vou fazer um disco em piano e em português", nunca pensei isso. As coisas foram acontecendo e depois tomei decisões consoante aquilo que se foi passando. 

TM - Porque é que todas os títulos das canções são números?

Noiserv - Deve-se ao conceito do disco. A ideia é ser a banda sonora de um filme que ainda não existe, e se o filme não existe, então não existem as cenas onde aquelas músicas iriam aparecer. Nas bandas sonoras o que define o titulo da música acaba por ser o capítulo. Como isso não existia, pensei que não podia dar um nome à música, para não limitar a ideia desse possível filme. Desses rascunhos todos que tinha, na altura eram à volta de 30, as músicas que foram ficando mantiveram-se com o nome que tinham inicialmente. Portanto, a "SETE" foi o sétimo rascunho que fiz. Fui mantendo a ordem com que as músicas foram feitas.

TM - Se alguém quisesse utilizar a tua música como banda sonora, isso seria possível?

Noiserv - Penso que sim. Acho que se o filme fosse todo feito, as músicas utilizadas no filme fossem todas aquelas e isso fizesse sentido, justificaria todo o conceito do disco. Por isso, sim, se esse filme surgisse acho que seria engraçado perceber como aquilo funcionaria. 

TM - Em que é que te inspiraste neste disco? 

Noiserv - Nunca há assim nada que me inspire muito, o que inspira é eu gostar daquilo que está a acontecer, daquela mudança de acordes fazer sentido. E o que me leva a tomar as decisões não é estar a ser influenciado por um disco que ouvi, mas é a minha intuição, aquilo que gosto de ouvir ou não. Nestas músicas de piano, foi o conjunto das oito músicas que eu tinha, aquelas que eu mais gostei e que gostaria de ouvir num sitio qualquer. Não houve uma inspiração transversal às músicas, a ideia de ser filme acabou por condicionar um bocadinho a parte toda instrumental e de não serem mais músicas cantadas. Enquanto filme, haver uma grande componente instrumental seria importante. Isso terá sido a única coisa que influenciou alguma decisão mais relativa às músicas. 

TM - Algumas das músicas fizeram-me lembrar a banda sonora de Good Bye Lenin! do Yann Tiersen. 

Noiserv - Pois, eu acho que a sonoridade pode lembrar, o ambiente poderá ser parecido até porque vem do piano. 

TM - Aqui estamos também no espaço da banda sonora.

Noiserv - Sim, portanto ainda mais se liga. Mas lá está, não foi ouvir aquela e pensar "Vou fazer um disco igual àquele".

TM - Como surgiu a ideia para o vídeo de “SETE” e “VINTE E TRÊS”?

Noiserv - Os vídeos são todo um processo grande de ouvir a música e perceber o que pode acontecer ou não. A "SETE" era aquela do disco que era claramente uma banda sonora, quase até separada de uma coisa qualquer. Rapidamente percebi que podia criar um género de um mundo alternativo para aquela música ser a banda sonora desse tal mundo. Mais ou menos em simultâneo com isso, acabei por conhecer as pessoas que são os donos daquela maquete e estavam a pensar em fazer um vídeo para a promover. Então juntamos as duas coisas e resultou num mini-filme com banda sonora.



A "VINTE E TRÊS" vem toda de uma série de coisas, da própria letra falar da ideia de olhares para o mundo que te rodeia e o que é que podes ou não mudar nele. Há uma teoria qualquer que as pessoas nunca se olham nos olhos durante muito tempo e que desviam o olhar. Achei que tinha piada olhar de frente para a câmara e, se a pessoa quiser, pode estar dois minutos a olhar claramente para mim, sem desviar o olhar. E isso também com a ideia da letra estar a passar ao contrário. É a pessoa que está a olhar, que está a ler aquilo. O olho representa uma série de metáforas, por isso experimentei fazer o vídeo e vi que funcionava.

TM - Uma das coisas que me surpreendeu no álbum foi a maneira como acaba repentinamente. 

Noiserv - Sim, eu acho que as músicas até acabam todas um bocadinho assim. 

TM - A primeira vez que ouvi o álbum, pensei que vinha uma música a seguir à ultima música. Isso tem algum significado em especial?

Noiserv - Vem da ideia de que tudo na vida, e as músicas também, tudo isto poderá ser uma coisa contínua. Essa paragem que tu sentes pode, em particular naquele disco, fazer com que tu o oiças desde o princípio outra vez. Aquilo não tem que terminar ali, não tem que ter um princípio, um meio e um fim fechado. E quando tens um corte abrupto é como se aquilo ficasse no ar, o final fica no ar, o final desse tal 'filme' ou da tua vida. Muitas vezes eu sentia que, como estava a dizer, todas as músicas são um bocadinho assim, que todas elas estão a respirar, enchem-se de ar e aquilo corta. É precisamente para a seguir teres espaço para o vídeo.

TM - Isso é muito normal nas bandas sonoras.

Noiserv - Sim, cria ali um espaço vazio que depois pode ser preenchido ou não.

TM - Quando estamos no filme não se nota isso, só quando se ouve a banda sonora em separado.

Noiserv - No filme elas acabam por ser mais cortadas, e nunca ouves a versão total.

TM - O que podemos esperar do concerto de apresentação no São Luiz? Há alguma surpresa em especial?

Noiserv - A surpresa maior é eu tocar estas músicas ao vivo. Mas como acredito sempre, não é por o disco ser diferente que as outras músicas não fazem parte também do que é Noiserv. O concerto será um conjunto das músicas mais antigas e com estas novas lá pelo meio. Até para eu próprio conseguir perceber de que forma é que o registo dos vinte instrumentos em simultâneo de repente passa apenas para um. 

TM - Eu já vi alguns concertos teus e em alguns tinhas um apoio visual.

Noiserv - Aqui neste não vai haver. É mais fechado na parte dos instrumentos e na parte da música mesmo.

TM - Vi que tens atuado em França e ainda tem muitas datas pelo país dos gauleses. Como é que está a ser essa experiência?

Noiserv - Está a ser boa. Acho que quando se faz música, ou outra coisa qualquer que gostas, falando então da música, o melhor que pode acontecer é teres mais pessoas para mostrar. É por isso que a música está a chegar a cada vez mais pessoas. 

Claro que sendo Portugal o meu país, sinto sempre um grande orgulho de conseguir perceber que cá a música está claramente a chegar a mais pessoas. Mas conseguires sair do teu próprio país, perceberes que noutros países essa pequenina coisa também vai crescendo, e secalhar, num concerto que fazes um dia, um mês depois és capaz de ver uma ou duas pessoas que estiveram nesse concerto. Parece que o "passa a palavra" e a música vão furando o país, e perceber que isso está a acontecer é uma coisa que me deixa muito contente. Faz-me perceber que a música também poderá funcionar lá fora.


TM - Agora há imensas bandas portuguesas que fazem tours pela Europa.

Noiserv - Sim, eu acho que se está numa das melhores alturas para a música portuguesa. E então acho inevitável que isto não poderia ficar tudo aqui.

TM - E nem são as bandas assim mais conhecidas, são as ditas mais alternativas.

Noiserv - As bandas mais conhecidas acabam por ter uma logística já tão complicada, que a ideia de ir com malas às costas para o estrangeiro custa muito mais.

TM - Agora se for uma banda, por exemplo First Breath After Coma.

Noiserv - Sim, ainda agora estiveram em tour.

TM - Pegaram na carrinha, foram e andaram por vários paises. É mais fácil assim.

Noiserv - Isso faz bem à música portuguesa. Não só a eles que estão a tocar, mas a todas as bandas portuguesas. Eu pelo menos sinto que cada vez que dou um concerto (lá fora), e as pessoas percebem que sou de Portugal, há um interesse em perceber o que se faz cá. E depois é quase como uma "bola de neve", se começa a ir uma banda começa a ir uma, duas, três, por aí fora. 

TM - O que tens ouvido ultimamente?

Noiserv - Sei lá, nem sei. (risos)

TM - Assim um disco que tenhas no carro.

Noiserv - Tenho o do Kendrick Lamar, que não tem assim muito haver com os pianos (risos). As pessoas falavam muito bem mas nunca tinha dado muita atenção, mas depois de ter ido ao SBSR e ter visto o concerto deu-me assim alguma coisa. 

TM - É curioso que bastantes pessoas dizem que ouviram o Kendrick Lamar. Por exemplo, o ano passado entrevistamos o Bruno Pernadas e ele disse que andava a ouvir muito. A Joana Barra Vaz também. Mas é engraçado como ouvem estilos tão diferentes (dos que produzem).

Noiserv - Acho que por norma uma pessoa ouve quase todos os estilos, por isso aquela questão das influências também é sempre relativa. Não tens sempre que ouvir a música que fazes, até faz sentido ouvires de tudo um pouco para a tua ser diferente das outras.

TM - E a nivel dos melhores concertos que tenhas visto este ano?

Noiserv - O Kendrick Lamar foi fixe. Acho que não houve nada assim incrível que tenha visto este ano. Quer dizer, houve os Radiohead, mas que foram um bocado desilusão pelo concerto em si, não por eles. Aquele sitio também não é para eles.

TM - Sim, o espaço não é o melhor.

Noiserv - Mas eu tinha-os visto lá há 3 ou 4 anos e achei incrível. Acho que o som estava mau mesmo, houve ali uns problemas técnicos.

TM - Mas nesse concerto eles tocaram o que quiseram. E eles agora também quiseram tocar alguns hits.

Noiserv - Sim, a parte do "Creep" achei um bocado fora.

TM - E Primavera Sound?

Noiserv - Primavera não fui porque tinha um concerto num sitio qualquer. Este ano só fui um dia ao Alive, ao Super Bock e Paredes de Coura, nem vi LCD Soundsystem, fui mais tarde. Até achei o cartaz deste ano assim mais fraco. Acho que gastaram o dinheiro todo nos LCD e então não houve nada que me surpreendesse. Os Cigarettes After Sex foram fixes, mas do palco principal não achei assim nada especial.

TM - Pronto é tudo, obrigado!

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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Mac DeMarco com duas músicas novas


Mac DeMarco está de regresso com duas novas músicas, "My Old Man" e "This Old Dog". Ambas irão integrar o seu próximo álbum, This Old Dog, a sair no dia 5 de maio pela Captured Tracks.

Aqui ficam a tracklist do álbum e as canções novas:

01 My Old Man
02 This Old Dog
03 Baby You’re Out
04 For the First Time
05 One Another
06 Still Beating
07 Sister
08 Dreams From Yesterday
09 A Wolf Who Wears Sheeps Clothes
10 One More Love Song
11 On the Level
12 Moonlight on the River
13 Watching Him Fade Away




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Kraftwerk e Moderat no Festival Neopop


É verdade, esta manhã acordámos com a notícia de que o festival de música electrónica Neopop confirmou, a partir da rádio Antena 3 e do programa "Manhãs da 3", que trará  Moderat e ainda os alemães Kraftwerk para mais um concerto 3D.

A notícia está a começar a espalhar-se pela Internet visto ser uma das bandas criadoras da música electrónica e do krautrock, os Kraftwerk, alemães com êxitos desde "Ruckzuck" a "Autobahn", e ainda o afamado grupo que passou pelo NOS Primavera Sound no ano transacto, Moderat

A juntar-se a estes dois nomes estão Dax J, DJ StingraySonja MoonearRødhådPlanetary Assault Systems, Eric Cloutier, Voiski e Paula Temple.

Estes e mais nomes poderão ser vistos de 3 a 5 de Agosto em Viana do Castelo. Os passes gerais já se encontram à venda pelo preço de 75 euros até Março, e podem ser adquiridos aqui.



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Cinco Discos, Cinco Críticas #22


Em mais uma edição do "Cinco Discos, Cinco Críticas" focamo-nos desta feita nos trabalhos por editar de FLeUR e Björn Magnusson, nos recém editados discos de Heaven Pierce Her Alex Chinaskee  e ainda no EP dos The Moonlandingz, que chegou às prateleiras o ano passado. As críticas completas, a ler abaixo.



The Space Between // Bosco Records // fevereiro de 2017
7.5/10


FLeUR é o projeto experimental italiano dos músicos Francesco Lurgo e Enrico Dutto. A sua música é caracterizada pela coesão na junção de diversos elementos eletrónicos produzidos e samples musicais com instrumentos, como o piano e a guitarra. O resultado surge na criação de uma paisagem sonora que junta o mundo abstrato digital a componentes dos movimentos post-rock e dark.
The Space Between é o disco de estreia da dupla, composto por oito músicas, e onde o resultado é difícil de rotular nalgum género musical existente. Há uma atmosfera sombria em cada single e uma profundidade musical que envolve qualquer ouvinte. Temas como "Komishe", "Last Contact" ou o homónimo "The Space Between", exploram os sentimentos profundos e escondidos entre os sistemas subconsciente e inconsciente. The Space Between sucede o EP Supernova, Urgent Star(2014), que contou com Fabrizio Modonese Palumbo (Larsen) na guitarra elétrica.
O novo disco dos FLeUR é recomendado aos fãs de Andy Stott e/ou Tim Hecker. e recomendado a ouvir a quem esteja num "relaxed mood".

Sónia Felizardo

Almost Transparent Blue // Specter Fix Press // fevereiro de 2017
6.0/10


Björn Magnusson lança  a 3 de fevereiro o seu primeiro disco em nome próprio, que receb o nome de Almost Trasparent Blue. O disco é o resultado de anos de tours e gravações sob o nome Great Black Waters, o antigo apelido da sua mistura de rock&roll existencialista e irracional. Depois de dois álbuns, incessantes mudanças de setlists nos concertos e algumas colaborações, Björn Magnusson apresenta agora uma nova coleção de músicas, num registo mais pessoal e folk, em baixa qualidade, a fazer lembrar Tomorrows Tulips e Kevin Morby.
Os temas de Almost Transparent Blue começaram a ser compostos quando Björn Magnusson esteve em New Orleans durante umas semanas e gravou os primeiros protótipos num gravador de cassetes. Estes protótipos foram posteriormente retrabalhados e mixados no estúdio caseiro e analógico do músico suiço.  Almost Transparent Blue é composto assim por dois lados A (mais experimental) e B, contendo um total de 13 canções.
Músicas como "Gone To Church, Feather Dragpies" ou "New Bodies" têm uma atmosfera psicadélica e fazem viajar até à Califórnia onde o moviemento DIY na cena lo-fi é abundante. Almost Transparent Blue é um disco típico para ouvir na Primavera e/ou Outono, pelo seu característico compasso desacelerado que, ao nível do ouvinte, proporciona facilmente sensações nostálgicas. Contudo, como resultado final e essencialmente pela falta prolongada de estímulos enérgicos, Almost Transparent Blue não é um disco suficiente bom para convencer o ouvinte.



Sónia Felizardo


Blak Hanz EP // Transgressive Records // novembro de 2016 
7.0/10

Os The Moonlandingz são um dos mais recentes supergrupos que estão a causar a burburinhos psicadélicos. Formados pelos Eccentronic Research Council e por Saul Adamczewski e Lias Saudi dos Fat White Family, esta colaboração surgiu do álbum Johnny Rocket, Narcissist & Music Machine…I’m Your Biggest Fan dos ERC onde Lias interpretou Johnny Rocket. Este fê-lo de uma forma tão convincente que os músicos acharam que estas personagens deveriam ganhar vida. Em 2015, vimos o primeiro EP sair para as prateleiras, este (Blak Hanz) serve como ponte para o álbum de longa duração que vai ser lançado este ano. Se o primeiro EP funcionou para mostrar umas faixas mais concretas, este serviu para expandir o espectro psicadélico da definição de rock psicadélico. A faixa titular "Black Hanz" funciona como um Ziggy Stardust inverso, um extraterrestre, Johnny Rocket, que comunica com a humanidade através da sua música, uma mensagem narcisista, masoquista e de afastamento da sociedade. Embora não tão eficaz como o primeiro EP, Blak Hanz funciona como o derradeiro aperitivo antes da banda lançar por fim o seu primeiro longa duração.



Hugo Geada



Zen, or the Means Without Ends // self-released // janeiro de 2017 
7.5/10 

No primeiro dia de 2017, o finlandês Heaven Pierce Her estreou o seu projecto musical com Zen, or the Means Without Ends, um disco duplo se apresenta como sendo post-rock mas que se revela uma mistura de inúmeros géneros musicais, faseados, sendo este um dos seus pontos fortes. Com faixas a atingir os vinte e os trinta minutos este disco "brinca" com mestria e coesão com as várias vertentes do rock tornando-se numa viagem a repetir várias vezes. Tomemos como exemplo o tema "Shõgun (Wage Your Wars Against The Very Heavens Themselves)" que inicia num registo drone, passa pelo noise, post-rock e termina como noise ou a faixa homónima ao disco na qual uma fase de stoner se transforma facilmente numa fase post-rock. Zen, or the Means Without Ends certamente não será um dos melhores discos do ano mas não deixa de ser de audição quase obrigatória, devido à sua qualidade inegável à qual se acresce o espanto de pensar que estamos perante uma one man band


Francisco Lobo de Ávila




Trocadinhos ao Pôr-Do-Mi // French Sisters Experience Records // janeiro de 2017 
7.3/10

Alex Chinaskee é o alter ego de Miguel Gomes, que normalmente se apresenta no formato de banda Os Camponeses. O artista lisboeta apresenta-se aqui a solo com Trocadinhos ao Pôr-Do-Mi, um EP gravado inteiramente pelo próprio Miguel Gomes num 8-pistas, e editado via French Sisters Experience Records & Co. O álbum começa com a música que dá o nome a este EP (depois de uma pequena intro), um instrumental que marca a sonoridade para o resto do álbum. "Llama Ama Lama" e "Remédios de Gente" são duas músicas que se destacam neste registo. Duas faixas calmas, com a guitarra acústica do Alex acompanhar a voz reverberada. O que se nota principalmente em "Remédios de Gente". Se o EP tivesse mais músicas, estas duas eram capazes de serem as melhores. "Tenho a Vista Curva" segue-se na mesma sonoridade das músicas anteriores. Malhas lo-fi de fácil audição, que dariam para ouvir numa tarde chuvosa. 
Trocadinhos ao Pôr-Do-Mi acaba da mesma maneira que começou, uma faixa com barulhos variados por trás, como se fosse a introdução para o silencio. 


Tiago Farinha

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