sábado, 5 de agosto de 2017

STREAM: Spirit Valley - Negatives


Negatives é o segundo disco de estúdio da dupla australiana Spirit Valley, atualmente sediada em Amesterdão, e vem dar sucessão a Give Trance a Chance (2015). A banda apresentou-se ao mundo através de guitarras guitarras pesadas e percussão tribal e em Negatives acrescenta à sua sonoridade inicial traços do post-punk e sintetizadores glaciais da new-wave.

Do álbum já eram conhecidos os singles "TNNLVSSN" e "Waiting For Real". Por vezes fuzzed-out, e noutras etéreos e cinematográficos, os Spirit Valley capturam todos os lados do amplo espetro do psicadelismo moderno, entregando-lhe uma implacável atitude DIY. O disco pode ser ouvido na íntegra, abaixo.

Negatives foi editado oficialmente a 4 de agosto pelo selo Fuzz Club Records

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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Elza Soares e Pitty lançam single colaborativo

© Daniel Ferro

Elza Soares e Pitty lançaram esta sexta-feira (4 de agosto) o single "Na Pele", que apresenta uma letra sobre a emancipação feminino. A música foi inicialmente escrita por Pitty para o seu último disco, Sete Vidas (2014), no entanto, acabou por ficar fora do álbum. Depois de ser apresentada à Elza Soares a faixa voltou a ser gravada, por sugestão de Elza a Pitty, e é divulgada agora, ao público.


"Na Pele" é o primeiro single de Elza Soares desde o lançamento de A Mulher do Fim do Mundo (2015). Além de falar sobre da emancipação, o single também aborda questões contemporâneas como homofobia, preconceito, maternidade e o atual momento do rock nacional.

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Ducktails anuncia novo disco 'Jersey Devil'

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Matt Mondanile vai lançar mais um disco a solo sob o nome de Ducktails. Depois de ter abandonado os Real Estate no último verão, Matt vai editar a 6 de outubro o seu sexto trabalho intitulado Jersey Devil, sucessor de St. Catherine (2015), pela sua própria editora New Images.

"Map to the Stars" é o primeiro single oficial deste registo, que segue com trabalho audiovisual abaixo. Também foram disponibilizados a artwork e tracklist de Jersey Devil.






Jersey Devil Tracklist:

01. Map to the Stars
02. Light a Candle
03. In the Hallway
04. Keeper of the Garden
05. Solitary Star
06. Lover
07. Mannequin
08. Wearing a Mask

09. Shattered Mirror Travel
10. The Rising Sun

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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Reportagem: Milhões de Festa -"Até já mundo Barcelos"


Os últimos dois dias de festival em Barcelos são marcados pelo acto ilusório da suspensão do tempo ou mesmo da sua extensão. Os dias parecem querer encurtar, mas não conseguem, parecem cada vez mais longos para bem de quem está a desfrutar de um Milhões de Festa que, já com dois dias passados, mostra pujança, muita força, bons espectáculos como foram FaUst & GNOD ou mesmo Ifriqiyya Electrique no dia 21.

Nos dois dias que se seguiram foram também muitas as surpresas que surgiram, muitos concertos que confirmam que o festival está para “o que der e vier” e que carimba a sua faceta de MVP no que toca a bandas desconhecidas no panorama de festivais portugueses.


Dia 2

O dia 22 começa com um rápido mergulho na piscina para curar o pouco que se dormiu graças à “sova” que foi dada no after da mesma manhã. Segui então para o primeiro concerto surpresa que seria de Bitchin Bajas no Paço dos Condes de Barcelos, local apropriado para ver este tipo de concerto mais direccionado para a vertente intimista. E assim foi. Assim que cheguei, sentei-me e senti uma brisa a entrar pelo corpo, uma lufada de ar fresco que recarregou as energias, como se não fosse preciso dormir para aguentar a “carga horária” festivaleira.

Um concerto onde a música exploratória, o krautrock semelhante a Kraftwerk no seu disco Ruckzuck fazia-se sentir e o ambiente que estava também fazia lembrar as gravações que se vêem de concertos de Kraftwerk no início dos anos 70. Uma banda confortável com o seu público, fez com que a música se adequasse ao espaço. Bastou começar a ouvir a flauta transversal e o sintetizador para se sentir a acalmia duma tarde que lá fora era bem diferente do que estava a acontecer no Paço dos Condes. Milhões de magia foram feitos pelos Bitchin Bajas, que já passaram por Portugal em festivais como o Tremor em Ponta Delgada, organizado também pela Lovers & Lollypops

Este concerto que aparentava ser mais um concerto que passaria despercebido acabou por ter um enorme significado para quem o viu e por marcar esta edição do festival. Tendo o factor surpresa a seu favor, surpreendeu muitos dos que foram à descoberta e deram conta de algo que mereceria a abertura do palco principal, à semelhança de Sun Araw em 2016, que também poderiam ter passado pelo Paço dos Condes.Houve tentativa de encore falhada porque se cumpria mesmo a hora à regra e ainda se ouviu um membro do conjunto dizer “Oh, you wouldn’t want it”, o que fez soltar o riso dos presentes e, de novo, uma onda de palmas que fizeram daquele pequeno espaço, enorme.


Bitchin Bajas

Mais tarde e já a preparar para a noite que se aproximava, tive a oportunidade de ver RATERE, banda  barcelense, a dar um concerto de topo com um público que, apesar de ser hora de jantar, aderiu à sua mistura de krautrock com soft rock. #POTA de concerto de RATERE que não se acanharam e fizeram com que muitos dos que iam fazendo a travessia entre a entrada do recinto e o palco TAINA, permanecessem no TAINA para uns passos de dança. 

O próximo concerto fica marcado pelo regresso de um filho a casa, como muitos já fizeram em Barcelos, exemplo do ano passado de El Guincho. Este ano fica marcado pela enchente em Graveyard, banda sueca que regressou aos palcos este ano e já tem concertos marcados na capital portuguesa. A espera foi longa mas eles chegaram frios como o país de que são oriundos. 

Um concerto em que as baladas como “Hisingen Blues”, “Uncomfortably Numb”, entre outras, dominaram e fizeram deste um concerto pouco chamativo, apenas presente para a solenidade que era ver o regresso de Graveyard e o regresso a uma casa que os adora. Um concerto que é feito de várias partes, visto que se chega a assistir a uma balada solo, apenas com o vocalista, Joakim Nilsson, que a restante banda foi integrando para completar a canção à medida que esta ia avançando. Assim ficou marcado o regresso de um bom filho à sua “terra”. Esperava-se mais mas é o que se conseguiu arranjar, apenas nos restou continuar a noite sem pensar muito no assunto.


Graveyard

Logo de seguida, ainda tive a oportunidade de estar um pouco no concerto de Sex Swing, banda londrina que ofereceu noise a quem conseguiu aguentar na enorme nuvem de fumo que atravessava o palco Lovers.

Segui então para o Palco Milhões para ver se a noite animava mais um pouco com o concerto de Janka Nabay & The Bubu Gang. Um concerto que fica marcado pela sua boa vibe e tentativa de passar essa mensagem de amor e paz. Também marcado pelo som baixo que levou a alguma falta de adesão da audiência, trouxe o primeiro “comboínho” do Milhões de Festa e trouxe de novo a animação e a dança a que estamos habituados neste festival, com a música mais enérgica e mais relaxada.

Com o palco Milhões encerrado, restavam apenas três nomes para ver no palco Lovers & Lollypops. Moor Mother, com um repertório de músicas agressivas, com mensagem forte e inconformista vindos dum neotribalismo mesmo característica da artista, não conseguiu atrair audiência para o seu concerto. Yves Tumorapesar também de não conseguir atrair muita audiênciaconseguiu dar um dos concertos desta edição de Milhões de Festa, graças à sua personalidade forte que levou a que muitos aguentassem o concerto até ao fim e ouvissem músicas do seu mais recente álbum, Serpent Music, que conta com o tema “The Feeling When You Walk Away”, de sonoridades semelhantes a Dean Blunt ou Hype Williams, nomes que encaixariam perfeitamente neste Palco Lovers & Lollypops graças à sua vibe mais groovy porém dark.


Moor Mother

A noite fazia longa quando Yves acabou o seu concerto, com as luzes completamente apagadas desde o início do concerto, graças ao seu pedido, apenas existindo a resistente nuvem de fumo que se dissipou rapidamente aquando da entrada de DJ Katapila, animador para o resto da noite.

Barcelos parecia Ibizia ou mesmo qualquer discoteca de 2000 a 2004. Katapila fez-nos sentir num Pacha Ofir quando passou músicas como “Follow The Leader”, em que só faltava ver os camones de meia e sandália a beber cervejas de litro e toda a gente a dançar a “Macarena”, ou mesmo “Show Me Love” de Robin S, e até com as sirenes típicas de discoteca quando existe ponte entre músicas. Um concerto que fica para a memória de quem fez questão de aguentar, graças à oferta EDM do DJ oriundo do Gana, que ainda teve a oportunidade de mostrar alguns dos sons do seu álbum Trotro, com músicas como "Trotro" e "Lalokat".

Segui, como muitos dos que fecharam o Lovers & Lollypops, já a manhã se fazia sentir para o after no local que nem era o emblemático e mítico XISPES, para escutar DJ Saliva, que nos ofereceu o que melhor sabe e conhece de acid techno e ainda música que nos levou até aos anos áureos das raves berlinenses. Logo em seguida, com um “miradouro” completamente cheio, entrou ao ataque DJ Khabal de Lisboa para o mundo, oferecendo muita música de artistas de Detroit e ainda muitos outros artistas que fazem parte do ramo musical destes dois DJs, um pertencente à Arena e outro pertencente à Golden Mist de Lisboa, conhecida por nomes como Lake Haze.

Estes sim deveriam fechar um palco Lovers & Lollypops se existisse oportunidade para tal. Foi essa a ideia que foi passada quando o after acaba com Palmiers já quase às 11 da manhã.


Milhões de Festa 2017 - Dia 2



Dia 3

Assim chegámos ao último dia. Completamente de rastos e cheios de nostalgia já. O dia em que ninguém, ou quase ninguém, tem tempo de fechar os olhos e parar por um segundo. Não dá, não há oportunidade para tal. Muita coisa a acontecer na bolha que é Barcelos durante o Milhões de Festa. A piscina abriu com um concerto apagadíssimo de Mike El Nite, toda ou a maior parte das pessoas que chegavam e estavam na piscina queriam desfrutar da tarde para uns mergulhos com a música no fundo e para descansar. 

A tarde só começou quando Sarathy Korwar entrou em cena com Hieroglyphic Being ou Jamal Moss, que acabou por se tornar num dos artistas que mais vezes actuou no festival, visto que no espaço de horas tocou em conjunto e mais duas vezes a solo.

Em conjunto, Sarathy Korwar e Hieroglyphic Being fizeram o que cada um sabe fazer melhor e que, por obra e graça do Milhões de Festa, fez com que se unissem para um concerto transcendente. Uma mistura entre a música que influenciou sempre a vida e o percurso musical de Sarathy, que conjuga a percussão mais virada para os lados da Arábia e a sua composição também a conjugar diferentes zonas do globo; e ainda a intervenção cirúrgica de Jamal Moss que, com o seu dom para a criação musical, conseguiu dar toda uma nova visão ao concerto que foi um dos pontos altos do último dia de piscina. Só faltou mesmo Shabaka Hutchings, de projectos que passaram também já por Barcelos como Sons of Kemet ou de Comet is Coming para completar o duo dinâmico que tocou e encantou a piscina.

Sem paragens e após o concerto do “duo dinâmico” Korwar + Hieroglyphic Being, Korwar permaneceu em palco para apresentar a sua última produção, uma autêntica viagem em que vamos montados em camelos pelo deserto e do nada somos postos nos enormes e agitados bazares árabes. Falo então de Day To Day, que já em artigos de apresentação do artista se dizia ser um dos álbuns e um dos artistas que não se poderia perder este ano na piscina milionária. E assim foi, um concerto também inesquecível que fez com que existisse uma acalmia entre os demais e que a tarde não parecesse estar a acabar ou tão quente como estava. 

A tarde começava a fazer-se longa e o ambiente bonito começava a ser melancólico, não fosse este o último dia de festival. Até que entrou de novo em cena Hieroglyphic Being para mais uma dose de boa onda, com um set que alterou o humor a todos, passando músicas mais viradas para o ambiente de “pool party” que existia. Um artista de mão cheia, que estuda a lição antes de sair de casa e que ainda consegue surpreender quando entra em palco, seja ele qual for.


Hieroglyphic Being

Fui então, após este concerto, preparar-me para a noite que se avizinhava, ainda ninguém sabia que algo de triste iria acontecer. O primeiro concerto visto no Palco Milhões foi o de Pop Dell'Arte, grupo português dos anos 80 conhecido pela sua inspiração mais avant-garde e uma música mais abstrata. Deram um concerto que muitos não sabiam o que esperar. Foi algo obscurantista ao cair da noite, como que a cerimónia fúnebre do Milhões de Festa antecipada. Todos os elementos se encontravam vestidos de preto, estando o vocalista da banda, João Peste, com um grande casaco de plumas negras. A sua voz característica acompanhava as melodias que a banda criava e que deixavam qualquer um em transe. 

Saí a meio para conseguir assistir a algo que mudou o rumo que a noite tomava: Meatbodies. Mais uma banda que faz jus ao nome. Em fast forward pode-se dizer que foi assim que todos os que estavam no palco Lovers & Lollypops, ficaram. Com o corpo a parecer carne em papa, os ouvidos a pedir uns tampões e a fazer recordar o slogan “Compre uns tampões para o festival de Barcelos”. A banda californiana entrou logo a matar, tocando forte e feio, fazendo lembrar uma conjungação de todas as bandas que estamos habituados a ouvir de garage rock californiano, com o exemplo de Ty Segall ou Fuzz, Oh Sees ou mesmo até White Fence nas suas músicas mais arrojadas.


Meatbbodies

Em seguida, e já bem aquecidos, deu-se mais uma romaria até ao palco Milhões para assistir a Pixvae, banda com elementos sul americanos que nos deixou de coração cheio. Todas as letras das suas músicas pareciam saídas dum livro de histórias, daí que todo o concerto teve atenção máxima dos demais que também aproveitavam para dançar ao som de uma boa world music, que foi o prato forte deste décimo aniversário do Milhões de Festa.

Continuando na onda latina, atuavam já Chúpame El Dedo no Palco Lovers quando cheguei e reparei na indumentária que os dois elementos apresentavam. Para além da excelente oferta de cumbia trash ou cumbia rock ou lá o que aquilo era, que era mesmo excelente, estavam vestidos de diabo e outro de anjo, num fato prateado reluzente. Como nos filmes em que nos aparece o anjo e o diabo em cima de cada um dos nossos ombros, neste concerto os dois aparecem mesmo à nossa frente e com uma banda formada. Um concerto que fica marcado pelos pedidos de “CERVEJA!” a cada final de música e também por ter reunido todo o mundo a dançar músicas como “La Mate”, que me fez recordar o concerto de Los Pirañas no Festival Musicas do Mundo, ou “Josefina”, a música mais esperada por todos os que assistiam ao concerto.

Pelo final do concerto, já todos estavam à espera do artista britânico Oscar Powell, quando se soube que o concerto teria sido cancelado, trazendo ao festival ao sensação de desânimo e tristeza visto ser um dos grandes nomes que faziam parte da festa do último dia. Esperámos até nova indicação e é então que o senhor que já tinha feito a tarde na piscina, Hieroglyphic Being, é confirmado para fazer uma “perninha” e fechar a edição de 2017 do festival.

Entretanto, assistimos ainda ao set do DJ Fitz, oriundo da Irlanda, esse país que já tantos nomes trouxe até nós. Um set que contou com DJ Quesadilla ,que fazia anos e que foi o MC durante algum tempo.


DJ Fitz

A noite ia longa e o último momento chegou, quatro dias de Milhões de música, Milhões de momentos e Milhões de Festa estavam prestes a chegar ao fim com o set de Jamal Moss aka Hieroglyphic Being. Talvez o DJ mais calmo que já vi, parecia estar sempre na sua onda, apenas agradecendo quando necessário e estando sempre na sua bolha. Não faltaram músicas oriundas da sua terra natal, Detroit, com sons semelhantes a Phuture, DJ Knuckles, Larry Heard e até Mirage a surgirem até ao sol raiar. 

Foi bonita a festa pá! Enquanto a manhã se fazia sentir pelo calor e pelo sol que começava a despertar, começava toda a gente a aperceber-se que tinha acabado e que a espera pela décima primeira edição tinha começado. Já só faltam menos de 365 dias para voltar à cidade mais encantadora que é Barcelos. 365 dias para mais Milhões de memórias serem construídas e milhões de bandas serem ouvidas.

Deste ano ficam mais memórias na nossa mala e mais excelentes bandas vistas, que vamos continuar a ouvir falar, que passarão em Portugal noutros festivais e nas nossas listas. Um obrigado a toda a organização do festival e a todos nós que fizemos o festival ser o que é mais um ano.

Até já mundo Barcelos.

Milhões de Festa 2017 - Dia 3


Reportagem por: Duarte Fortuna
Fotografia por: Ana Carvalho dos Santos

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STREAM: Holograms - Surrender


Os suecos Holograms estão de volta às edições de estúdio com Surrender, aquele que é o terceiro disco longa-duração. Do álbum que dá sucessão a Forever (2013) já tinham sido divulgadas anteriormente as canções "Shame" e "Hammarby Hill", esta última disponibilizada no primeiro teaser que fizeram do álbum (ver aqui). Além dos divulgados singles, destaque ainda para canções como "Any Day Now", um post-punk a lembrar logicamente Iceage, "Amor Fati", uma ode aos The Cure, "Oblivious", "The Bright Circle" e "Simulacrum".

Surrender estava previsto para ser editado a 28 de julho, mas acabou por ser disponibilizado apenas hoje, 3 de agosto, pelo selo Push My Buttons

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[Review] Spectres - Condition


Condition // Sonic Cathedral // março de 2017
8.0/10

Após a estreia com Dying, um dos discos que marcou 2015, os britânicos Spectres regressaram às edições de estúdio, com Condition que saiu para as prateleiras em março deste ano. O coletivo atualmente sediado em Bristol, e no ativo desde 2011, ficou conhecido pela sua sonoridade noise-gaze, composta por camadas de guitarras distorcidas, vozes encharcadas em reverb e ambientes ruidosos. Os Spectres (ou pelo menos dois dos membros) são ainda os responsáveis pela criação da editora independente, Howling Owl Records, um coletivo de indivíduos que gostam do ruído, da arte e juntam os dois.



Apesar de sempre fiel ao ruído, a sonoridade dos Spectres sofreu pequenas alterações desde a sua estreia com o EP Family. A banda começou por apostar em misturar géneros divergentes com uma camada de distorção lógica por cima e, após o EP Hunger, acabou por criar uma sonoridade característica, com traços denotados do noise rock, shoegaze e do post-rock, consequentemente apresentada em Dying. Já Condition vem mostrar que os Spectres estão a entrar numa fase de maturação do seu som, havendo uma tendência para a progressão, uma vez que as estruturas tradicionais são abandonadas em prol da experimentação com white noise e feedbacks pesados. Além da experiência sonora, neste segundo disco de estúdio, os Spectres voltam a utilizar uma metáfora visual, através da cover-art, para advertir o ouvinte sobre aquilo que já lhe está reservado como experiência auditiva. Se em Dying vimos o rosto agonizante, desesperado e afogado de um homem, em Condition somos confrontados com uma amálgama contorcida de humanos e fungos.  Há ainda a versão em vinil com capa baseada no trabalho Comic Boom Boom de  Laurie Lax.

A primeira amostra deste segundo disco de estúdio, o single "Dissolve", surgiu então em dezembro do ano ano passado, com uma duração aproximada a sete minutos, e apresentado num trabalho audiovisual dividido em dois atos. Ouvido fora de Condition (na altura ainda nem se sabia o nome do álbum), "Dissolve" apresentava uns Spectres menos amplificados, apesar do constante recurso ao ruído. 


Em janeiro, a banda avançou com "Neck", um dos grandes malhões deste disco, que apresenta batidas insistentes por sobre guitarras discordantes e barulhentas, onde a voz de Joe Hatt é afogada pelo ruído e alguns sons industriais que lhe são aplicados. Afinal os Spectres continuam a soar mais barulhentos e abrasivos que nunca. E se chegou a haver uma discussão sobre a implementação de artilharia eletrónica neste novo trabalho, ainda bem que tal não chegou a realizar-se. Os Spectres querem-se em analógico, e se nesta etapa surgem grandes singles como "Colour Me Out" (que poderia facilmente ser uma música dos Slint), "Coping Mechanism"  ou "Rubber Plant" (a lembrar Sonic Youth) e "End Waltz" (à la METZ), para quê ingressar numa nova veia com altos níveis de incerteza?



Em press-release Hatt explica: “On this album we became even less interested in actually playing guitar, (...) which meant that we got more into experimenting with the sounds we could get out of them when brutalising them and letting the feedback do the talking”. (...)  “Making noise that can’t help but make people forget and remember everything at the same time, and total disdain towards a world where we kind of need to exist.” 

Em suma, os Spectres não são uma banda para meninos. E se já em Dying tinham mostrado que utilizam o ruído com significância, como suporte de uma mensagem maior que o próprio álbum, em Condition aplicam uma teoria do equilíbrio, com músicas melódicas, mas igualmente inquietantes e brutais, como expressão sob os males da condição humana. Too much noise won't kill you.



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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

The Bug regressa a Portugal na companhia de Dylan Carlson (Earth) em dose dupla


O regresso de The Bug aos palcos portugueses faz-se em novembro e em dose dupla. O produtor britânico irá estar acompanhado por Dylan Carlson, guitarrista da emblemática banda de drone Earth para apresentar Concrete Desert, o mais recente disco que junta estas duas figuras tão díspares musicalmente numa colaboração única e marcante. Aliando o peso das guitarras às batidas, Concrete Desert resulta numa curiosa e fortuita combinação que poderá ser comprovada ao vivo nos dias 8 e 9 de novembro, no gnration (Braga) e Musicbox (Lisboa), respetivamente. 

Os bilhetes para os dois concertos já se encontram disponíveis, sendo que o concerto a decorrer em Braga terá o custo de 9 euros. Já em Lisboa, o evento que se encontra inserido nas Musicbox Heineken Series irá ter o preço de 15 euros, com oferta de uma Heineken.


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Godspeed You! Black Emperor anunciam novo álbum


Os ícones do pós-rock Godspeed You! Black Emperor anunciaram um novo álbum, com lançamento marcado para dia 22 de setembro. O disco irá chamar-se Luciferian Towers e será o sucessor de Asunder, Sweet and Other Distress, de 2015. Terá quatro faixas. A banda partilhou imagens e um texto sobre o disco, no que é associado um parágrafo a cada faixa:

this, this long-playing record, a thing we made in the midst of communal mess, raising dogs and children. eyes up and filled with dreadful joy – we aimed for wrong notes that explode, a quiet muttering amplified heavenward. we recorded it all in a burning motorboat. 
(context as follows:) 
1 UNDOING A LUCIFERIAN TOWERS – look at that fucking skyline! big lazy money writ in dull marble obelisks! imagine all those buildings much later on, hollowed out and stripped bare of wires and glass, listen- the wind is whistling through all 3,000 of its burning window-holes!
2 BOSSES HANG – labor, alienated from the wealth it creates, so that holy cow, most of us live precariously! kicking at it, but barely hanging on! also – the proud illuminations of our shortened lives! also – more of us than them! also – what we need now is shovels, wells, and barricades! 
3 FAM / FAMINE – how they kill us = absentee landlord, burning high-rise. the loud panics of child-policemen and their exploding trigger-hands. with the dull edge of an arbitrary meritocracy. neglect, cancer maps, drone strike, famine. the forest is burning and soon they’ll hunt us like wolves. 
4 ANTHEM FOR NO STATE – kanada, emptied of its minerals and dirty oil. emptied of its trees and water. a crippled thing, drowning in a puddle, covered in ants. the ocean doesn’t give a shit because it knows it’s dying too.finally and in conclusion; the “luciferian towers” L.P. was informed by the following grand demands:
  • an end to foreign invasions 

  • an end to border 

  • the total dismantling of the prison-industrial complex 

  • healthcare, housing, food and water acknowledged as an inalienable human right 

  • the expert fuckers who broke this world never get to speak again
much love to all the other lost and wondering ones,
xoxoxox god’s pee / montréal / 4 juillet, 2017x




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Oiçam: FUZZIL

© Jéssica Calhas

Formados nos finais de 2014, os FUZZIL são um quarteto rock de Alcobaça onde se pode encontrar raízes do rock americano mais marcante dos anos 90 ou do stoner que a partir dessa época também se foi notando, bebendo ainda de outras influências psicadélicas dos 60's & 70's carregadas de fuzz.

Daniel, Leonardo, Alexandre e Wilson Rodrigues gostam de esbravejar e usam as suas composições para destabilizar mentalidades ou contar histórias de comuns mortais. Editaram em outubro de 2015 o seu EP de estreia Boiling Pot.


Em maio regresseram às edições discográficas com MOLTEN π. São 6 faixas em que a sonoridade stoner está uma vez mais presente, carregada de riffs poderosos e energéticos, característicos da malta que gosta de ir a um bar de rock ouvir boas malhas.

"Jeremy Part II", "Threesome Wine" e "Worms" (até nos apetece andar à pancada) são as músicas que se destacam em MOLTEN π, tendo a última direito a um vídeo. O EP está disponível em baixo para audição gratuita via Bandcamp, onde também o podem adquirir por uma quantia simbólica.


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In The Nursery vão lançar novo disco em novembro


Formados em Sheffield em 1981, os In The Nursery anunciaram esta semana a edição de um novo disco de estúdio, intitulado de 1961. Conhecidos pela sua sonoridade neoclássica de elementos sublimes, grandiosos, evocativos, intemporais e cinemáticas e já com inúmeros discos de estúdio lançados, a dupla de irmãos anunciou agora o novo disco 1961, que vem dar sucessão a The Calling (2013).

Segundo os elementos da banda 1961 é um ano especial porque, além de um número racionalmente simétrico e raro, 1961 é também o ano de nascimento dos irmãos gémeos Nigel & Klive Humberstone. Este novo álbum de estúdio teve como inspiração eventos históricos, literários e pessoais que decorreram no referido ano. Ainda não é conhecido nenhum single de avanço.



1961 tem data de lançamento previsto para 3 de novembro pelo selo ITN Corporation

Os In The Nursery tocam em Portugal a 25 de agosto, no Entremuralhas.

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Em novembro há TOPS no Porto e Lisboa


Os canadianos TOPS, que lançaram em junho o disco Sugar at the Gate, têm passagem agendada por terras lusas, em novembro, para dois concertos no Porto e em Lisboa, tendo o primeiro selo da promotora Lovers & Lollypops. Os concertos, que estão inseridos na tour de promoção deste novo disco, decorrem a 3 de novembro, no Maus Hábitos, Porto e a 4 de novembro, no Lux Frágil, em Lisboa.

Formados em 2011, em Montreal, os TOPS contam com três discos de estúdio, entre outros EPs e singles editados. A sua música tem sido descrita como uma mistura das músicas digeríveis dos anos 70/80, resultando num soft-rock fofinho.


Os bilhetes para o concerto do Porto já se encontram à venda por um preço único de 8€, faltando ainda confirmar a banda de abertura (Informações adicionais aqui). Quanto ao concerto de Lisboa, ainda não são conhecidos pormenores adicionais.  

 

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terça-feira, 1 de agosto de 2017

'Reaching For Indigo' é o novo disco de Circuit des Yeux

© Julia Dratel

Circuit des Yeux, projeto da americana Haley Fohr, irá lançar um novo disco este ano, intitulado de Reaching For Indigo. Co-produzido por Fohr e Cooper Crain, Reaching for Indigo é o primeiro álbum da cantora sob o selo Drag City, após vários lançamentos com destaque. Juntamente com o anúncio do disco e pormenores adicionais, Haley Fohr disponibilizou também "Paper Bag", primeiro single oficial deste registo, que segue com trabalho audiovisual abaixo.


Reaching For Indigo tem data de lançamento prevista para 20 de outubro pelo selo Drag City. O disco está disponível para pre-order aqui.

Reaching For Indigo Tracklist:

1. Brainshift 
2. Black Fly 
3. Philo 
4. Paper Bag 
5. A Story of This World Part 
6. Call Sign E8 
7. Geyser 
8. Falling Blonde

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The World is a Beautiful Place & I am No Longer Afraid to Die anunciam novo álbum, partilham primeiro single


Abreviemos: os TWIABP anunciaram ontem a data de lançamento do seu terceiro longa-duração. Always Foreign é o título do disco que irá suceder o excelente Harmlessness, de 2015, editado novamente com o selo da Epitaph Records no dia 1 de agosto. "Dillon and Her Son" é o breve mas entusiasmante primeiro single da jovem banda emo, cujo excerto poderá ser escutado em baixo na página de Soundcloud da Epitaph. Também já são conhecidas as respetivas capa e tracklist de Always Foreign, que poderão ver igualmente mais abaixo. 





Always Foreign

I'll Make Everything
The Future
Hilltopper
Faker
Gram
Dillon and Her Son
Blank #12
For Robin
Marine Tigers 
Fuzz Minor
Infinite Steve

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Indie Music Fest: 5 anos, 5 novas bandas


O Indie Music Fest (IMF) celebra a sua 5ª edição este ano e, aos nomes até à data confirmados, anunciou ontem uma pequena surpresa: o 5 Anos / 5 Bandas. Estas novas confirmações juntam ao cartaz nomes como Stone Dead, Astrodome, The Lazy Faithful, Pãodemónio e Toulouse, que segundo a organização são "bandas que fizeram parte de outras edições do festival e que voltam a subir ao palcos do IMF para continuarem a fazer parte desta história tal bonita que se vive no bosque. (...) Nesta edição regressam com novos discos e com mais fãs certamente (...)"

A quinta edição do Indie Music Fest decorre de 31 de agosto a 2 de setembro no Bosque do Choupal, em Baltar. O passe geral para os 3 dias tem um preço de 30€, sendo que as primeiras 150 unidades vendidas terão direito a uma t-shirt do festival. Podem adquiri-lo aqui.






Artistas já confirmados para o IMF 2017: 

Conjunto Corona, Them Flying Monkeys, Twin Transistors, Heavy Cross of Flowers, Paraguaii, The Miami Flu, Lucky Who, Moon Preachers, Killadelphia, El Señor, Manuel Fúria & Os Náufragos, Marvel Lima, Jonny Abbey, Phantom Trio, Los Luchos, Astrodome, Pãodemonio, Stone Dead, The Laizy Faithful e Toulouse.

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Road to Moledo #2

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Truckfighters no SonicBlast Moledo 2016

Já não falta muito tempo para o início de mais uma edição do SonicBlast Moledo, referência nacional para todos os fãs de stoner e de festivais com piscina que não ficam em Barcelos.

Esta será a sua sétima edição, o qual tem apresentado um impressionante crescimento desde a sua primeira edição, contando no ano passado com nomes impressionantes como Uncle Acid and the Deadbeats, Truckfighters, All Them Witches ou Stoned Jesus e, em passadas edições com nomes de peso dentro do género como os icónicos Pentagram, os japoneses Church of Misery ou My Sleeping Karma.

A edição de 2017 apresenta um cartaz mais diversificado, uma vez que se por um lado apresentam bandas pesadonas para os ouvidos como Monolord ou Acid King, assim como bandas que se afastam deste peso e compensam com uma dose extra de psicadelismo, como é o caso dos Kikagaku Moyo.

Neste artigo vou deixar algumas recomendações que espero que sirvam como guia para a ementa musical que vai ser servida na praia de Moledo.

Dia 2

Orange Goblin - Time Traveling Blues



Não é fácil escolher um álbum naquela que é a tão vasta discografia de Orange Goblin, por isso optei por um dos mais icónicos álbuns da banda inglesa. Esta banda de culto, que provavelmente vai receber uma das maiores audiências do festival, promete uma boa mistura de stoner doom, punk, southern metal e blues mergulhados em testosterona.

Um concerto ideal para beber um ou dois finos e partir para uma batalha épica no epicentro do mosh ao som de músicas como “Blue Snow” ou “The Man Who Invented Time”. Um bom álbum para começar a descoberta da discografia desta banda que, apesar de terem alterado as suas sonoridades ao longo do tempo, foi neste que adquiriram grande parte do estatuto que tem hoje.



Colour Haze - Tempel



O concerto deste trio alemão é um dos mais aguardados da edição 2017 do festival. Na sua estreia em palcos nacionais contam já com uma grande experiencia e legião de fãs. Apesar de trazerem um álbum novo editado este ano, In Her Garden, o que muitos aguardam ansiosamente por ouvir são as faixas do icónico álbum Tempel, onde exploram diversos elementos do planeta Terra, sejam estes materiais ou não, como é o caso de “Aquamaria”, faixa mais famosa da banda e, discutivelmente, uma das mais icónicas musicas deste género musical.

“Fire” ou “Mind” e as restantes musicas do álbum, apesar de não terem a mesma atenção que a anterior referenciada, são inquestionáveis na sua qualidade e um bom exemplo do quão eficazes estes homens conseguem ser sem recorrer a grandes artifícios.



Acid King - Busse Woods



Muitos músicos lendários já pisaram os palcos montados em Moledo e esta edição vai receber os Acid King, liderados pela enorme Lori S., uma das principais figuras femininas no movimento stoner.

O álbum que escolhi para apresentar a banda retira o nome de uma reserva florestal onde Lori e os seus amigos iam ouvir música e vender substâncias ilícitas, até ao dia em que foram apreendidos pela polícia. Este álbum é um tributo a esses tempos de glória.

Aqui podemos encontrar um conjunto de músicas que deixam os olhos injetados de sangue só com o seu peso, com faixas como “Electric Machine”, uma das mais louvadas dentro do mundo místico que é o Stoner Metal. “Drive Fast, Take Chances” deixa saudades de quando as pessoas ouviam “yolo” ou “carpe diem”, não reviravam os olhos e vomitavam as entranhas. Esta poderosa música sobre aproveitar a vida em cima de uma mota e violar os limites de velocidade transmite o som característico da banda, assim como “Silent Circle”, inspirada nos crimes do assassino Ricky Masso.




The Machine - Solar Corona



Esta escolha recai para todos aqueles que nas viagens de descobertas musicais pelas profundezas do YouTube nunca se depararam pelo álbum com riscas laranjas e pretas dos holandeses The MachineSe necessitarem de razões precisas e objetivas para comprarem um bilhete para este festival, percam aproximadamente 17 minutos das vossas vidas a ouvir “Moons of Neptune”, última faixa deste álbum.

Sintam os poderes que estes magos possuem quando utilizam os seus instrumentos musicais. Apesar de não serem a banda mais “mediática” do festival, possuem o estatuto de banda de culto, alcançado com este álbum e são sem dúvida um dos concertos que, pessoalmente, mais quero ver.




Löbo - Älma



Com o fim do hiato que durava desde 2012, após um último concerto no Amplifest, os fantásticos Löbo estão de regresso à estrada onde tem mostrado a nova vida do seu unico álbum de longa duração, Älma.

Desde momentos mais tensos até aos mais hipnotizantes, as sonoridades deste conjunto de Lisboa, que conta com Ricardo Remédio no sintetizador, Luís Pestana na guitarra e Renato Sousa no baixo, são essencialmente ecléticas oferecendo uma experiência instrumental que combina doom metal, post-rock, eletrónica progressiva e drone ambiental.

Com músicas como “Aqui em baixo a alma mede-se com mãos cheias de pedras” e “Matei os meus mestres – Silenciei os meus ídolos”, os Löbo pretendem fazer os seus ouvintes questionarem-se quanto é que pesa a sua alma na viagem sonora que são os seus concertos.




Texto por: Hugo Geada

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