sexta-feira, 12 de maio de 2017

Road to: NOS Primavera Sound #1

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A menos de um mês de começar um dos principais festivais de música alternativa de Portugal, o NOS Primavera Sound, deixamos aqui algumas escolhas dos editores para o que podem ver nos ecléticos palcos do Parque da Cidade durante os três dias que são esta celebração que junta alguns dos melhores artistas e bandas da atualidade.

8 de junho

Flying Lotus - You’re Dead! (2014)


Um dos mais originais compositores dentro do campo do hip-hop, Flying Lotus, de seu nome original Steven Ellison, ganhou reconhecimento pela maneira experimental com que trabalha dentro do seu campo musical. A sua música, para além de conter elementos de hip-hop, apresenta influências de musica eletrónica e free jazz (não seria este familiar do grande saxofonista, John Coltrane). Para além dos elementos musicais, incorpora um imaginário digno de quem passou grande parte da sua infância a ler comics da Marvel e a ver desenhos animados do Cartoon Network.

Todos estes constituintes podem ser ouvidos no seu mais recente álbum. As primeiras quatro músicas instrumentais são uma obra prima do hip-hop com influências psicadélicas e introduzem “Never Catch Me”, que inclui a voz de nada mais nada menos que Kendrick Lamar. Para além deste, podemos encontrar colaborações não só de músicos atuais como Snoop Dogg, Thundercat, e outro alter-ego de Steven Ellison, Captain Murphy (persona que o próprio adota quando faz rap), Kamasi Washington, mas também icónicos músicos intemporais como Herbie Hancock e Ennio Morricone.

Um dos concertos que mais curioso estou para assistir, uma vez que estou curioso para ver como é que FlyLo executa todos estes complexos sons fora de estúdio.

- Hugo Geada



9 de junho

King Gizzard & The Lizard Wizard – I’m In Your Mind Fuzz (2014)


Sem dúvida uma das bandas mais excitantes da atualidade, estes grupo de sete australianos estiveram pela última vez em Portugal no Vodafone Paredes de Coura, naquele que foi um dos mais excitantes concertos da edição. O seu regresso é marcado pela notícia do início do ano em que prometeram lançar 5 discos em 2017, ou seja desde o último concerto destes, já lançaram um álbum novo, Flying Microtonal Banana e estão a preparar-se para lançar mais um, Murder of the Universe, décimo álbum em 5 anos (!).

Contudo, o álbum que vou falar é, pessoalmente, o meu preferido e aquele (que tal como a mim) introduziu uma quantidade incrível de fãs para a música deste conjunto. Para começar, os primeiros 12 minutos e 30 segundos são os melhores minutos que alguma vez entraram num álbum de garage rock. As músicas consistem em “I’m In Your Mind”, “I’m Not In Your Mind”, “Cellophane” e “I’m In Your Mind Fuzz”. Estas costumam ser apresentadas nos concertos em formato de medley, concebendo um efeito imprevisível que, acompanhado pela velocidade e energia com que eles concebem este momento musical, fazem jus ao nome do álbum.

Apesar do restante álbum não ter muito espaço na já saturada setlist, é de salientar momentos como a faixa que dá o álbum por finalizado, "Her and I", ou "Hot Water," liderada pelos calmos instrumentos de sopro, e sem esquecer a épica, "Am I In Heaven?", que a banda tem tocado de vez em quando nos concertos.

- Hugo Geada



Nicolas Jaar – Sirens (2016)


Falar em Nicolas Jaar é falar num dos nomes mais relevantes do atual panorama da música eletrónica. O produtor americano está de volta ao nosso país para se afirmar como um dos principais agentes do renascimento do género. Sobe ao palco no segundo dia do festival e na bagagem traz o seu último trabalho lançado no ano passado, Sirens. Um álbum repleto de fortes mensagens políticas e socias influenciadas pela atual situação do Chile, o seu país de origem. 

Muito aclamado pela crítica, o seu segundo LP tem na sua composição faixas como “Killing Time” e “No”, duas músicas que com certeza farão parte da sua setlist e que demonstram bem a versatilidade musical do artista, tal o contraste de sonoridades e de melodias. Apontado por muitos como um nome de culto, Nicolas Jaar não irá desapontar os seus fãs portugueses, servindo-lhes uma dose de uma eletrónica misteriosa, irreverente e que não deixará nenhum corpo estático.

- Edgar Simões



10 de junho

The Black Angels – Death Song (2017)


Os reis psicadélicos de Austin voltam a Portugal depois de terem estado na edição de 2014 do Reverence Valada. E que saudades deixaram.

Vêem apresentar o seu novo álbum, Death Song, alusão ao nome da música dos The Velvet Underground onde estes retiraram o seu nome, “The Black Angel’s Death Song”, naquele que é o álbum com mais conotações politicas e mensagens de intervenção. Por exemplo, em “Medicine” estes criticam a indústria farmacêutica e em “Currency” espetam uma faca no sistema capitalista.

Com o seu som, sempre muito visual, este pode levar-nos a uma viagem a um campo de morangos (referência aos beatles) nos anos 60 na Califórnia, como tão depressa nos fazem embarcar numa bad trip alucinogénica. Esta variação, de momentos felizes para passagens mais introspetivas, é o que tornam os Black Angels uma banda tão especial. No final do álbum podemos sentir esta variação com a épica “Life Song”, onde o sombrio instrumental contrasta com a esperançosa letra da música.

- Hugo Geada



Weyes Blood – Front Row Seat to Earth (2016)


Esta bela jovem americana começa a ser presença assídua por terras lusas, sendo que desta vez vai pisar um palco maior, digno do seu talento, o do NOS Primavera Sound no Porto.

Weyes Blood inspira-se no seu folk psicadélico influenciado desde Fleetwood Mac a Joni Mitchell, sempre com o toque lo-fi que representa os gloriosos finais dos anos 60. Em Outubro de 2016 lançou o seu aclamado álbum Front Row Seat to Earth, onde se afirmou como uma artista em ascensão graças aos largos elogios da crítica e a quem devemos dar uma atenção especial ao seu futuro trabalho discográfico.

Podemos ouvir no sucesso de “Seven Words” que é uma canção retratada nos sentimentos amorosos e numa melancolia de um baixo bem vincado ligada a uma secção rítmica que acompanha na perfeição as linhas de guitarra e um órgão angelical que parece que estamos a ouvir o “Oceano Pacífico” numa viagem de regresso a casa numa madrugada de nevoeiro.

Naquilo que será um possível magnífico dia quente do Primavera, certamente, será um dos concertos mais aguardados, que irá aquecer muitos corações bem como satisfazer os fãs mais acérrimos desta artista que nos brinda com a sua voz delicada.

- Eduardo Coelho

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Alex Cameron e The Wedding Present entre as novas confirmações para Paredes de Coura


Seis artistas foram confirmados para o Vodafone Paredes de Coura 2017: os norte-americanos Nothing, como já noticiamos, os britânicos The Wedding Present, que vão tocar o seu primeiro álbum, George Best, os Red Axes, Alex Cameron, Marvin and Guy e o português White Haus.

Este ano o festival realiza-se de 16 a 19 de agosto e os passes gerais encontram-se disponíveis ao preço de 90€. 

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Hermetic Delight - "Vow" (video) [Threshold Premiere]


Já com cinco anos de carreira na biografia e três EP's na bagagem, os franceses Hermetic Delight lançaram recentemente o EP Vow, o qual continuam a promover, desta vez, com direito a trabalho audiovisual para o single homónimo "Vow". A sonoridade dos Hermetic Delight é vestida por um noisy pop com traços de post-punk e shoegaze e composta por guitarras afiadas, vocais incantadores e ritmos destemidos com o intuito de gerar emoção no ouvinte.

O mais recente vídeo para "Vow" resume-se a uma procura onde as personalidades dos diferentes membros se misturam e perseguem a sua essência central, enquanto fogem do seu alter ego. Esta deambulação conclui-se onde começou: no final de um túnel, onde o single se dissolve no meio da noite como uma reverberação, à semelhança de cada individualidade dentro da banda. O trabalho audiovisual encontra-se disponível abaixo.

Vow EP foi lançado oficialmente a 15 de abril de 2017 pelo selo October Tone Records. Podem comprá-lo aqui.



Vow Tracklist:

1. War is Closer 
2. Circles 
3. Interlude 
4. Vow 
5. Murderbeat 
6. Marian 
7. Outro

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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Greasy Nights 17 com 10 000 Russos, Fugly, Leicomers e El Señor


As Greasy Nights estão de volta a Évora para a sua segunda edição, depois de no ano passado terem contado com The Sunflowers, 800 Gondomar e muitos outros no cartaz. Este ano, a festa da promotora eborense Pointlist vai ser na SOIR - Joaquim António D'Aguiar. Aqui vão poder ver bandas como 10 000 Russos, que vão estar em tour europeia no próximos dois meses, os garageiros Fugly, os espanhóis Leicomers e o mais recente membro da família Pointlist, El Señor.

Os bilhetes para esta noite têm o custo de 4 euros, e o começo está marcado para as 22h do dia 12 de maio.











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Milhões de Festa anuncia alinhamento da Piscina



Pouco mais de um mês e meio nos separa até ao dia do começo da festa, o Milhões  de Festa anunciou hoje os nomes que farão parte da piscina mais quente de Barcelos.

Com o já confirmado Sarathy Korwar junta-se Hieroglyphic Being, GPU Panic + Shake It Machine, o Bom, o Mau e o Azevedo, MQNQ, ou seja MMMOOONNNOOO e Quim Albergaria da banda PAUS, Sly and The Family Drone, a banda portuguesa Lavoisier que se junta ao já conhecido DJ Barrio Lindo, e para a alegria de todos Mehmet Aslan. 

Outros nomes confirmados foram Ghost Wavves com o rapper Mike El nite e ainda Shame, Orchestre of Spheres, MVRIA com SUPA.

 Mehmet Aslan
Estes serão os nomes que farão parte desta edição do Red Bull Music Academy no décimo aniversário do festival Milhões de Festa que se realizará entre os dias 20 e 23 de julho de 2017



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The National no Coliseu de Lisboa a 28 de outubro

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Os The National vão regressar uma vez mais ao nosso país. Num concerto inserido nas celebrações dos 15 anos da rádio Radar, a banda de Ohio vem ao Coliseu dos Recreios, Lisboa, no dia 28 de outubro, apresentar o seu próximo álbum de estúdio Sleep Well Beast, com edição marcada para 8 de setembro via 4AD. 

"The System Only Dreams in Total Darkness" é o primeiro avanço deste novo trabalho. 

 

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quarta-feira, 10 de maio de 2017

The National com novo disco em setembro


Vem aí um novo disco dos rapazes de Ohio.

Os quase portugueses The National vão editar a 8 de setembro via 4AD Sleep Well Beast, o sétimo álbum de estúdio e sucessor de Trouble Will Find Me (2013). Este anúncio vem acabar com a especulação dos últimos dias provocada por teasers de uma nova música e pela frase "The System Only Dreams in Total Darkness".

Andam também a circular alguns posters com o título e data de lançamento deste novo trabalho.


Enquanto setembro não chega, fiquem com uma das obras-primas da banda.


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Bruno Pernadas leva o jazz ao Auditório de Espinho


Depois de ter fechado 2016 com o lançamento de dois álbuns, Bruno Pernadas vai ao Auditório de Espinho apresentar o disco Worst Summer Ever no próximo dia 13. Com um registo jazz, o trabalho do músico português já foi amplamente elogiado pela crítica especializada. Esta será a primeira vez que o público do norte terá a oportunidade de ouvir ao vivo este disco, que será tocado com a ajuda de Sérgio Rodrigues, no piano, Francisco Brito, no contrabaixo, Joel Silva, na bateria, e João Mortágua, no saxofone alto e soprano.

O concerto tem início marcado para as 21h30 e os bilhetes custam 7 euros, existindo possibilidade de desconto para os portadores de Cartão Amigo AdE.

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Foto-reportagem: Greenleaf + Stone Dead [Cave 45, Porto]

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No passado dia 2 de maio os Greenleaf passaram pela Cave 45, Porto, para promovoer o seu mais recente disco, Rise Above The Meadow, editado em 2016. Os suecos do stoner rock fecharam a noite depois de terem tocado anteriormente os portugueses Stone Dead com o seu álbum de estreia, Good Boys. A foto-reportagem do evento segue abaixo, pela lente de Ana Carvalho dos Santos. 

Greenleaf + The Stone Dead @ Cave 45

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Môno! em entrevista: "Ribamar é um trabalho mais polido e pensado que o anterior".

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Os Môno! são um quinteto de jovens que vem dos arredores de Lisboa. Com Pedro na guitarra e voz, Tomás no baixo, Bernardo também na guitarra, Duarte na bateria e Miguel nos teclados, editaram em 2015 o seu primeiro disco homónimo influenciado pelo movimento psych e agora apresentam-nos o seu sucessor. 

Ribamar, gravado no verão de 2016, foi editado no passado dia 17 de março, pela French Sisters Experince. Ao todo, são seis canções cantadas em português onde a pop, o rock, o stoner, o psicadélico e o experimentalismo andam de mãos dadas. 

A banda vai abrir a noite d'O melhor 13 de maio do país, evento organizado pela Threshold Magazine, com o lançamento de Ribamar

Threshold Magazine (TM) - Como é que os Môno! começaram? 

Bernardo - Eu tocava com Duarte e com outros dois rapazes, numa escola. Tínhamos uma banda de covers. 

Duarte - Eu tocava com o Tomás no conservatório, ele tocava contrabaixo. Era eu a tocar bateria, o Bernardo a tocar guitarra e os outros dois rapazes tocavam teclados (Alexandre) e cantavam (Caramujo). 

Bernardo - Na altura precisávamos de um baixista e o Duarte conhecia o Tomás. Entretanto fui para o conservatório, conhecemo-nos todos e demos um toque para ele vir tocar conosco. Ficamos assim uma altura sem vocalista porque o Caramujo deixou de tocar conosco, mas não houve problema porque só faziamos covers e tocávamos uma ou outra coisa nossa. Depois o Pedro é que mandou a dica de um concurso de bandas no Técnico.

Pedro - Era uma cena de mecânica. O Duarte é meu primo, então eu disse-lhe para lá ir com a banda dele. Como estavam sem vocalista, ele disse-me que só iam se eu fosse o vocalista, ao que eu disse logo que não (risos). Fui a uns ensaios ver como a cena corria e decidi que podia ser. Dois ensaios depois fomos tocar ao vivo e correu muito mal, mas foi fixe e curtimos (risos). Passado uns meses acabámos por ir para Ribamar gravar o primeiro EP. 

Bernardo - Passámos um bocado sem tocar até que decidimos juntar as cenas como deve ser e gravar. 

Pedro - Já tínhamos umas quatro músicas originais, que acabaram por ser o primeiro EP. Eu já tinha a "São Roque" feita há muitos meses. Acabou por acontecer assim e tentámos divulgar aquilo na altura. Ainda demos uns concertos. 

TM - De onde surgiu o vosso nome? 

Bernardo - Foi num ensaio em Ribamar. Tínhamos tocado com o Tomás uma vez e ele veio logo para Ribamar conosco 3 dias. 

Tomás - O pessoal estava a dormir por isso estávamos todos às escuras. Eu estava a tentar ir para um lado, tropecei em alguma coisa e disse: "Ando aqui feito môno, a bater em tudo". E pronto, começámos a rir e achámos piada à expressão. Acabou por ficar assim.

TM - E o ponto de exclamação? Aquele que vocês não conseguem ter no Facebook por que não deixa. 

Bernardo - Foi uma cena mais estética. 

Pedro - Mesmo o acento circunflexo, aquilo não faz sentido. A palavra nem existe. 

Tomás - Nem sei bem como se lê aquilo.

Duarte - Já nos chamam Mono em todo o lado. Se não tívessemos acento circunflexo então acho que eramos mesmo processados. 

Pedro - A questão do processados só pensámos depois. 

Duarte - Nós queríamos mesmo distinguir Mono de Môno!, que ficasse mesmo patente. 

Bernardo - E mesmo assim há pessoas que ainda não acertam nisso. 

TM - Sentem que alguma coisa mudou do primeiro para o segundo disco? 

Bernardo - Sim, bastantes coisas. O primeiro foi completamente ao calhas. O processo de produção foi mesmo lo-fi, do género "mete aqui o microfone e toca". 

Tomás - Mais lo-fi que aquilo não dava. 

Duarte - Até tentámos usar o metrónomo só que não o conseguíamos ouvir na gravação.

Bernardo - Era aquela vontade de "bora lançar qualquer coisa, vamos gravar isto rápido". 

Pedro - Eram as músicas que tínhamos na altura. Não tínhamos material decente para gravar, não tínhamos muito tempo para pensar naquilo que queríamos gravar. Foram 2 ou 3 dias de gravação e foi um bocado a despachar, queríamos só pôr alguma coisa cá fora. Queríamos mostrar às pessoas que já tínhamos alguma coisa feita. 

Bernardo - Fomos fazendo alterações e íamos tendo ideias. Mas este segundo já foi mais ao longo do tempo, um bocado mais pensado, já houve alguma ligação entre as músicas e uma linha criativa mais definida. 

Pedro - Dificilmente conseguiríamos atingir o ideal. 

Bernardo - A ideia era ter sido como o outro, termos ido para Ribamar, gravar tudo lá e conseguir acabar. Mas não o conseguimos.

Tomás - Por causa das faixas de piano tivemos de gravar coisas à parte. 

Pedro - Foi um processo completamente moroso. 

Duarte - Gravávamos três horas por semana, de 15 em 15 dias. 

Tomás - Foi mais difícil de meter cá fora do que o outro. Também porque tínhamos outro nível de exigência. 

Pedro - Por exemplo, a "Ribamar" não estava originalmente nos planos do EP mas acabámos por incluí-la.

Bernardo - O Duarte tinha-nos mostrado, mas nunca a tínhamos tocado juntos antes de estrar gravada. Fizemos a música ao mesmo tempo que a gravamos. O Duarte tinha a base feita no piano, tocou aquilo para nós e gostamos tanto que a quisemos juntar ao EP. 

TM - Vocês tiveram a ajuda do Gonçalo Formiga na parte das masterização. 

Pedro - Isso foi quase na parte final da gravação. Foi uma sorte termos tido a ajuda do Formiga porque eu falei com ele no Bonenkai, a festa da Spring Toast. Falei com o Chinaskee primeiro, disse-lhe que estávamos a acabar o processo de gravação, a começar a procurar alguém que nos conseguisse masterizar as músicas e ele aconselhou-nos o Formiga, que aceitou o nosso pedido. Ajudou-nos muito naquela recta final porque estávamos um bocado à nora. 

Bernardo - Tínhamos algumas dúvidas existenciais em relação ao EP. 

Pedro - Ele e o Chinaskee deram-nos uma grande ajuda a finalizar aquilo. Não nos obrigaram a mudar nada, apenas nos aconselharam. 

Bernardo - Neste  trabalho nós quisemos utilizar muitas back vocals. Tivemos muito trabalho, horas só a gravar back vocals em vários takes. Queríamos que ficasse mais polido e bonito que o outro, que é uma cena muito suja.



TM - O que vos influenciou musicalmente neste Ribamar

Pedro - Podemos dizer que as cenas mais óbvias são Capitão Fausto, Tame Impala, Pond, mesmo King Gizzard & Lizard Wizard nas linhas de guitarra da "Ribamar". Cuca Monga também, com Modernos e Bispo. Austrália e Portugal, no fundo. 

Duarte - Drake de certa forma (risos). Ali um bridge em que há um teclado conscientemente inspirado na "Hotline Bling". 

TM - Tenho de ver se consigo apanhar isso na música (risos). 

Duarte - Também ouvi muito Beach Boys. Isso nota-se mais nos back vocals

TM - Que expetativas têm em relação a Ribamar?

Tomás - Superar o primeiro. 

Pedro - Em primeiro lugar, que atingisse mais pessoas que atingiu o primeiro, que ficou só para amigos e família. A única pessoa de fora que nos conheceu por causa do primeiro foi o Chinaskee (responsável pela French Sister Records) e foi por nosso iniciativa.

Bernardo - A ideia era mostrar que nós conseguimos fazer melhor. É tentar que mais gente conheça, ver que até temos qualidade. 

Duarte - E também para nós próprios ficarmos mais contentes com o resultado final. Quando acabámos o primeiro o resultado não foi muito animador. 

Bernardo - Este já está audível, o pessoal pode ouvir e não chorar. 

TM - Nota-se bem a evolução que vocês queriam. Qual é a música que vocês gostam mais em Ribamar

Pedro - "Ribamar".

Bernardo - "Ribamar" ou a "Caveira". 

Duarte - "Vinho para Lembrar". 

Tomás - "Ribamar". 

Miguel - Eu vou mesmo contra o sistema. "Maratona" (risos). 

TM - Eu estou entre a "Espacial" e "Ribamar", mas acho que ganha a última.

Pedro - A "Espacial" foi a primeira música que fizemos todos juntos, de raíz, e a primeira deste álbum. 

Bernardo - Nós já a tínhamos tocado numa pequena sequência de concertos que fizemos no ano passado. 

Duarte - Nem era para ser o single, em primeiro lugar. 

Pedro - Era a que nós conhecíamos melhor e estávamos mais confortáveis. 

Tomás - Essa música quase que entrava no primeiro, mas só surgiu passado uns meses. 

TM - A capa do vosso EP é do Katsushika Hokusai. Como é que vocês chegaram até lá? 

Pedro - Eu há uns anos que sou interessado naquele tipo de arte japonesa, ukiyo-e, e sempre me dei ao trabalho de pesquisar sobre aquilo e guardar algumas imagens. Estávamos a chegar à reta final das gravações e comecei a falar com o Duarte sobre a capa. 

Bernardo - O Chinaskee até já tinha insistido muitas vezes se já tinhamos alguma ideia para a capa e para o título. 

Pedro - O Duarte já tinha a ideia para o título e acho que foi mais ou menos consensual. Então comecei a procurar imagens que fizessem sentido com o título e com o conteúdo. Por acaso já tinha aquela imagem no PC. Encontrámos aquilo e achamos que seria uma boa capa. Até andamos a pesquisar imagens nos livros de história de arte da mãe do Duarte. Arte persa, hindu, mas não encontramos nada. Ficamos todos satisfeitos. 

Tomás - Faz sentido porque é a zona onde o mar acaba e a terra começa, onde se os dois elementos se fundem. Faz lembrar Ribamar e aquela casa onde gravamos. Temos mesmo vista direta lá para o mar. 



TM - Cantam em português por alguma razão em especial? 

Bernardo - Quando tocávamos inicialmente com os outros dois rapazes e tínhamos 12 ou 13 anos, decidimos cantar em inglês. Mas depois aconteceu Ornatos Violeta e entretanto pensámos que cantar em português não era má ideia. É muito mais fixe e faz mais sentido. 

Pedro - Também surgiu o boom da cena em português, B Fachada, Linda Martini

Bernardo - Fomos percebendo que em português dava para fazer uma cena muito mais porreira e pessoal. 

Pedro - Eu falo por mim. Tenho mais facilidade em escrever as letras em português do que em inglês. Inglês parece muito mais forçado, ando à procura das palavras só para rimar. Em português sai mais facilmente. 

TM - Podemos esperar alguma surpresa para o dia 13 de maio? 

Bernardo - Sim, vai haver back vocals. Nunca houve por isso não nos estraguem a surpresa, temos de guardar os trunfos (risos). Vai haver a estreia do nosso novo teclista, o que é uma boa surpresa. Vai haver o regresso da fiesta de la fruta. Quem nos viu ao vivo no ano passado sabe do que estamos a falar, é um bom momento. 

Pedro - Já foi anunciado, mas o Chinaskee vai tocar conosco também. Mas é surpresa na mesma para todos porque ainda não sabemos como é que aquilo vai funcionar. Vai ser engraçado. 

Bernardo - Grandes surpresa não há, mas já levantámos um bocadinho véu. 

Pedro - Vai haver músicas antigas a aparecer, uma pelo menos, mas não vamos dizer qual é. 

TM - Há assim algum sítio onde vocês gostassem de tocar este ano? 

Bernardo - Musicbox e Paredes de Coura, possivelmente. 

Pedro - Este ano era Musicbox ou ZDB. 

Tomás - A ZDB era fixe porque tem lá um piano já montado. 

Bernardo - Sim, nós neste disco temos partes mesmo gravadas em piano. Também faz parte da sonoridade mais polida, achámos que o piano ficava bem. 

Pedro - São salas icónicas no plano lisboeta, gostamos do ambiente. 

TM - O que andam a ouvir ultimamente? 

Pedro - O EP de Jasmim. Fui lá ver o concerto e agora ando a ouvir aquilo todos os dias. Está incrível!

Bernardo - Ando a ouvir muito hip-hop, português e assim. Ouvi bue o álbum novo do Kendrick Lamar e umas cenas trap, tipo Migos

Tomás - As cenas novas do Mac Demarco

Duarte - Kendrick e Jacob Collier

Miguel - Algum jazz que tenho andado com imenso trabalho da faculdade. 

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domingo, 7 de maio de 2017

Reportagem: ChameleonsVox + Belgrado [Hard Club - Porto]


No passado dia 24 de abril, o Hard Club foi palco de mais uma visita de Mark Burgess e dos seus ChameleonsVox, coletivo que reinterpreta ao vivo os temas dos imortais Chameleons. A abrir o certame, tivemos a estreia em território nacional dos espanhóis Belgrado. Este colectivo, cuja sonoridade oscila entre o post-punk e a new-wave — evocando os Xmal Deutschland e os Blondie —veio apresentar-nos Obraz, o seu mais recente trabalho. Uma estreia marcada pela ânsia do público em rever Mark Burgess e os seus ChameleonsVox.

Sobre o concerto dos ChameleonsVox em si, a única crítica que consigo apontar é não terem tocado a “Up the Down Escalator”. Uma falha, sendo este um dos seus grandes malhos. Porém, não podemos resumir toda a experiência do concerto a um único tema. Não quando estamos a falar de uma banda com uma discografia como a dos Chameleons. Seria aliás ingénuo pensar que conseguir-se-ia resumir toda a obra deles numa única atuação.


Uma atuação que foi, aliás, a primeira da “Magical History Tour”, a tournée que comemora os Chameleons e a passagem do marco dos 35 anos da sua existência. 35 anos que parecem não ter esmorecido a voz nem diminuído a presença em palco de Mark Burgess. A alma e o espírito dos Chameleons continuam bem vivos em Burgess e nos seus ChameleonsVox. Durante cerca de duas horas, sentimo-nos transportados para outra atmosfera. É verdade que é uma atmosfera de revivalismo e que esta extensa digressão não vai acrescentar nenhuma página aos livros de história. Ao invés disso, esta assenta-se no capítulo que os Chameleons escreveram na história do post-punk. Não é uma história muito celebrada pelas massas, é certo. Porém, vamos sempre a tempo de corrigir esse facto. Talvez tão cedo não vejamos Mark Burgess ao vivo, mas ficam as memórias de mais uma noite mágica com a assinatura da MIMO.

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