sábado, 1 de julho de 2017

Ele Ypsis vão lançar novo disco, 'Meiosis', em setembro


Ele Ypsis, o projeto que une a cantora e compositora Laure Le Prunenec (Rïcïnn, Corpo-Mente, Igorrr, Öxxö Xööx) ao compositor e produtor Stélian Derenne, vai voltar ao ativo este ano tendo já anunciado um novo trabalho, Meiosis. Este novo álbum será o terceiro registo oficial longa-duração da banda e vem dar sucessão a SPIRALIS (2015) e EKSÜ (2013), sendo, para já, conhecidas as faixas "Meiosis" e "Pachytene", lançada oficialmente hoje (1 de julho).

Apontando como principais influências na sua sonoridade base nomes como Beethoven, Paganini, Mussorgsky, Stravinsky, Debussy, Massive Attack, Burial, Dead Can Dance, Arvo Pärt, entre outros, os Ele Ypsis formaram-se em 2008 e desde então têm vindo a produzir discos na sombra. Meiosis pretende ir de encontro a esse ciclo e afirmar a dupla nas índole da avant-garde.

Meiosis tem data de lançamento previsto para 30 de setembro de 2017 pelo selo m-tronic.

 Meiosis Tracklist:

Lado A
01. Anaphase
02. Pachytene 
03. Prophase 
04. Zygoten
Lado B
05. Meiosis 
06. Diakinesis 
07. Diplotene 
08. Telophase
 

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sexta-feira, 30 de junho de 2017

Mais três nomes para o Vodafone Paredes de Coura


Há mais três confirmações para o Vodafone Paredes de Coura, provavelmente as últimas. Estas são Japandroids, que estiveram presentes na última edição do NOS Primavera SoundRoosevelt e Lightning Bolt. Os primeiros vão apresentar novamente o seu mais recente álbum, Near to the Wild Heart of Life e o segundo irá trazer-nos o seu álbum homónimo, lançado o ano passado.

O festival realiza-se de 16 a 19 de agosto e os passes gerais encontram-se disponíveis ao preço de 90€. 

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Brant Bjork de regresso a Portugal com data dupla

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O californiano Brant Bjork, uma das principais figuras da cena de Desert Rock e ex-membro de influentes bandas como Kyuss, Fu Manchu, Che ou Mondo Generator, anunciou o seu regresso a Portugal em outubro com uma data dupla no Porto, na Cave 45, e em Lisboa, no RCA Club.
Estes concertos fazem parte da nova tour europeia do musico denominada Green Heen, que tem como objetivo apresentar o seu novo album, Tao Of The Devil, lançado em 2016 através da editora Napalm Records.
Para além da banda que acompanha o músico, podemos ainda esperar pela participação especial do músico convidado Sean Wheeler. Além das música do novo album, é esperado que o músico explore álbuns mais antigos como Jalamanta ou Gods and Goddess.
As datas do evento ficaram marcadas a 12 de outubro, no Porto, e no dia 13 de outubro, em Lisboa. Este concerto é promovido pela Garboyl Lives que brevemente irá anunciar mais informações sobre o concerto, como o preço dos bilhetes e as bandas de abertura dos respetivos concertos.

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Orelha Negra, Factory Floor e Evian Christ no palco gnration da Noite Branca Braga 2017


A Noite Branca está de regresso à cidade de Braga durante os dias 1, 2 e 3 de setembro. Ainda sem nomes confirmados para o palco principal, foram hoje anunciados os nomes que irão integrar a programação do palco gnration

Durante as duas primeira noites do mês de setembro, o palco gnration irá receber nomes de referência da música moderna nacional e internacional, entre os quais os incontornáveis Orelha Negra, que regressaram ao ativo depois de um hiatus terminado em 2016; o coletivo Osso, que se une num projeto pronto a fundir diversos estilos musicais e a trazer as batidas, as rimas, os scratches e os samples na sua música; os britânicos Factory Floor (na foto), que nos voltam a visitar para apresentar o mais recente disco 25 25, editado em 2016 via DFA; Evian Christ, produtor britânico conhecido também por ter colaborado com Kanye West em Yeezus e que traz na bagagem o mais recente Waterfall, um disco com selo Tri Angle (Forest Swords, Haxan Cloack); e Niagara, coletivo que integra a aclamada editora lisboeta Príncipe e que traz a Braga o mais recente EP São João Baptista

O palco gnration volta a situar-se na Avenida Central, em Braga, e a entrada é, claro, gratuita. Imperdível, portanto. Em baixo, fiquem com a distribuição por dias do palco gnration:


1 de setembro

Orelha Negra
OSSO

2 de setembro

Factory Floor
Evian Christ
Niagara



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Melt-Banana estreiam-se (finalmente) em Portugal


Os japoneses Melt-Banana vão fazer a sua estreia em território nacional em setembro. A notícia foi avançada esta manhã pela Amplificasom e Lovers & Lollypops e para já, o único concerto divulgado, decorrerá no Maus Hábitos, Porto a 28 de setembro. Contudo, segundo a Amplificasom, esta não será data única em Portugal.

Formados em 1992, a banda ficou conhecida pela sua sonoridade grindcore com estruturas da pop experimental, eletrónicas e noise  que garantiram álbuns de culto como Cell-Scape(2003) ou mais recentemente Fetch(2013). A loucura noise avant-garde aterra em Portugal em setembro e deverá contar com novos temas na setlist.

Os bilhetes para o concerto do Porto têm um preço único de 10€ e já estão disponíveis para compra aqui. Todas as informações adicionais aqui.


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STREAM: Ermo - Lo-fi Moda


Quatro anos depois da edição do aclamado disco de estreia Vem Por Aqui, e dois depois do lançamento de Amor Vezes Quatro, os Ermo estão de regresso às edições com Lo-fi Moda, um álbum que projetado para os afirmar com uma das grandes novas bandas desta década. Feito para intrigar o disco apresenta 9 faixas que funcionam como uma metáfora para vaidade, auto-validação e narcisismo.

Depois de terem revelado três músicas deste novo registo na NTS Radio - "Vem nadar ao mar que enterra", "Púrpura pálido" e "Contra", os Ermo oficializam também hoje "ctrl + C ctrl + V", como o primeiro single de avanço da obra. Lo-fi Moda pode ser reproduzido na íntegra, em baixo.

Lo-fi Moda foi editado oficialmente hoje, 30 de junho, pelo selo Norte Sul - Valentim de Carvalho Edições. 


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Lourdes Rebels - "Rimini Rimini Rimini" (video) [Threshold Premiere]


Os Lourdes Rebels são um duo oriundo de Parma, no norte da Itália, e compostos por Rodolfo Villani e Luigi Bonora. Com uma sonoridade caracterizada por teclados, samples, guitarras eléctricas, tambores e microfones filtrados, a banda prepara-se agora para o lançamento do seu segundo disco de estúdio Lolita que vem dar sucessão a Adventures in Snuff Safari (2015) e vê divulgado a nova faixa de avanço, "Rimini Rimini Rimini", em formato audiovisual. O vídeo, gravado com recurso a uma "old video camera 8", estreia hoje e já pode ser visto na íntegra.


Nas palavras dos artistas Lolita nasceu como um tributo à obra literária de Vladimir Nabokov, já homenageado por Kubrick e Lyne. Para a dupla, Lolita é um lugar onde diferentes fantasias e sugestões podem dialogar; um disco irónico relativamente às identidades, pessoais e musicais, e uma viagem à memória persistente do rock e eletrónica analógica. O álbum foi gravado parcialmente em cassete, em várias sessões durante 2016.

Lolita tem data de lançamento prevista para 7 de julho via Aagoo Records. Podem fazer pre-order do disco aqui.

Lolita Tracklist: 

1. Rock’n’roll Royce 
2. Frankenstein vs Lolita 
3. Rimini Rimini Rimini! 
4. 7Up my Sun 
5. Hirya Bats 
6. Init Tar 
7. Shivering Sneer 
8. Hirya II 
9. Lolita 
10. My Socrates 
11. Festered Brioches 
12. Humbert Humbert

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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Jarboe (ex-Swans) vai tocar em Lisboa e no Porto


Jarboe, cantautora que já integrou os Swans e lançou vários álbuns a solo, vai regressar ao nosso país em novembro. Dia 2 marcará presença na ZDB, em Lisboa e, no dia seguinte, toca no Teatro Rivoli, no Porto. Este segundo evento é organizado pela Amplificasom e vai contar também com um concerto dos italianos Father Murphy, igualmente responsáveis pela primeira parte do concerto em Lisboa.

Os bilhetes para o Porto já se encontram à venda, por 5€ e podem ser adquiridos aqui. Ainda não são conhecidos os pormenores relativos ao concerto em Lisboa.

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Festival Forte adiciona novos nomes ao cartaz, revela alinhamento por dias


A quarta edição do Festival Forte está cada vez mais próxima e o cartaz começa a ficar cada vez mais preenchido. A juntar aos já confirmados Jeff Mills, Clark e Lydia Lunch, encontram-se nomes como Varg, o projeto do produtor sueco Jonas Rönnberg que irá apresentar o excelente e mais recente disco Varg Nordic Flora Series Pt. 3 Gore-Tex City; Vatican Shadow, uma das muitas caras de Dominick Fernow (Prurient); a germânica Ellen Allien, os portugueses Jonathan Uliel Saldanha, Techno Window e XNX, Becka Diamond, e ainda Malo La Croix que se junta a Jaygo Bloom para uma atuação no Jardim Generativo. O alinhamento por dias também já é conhecido e poderão confirmá-lo mais adiante.

O Festival Forte realiza-se de 24 a 26 de agosto no castelo de Montemor-o-Velho e podem adquirir o bilhete geral ao preço de 100 euros. Também se encontram disponíveis os bilhetes diários ao preço de 50 euros. O último dia do festival alongar-se-há até às 21:00 de dia 27 de agosto. Para adquirir os bilhetes sigam aqui.






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quarta-feira, 28 de junho de 2017

The Horrors com dois concertos em Portugal



Os The Horrors vão apresentar o seu próximo álbum, V, a sair dia 22 de setembro, em dois concertos em Portugal. Dia 9 de dezembro vão ao Hard Club e no dia seguinte tocam no Lisboa ao Vivo. Os bilhetes ainda não estão disponíveis.

V, composto por 10 faixas, é produzido por Paul Epworth, que já trabalhou com artistas como Bloc Party, Florence + the Machine, Paul McCartney e U2. A banda lançou recentemente "Machine", o primeiro single deste novo disco.

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[Review] Igorrr - Savage Sinusoid


Savage Sinusoid // Metal Blade Records // junho de 2017
9.0/10

Ao quinto disco de estúdio os Igorrr apostaram numa forte campanha promocional, ao nível dos meios digitais, que teve um impacto inegável na projeção deste novo disco. Savage Sinusoid viu os seus primeiros traços serem confirmados em setembro de 2016 quando a banda tornou público que tinha quase prontos os 11 singles que compõem o álbum e mais três videoclips a caminho (ver aqui). Contudo, apesar de terem divulgado os pormenores do disco antecipadamente, o primeiro single de avanço, "ieuD", só chegou a público em abril de 2017. Lançado em formato audiovisual, "ieuD" começava por mostrar um Gautier Serre interessado em apostar num design de comunicação externo à música, que envolvesse o espetador ao nível visual e projetasse o conceito deste Savage Sinusoid.



Savage Sinusoid começou a ser gravado em fevereiro de 2014. Estes três anos de espera são justificados nas três partes da curta "The Making of Savage Sinusoid", disponíveis no canal do Youtube da banda. Estas três fases retratam, audiovisualmente, o processo de gravação e esforço colaborativo dos membros envolvidos neste trabalho, expondo os inúmeros instrumentos e ferramentas que foram utilizados na sua produção - desde o cravo, sitar, saxofone, acordeão, 8bits - e obviamente os arranjos e mistura de Gautier Serre, o mentor dos Igorrr. A maioria dos músicos envolvidos na gravação do álbum - além dos vocalistas Laure Le Prunenec (Rïcïnn) e Laurent Lunoir (Öxxö Xööx) - faz parte de outros projetos paralelos, nomeadamente Corpo-Mente, os próprios Öxxö Xööx e Pryapisme (Nils Cheville e Antony Miranda). As fórmulas aplicadas nos díspares projetos colidem neste novo Savage Sinusoid, criando uma coesão sonora e certeira com a mesa de mistura de Gautier Serre. A qualidade da produção está à vista.


Este novo disco dá sucessão a Hallelujah(2012) e Maigre(2014), EP colaborativo com Ruby My Dear e mostra uma clara evolução e progresso ao nível da composição, produção e obviamente promoção, com destaque enorme para os vídeos de "ieuD" e "Opus Brain". Se já em "ieuD" os ouvintes tinham sido surpreendidos com algumas alterações a níveis da composição, "Opus Brain" vem demonstrar que os Igorrr estão claramente num patamar acima do que já alguma vez estiveram, aplicando algumas fórmulas de trabalhos anteriores, mas incluindo novos instrumentos, escalas e ritmos, o que resulta num álbum com um valor aumentado ao produto final e para o próprio ouvinte.

A inventividade e criatividade sempre foram adjetivos que pautaram na carreira dos Igorrr e obviamente de Gautier Serre, como produtor. Resultado da junção de músicos brilhantes, este Savage Sinusoid reflete essa genialidade como ninguém o poderia fazer. O disco explora estilos musicais completamente díspares e consegue levar o ouvinte a sentir raiva, frustração, ansiedade (por exemplo "Viande", "Apopathodiaphulatophobie" e "Va te foutre"), mas igualmente nostalgia e contemplatividade e motivação, a ouvir, por exemplo, nos dois grandes singles destaque deste disco - "Problème d'émotion" e "Au Revoir". E claro, sem nunca esquecer o breakcore, audível em "Robert". O melhor de Savage Sinusoid é que todas as faixas que o compõem conseguem levar o ouvinte a sentir qualquer tipo de emoção, pelas dimensões instrumentais exploradas, acabando por funcionar também como uma descoberta intrapessoal. 


Savage Sinusoid é um disco com um posicionamento completamente distinto dos anteriores trabalhos dos Igorrr, mas igualmente dos trabalhos que neste primeiro semestre de 2017 foram lançados. Com isto, é sem margem de dúvidas um dos discos candidatos ao pódio dos melhores do ano. Toda a composição do álbum encaixa na perfeição, apesar da sua disparidade sonora extremista, sendo escassos, ou até mesmo inexistentes, os defeitos a apontar. Ao apostar numa campanha de enorme envolvimento entre banda e consumidores, essencialmente notória  no processo de making off, a pré-promoção do disco acresceu-lhe um valor aumentado e distinção inegáveis perante os anteriores trabalhos e concorrência. O resultado é incontestavelmente bom; não para todos, mas certamente para os ouvidos mais avant-garde.



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STREAM: Miss Lava - Dominant Rush EP


Um ano após a edição de Sonic Debris os Miss Lava regressam às edições de estúdio desta vez em curta versão com Dominant Rush EP, disco composto por quatro temas, onde se inclui "Black Unicorn", primeiro single de avanço lançado em maio. Dominant Rush EP foi produzido por Fernando Matias em colaboração com os Miss Lava e segue as pisadas do trabalho anterior, sendo considerado "um satélite de Sonic Debris". O EP pode ser reproduzido na íntegra, abaixo.

Dominant Rush foi editado oficialmente ontem, 27 de junho pelo selo Raging Planet

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terça-feira, 27 de junho de 2017

Reportagem: NOS Primavera Sound - 10 de junho [Parque da Cidade, Porto]

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O último dia de um festival é sempre um dia, que apesar de marcado pela felicidade de podermos assistir a concertos acompanhados pelos nossos amigos, nos faz sofrer por antecipação. Ainda temos tanto para ver mas parece que já estamos a sofrer a “ressaca dos festivais”.

O melhor era mesmo sacudir estes pensamentos da mente e preparar-nos fisicamente para o combate que ia ser o tão antecipado concerto de Death Grips ou a porrada sonora que o britânico Aphex Twin ia proporcionar a todos os seus fãs. Por isso, o melhor é mesmo nem pensar que no dia seguinte íamos voltar para as nossas rotinas diárias e aproveitar ao máximo este último dia.


Songhoy Blues



O primeiro concerto do dia no Palco. foi assinado por uma banda que surgiu no Mali e que anda a lançar musica desde 2015, através da Transgressive Records. Desde então estes homens têm dado que falar e tocado um pouco por todo o lado, inclusivé este ano vão ser cabeças de cartaz do Liverpool Psych Fest, espalhando a sua música e boa disposição.

Apesar dos ritmos animados, típicos do afrobeat, é errado classificar esta banda como world music, sendo que as guitarras são muito mais viradas para o blues e o rock.

Apesar dos horários do Primavera serem muitas vezes criticados pelas sobreposições, ou o posicionamento errado das bandas, este concerto foi uma maneira perfeita de passar esta tarde solarenga, com muita gente a aderir ao espírito animado da banda, apesar das confissões entre músicas onde explicaram as dificuldades que tiveram no seu percurso musical até chegarem onde estão atualmente. Esta superação é festejada com dança e sorrisos partilhados, não só por adolescentes, mas também muitos pais e os seus respetivos filhos, que se juntaram para tornar a festa ainda mais especial.



Elza Soares



No fim de tarde deste último dia do festival Elza Soares subiu ao palco para mostrar que ainda é possível o samba inovar e ocupar o seu espaço na música, cantando sobre injustiças e discriminações, não deixando ninguém indiferente. Durante todo o concerto esteve sentada no seu trono característico e, antes do concerto iniciar, com uma tela negra a tapá-la.

Apesar de ter sido um dos poucos concertos cantados totalmente (ou até parcialmente) em português, a energia e sentimento das letras também era transmitido, sem grandes dificuldades, ao público estrangeiro. Elza ou Elzinha cantava numa linguagem universal, a da dança. Ainda que os seus ritmos convidassem à dança, os temas cantados eram extremamente sérios podendo ser destacados "A Carne" sobre a escravatura, "Maria de Vila Matilde" sobre a violência doméstica e "Benedito/a", uma canção sobre um transsexual (nesta música juntou-se a Elza um cantor fisicamente semelhante a MC Ride com uma forma de dança bastante estranha). Durante o concerto a cantora falou ainda um pouco sobre o caso Gisberta, emocionando-se.

Francisco Lobo de Ávila


Wand



Um dos concertos que, pessoalmente, estava mais expectante para ver eram sem dúvida os meninos prodígios do Ty Segall, que não só lançam os álbuns através da sua editora, God? Records, mas também participaram na banda suporte, os The Muggers, na tour onde este andou a apresentar o álbum Emotional Mugger (e que também passou pelo festival portuense no ano passado).

Contudo, este concerto acabaria por resultar numa grande trapalhada onde ninguém parecia estar a perceber o que a banda estava a fazer (e muitas vezes, a própria banda dava a entender que eles próprios estavam bastante confusos com o que estava a acontecer). Começaram com uma música nova e enquanto tocavam as suas músicas, ninguém se queixava. O problema do concerto surgia quando entre músicas a banda perdia minutos (que ao vivo, pareciam horas) em interlúdios que se assemelhavam a arpegios tocados por Thurston Moore e Lee Ranaldo enquanto tentavam imitar o Emotional Mugger do Ty Segall.

Quanto a fazer barulho, por exemplo, durante a música "Floating Head" do álbum Golem, membros da audiência pareciam mais animados como quem pensa “ok, eles já atinaram, já deixaram os devaneios de lado. Agora sim, isto vai começar a sério”. A música acabou abruptamente e regressaram para as melodias esquizofrénicas. Posso jurar que mais de metade do concerto o pensamento constante na minha cabeça era: “O que raio é que eles estão para ali a fazer?”.

De positivo posso apontar a cover que a banda fez de “Cinnamon Girl” de Neil Young, uma bela carta tirada da manga, e a performance de Evan Burrows, baterista da banda que também participou nos The Muggers e parecia ser o único que sabia, honestamente, o que estava a fazer.

Fica o apelo a que estes voltem a Portugal e repitam a performance, porque tenho a certeza que conseguem oferecer concertos bem melhores e mais competentes que o que deram no parque da cidade.


The Growlers


Não se pode falar do concerto de The Growlers sem compará-lo ao concerto que decorreu no dia anterior no mesmo palco. estou a falar, é claro, de Angel Olsen.

A diferença entre uma banda que já foi adorada pela imprensa indie e que agora está a cair no esquecimento e a atual venerada é óbvia. Se Angel conseguiu mover uma multidão a meio da tarde e hipnotiza-la por completo, os The Growlers, a meio gás, moveram uma multidão para a zona de refeição ou para a parte de cima da colina para porem a conversa em dia.

Com uma voz cansada e rouca e apesar da sua melhor tentativa de animar uma tarde solarenga, o concerto da banda americana foi uma das maiores desilusões do festival.


Shellac


Os eternos Shellac subiram ao palco, como fazem todos os anos, para fazer aquilo que melhor sabem: rebentar os tímpanos ao fãs devotos que, ano após ano, vão ver o lendário Steve Albini e companhia em cima de palco.

Eu podia estar aqui com muitas teorias e tentar explicar o quão bom foi o concerto de Shellac mas tudo se resume a um momento que condensa a experiência que este concerto foi: “Tirem os tampões dos ouvidos”, pedido especial de Steve, que não só demonstra o seu humor irónico, o desafiar da audiência, a sua postura confiante e, ao mesmo tempo, o pedido sincero, de como se deve ouvir a sua música: alto como o caraças.


Sampha


Sampha Sissay já tinha pisado palcos portugueses anteriormente acompanhando SBTRKT mas nunca em nome próprio. Aliás, não é pelo seu trabalho a solo que é conhecido mas sim pelas enumeras colaborações com os mais diversos artistas servindo este concerto para abandonar esta fama de "músico dos músicos".

Iniciando com "Timmy's Prayer" estava tudo reunido para mais um momento único no parque da cidade. O cantor de R&B alternativo deu um concerto bonito mas não muito energético e talvez tenha sido esta a sua maior falha, ainda que a sua incrível voz fizesse cada momento valer a pena. Podem ser destacados alguns momentos como "Incomplete Kisses" ou a completamente inesperada cover de Drake (de uma canção em que o próprio colabora "4422"). Ainda que a sua voz, as canções e banda tivessem uma qualidade inegável, o concerto soube a pouco, talvez pela falta de inovação ou até pelas expectativas demasiado elevadas.

Francisco Lobo de Ávila


Mitski

A estreia de Mitski era também uma das mais aguardadas desta edição. Depois do lançamento do mais recente Puberty 2, eram muitos os que a aguardavam nas linhas da frente do palco Pitchfork. Depois de um atraso de aproximadamente 15 minutos, algo raro neste festival, Mitski subiu finalmente ao palco acompanhado da sua banda.

Apesar de nos ter visitado pela primeira vez no local e momento certo, Mitski falhou em conseguir um concerto entusiasmante. A intensidade e paixão dos seus últimos discos não conseguiu ser devidamente transposta na sua atuação ao vivo, soando a pouco. Depois do seu excelente quarto disco, as expectativas eram altas para este concerto, e talvez tenha sido esta ânsia por um bom espetáculo que arruinou toda a emoção, porque, na verdade, o concerto não foi mau, só não conseguiu tornar-se memorável. 

No entanto, foi bonito confirmar o carinho do público português ao ouvir temas como “I Bet On Losing Dogs” e “Your Best American Girl”. Os mais apaixonados terão, com certeza, saído de lá muito felizes, alguns em lágrimas até. A música de Mitski é extremamente genuína e apaixonada, mas nem mesmo nos momentos mais abrasivos e riffs distorcidos das suas canções o concerto conseguiu manter essa chama presente no seu trabalho em estúdio. Quiçá, numa próxima atuação, a história será diferente.

Filipe Costa


Death Grips

Um dos concertos mais esperados do festival foi certamente o de Death Grips. Após cancelarem a sua presença na edição do festival de 2012, estrearam-se finalmente em Portugal com um espetáculo intenso e explosivo. A visão de MC Ride a entrar em palco e durante as primeiras músicas, com a sua postura e presença em palco, foi surreal e memorável. Igualmente memoráveis foram os seus berros e raps ao longo de todo o concerto, ao mesmo tempo que Zach Hill atacava a bateria constantemente, acrescentando um lado cru às músicas que não está tão presente nas suas versões de estúdio. 

Flatlander controlava os beats e efeitos sonoros enquanto mantinha uma postura bastante over the top. Ouviram-se músicas de vários álbuns da banda, incluindo “Whatever I Want (Fuck Who’s Watching)”, “Hot Head”, “No Love”, “I’ve Seen Footage”, “Get Got” e “Guillotine”. Não faltou mosh e muita confusão na plateia, por vezes até talvez em exagero, em momentos de músicas em que não se justificava, mas nada que não seja compreensível. 

Os Death Grips corresponderam às expectativas e provaram mais uma vez porque é que são dos artistas mais marcantes e importantes da atualidade, com uma excelente demonstração do seu hip hop experimental e agressivo.

Rui Santos


Weyes Blood

Muitos me chamaram maluco por ter trocado Death Grips e Metronomy por Weyes Blood, mas aqueles belos minutos que passei sozinho sentado na relva a relaxar enquanto apreciava a bela voz de Nathalie Mering, foi dos momentos mais bonitos que passei no parque da cidade.

A americana que naquela noite completava 29 primaveras, apresentava um palco adornado com candelabros, velas de cera e pouca iluminação de modo a criar o ambiente mais íntimo possível, tarefa que não era muito complicada dado que a audiência deste concerto não chegava nem à mesa de som. Contudo, isto não impediu a jovem de oferecer uma performance fortíssima, tocando emocionalmente em cada pessoa envolvida neste concerto.

Numa performance onde andava a apresentar o seu mais recente álbum Front Row Seat to Earth, o destaque do concerto foi contudo quando esta apresentou a sua cover dos krautrockers alemães Can com uma grande interpretação de “Vitamin C”.

Uma pena não ter havido mais pessoas para apreciar a belíssima voz desta mulher que teve a infelicidade de combater com dois dos maiores nomes do cartaz. Esperemos por outra oportunidade para as restantes pessoas poderem rever o melhor concerto do Primavera que ninguém viu.


Japandroids


A cidade do Porto foi palco do regresso de inúmeras bandas a território nacional, e os Japandroids, que após uma paragem de 4 anos voltaram aos concertos. A última vez que estes tinham estado em territórios lusitanos, tinha sido em 2012 no Paredes de Coura, e reza a lenda que foi um dos concertos mais enérgicos do festival. Agora, em 2017 os canadianos não queriam deixar que este concerto ficasse para trás.

Com um disco novo, Near To The Wild Heart of Life, os dois primeiros, muito acarinhados pelos fãs, não foram esquecidos, recebendo tanto destaque como o novo álbum que vieram apresentar.

Sempre que li críticas sobre o trabalho em estúdio dos Japandroids, era devido ao facto de estes não conseguirem replicar a energia incansável que têm em concerto, e fico bastante feliz por ter conseguido testemunhar em primeiro mão o que isto queria dizer. Em todas as músicas a banda tocou-as como se estas fossem as últimas músicas da vida deles e com uma intensidade sobrenatural.

Para além dos instrumentais elétricos e energéticos, os refrões das músicas são do mais contagiante que alguma vez foi feita, obrigando o público a cantar em coro um pouco por todo o palco Super Bock. Juro que uma das visões mais lindas desta edição do Primavera foi ouvir centenas de pessoas a cantar em coro “I don't want to worry about dying // I just want to worry about those sunshine girls”.


The Make Up



Uns 10 minutos após o inicio do concerto de Japandroids subia ao palco ponto a banda com um dos mais energéticos vocalistas que já passaram no festival. A banda entrou sem Ian Svenonius, nos seus fatos cinzentos brilhantes escolhidos especialmente para esta tour e com Todd Trainer, baterista dos Shellac, que introduziu a banda e abandonou o palco. 

Aos primeiros acordes de "Black Wire Part 1" entrou Ian, com um fato igual ao resto da banda e cedo exibiu os seus movimentos de dança , descendo os primeiros degraus em direcção ao público e começando aí a incessante interacção com os presentes. Durante "Here Comes The Judge", a segunda música, Ian começou a fazer aquilo pelo qual é famoso, estar em pé em cima dos seus fãs. A confiança no público era apaixonante chegando até a deixar-se cair de costas. 

A juntar a estas acrobacias um instrumental incrível, a voz e os berros, ainda que ao vivo se tenha percebido mal (na gravação do concerto está perfeita), faziam com que fosse impossível não gostar do concerto. Apenas o vocalista interagia com o público (se calhar interacção a mais para alguns) mas fazia questão em reforçar a ideia de que as grades não deixavam a banda juntar-se com o público, que o continham "We Can't Be Contained" e também mostrava como todos os presentes eram importantes para os The Make Up. Um concerto que passou pelos maiores êxitos desta banda dos anos 90 mas que deixou a necessidade de mais, de um regresso pronto dos The Make Up.

Francisco Lobo de Ávila


Aphex Twin

Já passava da meia noite quando Richard D. James, mais conhecido como Aphex Twin, subiu ao palco principal para fazer jus ao seu estatuto. A lenda da eletrónica aproveitou este concerto para passear uns dias na Invicta, onde foi visto no Maus Hábitos dias antes, no aquecimento do NOS Primavera Sound. 

O Aphex Twin mais ambiental tomou as rédeas na primeira parte deste set, o que depois se transformou numa dance party de hard techno e luzes espaciais. Um dos destaques deste concerto (se é que podemos fazer destaques) foi a vídeo-montagem que passou nos ecrãs durante uma música, uma montagem dedicada a várias personalidades portuguesas, como Bruno de Carvalho e Salvador Sobral. 

Foram duas horas de excelência eletrónica no NOS Primavera Sound, no que foi o último concerto do palco principal em 2017. Se todos os anos fossem assim, não estaríamos cá vivos para contar a história.

Tiago Farinha


The Black Angels


Das bandas que foram tratadas da maneira mais injusta nesta edição do festival. Primeiro tiveram que tocar no mesmo horário que Aphex Twin, e não, o problema nem foi a falta de audiência, porque as cabeças levantadas estendiam-se por toda a colina e os corpos deitados um pouco por todo o terreno que envolvia o Palco. eram incontáveis. O volume inacreditavelmente alto do produtor fazia-se ouvir no local do concerto onde atuava a banda de Austin. O outro problema prendeu-se com o facto de as projeções da banda, parte fundamental do espetáculo, não estarem a funcionar, no que resultou num atraso de 10 minutos da banda.

No entanto, a banda que retirou o nome a uma música dos Velvet Underground, conseguiu abstrair-se de todos estes fatores e deram um concerto mágico envolto em ondas psicadélicas que apanharam todos os que ouviam a sua música. Cumpriram com o voto de confiança dos fãs, que preferiram as viagens espaciais à eletrónica agressiva de Aphex.

Com “Currency”, single do novo álbum, a abrir as hostes para o concerto, quer estivessem deitados na relva ou em pé à frente do palco, a reação foi geral, fechar os olhos e entrar num novo mundo introspetivo. Para além das músicas do álbum mais recente, Death Song, foram ainda revisitadas algumas das melhores músicas da discografia da banda, como “Prodigal Son”, “Black Grease” ou “Young Men Dead”. 

Contudo o melhor momento do concerto ficou reservado para o climax do álbum mais recente, a música “Death Song”, que catalisa os melhores momentos de uma banda que já conta com mais de uma década de existência e que mostra que estes estudaram bem a lição dos Pink Floyd. Sem dúvida uma das músicas mais poderosas e bonitas que alguma vez ouvi ao vivo.

Na despedida, ainda tocaram "Bloodhounds on My Trail", fazendo com que o adeus se tornasse mais animado e em vez de nos abandonarem com a sua psicadelia apocalíptica, abandonaram o palco num tom mais esperançoso. Uma hora soube a pouco, e fico a imaginar a oportunidade de ver estes gigantes num concerto do mesmo género de Swans ou Aphex Twin, onde estes poderiam estender o seu set durante pelo 2 horas.


Tycho

Depois das experiências diferentes de quem viu Black Angels ou Aphex Twin, ainda não era desta que chegava o prometido descanso. Ainda havia Tycho para contemplar, seja pela sua música chillwave ambiental, que servia quase como aquela corrida relaxada para descontrair os músculos depois de uma hora de exercício intensivo, pelo jogo de luzes incrível, ou até pelos vídeos que atraíram muitos olhares alterados para apreciar as estranhas montagens não só de paisagens, mas também de clássicos do cinema como Holy Mountain ou o 2001 – Odisseia no Espaço.


Bicep

Os bloogers que se tornaram heróis das cabines de DJ foram responsáveis pela primeira parte do último after do Primavera Sound. A eletrónica que ecoava da cabine do duo escocês oscilava entre o house, disco, funk e techno e fazia-se acompanhar por vídeos com um tom humorístico, de montagens de homens musculados a fletir os (sim, conseguiram adivinhar) os bíceps.

Apesar de já muitos terem abandonado o recinto devido à falta de energias e já estarem a marcar na agenda a data da edição do NOS Primavera Sound 2018, os restantes ainda se esforçaram para dar tudo e apenas arredariam pé do recinto quando o sol se erguia de madrugada.


Reportagem por: Hugo Geada
Fotografia por: Hugo Lima

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