sábado, 18 de março de 2017

Reportagem: Russian Circles + Cloakroom + Putan Club [Hard Club, Porto]


© Ana Carvalho dos Santos

No passado sábado passamos pelo Hard Club, no Porto, para assistir ao regresso do portento post-rock instrumental Russian Circles, em mais uma sessão lotadíssima organizada pela Amplificasom, numa sala principal a abarrotar cheia de fãs fervorosos prontos para mais uma excelente exibição do trio americano que se apresentava no nosso país pela sétima vez, tendo atuado na noite anterior no RCA Club em Lisboa. 

No entanto, o certame da noite não se compunha apenas por uma banda, com os Cloakroom a apresentarem-se pela primeira vez no nosso país com a sua música de difícil categorização. A acrescentar a uma noite que por si só já gerava bastantes expectativas, foi anunciada ainda uma banda surpresa para a abertura dos concertos, e o fator surpresa não poderia ter corrido melhor já que, depois de alguns imprevistos que nos impossibilitaram de chegar a tempo do início da atuação, nos deparámos com um palco vazio ao som de guitarras ensurdecedoras acompanhadas de bateria e vozes pré-gravadas. 

Tratavam-se, pois claro, dos Putan Club, dupla fervorosa e irreverente italo-francesa que se encontrava entre o público como já nos vieram a acostumar ao longo das suas várias passagens pelo nosso país. Do concerto, pouco foi possível retirar para além do seu discurso final acerca dos princípios que marcam os Putan Club, a sua ética e opinião em relação ao mundo e à indústria musical e ao seu ódio pela crítica.




Seguiram-se então os Cloakroom, trio natural do Indiana que nos trouxe a sua música, que os próprios intitulam de “stoner emo”, uma expressão algo jocosa mas que demonstra a tarefa complicada que é categorizar o seu som num só género. Com uma sonoridade que vai desde o shoegaze ao músculo do post-hardcore, ritmos que bebem do slowcore e uma lírica influenciada pelo passado emo do vocalista Martin Doyle, ex-vocalista dos Grown Ups, os Cloakroom subiram ao palco para o desconhecimento de muitos dos presentes que aguardavam por Russian Circles, o claro destaque da noite. 

Sem grandes falas e cerimónias, o trio americano iniciou o seu concerto ao som de “Paperweight”, tema de abertura do excelente Further Out, o disco de estreia editado pela Run For Covers e que recebeu grande atenção na sua performance, passando ainda por temas como “Moon Funeral”, e “Big World”, o mais recente single da banda lançado pela Relapse Records a quem se juntaram recentemente e  que integrará o seu segundo longa duração. 

O momento alto do concerto viria a ser uma bela rendição de “Farwell Transmission”, uma das canções mais conhecidas de Songs: Ohia, alter ego do malogrado Jason Molina, a quem a banda americana prestou uma bonita homenagem. Em pouco mais de quarenta minutos, os Cloakroom apresentaram-se de modo exemplar com uma performance respeitável que teria ganho ainda mais se tocada numa sala mais pequena. 



Chegávamos, então, ao momento alto da noite, com os Russian Circes a subirem, por fim ao palco. Depois de várias passagens completamente esgotadas no nosso país, e de marcarem presença no Amplifest de 2013, o trio de post-rock instrumental subiu novamente à sala principal do Hard Club para apresentar o mais recente disco Guidance. E foi com os dois primeiros temas de Guidance que os Russian Circles iniciaram o concerto, com a calma de “Asa” a servir de introdução para a colossal “Vorel” se seguir imediatamente, demonstrando toda a sua imponência em palco para regozijo dos muitos fãs que os assistiam com entusiasmo.

Com uma setlist a rondar um pouco de toda a sua discografia, os momentos mais celebrados foram, sem dúvida, os temas pertencentes a Memorial, com “Deficit” e “1777” a receberem grande ovação e aplausos, passando ainda por “Mladeck”, mais um dos temas favoritos do público a fazer-se sentir já no fim do concerto que encerrou com “Youngblood”, tocada já durante o encore inevitável.
  
Apesar da sua sonoridade familiar e caraterística, os Russian Circles demonstraram-se, mesmo assim, imponentes e em muito boa forma. O concerto rico em intensidade e riffs abrasivos reforçou o seu percurso como claras figuras cruciais dentro do género, apresentando um concerto mais que seguro e dentro do expectável que não terá desiludido, de todo, a sua fanbase, encerrando assim mais uma noite que se fez triunfante.


Russian Circles + Cloackroom + Putan Club @ Hard Club, Porto

Texto: Filipe Costa
Fotografia: Ana Carvalho dos Santos

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quinta-feira, 16 de março de 2017

Cult.Urb_Viseu.Fest no Carmo'81 de 1 a 31 de abril


Cult.Urb_Viseu.Fest está de volta para a sua 2ª edição. O festival organizado pela Acrítica C.R.L. consiste num conjunto de eventos que, ao longo de todo o mês de Abril e através de uma mescla dos conceitos de cultura e de cidade, pretendem contribuir para uma oferta cultural pertinente e com consistência.

A diversidade de linguagens artísticas é uma das marcas do evento, sendo criados diferentes momentos que contribuem para um conjunto sólido e coerente: música, arquitectura, edição de autor, literatura, livro e biblioteca, cinema, pintura e fotografia de retrato. Cult.Urb_Viseu.Fest acontecerá entre 1 e 30 de Abril no espaço cultural Carmo’81.


Fiquem com a programação completa do evento:

MÚSICA: Paus, White Haus, Riding Pânico, Memória de Peixe, Galo Cant’às Duas, João Lugatte, DJ Quesadilla, DJ João Vieira.

LITERATURA: Rui Zink, Maria João Fonseca, Inês Flor, João Pedro Azul, Mostra Internacional de Fanzines e de Edições de Autor, Feira do Livro Usado

CINEMA: João Salaviza, Shortcutz

PINTURA: Margarida Fleming

ILUSTRAÇÃO: L Filipe Santos

FOTOGRAFIA: John Gallo

ARQUITECTURA: Pedro Gadanho

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King Krule confirmado no Vodafone Paredes de Coura



A organização do festival Vodafone Paredes de Coura confirmou hoje com mais um original vídeo a presença do britânico King Krule. Esta é uma das mais aguardadas confirmações do ano já que a última passagem do rapaz de nome Archy Marshall fez-se há 5 anos, no Vodafone Mexefest, por alturas do seu primeiro EP. 

Em 2016, Archy Marshall atreveu-se por uma nova etapa com o seu primeiro disco em nome próprio, influenciado pelo seu gosto pela música  hip hop e pelo beat making, e com um registo mais downtempo que os seus anteriores trabalhos como King Krule.

O Vodafone Paredes de Coura realiza-se de 16 a 19 de Agosto e podem adquirir os passes gerais ao preço de 90€.


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Galeria Zé dos Bois: Programação de abril e maio

Bing & Ruth

A Galeria Zé dos Bois continua a trazer-nos novidades, desta vez para os meses de abril e maio. Às actuações já confirmadas de Drinks (Cate Le Bon & Tim Presley), Ryley Walker e Moor Mother, juntaram-se nomes como Peter Kember aka Sonic Boom com o seu projeto Spectrum, a estreia nacional de Bing & Ruth, o regresso de Pharmakon e o doom britânico dos Bong


Abril

Spectrum AKA Sonic Boom

1 de abril (Sábado) às 22h - Victor Herrero | João Raposo - 6€

10 de abril (Segunda) às 22h - Drinks (Cate Le Bon & Tim Presley) - 12€

12 de abril (Quarta) às 22h - Ryley Walker Band - 8€

19 de abril (Quinta) às 22h - Daniel Bachman | Pedro Sousa - 8€

20 de abril (Quinta) às 22h - Moor Mother | Joana da Conceição - 8€

24 de abril (Segunda) às 22h - Spectrum (AKA Sonic Boom) - 12€



Maio

Pharmakon

3 de maio (Quarta) às 22h - Pharmakon 

6 de maio (Sábado) às 22h - Beau Wanzer + DJ Problemas + Pudeur + Stasera + Sar - 6€

13 de maio (Sábado) às 22h - Carla Dal Forno 

18 de maio (Quinta) às 22h - Bong

23 de maio (Terça) às 22h - Bing & Ruth  

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Graveyard e mais seis nomes confirmados no Milhões De Festa


Hoje, quinta-feira, foi dia de mais confirmações em Barcelos após uma espera que nunca mais parecia terminar. 

Graveyard, banda sueca que tinha feito um breve interregno, regressam ao Milhões de Festa depois de terem feito parte do cartaz em  2011 voltam para um "Festão Mínimo Garantido" como a organização do festival garante e tem feito cumprir ao longo desta última década.

A Graveyard juntam-se também Powell, Switchdance, TAU, Live Low, DJ Katapila e ainda Conjunto Cuca Monga, ou seja, membros de Capitão Fausto e Ganso no supergrupo de Alvalade. 

Isto tudo e muito mais poderá ser visto dos dias 20 a 23 de julho, em Barcelos. Os bilhetes já se encontram à venda pela módica quantia de 50 euros.

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Esta semana há Motorama e A Dead Forest Index no Porto e Lisboa


Esta semana os Motorama regressam ao Portugal, ao lado dos neo-zelandeses A Dead Forest Index, para dois concertos no Porto e Lisboa que acontecem respetivamente a 18 de março (sábado), no Hard Club e 19 de março (domingo), no Sabotage Club. Os concertos contam com a organização da Muzik Is My Oyster.

A banda russa regressa a Portugal depois de ter passado pela edição de 2016 do Festival Paredes de Coura e vem apresentar a palco o seu mais recente disco de estúdio, Dialogues, editado o ano passado pela Talitres. Por sua vez, os A Dead Forest Index apresentam In All That Drifts from Summit Down, dois anos depois de terem passado pelo Entremuralhas

Os bilhetes para ambos os concertos têm um preço de 16€. Todas as informações adicionais sobre o concerto do Porto aqui e o de Lisboa aqui.




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quarta-feira, 15 de março de 2017

STREAM: Shades - Nightfall



Os Shades já foram destaque por aqui aquando o lançamento do seu primeiro disco de estreia, Splitting The Light (2016). O duo, sediado em Tomar, apresenta uma sonoridade que pode ser inserida dentro dos movimentos da dark e neo-folk e que é feita pela acústica resultante da conjugação do som das duas guitarras, que utilizam como base.

Este novo disco, apresenta um total de 13 canções, mais uma vez, ausentes de voz, e enriquecidas pela simplicidade instrumental que as envolve. Nightfall é um disco essencialmente nostálgico e ideal para ouvir e apreciar com calma.

Nightfall foi editado oficialmente a 13 de março, pelo selo Round Trip. O disco pode ser ouvido na íntegra abaixo.



Nightfall Tracklist: 
1 - Rebirth 
2 - Siren's Song 
3 - Cycles of Saturn 
4 - The Druid 
5 - Light in Dark 
6 - Erbina 
7 - Stranded Within 
8 - Nighfall 
9 - ...And the Earth Kept Spinning 
10 - Salqiu 
11 - Voyage 
12 - As I Sleep Beneath the Trees 
13 - The Moon Hangs Above

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Alex Chinaskee & Os Camponeses apresentam novo single


Alex Chinaskee & Os Camponeses estão de regresso com um novo single, "Dia de Praia", a primeira antevisão ao álbum de estreia da banda lisboeta. A música é de tom lo-fi, com muita psicadelia solarenga, orgãos, e coros que encaixam como um bom gelado num dia de verão.

A banda da French Sister Experience vai passar pelo Musicbox Lisboa na próxima sexta-feira, juntamente com JANICE e The Miami Flu, onde vão apresentar este single em primeira mão.  


Capa de "Dia de Praia"

Esta música foi produzida, gravada e misturada pelo Filipe Sambado no estúdio da Maternidade. A capa ficou a cargo de Maria Inês Peixoto. Mais novidades do disco virão em breve.

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terça-feira, 14 de março de 2017

STREAM: Inversus - Sobrena


Inversus, projeto de Ricardo Fialho, esteve a compor durante 2016 aquele que viria a ser o seu primeiro disco de estúdio a qual deu o nome de Sobrena, numa homenagem a uma pequena localidade na região do oeste. Para a composição do disco, Inversus recorreu a várias máquinas e sintetizadores analógicos e fez do estúdio de gravação o seu próprio instrumento.

Sobrena apresenta o caminho que Ricardo Fialho tem percorrido nos últimos anos e que, através da conjugação de diversos elementos da synth-pop, hip-hop, electro e outras variantes da música electrónica traz um disco interessante para ouvir dentro do campo da produção nacional.

Sobrena foi editado a 13 de março pelo selo ZigurArtists. O disco pode ser ouvido na íntegra, abaixo.



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Gala Drop, Eartheater e muitos mais fecham cartaz do Tremor


A 4ª edição do Tremor já tem o seu cartaz definitivamente encerrado com a inclusão dos portugueses Gala Drop e da multifacetada performer nova-iorquina Eartheater. A menos de um mês do início do festival que decorre na ilha de São Miguel de 4 a 8 de Abril, juntaram-se também ao cartaz Mr. Gallini com a sua pop alucinada, os rappers açorianos Fred Cabral, Swift Triigga e a revelação do hip hop micaelense Valério, com apenas 17 anos. 

Lugar ainda para Volúpia das Cinzas de Gabriel Ferrandini, Pedro Sousa e Hernâni Faustino, uma parceria Tremor com a ZDB, e uma batalha de baterias que junta Krake (Pedro Oliveira), Ferrandini e o açoriano Ricardo Reis

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Riding Pânico em entrevista: "Este é um disco diferente dos outros"



Os Riding Pânico preparam-se para editar esta semana o novo álbum de estúdio, Rabo de Cavalo, sucessor de Lady Cobra (2008) e Homem Elefante (2013). A banda, que conta agora na sua formação membros dos PAUS, Quelle Dead Gazelle, Marvel Lima, LAmA e Cruzes Credo, vai apresentar este novo trabalho ao vivo já na próxima quinta-feira, 16 de março, no Musicbox. 

Estivemos à conversa com Fábio Jevelim, Miguel Abelaira e João Nogueira sobre todas estas novidades. 

Threshold Magazine (TM) - Porquê o nome Rabo de Cavalo e o que podemos esperar deste novo trabalho, para quem ainda não ouviu?

Fábio - Escolhemos primeiro os nomes das músicas e depois tentámos escolher o nome do álbum. Surgiram muitos e acabou por ficar este sem uma razão em especial. Achámos piada e talvez se consiga associar mais ao nome dos outros álbuns. Estivemos entre isto e Montanha Russa. Entretanto escolhemos este. 

TM - Preferiram continuar no reino animal (risos). 

João - É um bocado difícil definir o que estivemos a fazer. Está um disco diferente dos outros. O nível de diferença, ou como está diferente, não sabemos dizê-lo. Vamos deixar ao critério de quem nos vai ouvir. 

Fábio - O pessoal quando faz um disco, principalmente em Riding Pânico, acaba por fazê-lo de uma forma despreocupada. Fizemos assim ao longo da nossa carreira. Por isso, quando fazemos as músicas não pensamos muito em conceitos. Fazemos o que nos apetece naquele momento. Esperamos tocar o álbum e mostrar ao pessoal o novo trabalho. 

TM - Eu senti que Rabo de Cavalo é um álbum menos cru, menos agressivo e mais atmosférico e electrónico, na parte dos sintetizadores. Era isso que pretendiam passar?

Fábio - Foi usado menos peso no álbum, menos descargas à Riding Pânico. Estamos em 2017 e as cenas vão passando um bocado, o pessoal deixa de ouvir as mesmas coisas. Começámos a querer fazer coisas diferentes para não ficarmos estagnados no mesmo som O processo de gravação foi diferente neste álbum. Gravámos diretamente, não estivemos na sala de ensaios. Talvez isso tenha influenciado um pouco a maneira das músicas serem.


TM - Vocês fazem parte de tantos projectos - PAUS, Quelle Dead Gazelle, LAmA, Marvel Lima, Cruzes Credo. Porque é que decidiram gravar agora em 2017 este novo álbum?

Fábio - Nós começámos a gravar este álbum em 2015, gravámos três músicas. Retomámos as gravações em 2016 e vamos agora lançá-lo em 2017. Não é uma questão de descanso nem de organização entre as outras bandas. É mesmo a organização da banda e de pessoal. Sofremos uma restruturação e essas coisas levam tempo a organizar, desde o Homem Elefante até aqui. São músicos novos, tens de ensaiar com eles as músicas antigas. Tens de os conhecer a tocar, tens de perceber para onde é que vamos todos juntos. Não é uma forma de descanso, é uma forma de organização e criatividade. 

TM - O que mudou entre 2004 e 2017? Já vimos que a estrutura mudou, a sonoridade também evoluiu. 

Fábio - Eu não fiz parte do Lady Cobra. Nunca gostei de post-rock e quando entrei para a banda, só isso já fez mudar um bocado a fórmula das músicas. 

João - Pessoas diferentes fazem coisas diferentes. Embora haja ali um fio condutor, Riding Panico já teve tantas formações, já tanta gente passou pela banda e todas elas deixaram o seu cunho, todas elas influenciaram o produto final. 

Fábio - É isso, pessoal com influências diferentes, com formas de pensar diferentes. O Miguel entrou agora neste álbum e tem uma maneira completamente diferente de tocar bateria e ouve coisas diferentes. Isto tudo acaba por influenciar o som. 

TM - Sentem-se influenciados pelas novas bandas de rock instrumental portuguesas? Nota-se que nos tempos que correm já se faz um post-rock menos cru e mais calmo, mais técnico.

Miguel - Não nos sentimos influenciados propriamente por essas novas bandas. Somos influenciados um bocado por tudo o que acontece de novo, não só em Portugal, mas na música em geral. Isso é o que nos faz seguir outros caminhos e fugir do pós-rock habitual, que já é um bocado datado.

João - Obviamente que temos influências do que acontece de novo assim como de coisas que descobres com mais de 50 anos, bandas que já nem existem. As influências são essas. Não necessariamente bandas novas que aí andem. 

TM - Falando em concertos, vocês este ano estão a pensar voltar ao Milhões, cumprir a tradição?

Fábio - Geralmente é o único concerto que temos sempre marcado. Vamos lá voltar de certeza, a não ser que aconteça alguma coisa de estranho. 

TM - Vão apresentar Rabo de Cavalo no Musicbox a 16 de março. Têm alguma coisa de especial preparada, alguma surpresa?

Fábio - Se tivessemos uma surpresa não te poderiamos dizer porque é surpresa (risos). A parte especial vai ser tocar as músicas novas. É sempre interessante o pessoal ver o registo novo de uma banda. A surpresa principal para nós vai ser essa, de tocar as músicas ao vivo, já que nunca as ensaiámos. Temos que as aprender a tocar. Vão haver músicas novas misturadas com algumas antigas. 

TM - Já chegaram a tocar ao vivo com a nova formação? 

Miguel - Sim, tocámos no Sabotage, no Milhões. Tocámos sempre em 2016. Até já tocámos duas músicas deste novo álbum. Tocamos no Bons Sons a "Cafe Del Mar" e tocámos a "Rosa Mota" noutros sítios.

TM - Uma coisa que eu reparei neste álbum foi a originalidade nos títulos das faixas. Gostei especialmente da "Terreiro do Espaço".

Fábio - Essa foi o Shella. Mas o nosso amigo João é que tem sempre bons nomes. 

TM - Tirando o Musicbox e o Milhões, onde é que vos podemos encontrar nos próximos meses?

Fábio - Já temos concertos agendados mas eu nem sei se podemos falar neles (risos), por questões de promotoras. Por enquanto estamos concentrados na apresentação no Musicbox. Fizemos um edição de autor neste disco porque nós apeteceu fazer o disco bilhete. O Homem Elefante oferecemos digitalmente com download gratuito. Este é a nossa forma de analógico gratuito. O pessoal compra bilhete e ainda leva o disco para casa. 

TM - É sempre uma boa ideia de marketing, até consegue chamar mais gente. E para terminar, o que têm ouvido ultimamente?

Miguel - Metal (risos).

Fábio - Tenho ouvido muitas cenas. Mild High Club, uma banda recente que editou o álbum Skiptracing no ano passado. Tenho ouvido cenas antigas tipo Velvet Underground e 13th Floor Elevators. Tenho ouvido Funáná. 

João - Tenho ouvido muita música no Musicbox (risos). Tenho ouvido Adult Jazz e o último disco do LAmA. São as últimas coisas que andaram nos meus phones.



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Mastodon de regresso a Portugal


Os americanos Mastodon, que vão lançar este mês o álbum Emperor of Sand, vão voltar a Portugal no dia 21 de junho, para um concerto na Sala Tejo da MEO Arena, em Lisboa. Este é o primeiro concerto do quarteto em Portugal desde 2012, ano no qual atuaram no Coliseu dos Recreios e no Rock in Rio Lisboa.

Os bilhetes serão vendidos a partir de amanhã, dia 15, e irão custar 28 euros.

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segunda-feira, 13 de março de 2017

[Review] OWUN - 2.5


2.5 // [reafførests] // fevereiro de 2017
8.5/10

Os OWUN apareceram em Grenoble, na França, no ano de 1992, tendo editado a sua primeira demo, "Petits Contes pour Enfants" em 1995. Um ano mais tarde, em 1996, lançam cá para fora o seu disco de estreia que introduz uma procura pela sonoridade base, conjugando assim elementos de noise, hardcore e new-wave. Inicialmente a formação dos OWUN integrava cinco elementos e, entre os concertos de promoção desta esreia, partilharam palco com bandas como Ulan Bator, Hint, Portobello Bones, Seven Hate, Tantrum, Cave, entre outros. Em 1998 lançam o segundo disco, Sillon, um álbum com sonoridades características dos anos 80 e muito reverb à mistura, e três anos mais tarde, em 2001, com "Ostensible?", lançam o último álbum em formato quinteto, e uma aposta em géneros como o ambient/drone e a eletrónica.




Desde então, e até hoje, em formato trio, com Alexandre Turpin (voz, guitarra, teclados) Ludovic Turpin (baixo) e Cédric Corréard (bateria), tornaram-se num nome de referência underground no campo do noise-rock experimental, apresentando agora 2.5, o seu quinto disco de estúdio. Resultado de 25 anos de trabalho, composto por um total de nove canções e carregado de experimentalismos, 2.5 não é um disco apto a qualquer ouvido, mas é um disco muito bem feito e envolto numa aura criativa invejável. Os OWUN têm a particularidade de não se prender a um género específico, mas apresentar uma sonoridade muito particular e exclusivamente sua.

Singles como "frost", com o início numa linha mais rock e à la Black Rebel Motorcycle Club, "all of us" e "post", a fazer lembrar Spectres, evoluem consecutivamente para um ritmo muito noisy. Esta "baruheira" sonora, em repetição, acaba por não ser de todo muito carinhosa ao ouvinte. Por sua vez, temas como "foul" e "tom tombe" apresentam-se como facilmente assimiláveis. Se o primeiro traz uma tonolidade ambient lo-fi, com uma quebra para ritmos à Quelle Dead Gazelle, o segundo apresenta uma mistura entre Memória de Peixe e Jibóia com um aumento do noise ao avançar da música. "orange" também se pode incluir na lista destes últimos.

Apesar de se situarem ainda na sombra da visibilidade musical, os OWUN trazem em 2.5 um disco que é literalmente uma viagem aos imensos subgéneros dos rótulos clássicos e que enriquece a cultura musical de todos os que o ouvirem. O grande momento do disco acontece mesmo no final, com o single "raison" que vem trazer à memória um quê de Dead Can Dance, conjugado a um experimentalismo made in França. Situadas num campo avant-garde, as nove músicas que compõem este 2.5 espelham uma criatividade obtusa e mostram que os OWUN não merecem ficar na sombra dos media.




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Oiçam: Июльские Дни (Iyulskie Dni)


Os russo Июльские Дни (Iyulskie Dni), nome que em inglês se traduz para algo como "July Days", lançaram o seu primeiro EP de estúdio - Канатоходец - em 2014, mas nunca é tarde de mais para rever o que ficou enterrado na sombra do passado, especialmente se possuem uma veia post-punk.

Oriundos da cidade Nizhniy Novgorod (Ни́жний Но́вгород), os russos foram buscar o seu nome a uma rua da sua cidade natal que se chama exatamente Iyulskie Dni e que serve de também de nome, a um famoso hospital psiquiátrico. A banda toca uma sonoridade que pode ser definida como um post-punk sombrio e que é essencialmente interessante porque são visíveis traços característicos de diversos subgéneros, desde o rock à synthwave e ao post-punk sombrio dos anos 80. 

O single de abertura, "Поезд", é um bom exemplo desta conjugação. Já o single "Крутится-вертится", explora os movimentos dos campos indie e dark, numa música com uma atmosfera mais nostálgica. Antes de formarem os Iyulskie Dni os membros da banda já tinham tocado em bandas de punk locais, facto que se reflete na sua música, com uma atitude anti-fachista.



A banda regressa, agora, três anos depois de Канатоходец, com Колокол que assinala mais um lançamento sob selo Издательство Сияние (Siyanie Records) e segue as linhas do anterior, com um foco maior na componente rock, mas sempre com o claro background soviético. De Канатоходец destacam-se essencialmente os singles "Озеро и остров", "По ком звонит колокол" e "Мой город будет стоять", um cover de Адаптация. Descubram o restante EP abaixo.


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