sexta-feira, 26 de maio de 2017

Mark Eitzel no Auditório de Espinho em outubro


Está anunciado mais um nome que irá marcar presença no último trimestre da programação do Auditório de Espinho. Depois de receber ao longo do ano nomes como Lambchop, Matt Elliot, Jozef Van Wissem (que atua já amanhã) e de anunciar Sun Kill Moon para o mês de novembro, a mais recente entrada faz-se dia 28 de outubro com a atuação de Mark Eitzel, figura incontornável da chamada "torch song" e líder dos American Music Club

Ao Auditório de Espinho, Mark Eitzel irá apresentar com a sua banda o mais recente Hey Mr Ferryman, um disco aclamado pela crítica especializada e que mostra um Mark Eitzel em plena forma.

Os bilhetes podem ser adquiridos ao simbólico preço de 10 euros, possuindo ainda alguns descontos para detentores do Cartão Amigo ADE. Para mais informações dirijam-se ao site do Auditório de Espinho. No dia seguinte, Mark Eitzel atua na ZDB, em Lisboa.



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Coca'in Festa regressa a Monção a 17 de junho


O Coca'in Festa está de regresso a Monção, para a sua terceira edição, à famosa Rua da Independência, no Centro Histórico de Monção, que servirá de palco a um evento que recebe, todos os anos, muitos artistas e melómanos. Afirmando-se como uma festa da música portuguesa e com o objetivo de dinamizar Monção, o evento promove uma experiência musical única em comunhão com a vila que o acolhe.

O Caca'in Festa regressa este ano a 17 de junho e vai contar, novamente, com a presença de 4 bandas e 2 DJs da música portuguesa. Para já estão divulgadas as bandas Mr. GalliniP A L M I E R S e The Miami Flu. Foi também conhecido o primeiro colectivo de produtores a marcar presença no evento, Blacksea Nao Maya. O cartaz completo só será revelado no próximo domingo, dia 28 de maio.

Mr. Gallini



Bruno Monteiro, baterista dos Stone Dead, apresenta em Mr. Gallini uma borbulhante imaginação irrequieta, que pode ser descrita como várias pessoas numa só. O que Mr. Gallini propõe é um vislumbre a esse particular imaginário, com sons que emana da sua mente como uma espiral de referências musicais, de tempos idos onde o relógio pára e o tempo se dilui. Neste seu projecto a solo, o alter ego de Bruno Monteiro pode, igualmente, ser descrito como calmaria idílica psych harmonioso à beira mar, em contraste com o acelerado dia a dia de quem não quer ceder a crescer e deixar para trás o charme, a inocência e a criatividade quasi-infantil, que tantos de nós perdem com o passar dos anos.


P A L M I E R S 


Os P A L M I E R S são um trio instrumental composto por Gabriel Costa, Ricardo Prado e Tito Sousa. Juntos desde setembro de 2016, e com base no Porto, unem forças para criar loops frenéticos de guitarra, synths espaciais e batidas dançantes, que nos transportam para um universo muito próprio, com sonoridades que vão desde o space rock ao dream pop e, fortemente, influenciadas pela cena do tropical noise.

The Miami Flu



The Miami Flu é a banda de Pedro Ledo e Tiago Sales, metade da alma e coração dos Lululemon, que lançou o ano passado  o disco Too Much Flu Will Kill You, que contou também com Tiago Campos na bateria, membro dos Twin Chargers e João Vilar nas teclas, que nos Al Fujayrah toca guitarra. Entramos assim em território minado por algum psicadelismo dos anos 60 e 70, género muito apreciado pela banda e que é inevitável referenciar. Mas a coisa não se fica por aqui no que toca a referências. As muitas horas gastas a jogar videojogos retro influenciaram o processo criativo com as respetivas bandas sonoras. Esta influência confere às canções uma componente pop que nos remete para gloriosos palcos e estúdios dos anos 80 e 90.


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Oiçam: VRUUMM



Formados em 2013 pelo saxofonista Anderson Quevedo, os VRUUMM são um quinteto do Brasil que explora, na sua sonoridade, a fusão de estilos musicais, como o jazz e o rock, inspirando-se na cultura dos video jogos, do skate e do graffiti para criarem as suas músicas. A banda lançou em outubro de 2015 o seu disco de estreia homónimo que foi gravado no Estúdio El Rocha em São Paulo. Os oito temas presentes no disco transitam entre o amplo universo musical e cultural e a sua jazz-rock fusion encontra-se repleta de ritmos africanos, além da cultura cosmopolita paulistana que lhe é intrínseca.

VRUUMM é um álbum que procura diminuir o espaço do grande público em relação à música instrumental e, de alguma forma, "descomplicar" alguns dos preconceitos que lhe estão associados, através da génese de variados ritmos e intrumentos na construção de oito músicas completamente envolventes do início ao fim. 



Em agosto de 2016, os VRUUMM entraram novamente em estúdio, desta vez no Estúdio Freak, para gravar a faixa inédita "Raggavruumm". Este novo single contou com a produção do premiado produtor musical Guilherme Kastrup (Elza Soares - A Mulher do Fim do Mundo) e faz parte de uma série de compactos que serão lançados durante este presente ano, em modo preparação para um segundo disco de estúdio, que segue ainda sem data de lançamento definida. O single foi apresentado recentemente em formato vídeo, numa realização de Felipe Misale (Melted Videos) e pode ser visto ali em baixo.




Os VRUUMM são compostos por Anderson Quevedo (saxofone, flauta e composições), Mauricio Fernandes Orsolini (teclados), Marcelo Lemos (guitarra), Fernando Freire (baixo) e Nico Paoliello (bateria) e Ricardo Cifas (bateria). Quanto às expectativas sobre um novo disco podemos dizer que estão altíssimas por estes lados. Sigam o trabalho da banda aqui.


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Gas, Lawrence English e Laurie Spiegel entre as novas confirmações do Semibreve


O Semibreve anunciou hoje mais seis nomes que irão integrar o certame da sétima edição do festival bracarense dedicado à música eletrónica e arte digital. Já com Deathprod, Valgeir Sigurðsson, Fis e Kyoka confirmados, o cartaz do Semibreve fica agora mais recheado com seis belas confirmações, entre as quais se encontram o aguardado concerto de Gas, Laurie Spiegel, Lawrence EnglishBeatriz Ferreyra, Rabih Beaini e Sabre.

Fundador de uma das mais privilegiadas editoras da música eletrónica (Kompackt), Wolfgang Voigt conta na sua discografia com alguns dos mais importantes discos da música ambient das últimas décadas, e é com o mais recente Narkopop que Gas irá subir ao palco da sala maior de Braga para uma atuação muito especial acompanhada de uma apresentação audiovisual.

Laurie Spiegel e Beatriz Ferreyra são figuras pioneiras da música eletrónica, cujas carreiras contam já com mais de quatro décadas dedicadas à exploração e ao experimentalismo da música. Laurie Spiegel irá apresentar uma instalação para a sua mais recente colaboração com Peter Schmideg  no filme Maya Deren: Prelude to Generating a Dream Palette, cuja banda sonora é da sua autoria. Já a compositora argentina Beatriz Ferreyra irá manipular um sistema de difusão de oito canais ao vivo.

Lawrence English é mais um dos destaques desta nova senda de confirmações. Artista e compositor prolífico, conta na sua discografia com mais de uma dezena de discos e ainda várias bandas sonoras e colaborações com artistas como Tim Hecker, Liz Harris Ben Frost. A Braga vem apresentar o mais recente disco Cruel Optimism, editado este ano. 

Rabih Beaini é um produtor libanês que alia na sua música estilos díspares que vão do krautrock ao techno mais minimal, e a sua performance promete aquecer as salas de Braga.

Para terminar, os Sabre são o duo composto por Bruno Silva e Carlos Nascimento detentor de uma sonoridade techno e house cósmica envolta em ritmos que bebem da música mais psicadélica e do free jazz.

O Semibreve decorre em Braga e volta a realizar-se nas salas do Theatro Circo, Casa Rolão e Gnration durante os dias 28, 29 e 30 de outubro. Os bilhetes encontram-se disponíveis ao preço de 35 euros e podem ser adquiridos aqui.



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STREAM: NONN - NONN


NONN é o projeto a solo de coldwave e synth music do sueco Christian Eldefors que assinou recentemente com a editora londrina Fuzz Club Records para a edição do seu primeiro disco longa-duração, o homónimo NONN. Christian passou o inverno de 2016 a viver num armazém transformado em sala de ensaios, num canto underground da cidade de Estocolmo e esse ambiente sombrio e gelado inevitavelmente se tornou uma enorme influência nas gravações deste primeiro disco. Os temas do disco são influenciads por grandes nomes dos anos 80 como Kraftwerk, New Order e Suicide, e vestidos de roupagens modernas como as visíveis nas sonoridades de The Underground Youth, Soft Moon e Throw Down Bones.

NONN LP é editado oficialmente hoje, 26 de maio pelo selo Fuzz Club Records e pode ser escutado na íntegra abaixo.


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quinta-feira, 25 de maio de 2017

NOS Primavera Sound promove Festa da Criança no Porto



No âmbito da iniciativa da Câmara Municipal do Porto, o NOS Primavera Sound está a preparar uma programação musical dedicada a todas as crianças da cidade, de dia 1 a 4 de Junho. Desde o primeiro momento que o público mais novo é acarinhado pelo festival, algo que se tem materializado nas passadas edições, com a forte aposta em ações paralelas especificas e pensadas para este target.

Os concertos vão ter lugar no Palco Mini NOS (conhecido como ‘Concha Acústica’) e propõem ser uma oferta singular e complementar à restante programação prevista.

Com arranque no Dia da Criança, 1 de Junho, Mão Verde (Capicua e Pedro Geraldes), Throes + The Shine e a comemoração dos 50 anos de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band dos Beatles são as propostas do NOS Primavera Sound para a Festa da Criança, nos Jardins do Palácio Cristal, no Palco Mini NOS.

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quarta-feira, 24 de maio de 2017

CAIO e Grand Sun esta quinta-feira no Sabotage Club


CAIO é o projecto que dá voz a João Santos, artista a solo lisboeta com uma "construção inspirada sobretudo no romance em que se pode transformar a vida". Com uma sonoridade a fazer lembrar Elliott Smith, João Santos não precisa mais do que a sua voz e guitarra para exprimir os seus sentimentos. Sentimentos esses que estão expressos no seu último álbum de estúdio, Viagem, editado via French Sisters Experience no dia 20 de maio. 

A apresentação deste disco vai ser no dia 25 de maio (quinta-feira) no Sabotage Club, com primeira parte da noite a ser preenchida por Grand Sun. A festa tem começo marcado por volta das 22h, com os bilhetes para este evento a custar 5 euros.


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terça-feira, 23 de maio de 2017

Confirmações, cancelamento, distribuição por dias e cartaz da vila do Paredes de Coura


O Vodafone Paredes de Coura confirmou Kate Tempest, Cave Story, Octa Push, Bruno Pernadas, Throes + The Shine e o habitual DJ set de Nuno Lopes. Infelizmente, os !!! (Chk Chk Chk) já não se encontram no cartaz do festival, uma vez que o concerto foi cancelado. A distribuição de artistas por dias é a seguinte:

16 agosto
Palco Vodafone
Escola do Rock

The Wedding Present (playing George Best)
Mão Morta
Beak>
Future Islands
Kate Tempest

17 agosto

Palco Vodafone

You Can't Win, Charlie Brown
Car Seat Headrest
King Krule
At the Drive-In
Nick Murphy

Palco Vodafone FM

White Haus
Sunflower Bean
Timber Timbre
Nothing

After-hours

Jambinai
Marvin & Guy

Jazz na Relva

Uma Coisa em Forma de Assim
Captain Boy


18 agosto

Palco Vodafone

(TBA)
(TBA)
Young Fathers
BADBADNOTGOOD
Beach House

Palco Vodafone FM

Cave Story
Andy Shauf
Moon Duo
Octa Push

After-hours

Formation
Red Axes

Jazz na Relva

El Rupe
Valter Lobo

19 agosto

Palco Vodafone

Manel Cruz
Foxygen
Benjamin Clementine
Ty Segall
Foals

Palco Vodafone FM

Toulouse
Bruno Pernadas
Alex Cameron
Ho99o9

After-hours

Throes + The Shine
Nuno Lopes

Jazz na Relva

Paulo Barros
This Penguin Can Fly

Festival sobe à vila

12 agosto

The Sunflowers
Mister Teaser

13 agosto

Nice Weather for Ducks
Serushiô
DJ Mosca

14 agosto 

Stone Dead
The Twist Connection
DJ Sininho

15 agosto

Alek Rein
Conjunto Corona
DJ Electric Shoes

O festival realiza-se de 16 a 19 de agosto e os passes gerais encontram-se disponíveis ao preço de 90€. 

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Jozef Van Wissem atua no Auditório de Espinho no próximo sábado

jozef-van-Wissem-espinho

Jozef Van Wissem é um mágico sem truques. Consegue transportar um instrumento barroco - o alaúde - para a contemporaneidade sem grande esforço. Já o faz há muitos anos e continua a dominar a sua arte.

A sua carreira já é extensa: desde o início do século lançou mais de dez álbuns e colaborou com músicos como Yasmine Hamdan e Zola Jesus. No meio cinematográfico, a sua colaboração com o realizador Jim Jarmusch valeu-lhe um prémio em Cannes, pela banda sonora do filme Only Lovers Left Alive.

Considerado um alaudista punk pela abordagem mais moderna que dá ao instrumento barroco, Jozef Van Wissem já actuou em salas de todo o mundo, somando já mais de 800 concertos. O seu nome integrou os cartazes de festivais de sublinhado prestígio como o All Tomorrow’s Parties ou o Primavera Sound.


Em Espinho, vai apresentar o seu último álbum e promete fascinar a audiência com a singularidade da sua proposta. O concerto tem início marcado para as 21h30 e os bilhetes custam 7 euros, existindo possibilidade de desconto para os portadores de Cartão Amigo AdE.

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Basement Revolver anunciam 'Agatha' EP

© Yoshi Cooper
Os canadianos Basement Revolver anunciaram recentemente o lançamento do seu EP de um novo EP, intitulado de Agatha, e que vem dar sucessão ao EP homónimo, lançado em julho do ano passado. Com o anúncio do novo trabalho a banda disponibilizou para audição na íntegra o single "Johnny Pt. 2", que se encontra disponível para audição na íntegra abaixo.

Sobre o single, o vocalista Chrisy Hurn, afirma em press-release: 

"Johnny Pt.2" was written almost directly after I broke up with “Johnny” - it was the heartbreak caused by an end, the wish that I could have been better, and the desire to continue a friendship. When a friendship wasn't possible, I wanted them to know that heartbreak or not, I would be there if needed - I would put aside all the things that broke our relationship and the things that gave me identity for a chance at friendship. In hindsight, I have since learned a lot about myself, and that I don't need to disappear in order to have people that I care about in life."

Agatha EP tem data de lançamento agendada para 21 de julho. Podem fazer pre-order do álbum aqui.



Agatha Tracklist:

01. "Tree Trunks" 
02. "Johnny Pt. 2" 
03. "Mountains"
04. "Bread & Wine"

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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Mogwai lançam novo álbum em setembro


Os Mogwai anunciaram a semana passada o lançamento do seu muito aguardado nono álbum de estúdio, Every Country's Sun, que dá sucessão a Rave Tapes (2014) e que os vê reunirem-se com o produtor Dave Fridmann pela primeira vez desde o aclamado Rock Action (2001). O produtor também trabalhou com a banda em Come On Die Young(1999).

Com o anúncio do novo trabalho o quinteto escocês também lançou o primeiro single de avanço "Coolverine", que pode ser ouvido na íntegra abaixo.

Every Country's Sun tem data de lançamento anunciada para 1 de setembro pelo selo Rock Action Records.



Every Country's Sun Tracklist

01. "Coolverine" 
02. "Party In The Dark" 
03. "Brain Sweeties" 
04. "Crossing The Road Material" 
05. "aka 47-" 
06. "20 Size" 
07. "1000 Foot Face" 
08. "Don’t Believe The Fife" 
09. "Battered At A Scramble" 
10. "Old Poisons" 
11. "Every Country’s Sun"

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In Between - "Autunno" (video) [Threshold Premiere]


In Between é o primeiro álbum homónimo a solo do músico Luca Maria Baldini. O artista italiano começou por tocar em bandas de amigos na altura do liceu, influenciado pelas ondas do punk-rock e do melodic hardcore. O músico formou ainda a banda C.a.o.s. (Clockwork ape of sound) onde começou as suas primeiras experiências com recurso a instrumentos analógicos, sintetizadores e ambientes atmosféricos.

Este primeiro trabalho resulta numa mistura de música eletrónica, sons analógicos e gravações autobiográficas e samples, o que cria um novo ponto de equilíbrio. Em continuação da promoção deste disco, In Between lança apresenta agora o novo vídeo para "Autunno", cujo argumento é baseado na vida contemporânea italiana. O vídeo confronta o espetador a encontrar os seus instintos corporais, mesmo em lugares incomuns e públicos, e  pode ser visto na íntegra abaixo.

O álbum In Between foi lançado a 3 de dezembro de 2016 pelo selo PMS Studio.




In Between's Tracklist:

1. Love and don’t forget 
2. Cascinette 
3. Nowhere History 
4. Il quinto 
5. Abyss 
6. Da Tanino 
7. Gone Gone 
8. Mario Baldini 
9. Autunno

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domingo, 21 de maio de 2017

Cinco Discos, Cinco Críticas #25


À 25ª edição do "Cinco Discos, Cinco Críticas" é dada a opinião a cinco discos que sairam durante este ano e que se dispersam entre si relativamente aos géneros em que trabalham. Em destaque a compilação mono no aware da PAN e Tuning de Olivier Lété. Podem ainda ler as críticas a Whiteout Conditions dos The New Pornographers, Heartless dos PallbearerGolden Rain EP dos Golden Rain.


mono no aware // PAN // março de 2017 
8.5/10 
mono no aware é a melhor surpresa que poderíamos receber nesta primeira metade do ano. A primeira compilação da PAN, editora sediada em Berlim fundada por Bill Kouligas (que aqui contribui com uma música), traz-nos 16 diferentes temas de 16 diferentes artistas, cada um com uma sonoridade única e distinta mas que se interligam de um modo muito interessante, onde até as próprias transições entre faixas funcionam em perfeita união, contribuindo, assim, para um disco extremamente coeso e uno, como se de um artista apenas se tratasse. Música introspetiva para refletir, ora orgânica ora fria e abrasiva, mas todas elas complementares e envoltas numa atmosfera esotérica. A beleza de “Limerence”, por exemplo, traz um instrumental simples e enigmático como o seu próprio autor, Yves Tumor, que contribui com um dos temas mais íntimos e marcantes do disco, com as vozes sampladas a dar um toque mais humano e quente à composição. 
mono no aware transcende os campos da música ambient e exploratória, mantendo-se entusiasmante ao longo dos seus quase 80 minutos, nunca perdendo a sua identidade e mantendo-se profunda e coesa até ao fim, colocando esta compilação num patamar privilegiado que poderá gerar algum burburinho à volta deste diamante bruto e entusiasmante. Uma audição mais que recomendada que merece tempo e disponibilidade para ser digerida.

Filipe Costa 

Golden Rain EP // Bulbart/Pocket Records // abril de 2017 
4.0/10 

Formados em Nápoles, Itália no ano de 2015, os Golden Rain são um duo que, muito resumidamente, se insere no campo da electro-pop com mais uma dezena de géneros e subgéneros à mistura. O resultado disso vem expresso neste novo EP homónimo, composto por um total de cinco canções muito dispersas entre si no processo de composição. A título de exemplo cite-se o single "Foglights", faixa de abertura que nos leva a viajar por entre os campos da dream-pop com tonalidades melodramáticos. À memória, o resultado deste single faz lembrar uma espécie de Princess Chelsea conjugada com Marina and The Diamonds no primeiro disco. É também com "Foglights" que os Golden Rain mostram o único trunfo deste novo EP, pois as restantes canções estragam qualquer hype inicial criado no consumidor. Ao longo da reprodução do álbum o ouvinte é exposto a ambientes e composições musicais muito dispersas entre si e onde a própria voz da vocalista se torna irreconhecível. A coerência, inexistente, na linguagem e comunicação musical confunde ainda um ouvinte que esteja a tentar encontrar identificar a sonoridade da banda e, muito dificilmente, o conseguirá levar a ouvir o EP na íntegra e/ou a querer informar-se mais sobre a banda. "When I Go Away" é um exemplo de uma péssima escolha de alinhamento, sendo um single tipicamente reciclado de sonoridades pré-existentes, no fundo, a estratégia utilizada em quase todas as composições deste disco. Uma pena. 

Sónia Felizardo

Whiteout Conditions // Concord // abril de 2017 
7.5/10 

Três anos após o dececionante Brill Bruisers, os The New Pornographers estão de volta com Whiteout Conditions e mais uma dose de power pop. Esta foi a primeira vez que fizeram um álbum sem a participação de Dan Bejar, ocupado com o seu outro projeto, Destroyer, e o baterista Kurt Dahle, que deixou a banda em 2014. Felizmente, essas duas baixas não se fizeram notar e Whiteout Conditions é um álbum de qualidade. Com canções energéticas, boas melodias e uma boa integração de instrumentos eletrónicos, este é um agradável, apesar de não muito memorável, conjunto de canções. Começa bem, com "Play Money", liderada pela voz de Neko Case, mas torna-se menos interessante com as duas faixas seguintes, especialmente a primeira delas: a mais eletrónica "Whiteout Conditions" e "High Ticket Attractions". É depois delas que a banda mostra o que sabe, da faixa 4 à 8. São essas as canções que fazem o álbum valer a pena. "Second Sleep" é capaz de ser a melhor delas, mas "We’ve Been Here Before" também se destaca, sendo a música mais calma e ambiente do disco, na qual não há percussão. As últimas músicas passam um pouco despercebidas, não mostrando a banda no seu melhor. Whiteout Conditions é um bom álbum. Não será um dos melhores de 2017, mas também não deve desiludir a maior parte dos fãs da banda.


Rui Santos

Heartless // Nuclear Blast Records // março de 2017
7.5/10 

Tal como a força e a beleza de uma cascata na natureza, é assim que o terceiro álbum dos Pallbearer atinge os seus ouvintes. Esta jovem banda tem feito a sua reputação crescer em torno da mistura dos riffs monoliticos típicos do doom metal, na tradição de trouble, candlemass ou cathedral, com harmoniosas melodias encontradas em bandas de rock progressivo clássicas, invocando obvias influências de Pink Floyd ou de Rush
Com o vocalista muito mais confiante do que nos dois primeiros álbuns, este disco prima pela sua eclética performance capaz de percorrer os tons mais limpos, desde o mais agudo até ao mais grave, e quando necessário, ir buscar a agressividade necessária para completar a musica. Com poderosíssimas músicas como "I Saw The End", que serve de abertura para o álbum, ou "Dancing in Madness", as guitarras complementam-se, um pouco ao estilo de Mastodon. No centro da violência, por exemplo, os ritmos típicos de géneros como o sludge metal, estes são constantemente complementadas por linhas harmoniosas e melódicas. Esta oscilação atípica é o que torna os álbuns de Pallbearer uma experiência tão peculiar. Apesar de tanta hostilidade, existe sempre um momento emotivo a contrastar. 
Um forte concorrente, que certamente estará listado em várias listas de melhores álbuns do ano dentro do género (e não só), Heartless, sabe conjugar, paralelamente, a agressividade com a beleza melódica criando um cenário apocalíptico repleto de emoção.


Hugo Geada

Tuning // Discoble Records // abril de 2017
8.0/10

Tuning é um álbum muito especial, feito com recurso exclusivo a um baixo elétrico conectado a dois amplificadores e sem quaisquer pedais de efeitos. Composto por um total de nove canções, Tuning apresenta melodias pulsantes e repetitivas, enriquecidas por conceitos criativos e auras inovadoras. O compositor francês Olivier Lété, que assina este trabalho, refina no seu processo de composição e improviso várias influências do seu apego à audácia sonora e musical e apresenta um disco que requer um certo nível de paciência e ambientes muito específicos para ser reproduzido e apreciado. Com um currículo a contemplar a cena jazz, Oliver Lété mostra a solo a sua paixão pela música, mas num registo mais grave e despido de qualquer instrumentação que distraia o público do seu principal objetivo: conduzir o ouvinte a uma viagem por entre as linhas do baixo. O argumento fica a cargo de quem carregar no play e escutar até ao fim. Tuning invoca de uma forma geral a estrada que percorremos na vida - as linhas retas, a floresta que nos acompanha ao longo do caminho, as curvas e contracurvas que percorremos até ao destino final. As vibrações do motor passam assim a ser as do baixo, enquadradas com variações imprevisíveis. Um disco muito interessante pela sua unicidade. Ora experimentem começar por "Un retour".

Sónia Felizardo

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