sábado, 29 de abril de 2017

Rolando Bruno in interview: "I have no rules and no limits on my music"

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The argentinian guitarrist Rolando Bruno will be visiting Portugal next month. On May 13, Rolando will perform at the Sabotage Club, Lisbon, in an event organized by Threshold Magazine, where he will play Bailazo, an album released last year, as well as some new songs. We talked with Rolando about this project, watch the result down below.

Threshold Magazine (TM) – You will return to Portugal just five months after Barreiro Rocks. How does it feel to be back?

Rolando - Super! I love Portugal. My first time there was with Los Peyotes at 2008 or 2009 more or less. Barreiro Rocks was great, super party, and now I'm looking forward to play in Lisboa, and play in Sabotage again, I played there in 2013 with this project, it was my first European Tour totally alone.

TM – You’ll continue to present your last album in this new European tour. How was the process of writing it? And how did it feel presenting Bailazo live?

Rolando - Yes, talking about Bailazo now it's strange because from the end of 2016 I was totally focused on new songs and recording the new album with the band. Now I have a band in Buenos Aires, so the Bailazo Release seems far. But Bailazo was my first solo LP, with Voodoo Rhythm Records. The process was very good one for me because I never composed many songs and it was challenge. I discovered myself as a songwrite, it was a learning process and I'm very happy with the results. I started plain in Buenos Aires with this project in 2005 and I only played versions of peruvian cumbia classics and some classic rock in cumbia style, so play your own songs have other taste

TM - What made you combine two music genres (cumbia and garage rock) that seemed so distant? Being the result a danceable explosive that you call Cumbia Trash.

Rolando - Yeah, CUMBIA TRASH and the other slogan: HEY HO CUMBIA!. I think the answer is very simple: I come from the punk garage of the sixties and I love the vintage sound. By collecting Peruvian records, I discovered the amazing Los Mirlos, and the sound of their guitars is like the 60's surf rock with some guitar fuzzes. I started to mix those styles in my project. Now I have no rules and no limits on my music. 

Sorry, yes I have one: to have fun and make people dance. I mean, CUMBIA TRASH is an excuse to put all the styles or things that I have in my brain on my music project.



TM – You have also been in another band called Los Peyotes, and you recently formed Rolando Bruno Y El Grupo Arevalo (both in your hometown Buenos Aires). Do you think you express yourself better in this solo project?

Rolando - Totally, I have the control of all hahaha! But now with El Grupo Arevalo it's cool, because talking about the music, I have other colors in the sound, I have HUMANS haha! And no MIDI programming or a Backing track, so they give me their organic part to the project. And of course, it is also fun to play with the band, the preview, the post show, etc 

But also I enjoy to play alone, I'm happy that I can do both.

TM - We know you’ll release a new album soon, later this year. Can we expect some new songs in Lisbon? 

Rolando - Yes! I'm working hard on it to come up with some new songs to play in this tour.

TM – Currently, there are some great bands in South America, like Föllakzoid and The Holydrug Couple. How do you describe the underground music scene in Argentina?

Rolando - Underground music here is super great, there are a lot of bands, good music. I can talk about Buenos Aires, it was always a big underground scene here, but also all over the country. It's a pity that the people or the press only focus in Buenos Aires bands. I think the music level of the argentinian bands is super high. On opposite of that I think the venues in general and the music market are not so good. It's hard to do good things, to have good offers, etc.

TM – We know you’re a huge fan of Japanese pop culture. What are your favorite animes and mangas? Does it influence you in your music?

Rolando - Yes, I love the whole Japanese culture. Since I was a child I had a dream and it was to be in Japan one day… I never dreamed that I would be in Japan two times and playing music haha!

I'm super fan of Captain Tsubasa (Super Campeones in Argentina, Oliver y Benji en España, I don’t know the name in Portugal). I played almost all the video games of this anime and won the finals. I remember when I was a child I wrote the passwords in japanese and I still have those papers haha! About the influence, Peruvian culture and Japanese culture have a lot of common, If you listen to some Los Andes folk music, sometimes sound like Japanese folk music. And of course it is an influence for me, not only in my music but also in the art of my albums or flyers.

TM – If you like football, which team do you support in Argentina? 

Rolando - Racing Club de Avellaneda, the first South American team to be World Champion, beating Celtic in 1967. John Lennon was in one of the matches and he said something like “I like the white and light blue team, I want that team to win” hahaha! He said that because he hated the scottish.

TM - What albums/bands are you listening nowadays?

Rolando - La Leyenda del Tiempo from Camaron de La Isla, any song or album from Los Mirlos, Azel from Bombino and a lot of argentinian of late 80's and 90's cumbia with bizarre synths like Alcides or Ricky Maravilla.

TM – Anything you want to add up to the people out there?

Rolando - I hope people enjoy my music at some point in their lives and thanks for all the support of my followers :) HEY HO CUMBIA!

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Novidades do Rodellus 2017

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O festival para quem não tem medo do mato bracarense acabou de anunciar os primeiros nomes para a edição de 2017. Para já podemos contar com Pé Roto, Atomik Destruktor, que vêm celebrar o décimo aniversário do seu álbum Destroy, Disagree and Disrespect!, Ghost Hunt, Ratere, Stone Dead e os italianos psicadélicos Go!Zilla.

Apesar de não reveleram muitos mais segredos, são esperadas mais novidades brevemente.

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Woodrock Festival 2017 anuncia cartaz final

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De forma a encerrar o cartaz do festival que decorre em Quiaios, a organização do Woodrock anunciou as últimas quatro bandas: os ingleses Vodun, os suíços Black Willows e os portugueses Her Name Was Fire e CorreiaPara além das restantes bandas, foi também revelado o alinhamento por dias.

Os passes gerais podem ser adquiridos por 21€ até ao dia 31 de maio, sendo que depois se manterão no valor fixo de 24€. É possível também comprar um passe parcial, que habilita a entrada no festival nos dias 21 e 22, por um valor fixo de 22€. Estes bilhetes garantem acesso gratuito ao Parque de Campismo de Quiaios.

Os bilhetes diários apenas estarão disponíveis para venda nos dias do festival: Dia 20 - 6€; Dia 21 - 11 €; Dia 22 - 14€. Estes podem ser adquiridos nas lojas da Fnac,Worten, aos balcões da CTT e em https://woodrock.bol.pt.

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Surf Curse com três datas em Portugal


Os norte-americanos Surf Curse, banda composta por Jacob Rubeck (guitarra e voz) e Nicholas Rattigan (bateria e voz), vai passar por Portugal no final de maio. A dupla oriunda de Reno (Nevada) lançou Nothing Yet em janeiro de 2017, e vêm apresentar este novo álbum ao outro lado do Atlântico.

A tour europeia dos Surf Curse vai parar em Portugal nos dias 28, 29 e 30 de maio. No dia 28 (Domingo) a festa vai ser no Texas Bar, em Leiria. No dia seguinte, a dupla americana vem a Lisboa para tocar no Lounge. E para se despedirem do nosso país, os Surf Curse ainda vão dar um concerto em Bragança, no Bo BarAproveitem esta oportunidade para ouvir bom surf rock.


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sexta-feira, 28 de abril de 2017

Mão Morta, Sensible Soccers, Slow J e DJ Marfox são as primeiras confirmações do Rock Nordeste


Já são conhecidos os primeiros nomes que irão figurar o cartaz do festival Rock Nordeste, que se volta a realizar em Vila Real durante os dias 16 e 17 de junho. O festival minhoto volta a apostar no que melhor se faz na música portuguesa atual e irá contar com dois dias repletos de boa música com Sensible Soccers, que editaram o excelente Vila Soledade em 2016, Slow J, que traz no bagagem o mais recente disco The Art Of Slowing Down, DJ Marfox, figura maior da aclamada Príncipe Discos, e os incontornáveis Mão Morta, que vêm a Vila Real em mote de comemoração dos 25 anos de Mutantes S. 21, o icónico quarto álbum da banda bracarense liderada por Adolfo Luxúria Canibal

O Rock Nordeste decorre novamente no Parque Corgo, em Vila Real, durante os dias 16 e 17 de junho e a entrada é, claro, gratuita. 


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gnration celebra o seu 4º aniversário com dia aberto este domingo

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Moritz Simon Geist
Este domingo, das 10:00 às 04:00, concertos, dj sets, instalações e oficinas para os mais novos, entre outras atividades, preenchem programa do gnration open day que assinala os quatro anos do espaço de referência cultural nortenho. São mais de 16 horas de atividades com entrada livre.

PAUS, Octa Push, Conjunto Corona, Leviatã, Omega 3 (dj set), DJ Lynce (dj set) e a Orquestra de Paus e Cordas (quatro dezenas de músicos amadores juntos num coletivo musical) preenchem o programa de música onde se destacará o nome de Moritz Simon Geist. O músico alemão e engenheiro de robots, que colaborou já com nomes como Mouse on Mars ou Tyondai Braxton, apresentará Tripods One, uma performance sonora onde música eletrónica será tocada em tempo real por robots.

Para os mais pequenos, os Primeiros Bits vão ensinar, gratuitamente, como aplicar as novas tecnologias à arte, iniciativa em parceria com a Digitópia/Casa da Música, e o Atomic Scanner, um jogo de interação para smartphones, criada pela Engage Lab, que parte de um funcionamento similar ao Pókemon Go, levará crianças a descobrir espaços. 

Ao longo do dia e noite, um conjunto de instalações, em parceria com o INL – Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, Engage Lab e Berklee College of Music - Valencia Campus, serão apresentadas em vários espaços do gnration. Um conjunto de dois filmes do artista russo Kirill Savchenkov serão também exibidos neste dia, numa iniciativa parceira com a BoCA Bienal (Lisboa).

Consultem a programação completa em baixo:


MÚSICA
17:00 • Orquestra de Paus e Cordas • praça
18:00 • Moritz Simon Geist - Tripods One • blackbox
22:00 • PAUS • praça
23:00 • Leviatã • blackbox
00:00 - 04:00 • dj lynce • pátio interior
00:00 • Octa Push • praça
01:30 - 04:00 • 10 anos de Omega 3 RUM com King Fu • sala multiusos
01:30 • Conjunto Corona • blackbox

INSTALAÇÕES
10:00 - 01:00
Proem, por Erik Hasan Gomez
galeria gnration
Scale Travels: Matter of Perspectives, por Tarik Barri
galeria inl
Nanooat, por José Ismael Graça / engage lab
sala de formações


SERVIÇO EDUCATIVO
10:00 - 12:00 • atomic scanner
por diogo cunha/engagelab
11:00 - 18:00 • primeiros bits
por Digitópia/ Casa da Música


CINEMA / VÍDEO
11:00 - 01:00 • Museum of Skateboarding
por Kirill Savchenkov / BoCA Bienal
sala de entrada

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W.H.Lung apresenta single de estreia "Inspiration! / Nothing Is"

W.H.Lung-single

W. H. Lung é um projeto que teve origem nas ruas do Sul de Manchester em meados de 2016 e chega-nos agora com o seu single de estreia. "Inspiration! / Nothing Is" é um single de duplo lado A com edição limitada marcada para 12 de maio, em formato vinil de 10'' e com o selo da Melodic Records.

Gravado no The Nave em Leeds e produzir por Matt Peel, este single é como se os NEU! e os Talking Heads se tivessem colaborado.

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Foto-reportagem: 1000mods + Glowsun [Cave 45, Porto]

1000mods-glowsun-cave45

No passado dia 19 de abril fomos até à Cave 45, no Porto, assistir à atuação dos 1000mods, banda responsável por épicos álbuns como Super Van Vacation e Vultures. O concerto inseriu-se na tour europeia de apresentação do seu mais recente trabalho editado em 2016, Repeated exposure to...Os franceses Glowsun também passaram pela Cave. 

Fiquem com o registo fotográfico de Pedro Campos Pereira.

1000mods + Glowsun @ Cave 45

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Cartaxo Sessions apresentam este sábado Ola la Meta e FUGLY


As Cartaxo Sessions vão receber este mês os Ola la Meta, formados por Manu na guitarra, Luis na sua Fender VI, Raul com o seu teclado e dispositivos vindos de outras galáxias, e Nora na bateria. Os madrilenos prometem um concerto cheio de garage e surf rock, onde vai ser possível ouvir o mais recente trabalho, Guerra de Miradas.

Os portuenses FUGLY são a banda nacionl convidada e vêm apresentar o disco Morning After editado no ano passado. Para a after party temos os Supersonic Overdrive, dupla de DJ's de Leiria com gostos ecléticos compostos por Ricardo Ribeiro (Dj Peregrino / Pedal de Distorção) e João Pedrosa ( Omnichord Records / Frequência Cardíaca). 

Os concertos têm início às 22h00 e os bilhetes custam 5€.

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O EP de estreia de Bruxas/Cobras já circula por aí


Os Bruxas/Cobras são uma dupla de bateria e baixo composta pelos músicos Ricardo Martins (Filho da Mãe, PAPAYA, Cangarra, Adorno) e Pedro Lourenço (Sei Miguel). O duo começou a ouvir o seu nome falado o ano passado, quando o tema "Mandake" integrou a compilação "Novos Talentos FNAC 2016". Desde então começaram a trabalhar no seu primeiro disco e mostraram entretanto ao público "Halomante", o single de apresentação do novíssimo EP Vermelho.

Em contexto Bruxas/Cobras, Ricardo Martins e Pedro Lourenço desbravam terrenos improvisados, onde a dimensão funciona como a principal direção. Vermelho, que faz parte da trilogia de discos lançados pela Revolve em abril, é composto por um total de cinco temas e já pode ser ouvido na íntegra ali em baixo.

Vermelho EP é editado oficialmente hoje, 28 de abril, pelo selo Revolve,


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quinta-feira, 27 de abril de 2017

Conheçam um novo festival: o Gerês Rock Fest


A primeira edição do Gerês Rock Fest acontece este ano entre os dias 28 e 29 de julho no Campo do Gerês, mesmo às portas do Parque Nacional do Gerês. Este novo festival , que tem como ocjetivo "realizar o casamento perfeito entre a cultura musical e a natureza" recebe algumas das melhores bandas do panorama nacional e outras que são já consideradas revelação . Tudo isto junto à mítica aldeia submersa de Vilarinho da Furna e à Mata da Albergaria

O cartaz desta primeira edição também já é conhecido e contará com um total de 14 bandas distribuídas em dois dias. PAUS  e Blind Zero são os headliners dos dias 28 e 29 de julho, respetivamente. No primeiro dia de festival poderão ainda ver-se Smix Smox Smux, Big Red Panda, GrandFather's House, Amor Terror, Carolina Drama e Sarilhão Blues Band. Já no segundo dia sobem a palco Bed Legs, Malcontent, LaResistance, Ionized, Pippermint Twist e Scream4Revolution.







Os bilhetes já se encontram à venda  nos locais habituais.e custam 12.50€ para o primeiro e 15€ para o dia 29 de julho. O passe geral tem um custo de 20€. 
A partir de dia 1 de julho os preços passam a ser:
1º dia de festival: 15€
2º dia de festival: 20€
Passe Geral: 30€

O Gerês Rock Fest é um evento organizado pela empresa Gerês Events - Produção de Eventos, Lda e co-promovido  com a associação Deburicis - Clube de Artes e Recreio. Toda as informações adicionais do evento aqui.


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Oiçam: Billions of Comrades



Oriundos da Bélgica e no ativo desde 2011, os Billions of Comrades estrearam-se em 2013 nos trabalhos de estúdio com Grain, um álbum muito aclamado pela crítica pela originalidade na composição dos seus singles, que maioritariamente funcionam à base de uma mistura de sonoridades orgânicas com os beats do sintetizador Tenori-On, por forma a criar uma energia electro math pop. Os Billions of Comrades têm uma veia muito experimental daquelas à la musique concrète, que se encontra denotada com o avanço da reprodução dos seus trabalhos, embora em músicas específicas (a título de exemplo oiça-se "Harders"). Apesar da aura pop, que se observa essencialmente ao nível da voz (a merecer comparações com Luke Jenner dos The Rapture), a sonoridade dos Billions Of Comrades no primeiro disco apresenta uma banda com potencial e  traz boas malhas com elementos característicos a explorar afincadamente no futuro.


Três anos depois de Grain, os Billions of Comrades estão agora de regresso ao discos com Rondate, lançado em formato digital em outubro de 2016 e com edição física pela Black Basset Records em março deste ano. Há uma clara evolução na sonoridade do quarteto belga do primeiro para este segundo trabalho. Se em Grain a banda mostrava ter um potencial na área experimental, esse potencial é afinado e explorado ao pormenor em Rondate, um disco composto de forma espontânea e coordenado pela química existente dos quatro elementos da banda em estúdio. Sobre o conceito envolvido neste novo disco os Billions of Comrades explicam-no como: "an impulse, that bit of energy needed to break free from a cyclical situation, to evolve and to move on."





O tema de abertura do disco, "Echidna", traz uma luz para o universo escuro da banda, apresentando-se essencialmente como um single progressivo e posicionado entre o industrial. Já o seu sucessor, "Minor", volta ao math-rock e acrecenta-lhe uma moldura eletrónica. "Poss", por exemplo, tem uma identidade mais tribal. Comparativamente a Grain, Rondate apresenta uma qualidade superior e uma produção e composição mais pensadas, através de uma exploração sonora que não fica presa a um único género. Rondate é um álbum sofisticado e com composições bastante modernas. A ouvir, além dos já referidos, recomendam-se ainda o single "Torche".




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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Passos Manuel recebe Festival Internacional de Música no Cinema de 27 a 29 de abril


O cinema Passos Manuel vai receber nos próximos dias 27, 28 e 29 de abril o Muvi - Festival Internacional de Música no Cinema, o único festival de cinema específico sobre música em Portugal. Os bilhetes podem ser adquiridos sob a forma de passe, permitindo ver 6 filmes pelo preço de 10€, ou por sessão, permitindo ver dois filmes pelo preço de 4€. O programa completo está disponível em baixo.


QUI 27.04.2017 21:30 - 00:10
- "A Gravame", 2016, de Peter Rippl (Menção honrosa da Crítica - Odisseias Musicais Palco Internacional, 72 min)
- “Melody of Noise”, 2015, de Gitta Gsell (Prémio da Crítica - Odisseias Musicais Palco Internacional, 86 min)

SEX 28.04.2017 21:30 - 23:50
- "Dolomitenfront", 2016, de Sara Maino (Prémio da Crítica - Sonetos Cantados Palco Internacional, 43 min)
- "Hired Gun", 2016, de Fran Strine (Odisseias Musicais Palco Internacional, 98 min)

SÁB 29.04.2017 21:30 - 00:20
- "I Shot Bi Kidude", 2015, de Andy Jones (Odisseias Musicais Palco Internacional, 75 min)
- “Filhos de Bach”, 2015, de Ansgar Ahlers (Prémio do Júri - Odisseias Musicais Palco Internacional, 91 min)

A quarta edição do festival regressa ao Cinema São Jorge, em Lisboa, de 15 a 20 de novembro de 2017.

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terça-feira, 25 de abril de 2017

Reportagem: Emma Ruth Rundle [Sabotage Club, Lisboa]


Quinta-feira, 20 de abril.

Este dia vai ficar para a história como um dos dias em que todos respeitámos esta arte sobre a qual escrevemos todos os dias. Deixemo-nos agora de tretas introspectivas, vamos é falar da passagem de Emma Ruth Rundle por Lisboa por uma sala completamente lotada, pela mão da Amplificasom.

Eram 22h40 quando Emma subiu ao palco do Sabotage, completamente sozinha, só com a sua guitarra acústica. Vestida de preto, iniciou a sua atuação com o tema "Run Forever". À medida que ia interpretando o seu reportório, Emma batia com a botão no chão de modo ritmado para se guiar. 


Foi em "So Come" que a cantautora soltou a voz, lembrando-nos uma tal de PJ Harvey mais jovem. Podemos afirmar com certezas que o registo vocal ao vivo é claro como se de estúdio se tratasse. Já o concerto se encontrava a meio quando a Emma pegou na guitarra elétrica e, com recurso aos pedais, tocou o tema "Medusa", um dos mais belos de Marked for Death. Após terminá-lo dirigiu-se pela primeira vez ao ao público com um "Obrigado". A artista acrescentou também que era uma honra poder tocar em Portugal e ser tão bem tratada, despertando nela o sentimento de se querer mudar para o nosso país.

Houve também tempo para Emma tocar uma canção muito antiga e triste,  de nome "Grandma", se não estamos em erro. O seu nome "Ruth" vem da avó e a artista expressou o amor que sente por ela: "Love you more than anything in the world". 


O concerto terminou da melhor maneira com o tema que encerra Marked for Death, "Real Big Sky". Apesar da insistência do público, a cantautora americana não voltou ao palco. Foram doze temas que percorreram Some Heavy Oceans (2014) e o trabalho mais recente editado no ano passado, Marked for Death. Ao longo de sensivelmente uma hora respirámos nos domínios da folk e do etéreo, sendo inevitáveis comparações com Chelsea Wolfe.

Apesar do som estar baixo, o público soube permanecer em silêncio durante toda a atuação ajudando a coroar esta atuação como memorável. Delicada, tímida mas muito simpática, Emma proporcionou-nos uma noite bem agradável e encheu os nossos corações. 

Que volte rápido!


Setlist:
Run Forever
Hand of God
So, Come
Protection
Arms I Know So Well
Medusa
Marked for Death
Grandma
The Color
Heaven
Shadows of My Name
Real Big Sky 

Texto: Rui Gameiro
Fotografia: Melissa Coimbra

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And So I Watch You From Afar de regresso a Portugal em outubro


Foi hoje confirmado pela Amplificasom o regresso do portento post-rock And So I Watch You From Afar, depois de estes nos terem visitado pela última vez em 2015 com dois concertos esgotados. 2017 não é exceção e o quarteto irlandês regressa novamente em dose dupla com os concertos a decorrer no Porto e Lisboa, dias 29 e 30 de outubro, respetivamente, nas salas do Hard Club e Musicbox

O preço dos bilhetes de ambos os concertos é de 18 € e podem ser adquiridos online na AMPLISTORE ou nas lojas Hard Club, Louie Louie, Piranha, Black Mamba, Bunker Store na cidade do Porto, ou nas lojas Flur, Glamorama e Vinil Experience em Lisboa.

Em baixo, fiquem com o mais recente disco Heirs, o quarto álbum dos And So I Watch You From Afar.



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segunda-feira, 24 de abril de 2017

Spoon apresentam "Hot Thoughts" nos coliseus em novembro


Os Spoon já não são novos por estas bandas, com nove discos editados e várias passagens pelo nosso país. A banda de Britt Daniel e companhia já estava confirmada no festival NOS Alive ao lado de nomes como  Fleet Foxes, Depeche Mode e The Avalanches, e tem agora mais duas datas marcadas para o mês de novembro nos coliseus do Porto e Lisboa, onde irão apresentar o mais recente disco Hot Thoughts, um dos discos quentes da estação e que marca uma ligeira mudança no som da banda americana. O primeiro concerto decorre dia 16 de novembro no Coliseu do Porto, e no dia seguinte no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Os preços encontram-se disponíveis já amanhã e podem conferir os respetivos preços no site da Everything Is New.

Em baixo, fiquem com o excelente tema "Hot Thoughts".


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José Cid em entrevista:"Estou em constante mudança…não quero ser coerente"

Rita Carmo ©
Corria o ano de 1978 quando José Cid lançou pela editora Orfeu aquela que viria a tornar-se numa das obras de maior sucesso de Rock Sinfónico do mundo: 10.000 Anos depois entre Vénus e Marte. Passados quase 40 anos volta agora a trazer a palco a história ficcional do homem e da mulher que regressam à terra 10.000 anos depois da sua total destruição, para repovoá-la. 

Aclamado pela crítica, foi considerado pela revista Billboard como um dos melhores 100 discos de Rock Progressivo do mundo de todo o sempre. Neste que é também o ano da edição em disco do espetáculo 10.000 Anos Depois entre Vénus e Marte, José Cid volta a apresentar ao vivo a obra que lhe valeu a internacionalização, dia 1 de Maio na Aula Magna em Lisboa e 6 de Maio na Casa da Música no Porto. 

Threshold Magazine (TM) - O que o levou a fazer o álbum 10.000 Anos depois Entre Vénus e Marte?

José Cid (JC) - Uma certa crispação que existia na humanidade dos anos 60, sabendo que uma III Guerra Mundial estava iminente, devido ao confronto militar nuclear muito grande entre os Estados Unidos e a União Soviética. Foi o que me fez escrever a parte poética. Escrevi o álbum todo, menos a faixa dois, escrita por um amigo meu, o Manuel Lamas. O resto é poesia minha. Fui musicando as partes poéticas que inspiravam um determinado tipo de música e, quando já no fim do álbum, cheguei à conclusão que precisava de dois ou três amigos para me ajudarem a escrever a parte musical. Pedi ao Mike Sargeant, ao Zé Nabo e ao Ramon para me ajudarem a musicar alguma poesia que estava feita e o álbum é concluído por eles. 

Eu interliguei tudo, fui controlando de uma forma inspiradora ou pacífica tudo aquilo que se foi fazendo. Só geri a inspiração dos outros, digamos. E parece-me que geri bem (risos), parece que é um conceito único e não, parece que foi uma única pessoa que concebeu aquilo mas não, eu divido as autorias com mais duas ou três pessoas.

TM - Esteve em bandas como o Quarteto 1111 onde fez um dos melhores discos produzidos em Portugal, A Lenda do Quarteto 1111 , entre muitos outros, sob a égide do psicadelismo. Como era fazer música psicadélica num Portugal oprimido e como é que se chegava às pessoas?

JC - Chegava pouco (risos)! Ainda por cima uma banda de culto dessa geração, muito proibida em termos poéticos, pela censura dos regimes salazarista e marcelista. Só nos tornámos verdadeiramente populares em 1973 ou 1974 quando eu e o Tozé Brito gravámos uma canção comercial, “20 anos”. A partir daí as coisas foram diferentes, para melhor ou para pior, mas a verdade é que os 1111 até esta época eram uma banda completamente de culto como hoje são outras bandas hoje em Portugal como os “Fausto” (Capitão Fausto), Savanna e cenas assim.  

De repente, quando nós casámos e começámos a ter que pagar a renda de casa, as prestações do automóvel, o leite e os biberões para os bebés que nasciam, foi de consenso tornarmo-nos uma banda mais comercial, nunca abdicando da ideia de progressismo. O 10.000 Anos depois Entre Vénus e Marte não é o único álbum que tenho de roque sinfónico e roque progressista. Há também o Onde, Quando, Como e Porquê, Cantamos Pessoas Vivas, um poema de José Jorge Letria e música minha, e também Vida (Sons do Quotidiano), que até acho melhor que o 10.000 Anos depois Entre Vénus e Marte.

Agora eu vou ver até que ponto este quarto álbum de roque sinfónico, que se chama Vozes do Além, será poeticamente superior, porque é poeticamente superior ao 10.000 Anos depois Entre Vénus e Marte. É um álbum que tenciono começar a gravar ainda este ano, a pouco e pouco, com poesia de Natália Correia, Sophia Mello Breyner, Federico García Lorca, interligado com alguma poesia minha. É um álbum que poeticamente dá logo uma garantia de grande qualidade e aborda a ideia da reencarnação. A reencarnação é uma vingança inexorável sobre uma morte mais que certa e nós acreditamos na reencarnação, vingamo-nos em vida daquilo que é no fundo o ser humano. É o meu próximo álbum e último de roque sinfónico (risos).

TM - Existe muita diferença na indústria musical após o 25 de abril, sabendo que existia censura?

JC - A censura era inspiradora. Organizavam-se metáforas poéticas muito interessantes. Tens, por exemplo, o Ary dos Santos que era um especialista nisso, Cavalo à Solta, Tourada, até mesmo em José Cid com o tema “Camarada” ou “Olá Vampiro Bom”. São temas que têm muito a ver com o metaforismo. Era inspirador! Depois do 25 de abril há um open mind e aí vemos quem é que compõe sem ter uma necessidade de fugir à censura.

TM - Se lhe chamassem “Pai do Rock Psicadélico português” aceitaria ou tentava mostrar que não foi só José Cid uma das pessoas a agarrar essa vertente do rock?

JC - Não! Houve mais (risos). Os Tantra com o Mistérios e Maravilhas fizeram isso, os Petrus Castrus também fizeram parte. Portanto, eu não posso chamar para mim um título, quando eu sou “um daqueles que”. Assim como o Rui Veloso não é o “Pai do Rock português”, os Xutos & Pontapés são uma banda muito mais coerente em termos “roqueiros”, do que o Rui Veloso mas pronto sempre foi o “Pai do Rock Português” e eu passei a ser a “Mãe”  porque a mãe toda a gente sabe quem é (risos). Digo isto porque eu não acredito e nunca tive marketing a promover a minha marca. Lembrei-me desta da mãe para um dia se rirem todos.

TM - Se pudesse escolher entre uma destas “fases”, qual escolheria e porquê: “Macaco Gosta de Banana”, “A lenda de D.Sebastião” ou “”Vida: Sons do Quotidiano”

JC - Nenhuma, eu não tenho fases, eu sou muito camaleónico. A minha obra passa por muita coisa, se eu pudesse cantar só cantava jazz ou fado (risos). Não posso pedir às musas que me inspirem, escrevo as coisas que me vão aparecendo na cabeça. Há muita coisa que sai da cabeça dos artistas, dos criadores e dos compositores que não tem explicação, é porque sim! (risos).

Estive meses e meses sem escrever um tema e agora até acho que estou a escrever melhor. Aliás, o próximo álbum, Clube dos Corações Solitários do Capitão Cid, vai provar isso, que eu estou a escrever cada vez melhor e estou a cantar ao mesmo nível, ou até melhor, do que cantava. Não perdi as qualidades vocais, quando as perder vou ter a noção de que vou ter de me calar e não vou cantar mais. Não posso andar a cantar mal, nunca cantei mal, nunca fui desafinado e eu não posso de maneira nenhuma não conseguir dar certas notas e continuar pateticamente a tentar fazê-las. Vou ter a noção nítida de quando é que vou ter de parar. Não é mais um ano no meu bilhete de identidade, não é mais uma ruga na minha cara, não é mais a falta de agilidade dos meus membros, é a minha voz que vai definir exactamente quando é que vou parar.



TM - O que acha que leva as pessoas a pedirem mais concertos de um álbum único como o 10.000?

JC - As pessoas que vão ver o 10.000 Anos depois Entre Vénus e Marte são sonhadoras como eu sou, gostariam de um mundo mais perfeito. Sabem que no final dum álbum conceptual, depois do planeta acabar, vai aparecer tudo de novo. As pessoas sentem-se na pele de um novo Adão e Eva que gostariam de recomeçar tudo de novo sem os erros que o Planeta Terra cometeu, as atrocidades que cometeu desde a Pré-História à Idade Média, às guerras todas que programou e organizou. As pessoas não têm nada a ver com toda essa “História do Planeta Terra”, as pessoas são puras, são simples, gostariam de viver uma vida como novos Adão e Eva a recomeçar tudo no Planeta Terra.

TM - O que mudou em José Cid desde lá até agora?

JC - Eu estou em constante mudança (risos), eu mudo porque sim e porque não quero ser coerente, não tenho nada a ver com coerência. O meu último álbum, Menino Prodígio, é nomeado pela SPA como o melhor álbum do ano de 2016 e isso é muito bom. Aos 75 anos tenho isso presente quando o deveria ter aos 25. É gratificante e vou-me bater em 2018 com este Clube dos Corações Solitários de Capitão Cid para que seja um dos melhores álbuns da música portuguesa.

TM - O que acha da atual indústria musical portuguesa, dos novos músicos e bandas?

JC - Muita gente nova a fazer muito boa música. Eu na rádio ouço sempre a Antena 3 e sinto que há uma renovação das novas gerações muitíssimo interessante, a todos os níveis, e cada vez mais criativa. Quando as coisas parece que desbotaram ao longo dos tempos, aparecem novas gerações a fazer coisas que parecem ser feitas pela primeira vez. Isso é muito interessante e a Antena 3 tem muito isso, muito desafiadora na medida em que se sente que há gente nova a escrever bem, a compor bem, com muito boas ideias.

Também agora anda tudo numa onda muito psicadélica, que eu acho piada, mas a pouco e pouco as coisas vão-se cimentando e vai-se descobrindo que há muita gente nova a escrever muito bem em Portugal. Isso alegra-me imenso, porque essa gente vai, com o tempo e com a idade, transformar-se em grandes compositores de uma renovação muito importante na nova música portuguesa.

TM - O que tem ouvido recentemente?

JC - Não ouço muitos discos, não tenho tempo porque ando sempre em estúdio. Muito recentemente o que eu tenho ouvido é o meu Clube dos Corações Solitários do Capitão Cid, o meu álbum, com muito cuidado, com muita minúcia, música a música e som a som. O que tenho feito é ouvir muita música mas na rádio e as rádios que eu ouço mais são realmente a Antena 3, que eu sei que é elitista, muito jovem mas são projectos que andam muito em frente, as pessoas são muito ousadas e mais puras, não escrevem refrões para vender, escrevem canções com sonho, com técnica e inspiração e é o que eu gosto de ouvir.

Também há outra estação que me diverte bastante que é a Vodafone.FM, ouço bastante, sons muito interessantes, depois há a Smooth.fm, bastante repetitiva, parece o casino, com muita frequência, mas também ouço, até cheirar muito a casino e lantejoulas, aí mudo (risos).

TM - E pronto. Por nós é tudo! Vemo-nos no concerto de dia 1 na Aula Magna

JC - Vamos a isso! Esqueci-me de dizer que não vou só tocar o 10.000 Anos depois entre Vénus e Marte, vou tocar Onde, Quando, Como e Porquê, Cantamos Pessoas Vivas, Vida (Sons do Quotidiano na íntegra e ainda temas de Vozes do Além!


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