sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Reverence Santarém: o primeiro dia



A quarta edição do festival Reverence vê a sua duração encurtada a dois dias e uma mudança na localização central, agora sediada em Santarém. Mas não é por isso que deixa de surpreender, com um total de 40 nomes a atuar no  Parque da Ribeira de Santarém. A programação do primeiro dia faz jus à componente mais stoner e metal do festival e abre o festival com nomes de peso como Moonspell, Amenra e Oathbreaker, sem nunca descurar da habitual dose de rock psicadélico (a título de exemplo cite-se uns Desert Mountain Tribe ou 10.000 Russos) ou da mini dose de post-punk, neste primeiro dia encabeçada pelos portugueses The Melancholic Youth Of Jesus. Vamos pôr os rótulos de lado porque o Reverence pode ter nova cara mas o seu alinhamento anual continua a apresentar trunfos, estejam eles mais escondidos ou não.

8 de setembro, o primeiro dia

Às 16h00 do dia 8 de setembro o Reverence inicia-se mais uma edição de música alternativa e underground no Parque da Ribeira de Santarém com os portugueses F'rrugem que, apesar de não terem tempo para escrever a sua biografia nem criar uma página de bandcamp, prometem um show de punk no Palco Tejo para arrebitar os ânimos dos festivaleiros (podem ouvir um excerto aqui). 25 minutos depois, às 16h25 começam a ouvir-se os primeiros acordes de música no Palco Sabotage com os alemães Pretty Lightning que vêm apresentar o seu mais recente disco The Rhythm Of Ooze (ainda com data de edição por anunciar) e são a primeira banda do selo Fuzz Club a meter os headbangers a dar tudo nesta quarta edição de Reverence.


Às 17h05 os castelhanos Quentin Gas & Los Zíngaros vêm apresentar o seu folk-rock com um q.b. de flamenco e rock psicadélico ao Palco Tejo. Formados em 2014 os Quentin Gas & Los Zíngaros trazem na mala o seu disco de estreia Caravana, que foi editado em janeiro de 2017 e que promete ser uma pedrada no charco ao vivo. No mesmo palco às 18h10 sobem os CUT e às 19h15 os portugueses Gossamers. Já entre as 17h30, 18h35 e 19h40 seguem-se os britânicos Dead Rabbits (que regressam a Portugal após a última edição do Lisbon Psych Fest) os italianos The Gluts, e os também revindos do Lisbon Psych Fest  Desert Mountain Tribe que têm trabalhos na casa londrina Fuzz Club.



Depois de Tren Go! Soundsystem (às 20h20) começa-se a receber no Parque da Ribeira os primeiros nomes em destaque neste primeiro dia de festival. Os belgas Oathbreaker, que passaram por Portugal em novembro do ano passado, estão agora de regresso ao país trazendo ainda na bagagem o seu terceiro disco de estúdio Rheya, que trará o primeiro acto de black metal da noite do primeiro dia de festival e se antevê como um concerto do caraças. Tem início às 20h50 no Palco Sabotage. Também no Palco Sabotage atuam os belgas Amenra que, de regresso ao país e depois do black metal, pintam o palco principal com o seu hardcore pós-metal. Dois concertos a não perder para quem nunca apanhou estas duas bandas ao vivo.



No palco secundário o colectivo de filantropos português que aplica a geometria dos velhos ditados na vida e no sono - os ZARCO - começam a tocar pelas 21h40 e apresentam-se como uma boa opção para todos aqueles que não são fãs da música pesada. Melhor, só mesmo os lisboetas Wildnorthe que sobem ao Palco Tejo pelas 23h10 para um concertaço nas ondas da darkwave e minimal wave. Para quem não quiser espreitar Moonspell (às 23h40 no Palco Sabotage) tem ainda a possibilidade de (re)ver os portuenses Névoa, às 01h10, que apresentarão o disco Re Un (2016) e o EP Pale and Frail, He Stands (2017).




Os japoneses BO NINGEN sobem ao Palco Sabotage por volta das 01h40 e são mais uma das bandas em destaque neste primeiro dia de festival. O quarteto, que vem apresentar a sua música rock com pinceladas de noise e acid punk, apresenta em Santarém o seu mais recente disco de estúdio, III, que foi editado em 2014 pelo selo Stolen Recordings. Também no Palco Sabotage às 02h50 sobem a palco os portugueses SINISTRO, cuja sonoridade pode ser definida como um cruzamento entre o post-rock, a melancolia do fado e o doom, e que será um daqueles  concertos a não perder. Entre Bo NINGEN e SINISTRO acontece o concerto dos portugueses The Melancholic Youth Of Jesus, no Palco Tejo às 02h20. Fãs do post-punk já sabem o que têm de fazer. 




Já na reta final, este primeiro dia de festival recebe ainda os portugueses Two Pirates and a Dead Ship e 10.000 Russos que encerram ambos os palcos Tejo e Sabotage, às 03h30 e 04h00, respetivamente. As bandas trazem a palco os seus mais recentes discos The Worst is Yet to Come (2017) e Distress Distress (2017).



Os passes gerais para o festival têm um preço de 65€ e o bilhete diário pode ser adquirido por 40€. A troca dos bilhetes pela pulseira do festival está aberta a partir das 10h00 de sexta-feira (8 de setembro). As portas do festival abrem às 14h00. Podem adquirir os bilhetes aqui e encontrar todas as informações adicionais aqui.

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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Berlau apresenta "Meta-Sonorização. Em Diálogo com Ana Hatherly"


Meta-Sonorização. Em Diálogo com Ana Hatherly é o novo projecto de Berlau (Fernando Ramalho), com edição em CD prevista para este mês de setembro. A edição terá também uma dimensão gráfica, com a reprodução das partituras do exercício, num sistema de notação que procura igualmente seguir o método experimental de Hatherly.


Meta-Sonorização pretende dialogar com o trabalho da poeta Ana Hatherly – prolífica autora da chamada poesia experimental portuguesa –, designadamente com o seu "Livro IV – Meta-Leitura (1968-69)", incluído na obra Anagramático (Lisboa: Moraes Editores, 1970). Aí, Hatherly ensaia um exercício de construção e manipulação do texto poético, suprimindo sistematicamente parcelas de um texto-base, procurando reflectir sobre os impactos dessas operações no seu significado e integridade. Hatherly, no teorema que antecede o texto-base, afirma que "Ao nível do significado, um texto poético possui tal integridade funcional e é constituído por elementos de tal modo autónomos que suporta sem prejuízo as fragmentações mais sistemáticas".

Meta-Sonorização é um exercício semelhante, que procura aplicar a uma composição sonora o mesmo método e o teorema de Hatherly. Trata-se de um conjunto de oito faixas, em que a composição sonora-base (faixa 1) é, nas faixas seguintes, submetida à supressão de determinadas parcelas. Pretende-se, desse modo, pensar a forma como, à semelhança do texto poético, também os diversos elementos que integram uma composição sonora são suficientemente autónomos para produzirem significados próprios, sem que, com a sua supressão, a integridade da composição seja afectada.

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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Destroyer, Julia Holter e Valete confirmados no Mexefest

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Depois de no mês de junho terem sido anunciados os primeiros nomes para a nova edição do Vodafone Mexefest, Charles Bradley, os tão adorados Cigarettes After Sex e Aldous Harding, chegam agora mais notícias.

Destroyer, Julia Holter, Valete, ChildhoodPAULi são as novas confirmações do festival que invade a Avenida da Liberdade de 24 a 25 de novembro. 

Destroyer é Dan Bejar e está de volta a Portugal depois da sua atuação no NOS Primavera Sound em 2016. O artista traz na bagagem um novo álbum, Ken, sucessor de Poison Season (2015) e Kaputt (2011).


Tal como Destroyer, Julia Holter regressa ao nosso país depois de ter atuado no NOS Primavera Sound em 2016. A artista responsável pela melhor chamber pop da última década vem apresentar Have You In My Wilderness (2015) e Loud City Song (2013), dois dos álbuns que farão parte da setlist no concerto em Lisboa. 


Outro grande nome do panorama nacional que vai estar presente é Valete, rapper que regressou ao estúdio em 2017 para editar dois novos singles ,“Rap Consciente”, grito de revolta contra um rap plástico, sem alma nem mensagem, e “Poder”, tema dedicado ao seu pai faleceu em Abril de 2016.



PAULi vem de Brooklyn e já foi diretor musical de artistas como Jamie XX ou FKA Twigs e percussionista de Damon Albarn, Gorillaz e Bobby Womack. Agora a solo, o seu espetáculo faz-se da eletrónica que domina, da sua faceta enquanto songwriter e do seu talento como multinstrumentista. 

De Inglaterra vêm os Childhood, de guitarras em punho e com um gosto especial pela nostalgia. Enchem a sua música de um espírito groove e funk que nos transporta para a década de 1970, e trazem na bagagem o seu novo disco Universal High, editado este ano.

Os bilhetes para o Vodafone Mexefest encontram-se neste momento à venda nos locais habituais por 40€ até 31 de agosto, subindo para 45€ a partir de 1 de setembro.

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Oiçam: !??!??!


Dá pelo nome de ??!!?!!?.

Não pertence à terra.


Capturou um humano como refém, alguém que sofreu uma lavagem cerebral e não se lembra do seu nome. Tudo o que este humano sabe agora é a história de ??!!?!!?, que ele próprio lhe disse para contar. Apenas este "tradutor" entende a língua de ??!!?!!? e a única coisa que a sua espécie tem em comum com os humanos é a música.

A sua aparência é de um humano, mas esconde-se atrás da máscara do teatro veneziano Plague Doctor, doutores que tratavam da peste e que se diz que afastavam os espiritos desta por ser muito assustadora. Não tem qualquer influência músical terrestre mas o seu género musical é muito apreciado de onde vem. Doomwave, experimental e tribal são algumas das tags que podem ser encontradas no bandcamp de ??!!?!!?.

O primeiro disco de ??!!?!!? chama-se !​!​!​?​!​?​!​?​?​? e é constituído por 8 faixas instrumentais em que apenas uma, "??!XIV?!?", foi construída com o seu tradutor e não inteiramente por ele.


O novo disco de ??!!?!!? chama-se !??!??!, sendo desta vez um EP de 4 faixas. Apesar de ao ouvido humano parecer instrumental, consegue-se ouvir ??!!?!!? a falar na sua língua materna. O primeiro tema deste disco é uma introdução em código morse em português e está traduzida também para a lingua materna de ??!!?!!?Para quem se quiser dar ao trabalho de aprender esta língua tem agora uma bela oportunidade.

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Foto-reportagem: O ambiente de Coura

Num festival tão celebrado pelo seu ambiente, não podiamos deixar de vos mostrar a nossa visão do Vodafone Paredes de Coura, pela lente da Mafalda Vilela. As fotografias são analógicas.


















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terça-feira, 29 de agosto de 2017

Já são conhecidos os horários do Reverence Santarém



A quarta edição do Reverence arranca já na próxima semana estreando-se no Parque da Ribeira de Santarém, entre os dias 8 e 9 de setembro. Os horários de atuação dos artistas pelos dois palcos (Tejo e Sabotage) foram divulgados esta terça-feira (29 de agosto) e podem ser concultados abaixo.

Como principais destaques nesta edição, menciona-se o concerto dos históricos Gang of Four que toma lugar no palco Sabotage pelas 22h10 do dia 9 de setembro (sábado); neste mesmo dia e palco tocam também os suecos Träd, Gräs Och Stenar às 20h50, os japoneses Mono às 22h40 e os britânicos Esben And The Witch às 02h50. No primeiro dia de festival destaque para os concertos dos belgas Oathbreaker e Amenra às 20h50 e 22h10, respetivamente, e dos japoneses Bo Ningen às 01h40 no Palco Sabotage. Entre outras atrações destaque para os concertos com o selo Fuzz Club e ainda dos portugueses Névoa, que sobem ao palco Tejo às 01h10, na sexta-feira.


Os bilhetes para o festival podem ser adquiridos na bilheteira online e locais habituais. Os preços podem ser consultados abaixo. Todas as informações adicionais podem ser consultadas aqui.

Passe para os 2 dias:
55€ até 31 de agosto
65€ a partir de 1 de setembro
Bilhetes diários:
35€ até 31 de agosto
40€ a partir de 1 de setembro

Residentes nos Concelhos de Santarém e do Cartaxo:
Passe de 2 dias: 35€
Bilhete diário: 25€

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Mac DeMarco e Flaming Lips vão lançar um split EP


Wayne Coyne, dos Flaming Lips, anunciou no seu instagram que a sua banda e Mac DeMarco vão lançar um split EP, para o qual cada artista irá fazer 3 covers do outro. O anúncio é acompanhado de um curto vídeo em que o músico toca "Chamber of Reflection", de Mac DeMarco. O disco não deve demorar muito tempo a sair e vai possivelmente ser editado em cassete e vinil.

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John Maus anuncia novo álbum 'Screen Memories', partilha vídeo para novo tema


John Maus anunciou o seu primeiro disco em seis anos, depois de editar em 2011 o excelente e aclamado We Must Become The Pitiless Censors of Ourselves, assim como A Collection of Rarities and Unreleased Material em 2012. Screen Memories é o título do próximo disco de Maus a editar dia 27 de outubro via Ribbon Music, e o primeiro single já foi revelado. "The Combine" traz de novo as sonoridades hipnagógicas que caraterizam a música do artista americano, e o respetivo vídeo poderá ser visto em baixo.

Foi ainda anunciado uma edição de colecionador que irá compilar os cinco discos de John Maus desde 2006, assim como um sexto disco exclusivo intitulado Addendum, composto por 12 novos temas, e ainda um livro de 56 páginas com mais alguns extras, tudo disponível apenas em abril de 2018.

John Maus atua dia 1 de novembro na Galeria Zé dos Bois.





Screen Memories

The Combine
Teenage Witch
Touchdown
Walls of Silence
Find Out
Decide Decide
Edge of Forever
The People Are Missing
Pets
Sensitive Recollections
Over Phantom
Bombs Away

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domingo, 27 de agosto de 2017

Reportagem: Vodafone Paredes de Coura - 19 de agosto

Noiserv

O último dia do 25º Paredes de Coura começou ao início da tarde na Praia Fluvial do Taboão, com uma Vodafone Music Session de Noiserv. O conhecido músico português tocou 5 músicas ao piano, retiradas do seu último álbum. Algumas instrumentais, outras cantadas em português, as músicas, na qual usou, como habitualmente, loops, foram agradáveis e calmas. Apesar de não serem dos melhores trabalhos de David Santos, encaixaram bem no ambiente da praia e, como o concerto foi curto, não se tornaram repetitivas. Os concertos seguintes na zona do rio ocorreram no palco Jazz na Relva. Valter Lobo e This Penguin Can Fly não foram tão interessantes como Noiserv, mas entreteram os festivaleiros à tarde antes da subida ao palco do Governo Sombra.

No recinto também não faltaram concertos de artistas portugueses, com Toulouse e Manel Cruz a abrir os palcos. Depois foi a vez de White Haus, projeto de João Vieira (X-Wife). Assistimos a poucos minutos deste último concerto antes de nos deslocarmos para o palco principal, onde tocaram os Foxygen.


Foxygen

A banda deu no Primavera Sound um concerto muito teatral, onde houve coreografias de dança, lutas de espadas, flores e mais. Este ano contiveram-se mais em palco, o que levou a um concerto menos divertido e espetacular. A banda manteve, no entanto, a estética visual glam rock à anos 70.  Até houve tempo para uma troca de vestuário por parte dos vocalistas durante uma secção instrumental mais alongada. Este estilo caracteriza também algumas das suas músicas, que têm também traços psicadélicos e, mais recentemente, progressivos. O último álbum da banda tem algumas composições mais elaboradas e épicas, a fazer lembrar por vezes teatros musicais. A banda tocou esse disco, Hang, na totalidade, sem deixar de fora algumas canções de We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, incluindo "San Francisco" e "No Destruction". O vocalista Sam France foi comunicativo e engraçado e contribuiu para o ambiente divertido e positivo do concerto.


Alex Cameron

Alex Cameron já tocou mais vezes em Portugal, mas foi no palco secundário do Paredes de Coura que tive a oportunidade de o ver pela primeira vez. O cantor falou com o público, fez piadas sobre o seu amigo Roy, saxofonista, dançou e teve uma excelente presença em palco. Dedicou a música "The Comeback" aos Foxygen e tocou algumas do seu próximo álbum, Forced Witnessincluindo "Marlon Brando". Esta foi a última e melhor do concerto, um dos que teve o som melhor equilibrado em todo o festival.

Benjamin Clementine, cantautor britânico que alcançou um grande sucesso nos últimos 2 anos, pareceu encantar o público no palco principal. Não vimos muito do seu concerto, mas deu para perceber que faz um bom trabalho ao vivo e deve ter dado um bom concerto para os fãs da sua sonoridade. Não há como negar que tem talento e uma boa voz, mas decidi apostar no rock e fui cedo para o outro palco guardar lugar para Lightning Bolt.


Lightning Bolt

Os Lightning Bolt são um duo de noise rock explosivo e muito intenso. A banda apresentou um som de baixo distorcido e barulhento, que tornou mais difícil distinguir as melodias do que nas versões de estúdio (algo que não é necessariamente bom ou mau), e uma bateria frenética e poderosa. Enquanto tocava, o baterista cantava para um microfone incorporado na máscara que usava e incorporava a sua voz nas músicas como um instrumento e fonte de barulho, sem se sobrepor ao instrumental. As músicas foram muito focadas em ritmo e ruído e resultaram muito bem. Não faltaram headbangings, saltos e crowdsurfing. Foi um dos melhores e mais brutais concertos do festival.

O rock continuo no palco principal, com Ty Segall. Tem vindo todos os anos a Portugal e 2017 não foi excepção. Foi, no entanto, o concerto dele que menos me agradou entre aqueles a que assisti. Talvez por não ter estado na confusão das primeiras filas, talvez por ter sido logo após Lightning Bolt, mas pareceu faltar algo. Houve, no entanto, boas malhas e um bom trabalho de toda a banda, que se safou muito bem durante a troca de uma corda partida, aproveitada para uma secção instrumental alongada que culminou num solo. Ty chegou a trocar de lugar com o baterista durante uma música, fazendo lembrar os Fuzz, banda na qual toca bateria.


Foals

Não esperava muito de Foals, apesar de ser fã dos primeiros três discos da banda. Acabei surpreendido e agradado. O concerto começou de maneira razoável, mas apenas ficou interessante a partir da 3ª música, "Olympic Airways", seguida imediatamente por outro bom single, "My Number". A setlist foi composta por músicas dos vários álbuns, algumas melhores, outras piores, mas no geral foi bastante consistente. Entre os destaques estiveram "Spanish Sahara", na qual a banda se aventura pelo pós-rock, "Inhaler", com o seu riff excelente e pesado e "Two Steps, Twice", um bom final para o concerto. Os efeitos de luzes também estiveram bem, tal como algumas das imagens projetadas, com alguns efeitos a fazer lembrar a arte de Leif Podhajsky (e que possivelmente são da sua autoria, pois este fez o design da capa de Holy Fire) e outros a serem aplicados a filmagens de água, tornando-as bastante agradáveis. Quando eram usadas filmagens editadas do concerto, os efeitos não eram muito interessantes nem agradáveis. Yannis Philippakis deu tudo nas músicas mais intensas, como "Inhaler" e desceu para as grades durante "What Went Down".

Após o concerto, um duo de músicos cantou os parabéns ao festival e logo depois ouviu-se "All My Friends" dos LCD Soundsystem a passar nas colunas, acompanhada de confetti, bolas insufláveis e imagens projetadas nos ecrãs. Foi um momento muito bom e a música escolhida foi perfeita. Assim se celebra um aniversário.



Cantaram-se os parabéns, mas a festa continuou no after hours, com Throes + The Shine e, como não podia faltar, um DJ Set de Nuno Lopes

O Paredes de Coura deste ano foi um sucesso. O cartaz foi melhor do que nos últimos anos e houve uma grande variedade de bons concertos e géneros musicais. Ficou a faltar um concerto realmente excelente, mas a qualidade foi, em média, bastante alta. Há, no entanto, aspetos a melhorar. O palco principal precisa de um tapete a cobrir a terra, porque o pó torna as primeiras filas em certos concertos insuportáveis. O campismo teve condições melhoradas e, no geral, um bom ambiente, mas pareceu estar sobrelotado. No recinto, parte do público parecia só lá estar para fazer mosh. Há situações em que simplesmente não faz sentido fazer mosh e está-se apenas a incomodar quem está à volta, mas isso aconteceu repetidamente. 

Espero um campismo menos cheio e mais bons concertos em 2018. Talvez um regresso dos Queens of the Stone Age. O Paredes de Coura é um dos melhores festivais em Portugal e esperemos que continue no bom caminho. Cá estaremos para mais 25 anos.

Reportagem por: Rui Santos
Fotografia por: Hugo Lima

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