sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Porto Gothic Fest com Aeon Sable e Phantom Vision


Depois de no ano passado ter trazido a palco os belgas Star Industry, Dark Occvltation e Espelho Mau, o Porto Gothic Fest está de regresso à Invicta, mais precisamente ao Heaven's Bell trazendo a solo nacional os alemães Aeon Sable, que regressam à Invicta três anos depois. A abertura fica a cargo dos portugueses Phantom Vision, que abriram a edição de 2015 do Entremuralhas. O Porto Gothic Fest está agendado para 11 de novembro com início marcado para as 22h00.

Formados no final de 2008, os Aeon Sable apresentam uma sonoridade caracterizada entre os campos rock gótico e negro, com traços doom, new goth e esporadicamente metal. Inspirados pelos Bauhaus, The Systers of Mercy, Fields of Nephilim, The Cure, entre outros, os alemães editaram o seu disco de estreia Per Aspera Ad Astra em 2010 que os projetou com uma nova banda promissora na cena gótica. 


Aterram em Portugal a 11 de novembro para um concerto que com primeira parte assegurada pelos Phantom Trio, banda formada e liderada por Pedro Morcego desde 2010, cuja música se encontra classificada no circuito da batcave.


Os bilhetes para os concertos já se encontram à venda na Piranha, Heaven's Bell e Boca de Cena (além do formato online) tendo um preço de 12,50€. Comprados no dia passam a custar 15€. 

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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Manel Cruz e Songhoy Blues confirmados no Vodafone Mexefest


Manel Cruz e Songhoy Blues são as novas confirmações do festival Vodafone Mexefest que vai acontecer nos dias 24 e 25 de novembro na Avenida da Liberdade, em Lisboa.

O português Manel Cruz, líder de inúmeros projetos icónicos da cena musical portuguesa como os inconfundíveis Ornatos Violeta, Foge Foge Bandido, Pluto ou os Supernada, chega com uma música nova, “Ainda Não Acabei”, que irá fazer parte do seu novo disco que será lançado em 2018.



Os malianos Songhoy Blues voltam a Portugal depois de terem estado no Palco. do festival NOS Primavera Sound com a sua música alegre e dançável onde pretendem continuar a mostrar as músicas do seu album mais recente, Résistance.

Para além destas confirmações chegam más noticias do lado da organização com o anuncio do cancelamento do concerto de Charles Bradley uma vez que foi lhe foi diagnosticado um cancro no fígado.

Os bilhetes para o Vodafone Mexefest encontram-se neste momento à venda por 45€ nos locais habituais. O Vodafone Mexefest continuará a divulgar mais nomes para a atual edição num cartaz que já conta com nomes como Julia Holter, Destroyer, Aldous Harding e Cigarettes After Sex, entre outros.

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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Reportagem: ENTREMURALHAS 2017 [Castelo de Leiria] - 2º dia


O segundo dia do Entremuralhas é o primeiro a garantir acesso aos majestosos palcos Igreja da Pena e Alma e também o primeiro a dar acesso aos trabalhos dos artistas selecionados para o Muralhartes (Batjoy, Simão Matos, Maria João Faustino e João Pombeiro). Esta sexta-feira (24 de agosto) foi também o primeiro dia do festival a ter uma substituição de cartaz, uma vez que os TWA Corbies, outrora anunciados, cancelaram o concerto, tendo sido prontamente substituídos por Simone Salvatori, mentor dos Spiritual Front. Os concertos do dia, com início previsto para as 18h00 traziam assim a palco o italiano Simone Salvatori - a revisitar as canções dos Spiritual Front -, a estreia em território nacional dos franceses Dear Deer, Bärlin, Vox Low e Perturbator e ainda o regresso dos ingleses In The Nursery, 10 anos depois de terem tocado em Leiria, no FadeInFestival 2007.

Simone Salvatori

SIMON SALVATORI

A guitarra acústica de Simone Salvatori e a sua voz forte marcaram este início de segundo dia, abrindo o palco Igreja da Pena com "We Could Fail Again" e uma energia contagiante. Simone Salvatori é o vocalista e mentor dos Spiritual Front (banda que já passou pelo Entremuralhas em 2013) e, a repetir a dose de festival gótico desta vez a solo, trazia na bagagem as músicas dos Spiritual Front prontas para serem ouvidas com tonalidades acústicas. Sempre com um ar muito simpático Simone Salvatori foi tocando temas como "We Could Fail Again", "Odete", "Jesus Walked The Deadline", "Darkroom Friendship" e "Dear Lucifer", esta última a trazer à memória a performance de King Dude o ano passado no Palco Alma, não só pelas intervenções com o público, mas também pela semelhança do timbre vocal. Como não vinha acompanhado de banda, Simone Salvatori recorreu a uma instrumentação pré-gravada para enriquecer a sonoridade resultante da sua performance a solo. "Autopsy Of A Love" e "Cold Love In A Cold Coffin" foram duas das músicas que dispensaram os acordes, munindo-se apenas da voz, pandeireta e claro está, da sua música folk niilista enriquecida em expressões corporais.

SIMON SALVATORI

"Tenderness Through Violence", música apresentada como o novo tema do futuro novo disco ditava, assim, um  final de concerto próximo embora nunca fizesse Simone Salvatori ceder ao cansaço. Sempre de um lado para o outro do palco o músico aproveitou para se despedir do público português deixando os seus sinceros agradecimentos à staff da Fade In. "Bastard Angel" fez-se ouvir como música de encerramento do certame. As palmas já haviam sido muitas mas não expectável seria o salto de Simone Salvatori do palco para o público, nesta última canção, em jeito de agradecimento. Os sorrisos estampados nos rostos da maioria do público não passaram indiferentes às objetivas indiscretas dos fotógrafos. Um tiro certeiro e uma substituição completamente bem recebida por todos os que subiram até à Igreja da Pena antes das 18h50.

SIMON SALVATORI

Dear Deer

DEAR DEER

Os franceses Dear Dear subiram a palco uns minutos mais cedo que a hora prevista para apresentarem a sua bombástica mistura sonora de elementos da música industrial, post-punk, no wave e noise. Com Oh my... (2016) na manga, duas máscaras reluzentes e vermelho e preto como cores de fundo, os Dear Deer apresentavam "Snail", faixa de abertura do disco de estreia, como também tema de abertura deste primeiro concerto em solo nacional. Numa entrada a fazer lembrar Virgin Prunes, os Dear Deer despiram-se de máscaras para se apresentarem em formato homónimo com o single "Dear Deer" que colocou logo as expectativas altíssimas. Claudine Sabatel e Federico Lovino já tinham mostrado em estúdio que a sua guitarra abrasiva e baixo purpulsante apresentavam uma presença denotada na sonoridade resultante, em palco tiveram uma performance poderosa, ainda mais contagiante e envolvente. 

DEAR DEER

Após "Arnolfini" e alguns pedidos de aumento de voz e baixo, os franceses mostraram um tema novo ao público do Entremuralhas: "Jog, chat, work & gula gula". Entretanto Federico Lovino põe a tocar uma pré-composição de uma música errada, ao qual Claudine Sabatel responde quase instantaneamente "no, wrong" com um sorriso na cara e uma respiração já um pouco ofegante. Segue-se "Klamca" e vêem-se vários elementos do público a sentir o som pelas ruínas da Igreja da Pena. Para não fazer perder os ânimos do público os Dear Deer tocam a estridente "Czekaj na nas !" e torna-se impossível não abanar o corpo (assim está bem!). Depois da performance de mais um novo single, "Disco Discord", a dupla termina a música a olhar um para o outro fixadamente durante uns bons segundos. Isto serviu de mote para a introdução da próxima música, "Tvd", single que, segundo a vocalista Claudine Sabatel, a fazia chorar. Após "Ozozooz", a dupla afirmou que só faltavam mais duas músicas para o concerto acabar porque eles precisavam de ir beber cerveja. Para fechar o dito por muitos "melhor palco do mundo" ouviram-se ainda "Clinical / physical" e o hit "Claudine in Berlin". 

DEAR DEER - PUBLICO

Pessoalmente, achei o concerto bastante bem-sucedido até porque normalmente não costumo gostar muito dos concertos das bandas que fecham o Palco Igreja da Pena. Os Dear Deer surpreenderam-me e, mesmo apesar da Igreja da Pena não ter espaço suficiente para viver um concerto destes na experiência perfeita, fez uma simulação muito semelhante.
Bärlin

BÄRLIN

Depois da habitual pausa para jantar (no horário das 20h00 às 21h00) os Bärlin subiram a palco para trazerem ao Entremuralhas aquele que viria a ser o concerto da noite (e provavelmente de todo o festival) para muitos. Em formato trio, e além dos temas de Bärlin (2012) e Emerald Sky (2015), os gauleses presentearam os espetadores do Entremuralhas com novas músicas. A primeira delas, "Swans", que serviu de abertura de concerto, começava ali a fazer estremecer não só as muralhas, mas também o coração do público. Sendo mais uma das estreias em território nacional, e um dos nomes a aparecer em letras pequenas no cartaz, isso não deixou a banda de Clément Barbier (voz/clarinete), Laurent Macaigne (baixo, voz secundária) e Simon Thomy (bateria, voz secundária) sentir-se intimidada, atestando o palco com um baixo poderoso, uma percussão certeira e uma voz diluída entre os territórios de Nick Cave e Antony Hegarty (Anohni). 

BÄRLIN

Com "Revenge" a fazer escutar-se entre as muralhas do castelo já era notório nos rostos dos músicos que aquele concerto prometia ser incrível. Com o ritmo marcado Clément Barbier iniciou o single com uma voz rasgada e uma dança aqui e ali entre percussão e baixo. Fez-se uma pequena "pausa" no castelo e o vocalista delicia o público com a sua incrível prestação no clarinete. Segue-se o baixo de Laurent Macagaine, a marcar território pela sua abordagem guitarrística,  a bateria seca de Simon Thomy e entretanto já está Clément Barbier a fazer ecoar os primeiros berros que anunciam o fim deste malhão. São inúmeros os aplausos, sorrisos e braços no ar que reagem emocionados a esta performance em palco extremamente dominadora. Após "Deer Fight", um "we don't speak much" e vários "thank you" os Bärlin tocam a enorme "Morphine" para o público do Alma, sabendo atingir cada um dos espectadores como nenhuma banda até então tinha feito. 

A música dos Bärlin é altamente contagiante, é uma música completamente artística e de tonalidades inventivas, pela conjugação exímia dos ritmos do post-rock, jazz, low-rock, entre outros. Com "Sins" a escutar-se, e depois de uma espécie de spoken-word de Clément Barbier, foi quando os ânimos do público começaram a mostrar-se mesmo mesmo ferverosos. E obviamente que aquela lágrimazinha ao canto do olho acabou por surgir. Com tanta emoção no ar, tinha de surgir a "Sailor Song", obviamente. E que tiro certeiro que foi, leitores. Estão a ver quando a vossa música preferida toca depois de já estarem ali a chorar de emoção com as músicas que a antecederam? Bem os Bärlin estavam a fazer a setlist perfeita e ninguém queria que aquele concerto acabasse (voltem para o Entremuralhas, por favor). 

BÄRLIN

As projeções que acompanharam a performance dos Bärlin intercalavam entre as duas capas dos discos, e ambas luz e som não mereceram nenhum reparo. Sempre com um olhar fixado no horizonte (à excepção de quando intervinha com o público) Clément Barbier foi cantando, por vezes com recurso ao altifalante, temas como "Der Graf", "Primus" e "At The Black Horse Inn" preparando assim o público para uma miserável notícia, o fim do concerto. Já menos nostálgicos fizeram arrancar "Sleepwalker" para fechar a sua magnífica performance de estreia em palcos nacionais. 

Ouviram-se aplausos como nunca, muitos assobios, gritos de felicidade e, bem, notava-se claramente que os Bärlin estavam super felizes connosco (melhor público de sempre), e contentes com a sua prestação, de tal modo que até Laurent Macagaine pegou no seu smartphone para gravar uma recordaçãozinha do público em delírio do Entremuralhas. Clément Barbier fartou-se de agradecer a todo o staff da Fade In e claro está, a todos nós. (Como não adorar?) Foi tão bonito que nenhuma palavra fará jus ao que se sentiu no Castelo de Leiria até às 22h05. Obrigada Bärlin, obrigada novamente Fade In e obrigada público maravilhoso, por toda a experiência proporcionada.

BÄRLIN

In The Nursery

IN THE NURSERY

Depois de Bärlin era hora de ir procurar um lugar estratégico para ver um dos grandes nomes do cartaz, os históricos In The Nursery. Antes de subir castelo para ir ver Bärlin encontrámos, completamente ao acaso, os In The Nursery, perto do antigo Beat Club, a entrar numa carrinha. Estávamos a caminhar tranquilos mas eu não pude conter a minha excitação e comentei um bocado alto que eram os In The Nursery. O ponto alto da história, foi quando um membro da Fade In nos perguntou se queríamos boleia até ao castelo (sim no mesmo carro com os In The Nursery), e eu toda tímidazinha e um bocado em pânico recusei (Por favor não me julguem eu não consigo lidar com "famosos" sem ser awkward). Ainda fiquei 2 segundos reticente, mas achei que seria miserável contar-vos sobre a possível conversa com os In The Nursery na carrinha até ao castelo. Fica para a próxima.

Então voltando ao concerto, que estava agendado para as 22h30 no Palco Alma, este teve um início muito aguardado. Notava-se claramente que o público ansiava pelo espetáculo quando se desligou a música de fundo e estavam as luzes apontadas para o palco. Ouvia-se uns "chius" aqui e ali, viam-se bolas de sabão no ar, mas ainda tivemos de esperar cinco minutos para finalmente os irmãos Klive e Nigel Humberstone subirem a palco, acompanhados de um percussionista, para tocar "Rainhall" como introdução. Deu para sentir que aquele era um momento claramente histórico e, antes da performance de "Crepuscle", entrou em palco mais um elemento fundamental, a vocalista Marguerite Dolores C., detentora de uma alegria contagiante. A fechar o tema, já nos aplausos, Marguerite soltou um "obrigado Leiria", admitindo que a última vez que tocaram na cidade tinha sido há dez anos atrás no FadeInFestival, em 2007.

IN THE NURSERY
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"Lectern" serviu para aguçar o apetite dos fãs do post-punk, abrindo portas a uma segunda parte do concerto que se esperava ser poderosa. Os irmãos iam mudando de instrumentos e assumindo, alternadamente, novas posições no palco (enquanto Marguerite Dolores C. saía e entrava em cena consoante a setlist) para tocarem singles como "Bombed", "Mystery", "Stone Souls" e o enorme clássico "Artisans of Civilisation" que mostrava uma enorme massa de público a aderir ao ritmo. Agradecendo ao público pela envolvência, e já com um concerto a aproximar-se do fim, os In The Nursery apresentaram "A Rebours (Against Nature)" como música precedente e um concerto a caminhar para uma veia mais industrial. Depois de alguns minutos de avanço, a banda inglesa, e todo o público presente, experienciaram uma falha do software que comprometeu a performance dos restantes músicos. Marguerite Dolores C. foi a primeira a pedir desculpa acrescentado que não poderiam tocar sem a instrumentação base, pois o resultado final não seria o mesmo. Entretanto foi falando com o público até que a situação se resolvesse. Já em "Cobalt", não se deixando intimidar pelo sucedido, os britânicos mantiveram a sua postura muito profissional conseguindo voltar a surtir entusiasmo entre os espetadores presentes. O concerto acabou pelas 23h40, com "L'Espirit" a tocar como música de despedida.

IN THE NURSERY

Vox Low

VOX LOW

Os franceses Vox Low ficaram responsáveis pela abertura do palco principal neste segundo dia de festival, por volta das 00h00. A banda, cuja sonoridade pode ser descrita como "uma fusão perfeita entre krautrock e música eletrónica de toada sombria", assinalava mais uma das estreias em território nacional, trazendo na bagagem o EPs Trapped On The Moon (2016) e I Wanna See The Light (2016), entre outros singles lançados de forma independente. No palco a horas, em formato quarteto, os Vox Low começaram por tocar o já conhecido single "Now, We're Ready To Spend" (2014) e por deixar o resto ao critério do público. Com uma interação com o público reduzida (além da comunicação corporal e musical), os Vox Low vieram ao Entremuralhas para projetar a sua sala de ensaios como uma experiência ao vivo. Como já era esperado seguiu-se "Baby Brown" e o guitarrista junta-se temporariamente a Jean Christophe Coudrec para fazer a voz secundária e ajudar nos sintetizadores, enquanto o público aquece para ouvir os temas mais conhecidos. 

VOX LOW

A música dos Vox Low consegue ser quase tão boa ao vivo como é em estúdio, até porque as pausas entre  canções são mínimas e a sonoridade resultante não foge muito às composições conhecidas em casa. No Palco Corpo vão-se ouvindo "Trapped On The Moon" e "The Hunt" e um público bem mais preocupado em curtir o som do que avaliar a prestação dos músicos em palco. A fechar o concerto com "Something Is Wrong", os Vox Low finalizaram em grande a sua performance de estreia no Entremuralhas, recebendo inúmeros aplausos e assobios de um público que aparentemente desfrutou do espetáculo.

VOX LOW

Perturbator

PERTURBATOR

As primeiras interações com James Kent, a cara por trás de Perturbator, começaram para muitos festivaleiros já na quinta-feira, uma vez que o músico chegou mais cedo a Leiria, aproveitando para desfrutar do festival. Na sexta-feira também, quem o reconheceu, pôde facilmente cumprimentá-lo pela Igreja da Pena e arredores, uma vez que ele andava por lá com o seu característico casaco de carapuço metido.

Marcado para as 01h30, o live set de Perturbator começou por se fazer ouvir no Palco Corpo pelas 01h26. O músico entrou inicialmente em palco para colocar uma introdução, sendo que o abandonou de seguida, enquanto o espetáculo de luz começava a surgir. O público, composto por uma massa mais jovem que a do público de quinta-feira, esperava ansioso, de pé na "plateia", pela entrada definitiva em palco de Perturbator. Cerca de dois minutos após a introdução do concerto, James Kent despede-se dos seus colegas que o acompanhavam em tour para subir a palco e fazer oficialmente a sua estreia em território nacional.

PERTURBATOR

Uns segundos a mais de espera e ouve-se pelo Castelo de Leiria "Neo Tokyo", retirada do seu mais recente disco e sucesso de vendas The Uncanny  Valley (2016). Furor no castelo, imensos braços no ar e aplausos, vários gritos de felicidade, centenas de pessoas junto às grades e um concerto muito esperado pelos fãs do Hotline Miami e, obviamente, da retrowave/synthwave. Fazia-se já ouvir "Disco Inferno" e dançar era a palavra de ordem no sistema nervoso da maioria do público que estava ali presente corpo e alma. Aquele espetáculo de luzes (como nunca vi nenhum igual) foi um dos pontos altos da noite, fez-me lembrar aquelas viagens de luz e som simuladas para tentar perceber o funcionamento interno de um computador, só que aqui era mesmo real. Com a pontaria de rei, James Kent inicia "Future Club" e tudo faz sentido naquela performance, toda a minúcia de escolher as músicas da setlist a dedo conseguiram fazer daquele espetáculo um dos enormes desta edição de 2017. Nunca a expressão "dar tudo" teve tanto sentido. Quase que podia dizer que as muralhas do Castelo até estremeceram com tanta luz e som, mas acreditem que estava tudo muito bem e todos muito seguros. E estávamos a entrar na época dos clássicos ("She Is Young, She Is Beautiful, She Is Next", "Sexualizer", "Humans Are Such Easy Prey") da discografia do produtor francês, como não adorar? 

PERTURBATOR - PUBLICO

Com o concerto a aproximar-se do fim e a ouvir-se "Tactical Precision Disarray", retirada do novíssimo EP New Model (que tem edição física para outubro), Perturbator fazia o público sentir toda aquele ambiente de forma incrível. Estava ali mais um dos grandes concertos do Entremuralhas e, definitivamente, o melhor para os muitos que se deslocaram até ao festival para ver Perturbator. "She Moves Like A Knife" encerra o concerto e, quem ficou até ao fim, pede mais. Não podia acabar ali, tinha de haver mais

De regresso a palco, o clássico "Welcome Back" serve de introdução para o definitivo encore com "Perturbator's Theme", estava assim encerrado o segundo dia do Entremuralhas. E que enorme dia senhores!

PERTURBATOR - PUBLICO

Curiosamente o concerto de Perturbator não estava tão cheio como eu tinha especulado à priori. Em conversa posterior com amigos (estamos todos na casa dos 20-30) chegamos à conclusão que a música de Perturbator possivelmente não é tão atrativa para um público mais experienciado e da era da música "analógica", como é para nós que nascemos e crescemos na era digital. Uma vez que o público do Entremuralhas é, maioritariamente, um público imigrante digital (possivelmente na casa dos 35-60), é compreensível que não se sintam tão fascinados por este tipo de música. Mas calma, isto são tudo só teorias. 

O segundo dia de festival estava assim encerrado. Dos seis concertos agendados apenas um teve direito a encore. Ao todo, neste segundo dia, subiram um total de 15 músicos a palco.

ENTREMURALHAS 2017 - DIA 2


Texto: Sónia Felizardo
Fotografia: Virgílio Santos

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Woodentops passam por Portugal em novembro


Os britânicos Woodentops vão passar por Portugal a 4 de novembro para um concerto único a ter lugar no Hard Club, Porto. A banda, que conseguiu alcançar um grande sucesso crítico num curto período temporal, graças à sua filosofia D.I.Y. do punk, aplicada ao pop acústico, vem agora ao Porto consolidar 34 anos de carreira, apresentando ao vivo ainda três dos membros fundadores. 

Formados em 1983 na Inglaterra por Rolo McGinty (vocalista, guitarra), Frank de Freitas (baixo), Simon Mawby (guitarra), Benny Staples (bateria) e Alice Thompson (teclados), a banda lançou o single de estreia, "Plenty", que, posteriormente, levou a um contrato com a Rough Trade. O grupo lançou seu aclamado disco de estreia, Giant, em 1986. O mais recente disco da banda é Granular Tales.

O concerto dos Woodentops tem a abertura a cargo dos alemães Holygram, que se estreiam em Portugal para apresentarem o EP homónimo Holygram. Os concertos têm selo da At The Rollercoaster. Ainda não são conhecidos os preços dos bilhetes.

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terça-feira, 5 de setembro de 2017

4ª edição do Black Bass - Évora Fest anunciada


O festival eborense Black Bass - Évora Fest está novamente de volta este ano, mais concretamente nos dias 16, 17 e 18 de novembro, celebrando-se aqui a quarta edição desta enorme festa organizada pela Pointlist. À semelhança do ano passado, o primeiro dia do Black Bass ("dia zero") vai acontecer na Sociedade Harmonia Eborense, enquanto que os restantes dias irão decorrer na já habitual SOIR - Joaquim António D'Aguiar.

O cartaz deste ano irá ser constituído por 13 bandas e 6 djs, com a temática característica do Black Bass, que consiste principalmente (mas não só) no psych/garage/surf rock nacional. 

A entrada para o primeiro dia do festival irá ser grátis para os sócios da Sociedade Harmonia Eborense, sendo que os não-sócios pagam 3 euros de bilhete. O preço do passe para os restantes dois dias do Black Bass ainda irá ser anunciado, assim como os primeiros nomes a passar por esta festa alentejana. 


Todos os cartazes são da autoria de "A Cristina Faz"

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STREAM: Perturbator - New Model EP


Depois de ter feito a sua estreia em território nacional, na edição de 2017 Entremuralhas, o francês James Kent - o homem por trás de Perturbator - está de regresso aos trabalhos de estúdio com o EP New Model, que vem dar sucessão ao muito aclamado e sucesso de vendas de The Uncanny Valley (2016), já se encontrando disponível para audição na íntegra.

Este novo EP tinha data de lançamento agendada para 20 de outubro, mas como Perturbator vai ingressar uma tour norte-americana em promoção do novo trabalho, acabou por antecipar a edição digital do registo para esta terça-feira (5 de setembro). Segundo press-release New Model foi "composto em formato surpresa, seguindo rapidamente os calcanhares de The Uncanny Valley e explorando os circuitos sombrios e deslizantes no cerne da vida moderna." New Model  tem uma duração aproximada a 34 minutos e meio, num total de seis faixas que guiam o ouvinte a uma odisseia distópica.

New Model EP é editado digitalmente a 5 de setembro pelo selo Blood Music. A edição física do disco está apontada para 20 de outubro também pela Blood Music



New Model EP Tracklist:

1. Birth of the New Model 
2. Tactical Precision Disarray 
3. Vantablack 
4. Tainted Empire 
5. Corrupted by Design 
6. God Complex

 

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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Reportagem: ENTREMURALHAS 2017 [Castelo de Leiria] - 1º dia



O Entremuralhas voltou a cobrir de negro o Castelo de Leiria no passado fim-de-semana entre os dias 24, 25 e 26 de agosto, para a sua oitava edição. Este primeiro dia de festival (quinta-feira, 24 de agosto) trouxe a palco quatro bandas: o espanhol Ramos Dual (o nome extra que totalizou como 16 os nomes a presentearem o cartaz deste ano); os californianos Bestial Mouths e os franceses Position Parallèle, ambos em estreia absoluta em território nacional e, ainda, um dos maiores nomes de culto nacionais e cabeças de cartaz do dia, os Pop Dell'Arte. Com acesso vedado aos palcos Igreja da Pena e Alma e início marcado para as 21h00, a oitava edição do Entremuralhas começava ali a fazer história, mesmo apesar deste primeiro dia ser o menos "popularizado" e após os três cancelamentos que avassalaram as semanas antecedentes ao festival.

Ramos Dual

RAMOS DUAL

Não vos sei precisar a que horas arrancou esta oitava edição do Entremuralhas (foi a primeira em que não consegui estar presente à hora marcada), mas posso garantir que o concerto do Ramos Dual foi uma surpresa tamanha para quem chegou ao Castelo por volta das 21h00 e para quem, como eu, só apanhou aproximadamente metade do concerto. Em formato duo, o espanhol Ramos Dual fez-se acompanhar por uma teclista, em apresentação do seu mais recente disco de estúdio DrumSolo (2017), tendo aberto o concerto com a "Intro (Haendell's Sarabande)". Quando cheguei ao Castelo, por volta das 21h30, já se fazia ouvir, há algum tempo, no Palco Corpo, o single "Búfalo Dron" e um concerto que da porta de entrada se apresentava já como muito promissor. Música das ondas techno, industrial e com tons punk não é um habitué na abertura do festival Entremuralhas, mas claro está, a imprevisibilidade é uma das características que tão bem define a Fade In, e isso torna cada edição do festival sempre tão especial. Este concerto do Ramos Dual e companhia veio denotar isso mesmo e, além de abrir os ânimos aos mais tímidos, também soube colocar o público a dar os seus primeiros saltos de dança. "Freedom Banzai Revolution" foi outro grande malhão presente na setlist que surpreendeu e colocou o público a interagir com a dupla na parte no refrão. 

RAMOS DUAL

Bem, eu fiquei estupefacta porque, para já, não estava à espera que Ramos Dual fosse tão poderoso e cheio de energia ao vivo e, depois, a artista que o acompanhava nos sintetizadores fez com que toda aquela performance ganhasse um toque mágico. Após "Tu Mundo Es Us Theremín De Mentiras Y Sexo", o multi-instrumentista e compositor de Córdoba, começou por pôr a tocar a base rítmica da música errada. Sem se deixar intimidar com o sucedido faz arrancar o enorme "Noise De Bichos In Ya Head" que conseguiu pôr a pequena multidão num delírio semi-contido. O ponto alto do concerto (do infelizmente pouco que vi) foi definitivamente este final, onde a treclista deu tudo no seu Teremin deixando, inclusive, Ramos Dual com um ar de espanto. Um malhão de etherwave que tão depressa não se fará esquecer na memória dos que rumaram a Leiria no último fim-de-semana de agosto.

RAMOS DUAL

Assim em retrospetiva, só tive pena que não se tivesse ouvido "Nada Importa Tanto" no Castelo de Leiria, que foi uma daquelas músicas que saltou logo a atenção do ouvido em formato estúdio. Em síntese, Ramos Dual deu um espetáculo de estreia mesmo porreiro pah, com boa luz e som que aguçou as expectativas para o segundo nome que se estrearia em Portugal, ali: os californianos Bestial Mouths.

Bestial Mouths

BESTIAL MOUTHS

Bestial Mouths era, à priori, um dos concertos mais promissores desta primeira noite. Além de ser uma das estreias em território nacional, a artista Lynette Cerezo - detentora de uma voz poderosa com timbre a trazer comparações a artistas como Diamanda Galás e Lydia Lunch - juntamente com os sintetizadores de Lisa Cuthbert e a bateria de Ara Vbs (que tão icónicos vídeos têm vindo a  publicar no Youtube), tinham conseguido elevar as expectativas de todos aqueles que apostavam em Bestial Mouths como um dos concertos a destacar nesta edição do Entremuralhas
Por volta das 22h10 o trio subia ao Palco Corpo abrindo a performance com o single "Witchdance" retirado do seu mais recente disco de estúdio (Still)Heartless (2017). E com este início tão disforme ao vivo, sem aqueles gritos iniciais e característicos da voz de Lynette Cerezo em estúdio o concerto começava a ficar comprometido. Mesmo após começarem a ecoar as primeiras batidas de "Greyed", o concerto dos Bestial Mouths já via o seu desenvolver ditado. Assim que se ouviram os primeiros timbres da vocalista era notória a incompreensão constante das palavras por esta evocadas, incompreensão essa que se foi mantendo constante com o volver do concerto. Lynette Cerezo mostrava-se pouco comunicativa com o público e nem grandes hits como "Worn Skin" ou "Heartless" conseguiram fazer jus ao seu enriquecido tom vocal em estúdio. O público aplaudia esporadicamente aqui e ali mas sem um grande entusiasmo envolvido. 

BESTIAL MOUTHS

Apesar de breve (teve uma duração aproximada a 40 minutos), o concerto de Bestial Mouths foi, na minha opinião pessoal, o concerto mais fraco desta edição do Entremuralhas. Contudo creio também que, para aqueles que não escutaram nada em estúdio da artista, antes de assistir ao concerto, a experiência tenha sido boa. "Faceless" encerrou a performance dos canadianos que abandonaram o Palco Corpo imunes de sorrisos e com uma expressão facial apagada.

Position Parallèle

POSITION PARALLÈLE

Os franceses Position Parallèle foram a terceira e última banda a marcar a sua estreia em território nacional neste primeiro dia do festival. Com concerto agendado para as 23h00 a dupla, liderada pelo vocalista Geoffroy Delacroix (Dernière Volonté), subiu a palco pelas 23h16 para aquele que viria a ser o melhor concerto deste primeiro dia de festival gótico (e definitivamente o mais atendido). A banda trazia ao público do Entremuralhas o seu mais recente disco En Garde À Vue (2017) e uma mão cheia de hits que caracterizam a sua ainda pequena discografia. Uma indubitável pedrada no charco que não deixou quase ninguém indiferente. Em grande destaque ficou a performance do vocalista Geoffroy Delacroix que conseguiu entreter de início ao fim uma multidão faminta por diversão. As suas danças ocasionais, com diferentes gestos e ritmos também contribuíram para ajudar à festa. 

POSITION PARALLÈLE

Apesar de não ter apontado a setlist da banda (bem aquele concerto foi para dançar do início ao fim) e uma vez que esta não foi oficialmente divulgada, de uma forma resumida posso garantir que  os Position Parallèle tocaram no Palco Corpo malhões como a "Hotel Du Nord", "Mon Plus Bel Echo", "Néons Blancs", "Pass Par Issi", "Quelques Aiguilles", "Pop Mortem", "Si Je Te Croise", "Par La Fenêtre" e "Mort ou Vif", entre inúmeras outras. 
A única coisa a apontar foi a projeção que durante o concerto apresentou alguns erros que acabaram por intreferir com a experiência total do espetador. 

POSITION PARALLÈLE

O concerto dos Position Parallèle foi também o primeiro concerto do festival a ter direito a encore e o único deste primeiro dia. Foi ainda o concerto mais aplaudido da noite. Que voltem em breve! 

Pop Dell'Arte

POP DELL'ARTE


Os míticos Pop Dell'Arte foram os responsáveis pelo encerramento do primeiro dia de festival. Previstos para as 00h00, João Peste (vocalista e membro fundador) e companhia ingressaram palco por volta das 00h18 para um concerto antológico a revisitar 32 anos de carreira. Apesar da massa de público ser menos notória que a dos antecessores Position Parallèle, (em conversas paralelas com os festivaleiros deu para perceber que Pop Dell'Arte é aquilo tipo de banda em que não há meios termos, isto é, ou se gosta ou não se gosta) fez-se ouvir "En Kphth (Em Creta)" no Palco Corpo, como música de abertura. Embora não tenha sido suficientemente forte para atrair novos espetadores, os Pop Dell'Arte começaram por encher os corações daqueles que estavam ali, de pé, a escutá-los em formato ao vivo. Findada a abertura, João Peste interviu com o público para dedicar a segunda canção do concerto, intitulada de "A New Identity", aos Tuxedomoon, banda que viu cancelada a sua atuação no Entremuralhas 2017, devido à morte do baixista Peter Principle, e da qual João Peste afirmou como influência. Foi bonito ver uma banda do cartaz a compreender e a também expressar uma tristeza compartilhada com o público do mesmo espaço físico. Entre "Panoptical Architecture for an Empty Street", e "Loane & Lyane Noah", o público foi brindado com a performance poética e cativante de João Peste e  uma percussão intensa levada a cabo por Ricardo Martins (Cangarra, Papaya, Adorno, Lobster). Pelo meio fez-se ainda ouvir "Sonhos Pop".

POP DELL'ARTE

Após "Rio Lane" João Peste balbuciou um "Obrigado. Vocês são fixes" e apresentou uma nova música a integrar o disco Panoptical Days, que segue ainda sem data de avanço oficial. Um dos pontos altos do concerto (ou que pelo menos ainda é visível na memória) foi a performance da música "La Nostra Feroce Volontá D'Amore". Para que percebam melhor o meu ponto de vista convém referir que eu era o tipo de público que conhecia muito pouco de Pop Dell'Arte em estúdio e que estava ali a ter o meu "quase primeiro contacto" com a banda. Convém também referir que já nesta música me estava a tornar no tipo de público que gosta de Pop Dell'Arte. E eu gosto de coisas líricas, sempre gostei. Então esta música foi do tipo a cereja no topo do bolo. Com a "Freaky Dance" - e um concerto a aproximar-se do fim-, embora se notasse um esvaziamento constante de público, os Pop Dell'Arte pareciam bastante felizes por estar ali. "Querelle" foi a música escolhida para encerrar a estreia dos Pop Dell'Arte no Entremuralhas. Por incrível que pareça a banda  voltou a palco para se despedir oficialmente com os singles "Anominous", "Mr.Sorry", "Juramento Sem Bandeira", "Poppa Mundi" e "Poligrama". Não o melhor do dia, mas sem dúvida um concerto especial.

ENTREMURALHAS 2017 - DIA 1

O primeiro dia do Entremuralhas foi o dia que teve menos público dos três dias de festival. Neste dia subiram a palco um total de onze músicos.

Texto: Sónia Felizardo
Fotografia: Virgílio Santos

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Out.Fest com cartaz encerrado. Black Dice e Charlemagne Palestine entre as novas confirmações


O cartaz da 14ª edição do Out.Fest - Festival Internacional de Música de Música Exploratória do Barreiro encontra-se oficialmente fechado. O certame que se encontrava já preenchido com os Pere Ubu de David Thomas e os regressados This Heat, agora This Is Not This Heat, foi hoje encerrado com os últimos nomes da próxima edição a decorrer de 4 a 7 de outubro. Entre eles encontram-se os norte-americanos Black Dice (na foto), que ao lado de projetos como os Wolf Eyes trouxeram o caos à música noise do início do século XXI. Confirmado ainda está o trio composto por Alex Zhang Hungtai (Dirty Beaches), David Maranha e Gabriel Ferrandini, Dj Nigga Fox, Quarteto Sei Miguel, Putas Bêbadas, DJ Problemas e o incontornável Charlemagne Palestine, figura crucial da cena vanguardista e exploratória da década de 70 ao lado de nomes como Tony Conrad.

Programa / Cartaz:

4 outubro 
Igreja de Santa Maria. 21h30 
Jonathan Uliel saldanha & Coral Tab + Coro B-Voice 

5 outubro
Museu Industrial da Baía do Tejo. 21h30 
Caterina Barbieri
Charlemagne Plaestine
Quarteto Sei Miguel

6 outubro
Auditório Municipal Augusto Cabrita. 21h30
Pere Ubu (The Moon Unit)
Casa Futuro
Lolina (Inga Copeland) 


7 outubro
A.D.A.O. – Associação Desenvolvimento Artes e Ofícios. 21H30
This Is Not This Heat
Jejuno
Bookworms
Coletivo Vandalismo
Simon Crab
Alex Zhang Hungtai / David Maranha / Gabriel Ferrandini
Dj Nigga Fox
Black Dice
DJ Problemas
Nocturnal emissions
Gyur
Putas Bêbadas






O Out.Fest realiza-se novamente no Barreiro de 4 a 7 de outubro, e os ingressos para o evento podem ser adquiridos em outfest.bol.pt/.

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[Review] Dead Cross - Dead Cross


Dead Cross // Ipecac‎ / Three One G // agosto de 2017
7.5/10

O supergrupo Dead Cross, formado em 2015 e cujo pedigree inclui as milhentas vozes de Mike Patton (Faith No More, Mr. Bungle, Peeping Tom), a fúria espalhafatosa de Justin Pearson e Michael Crane (Retox), e o poderio percussivo de Dave Lombardo (Slayer, Suicidal Tendencies), lança o seu primeiro registo homónimo pela Ipecac Recordings.

Numa sonoridade enquadrada algures entre o punk hardcore e no thrash metal, e por vezes a roçar os territórios do post-hardcore, pode-se esperar por momentos de passagens sónicas ora frenéticas, ora vagarosas (e com noise regular), letras de crítica política e social tão próprias do género e, claro, os vocais esquizofrénicos - seja gritaria, seja crooning, seja algo intermédio - de Mike Patton, que tal como em qualquer um dos outros seus mil e um projetos, estão praticamente confirmados a ocupar um lugar de destaque.

Pode-se então dizer que este primeiro registo vive, primariamente, da imprevisibilidade e da fúria espalhados à volta de dez faixas com uma duração total de pouco menos de meia hora, confirmando que é um disco que faz jus ao que promete, isto é, um álbum de estrilho instantâneo puro e duro. Ao reparar em faixas como os singles "Seizure and Desist" e "Obedience School", a última música do alinhamento "Church of the Motherfuckers" e a cover aventureira q.b. da "Bela Lugosi’s Dead" dos Bauhaus, conclui-se que a banda diverte-se com esta abordagem sonora mais direta ao assunto ao longo do álbum.


No entanto, e como no caso de vários outros supergrupos, o resultado acaba por ficar um pouco aquém do esperado de músicos consumados. Enquanto que a música está longe de ser cookie-cutter, há algumas 'favas' não tão memoráveis, ou pelo menos não tão bem conseguidas, perdidas na miríade de experimentação em faixas mais curtas como "Grave Slave". De facto, o álbum perde um pouco do seu vigor algures durante a segunda metade do álbum. Isso acaba por não ser grave, pois esse vigor é recuperado quando "Gag Reflex" começa a tocar.

Este registo deverá certamente agradar a fãs do lado mais abrasivo do punk. O supergrupo da Califórnia apresenta aqui bastantes argumentos a seu favor, não só pelos talentos há muito consagrados na música pesada e alternativa que reúne, mas também por ter um estilo próprio dentro deste espectro mais alto, pesado e rápido do género, o que não é tarefa fácil. Dos Dead Cross, pode-se esperar espetáculos turbulentos ao vivo e um futuro promissor no que toca à sua evolução contínua.


Texto: Rúben Leite

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Reverence Santarém: o segundo dia


Depois de um primeiro dia caracterizado por nomes de peso, com um q.b. do habitual rock psicadélico, entre outros géneros menos carismáticos, o Reverence Santarém volta a abrir portas no sábado por volta das 16h00. Neste segundo dia voltam também a ser 20 os artistas que sobem aos dois palcos do festival, o Tejo (Palco Secundário) e o Sabotage (Palco Principal), para darem fim à quarta edição do festival Reverence Santarém. É também neste último dia que o festival de música alternativa e underground recebe uma das bandas muito aguardadas em território nacional, os históricos Gang of Four, que vêm apresentar os singles de Entertainment! (1979) entre outros clássicos. Além dos britânicos, neste segundo dia destaca-se ainda a atuação dos ainda mais históricos suecos Träd Gräs Och Stenar e de Mono, Siena Root e Esben And The Witch.

9 de setembro, o segundo dia 

À semelhança do sucedido na sexta-feira (8 de setembro), o Reverence Santatém tem início às 16h00 de sábado com a dupla portuguesa I Am The Ghosts Of Mars que sobe ao palco Tejo para apresentar as suas jams tocadas em momentos inadequados e possivelmente novos singles. Já o palco Sabotage abre pelas 16h25 com a estreia do projeto a solo de coldwave e synthwave do sueco Christian Eldefors - NONN - que assinou recentemente pelo selo Fuzz Club para o seu disco de estreia homónimo a apresentar dia 9, no Parque da Ribeira de Santarém. E deixando ainda o selo Fuzz Club no ar, convém relembrar que também os suecos The Janitors e os ingleses The Underground Youth têm concertos marcados para as 17h30 e 18h35, no Palco Sabotage, respetivamente.




Os concertos no Palco Tejo prosseguem às 17h05 com a exótica saudade dos Royal Bermuda, dupla que une os guitarristas André Parafina a Diogo Esparteiro na produção de canções simples "desde a balada mais profunda até à mais fogosa folia". Pelas 18h10 Chinaskee & Os Camponeses, que assinaram recentemente para a vimaranense Revolve, sobem a palco para apresentar o seu disco de estreia que segue ainda sem data de lançamento oficial. Os Asimov & The Hidden Circus, trio de heavy-psych lisboeta, sobem ao Tejo pelas 19h15 e na bagagem trazem TRUTH (2016), a mais recente edição até à data. Antes do sol se pôr, quem permanecer no Tejo poderá ainda visualizar a performance dos Conjuto!Evite e o seu rock à la 60's/70's, que promete meter qualquer ouvinte a viajar entre cores e sons. 



Os suecos Siena Root são uma das bandas mais esperadas deste último dia de festival. Formados em 1997, o projeto experimental que traz raízes da música rock analógica, apresenta uma sonoridade interessante com base em guitarras uivantes, riffs de baixo e órgãos pesados, enriquecidos com vozes da soul e blues. A celebrar 20 anos de carreira é às 19h40 no Palco Sabotage que poderemos dançar ao som de Siena Root.



Um dos grandes concertos desta quarta edição do Reverence Santarém será, sem margem de dúvidas, o concerto dos suecos Träd Gräs Och Stenar. É o concerto histórico do festival e traz a palco 50 (sim leram bem, cinquenta) anos de experiência na produção musical. Está marcado para as 20h50 no Palco Sabotage e deverá revisitar os melhores temas do quarteto até à data. Se entretanto se fartarem do rock avant-garde dos suecos e quiserem saltar com "surf and space rock'n'roll" há Cows Caos como alternativa no Palco Tejo, às 21h40. 



Os britânicos Gang Of Four trazem 40 anos de trabalho a palco e o post-punk reminiscente dos anos 80. Indubitavelmente é um dos concertos imperdíveis do Reverence Santarém e promete ser um dos grandes concertos do ano, a julgar pelas setlists dos últimos concertos ao vivo. Singles como "(Love Like) Anthrax", "Not Great Men", "Natural's Not In It", "At Home He's A Tourist" e "Damage Goods", do clássico e eterno Entertainment! (1977), não deverão faltar em Santarém. Tudo isto com início previsto para as 22h10. A apanhar já o fim do concerto dos Gang of Four, atuam os portugueses Pás de Problème, às 23h10 no Palco Tejo. 


Além de Oathbreaker, Sinistro e Névoa, que passaram pela edição de 2016 do Amplifest, também os japoneses Mono estão de regresso e sobem ao Palco Sabotage às 23h40, para um banho de post-rock a revisitar Rays of Darkness (2014) e Requiem for Hell (2016), entre outros álbuns relevantes. Conhecidos pela densidade e a intensidade das músicas de sua autoria o quarteto será uma agradável surpresa para aqueles que ainda não os viram ao vivo. A apanhar este concerto fica a atuação dos ingleses Is Bliss que trazem o grunge ao Palco Tejo, pelas 01h10.



Para os fãs do psych-rock e dos ambientes mais stoner às 01h40 sobem ao palco os suecos Hills prontos para lançar a sua hipnose e fazer o público deambular pelas suas viagens espaciais. Já para a malta da pesada o dowtempo atmosférico dos Löbo aterra no Palco Tejo às 02h20, já a preparar terreno para o encerramento do festival. As honras da despedida do Tejo ficam guardadas para os Dr. Space & Luís Simões que fecham o palco pelas 03h30. 




Por sua vez, as despedidas do palco principal ficam a cargo dos ingleses Esben And The Witch que vêm apresentar o seu quarto disco de estúdio, Old Terrors (2016), pelas 02h50, e dos psych-rockers italianos Throw Down Bones que trazem a palco o homónimo Throw Down Bones(2015) e possíveis novas canções, subindo a palco às 04h00.


Os passes gerais para o festival têm um preço de 65€ e o bilhete diário pode ser adquirido por 40€. A troca dos bilhetes pela pulseira do festival está aberta a partir das 10h00 de sexta-feira (8 de setembro). As portas do festival abrem às 14h00 em ambos os dias. Podem adquirir os bilhetes aqui e encontrar todas as informações adicionais aqui

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