sábado, 30 de setembro de 2017

HOPE lançam disco de estreia em outubro


Os alemães Hope vão lançar o seu disco de estreia, HOPE, em outubro e o novo single de avanço, o homónimo "Kingdom" já ressoa cá fora.  Adeptos assumidos da aura negra, todo o seu trabalho reflete esta atração pela obscuridade, desde as letras das canções, fotografias, vídeos, até à própria capa do álbum. Esta escuridão assumida vai beber influências a bandas como Portishead e Talk Talk, explorando áreas do subconsciente humano e nascendo de feridas, desilusões e ou traumas da vida, com o objectivo de as cobrir e enterrar.

O vídeo para "Kindgom", uma obra de arte a preto e branco protagonizada pela vocalista Christine Börsch-Supan, vem dar sucessão ao trabalho audiovisual de "Cell" (disponível aqui), voltando a sublinhar que o potencial estético e artístico da banda não se fica apenas no formato áudio. Aproveitem para ver o resultado aqui:


HOPE tem data de lançamento prevista para 20 de outubro pelo selo Haldern Pop Recordings.

HOPE Tracklist: 

01. Kingdom
02. Cell
03. Raw
04. Skin
05. Glass
06. Drop Your Knives
07. Moths and Birds
08. Here Lies Love

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Leyland Kirby (The Caretaker) lança dois álbuns novos


James Leyland Kirby não tem um, mas sim dois discos novos. Em primeiro lugar, Everywhere at the end of the world - Stage 3, o terceiro de seis discos de uma série que pretende explorar os campos da demência que irão levar ao término do acarinhado projeto de Leyland Kirby como The Caretaker em 2019.


Em segundo (mas não menos importante) está We, so tired of all the darkness in our lives, lançado em nome próprio e composto por 16 temas previamente gravados que vieram agora a receber uma nova roupagem. O disco, disponível na sua página de bandcamp, pode ser descarregado gratuitamente.


Uma edição de colecionador com as primeiras três fases de Everywhere at the end of the world estará também disponível em CD no dia 13 de outubro via Boomkat.

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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

A TAGO MAGO estreia-se no Mercado Negro (Aveiro) com The Twin Stoners

É festa da grossa.


A TAGO MAGO, que surgiu há uns anos no mercado dos tascos, pubs e 'tapas & wine' da noite aveirense para divertir e hidratar o pessoal, marca agora o início da sua pegada ecológica numa noite de rock capaz de abanar com a cidade dos canais. Os protagonistas da farra são os franceses The Twin Stoners, que passam por Portugal pela primeira vez, numa mini digressão que pisa a cave do Mercado Negro em Aveiro, no próximo dia 11 de outubro (quarta-feira).

Diretamente da solarenga e idílica paisagem de Capbreton, os The Twin Stoners vêm do sul de França com as cuecas cheias de riffs, uma áurea do deserto e uma produção retro. Fazendo jus à nomenclatura, o duo gaulês respira stoner-rock dos pés à cabeça, com algumas influências da onda do acid-rock e um quê de punk. O trago a Dead Kennedys, que é notado em algumas canções, promete não deixar nenhum 'punk-addict' indiferente. Em formato guitarra-bateria, o duo traz a Portugal o seu mais recente EP The Twin Stoners II.


O concerto tem início previsto para as 22h00 e as entradas valem 3€. Todas as informações adicionais aqui.
As restantes datas da banda ao vivo, para o mês de outubro, podem ser consultadas abaixo.

October 8th - Le comptoir éphémère, Bordeaux (FR)
October 9th - Rock Beer The New, Santander (SP)
October 10th - AVAILABLE - SP/PT - TBC
October 11th - Mercado Nergo - Aveiro (PT)
October 12th - AVAILABLE - SP/PT - TBC
October 13th - Clube11, Vila Pouca de Aguiar (PT)
October 14th - Le Circus, Capbreton (FR) 

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quinta-feira, 28 de setembro de 2017

800 Gondomar anunciam álbum de estreia


Pouco mais de um ano passou desde Circunvalação, o poderoso segundo EP dos rio-tintenses 800 Gondomar, que agora se vão estrear nos álbuns com Linhas de Baixo. O primeiro longa-duração deste trio portuense vai chegar dia 13 de outubro via Cão da Garagem, com o single "Sou Cidadão" já disponível para audição. A narrativa dos 800 Gondomar continua a ser a mesma nesta malha, instrumentos bem altos e rápidos, com aquela distorção deliciosa que todos gostamos de ouvir. O punk não está morto, aliás, está muito longe disso. 

Para promover o lançamento deste álbum, vão haver dois concertos de apresentação. O primeiro será dia 13 de outubro no Maus Hábitos (Porto), e o segundo é dia 20 do mesmo mês na Galeria Zé dos Bois (Lisboa). Vejam em baixo a tracklist de Linhas de Baixo e o respectivo single.



Linhas de Baixo Tracklist:
1. Conduta
2. Gigantes
3. Eclipse
4. Cordoaria
5. Meu Menino
6. Sou Cidadão
7. Miúdos Muito Jovens
8. Preguiça
9. Cru
10. Coração
11. Sacrilégio
12. Fumo Preto
13. Argélia
14. Cedofeita

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Jay-Jay Johanson festeja aniversário de 'Whiskey' com cinco concertos em Portugal


Whiskey, o aclamado álbum de estreia do sueco Jay-Jay Johanson, conta já com duas décadas de existência e o músico vem celebrar o aniversário com cinco datas em Portugal. O disco, cujo conceito começou a ser formulado em 1994 - através da mistura de elementos do jazz, hip-hop e influências do trip-hop -, conta com temas como "It Hurts Me So" e "So Tell The Girls That I Am Back In Town", que tiveram a ajuda à produção de Magnus Frykberg, o então produtor de bandas como Massive Attack e Portishead. Os concertos são agenciados pela Lemon Live Entertainment.


Whiskey vai ser recriado em solo português entre os dias 10 a 14 de outubro nas cidades Faro (Teatro das Figuras), Lisboa (Teatro Tivoli BBVA), Leiria (Teatro José Lúcio Silva), Guarda (Teatro Municipal da Guarda) e Braga (Theatro Circo), respetivamente. Os horários e os preços dos bilhetes seguem detalhados abaixo.

 

Horários e Preços

Faro
Portas: 20h00 | Concerto: 21h00
20€ – Cadeiras de Orquestra
18€ – Plateia

Lisboa
Portas: 20h00 | Concerto: 21h00
28€ – 1ª Plateia
25€ – 2ª Plateia
23€ – Balcão 1
22€ – Balcão 2
20€ – Balcão 1 e 2 Lateral

Leiria
Portas: 20h30 | Concerto: 21h30
20€ – 1ª plateia
15€ – restantes lugares

Guarda
Portas: 21h00 | Concerto: 22h00
19€ – Cadeiras de Orquestra
15€ – 1ª Plateia 

Braga
Portas: 21h00 | Concerto: 21h30
15€ - Balcão, Plateia e Galeria

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Reportagem: Post-Punk Strikes Back Again [Hard Club, Porto]



No passado sábado, 23 de setembro, fomos até ao Hard Club, Porto assistir à segunda edição do mini-festival Post-Punk Strikes Back Again que este ano prendava o cartaz com as estreia dos belgas Charnier, a presença dos portugueses Ghost Hunt, o regresso dos franceses Tisiphone, do inglês M!R!M, dos argentinos Mueran Humanos e a fechar o certame, também de regresso, os alemães Bleib Modern, que avance-se já deram um concerto enorme. Como expectado, foi um fim de tarde e dia muito recompensadores para os que marcaram presença no evento, partilhando sorrisos, experiências e fazendo novos amigos. Mais um evento de luxo agenciado pela enorme promotora At The Rollercoaster/MIMO.

CHARNIER

Charnier

Com início marcado para as 18h00, a segunda edição do Post-Punk Strikes Back Again arrancou mesmo a tempo, com os belgas Charnier a estrearem o palco e a pisar território português pela primeira vez. Com EP novo na manga – o homónimo Charnier (2017) -, a banda aproveitou essencialmente para apresentar em território português novos singles, tendo aberto o concerto com "Almost a Silence", que logo chamou a atenção aos mais distraídos. Em formato quarteto e com um total de sete músicas na setlist – cinco das quais novíssimas -, os Charnier deram um espetáculo competente para o público mais curioso que chegou a horas à sala 2 do Hard Club, Porto (O concerto teve início mesmo às 18h00). Durante os cerca de 40 minutos de duração os membros foram trocando de instrumentos entre si, mostrando-se idóneos, apesar de pouco comunicativos. Depois dos empolgante "Run", e já na reta final da performance dos belgas, ouviram-se os já conhecidos "Bodies Flap Out" e "Gloomy Sunday" que foram muito bem escolhidos para a despedida. O concerto finalizou uns minutos antes da hora prevista, tendo sido uma boa surpresa para todos os presentes.


Charnier

GHOST HUNT

Ghost Hunt

A representar Portugal neste mini-festival de celebração da música post-punk, os Ghost Hunt subiram a palco por volta das 18h55, tal como previsto. A abrir concerto com "Under Ways", estava ali aberto o período para a diversão total. A música dos Ghost Hunt é feita pela sobreposição de sintetizadores, incorporando no seu todo elementos do post-punk (com um baixo propulsante e feroz), krautrock e um quê de techno, que não deixam qualquer um indiferente. A aterrar no ambiente do disco de estreia homónimo, a dupla composta por Pedro Chau (The Parkinsons) e Pedro Oliveira (ex-Monomoy/Blarmino) começa por fazer eclodir "Red Zone" e o público agradece dançando. Pausa para pedir uma água e passamos a entrar em territórios densos onde se ouvem "Electric Fields", "Games" e "Shallow End". Apesar das pausas um pouco estendidas entre cada canção (alguém acabou por pedir “toquem mais uma”), e um errozito aqui e ali o concerto dos Ghost Hunt foi, desta edição de mini-festival, dos que mais teve intervenção do público e um dos concertos mais fofinhos do dia, resultado da própria sonoridade da banda. Já a chegar ao fim, Pedro Chau apresentou a próxima música, "TV OD", uma versão da música original dos The Normal (1978), que foi destacadamente um dos pontos altos do concerto. Antes da despedida, o público pôde ainda ouvir mais uma música e despedir-se com carinho de uma das bandas interessantes desta "nouvelle vague" portuguesa.

Ghost Hunt

TISIPHONE

Tisphone

Os Tisiphone eram uma das grandes apostas desta segunda edição do Post-Punk Strikes Back Again. A regressar ao país um ano após a sua estreia no festival MONITOR, traziam na bagagem o seu disco de estreia homónimo, que tem vindo a destacar-se como uma surpresa no mercado da música underground. Os Tisiphone têm uma peculiaridade incrível em palco, a vocalista Clara toca de pé, numa bateria desprovida de bombo (que é tocado pela baixista Suzanne) e do hi-hat (tocado pelo guitarrista Léonard). A subir a palco pelas 19h50, os Tisiphone abrem palco com "Where Are You", prontos para arrecadar sorrisos incontáveis e palmas frutíferas entre o público presente na sala. Apesar de terem tempo limitado para tocarem, todos os que assistiram ao concerto dos Tisiphone sentiram-se extremamente recompensados. A banda apresentava na Invicta singles “Blind”, “Spiritual Object” e ainda os mais antigos “Looking Down”, “Empty Streets” e “Black Velvet” – esta última a arrecadar um êxtase compartilhado entre todos os expectadores (muitas emoções à mistura). Além das músicas do LP de estreia, o Porto teve ainda a oportunidade exclusiva de ouvir o novíssimo single "Atomic", que deverá integrar a tracklist de um novo trabalho. Com o tempo de concerto a chegar ao fim, os Tisiphone decidiram surpreender de vez (e para sempre) todos os espectadores com o enorme e também novo single "Hereux Je Suis". A única música da banda cantada na sua língua nativa foi definitivamente o ponto alto do concerto. A vocalista Clara é a nova Nina Hagen e disso já não restam dúvidas. "Hereux Je Suis", mais que uma música é um hino. E os Tisiphone são definitivamente uma banda que não pode ficar de fora dos holofotes das listas de melhores novas bandas. Que single poderoso! Que sensações tamanhas que invadiram os corpos de todos os presentes (só queremos repetir a dose) e que não deixaram ninguém ficar indiferente (Voltem para o Post-Punk Strikes Back Again, por favor). Heróis! Heróis!

Tisphone

M!R!M

M!R!M

De regresso a Portugal, depois das passagens por Leiria e Lisboa, M!R!M - projeto a solo do engenheiro de som Jack Milwaukee - estreava-se pela primeira vez na Invicta. A apresentar o mais recente disco de estúdio, Iuvenis (2017), e acompanhado por Jerro Sabaii nos sintetizadores e percussão, a dupla subiu a palco por volta das 22h15. Abrindo o concerto com "Crast" começou logo a instalar-se uma atmosfera fofinha no Hard Club. Apesar da distorção excessiva (já característica do trabalho em estúdio) que se fez sentir na abertura do concerto, com o volver da performance o som foi tornando-se gradualmente mais apelativo. A interação com o público foi certeira e sempre com um "obrigado" a chegar nos momentos certos. Ouviram-se singles como "Broken Hearts Club", "Matilde", "Avoid", "Grand Duchy Of Tuscany" e "To You My Bliss", sendo o primeiro concerto do festival a fazer acompanhar-se de projeções, que embora pouco notórias (pelo facto da “tela” serem as cortinas pretas), foram relevantes para acrescentar algo novo ao que até então tínhamos assistido. M!R!M foi uma surpresa boa para aqueles que os viam ao vivo pela primeira vez ali no Porto. De regresso a Iuvenis, Jack Milwaukee despediu-se do público português dizendo que tinham merchandise disponível para venda à saída da sala e que nós (público) fomos uns fofos. (Cutes.)

M!R!M

MUERAN HUMANOS 

Mueran Humanos

Os Mueran Humanos eram um dos nomes mais chamativos deste Post-Punk Strikes Back Again. A regressar ao país depois da passagem pelo warm-up do NOS Primavera Sound, a dupla argentina (atualmente sediada na Alemanha) trazia novos singles para apresentar em primeira mão, além do seu mais recente disco de estúdio, Miseress (2015). A subirem a palco pelas 23h10, Carmen Burguess (voz, caixas de ritmos, sintetizadores) e Tomas Nochteff (voz, baixo, tambores) fizeram ecoar na sala mais pequena do Hard Club o novíssimo single "Vestido", a integrar o próximo disco da banda, que segue ainda sem data anunciada. Além do referido tema, o público portuense pôde ainda ouvir "Guardián de Piedra" e "Detrás de una Flor" em primeira mão, aproveitando para dançar ao som dos sintetizadores. O concerto dos Mueran Humanos foi, contudo, um concerto que dividiu opiniões relativamente ao seu resultado final. Mesmo que a pouca interação com o público não tenha sido relevante para a avaliação final, ficou uma sensação de que em estúdio os Mueran Humanos conseguem cativar mais que ao vivo. Não foi um concerto mau, de longe, mas (pessoalmente) faltou ali qualquer coisa para ser um espetáculo tão cativante como o esperado à priori. A fechar concerto com "Espejo en la Nada", os Mueran Humanos despediram-se do público português com um "Buenas Noches". O concerto finalizou por volta das 23h50. Por ouvir ficou o enorme "Corazón Double".

Mueran Humanos

BLEIB MODERN

Bleib Modern

Os alemães Bleib Modern foram o único nome a repetir a estadia no mini-festival. (E ainda bem que voltaram). Formados por Philipp Läufer em 2014, os Bleib Modern foram uma surpresa enorme ao vivo. O concerto, poderoso, começou logo a chamar a atenção quando as guitarras de "Dust" se fizeram ouvir na sala. Com a famosa t-shirt Life is Hell e a sua voz forte e obscura, Philipp Läufer e companhia encheram o palco de uma música que soa incrivelmente melhor ao vivo que em estúdio. O seu post-punk obscuro, com influências da coldwave e do shoegaze arregalaram os ouvidos dos espectadores e conquistaram os corações dos que os viam ali pela primeira vez. "Hate Abuses Me" - single retirado do álbum de estreia -, foi suficiente para deixar o amor desabrochar numa sala já saudosa por um festival incrível que estava a chegar ao fim. Os Bleib Modern são maravilhosos. A sua simpatia contagiante e a forma afectiva com que tratam os fãs não deixam ninguém indiferente. O concerto no Porto refletiu isso e se há forma de descrever o que se passou na sala depois da meia noite, numa palavra, é saudades. A apresentar em primeira mão o terceiro disco de estúdio Antagonism (2017), ao vivo os Bleib Modern transformam-se em autênticos camaleões de palco. "Mindless", "Nothing" e "Mirror" foram três dos grandes destaques da noite, resultando num entretenimento celestial e totalmente envolvente. A arrecadar inúmeros aplausos entre cada tema e vários gritos de êxtase, os Bleib Modern fecharam concerto com "Blue Avowal", mostrando que a sua repetição no festival, e o facto de serem a banda responsável pelo encerramento do certame, não foi por acaso. (Que voltem em breve, por favor.)

Bleib Modern


A segunda edição do Post-Punk Strikes Again voltou a sublinhar o profissionalismo, simpatia e eficácia da promotora independente At The Rollercoaster que nos últimos anos tem trazido excelentes projetos e concertos a solo nacional, continuando a oferecer a um público de nicho experiências únicas. Foi uma edição excelente, com projetos dentro da mesma onda musical, mas díspares entre si, que garantiram uma miscelânea de sensações e, obviamente, um dia muito bem passado no Porto. Uma iniciativa de louvar. 

Post-Punk Strikes Back Again [Hard Club, Porto]

A Fotogaleria completa do evento pode ser vista aqui.
 
Um agradecimento especial aos Tisiphone que se disponibilizaram para uma entrevista pessoal (a ser publicada aqui em breve) e um agradecimento do tamanho do mundo à At The Rollercoaster que nos recebe sempre tão bem a cada evento.




Texto: Sónia Felizardo
Fotografia: Virgílio Santos

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quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Gonçalo anuncia primeiro disco para novembro, partilha vídeo para 'Champagna'

© Alexandre Fernandes

Gonçalo, o baixista dos portugueses Long Way To Alaska, está de volta às edições e prepara-se para lançar o seu primeiro longa-duração. Boavista é o título do disco que sucede a Quim, o EP de estreia do músico natural de Braga lançado em 2014.

 "Champagna" é o primeiro avanço de Boavista e o vídeo, dirigido por Vasco Mendes, pode ser visto em baixo. O disco, esse, chega-nos dia 13 de novembro e volta a receber o selo da Lovers & Lollypops.


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terça-feira, 26 de setembro de 2017

Cinco Discos, Cinco Críticas #29


Estamos de regresso ao Cinco Discos, Cinco Críticas desta vez para vos apresentar as novas edições de Maurice Brown, Alvvays, Wand, Liturgy Of Decay e Orelha Negra. As críticas, ao discos mais recentes dos referidos artistas seguem abaixo. Podendo, é ler e ouvir.

Antisocialites // Transgressive/Polyvinyl // setembro de 2017
8.2/10

Os Alvvays lançaram em 2014 o seu primeiro álbum, homónimo. Este ano, com Antisocialites, soam e compõem melhor. O disco mostra um mais afinado trabalho de gravação e produção e a qualidade das canções é mais consistente do que anteriormente. Ainda nenhuma das novas músicas me conquistou como "Archie, Marry Me", mas algumas delas, como "In Undertow", "Hey", cuja secção rítmica parece saída de um disco de krautrock, e "Plimsoll Punks", também ficam na cabeça.
A sonoridade da banda é ainda um indie pop agradável, simples e bonito. A vocalista Kerri MacLellan canta bem e a sua voz combina perfeitamente com os instrumentais. As guitarras fazem lembrar várias vezes o jangle pop dos anos 80 e os teclados são bem introduzidos nos momentos certos. Há boas melodias e o disco é curto, o que faz com que garantidamente não fique aborrecido. No entanto, nem tudo é bom. As duas músicas mais lentas e calmas, "Forget About Life" e "Already Gone", que nem percussão tem, distinguem-se das outras por isso, mas são as duas música mais fracas do álbum e nada se perdia se estas não o integrassem. No entanto são apenas dois maus momentos em meia hora de música bonita, apesar de pouco única.
Rui Santos





Plum // Drag City // setembro de 2017
7.0/10

Os californianos Wand, para quem teve oportunidade de os ver no festival NOS Primavera Sound, estavam a prometer uma mudança no som da banda e na sua identidade, este álbum é o culminar deste processo. Em comparação com os dois lançamentos de 2015, existe um maior afastamento da agressividade de Golem que se inseria mais no movimento revivalista de garage rock e vai mais de encontro com 1000 Days e as suas estruturas pouco convencionais e mais calmas.
Sendo assim, se o distanciamento de influências como Ty Segall (mecenas da banda) ou Thee oh Sees são notórios, então podemos afirmar que existe um aproximar de bandas como Radiohead, especialmente na música "Bee Karma", ou das explorações artísticas dos Deerhoof. Para os fãs dos trabalhos mais antigos desta banda, e que vêm à procura do som mais explosivo do conjunto, estas experiências podem deixar um travo amargo na garganta. Ao tentar balançar os momentos mais serenos e calmos com os mais elétricos é notável que este álbum pende para o primeiro lado, contudo, quando o conjunto inicia as suas "experiências" e estas duram uns longos e intermináveis minutos a única vontade é atirar a balança para o lado oposto da sala. Se a banda procurasse focar nos momentos mais concretos da sua música e não se deixasse levar por estes devaneios este álbum tinha sido certamente muito mais forte.
Hugo Geada





The Mood // Ropeadope // março de 2017 
8.0/10

Directamente de Nova Iorque surge o álbum que irá trazer a sensação de Verão eterno graças à energia positiva com que são compostas todas as músicas deste The Mood de Maurice Brown. Da família do jazz e com uma grande fusão de hip-hop e rap o artista traz-nos um álbum que apresenta uma nova perspectiva do que é o jazz da actualidade. Basta ouvir logo a primeira música com o nome do álbum para perceber o pretendido, a noção de inovação está latente no trabalho de Maurice Brown.
Com muito improviso no trompete, instrumento que o artista toca, consegue fazer com que todos os dias e todos finais de tarde deste ano acabem sempre com um sol quente. Apesar de ser de março, o álbum consegue transmitir essa vibe de que em qualquer altura do ano pode ser ouvido para nos fazer mergulhar em águas de praia. É ao ouvir logo a segunda faixa de dez, "On My Way Home", que nos apercebemos do que acima é dito, Maurice Brown é um virtuoso do improviso, trazendo jazz com mistura world music a que estamos habituados em artistas como Orlando Julius, ou bandas como Bixiga 70. Também de realçar os nomes que ajudam a fazer este álbum com o exemplo de Talib Kweli, com a faixa "Stand Up" com conotação mais política e com a lírica ligada ao jazz criando assim outro bom casamento de duas coisas que surgem dos grandes subúrbios americanos. Um álbum que apesar de chegar tarde aos nossos ouvidos tão cedo não sairá por ser o nosso álbum de Verão Eterno. Maurice Brown, ladies and gentleman.
Duarte Fortuna




First Psalms // D-Monic // outubro de 2016
8.5/10 

Formados em 1997 e atualmente o projeto a solo do vocalista, compositor e multi-instrumentista Olivier Luthereau, os franceses Liturgy Of Decay, lançaram em outubro do ano passado o seu primeiro disco de estúdio, First Psalms, aquele que é definitivamente um álbum obrigatório para todos os melómanos da música obscura.
A música de Liturgy Of Decay vai beber influências ao melodic e doom metal, mas igualmente à gothic wave contemporânea, sendo inspirada em formas e orquestrações musicais seculares. Mais do que puramente música, First Psalms é um disco artisticamente multidisciplinar e enriquecido de um conteúdo tão metafísico e dialético como estritamente estético, uma vez que é composto por sequências visuais sincronizadas com os conteúdos áudio – uma experiência acrescida para todos os que comprarem o álbum.
Com uma sonoridade a merecer comparações a bandas como Öxxö Xööx e Paradise Lost, este trabalho de estreia é um disco que não merece ficar fora dos holofotes da música underground. Singles como “Mental Damage” “Suffering The Idyll”, “Dispossessed”, “Tales Of Betrayals” e “Tristiana” escontram-se embutidos em arranjos orquestrais únicos e vêm denotar o Flamboyant Gothic Metal (música atmosférica, sinfónica e mística), género cunhado pelos próprios. First Pslams é um álbum com uma produção invejável, carregado de uma tensão emocional e espiritual que conduz à exploração de um universo eterno onde guitarras saturadas e ritmos martelados, orquestrações clássicas e eletrónicas, órgãos, cravos e coros se fundem na revolta de um passado dolorido e a invocação para um futuro glorioso. Um álbum essencialmente introspectivo e integralmente tocante, refletindo os cerca de 20 anos levados para refinar as sua sonoridade. Um disco singular, exímio e carregado de um valor inquantificável. É impossível não sentir em First Psalms, ora experimentem.
Sónia Felizardo





Orelha Negra // Meifumado // setembro de 2017
7.5/10

Samuel Mira a.k.a. Sam the Kid, Dj Cruzfader, Francisco Rebelo, João Gomes e Fred Pinto Ferreira são os Orelha Negra e regressaram em 2017 com o seu terceiro disco de originais, homónimo como de costume. Este é um disco diferente dos seus antecessores (2010 e 2012), não é tão imediato e necessita de atenção. Resulta melhor ao vivo que em estúdio – foi apresentado ao vivo antes de ser editado, no mítico concerto no grande auditório do CCB em janeiro de 2016 (algo que acontece desde o primeiro álbum, funcionando estes concertos como uma espécie de laboratório). Nos treze temas que o compõem a essência urbana do hip-hop e da soul continua presente, assim como os já habituais sampling e gira-disquimo, havendo agora também espaço para uma aura mais psicadélica e cósmica.
As músicas que mais se destacam são aquelas em que os sintetizadores são protagonistas, como "Apolo 70" e a sua matriz krautiana, "Clair", "Soul2" e "Skylab", que traz à tona os Daft Punk. O single "Sombra" funciona aqui como um regresso ao passado, relembrando os primeiros trabalhos. Em Orelha Negra III a maturidade e experiência são palpáveis. A produção roça a perfeição, algo a que já estamos habituados. A essência dos Orelha Negra está lá toda.
Rui Gameiro



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Os bilhetes para Woodentops + Holygram ficam disponíveis esta quinta


Novembro marca o regresso dos britânicos The Woodentops em território nacional. A banda, formada em 1983 na Inglaterra, traz ao Porto 34 anos de carreira e um espectáculo único em solo português que promete ser memorável para todos os que adquirirem o bilhete. Além do regresso desta banda icónica no movimento underground do rock alternativo e new wave, os alemães Holygram, responsáveis pela abertura do concerto, fazem a sua estreia pelo país, garantindo um espetáculo de post-punk que promete meter toda a gente a dançar. Tudo isto está marcado para 4 de novembro no sala 2 do Hard Club, Porto, com o selo At The Rollercoaster.

Rolo McGinty (voz, guitarra), Frank de Freitas (baixo), Simon Mawby (guitarra), Benny Staples (bateria) e Alice Thompson (teclados) formaram os The Woodentops em 1983 e apenas com o single de estreia "Plenty", conseguiram conquistar os olhos mais atentos da crítica especializada, tendo assinado contrato com o Rough Trade, selo que lançou a edição física do primeiro disco da banda, Giant (1986). Com o tempo, a banda tornou-se mais frenética e experimental, recorrendo a sonoridades eletrónicas. Atualmente, conservando ainda três membros da formação original (Rolo McGinty, Frank de Freitas e Simon Mawby), a banda sobe a palcos em apresentação do mais recente disco Granular Tales (2014) sem nunca descurar dos grande êxitos de Giant. Um concerto exclusivo e totalmente imperdível.


Os Holygram formaram-se em 2015 e descrevem a sua sonoridade como "condutora e sombria, mas enriquecida por momentos cativantes". O único trabalho editado oficialmente pelo quinteto é o EP homónimo Holygram, que foi gravado e misturado no estúdio AMEN da banda, ao longo de vários meses. O disco, muito bem recebido pela crítica, poderá ser ouvido na íntegra no concerto do Porto. 


Os bilhetes para este evento ficam disponíveis a partir da próxima quinta-feira, 28 de setembro, e custam apenas 15€. Podem ser adquiridos no Hard Club, Piranha, Bunkerstore e Louie Louie. Todas as informações adicionais aqui.



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STREAM: Autumns - Suffocating Brothers


Autumns, o projeto a solo do irlandês Christian Donaghey, regressou na passada semana às edições de estúdio com Suffocating Brothers, aquele que é oficialmente o primeiro disco de estúdio longa-duração do músico. Escrito e produzido ao longo de seis meses, entre julho e dezembro de 2016, Suffocating Brothers é um álbum que vem como uma satisfação momentânea e devastadora do que o projeto Autumns esboçou com uma intenção cada vez mais cruel nos últimos anos.

Composto por um total de 9 canções (e uma bónus para a versão digital), Suffocating Brothers vem dar sucessão ao mini LP Terrible Tuesday (2014). O álbum apresenta-se como um registo unificado por uma extraordinária profundidade e fisicalidade que encoraja comparações favoráveis com os extremos incendiários do post-punk, do noise, industrial, techno, coldwave, dub e drone.
 
Suffocating Brothers foi editado oficialmente a 23 de setembro pelo selo Clan Destine Records.

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Black Bombaim dão último concerto com Peter Brötzmann no Passos Manuel


As últimas atuações dos portentos doom psicadélico portugueses Black Bombaim ao lado do  saxofonista alemão e lenda do free jazz europeu Peter Brötzmann encontram-se marcadas para o final de outubro. A primeira encontra-se inserida na programação do Jameson Urban Routes e está marcada para o dia 25 de outubro no Musicbox, em Lisboa. A acrescentar a esta data previamente anunciada junta-se uma última atuação a decorrer no Porto, onde atuaram juntos pela primeira vez em 2016 na Culturgest. Agora, para findar a última atuação ao vivo desta colaboração muito especial, Black Bombain e Peter Brötzmann aliam forças mais uma vez na Invicta, desta vez com um concerto a decorrer na sala do Passos Manuel, no dia 26 de outubro. 

Em 2016, estas duas forças tão díspares tanto a nível musical como geracional juntaram-se para um incrível disco que veio a receber excelentes críticas pelo media nacional e internacional, uma colaboração que junta a força dos riffs da banda portuguesa ao hipnótico e sempre experimental saxofone de Peter Brötzmann, cuja carreira remete para o final dos anos 60. Com uma infinidade de discos e colaborações, Peter Brötzmann destaca-se pelo seu caráter único e vanguardista e pelo uso exímio do saxofone nas suas composições.


Os bilhetes para o concerto do Porto recebem o selo da Lover & Lollypops e encontram-se disponíveis ao preço de pré-venda por 12 euros (comprar aqui). À porta, passarão ao custo de 15 euros. A primeira parte estará a cargo dos Paisiel.

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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Mão cheia de confirmações para o Black Bass


O festival eborense Black Bass esteve de volta com mais confirmações esta semana, uma mão cheia delas para dizer melhor. A Pointlist vai continuando a trabalhar bem (da única maneira que sabe) para a quarta edição desta sua acarinhada festa, e o cartaz final já se vai conseguindo ver no horizonte. 
Kings of the Beach, Panado (os mais recentes membros da família Pointlist), Mr. Gallini, Toulouse, Ratere e The Twist Connection são as mais recentes confirmações para o Black Bass. Esperem muita destruição daqui, não é razão para menos. 

É de relembrar que a entrada para o primeiro dia do festival (16 de novembro) é grátis para os sócios da Sociedade Harmonia Eborense, sendo que os não-sócios pagam 3 euros de bilhete. O preço do passe para os restantes dois dias (17 e 18 de novembro), a decorrer na SOIR-JAA, irá custar 10 euros. Sendo que o bilhete individual para cada um destes dias custará 8 euros.




Todos os cartazes são de autoria "A Cristina Faz"

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Melt-Banana estreiam-se em Portugal esta semana


Os japoneses Melt-Banana estreiam-se em palcos portugueses já esta semana. A banda agora composta apenas por Yasuku Onuki e Agata visita-nos pela primeira vez com duas datas a decorrer no Porto e em Lisboa, respetivamente. A primeira decorre no Maus Hábitos, dia 28, seguindo-se o concerto na Galeria Zé dos Bois no dia 29. A curadoria do concerto a decorrer no Porto é repartida entre a Lovers & Lollypops e a Amplificasom.

Formados em 1992, a banda ficou conhecida pela sua sonoridade grindcore com estruturas da pop experimental, eletrónicas e noise  que garantiram álbuns de culto como Cell-Scape (2003) ou mais recentemente Fetch (2013). A loucura noise avant-garde aterra, então, esta semana e deverá contar com novos temas na setlist



Os bilhetes para o concerto do Porto têm um preço único de 10€ e estão disponíveis para compra aqui. Em Lisboa os bilhetes possuem o mesmo preço e encontram-se disponíveis na Flur Discos, Tabacaria Martins e na própria ZDB.



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Minami Deutsch / 南ドイツ estreiam-se em Portugal


Os japoneses Minami Deutsch,  vão estrear-se por territórios nacionais para dois concertos, agendados para os dias 18 e 19 de outubro no Circulo Católico e Operário do Porto (CCOP) e Sabotage Club, em Lisboa, respetivamente. Formados em 2014, o trio de krautrock com algumas influências da música stoner e psicadélica, vem a Portugal apresentar o seu mais recente disco de estúdio homónimo, editado em julho do ano passado.


Editado pela casa GuruGuruBrain, este novo disco é essencial para quem aprecia a releitura do som motorik dos anos 70, com influências dos ritmos popularizados por Klaus Dinger via NEU!. O concerto de Lisboa contará ainda com a abertura dos portugueses Asimov que trazem na bagagem o disco TRUTH (2016). Já no Porto serão os Preto Marfim a abrir.



Os bilhetes para o Porto têm um preço de 10€ e já podem ser adquiridos aqui. Ainda não são conhecidos os preços para Lisboa. Todas as informações adicionais para o concerto no Sabotage Club, aqui e para o concerto no CCOP, aqui.

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