sábado, 16 de setembro de 2017

Laibach regressam a Portugal para data única


Depois do concerto épico no Entremuralhas 2015, os Laibach estão de regresso ao país, novamente pelas mãos da Fade In, para um concerto único em território nacional, agendado para 27 de novembro (segunda-feira), no Teatro Miguel Franco em Leiria. A banda eslovena, que é considerada um símbolo nacional no seu país (pelo papel relevante que teve na independência do mesmo), traz a palco 37 anos de carreira e o seu mais recente disco de estúdio Also Sprach Zarathustra (2017) em primeira mão para o público português.

Os bilhetes ficam disponíveis para venda a partir do dia 20 de setembro, data a partir da qual se ficam a saber o preço oficial das entradas. As entradas para este concerto histórico estão limitadas a 210 lugares. As portas abrem às 21h00 e o concerto tem início previsto para as 21h30. As informações adicionais serão disponibilizadas no site oficial da Fade In.


Tendo começado com um estado mais puro e virgem da música industrial, a estética musical dos Laibach foi sofrendo mutações ao longo da sua carreira estando atualmente numa fase de pura sofisticação, com sonoplastias super produzidas e letras incisivas de crítica político-social. A banda conta com um total de 9 discos de estúdio oficial, 4 discos de covers (onde se inclui o clássico Let It Be dos The Beatles), 3 álbuns de soundtracks, 5 álbuns de compilações, 8 álbuns ao vivo e ainda dezenas de singles e tapes. Este concerto, inserido no FadeInFestival 2017, é portanto uma oportunidade única e imperdível.

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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

gnration revela programação completa do último trimestre do ano


A programação dos últimos três meses do ano do gnration está repleta de coisas boas. Depois de revelar alguns dos nomes que se irão apresentar na cidade de Braga nos próximos meses, eis que é finalmente conhecido o alinhamento completo no que toca à programação dos últimos três meses do ano do espaço, que ao longo do ano recebeu atuações de nomes como Vessel, Xiu Xiu, Jenny Hval, Ryley Walker e The Field

O trimestre do gnration arranca na primeira semana de outubro, dia 4, com a celebração dos 25 anos do histórico disco Mutantes S.21, dos Mão Morta, num concerto inserido na Braga Music Week e que irá encerrar um evento intenso em música e bandas emergentes do cenário musical nacional. Em homenagem à banda de Adolfo Luxúria Canibal, vários artistas oriundos da cidade levam a palco “Braga a tocar Mão Morta”, numa performance única e imperdível.

A 17 de outubro, Robert Aiki Aubrey Lowe, também conhecido por Lichens, estreia-se em Braga para apresentar os dois novos discos que vão marcar o presente ano do outrora colaborador dos californianos OM: Two Orb Reel (More Than Human Records) e Kulthan (Latency Records). Como se não chegasse, Robert Aiki Aubrey Lowe irá dar ainda uma masterclass no dia anterior dedicada aos sintetizadores modulares.

Ainda em outubro, o gnration voltará a receber o festival de música eletrónica e artes digitais Semibreve, que conta este ano com as atuações de Kyoka, Karen Gwyer, Rabih Beaini e o duo português Sabre. O festival acontece de 27 a 29 de outubro e reparte-se também pelo Theatro Circo, Casa Rolão e Capela Imaculada do Seminário Menor.

No início de novembro, dia 2, os Shabbaz Palaces regressam ao espaço bracarense para apresentar os seus novos álbuns - Quazarz: Born on a Gangster Star e Quazarz vs. The Jealous Machines. O regresso da dupla formada por Ishmael Butler e Tendai Marare a Braga faz-se na companhia de Ângela Polícia, projeto hip-hop de Fernando Fernandes, vocalista dos bracarenses Bed Legs, que este ano se estreou a solo com Pruridades pela Crate Records.

No dia 8 do mesmo mês, dois pesos pesados da música atual juntam-se em Braga para uma performance única e imperdível. Falamos de Kevin Martin (The Bug), que irá aliar as batidas ao peso dos riffs de Dylan Carlson (Earth) na apresentação de Concrete Desert, o novo disco editado em maio deste ano via Ninja Tune e que os leva de novo a juntarem-se em palco.

De 17 e 18 de novembro será a vez do Festival Para Gente Sentada, que pelo terceiro ano consecutivo decorrerá na cidade de Braga. 

Para encerrar este mês no que toca a música estará Forest Swords. O produtor britânico Matthew Barnes está de regresso às edições, depois de em 2013 editar o aclamado Engravins pela Tri Angle Records. Compassions é o nome do mais recente disco do produtor, e é com este disco que Barnes se irá apresentar em Braga no dia 29 de novembro. 

Um dos grandes destaques da programação do último trimestre do gnration será a passagem do norte-americano Laraaji, que no ano de 1980 colaborou com Brian Eno na produção de Ambient 3: Day of Radiance. A 7 de dezembro, o músico, místico, praticante de meditação do riso, rumará ao gnration para apresentar em concerto os discos que editará este mês via Warp. Um dia antes dará um workshop de meditação e riso. Laraaji visitará também o arquipélago da Madeira para participar no festival Madeira Dig, a decorrer de 1 a 4 de dezembro.

Ainda no ramo da arte digital e audiovisual, fruto da parceria entre o gnration e o INL, a galeria com o mesmo nome do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia irá receber a instalação audiovisual ad/ab Atom, do artista audiovisual japonês Ryoichi Kurokawa, que durante o mês de maio esteve em residência na cidade de Braga. 

ad/ab Atom é uma instalação audiovisual baseada em data de escala nano e em materiais microscopicamente detetados onde a leis da natureza são ditadas pela mecânica quântica. A instalação poderá ser visitada, gratuitamente, de 19 de outubro a 19 de janeiro.


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Fotogaleria: ENTREMURALHAS 2017 - Público


A oitava edição do Entremuralhas, que invadiu o Castelo de Leiria entre os dias 24, 25 e 26 de agosto, foi um sucesso. Em mais um ano volvido a Fade In voltou a mostrar o seu exímio profissionalismo, atraindo novos espetadores e reconquistando os mais antigos através de um lineup estratégico. "Único no mundo e aqui tão perto", o Entremuralhas tornou a unir os fãs e melómanos da música underground, num espaço icónico e emblemático, que serve de argumento ao encontro anual de muitos amigos. Uma família e um amor de verão.

A fotogaleria do público, presente nos três dias do festival Entremuralhas, pode ser (re)visitada abaixo, ou por aqui.  

Público - Entremuralhas 2017

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NU:N abrem para VNV Nation


Os portugueses NU:N (Nothing Unveils Nothing) são a banda responsável pela abertura do concerto dos VNV Nation no Porto, que está agendado para 7 de dezembro e acontece no Hard Club. O trio, explora sonoridades negras inseridas no universo do rock gótico e é composto por Francisco Vaudeville, Pedro Eternal e Tarannis M.. Os NU:N sobem a palco para apresentar o seu segundo, e mais recente, disco de estúdio, NU:N nakes until noema (2016).

O concerto dos VNV Nation no Porto esta inserido na tour Automatic Empire e é concerto único em território nacional. A abertura das portas está prevista para as 21h30 e as entradas têm um preço de 20€.  Todas as informações adicionais ao evento podem ser encontradas aqui.

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Rocky Wood - "Enough" (video) [Threshold Premiere]


Influenciados pela art-folk pop suiça e americana, os Rocky Wood formaram-se em 2012, tendo atualmente membros a viver em Berlim, Lugano e Bolonha. A música dos Rocky Wood é descrita pela press como "uma suave abordagem para a composição e uma voz contralto, onde se ouvem sussurro, murmúrios, notas deliberadamente divertidas, falsetes femininos doces, que deixam tempo para sons quentes e profundos, prontos para florescer. 

De regresso ao estúdio com o EP Ok, No Wait, os Rocky Wood revelam hoje (sexta-feira, 15 de setembro) o  primeiro single de avanço, "Enough", em formato audiovisual, podendo ser visto abaixo. Este vídeo é uma representação infantil do poder do extremismo. Uma demonstração de como até o simples ato de fazer cócegas, quando levado ao extremo, deixa de ser engraçado.


Ok, No Wait EP tem data de lançamento prevista para 6 de outubro pelo selo On The Camper Records.


Ok, No Wait Tracklist:

1. Enough
2. Mantra
3. Bail Out 
4. White
5. Lisbon

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Fai Baba, The Miami Flu e El Señor são as primeiras confirmações do Black Bass



O festival eborense Black Bass, a decorrer nos dias 16 a 18 de novembro, acabou de anunciar as suas primeiras confirmações. A quarta edição desta festa com o selo da Pointlist vai contar com as jóias da casa El Señor e The Miami Flu, ambos possuidores daquela rockalhada portuense a que estamos habituados. 
Também nesta lista de revelações estão os garageiros suiços Fai Baba, que irão passar pelo Black Bass em tour europeia, batizada com o nome Can't Stop Loving, ainda visitando Lisboa (Musicbox) e Porto (Maus Hábitos) nos 2 dias anteriores.

É de relembrar que a entrada para o primeiro dia do festival (16 de novembro) irá ser grátis para os sócios da Sociedade Harmonia Eborense, sendo que os não-sócios pagam 3 euros de bilhete. O preço do passe para os restantes dois dias do Black Bass (17 e 18 de novembro), a acontecer na SOIR-JAA, ainda irá ser anunciado.


Todos os cartazes são de autoria "A Cristina Faz"

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Grandfather's House lançam hoje o seu novo disco, 'Diving'

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Os Grandfather’s House vêm de Braga e com eles trazem já o famoso selo de qualidade desta cidade cultural. Surgiram em 2012 e contam agora com Tiago Sampaio na guitarra, Rita Sampaio nos sintetizadores e voz e João Costeira na bateria. Editaram o seu primeiro EP Skeleton em 2014 e, em 2016, trouxeram-nos o seu primeiro longa-duração, Slow Move.

Agora chegou a vez de Diving, disco editado hoje que resultou de uma residência artística no gnration, contando com as participações de Adolfo Luxúria Canibal (Mão Morta), Nuno Gonçalves e Mário Afonso, na voz, teclados e saxofone, respectivamente. Adotando um método de composição mais complexo, a banda explora assim uma sonoridade mais densa.

Diving fala-nos do despertar de memórias que pareciam adormecidas pelo tempo, crescendo uma raiva, quase um estado depressivo, transformando-se na sua aceitação e num estado de paz de espírito.

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Radio Moscow "destroem" Porto e Lisboa lá para o final do mês


Os Radio Moscow, uma das mais entuasiasmantes bandas de blues rock e heavy psych da última década, estão de regresso ao nosso país para uma data dupla. Porto e Lisboa são as cidades contempladas para a apresentação do novo e quinto álbum de estúdio da banda californiana, New Beginnings, com edição agendada para 29 de setembro via Century Media Record.

O trio visita o Hard Club, Porto, a 30 de setembro (pré-venda:13€; no dia 16€), e o RCA Club, Lisboa, a 1 de outubro (pré-venda:15€; no dia 20€). As primeiras partes dos concertos ficam a cargo dos finlandeses Kaleidobolt e Her Name Was Fire (apenas em Lisboa).

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Time for T apresentam hoje o novo álbum 'Hoping Something Anything'

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Os Time for T são um projeto fundado em Brighton por Tiago Saga, jovem de herança britânica, libanesa e espanhola que cresceu na Califórnia portuguesa - como o próprio apelida o Algarve. 

Editam hoje pela Last Train Records o sucessor do seu álbum homónimo (2015), Hoping Something Anything, gravado ao longo do ano de 2016 nos Spitfire Audio Studios em Londres e produzido pela própria banda. 



Devido à produção própria, a banda conseguiu explorar, sem limitações, as sonoridades que tinham imaginado para este novo trabalho, apresentando momentos orquestrais e canções menos pop que o que têm vindo a compor até hoje, sempre com as batidas tropicais presentes. Algumas das canções foram inspiradas pela viagem de Tiago Saga à India no início de 2016. 

O lançamento de Hoping Something Anything é seguido por uma digressão de apresentação pela Europa em Setembro e Outubro, terminando com algumas datas em Portugal.

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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Portugal Alive leva Gala Drop, Sensible Soccers e Pega Monstro a Espanha


A internacionalização da nova música portuguesa tem sido cada vez mais falada dentro e fora de portas, com artistas portugueses a serem foco de atenção da imprensa e de promotores internacionais. Deste modo, a quarta edição do Portugal Alive promete, mais uma vez, levar o melhor da música portuguesa a Espanha. Gala Drop, Sensible Soccers e Pega Monstro são as escolhas para a edição deste ano do evento apoiado pelo Cultura Portugal em Espanha. Durante os dias 22 e 23 de setembro, estes três grupos irão apresentar-se ao vivo nas cidades de Madrid e Barcelona, respetivamente, com o objetivo de promover a cultura portuguesa contemporânea junto do público espanhol e ainda a aproximação à comunidade portuguesa residente em Espanha. 

O festival Portugal Alive apresentou já concertos de alguns dos nomes mais respeitados da atualidade da música portuguesa como Dead Combo e B Fachada, que abriram as hostes da primeira edição do evento em 2014, seguindo-se Noiserv, Capicua e Linda Martini em 2015 e peixe:avião, Da Chick e X-Wife em 2016. O festival tem-se apresentando sempre em Madrid e Barcelona, proporcionando uma dupla oportunidade a artistas portugueses para se darem a conhecer ao público português e espanhol. 

A admissão ao evento é gratuita.


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Washed Out de regresso a Portugal com concerto no Vodafone Mexefest



O Vodafone Mexefest confirmou hoje mais três nomes que irão fazer Lisboa mexer. Washed Out, o projeto de Ernest Green, regressa a Portugal para a sua primeira atuação em cinco anos, depois de uma atuação no antigo Optimus Primavera Sound. Ao lado de Toro Y Moi e Neon Indian, Washed Out demarcou-se como uma das referências da chillwave, um movimento que deriva das composições hipnagógicas de Ariel Pink e James Ferraro e que viria atingir o seu auge no início da presente década. Mister Mellow é o disco que traz de regresso as melodias retro e nostálgicas de Washed Out, que em Novembro se apresenta em Lisboa para um aguardado regresso. 

Confirmado ainda está Luís Severo, o cantautor lisboeta autor de Cara de Anjo que regressou este ano com o seu segundo disco. Luís Severo traz novamente as canções açucaradas e frágeis de Severo, dotadas de uma lírica invejável e encantadora.

Para terminar, o cantautor brasileiro MOMO junta-se ao fadista português Camané para uma curiosa colaboração, juntando a referência portuguesa com um dos mais interessantes nomes da nova música popular brasileira.



Os bilhetes para o Vodafone Mexefest encontram-se neste momento à venda nos locais por 45€, sendo o preço 50€ nos dias de festival. 

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Fotogaleria: Reverence Santarém - Dia 1


No passado dia 8 de setembro passámos pelo Parque da Ribeira de Santarém para assistir ao primeiro dia de Reverence Santarém. O festival que este ano mudou de casa contou neste primeiro dia com bandas como Amenra, Oathbreaker, Moonspell, Bo Ningen, Névoa, Desert Mountain Tribe, Gossamers, CUT, The Gluts, Quentin Gas e Los Zíngaros, Iguana, entre outros. As fotos deste primeiro dia podem ser vistas abaixo.


REVERENCE-SANTARÉM-DIA1
Fotografia: David Madeira

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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Almagest! lançam 'Fun House Mirrors' em outubro


Fun House Mirrors é o quarto disco oficial dos italianos Almagest! que completam este ano 10 anos de carreira. Os Almagest! permaneceram, contudo, na sombra das grandes projeções muito por culpa do seu nome. Estando os primeiros anos de carreira sem nominação (essencialmente referidos como "Palumbo/Tomasini's Canes Venatici live"), em 2010 a banda adaptou "Palumbo/Tomasini's Almagest!" para o baptismo do seu novo trabalho. Com o lançamento do disco Messier Objects (2013) a banda finalmente adquiriu um nome fixo: Almagest! (com o ponto de exclamação, à semelhança de bandas como Neu! e Ultravox!).

Quatro anos depois, os Almagest! regressam aos discos desta feita com uma sonoridade drasticamente nova. Fun House Mirrors é um disco ricamente texturizado e arrumado face às composições lideradas pelo piano do seu antecessor Messier Objects. Consiste em composições estritamente cinematográficas, escritas a partir de um tecido de sonhos sensuais e perturbadores e - fiel à natureza global da banda - cantada numa variedade de línguas europeias e inventadas.


Fun House Mirrors tem lançamento previsto para outubro pelo selo Backwards Records.

Fun House Mirrors Tracklist: 

1. Snake Oil
2. Lustighe Ghai
3. Piume
4. Nne
5. Durch den Irrgarten Hindurch

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NONN tem duas músicas novas


Depois de ter editado o seu LP de estreia homónimo pelo selo londrino Fuzz Club Records, em maio deste ano, NONN, o projeto a solo do de coldwave e synth music do sueco Christian Eldefors, está de regresso aos trabalhos de estúdio, desta feita para mostrar duas novas músicas - o 7'' single "Distracted" e o seu b-side "Beyond". Impulsionadas por máquinas de percussão kosmische, vozes meditacionais e linhas de baixo eminentes ambas as faixas retratam o minimalismo hipnótico de NONN.

Entre as suas principais influências, destaques para nomes como Kraftwerk, New Order e Suicide, além das roupagens de The KVB, The Soft Moon e The Underground Youth, claramente visíveis no trabalho de estreia. Ambos os singles foram editados a 12 de setembro.

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Os Black Rebel Motorcycle Club estão de regresso aos discos


Wrong Creatures é o nome do oitavo disco de estúdio dos Black Rebel Motorcycle Club (BRMC), que vem dar sucessão a Specter At The Feast (2013) e que chega às prateleiras no início de 2018. Apesar dos quatro meses que faltam até ao lançamento oficial, os californianos avançaram com o primeiro single "Little Thing Gone Wild", como aperitivo de entrada e oferta para quem fizer a pré-encomenda do álbum. A música serviu igualmente para definir o título do álbum, na passagem "Lord you hear me loud into my soul speaker, why won’t you let me out, you’ve got the wrong creature".

Peter Hayes (vocal, guitarra, harmónica), Robert Levon Been (vocal, baixo, guitarra) e Leah Shapiro (bateria) começaram a formular o álbum no verão de 2015, desenhando novas músicas no seu espaço privado apropriadamente apelidado de The Bunker em North Hollywood. Nick Launay (Yeah Yeah Yeahs, Arcade Fire e Nick Cave & The Bad Seeds), entrou para produzir o álbum e tornou-se uma parte fundamental da máquina BRMC. As datas da tour europeia não contemplam Portugal.


Wrong Creatures tem data de lançamento previsto para 12 de janeiro de 2018 pelo selo Vagrant Records.

Wrong Creatures Tracklist:

1. DFF
2. Spook
3. King of Bones
4. Haunt
5. Echo
6. Ninth Configuration
7. Question of Faith
8. Calling Them All Away
9. Little Thing Gone Wild
10. Circus Bazooko
11. Carried from the Start
12. All Rise

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terça-feira, 12 de setembro de 2017

STREAM: Darto - Human Giving


Os norte-americanos Darto lançaram no final da semana passada o seu disco de estreia, Human Giving, que foi gravado entre setembro de 2015 e janeiro de 2016, já se encontrando disponível para audição na íntegra. Segundo o vocalista Gordon de Los Santos, "The album comes from the places within us where hope and love exist. Where the focus is not on the self, and where everything is possible. Humans giving themselves to other humans. The power of listening on all fronts. The desired effect is and was to bring hope in some capacity". 

Desta estreia destacam-se essencialmente os singles "GDLS", "Character Study", "Guiding Light" e "American Storyteller". As letras das músicas foram também disponibilizadas pela banda, neste site. O disco pode ser ouvido abaixo.

Human Giving foi editado oficilamente a 8 de setembro pelo selo Aagoo Records.

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A temporada de outono da Ya Ya Yeah é só coisas boas


A promotora e selo Ya Ya Yeah está de regresso aos eventos e, para a temporada deste outono, traz a solo leiriense e como principais atrações os concertos dos britânicos e históricos The Telescopes, do nova-iorquino Fai Baba (que passou recentemente pelo Rodellus com live band), dos japoneses Sundays & Cybele (uma estreia absoluta em território nacional) e dos holandeses The Mauskovic Dance Band (projeto do baterista de Jacco Gardner). Além destes quatro nomes internacionais, há ainda mais quatro bandas portuguesas que farão a abertura dos concertos:  Me and My Brain, The Miami Flu, Daniel Reis e Obaa Sima, respetivamente. Todos os concertos desta nova  temporada de outuno ocorrerão no Texas Bar, em Leiria, tendo início previsto a 10 de outubro. A informação adicional segue abaixo anexada.

10 de outubro | Texas Bar | 21h30 | 6€
The Mauskovic Dance Band + Obaa Sima

The Mauskovic Dance Band é a aventura musical de Nicola Mauskovic (baterista de Jacco Gardner), que decidiu fechar-se em estúdio, alguns meses, com vários amigos a apalpar experiências e novas ideias até transformar todo o trabalho, neste projeto. O resultado: afrobeat à 70s, cumbia e todo um som hipnótico capaz de provocar a dança mais balançada e sentida. Têm agitado as melhores festas e salas de concertos da Europa e chegam a Leiria para apresentar a sua estreia nas edições com o 7" Repeating Night / Weather com selo Les Disques Bongo Joe.
Os Obaa Sima, que estão encarregues da abertura, são a exploração inebriante de synths e várias máquinas por Luís Jerónimo e Hugo Domingues (membros de Nice Weather For Ducks).


3 de novembro | Texas Bar | 22h00 | 7€

Os The Telescopes são um marco notável da música alternativa da década de 90 e um nome extremamente influente para qualquer banda com referências psych, noise, drone ou experimental. Influenciados por  nomes como Suicide, The Velvet Underground e The 13th Floor Elevators, começaram por fazer tours ao lado de bandas como Spacemen 3, Primal Scream ou The Jesus and Mary Chain tendo rapidamente ganho destaque entre a comunidade da música. Separar-se-iam em 1992, ao segundo disco, para um regresso em 2002 com Third Wave e liderança fiel de Stephen Lawrie (apesar da sua formação não fixa). A Leiria, e à quarta vez em solo nacional, apresentam o novíssimo LP As Light Return.  
Os Me and My Brain são dois - um explorador munido de beats de outros mundos e um navegador de teclados cantados - que embarcam numa viagem cósmica por territórios enigmáticos e paisagens tarkovskianas.


19 de novembro | Texas Bar | 21h30 | 7€

Da pop à psicadelia, Fai Baba é, notavelmente, dono de algumas das mais estimáveis canções da corrente época. O LP Sad and Horny (2016) tem vindo a ser apresentado pelas salas e festivais de maior prestígio da Europa e chega a Leiria a 19 de novembro, ao Texas Bar, numa digressão em formato banda de promoção do novo single "Can't Stop Loving You". Assinalável é ainda a sua actuação na KEXP, que despertou uma enorme atenção pelo seu trabalho e é mesmo apontada como uma das melhores assinadas pela estação em 2017 (podem ver aqui).
Os The Miami Flu - projecto de Pedro Ledo e Tiago Sales (ambos ex Lululemon) - estreiam-se em Leiria para apresentar o LP Too Much Flu Will Kill You. O concerto promete percorrer o universo do psicadelismo dos anos 60 e 70, onde a influência dos videojogos retro confere aos temas uma componente pop que nos remete para gloriosos palcos e estúdios dos anos 80 e 90. 


28 de novembro | Texas Bar | 21h30 | 7€

A sonoridade do quarteto japonês Sundays & Cybele シベールの日曜日, formados em 2004 pelo multi-instrumentista Kazuo Tsubochi, é a combinação única e perfeita do psych, prog e kraut-rock. Da casa de nomes como Kikagaku Moyo / 幾何学模様 ou Minami Deutsch / 南ドイツ, (Guruguru Brain), chegam a Leiria em estreia absoluta no país para apresentar o LP Chaos & Systems (2017), com selo da norte-americana Beyond Beyond is Beyond.
Daniel Reis é natural da Marinha Grande, e um dos raros tocadores do misterioso handpan. A sua performance promete conduzir a ambiente único graças à sua mestria em produzir os sons mais mágicos que podem ser retirados do fascinante instrumento.



Atenção que as boas notícias não se ficam por aqui. A Ya Ya Yeah promete que ainda há mais artistas por anunciar e vai oferecer entradas aos leitores mais atentos. Sigam tudo em primeira mão na página de Facebook oficial da promotora, ou aqui.


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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Reportagem: SonicBlast Moledo 2017 - 10, 11 e 12 de agosto

Elder
Muitas foram as pessoas que se mostraram incrédulas quando lhes contei que ia a Moledo a um festival de música. O que é que poderia existir neste retiro de férias no extremo noroeste de Portugal que me levaria a dirigir para lá. Para quem esteve lá, a resposta está à frente dos olhos com milhares de pessoas a envergarem t-shirts pretas com o lettering retirado do álbum Master of Reality dos Black Sabbath, com barbas tão colossais quanto indomesticadas e cabelos a acompanhar.

Esta “tribo urbana”, designada por stoners, embora muitos prefiram ser conhecidos pelo nome ou por serem pessoas que apenas apreciam o género musical stoner rock, peregrinava para aquela que é conhecida como a Meca portuguesa do Stoner Rock, título adquirido de forma incontestável após o festival Reverence Portugal (anteriormente Valada) ter deixado de parte este género para apostar em estilos diferentes.

Sendo esta a segunda edição que frequento deste festival, pude notar que o campismo, que se situava junto à praia, estava ainda mais cheio, não estariam os bilhetes para o festival completamente esgotados. Contudo a desorganização do espaço pareceu aumentar, não sendo algo que interferisse com o aproveitamento, uma vez que havia demasiadas atividades a acontecer fora do campismo.

Dia 0

Dado o atraso da viagem para Moledo, foi impossível assistir aos primeiros concertos de Jesus the Snake e Chaos Ritual no Paredão 476, contudo depois de montado o acampamento e de ter jantado umas belas noodles, todos os caminhos levavam ao bar Ruivos onde os Desert Mammoth de Almada puderam desfilar ao som do seu Heavy Psych Doom.

Para encerrar a noite, os Mr Mojo, naturais de Braga, tiveram a tarefa de partir o resto da loiça que ficou por quebrar pelos paquidermes. E que bem que eles cumpriram esta tarefa, sem tirar o pé do acelarador levaram muitos jovens a bater com a cabeça no teto do Ruivos ao fazer crowdsurf e a cair no chão (moche e cerveja espalhada no chão nunca vão ser uma boa combinação). Ainda prendaram esta boa receção por parte do público ao tocar a introdução da "Dragonaut" dos míticos Sleep.

Dia 1

Com o aquecimento feito, os ouvidos e o fígado estavam prontos para os dois longos dias que se avizinhavam. Novamente, retomando a edição de 2016, neste primeiro dia de festival, foram muitos aqueles concertos perdidos no palco piscina, dada a enorme confusão que se instalava na bilheteira devido ao número elevadíssimo de festivaleiros que procuravam trocar o seu bilhete pela pulseira que garantia acesso às instalações do festival.

Esta fila madrasta levou a que se perdesse Bar de Monjas, Holy Mushroom e um dos concertos dos quais estava mais curioso de assistir, os It Was The Elf, naturais da Guarda.



Stone Dead


Aquele que foi o meu primeiro concerto (oficial) desta edição irrompeu como um relâmpago sobre uma piscina repleta de pessoas que provavelmente estavam a dar o seu primeiro mergulho do ano. Este conjunto de Alcobaça, que já não é estranho a ninguém, tem recebido imensos louvores da crítica e uma quantidade considerável de atenção por parte da Antena 3, que tem dado destaque às musicas do primeiro álbum, Good Boys. Ao contrário do efusivo EP The Stone John Experience, deixa de parte o stoner blues e abraça o rock n’ roll e melodias fortemente inspiradas nos Beatles ou Beach Boys.

Apesar da aparente descontextualização, a banda de tudo fez para mostrar que continuavam dentro da cena, muito à conta de Bruno Monteiro, baterista e alter-ego de Mr. Gallini, que, com todas as suas forças, atacou os pratos da bateria, oferecendo quase um “one man show” das suas capacidades. No final, ainda houve tempo para uma explosiva cover de “T.V. Eye” dos gigantescos The Stooges, que faria o próprio Iggy Pop esboçar um sorriso.



Black Bombaim


Depois de terem falhado o festival na edição passada devido a uma lesão no pulso de Ricardo Miranda, guitarrista da banda, os Black Bombaim voltaram a marcar presença no festival de Moledo. Contudo, surge uma indignação ao observar um dos maiores representantes nacionais do género presentes neste palco tão pequeno em vez de estar no principal (que não contou com nenhuma banda portuguesa).

Estes surgiram com um saxofonista (ouviu-se relativamente mal), o que contribuiu em muito para que a banda se alargasse em jams mais alucinantes carregadas de free jazz. Embora tivessem oferecido um dos melhores concertos desta edição do Palco Piscina e, como sempre, uma performance bastante competente que levou metade da audiência a viajar a reinos inexplorados do espaço, fica a sensação que estes mereciam ter tocado num palco bem maior e com melhores condições de som.



The Great Machine

Os israelitas The Great Machine ficaram incumbidos da tarefa de abrir o palco principal, e que bem que o fizeram. Apesar de não serem a banda tecnicamente mais forte do festival, estes trocaram a perícia pela agressividade, garantindo que cada nota suava mais pesada que a anterior e que todos os ossos do corpo humano vibravam assim que estes faziam barulho com os seus instrumentos.

Para quem não fazia parte do cartaz original (uma das bandas incumbidas a substituir os alemães Kadavar, que tiveram que cancelar o seu concerto), estes propiciaram um concerto poderosíssimo, quer para aqueles em pé a dar tudo no headband, ou para os corpos deitados no relvado que estavam simplesmente a sentir o pedal.



The Well

Uma das bandas mais jovens e promissoras deste cartaz, os The Well, naturais de Austin, Texas, com selo da consagrada editora Riding Easy, estavam prontos para a sua tão aguardada estreia em palcos portugueses.

Liderados pela baixista da banda, Lisa Alley, a sua setlist incidiu sobre faixas tanto do seu primeiro álbum Samsara, como do mais recente Pagan Science. Contudo foi do primeiro que surgiram os momentos mais memoráveis, como “Mortal Bones”, faixa mais popular da banda, a causar comichão nos pescoços que precisavam de ser abanados, e a cover de “Lucifer Sam”, do primeiro álbum dos Pink Floyd, que levou a que muitos acompanhassem a letra da música.


Yuri Gagarin


Em conversa com um festivaleiro ao meu lado, este disse: “Agora sim é que começam os concertos a sério”. E quando os gigantescos suecos que compõem o conjunto chamado Yuri Gagarin subiram para cima de palco e começaram a fazer a sua magia senti-me obrigado a concordar.

Com o som de cada instrumento minuciosamente calibrado para suar de forma perfeita, a banda pintou telas de paisagens espaciais, levando cada membro da audiência a uma viagem introspetiva até ao final do cosmos. Apesar das faixas inteiramente instrumentais e da pouca interação com o público (não precisavam de interagir), estes revelaram ser um dos melhores concertos da edição, abandonando o palco sob uma enorme chuva de aplausos. Sem dúvida um pôr do sol inesquecível.



Kikagaku Moyo


Após estes pesados concertos seguia-se algo, tal como diriam os Monty Python, “completamente diferente”. O rock psicadélico que convenceu muita gente a dirigir-se a Moledo para ver o seu concerto.

Foi uma experiência mágica, que apesar de ter começado com o pé errado dado alguns problemas de som, nomeadamente, o volume da cítara devia encontrar-se no nível 11, tornando impossível a degustação do som dos músicos japoneses. No entanto, ultrapassado estes problemas técnicos a qualidade foi sempre a crescer.

Se o concerto começou com melodias mais leves e suaves, este foi progredindo e acelerando (e até tornando-se mais agressivo), terminando numa jam épica repleta de mudanças de tempo. No final despediram-se com simpatia e simplicidade e em troca receberam uma grande salva de palmas. Será que este concerto irá ditar uma mudança na escolha de bandas nas próximas edições do SonicBlast? Estaremos aqui perante o advento de uma nova onda de bandas psicadélicas a invadir Moledo? Teremos que esperar para descobrir no próximo ano.



Monolord


Depois da doçura dos Kikagaku Moyo, seguiu-se aquele que foi, discutivelmente, o concerto mais pesado da edição 2017 do festival SonicBlast. Os suecos Monolord deixaram tudo em palco e quiseram garantir que todos na pequena freguesia de Moledo conseguiam ouvir o seu concerto.

Com um volume ensurdecedor, visitaram faixas de Vaenir, álbum lançado em 2015, o EP Lords of Suffering, e os mais recentes singles que irão compor o álbum que irá sair ainda este ano, Rust. A musica que mais mexeu com o público foi a titânica "Empress Rising", do álbum homónimo do ano 2014, que levou a que muitos festivaleiros acordassem no dia seguinte com pesadas dores no pescoço. Um dos mais memoráveis concertos desta edição, que fez valer o bom nome da música pesada.


Elder


Uma das bandas que mais burburinho andava a causar em Moledo e que também se preparava para estrear em palcos portugueses eram os Elder de Boston. Após as piadas sobre “quem é que afinal é o Elder” acabarem, os norte americanos dedicaram-se a implodir a mente de todos os presentes da audiência ao realizar todos os intrincados movimentos nos instrumentos que compõem as faixas de Reflections of a Floating World, álbum mais recente da banda, ao qual foi dedicado grande parte do concerto.

Talvez este foco, bastante específico, se tenha tornado num dos maiores problemas para a plateia que esperava um concerto mais incidente na vertente Stoner Doom da banda e não nas complexidades progressivas que estes nos iam mostrando em faixas como “Sanctuary” ou “The Falling Veil”. Apesar de não haver a tão esperada "Dead Roots Stirring", ainda houve tempo para relembrar a gloriosa "Gemini" e "Compendium" que abre o álbum de 2015, Lore.

No final, apesar das opiniões divididas e do notado cansaço por ser o último concerto da tour (a voz era onde mais se sentia esse cansaço), foi um concerto bastante competente onde o deslumbramento perante os riffs pesados e as melodiosas linhas de guitarras foram as palavras-chave deste concerto.



Cosmic Dead


Apesar do cansaço sentido nas pernas após tantas horas de concertos, os mais fortes permaneciam no recinto para ver o que os escoceses Cosmic Dead, com a tarefa de substituir os cabeças de cartaz originais Kadavar, tinham para oferecer.

Depois de uma longa demora, estes explicaram que tinham chegado ao recinto poucos minutos antes do seu concerto começar e que tinham ficado com os instrumentos retidos no aeroporto, por isso tiveram que pedir instrumentos emprestados a outros músicos, deixando um agradecimento especial aos Black Bombaim.

Seguiu-se um concerto que na sua génese pode ser descrito puramente como “psicadélico” e irrepetível, com a banda a aproveitar as contrariedades para explorarem um verdadeiro vendaval instrumental e peripécias divertidas, como quando o guitarrista começou a “discutir” com o teclista. Embora não tenha sido o concerto da edição, para quem ficou para ver tornou-se sem dúvida num espetáculo memorável.

Com os concertos terminados, os festivaleiros retomavam para a tenda de forma a recuperar a segunda ronda de concertos, mas os mais fortes certamente ainda rumaram para o after no Ruivos Bar encarregue a Isabel Maria.

SonicBlast Moledo 2017 -  Dia 1


Dia 2

LÖBO

Uma escolha que parece ser a antítese de todas as “festas de piscina”. O som melancólico e introspetivo dos LÖBO apoderou-se do palco piscina, com a sua mistura de doom e eletrónica e, apesar de não serem a típica banda que associamos a uma piscina, foram bastante bem recebidos pela audiência que, um pouco espalhados por todo o recinto, iam mostrando a sua aprovação com um headbang sincronizado com o ritmo lento da música.


Blaak Heat

Tal como se tem mostrado no restante alinhamento do SonicBlast, os concertos mais pesados são intercalados por um mais calmo. Ou seja, depois da introspeção sombria dos LÖBO, seguiu-se os ritmos ocidentais dos Blaak Heat que davam vontade de levantar do chão e dançar até as pernas ficarem doridas.

Depois de terem estado no Reverence Valada do ano passado, estes revisitaram o álbum Shifting Mirrors e ainda mostraram algumas faixas do novo álbum que irá ser lançado mais para o final do ano. Este concerto teve a particularidade da banda utilizar um Oud, instrumento de cordas típico do Médio Oriente, despertando o interesse da audiência em geral.

Dada a qualidade do concerto, sentiu-se que esta banda merecia ter estado no palco principal onde podiam ter demonstrado toda a sua qualidade, com um sistema de som melhor e com mais tempo de concerto.


Sasquatch

Incumbidos de abrir o palco principal, os californianos Sasquatch munidos de um som pesado típico do Stoner Metal e de boa disposição, juntaram uma grande quantidade de fãs leais que estavam curiosos para ver estes ícones do género. Este concerto serviu para apresentar grande parte do novo álbum lançado ainda este ano, Maneuvers. Mais maduro e adulto que os anteriores e já com o seu som característico definido, estes temas ao vivo respiram uma boa lufada de ar fresco.

Contudo, foram com temas como “Chemical Lady” ou “Dragonfly”, do álbum que partilha nome com a banda, que o público mais euforia e interação mostrou, acompanhando a música ora com headbang ou a enotar as letras.

Keith Gibbs, guitarrista e vocalista da banda, satisfeito com o receção do público no final do concerto, convidou os fãs a dirigirem-se à tenda de merch para assinar CDs ou Vinis e até para fumar um “joint” com a banda.


The Machine

Seguiu-se depois aquele que, para mim, foi a desilusão do festival. Para muitos, a introdução aos holandeses The Machine foi o álbum Solar Corona de 2009, contudo com o passar dos anos a banda alterou tanto o seu som que se tornou quase irreconhecível.

A melhor maneira de descrever o concerto tem uma correlação direta com moda. Se disser que o guitarrista da banda estava a utilizar uma t-shirt de Metz é muito mais fácil imaginar o estilo que a banda decidiu adotar. Para quem estava à espera de um concerto calmo e psicadélico, viu todas as suas expetativas a serem furadas uma vez que se seguiu uma descarga de garage e noise rock.

Não estou a dizer que tenha sido um concerto mau, longe disso, contudo foi totalmente contra as minhas expetativas. No entanto, a banda bem tinha avisado que não tocava ao vivo a "Moons of Neptune", magnum opus do grupo. É o problema de quando subimos demasiado as expetativas para algo.


Acid King

Depois da desilusão que foi The Machine, seguiu-se uma sequência de concertos para a qual ninguém estava preparado. Os Acid King liderados pela icónica Lori S. mostraram a todos o porque de serem considerados uma das mais importantes bandas dentro do género.

Desde a primeira à última nota que estes contagiaram todas as mentes com o seu Stoner Doom colocando a plateia em transe. O concerto culminou no grande hino que é a "Electric Machine", a qual caiu que nem um relâmpago na audiência que acompanhou a música a plenos pulmões durante o refrão carregado de echo e reverb.

Na despedida, a banda foi prendada com um mar de palmas apesar dos insistentes pedidos da audiência para tocarem mais uma música terem sido vetados.


Colour Haze

Depois da tareia que foi Acid King, chegou a hora daquele concerto que, para mim, foi o melhor de todo o festival, por isso preparem-se para longas metáforas hiperbólicas nesta bela epopeia que vos vou contar.

Este trio alemão constituído por Stefan Koglek na guitarra sedutora e na ríspida voz germânica, por Philipp Rasthofer no fato e no baixo elegante e Manfred Merwald a controlar o volante desta viagem através da sua bateria. É complicado traduzir por palavras o que aconteceu neste concerto que decorreu durante pouco mais de uma hora. O tema escolhido para inaugurar as hostes foi “She Said” e desde o seu primeiro minuto até à ultima música que ninguém ficou indiferente à magia do power trio.

Deu para dançar nos momentos mais leves e melódicos, deu para fazer headbang quando a guitarra se enchia de fuzz e os power chords destruíam tudo o que se intrometiam à sua frente e ainda deu para acompanhar a voz pouco ortodoxa de Stefan em algumas malhas. Ouvir “Aquamaria” ao vivo foi uma expÊeriencia do outro mundo e o momento que mais me marcou em todo o festival. Contudo, não sou o único a partilhar esta opinião certamente, uma vez que após a execução desta musica a banda recebeu a maior ovação do festival que decerto a deixou comovida.

O único problema do concerto foi ter acabado. Estes homens podiam ter-se aguentado em cima de palco por mais umas boas horas que ninguém tinha ficado triste e certamente teriam malhas para continuar a tocar. Apesar da demora a subir para cima de palco, esta é compreendida dada a qualidade do som durante o concerto, sendo que foram facilmente a banda com melhor som de todo o festival. Isto aconteceu sobretudo porque eram das poucas que tinham um técnico de som próprio.

Da minha parte resta apenas resta agradecer aos Colour Haze por aquele que foi uma das horas mais satisfatórias da minha vida. Que regressem rápido.


Orange Goblin


Se Colour Haze proporcionou um dos momentos mais emotivos do festival, os Orange Goblin proporcionaram o momento mais “destrutivo”. Desde o momento em que o inconfundível vocalista Ben Ward convidou Moledo a ficar “fucking crazy”, não houve quem pusessem a mão a quem quer que fosse.

Com malhas como “The Filthy and the Few”, “Quincy the Pigboy” ou “The Devil’s Whip”, os ingleses foram conquistando o coração dos fãs portugueses, que iam perdendo a cabeça naquele que foi um dos mais animados concertos de Moledo, tendo como ponto alto um moshpit de tal dimensão que nunca se tinha visto naquele recinto.

No entanto, não foram só malhas recheadas de testosterona que se fizeram ouvir, com a hipnótica "Time Traveling Blues", enraizada em blues, a criar uma hipnose e um momento mais descontraído.


Dead Witches

Para encerrar as festividades, a “super banda” de Mark Greening (ex-baterista de Electric Wizard) e Virginia Monti (Psychedelic Witchcraft) trataram de embalar os festivaleiros mais resistentes com o seu Occult Stoner Doom com bastantes influências psicadélicas.

Virginia a assumir as funções de interação com o público mostrou sempre boa disposição. Contudo, o fato de estar sempre a dizer que todos nós como ela “estávamos mortos por dentro” tornou-se um bocado embaraçoso. Não foi algo que estragasse a experiência do festival, que encerrou com um concerto decente e com um poderoso solo de Mark Greening.

Foi desta maneira, com os corpos cansados depois de uma sequência de concertos de sonho, que muitos se retiravam para o merecido descanso. Foi mais uma edição repleta de concertos excelentes em que a única coisa que merece ser apontada à direção é a qualidade do som no palco piscina, que retira toda a magia e qualidade às bandas que estão a atuar por lá, e aos cuidados escassos num campismo que está a crescer exponencialmente (mais casas de banho e mais limpas, mais acesso a agua potável).

Fora isso, só há que respeitar e louvar o crescimento deste festival e esperar que o mesmo continue por muito mais anos.

Obrigado SonicBlast, voltamo-nos a ver para o ano.


SonicBlast Moledo 2017 -  Dia 2

Texto por: Hugo Geada
Fotografia por: Ana Carvalho dos Santos

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