sábado, 26 de agosto de 2017

Reportagem: Vodafone Paredes de Coura - 18 de agosto

Bruno Pernadas

O terceiro dia do festival teve no palco Jazz na Relva concertos de El Rupe e Paulo Barros. A Vodafone Music Session do dia, à qual não tivemos oportunidade de assistir, foi no centro da vila e esteve a cargo dos Moon Duo.

Os portugueses Cave Story abriram o recinto com um concerto no palco secundário. Estivemos pouco tempo por lá, mas tivemos a sorte de conseguir ouvir "Microcosmos", uma das melhores músicas do agora quarteto. A música portuguesa continuou no palco principal, onde tocou o sempre genial Bruno Pernadas, acompanhado por uma talentosa banda formada por, entre outros, Afonso Cabral (You Can’t Win Charlie Brown), Francisca Cortesão (Minta & the Brook Trout), Nuno Lucas e João Correia. Começaram com "Spaceway 70" e prosseguiram com músicas como "Ahhhhh", "Problem Number 6" e "Galaxy". As composições de Bruno Pernadas são uma mistura complexa de diversos géneros, misturados de maneira genial. É um dos melhores artistas portugueses dos últimos tempos e é sempre uma muito boa experiência ver as suas músicas serem tocadas ao vivo. Esperemos que tenham saído do recinto mais fãs dele do que aqueles que entraram.

Espreitamos o concerto de Andy Shauf e ficamos pouco impressionados. Ouvimos algumas canções bonitas, com uma sonoridade relaxada e agradável, mas muito pouco originais. Notou-se um bom uso de sopros ocasionalmente, mas nada que elevasse as canções a um patamar superior. O concerto não demorou muito a tornar-se enfadonho e por isso não ficamos por lá durante muito tempo.


Young Fathers

De volta ao palco principal, vimos o concerto dos Young Fathers. Logo à partida notou-se um grande contraste do preenchimento do palco em comparação com o concerto de Bruno Pernadas. Com poucos instrumentos e um grande foco na voz, os Young Fathers encheram o palco com a energia de todos os seus membros. O trio escocês trouxe um membro extra para tratar da percussão e apresentou um conjunto de músicas cuja sonoridade passou pelo hip hop, música eletrónica, R&B e até mesmo gospel. Apesar de terem um estilo que facilmente os distingue, este nem sempre resultou. Nem toda a percussão foi bem implementada e os pratos no qual tocou um dos vocalistas soavam mal. Muitas vezes sentiu-se um grande foco no ritmo e ficava a faltar uma melodia grave a servir de base à voz, à qual nos pudéssemos agarrar. Várias vezes os instrumentais quase se tornavam uma desordem de ruído onde apenas se distinguia um ritmo. Certas músicas pareciam uma mistura de sons estruturada de maneira estranha, sem objetivo definido. O concerto acabou com o maior hit da banda, "Shame", e foi bom ouvi-lo ao vivo.

O rock psicadélico dos Moon Duo invadiu de seguida o palco secundário. Ouvimos solos e riffs sobrepostos a ritmos repetidos, mas não ficamos por lá por muito tempo. É uma banda que não soa a nada de novo, mas deu certamente um bom concerto para fãs do género.


BADBADNOTGOOD

Um dos concertos mais falados do festival foi o dos BADBADNOTGOOD, finalmente em estreia no nosso país. Começaram com uma versão acelerada de "Speaking Gently" e acabaram com um crescendo em "CS60", tendo passado ao longo da setlist por diversos subgéneros de jazz em instrumentais retirados dos álbuns III e IV. Ao longo de todo o concerto o baterista Alexander Sowinski serviu de hype man e puxou pelo público, fazendo a certa altura toda a gente baixar-se e saltar ao mesmo tempo no início da secção mais intensa. Numa música iniciada por uma longa introdução de teclado e baixo, os restantes dois membros dançaram pelo palco, algo que levou a uma boa reacção do público.

A banda mostrou ser muito boa tecnicamente e o baixista destacou-se várias vezes pela sua qualidade. Apesar de ser também muito bom, o elo mais fraco foi provavelmente o baterista, que fez overdrumming num par de músicas e acelerou imenso várias secções que, por isso, ficaram desenquadradas das anteriores e não resultaram bem, tendo perdido bastante do seu impacto. Isto e alguns casos de instrumentos que mal se ouviam impediram este concerto de ser o melhor do festival. Nunca fiquei tão triste com um concerto tão bom, porque este podia ter sido o concerto excelente e espetacular (como LCD Soundsystem o ano passado) que ficou a faltar a esta edição do festival, mas estas falhas impediram-no talvez até de ser o melhor deste ano. No seu melhor a banda mostrou-se realmente impressionante, mas as piores partes do concerto, apesar de não terem sido muitas, foram claramente más e muito frustrantes. Houve uma enorme diferença de qualidade entre os melhores e piores momentos, marcados especialmente pelas abruptas mudanças de tempo.

No fim do concerto o baterista cumprimentou os fãs nas primeiras filas e percebeu-se a satisfação da maior parte do público. Foi um dos concertos mais marcantes do festival.


Japandroids

Enquanto os portugueses Octa Push tocaram no palco secundário, esperamos pelos Japandroids. O duo canadiano entrou em palco ao som de uma gravação composta por guitarra e spoken word e abriu a setlist com "Near to the Wild Heart of Life". Seguiram-se músicas como "Continuous Thunder" e a sempre energética "The House That Heaven Built", duas das melhores num concerto que teve demasiadas canções esquecíveis. Foram utilizadas gravações a acompanhar a guitarra e a bateria tocadas ao vivo, mas muitas vezes sentiu-se falta de um baixo ou de mais uma guitarra para preencher o som e criar mais variedade. As músicas nunca atingiam a intensidade que podiam atingir com uma banda com mais elementos. A performance vocal de ambos os membros também não foi nada de especial e nota-se que não têm grande talento como vocalistas, no entanto isso não prejudicou demasiado o concerto, pois cantam de uma maneira adequada para o género de música que tocam. Deram um concerto razoável, no qual foi possível perceber que são uma banda que soa melhor em estúdio.


Beach House

Os Beach House, maior cabeça de cartaz do dia, começaram mais de meia hora atrasados e deram um concerto bom, mas longe das melhores passagens da banda por cá. A voz de Victoria falhou mais que uma vez e um par de vezes Alex pareceu não ter controlo completo sobre o som da guitarra. Bons efeitos de luzes e projecções tornaram ainda melhores canções como "PPP", "Space Song", "10 Mile Stereo", "Wishes" e "Myth", mas houve também momentos aborrecidos ou pior executados. Nem todos os momentos em que Victoria cantou com mais intensidade se adequaram à música e nem todas as músicas estiveram ao mesmo nível. Foi bom, mas desapontante. Os Beach House têm capacidade para mais.

No After Hours houve Roosevelt e Red Axes, dois nomes que já passaram pelo NOS Primavera Sound.


Reportagem por: Rui Santos
Fotografia por: Hugo Lima

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sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Reportagem: Vodafone Paredes de Coura - 17 de agosto

Sunflower Bean

17 de agosto foi o segundo dia do festival e o primeiro a ter dois palcos ativos. Também foi o dia no qual começaram os concertos no palco Jazz na Relva. Após uma sessão Vodafone Vozes da Escrita com Tomás Wallenstein (Capitão Fausto) e a sua irmã Catarina, ouviu-se o jazz dos Uma Coisa em Forma de Assim, que serviu como boa música de fundo para o início da tarde. Tocou depois Captain Boy.

Os primeiros a serem ouvidos no recinto foram os Sunflower Bean, que abriram o palco secundário. O trio americano, que lançou o seu álbum de estreia o ano passado, apresentou um indie rock/pop agradável, apesar de pouco original. A voz principal foi dividida entre a baixista Julia Cumming e o guitarrista Nick Kivlen. A setlist incluiu músicas novas e houve um bom equilíbrio entre canções mais e menos intensas. Enquanto o concerto se aproximava do fim começaram a tocar no outro palco os portugueses You Can't Win, Charlie Brown, que, como sempre, corresponderam às expectativas. São uma das bandas portuguesas mais interessantes da atualidade e parecem ter dado um bom concerto, que não conseguimos ver na totalidade. Entre duas músicas falaram sobre o festival e sobre terem estado, muito novos, no lado do público. Desta vez estiveram, merecidamente, em cima do palco.

Os segundos a tocar no palco secundário foram os Nothing, quarteto americano de shoegaze que trouxe consigo o muito bom álbum Tired of Tomorrow. A banda tocou músicas como "A.C.D. (Abcessive Compulsive Disorder)", "Vertigo Flowers" e "Eaten by Worms", a penúltima da setlist, durante a qual Domenic Palermo saltou do palco e foi ter com o público. Foi mais um bom concerto, apesar de não ter estado ao nível da vinda da banda à Cave 45, no Porto. Perdemos a última música para mudar novamente de palco e assistir ao regresso dos Car Seat Headrest ao nosso país.


Car Seat Headrest

Podem já ter lançado mais de 10 discos, mas os Car Seat Headrest são uma banda jovem. Não é por isso que deixam de ser um dos melhores nomes do indie rock do século XXI. O projeto, iniciado a solo por Will Toledo, originou um dos melhores álbuns do ano passado, Teens of Denial. A banda usou samples em várias músicas e focou-se principalmente no seu último álbum. Começou o concerto com "Vincent" e tocou, entre outras, "Fill in the Blank", "(Joe Gets Kicked Out of School for Using) Drugs With Friends (But Says This Isn't a Problem)" (cuja secção final é sempre excelente) e a espetacular "Drunk Drivers/Killer Whales". Isto não foi o suficiente para o concerto corresponder às expetativas que tinha após os ter visto o ano passado, no Primavera Sound. Enquanto que esse concerto teve um público dedicado a cantar mais do que a banda, impressionada, esperava, este teve mosh desnecessário, uma performance que podia ser melhor e uma setlist no qual as músicas mais fracas eram claramente muito inferiores às outras. No entanto a verdade é que, apesar disto, os melhores momentos fizeram o concerto valer a pena. O baterista também ficou contente, dizendo que Portugal é o país com o melhor público.

Perdemos os Timber Timbre e a sua "Hot Dreams" e ficamos no palco principal à espera de King Krule, mais um jovem artista ao qual não falta qualidade. Ainda não tinha 23 anos quando veio a Paredes de Coura, mas já há 5 anos tinha passado por Portugal, no Vodafone Mexefest. Tocou músicas novas e também algumas das suas melhores e mais conhecidas, como "Out Getting Ribs", "Easy Easy", "Baby Blue" e "Rock Bottom". É um dos melhores e mais criativos cantautores da música alternativa atual e a acompanhá-lo esteve uma excelente banda, que fez um trabalho excecional. Não posso deixar de destacar o baixista e o incrível baterista, que foram mesmo impressionantes do início ao fim. Pelo meio houve problemas com uma guitarra, mas nada com o qual a banda não conseguisse lidar. A música continuou durante um bocado sem ela e o guitarrista juntou-se imediatamente quando o problema foi resolvido . O próprio Archie Marshall também esteve ao nível do resto da banda e a sua voz grave muito própria soou tão bem ao vivo como nas gravações em estúdio.


King Krule

Foi um dos melhores concertos do festival e até teve direito a um encore. O único ponto negativo foi parte do público que, tal como em muitas outras ocasiões neste festival, fez mosh quando simplesmente não fazia sentido e incomodou quem estava à sua volta. As condições do festival também não eram propícias a isso, porque bastavam alguns segundos de maior animação para se levantar muito pó, que tornava a respiração difícil. Faltou um tapete a cobrir a terra.

Passamos depois pelo concerto dos Ho99o9, um grupo de hip hop com uma sonoridade muito agressiva e intensa do qual eu não era fã. Quando fui pesquisar as suas músicas,  após ter lido várias comparações entre eles e os Death Grips, não os achei muito parecidos aos autores de Exmillitary nem tão bons. As três ou quatro músicas que ouvi deles em Paredes de Coura sim, fizeram-me lembrar Death Grips. Não soaram demasiado parecidos, mas passei a achar as comparações legítimas, especialmente pela agressividade e pela bateria, usada de maneira semelhante, mas sem o som cru de Zach Hill. A energia estava no topo, dentro e fora do palco, e isso era sentido mesmo nas filas mais atrás. As músicas eram pesadas e não pareceu haver tempo para pausas. Mais tarde, quando já não estávamos perto do palco, ouvia-se vindo dele "Every Nigger is a Star", de Boris Gardiner.


At the Drive-In

Um dos maiores nomes do cartaz deste dia foi o dos At the Drive-In, mestres do pós-hardcore reunidos pela segunda vez em 2015. A banda de Cedric Bixler e Omar Rodríguez mostrou estar ainda em boa forma e tocaram malha atrás de malha. Quase toda a setlist foi composta por músicas do novo álbum, in•ter a•li•a (como "Hostage Stamps" e "No Wolf Like the Present"), e do mais conhecido e conceituado Relationship of Command (como "Arcarsenal" e "Pattern Against User), mas também se ouviu "Napoleon Solo", de In/Casino/Out. A última a ser tocada foi a que é possivelmente a melhor da banda, "One Armed Scissor". Ficou a faltar a excelente "Invalid Litter Dept.". Cedric saltou para cima da bateria e de amplificadores, as guitarras soaram frenéticas e foram sempre apoiadas pela sólida secção rítmica, que servia de base e não deixava os riffs e solos perderem sentido. Os At the Drive-In sempre estiveram entre os melhores artistas do género e trouxeram ao festival uma muito necessária dose de rock.

Nick Murphy, antes conhecido por Chet Faker, já tocou várias vezes em Lisboa e estreou-se no norte do país como o nome mais mainstream do cartaz do Paredes de Coura. O seu concerto teve alguns bons momentos dançáveis e "Talk is Cheap" é um bom single, mas foi um dos mais desinteressantes do festival e rapidamente se tornou aborrecido. Não foram precisas poucas músicas para eu perder a atenção. Destacou-se pela negativa uma música com uma sonoridade entre o folk e o pop que foi possivelmente a pior que ouvi ao longo de todo o festival. Por muito famoso que se esteja a tornar, Nick Murphy não tem qualidade para merecer o estatuto de cabeça de cartaz num festival desta dimensão e qualidade.


Jambinai

O After Hours começou com o pós-rock sul coreano dos Jambinai. Apesar de ter estado num mau local da plateia, onde o público menos interessado falou por cima dos momentos mais calmos, consegui apreciar a maior parte do concerto. Enquanto que a sonoridade da banda não é muito original, recorrendo aos típicos crescendos usados no género e a secções mais pesadas com características de metal, a selecção de instrumentos é bastante exótica. A banda aproveita instrumentos coreanos como o haegeum, o taepyeongso e o geomungo para trazer sons diferentes do habitual à sua música. É interessante vê-los a ser tocados e nota-se que são um ingrediente especial que traz algo de diferente e mais criativo ao pós-rock da banda. O ponto mais alto do concerto foi a última música, "Connection", sem dúvida a mais bonita e impressionante. Marvin & Guy fecharam a noite para quem ficou até mais tarde.


Reportagem por: Rui Santos
Fotografia por: Hugo Lima

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TRC ZigurFest anuncia últimos nomes do cartaz

TRC-zigurfest-17

A sétima edição do TRC ZigurFest decorre já nos próximos dias 30 de agosto a 2 de setembro. O festival que invade Lamego conta no seu cartaz com nomes como Alek Rein, Pega Monstro, Live Low, Stone DeadGalgoLAmANice Weather For DucksCoelho RadioactivoCalcutáAcid Acid WhalesThe Twist ConnectionMaria, P A L M I E R S, Chalo Correia, The Rite of Trio, , The Nancy Spungen X, Harmonies (Joana Gama, Ricardo Jacinto e Luís Fernandes), BLEID, MolochMadrasta, LYFE, GPU Panic e Nils Meisel.

No dia zero há SallimPrimeira Dama, Talea Jacta e Luca Argel

Os bilhetes estão à venda no Teatro Ribeiro Conceição e na Ticketea e têm um preço de 3 euros (bilhete diário) ou 5 euros (bilhete geral). Vale a pena relembrar que todos os concertos do dia 30 e 31 de agosto e nos espaços exteriores nos dias 1 e 2 de Setembro são gratuitos.

Consultem em baixo a programação do TRC ZigurFest 17.

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Jucifer atuam este domingo num antigo Jardim de Infância em Alcobaça


Os históricos Jucifer atuam este domingo à tarde, 27 de agosto, num antigo Jardim de Infância em Pisões, Alcobaça.

Perto de completarem 25 de anos de carreira e com dezenas de álbuns e EPs editados, os Jucifer são apontados como o duo mais pesado de sempre, donos de um torturante muro de som com elementos de sludge, black metal, doom, drone e noise. Já pisaram alguns dos mais importantes clubes e festivais de todo o mundo numa vida de tour sem fim - vivendo há quase duas décadas em autocaravanas e a atuar em mais de 20 países diferentes todos os anos, num constante ciclo de composição-gravação-edição-digressão.

A primeira parte fica a cargo dos Manferior, potente quarteto de powerviolence de Leiria que no último ano editou o EP Corporate Scum e um split com os Nihilistic Bastard, que têm vindo a ser apresentados por todo o país.


O concerto tem início às 17h e as entradas têm o custo de 5€ (4€ para sócios).

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quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Reportagem: Vodafone Paredes de Coura - 12 a 16 de agosto


Este ano foi marcado pela 25ª edição do Paredes de Coura, que contou com um dos melhores cartazes das mais recentes edições do festival e os passes gerais esgotados. Tal como é habitual nos últimos anos, a festa começou na vila, que recebeu desta vez 4 dias de concertos.

Sobe à Vila

Os primeiros concertos foram dia 12 na Caixa da Música. Infelizmente, apenas conseguimos assistir ao final do set de Mister Teaser. Antes dele tocaram Eden Lewis II e, mais tarde, os The Sunflowers, para uma sala cheia. No centro da vila havia bom ambiente e o local era ocupado por locais e pessoas que vieram pelo festival. Os carrosséis e barracas das festas regionais ainda ocupavam grande parte do espaço e lá permaneceram nos dias seguintes.

Dia 13 os concertos mudaram-se para o palco exterior, e quem a ele subiu foram Nice Weather For Ducks, Serushiô e DJ Mosca. Os primeiros são uma banda de Leiria cujo nome vem de uma música dos Lemon Jelly. O seu som tem características de pós-rock, com as guitarras etéreas a misturarem-se e interligarem-se em várias músicas, mas é mais virado para o pop. Infelizmente, muitas das suas músicas não convenceram. Quem não tiver um grande interesse na banda pode facilmente encontrar uma grande repetição entre e dentro de várias delas. Várias das músicas esgotam as ideias nelas presentes e continuam a repeti-las quando já deviam ter sido largadas. Isto sentiu-se muito no concerto, que durante grande parte foi monótono. O estilo de canto característico da banda também não ajudou, pois pareceu não beneficiar certas músicas. Houve, no entanto, alguns bons momentos, especialmente no início, quando a repetição ainda não se começava a sentir.

O equilíbrio do som, importante para uma banda destas soar o melhor possível, também não estava perfeito. Apesar de tudo isto, a banda mostrou-se energética e comunicativa com o público e a sua performance deve ter agradado os seus fãs.

Seguiu-se uma banda que conheço melhor e que já vi ao vivo várias vezes. Os Serushiô são um duo de blues rock do Porto que se apresentou em Paredes de Coura com um membro extra em palco. Habitualmente, é o guitarrista Zé Vieira que toca a percussão, mas desta vez a banda foi acompanhada pelo baterista Edys da Silva (dos Bang Bang Romance). Tal como no concerto que deram no palco Jazz na Relva em 2015, o público aderiu bastante e esteve muito animado. Foi um bom concerto, apesar de não ter sido tão marcante como o de há dois anos. Ouviram-se músicas novas, do álbum Groove Lee, e várias já conhecidas pelos fãs. Enquanto que as novas músicas não foram, no geral, tão boas como as restantes, algumas destas últimas, como "Walking Man" e "Bluesman of This Town", originaram muito bons momentos. A banda foi bem recebida e até houve encore.


No dia seguinte voltou a não faltar rock, e os Stone Dead abriram um palco com um dos melhores dois concertos a que assisti na vila. Uma das melhores bandas do género em Portugal apresentou o seu novo álbum, Good Boys, e não desiludiu. Não faltaram malhas com bons riffs e diversos momentos intensos que o público aproveitou para fazer mosh. Só tive pena de não terem tocado algumas das minhas preferidas de The Stone John Experience, EP de 2014.

Pouco vimos do concerto seguinte, dos The Twist Connection. Foi mais uma dose de rock, mas pareceu estar longe da qualidade do concerto anterior. A fechar o palco esteve DJ Sininho.

Dia 15 perdemos o concerto de Alek Rein, mas chegamos a tempo de ver o grande Conjunto Corona, que deu o melhor e mais divertido concerto a que assistimos na vila. Fizeram o público gritar por Gondomar e cantar os parabéns a um dos membros, com bolo incluído, ofereceram hidromel às primeiras filas e tiveram uma excelente presença em palco. Não faltaram boas músicas que puseram o público a cantar, como "Chino no Olho", "Já Não és o Meu Dealer" e "Mafiando Bairro Adentro". O grupo do Porto está claramente em ascensão e provou ser um dos melhores grupos de hip hop em Portugal. Têm bom sentido de humor, letras que merecem ser citadas e deram tudo em palco. Depois destes bons momentos ainda houve tempo para o DJ Electric Shoes subir ao palco e passar hits de bandas como Blur, Franz Ferdinand, MGMT e Hot Chip.

Dia 1

Dia 16 de agosto iniciou-se o festival e abriu o recinto. Este dia, com menos concertos que os restantes, todos eles a decorrer no palco principal, serviu como um aquecimento para os dias seguintes. O cartaz foi composto por Escola do Rock, The Wedding Present (que tocaram o álbum George Best), Mão Morta (a celebrar os 25 anos de Mutantes S.21), BEAK>, Future Islands e Kate Tempest.

The Wedding Present

Antes desses concertos, os The Wedding Present participaram na primeira Vodafone Music Session do ano, com um concerto à tarde em cima dos balneários do Palco Jazz na Relva. Fomos lá espreitar o concerto e o indie rock da banda não nos cativou muito. Não deixa, no entanto, de ter sido uma boa oportunidade para os seus fãs os ouvirem mais que uma vez no mesmo dia, e foi uma maneira de haver música na zona do rio um dia antes das sessões Jazz na Relva começarem. Esse palco foi, nos dias anteriores, aproveitado para sessões de cinema, que incluíram a exibição do filme São Jorge, e conversas com uma atriz e dois realizadores, um deles Peter Webber.

Chegamos ao recinto a tempo do concerto dos Mão Morta. Eu, que ouvi o álbum Mutantes S.21 pela primeira vez recentemente e fiquei um bocado desiludido, não estava à espera de um grande concerto, mas este superou as minhas expectativas, surpreendeu-me e deixou-me muito satisfeito. A banda começou o espetáculo, no qual tocaram o álbum com as músicas ordenadas de maneira diferente da tracklist original, com uma introdução atmosférica repleta de distorção. Avançaram depois para "Marraquexe". Longe de ser um dos pontos altos de Mutantes S.21 e prejudicada pelo mau equilíbrio do som que tornou a letra incompreensível, esta música não foi um bom começo. Os problemas de som foram depois dela corrigidos e as canções seguintes não sofreram problemas iguais. A segunda música foi "Até Cair", um desvio do Mutantes S.21 no qual o ambiente começou a acelerar com a sonoridade mais pós-punk e as melhores transições entre secções.

Mão Morta

A viagem continuou com "Paris", que originou headbangings pelo público, enquanto que "Istambul" trouxe um som mais hipnótico, com percussão eletrónica, um som de guitarra envolvente e spoken word. "Velocidade Escaldante" foi mais um desvio que encaixou muito bem no alinhamento e um dos destaques do concerto. Cantaram-se depois os parabéns ao Paredes de Coura, mesmo antes de se ouvir o grande hit "Budapeste", uma das melhores e mais marcantes canções dos Mão Morta.

A banda continuou com músicas como "Berlim", "Amesterdão" (claramente melhor ao vivo do que em estúdio), "Lisboa", a última de Mutantes S.21 a ser tocada, e "Bófia", que fechou o concerto. Adolfo Luxúria Canibal, com a sua atitude e os seus movimentos muito próprios, captou a atenção do público e teve uma boa performance, tal como o resto da banda, ao longo do concerto. Mostrou ser um excelente vocalista e contador de histórias, que ganham vida com a sua expressividade corporal e vocal. As imagens projetadas, a combinar com as músicas, foram também muito boas.

BEAK>

Os BEAK>, estranhamente, foram a banda seguinte. O trio de krautrock, que conta com a participação de Geoff Barrow (Portishead) e Billy Fuller (Robert Plant), não é tão bom como teoricamente poderia ser, tendo em conta os membros integrantes. As composições repetitivas não são suficientemente cativantes para manter o interesse e as músicas são, no geral, aborrecidas. Por vezes sentiu-se a falta de graves, e algumas vezes, quando as músicas pareciam estar a transformar-se em algo melhor, acabavam. A maior parte delas pareciam simplesmente a base de algo mais, dando a sensação de estarem inacabadas. A banda comunicou com o público, mas este reagiu pouco. A maior reacção ocorreu quando foram tocados durante segundos riffs de Pink Floyd e Dire Straits. Foi neste concerto que senti pela primeira vez nesta edição o chato fenómeno de estrangeiros a falar demasiado alto, incomodando quem os rodeia. Neste caso até foi compreensível. Um concerto aborrecido de uma banda que tocou no palco errado à hora errada.

Future Islands

À meia-noite e meia foi a vez dos Future Islands apresentarem o seu novo álbum, The Far Field. A banda desiludiu com um concerto que começou bem, com "Ran" e "A Dream of You and Me", mas rapidamente desceu de qualidade. Enquanto que as melhores músicas da banda são viciantes e orelhudas, com excelentes linhas de baixo, as piores são um synth pop genérico que rapidamente fica desinteressante e indistinguível de tudo o resto que há no género. A setlist do concerto teve muitas destas últimas músicas e foi por isso bastante repetitivo. Infelizmente, o novo álbum não está ao nível do anterior, Singles, e uma vinda da banda a Paredes de Coura seria certamente melhor em 2014. Até o maior hit da banda, "Seasons (Waiting on You)", não conseguiu agradar-me completamente, pois quando foi tocado já não era fácil ter a disposição que se tem no início do concerto para ouvir a banda.

Sam Herring, vocalista, mexeu-se muito e os seus típicos gestos e danças não faltaram. Por vezes podem ser exageradamente teatrais, mas não deixam de ser algo de novo que não se pode experimentar ao simplesmente ouvir as músicas em estúdio. O pior foi o trabalho vocal que deixou muito a desejar, com a dicção a ser extremamente fraca. Para além disso, os gritos guturais de Sam Herring nem sempre resultaram. O trabalho do baixista também não foi perfeito. Cometeu um par de erros, mas nada de grave. 

O concerto foi pouco dinâmico, desiludiu-me e deixou-me quase indiferente. A maior parte do público demonstrou, no entanto, estar satisfeita, tal como a banda. Diria que é uma banda cujos concertos podem agradar aos seus maiores fãs, mas que não vão conquistar os menos interessados. Foi o culminar do primeiro e pior dia desta edição do festival, pois nos dias seguintes não faltaram belos concertos para diferentes gostos a mostrar a qualidade do cartaz.

Reportagem por: Rui Santos
Fotografia por: Hugo Lima

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Regressar a Vilar de Mouros #1 - Para Além da Música


É certo que o que imortalizou o festival de Caminha foi a qualidade das bandas que por lá passaram, desde U2 a Iggy Pop & The Stooges, mas olhando para fotografias antigas o que vemos é o rio, é o público, nunca (ou raramente) Elton John (primeiro cabeça de cartaz do festival). Isto acontece porque o festival consegue oferecer mais que o que aparenta numa visão mais superficial. Exploremos, então o que o mítico festival mais antigo de Portugal tem para além da música.

Algo que nos salta logo à vista chegando ao recinto do festival é o rio. Não é por acaso que figura em tantas fotografias das várias edições figura o rio Coura e a sua praia fluvial. Ainda que neste festival não seja comum o calor extremo, uma praia fluvial tão próxima do parque de campismo e do recinto, de onde existe possibilidade de se escutar vários soundcheck das bandas ou até alguns concertos, convida sempre a alguns mergulhos. 


Na edição de 2016 (e contamos que nesta se mantenha), no antigo palco principal do festival eram exibidos filmes durante a noite. Neste palco histórico foram exibidos alguns filmes também históricos sendo exemplo "Gladiador". Uma presença bastante interessante num festival de música.

Por fim,e falando também da experiência da edição do ano passado, é possivel encontrar algumas barracas de artigos de merchandising, roupa e discos, em frente ao palco histórico, como é habitual em vários festivais.



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Austra e Surma nas novas confirmações do Jameson Urban Routes


O Jameson Urban Routes regressa este ano de 24 a 28 de outubro para a sua 11ª edição. Ao todo serão cinco dias, 13 sessões, 26 projetos musicais e 34 horas de música que exploram e dão a conhecer algumas das tendências globais, com o objetivo de fazer futurologia.

Na semana passada foram acrescentados novos nomes ao cartaz. Austra, Surma, DA CHICK e XINOBI juntam-se ao já anunciados ActressBlack Bombaim com Peter BrötzmannO TernoYou Can't Win Charlie BrownScúru Fitchádu e os históricos dinamarqueses Laid Back.

Os billhetes para os concertos já divulgados podem ser adquiridos na bilheteira online. A programação completa e os preços respetivos para as sessões assinaladas podem ser consultados abaixo.



PROGRAMAÇÃO CONFIRMADA

Quarta-Feira – 25 Outubro
SESSÃO 2 | 21h30 - 00h00
Black Bombaim & Peter Brötzmann
Scúru Fitchádu

SESSÃO 3 | 00h30 – 03h00
Actress - Apresentação disco AZD
Caroline Lethô
Bilhete sessão: 15€
Passe diário (todas as sessões de quarta-feira): 25,00€

Quinta-Feira – 26 Outubro
SESSÃO 5 | 21h30 – 00H00
You Can't Win Charlie Brown
O Terno
Bilhete sessão: 12€

SESSÃO 6 | 00h30 – 03h00
Captain Casablanca
Laid Back
Bilhete sessão: 15€
Passe diário (todas as sessões de quinta-feira): 22,00€

Sexta-Feira – 27 Outubro
SESSÃO 7 | 03h00
XINOBI feat DA CHICK
Sem informação de preço

Sábado – 28 Outubro
SESSÃO 11 | 21h30 – 00H00
Surma
Austra
Bilhete sessão: 12€

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domingo, 20 de agosto de 2017

Darkher cancela no Entremuralhas. Paulo Bragança substitui


Este ano o Entremuralhas tem sofrido cancelamentos como nunca antes houvera acontecido. E se a cessação de atuações como a dos Tuxedomoon e TWA Corbies tinham já sido recebidas com uma grande tristeza pelos fãs do festival, hoje foi dia de saber que a atuação dos britânicos Darkher também estaria anulada. 

As boas notícias são que a Fade In continua a ser uma das promotoras mais profissionais do país e, à semelhança do que se passou com os dois nomes já cancelados, voltou a substituir prontamente este novo buraco na programação. Paulo Bragança, endeusada figura, quer pelo arrojo estético com que se apresenta ao vivo, quer pela sua voz de timbre andrógino, é assim o responsável pela abertura do Palco Alma no segundo dia de festival. Depois de 4 álbuns editados e um retiro da área musical nos últimos anos Paulo Bragança regressa em 2017 aos concertos e "estreia-se" no Entremuralhas a 26 de agosto.


O Entremuralhas acontece entre o fim-de-semana de 24 a 26 de agosto no Castelo de Leiria. O passe geral já se encontra à venda por 85€. Também se encontra à venda o passe combinado para os dias 25 e 26 agosto, podendo ser adquirido por 65€. O bilhete para o primeiro dia custa 25€, para o segundo, 35€ e para o terceiro, 40€. Podem comprar os bilhetes aqui.

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