sábado, 25 de março de 2017

The Lazy Faithful anunciam novo álbum, Bringer of a Good Time


A banda portuense The Lazy Faithful vai editar o seu segundo álbum de estúdio, Bringer of a Good Time já na próxima sexta-feira, 31 de março. O sucessor de Easy Target (2014) tem como single de avanço "Nukin In The Cookin".

A banda vai apresentar este novo trabalho a 13 de abril no Maus Hábitos, Porto, e a 21 de abril, no Musicbox, Lisboa. A artwork de Bringer of a Good Time foi também disponibilizada.


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Reportagem: Motorama + A Dead Forest Index [Hard Club, Porto]


No passado  sábado, 18 de março, voltámos ao Hard Club, Porto, desta feita para assistir ao regresso dos russos Motorama e dos neo-zelandeses A Dead Forest Index. Ambas as bandas passaram em 2015 pelo Entremuralhas, tendo a primeira marcado ainda presença em 2016 no Paredes de Coura. Com as portas a abrirem por volta das 21h30 e com uma sala que se avizinhava cheia, os concertos tiveram início às 22h10 com a dupla A Dead Forest Index a subir a palco para tocar um total de nove canções.

Já a prepararem novo álbum, os neo-zelandeses trouxeram até ao Palco 2 do Hard Club algumas das músicas já conhecidas do seu disco de estreia, In All That Drifts from Summit Down, mas ainda contemplaram o público com novos temas nomeadamente "I'm set Free", "Where The Pitch Changes", um tema ainda sem nome e ainda "Ballad Dust", que serviu de encerramento a este primeiro concerto da noite. Os A Dead Forest Index foram pouco comunicativos com o público mas, quando o fizeram, souberam ser uns fofos e conseguiram nutrir no público uma empatia contagiante. 


A Dead Forest Index

Apesar de ser um concerto dividido entre os temas já conhecidos deste In All That Drifts from Summit Down (ouviu-se "Tide Walks", "No Paths" e "Myth Retraced") e os temas de um novo segundo disco de estúdio - que se apresentaram maioritariamente despidos de apetrechos musicais, inclusivé com pouco recurso à percussão - o público soube ouvir e aplaudir o resultado desta performance da dupla, que regressava pela segunda vez ao Porto. Na setlist ficou a faltar "Cast of Lines".

Motorama

Agendado para as 23h15 o concerto dos Motorama só teve início pelas 23h30 e apenas com três músicos em palco, dos quatro, que atualmente completam a banda russa. No concerto de regresso a palcos nacionais, a banda atuava para uma casa cheia e ansiosa para ouvir essencialmente os grandes temas de carreira. 
Com Dialogues na bagagem o concerto dos Motorama abre com "I See You" e com os três músicos em palco muito focados na performance e muito pouco responsivos na comunicação. Um dos problemas inicialmente notado foi o facto do sintetizador estar pouco amplificado comparativamente ao som da guitarra, o que ofuscou excertos de algumas músicas deste novo álbum, onde a presença do sintetizador é determinante. Acrescido a isto, e pelo facto de só estarem três músicos em palco, a banda teve de recorrer a sons previamente gravados, o que retirou a magia ao resultado final.
Na memória, e como singles que mexeram com o público ficam marcados  "Rose In The Vase", "Heavy Wave", "One Moment", "Wind In Her Hair" e o grandioso "Alps". Já relativamente ao concerto fica principalmente registada a troca constante de baixo e bateria entre o vocalista Vladislav Parshin e Maxim Polivanov
Concerto acabado e ouve-se o público a suplicar, incansável, para um encore que não chegou a acontecer.


Motorama

Em suma, e no campo da opinião pessoal, creio que para quem viu ambas as bandas no Entremuralhas, em 2015, os dois concertos tiveram um impacto mais significativo em Leiria do que no Porto. A atmosfera da Igreja da Pena deu uma singularidade inexplicável ao concerto dos A Dead Forest Index, que viriam ali a ganhar uma projeção e posicionamento definido nos campos do folk experimental. Já os Motorama, que sofreram algumas alterações recentes no lineup, ao vivo pecaram pela sua falta de comunicação com o público e pela performance muito automatizada. Foi uma noite bonita mas não suficiente para se assinalarem aqui mais dois concertos do ano.

O álbum completo de fotografias, abaixo:


Motorama + A Dead Forest Index @ Hard Club, Porto

A Dead Forest Index Setlist:
1. Improv piece 
2. Tide walks 
3. No paths 
4. New untitled 
5. Where the pitch changes 
6. A new layer 
7. I'm set free 
8. Myth retraced 
9. Ballad dust


Texto: Sónia Felizardo
Fotografia: J.P.

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sexta-feira, 24 de março de 2017

Galo Cant'Às Duas em entrevista: "Sempre quisemos compor uma viagem de variadas texturas e dinâmicas"


Galo Cant'Às Duas é um projeto de Gonçalo Alegre e Hugo Cardoso. De Viseu para o mundo, espalham o space rock, o pós-rock e até jazz fusão improvisada, tudo de modo muito atmosférico. Mas a sua música é muito mais que rótulos e chegam-nos hoje com seu primeiro registo discográfico, Os Anjos Também Cantam

TM - De onde surgiu o vosso nome? 

Hugo - Estávamos num encontro de artes. Fazemos parte de uma associação cá em Lisboa, o GEIC - Grupo Experimental de Intervenção Cultural, uma associação cultural que todos os anos organiza o Moita Mostra festival na aldeia da Moita, em Castro Daire. Aquilo é durante uma semana e nós vamos para lá, fazemos parte da organização. Houve um dia em que o Gonçalo, que é o técnico de som do evento, recebeu o telefonema do músico que lá ia tocar, a dizer que não podia ir. Nós os dois achámos uma boa oportunidade para ir curtir, para ir jammar. Agora só faltava o nome. 

Nós estavamos no parque de campismo do evento onde havia uma série de galinheiros e, na altura, achávamos um piadão do caraças porque os galos cantavam a toda a hora, quer sejam duas da tarde ou seis da manhã. Assim o Gonçaço teve essa ideia, "Galo" em homenagem aos galos que lá estavam e o "cantar" de tocar música. E "duas" por sermos dois.

Gonçalo - O tema de conversa naquela semana era o facto de nós estarmos nesse parque com galos constantemente a cantar. Nós diziamos: "Porra, os galos estão tolos". Nunca tinha acontecido em outras edições .

Hugo - Devem tê-los dopado. 

TM - A primeira vez que ouvi falar da vossa banda pensei que fosse um projecto de folclore, daqueles que aparecem na Música Portuguesa a Gostar Dela Própria. Assim desse género. 

Hugo - Já não és o primeiro a dizer isso. Parece nome de uma cena tradicional. 

TM - Ou daquelas bandas que vai ao Bons Sons. 

Gonçalo - Por acaso o Bons Sons é um festival que gostavamos muito de lá ir tocar. Já fui como espectador, antes do Galo começar e foi um festival que eu adorei. 

TM - Vocês são de Viseu e fazem questão de dizê-lo. Porquê?

Hugo - Primeiro, porque é um facto. Segundo, é a nossa cidade, onde nós vivemos, onde nós trabalhamos. É uma cidade pequena, o que faz com que a malta se junte mais. Temos o calor que os nossos amigos nos dão, interessam-se e vão aos nossos concertos. 

Gonçalo - É uma cidade pequena na sua dimensão, mas com um motor cultural e criativo. Há muitas pessoas a trabalharem bem e isso atrai muitas pessoas para a cidade. Isso é muito fixe também para nós que vivemos lá, estamos muito por dentro das coisas, mais concertos do que outro tipo de expressões artísticas. A verdade é que a cidade está com um bom culto e com muita força. 

Hugo - Para já estamos felizes de lá estar. Claro que nunca sabemos as voltas que a vida dá. Se tivermos que, por algum motivo, ou acharmos que devemos sair de lá, vamos fazer isso. Mas para já não temos qualquer tipo de queixa. A única coisa que nos pode falhar é aquela espontaneidade de, por exemplo, ir a um sítio qualquer onde está a malta e falar mais naturalmente do que procurar o contacto. Nessa parte, claro que estamos um bocado de lado, desse nicho, da malta que se encontra por aí e começam a tocar uns com os outros. A nível de trabalho profissional estamos a trabalhar com quem queremos e não temos qualquer tipo de queixa a fazer por estarmos em Viseu. Também há a ideia de que se a malta quer avançar com uma banda tem de ir para Lisboa ou para o Porto. Acho que já não é bem assim, felizmente. 

TM - Sentem que a cena de Viseu está a crescer. Que mais bandas é que vêm de lá? 

Hugo - Os mais conhecidos são os Dirty Coal Train e Moullinex

TM - Viseu acolhe também têm os Jardins Efémeros, não é? 

Gonçalo - Sim, os Jardins, o festival de jazz, o Cult.Urb_Viseu Fest, no Carmo. 

TM - Vi também que vocês foram tocar ao ZigurFest. 

Hugo - É um festival muito porreiro. Acaba por ir ao encontro dos Jardins. Pela cidade tens vários palcos em vários sítios e há toda aquela dinâmica de pessoas na rua a encontrarem-se umas com as outras. É incrível mesmo!

TM - O que podem esperar as pessoas que nunca ouviram Os Anjos Também Cantam?

Hugo - O objectivo que nós sempre quisemos atingir foi o de compor uma viagem, do início ao fim. 

TM - Dá bem para reparar porque, apesar de serem quatro músicas, elas estão todas ligadas. 

Hugo - Ainda bem que dizes isso, é sinal de dever cumprido. Nós dividimos os temas e ainda conseguimos lançar um single. O segundo tema tem onze minutos e podia ser dividido se calhar em três. 

TM - Como diz o próprio nome da música "Respira", vocês deram espaço à música para respirar. 

Hugo - Exatamente. A malta pode esperar uma viagem de variadas textutas e dinâmicas. 

Gonçalo - Podem esperar um disco que não é de canções. Tem várias camadas, tensões, respirações. Tem vários tipos de música lá dentro. 

TM - Nota-se mais no single porque a introdução é seguida de uma transição para algo completamente diferente. Parece outra música. 

Hugo - Exato, quando vai para aquela preparação dos kicks e depois para o groove. Aquilo é uma marcha mas à nossa maneira. Queriamos dar esse grove de andamento e acho que passa a ideia. 



TM - Como é que descrevem a vossa sonoridade? 

Hugo - É um bocado difícil. 

Gonçalo - É um som atmosférico, com atmosferas grandes e mais pequenas. Encontras grooves, detalhes e ornamentos. Encontras palavras. 

Hugo - É suspeito eu dizer isto, como é óbvio, mas ao meter-me do lado de fora, se fosse ouvir aquele disco achava-o uma cena super completa, no sentido do que dá, das referências que transmite. Por exemplo, o último tema dá-nos uma cena que não é disco mas dá para dançar, ao mesmo tempo que nos dá uma cena free, sem estrutura, ou ainda mesmo um drum and bass um bocado marado. 

Gonçalo - É um pouco complicado para nós pensar nas coisas dessa forma. É mais fácil teres uma banda pop, rock ou metal, música clássica. Aquilo é aquilo. Depois há os géneros que são fusões. Para nós, honestamente, não consigo encontrar um, dois ou três géneros que nos caracterize. 

Hugo - Às vezes a malta diz: "Ouve aí isso porque é indie pop rock qualquer coisa". Nem sequer faz sentido rotular as coisas dessa maneira. Na música que compomos não temos tanto essa necessidade. 

TM - Acaba por ser rock instrumental. 

Hugo - Sim, pode ser isso. É improv jazz-fusão (risos). Já nos deram esse rótulo. 

TM - Conseguem reproduzir ao vivo aquilo que fazem em estúdio? 

Hugo - Tudo não. Conseguimos se gravarmos em loop stations.

Gonçalo - Conseguimos executar alguns detalhes que estão no disco, como alguns teclados. Quando estavamos a gravar essas comecei a magicar algumas ideias e melodias. Houve um dia em que saímos do estúdio e fomos beber uma imperial. Havia uma melodia que não me sai da cabeça, que aparece no final do tema "Respira", e agora já consigo tocá-la com o baixo com efeito. Simula mais ou menos o som do roads. O Makoto até quis por um bocadinho o travão.

Hugo - Eu também acho interessante ao vivo teres uma cena e ao vivo teres outra. Há sempre muito espaço para improvisação, o que torna a cena interessante no meu ver. 

Gonçalo - É importante gravar os discos com a maior espontaneidade possível. Quando eles são gravados, mesmo que a música não seja tocada ao vivo da mesma forma, aquilo fica como um registo eterno, especialmente nesta era digital. 

TM - A nível de influências, o que nos podem dizer? 

Hugo - Há muitas. Desde o jazz do Miles, por toda a disciplina que ele tinha na improvisação. O Coltrane também. Mais virado para o rock temos Yes, Pink Floyd, Beatles

Gonçalo - São todas, as boas e as más. A vida também nos influencia. As nossas experiências ajudam-nos a interpretar e a criar. 

TM - É interessante que já perguntei a muitos artistas o que os influenciava e nunca me referiram a vida como influência. 

Gonçalo - Conheces a cena do Marcel Duchamp, em que ele vira o urinol ao contrário e chama àquilo a fonte? 

TM - Sim. 

Gonçalo - Aquilo é uma cena que não tem uma razão ligada àquilo que estava a acontecer no mundo artístico, plástico e da escultura. É mais uma intervenção que está ligada ao meio em que ele vivia, a sua experiência de vida. Aquela cena da massificação, a revolução industrial tinha acabado de acontecer. Tem um bocado a ver com isso, é um reflexo. Há muitos casos assim, principalmente nas artes plásticas, também na música quando as há letras que nos falam da vida. 

TM - Não sei se conhecem o projeto do Phil Elverum, Mount Eerie? 

Gonçalo - Não. 

TM - A mulher dele morreu no ano passado e ele agora vai editar um álbum em que nas letras fala literalmente daquilo que se passou na vida dele.

Gonçalo - A cena do David Bowie também. Acho que todos nos inspiramos um bocado na vida, no nosso passado. As influências podem abordar tudo, podemos falar de livros, filmes, há imensas coisas. 

Hugo - Concordo completamente com isto. A verdade é que nós temos uma linguagem musical própria. Só crias essa linguagem musical a ouvires e a estudares. Só a partir das coisas que tu ouves é que vais criar a tua linguagem. Por isso é que eu referi logo aquelas bandas todas. São, na verdade, as bandas que estão no coração, que vou ouvir para o resto da vida, provavelmente. 

TM - Como foi a vossa experiência nos estúdios HAUS? 

Gonçalo - Foi ótimo. O primeiro dia foi um pouco estranho por várias razões. Quando abri a case do baixo não tinha parafuso. Não sei porque é que aquilo não estava lá, foi algo muito estranho. O Makoto arranjou o contacto de alguém para arranjar esse parafuso. Entretanto, eu tinha um amigo cá em Lisboa que tinha um baixo parecido e o Miguel foi buscá-lo. Eu não sai do estúdio mas fiquei sempre naquela de "Estou f*dido" (risos). O Makoto ainda me tentou emprestar o baixo dele mas a escala era mais pequena e não dava porque eu precisava daquelas notas. 

Hugo - Estávamos com alguma pressão. Tinhamos cinco dias para sair com o disco, com masterização e mixagem. Tinhamos dois dias para gravar as coisas e tudo isto causou ali uma pressão enorme. Nós até fomos bem preparados para o estúdio. 

Gonçalo - O HAUS está com ótimas condições. A nossa música em ambiente controlado, em estúdio, apresenta uma atmosfera muito diferente. Tem muito a ver com a minha proximidade com o Hugo em cima do palco. Houve ali muitos factores que nós ainda não tinhamos experimentado. Foi o primeiro disco, e o segundo será mais fácil. 

Hugo - Nós queriamos gravar a cena toda em take direto, como fazemos ao vivo. 

Gonçalo - Fizemos um set todo seguido e chegámos à conclusão que se continuassemos iamos ter imensos problemas. Há um tema que precisava que a sala dos amps tivesse a porta aberta para a sala da bateria, por exemplo, para criar um ambiente maior. Isso depois vai bater a questões técnicas e a questões física e mental da nossa parte. O disco tem 33 minutos de duração e nós ao vivo estendemos mais. Ia ser muito dificil. Num dia iamos gravar 2 ou 3 sets e nós tinhamos dois dias para gravar. Isso ia dar 6 takes no máximo, com muita sorte. 

Hugo - Já para não falar que é muito cansativo. 

Gonçalo - Decidimos fazer faixa a faixa e conseguimos ligar as coisas, sempre com a ajuda do Makoto e do Fábio, que foram um profissionais incríveis. A malta pode achar que eles são um bocadinho duros do ponto vista técnico, mas são incriveis. Têm um gostos bastante diferentes do que se passa. 

Hugo - Era importante eles darem as suas opiniões. Gostaram bastante da nossa cena, o que foi logo meio caminho andado para a malta se entender. Mudámos algumas coisas porque eles disseram que ficariam melhor. 

TM - Onde é que vos podemos ver nos próximos meses? 

Gonçalo - Vamos apresentar o disco na Casa da Cultura de Setúbal, no dia 24 de março. Vamos estar no Carmo'81 a 1 de abril e no Sabotage a 13 de abril. Vamos também fazer algumas FNACs e estar um bocadinho pelo norte, ao pé de Braga, a tocar em alguns sítios que nós, por incrível que pareça, já tinhamos atuado no ano passado e vamos voltar, muito pelo carinho que recebemos dessa malta. Faz sentido voltar lá com este disco na mão. 

O resto dos meses que se seguem ainda não temos bem ideia. Esperamos vir a ter concertos em festivais. Há festivais que nos interessam mesmo. Obviamente teatros, são sempre salas diferentes. E se for num teatro que tenha um público bem educado, melhor ainda. Estamos a fazer por isso, somos nós que lideramos essa cena de marcar concertos. Estamos à procura de uma outra solução. Na verdade o trabalho de escritório é um bocado duro. Quando dás conta já não tens tempo para tocar. O prolema é que alguém tem de fazer esse trabalho. 

TM - O que têm ouvido ultimamente?

Gonçalo - Tenho ouvido Aurora, é uma miúda norueguesa que é um anjo. É uma cena pop. Tenho ouvido o último disco de Radiohead, às vezes fica em loop. 

Hugo - Tenho ouvido muitas cenas portuguesas. Luís Severo, lançou agora o álbum. Diabo Na Cruz também. Eu funciono por fases. Quando colo em bandas, colo a sério e fico um ano a ouvir aquilo. Ando também a ouvir Toy, que estiveram aí nos últimos dias, Temples e Battles.



Próximos concertos:
24 de Março / Casa da Cultura, Setúbal
1 de Abril / Carmo 81, Viseu
10 de Abril / Fnac do Colombo, Lisboa
13 de Abril, Sabotage, Lisboa
14 de Abril / Fnac do Chiado, Lisboa
14 de Abril / Fnac do Vasco da Gama, Lisboa
20 de Abril / Clue de Vila Real
21 de Abril/ 1/4 Escuro, Chaves
22 de Abril, Contemplarte, Braga 

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Steve Gunn em estreia absoluta no Alentejo


A pequena (grande) cidade de Évora, cada vez maior em termos culturais, traz-nos outra agradável surpresa à SOIR-JAA. A Pointlist e a Guitarras ao Alto deram as mãos para trazer Steve Gunn ao Alentejo, naquilo que rapidamente se tornou numa espécie de mini-festival. O artista norte-americano da Matador virá em formato solo, e vai dar em Évora o último concerto da sua tour europeia. 



O 'mini-festival' irá ter a duração de dois dias. The Twist Connection e os espanhóis Subterráneos irão tomar as rédeas no dia 29 de abril. E no dia seguinte, irá ser a vez de Steve Gunn, Éme e Calcutá para fazerem a festa, com a suspeita de que se irá ouvir novas músicas em português nesta noite.

Os bilhetes (que podem ser adquiridos aqui) têm o custo de 5 euros para o dia 29, 8 euros para o dia 30, ou 10 euros para ambas as noites.


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Twiga - "Million $$$ Dream" Video [Threshold Premiere]


"Million $$$ Dream" é o tema que dá nome ao novo EP do quarteto norte-americano Twiga e que surge pelo amor incondicional do vocalista e compositor Dave Lucas ao wrestling e à história de Million Dollar Man, que veio a servir de mote ao novo vídeo da banda, agora em estreia. O EP, editado oficialmente a 28 de outubro de 2016, foi reeditado em cassete e os Twiga celebram este acontecimento com novo trabalho audiovisual. 

O vídeo para "Million $$$ Dream" foi produzido por Jess Lane (Funny or Die, Nerdist, UCB Comedy) que o idealizou de uma forma dolorosa e emotiva, captando os dilemas pelos quais os lutadores de boxe passam dentro e fora do ring, à semelhança da forma como foi escrito o single. O realizador utilizou como inspiração a história dos wrestlers legendários Ted DiBiase e Virgil para um jogo de jangle pop fora de regras e com recurso a lutadores e comediantes de Brooklyn para os papéis. O vídeo pode ser visto abaixo.





Million $$$ Dream foi reeditado oficialmente em cassete, no passado dia 17 de março via Effortless Crush e pode ser adquirido aqui

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quinta-feira, 23 de março de 2017

STREAM: Cat Soup - Cat Soup e Cosmic Sans



Os Cat Soup são uma banda de pós-rock e rock instrumental do Porto. Após a edição de de um conjunto demos e de alguns concertos, o quarteto apresenta agora o seu álbum de estreia, homónimo, acompanhado de um EP, Cosmic Sans. Gravados no final do ano passado, os discos incluem tanto novas canções como regravações das demos lançadas anteriormente.

Entre as 6 músicas do álbum encontra-se a versão completa de "Sunshower", cuja versão encurtada teve direito a um vídeo.

Podem ouvir aqui ambos os discos na íntegra:


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Igorrr anunciam novo álbum, Savage Sinusoid


Depois de terem revelado que já tinham um novo trabalho a caminho, os Igorrr estão agora de regresso  com os pormenores adicionais - cover art e tracklist - deste novo disco de estúdio, que segue ainda sem uma data de lançamento definida. Savage Sinusoid é o quinto trabalho oficial da banda francesa e dá sucessão a Hallelujah(2012) e Maigre EP(2014), sendo também o primeiro álbum na casa de uma editora estadunidense, a Metal Blade Records. Para já os Igorrr ainda não divulgaram nenhum single.

Relativamente à mudança de editora e ao novo disco Gautier Serre, mentor dos Igorrr, afirmou em press release: "We are super excited to release this album with Metal Blade - such a high quality music place, with great artistic freedoms! This label is the home we want for our music...Throughout the years, Metal Blade has had really great taste in music, and a real capacity to promote extreme music - only a label like this could have been brave enough to release music like ours."

Savage Sinusoid tem lançamento previsto para o final da Primavera, pelo selo Metal Blade Records. O artwork do álbum tem a assinatura de Metastazis.

Savage Sinusoid Tracklist:
01 - Viande 
02 - ieuD 
03 - Houmous 
04 - Opus Brain 
05 - Problème d'émotion 
06 - Spaghetti Forever 
07 - Cheval 
08 - Apopathodiaphulatophobie 
09 - Va te foutre 
10 - Robert 
11 - Au Revoir

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Gorillaz lançam novo álbum em abril


Os Gorillaz anunciaram através do seu instagram a data de lançamento do seu próximo álbum, intitulado Humanz: dia 28 de abril. O álbum irá contar com colaborações de artistas como Grace Jones, De La Soul, Pusha T, Danny Brown, Vince Staples, Kelela, Mavis Staples e Jehnny Beth.

Damon Albarn vai estrear hoje, num programa da BBC Radio 1, duas novas músicas da banda.

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quarta-feira, 22 de março de 2017

Cartaxo Sessions este sábado com The Japanese Girl e Summer of Hate


Depois dos concertos de Fernando com Conjunto!Evite no dia 28 de Janeiro, e CUT com Awaiting the Vultures no dia 25 de Fevereiro, que levaram mais de 100 pessoas ao Centro Cultural do Cartaxo, as Cartaxo Sessions regressam a 25 de Março com o garage rock/psych lo-fi dos The Japanese Girl e o rock psicadélico dos Summer of Hate, onde vão apresentar alguns dos temas da sua estreia em estúdio, The Daniel Johnstown Massacre. Os bilhetes custam 5€.


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The Machine e BLAAK HEAT entre as novas confirmações do Sonic Blast Moledo

Foto de SonicBlast Moledo.
O festival Sonic Blast Moledo anunciou que The MachineDeath AlleyBLAAK HEATLÖBOToxic ShockVinnum Sabbathi e Holy Mushroom acabaram de ser adicionados ao cartaz do festival que decorrerá nos dias 11 e 12 de agosto.

Os passes gerais para o festival já se encontram à venda na BOL por 55€, os bilhetes diários podem ser igualmente adquiridos por 28€.

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Black Lips anunciam oitavo disco Satan's graffiti or God's art?


Os Black Lips estão de regresso aos discos com o Satan's graffiti or God's art?, o oitavo disco que sucede a Underneath the Rainbow, lançado em 2014. O novo trabalho dos rapazes de Atlanta sai dia 5 de Maio via Vice Records, e conta com a participação de Yoko OnoSaul Adamczewski dos Fat White Family. "Can't Hold On" é o primeiro single de Satan's graffiti or God's art? e pode ser escutado em baixo, onde encontrarão também a respetiva capa e tracklist do novo disco.



 Satan's graffiti or God's art?

Overture: Sunday Mourning 
Occidental Front 
Can’t Hold On 
The Last Cul de Sac 
Interlude: Got Me All Alone 
Crystal Night 
Squatting in Heaven
Interlude: Bongo’s Baby
Rebel Intuition
Wayne
Interlude: E’lektric Spider Webz
We Know
In My Mind There's a Dream
Lucid Nightmare
Come Ride With Me
It Won't Be Long
Loser’s Lament
Finale: Sunday Mourning

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AIKULA estreiam-se em Portugal para data única


Os eslovenos AIKULA, que já aqui tiveram destaque, mas longe de imaginar que por cá passariam em breve, estreiam-se em território nacional esta semana. Com disco novo editado em janeiro de 2017, os AIKULA estreiam-se agora em território nacional para um concerto único no país e pronto a tomar de assalto a sala do Sabotage Club, Lisboa já no próximo sábado, dia 25 de março.

Apadrinhados e produzidos pelos Psychic TV e atualmente sediados em Berlim, os AIKULA saltam pela primeira vez em Portugal e apresentam o disco Mongrel Rock, título a que recorrem para descrever a sua sonoridade base. Depois de um conjunto de formações e desformações a banda é agora composta por Zoran Zelenović (voz), Jan Pivk (guitarra), Tilen Božič (baixo) e Pegam Podobnik (bateria).

Os bilhetes para o concerto tem um preço de 5€, podendo ser adquiridos no dia, à porta. O concerto tem início previsto para as 22h30. Todas as informações adicionais aqui.


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terça-feira, 21 de março de 2017

Allah-Las e Steve Gunn no arranque da Primavera no Musicbox


Os dias de sol, calor e praia estão a chegar. E isto significa. para muitos de nós, o chegar de emoções e sentimentos bonitos que ficaram suprimidos durante o frio do inverno. O Musicbox Lisboa preparou um cartaz para dar as boas vindas à Primavera, e a todas estas coisas positivas que vêm com ela.

Allah-Las, Steve GunnMeneoPavo Pavo são as bandas que o Musicbox nos presenteou para esta época. Em baixo poderão ver mais detalhes sobre estes concertos.

13 de abril (Quinta) às 00h30 - Meneo - 6€
29 de abril (Sábado) às 22h20 - Steve Gunn | Afonso Rodrigues - 8€
11 de maio (Quinta) às 22h30 - Pavo Pavo - 8€
27 de julho (Quinta) às 22h30 - Allah-Las - Preço a anunciar


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Cigarettes After Sex anunciam álbum homónimo e lançam single


Os Cigarettes After Sex, quarteto de slowcore, anunciaram o seu álbum de estreia, homónimo, e lançaram um novo single, "Apocalypse". O disco será lançado no dia 9 de junho.

De lembrar que a banda tem presença confirmada a 8 de Junho no NOS Primavera Sound.

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Al Zanders na primeira noite Midnight Slows, a decorrer no Passos Manuel


Midnight Slows é o nome da nova residência de eletrónica bimensal a decorrer no Passos Manuel,  e que tem como objetivo trazer ao espaço portuense a partilha de temas disco, house e funk feitos há medida para a pista de dança.

O primeiro convidado é Al Zanders, que se estreia em Portugal no dia 31 de Março. O dj e produtor britânico destaca-se não só pela sua editora (A-Z Records), mas pela sua capacidade de manter a chama viva da pista de dança, alternando entre géneros e nichos musicais com uma facilidade admirável.

A nova residência recebe o selo Midnight e Turbina, e contará sempre com nomes emergentes da música de dança nacional e internacional.


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Pega Monstro anunciam novo disco

© Sara Rafael
As Pega Monstro anunciaram hoje Casa de Cima, aquele que vem a ser o seu terceiro disco de estúdio e que dá sucessão a Alfarroba (2015). O disco foi gravado em setembro do ano passado por Leonardo Bindilatti, na Praia Grande, na serra de Sintra , na casa de um amigo chamada Casa de Cima, daí o título do álbum. 

Como primeiro avanço as irmãs Maria e Júlia Reis apresentam agora o single "Partir a Loiça", música que contém a expressão "Eu vou partir a loiça toda!!", e que segundo Maria Reis é o termo que resume aquilo que Casa de Clima é para as Pega Monstro. Além da música foi ainda revelado o alinhamento do disco. Ambos seguem abaixo.

Casa de Clima tem data de lançamento prevista para 2 de junho via Upset the Rhythm/ Cafetra Records (PT).




Casa de Clima Tracklist:

01. Ó Miguel 
02. Partir a Loiça 
03. Fado da Estrela do Ouro 
04. Cachupa 
05. Pouca Terra 
06. Sensação 
07. Odemira

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[Review] The Undergound Youth - What Kind Of Dystopian Hellhole Is This?


What Kind Of Dystopian Hellhole Is This? // Fuzz Club Records // fevereiro de 2017
7.5/10

Fãs assumidos dos Velvet Underground e dos Sonic Youth, os The Underground Youth estão de regresso às edições de estúdio com What Kind Of Dystopian Hellhole Is This?, o oitavo disco da banda inglesa que sucede Haunted LP (2015). Formados em 2008, em Manchester, como o projeto a solo do já conceituado músico da cena underground, Craig Dyer, os The Underground Youth são atualmente uma banda completa (com Max James, Olya Dyer e Mark Vernon), que explora uma mistura de dark-psych aliado aos elementos cinematográficos compreendidos entre os anos 60/70. Os primeiros álbuns da banda foram editados exclusivamente em edições físicas e só com o LP Mademoiselle os The Underground Youth se converteram às plataformas digitais. Em 2012 a banda assinou contrato com a editora londrina Fuzz Club Records, selo pelo qual tem vindo a editar os seus mais recentes trabalhos e onde se inclui este What Kind Of Dystopian Hellhole Is This?.




O disco, composto por dez canções, apresenta traços característicos dos movimentos pos-punk e dream-pop envolvidos por um psicadelismo negro e denota-se como um trabalho relevante nas edições deste ano. Apresentado inicialmente pelo tema "Alice", single embebido numa aura nostálgica, What Kind Of Dystopian Hellhole Is This? mantém as estruturas da composição dos trabalhos anteriores e aborda essencialmente temas como o clima político e social, vivido em 2016, e as mudanças que isso tem vindo a repercutir atualmente. Esta preocupação é essencialmente sentida nos singles como "Amerika" e "Beast (Anti-War Song)", a par do já mencionado "Alice".

Além dos temas referidos, um dos grandes destaques deste álbum vai para  "The Outsider", que numa crítica pessoal, funciona na perfeição para muitas das situações do quotidiano, nomeadamente as mudanças sociais e políticas que assistimos e experienciamos e que nos fazem muitas vezes sentir como estranhos do ponto de vista da comunidade. Este foco nos problemas contemporâneos acresce um valor ao novo disco e mostra que além da música os The Underground Youth também se preocupam na construção de um mundo melhor.




What Kind Of Dystopian Hellhole Is This?, foi escrito no início de 2016 quando Craig Dyer se mudou para Berlim, tendo sido gravado no espaço de poucas semanas. Em suma, o oitavo trabalho de estúdio dos The Underground Youth é o retrato de uma sociedade extremamente evoluída tecnologicamente, mas incapaz de alterar os seus comportamentos e atitudes pessoais, em função de um bem maior. "Incapable of Love", em formato balada, é assim o tema escolhido para encerrar o álbum e que reflete estes conflitos que se fazem sentir entre a humanidade no século XXI. Como últimas palavras, Dyer pronuncia "the fuck are you incapable of love".



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