sexta-feira, 7 de julho de 2017

STREAM: Le BelvE - Raise


Os italianos Le BelvE editam hoje o seu primeiro disco longa-duração, Raise, nascido pela necessidade de expressão da dimensão emocional das almas jovens, sedentas e ingénuas dos músicos. Formados em 2014 por Francesco Tapparo (guitarra; voz) e Leonardo Ferrari (bateria), pela paixão compartilhada pela blues, a dupla edita hoje Raise que já pode ser escutado na íntegra, em baixo.

Raise aborda um paradigma bastante folk, vendo incorporados alguns elementos do blues, jazz e soul. Exemplos disso podem encontrar-se em músicas como "Pills", no seu início, ao trazerem à memória a sonoridade dos contemporâneos Bärlin. Em "Iridei", vestido da simplicidade única da folk e a dispensar apetrechos extra e "Ashuak", uma mistura de diversos ritmos que encerra este primeiro trabalho, com uma pausa pelo meio.

Raise é lançado oficialmente hoje, 7 de julho, de forma independente.

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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Aqueles discos que ainda não ouviram em 2017

Mais uma vez, voltamos a falar dos álbuns que a imprensa não deu grande destaque mas que, para nós, reunem todas as condições para serem considerados dos melhores trabalhos editados este ano. Sendo assim, os redatores da Threshold Magazine selecionaram alguns desses álbuns esquecidos de 2017 e deixam-nos abaixo, juntamente com a justificação para os ouvirem.


Big Thief - Capacity



Depois de se estrearem com o excelente Masterpiece em 2016, os Big Thief regressaram já este ano às edições com o seu segundo longa duração Capacity, novamente com o selo da Sadle Creek. O grupo proveniente de Brooklyn traz-nos de volta as suas canções folk rock, agora mais apuradas e cativantes que nunca. 

Se em Masterpiece conhecemos um promissor quarteto, em Capacity assistimos à confirmação de um grupo que se começa a afirmar como um dos melhores dentro do género. Liderados por Adrianne Lenker, os Big Thief trazem este ano um disco extremamente coeso e consistente, sem grandes erros a apontar durantes os seus onze temas e quarenta minutos de duração.

Para além da técnica inegável de cada membro do grupo, destaca-se a lírica extremamente tocante e íntima de Lenker, que traz à baila experiências vivenciadas durante a sua infância em temas belíssimos como “Coma” e “Watering”. O principal destaque do disco vai para “Mythological Beauty”, cuja narrativa demonstra a virtuosa capacidade de Lenker como contadora de histórias, tão delicadas e honestas, acompanhadas sempre por instrumentais agradáveis e que fluem em perfeita união com a sua voz, e que fazem deste disco uma das audições obrigatórias deste primeiro semestre
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Filipe Costa



Bing & Ruth - No Home of the Mind



Bing & Ruth é o projeto liderado por David Moore, pianista e compositor americano, que teve o seu início em 2006 quando o artista terminou os estudos na The New School for Jazz, Nova Iorque, e decidiu começar a compor música minimalista com uma certa sensibilidade, que priorizasse a textura e a elegância sobre o estilo. 


Em fevereiro editou No Home of the Mind pela mítica 4AD, sucedendo City Lake (2010) e Tomorrow Was The Golden Age (2014), tendo atuado na ZDB e no gnration no passado mês de maio.

Bing & Ruth é calmo, introspetivo, emocional, onírico, íntimo. Tudo isto define o que David Moore e o seu ensemble têm vindo a criar nos últimos anos. A Moore interessa-lhe apenas que ao ouvirem a sua música as pessoas percam a noção do tempo e do espaço, como se fosse algo de transcendente. Musicalmente falando, Bing & Ruth percorre os caminhos mais minimais e clássicos, relembrando-nos nomes como Max Ritcher, Terry Riley e Brian Eno nos seus trabalhos a solo.

No Home of the Mind foi escrito em dezassete pianos diferentes na América do Norte e Europa, e gravado em 2016 em apenas dois dias, numa igreja em Hudson, NY, no menor número possível de sessões, permitindo assim capturar o imediatismo e espontaneidade da sua música. Deste trabalho de composição fizeram parte 5 músicos: o próprio David Moore no piano, Jeremy Viner no clarinete, Jeff Ratner no baixo, Greg Chudzick no sopro e Mike Effenberger no processamento de fita.

Apesar do destaque óbvio dos singles, é difícil afirmar que este álbum vive de da importância destes temas. Funciona muito por conta da sua coesão sonora, de texturas espaciais e sonhadoras envolvidas em alguma angústia. É tão fácil perdermo-nos nas notas de piano e nas florestas sonoras melancólicas.


Rui Gameiro




Jay Som – Everybody Works


Jay Som é o projeto a solo da norte-americana Melina Duterte. O seu segundo álbum, Everybody Works, é um dos melhores de indie rock / dream pop dos últimos anos. A composição das músicas é muito boa, não faltam boas melodias e bom uso de guitarras e teclados. Os instrumentos têm os efeitos e sonoridade típicos do género e vão aparecendo e desaparecendo em diferentes partes das músicas, o que acrescenta alguma dinâmica. Tudo soa muito agradável e bonito. 

Músicas como “Baybee”, “1 Billion Dogs” e “For Light” podem ser apontadas como três das melhores do disco, mas este é muito consistente e não deixa de agradar ao longo de toda a sua duração. Há momentos mais calmos, como em “Lipstick Stains”, que inicia o álbum com música ambiente, e outros mais intensos, há variedade, mas uma clara coerência entre tudo. 

Numa fase em que muito do que é feito dentro deste género soa igual ao que já existia antes, em que muitos artistas parecem preguiçosos na composição e reciclam ideias de uma música para as outras, Everybody Works consegue destacar-se. Jay Som é sem dúvida um projeto ao qual devemos estar atentos nos próximos tempos.

Rui Santos




Moon Duo – Occult Architecture Vol.1


O projeto do duo americano Ripley Johnson (guitarra e voz) e Sanae Yamada (sintetizadores), Moon Duo, aceitou um interessante desafio em 2017. Lançar um álbum conceptual, duplo, onde cada parte seria lançada em partes diferentes do ano e que representaria as diferentes estações e emoções humanas, uma espécie de Yin e Yang. A primeira parte, lançada no inverno, representa as partes mais obscuras da música do grupo e uma interpretação da psique humana nos seus momentos mais negros. A segunda parte, lançada na primavera, investe uma maior preocupação na psicadélia e representa o sol, a luz e o espirito do céu.

A primeira parte deste projeto apresenta elementos musicais que não são novidade para quem já conhecia a banda, como os ritmos kraut, as guitarradas carregadas de fuzz ou os mágicos synths, contudo as mais recentes composições permitem que este álbum respire com uma originalidade renovada, com sintetizadores a terem uma presença mais visceral ou a bateria, serviço entregue a John Jeffrey, com ritmos que criam a tensão necessária para o ambiente intimidante desta peça.

Este ambicioso projeto, que não teve a devida atenção pelos média, vai ser apresentado pelo conjunto no Festival Vodafone Paredes de Coura naquilo que promete ser uma interessante peregrinação para todos aqueles que se dirigirem para o palco Vodafone.fm.


Hugo Geada





Nicole Sabouné - Miman



Depois de ter invadido a music scene sueca em 2014, Nicole Sabouné regressou este ano aos discos com Miman, o seu segundo disco longa-duração, reeditado pela Century Media, que a vem reafirmar como um dos talentos femininos na cena dark, a merecer comparações com nomes como Anna von Hausswolff, Chelsea Wolfe, Marissa Nadler, Darkher, entre outros. 

A estética cold-wave e post-punk de Must Exist (2014) é ainda refletida em alguns dos traços deste Miman, embora Nicole Sabouné se tenha focado em encontrar outros caminhos musicais que até então não tinha explorado, num universo prodigioso, quase sagrado. 

O título Miman foi inspirado no poema "Aniara" de Harry Martinsons (1956), sendo um álbum que explora a ganância dentro da natureza humana e como isso está a conduzir o mundo para autodestruição. Apesar de ser uma observação pessoal, Miman segue uma estrutura clara onde cada single vem dar uma continuidade ao anterior, criando um som compacto e unido apesar de não haver uma interdependência entre músicas para o resultado final. 

A voz de Nicole Sabouné é facilmente assimilável e o poder que lhe está intrínseco faz Miman adquirir um certo dramatismo e, consequentemente, transmitir uma mensagem ao ouvinte. A título de exemplo oiçam-se músicas como "Bleeding Faster", "Lifetime" e "Withdraw" que certamente serão do agrado de todos os que procuram por algo contemporâneo na música de toada pós-gótica. Um disco que não deve ser deixado na sombra dos lançamentos mediatizados.


Sónia Felizardo

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Sétima edição dos Jardins Efémeros começa já esta semana


A sétima edição dos Jardins Efémeros começa já no próximo dia 7, em Viseu, e traz de novo uma semana recheada de música, dança, teatro, cinema, artes visuais, entre outros. Com uma forte vocação para a arte mais vanguardista, os Jardins Efémeros já contaram com nomes como Holly Herndon, Puce Mary, Biosphere, Norberto Lobo e Nils Frahm, só para referir alguns, e regressa este ano com um cartaz de qualidade e com nomes imperdíveis.

Do jazz, passando pelo hip-hop e culminando na ambient, os Jardins Efémeros trazem este ano artistas como Evan Parker, Murcof & Vanessa Vagner, Sarah Davachi, Libido Fuzz, Strange U, Pop Dell'Arte, os noruegueses Croatian Amor Vanessa Amara (Posh Isolation), Fennesz, que será acompanhado pelo norueguês Arve Henriksen, William Basinski (na foto), entre outros.

Os Jardins Efémeros decorrem em vários pontos da cidade de Viseu entre os dias 7 e 16 de julho e a entrada é gratuita. Para mais informações dirijam-se aqui.


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THOT - ODRA (video) [Threshold Premiere]


Os belgas THOT vão regressar às edições de estúdio este ano com Fleuve, disco produzido por Magnus Lindberg (Cult Of Luna), e resultado de uma década a desafiar os campos do industrial-rock e post-rock, géneros dominantes na sonoridade composta pelo quarteto. Este novo trabalho começou por ser apresentado em junho através do primeiro single de avaço "ICAUNA", e hoje volta a ser promovido através do novo single "ODRA".

Este novo vídeo volta a frisar a comunicação dark da banda sendo apresentado numa palete monocromática através de um vídeo subversivo com direção do francês Arthur Shelton. Mais uma vez o nome do single é inspirado num rio, desta feita naquele que flui da República Checa para a Polónia e Alemanha. O trabalho audiovisual que junta uma mistura groovy de baixo analógico e tambores, a um tornado cinematográfico (com a introdução da guitarra), pode agora ser visto abaixo.


Fleuve tem data de lançamento prevista para 20 de outubro pelo selo Weyrd Son Records.

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segunda-feira, 3 de julho de 2017

Milhões de Festa: Viagem até ao Festão #2

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Neste nosso "novo episódio" de bandas e artistas que vão atuar no décimo ano do Milhões de Festa decidimos explorar o cartaz em três partes que o constroem como um todo: na parte da música electrónica, sendo um dos nomes que saltam à atenção Mehmet Aslan, do stoner rock ou, mesmo doom rock, com os Blown Out.

E ainda falamos do regresso a casa dos filhos pródigos que Barcelos, e o Milhões de Festa, tem: Graveyard, banda de rock psicadélico e black metal, que após um breve interregno decide voltar à carga e a dar concertos numa das melhores casas que Portugal tem.


Graveyard



Após um curto divórcio, a banda sueca Graveyard que já tinha pisado o solo de Barcelos em 2011, volta este ano para malhar em grandes canções como “Uncomfortambly Numb”, “Hisingen Blues”, “The Siren” ou até mesmo “Lost In Confusion”, música que os anunciou este ano para a festa.

Com grandes influências de Cream ou Black Sabbath, fazem uma música electrizante e com muito black metal e psych revivalista dos anos 60 e 70, que nos colocam temporariamente em tempos idos e com um cheiro de Woodstock no ar.

É algo a não perder, visto que a banda acaba de se reunir e nunca se sabe o que passará pela cabeça dos suecos, é só ver o exemplo do Ibrahimovic.



Mehmet Aslan



Das pistas de dança da Suíça surge-nos o turco Mehmet Aslan com um techno folk muito característico e também existente em outros artistas como Rizan Said e Acid Arab.Com “formação” na noite de Basileia, Mehmet Aslan começa a produzir o seu som hipnotizante e cósmico através de várias junções de música electrónica, que se caracteriza pelo seu enraizamento ao seu país natal, a Turquia.

E é mesmo assim que Mehmet pretende trazer sons quentes para aquecer ainda mais as tardes em Barcelos através do mix de folk music e beats contemporâneos.

A destacar o seu álbum de 2014, Mechanical  Turk que conta com três faixas arrepiantes do início ao fim, sendo a que mais se destaca “Mechanical  Turk(Courtesy of Karpov not Kasparov)”.



Blown Out



Como My Expansive Awarness foram a banda sensação do festival em 2016, este ano a nossa aposta vai para Blown Out, a banda de doom, stoner, psych, space, tudo e mais alguma coisa rock.

E como fundamentamos a nossa aposta? Muito simples: banda para colar pistão do início a fim, para sair com os ouvidos em papa, como irá acontecer muitas vezes este ano, para sair a repensar toda a nossa vida até aquele momento.

É ouvir o álbum de 2016, New Cruiser, que apenas tem duas faixas mas que valem a pena serem ouvidas por contarem como um todo que é nada, como diria o poeta.

Uma banda que se insere muito bem no cartel deste décimo aniversário visto já estarem confirmados os também importantes pigs pigs pigs pigs pigs pigs pigs, que cada vez que atuam atraem a polícia a participar também no concerto.

Esperemos por julho para vermos estes meninos.

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Mueran Humanos, M!R!M, Tisiphone e mais no Post-Punk Strikes (Back) Again


O mini-festival Post-Punk Strikes Again está de regresso em 2017, para data única no Porto, depois de no ano passado ter trazido até Portugal nomes como Poison Point, Japan Suicide, Whispering Sons, Bleib Modern e Brandenburg.

Este ano os alemães Bleib Mordern estão de regresso mas as novidades vão para os Mueran Humanos (AG), M!R!M (UK), Tisiphone (FR), Charnier (BE) e os portugueses Ghost Hunt, que sobem ao palco do Hard Club, Porto, a 23 de setembro. Mais uma vez o evento conta com o selo da promotora Muzik Is My Oyster/Rollercoaster, que nos últimos anos tem feito mexer a cultura alternativa e underground pelo norte do país.

Para já ainda não são conhecidos os preços dos bilhetes mas todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui







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Meatbodies também tocam no Musicbox este mês


Os Meatbodies estão de regresso a Portugal para dois concertos. A sua passagem por Portugal já era conhecida e, além do concerto no Milhões de Festa, o projeto de Chad Ubovich e companhia toca também no Musicbox, Lisboa, a 22 de julho. Os dois concertos em Portugal estão inseridos na tour europeia de promoção do novo disco Alice, que chegou às prateleiras em fevereiro deste ano e tem recebido boas críticas entre a imprensa especializada.

Os bilhetes para o concerto no Musicbox têm um preço de 8€, estando já à venda nos locais habituais e em bol.pt. O concerto tem início marcado para as 22h30.

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