sábado, 7 de outubro de 2017

[Review] ​Iglooghost​ - Neō Wax Bloom



Neō Wax Bloom // Brainfeeder // setembro de 2017
8.0/10

O​ ​jovem​ ​produtor​ ​irlandês​ ​Seamus​ ​Malliagh,​ ​mais​ ​conhecido​ ​pelo​ ​seu​ ​nickname​ Iglooghost, tem​ ​criado​ ​um​ ​burburinho​ ​nas​ ​lides​ ​da​ ​eletrónica,​ ​muito​ ​graças​ ​ao​ ​seu​ ​primeiro​ ​registo​ ​em formato​ ​EP​ ​-​ ​Chinese​ ​Nü​ ​Yr​ ​-​ ​com​ ​a​ ​label​ ​da​ ​celebrada​ ​e versada editora​ nas​ ​sonoridades eletrónicas/hip-hop​,​ ​a​ ​Brainfeeder, criada​ ​pelo​ ​produtor​ ​Flying​ ​Lotus.​ ​Sob​ ​essa​ ​mesma editora,​ ​que​ ​também​ ​espalhou​ ​os​ ​nomes​ ​de​ ​The​ ​Gaslamp​ ​Killer​ ​e​ ​Thundercat​ ​na​ ​cena musical​ ​atual​ ​como​ ​achas​ ​à​ ​fogueira,​ ​o​ ​músico​ ​de​ ​vinte​ ​anos​ ​lança​ ​agora​ ​o​ ​seu​ ​novo longa-duração,​ ​Neō Wax Bloom.

© Tim Twiss
A​ ​sonoridade​ ​de​ ​Iglooghost​ ​baseia-se​ ​numa​ ​IDM​ ​influenciada​ ​pela​ ​vertente​ ​mais​ ​dançável do​ ​género​ ​e​ ​baseada​ ​em​ ​estilos​ ​como​ ​o​ ​​grime​ ,​ ​o​ ​​breakcore​ ,​ ​o​ ​​hip-hop​ ​ ​e​ ​o​ ​​wonky​.​ ​Indo​ ​em mais​ ​detalhe,​ ​pode-se​ ​esperar​ ​uma​ ​panóplia​ ​de​ ​melodias​ ​catchy,​ ​ousadas​ ​e​ ​cheias​ ​de​ ​vida, sincopadas​ ​com​ ​batidas​ ​glitchy​ ​- usualmente​ ​instáveis​ ​e​ ​caóticas-,​ ​com​ ​uso​ ​seletivo​ ​e​ ​criativo de​ ​sampling.​ ​Acumulando-se​ ​tudo,​ ​ele​ ​cria​ ​uma​ ​atmosfera​ ​bastante​ ​rica​ ​que​ ​dá​ ​corpo​ ​a landscapes​ ​musicais​ ​surrealistas,​ ​alienígenas​ ​e​ ​surpreendentemente​ ​adocicadas​ ​e​ ​que, acredite-se​ ​ou​ ​não,​ ​vem​ ​com​ ​uma​ ​espécie​ ​de​ ​backstory/conceito​ ​intergaláctico​ ​por​ ​detrás das​ ​músicas.

Quanto​ ​às​ ​faixas​ ​em​ ​si,​ ​"Pale​ ​Eyes" ​é​ ​uma ​música​ ​curta​ ​que​ ​faz​ ​um​ ​bom​ ​trabalho​ ​em introduzir​ ​o​ ​ouvinte​ ​ao​ ​imaginário​ ​louco​ ​que​ ​reina​ ​neste​ ​som,​ ​começando​ ​calmamente​ ​e tornando-se​ ​gradualmente​ ​mais​ ​rico​ ​em​ ​textura​ ​musical​ ​aleatória;​ ​quando​ ​"Super​ ​Ink​ ​Burst" começa​ ​a​ ​tocar,​ ​essas​ ​texturas​ ​culminam​ ​numa​ ​explosão​ ​incessante​ e ​sónica.​ ​"Solar​ ​Blade"​ ​é ainda​ ​outro​ ​ponto​ ​alto,​ ​em​ ​que​ ​melhor​ ​se​ ​reflete​ ​a​ ​dinâmica​ ​rítmica​ ​de​ ​Iglooghost.​ ​"Zen Champ", por sua vez, ​é ​contraditório,​ ​uma vez que​ ​atua​ ​como​ ​um​ ​dos​ ​momentos​ ​mais​ ​enérgicos​ ​e​ ​​upbeat​ ​ ​do álbum.​ ​"Bug​ ​Thief",​ ​"Purity​ ​Shards"​ ​e​ ​"Infinite​ ​Mint",​ ​com​ ​a​ ​cantautora​ ​e​ ​comparsa​ ​Cuushe, são​ ​as​ ​faixas​ ​que​ ​estão​ ​mais​ ​perto​ ​de​ ​serem​ ​os​ ​momentos​ ​mais​ ​chill​ ​do​ ​álbum.​ ​Por​ ​fim, "Peanut​ ​Choker" ​e​ ​"God​ ​Grid”" ​são​ ​duas​ ​faixas​ ​que​ ​fecham​ ​o​ ​alinhamento​ ​do​ ​álbum​ ​com chave​ ​de​ ​ouro.


Graças​ ​a​ ​um​ ​bom​ ​uso​ ​das​ ​influências​ ​musicais​ ​em​ ​prol​ ​de​ ​uma​ ​identidade​ ​própria​ ​e​ ​de equilíbrio​ ​bem​ ​conseguido​ ​de​ ​melodias​ ​agradáveis,​ ​com​ ​um​ ​trabalho​ ​rítmico​ ​complexo,​ ​este álbum​ ​acaba​ ​por​ ​ser​ ​uma​ ​das​ ​melhores​ ​surpresas​ ​deste​ ​ano,​ ​enquanto​ ​que​ ​os​ ​que​ ​já​ ​se encontram​ ​familiarizados​ ​nestas​ ​andanças​ ​já​ ​sabem​ ​o​ ​que​ ​esperar.​ ​Se​ ​procuram​ ​algo para​ ​ouvir​ ​que​ ​seja​ ​minimamente​ ​desafiante​ ​e​ ​que​ ​frite​ ​mentes​ ​com​ ​​imagery​ ​de​ ​planetas distantes​ ​e​ ​criaturas​ ​fora​ ​do​ ​comum,​ ​este​ ​pode​ ​muito​ ​bem​ ​ser​ ​o​ ​álbum​ ​que​ ​responda​ ​a tais​ ​necessidades​ ​específicas.

Texto: Rúben Leite

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Lur Lur e IAMTHESHADOW tocam na 3ª edição do Sons na Aldeia

© António Granja Teixeira

A terceira edição do Sons Na Aldeia acontece no próximo dia 9 de dezembro e traz ao palco do Salão Nobre, da Sociedade Musical 5 de Outubro (na Aldeia de Paio Pires), concertos das bandas Lur Lur e IAMTHESHADOW - dois projectos nacionais que têm vindo, cada um na sua área, a conquistar o seu espaço no panorama musical português.

Formados por Lucinda Sebastião e Peter Peter, os Lur Lur são atualmente um quinteto, completo por João Simões na guitarra, João Fininho no baixo e Nuno Camilo na bateria. A banda, que apresenta um duo de vozes harmonioso e original e assente numa constante dinâmica entre os músicos que os acompanham, apresentará o EP Love Will Keep Us Together.


IAMTHESHADOW é um projecto criado em 2015 por Pedro Code (voz, teclas e guitarra) ao qual se juntaram no final de 2016, Vitor Moreira (sintetizadores) e Herr G (baixo e guitarra). Movimentando-se nas áreas da electrónica e dark wave de forte inspiração nas sonoridades mais profundas e penetrantes dos anos 80, os artistas apresentam ao público da Aldeia Paio Pires o seu mais disco All Our Demons (2017).


Os concertos têm início marcado para as 21h30. Todas as informações adicionadas podem ser encontradas aqui. O Sons Na Aldeia é uma produção da CoopA.

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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

STREAM: D-Monic - The Seeds Of D​-​monic Vol. 1 Compilation


O selo francês D-Monic está presente no mercado desde 2006, com o objetivo de editar e lançar vinis e CD's de bandas independentes com uma sonoridade mais obscura. Onze anos depois do início, a D-Monic orgulha-se de apresentar a primeira compilação oficial da marca que conta com a colaboração de artistas como Liturgy Of Decay, Corpus Delecti, James Rays Gangmar, Sweet William, Monolog, entre muitos outros a descobrir ali em baixo.

A compilação, que reúne géneros desde a coldwave, post-punk, folk, rock, psych, trip-hop, entre outros, encontra-se disponível para audição integral, abaixo, e está disponível para download gratuito, através da funcionalidade "name your price" aqui.

The Seeds Of D​-​monic Vol. 1 é editado hoje (sexta-feira, 6 de outubro) pelo selo francês D-Monic.


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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Daniel O'Sullivan e Ricardo Remédio atuam este domingo em Lisboa


É já este domingo, (8 de outubro) que Daniel O'Sullivan sobe ao palco da St. George Church, em Lisboa, para apresentar o seu novo e aclamado disco Veld (2016). Escrito e gravado entre 2010 e 2016, Veld apresenta-se como uma "obra de sortilégios ​pop, música electro-acústica e de cintilantes reverberações ​ drone​, simultaneamente denso e alusivo com encantadoras derivações sónicas, mantras hipnóticos e​ ​estranhos​ ​ritmos​ biomecânicos". 


A abertura do concerto está a cargo de Ricardo Remédio, amplamente conhecido como membro fundador de LÖBO e do seu projeto a solo RA. Mais recentemente, através de Natureza Morta (que contou com a participação de Daniel O’Sullivan na produção e James Plotkin na masterização), disco a apresentar no concerto, Ricardo Remédio afirmou-se em formato homónimo.



Os concertos têm início marcado para as 21h30 e contam com o selo Nariz Entupido. Os bilhetes têm um preço de 8€ em pré-venda (até 24 de outubro) e de 10€, adquiridos no dia, à porta. Todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui.

 

Próximos concertos Nariz Entupido

08 de outubro - Daniel O' Sullivan + Ricardo Remédio | Lisboa
25 de outubro |-Steve Hauschildt + Jari Marjamaki | Lisboa
11 de novembro - Nariz Entupido + Alienação #4 \ Acid Acid + Ricardo Remédio | SMUP | Parede

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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Liars, Oddisee, Ermo e Hinds nas novidades do Mexefest

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Mais meia dúzia de confirmações na últimas semanas para a edição de 2017 do Vodafone Mexefest. Primeiro foram confirmados Liars, Iamddb. e os brasileiros Liniker e os Caramelows. Seguiram-se uma semana e tal mais tarde nomes como Hinds, Oddisee e Ermo.

Liars, agora apenas com Angus Andrew, vem ao nosso país uma vez mais mostrar porque é considerado um dos projetos mais inovadores das últimas duas décadas. Na bagagem traz TFCF, editado em 2017.


Liniker e os Caramelows vêm de São Paulo, e é um dos projetos mais estimulantes da atual música brasileira.  Remonta, editado em 2016, é o disco de estreia onde espaço para MPB, muita soul e referências que vão desde Tim Maia até às mais improváveis baladas latinas, passando pelo inevitável Ney Matogrosso, fazem deste registo um verdadeiro acontecimento. 

Motivada por uma cena musical que fervilha em Manchester, Iamddb. não tem parado de criar.  Empenhada em juntar jazz às batidas trap que domina com mestria, e cada vez mais interessada nas suas raízes angolanas, esta jovem de Manchester tem nomes como Jimmy Dludlu e Lianne La Havas na sua lista de referências. 

Oddisee é um dos músicos mais produtivos dos últimos dez anos: mixtapes, discos, colaborações e muitos outros trabalhos enquanto produtor atestam a sua prodigiosa ética de trabalho. Interventivo como poucos, Oddisee aborda temas como as desigualdades sociais e de género, ou a islamofobia. Em 2017, lançou The Iceberg, onde o jazz é a base de todo o trabalho, mas também há soul, funk, disco.

Os Ermo são António Costa e Bernardo Barbosa e chegam a 2017 com um dos discos mais arriscados e aclamados de 2017. Depois de editarem em 2013 o aclamado Vem Por Aqui, aventuraram-se por novos caminhos experimentais, dos quais resultou Lo-Fi Moda. Mais uma vez, a crítica rendeu-se ao talento do duo bracarense, tendo recebido a cotação de cinco estrelas pela Blitz e pelo Expresso.


Os espanholas Hinds também estão de regresso a território nacional, após passagens por Paredes de Coura (2015) e Musicbox (2016). O quarteto feminino vem apresentar o seu rock de garagem, lo-fi, direto ao assunto, com carisma e descontração em doses elevadas. Leave Me Alone é o seu álbum de estreia e foi editado no ano passado. 

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Festival Para Gente Sentada apresenta cartaz completo


A décima terceira edição do Festival Para Gente Sentada está de volta e decorre já no próximo mês de novembro em Braga. O alinhamento, que já contava com a presença de Perfume Genius e Julien Baker, encontra-se agora completo e a programação por dias já pode ser consultada.

Noiserv e Capitão Fausto juntam-se a Perfume Genius e Julien Baker na sala maior de Braga, o Theatro Circo, nos dias 17 e 18 de novembro, respetivamente. Já pelo gnration irão passar no dia 17 os leirienses First Breath After Coma, que em 2016 editaram Drifter valendo-lhes uma nomeação para Álbum do Ano para a IMPALA, assim como o coletivo eletrónico Holy Nothing. No dia 18 é a vez de Luís Severo apresentar o disco homónimo no espaço bracarense, seguindo-se Moullinex para terminar a noite em festa.

Além dos concertos em sala, o Festival Para Gente Sentada volta a levar a música ao centro da cidade com os concertos de dois dos mais acarinhado grupos bracarenses: os Máquina del Amor, quarteto que junta membros dos peixe:avião e Smix Smox Smux, e ainda os Ermo de António Costa e Bernardo Barbosa, que atuam em casa para apresentar o mais recente  Lo-Fi Moda.

Os bilhetes para o Festival Para Gente Sentada já se encontram disponíveis em bol.pt, locais habituais (Fnac, Worten, CTT...) e na bilheteira do Theatro Circo. O bilhete diário pode ser adquirido ao preço de 20€ e o bilhete para os dois dias por 30€.





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Oiçam aqui o post-punk refrescante dos SEKEL

© Gianluca La Bruna
Os suecos SEKEL prometem ser a próxima nova cena no mercado da música post-punk de traços noise e do krautrock, e a prova está em "Next To Nothing", o primeiro tema de avanço do disco de estreia, Sekel. Se até à data a banda tinha editado apenas os singles "Selasi" e "Fred's Wave", que mostravam uma sonoridade mais dentro da onda de bandas como Motorama e DIIV, neste "Next To Nothing" a evolução do seu post-punk é claramente para os caminhos do noise-rock, fazendo lembrar uns Preoccupations, na altura de Viet Cong e uns Spectres.

O título da canção é inspirado num poema de Paul Bowles e segundo a banda, é um single que "Começou a partir da escrita automática, mas acabou por se tornar em algo como um cenário de ida e volta de uma morte próxima, (...) de uma narrativa estranha, nervosa e infernal. Um fluxo constante de ansiedade e libertação, ao mesmo tempo, como um sonho surreal da febre da limitação existencial". "Next To Nothing" pode ser escutado abaixo.


Sekel tem data de lançamento prevista para 15 de dezembro pelo selo Fuzz Club Records

Sekel Tracklist:

1 - Bergamot
2 - Crayons
3 - Heliopolis
4 - Detektiv
5 - Ivery Fix
6 - Next To Nothing
7 - Spirit Gum
8 - Vortex
9 - Stick
10 - No Star

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terça-feira, 3 de outubro de 2017

STREAM: Losange - Quartz


Losange, projeto de pop experimental do francês Benoit Baudrin, editou no passado mês de setembro o seu álbum de estreia, Quartz, com o selo da Johnkôôl Records. O disco de estreia de Losange é composto por um total de oito faixas completamente sintéticas. 

Usando apenas um tipo de sintetizador, o sintetizador FM Yamaha DX7, capaz de reproduzir apenas um tipo de som, Benoit apresenta-nos as suas melodias minimais e ambiente, pontuadas por algum 8-bit e influenciadas por Terry Ryley, AIR ou Daft Punk.

Quartz pode ser ouvido integralmente, em baixo.
   



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Time For T em entrevista:"Por vezes exploramos certos sons ou arranjos até ao ponto de loucura"

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Os Time for T são um projeto fundado em Brighton por Tiago Saga, jovem de herança britânica, libanesa e espanhola que cresceu na Califórnia portuguesa - como o próprio apelida o Algarve. Editaram no passado dia 22 o sucessor do seu álbum homónimo (2015), Hoping Something Anything, com o selo da Last Train Records. A banda atua no Musicbox no próximo sábado, 7 de outubro, e nós estivemos à convera com o Tiago Saga.


Threshold Magazine (TM) - Como é que se conheceram e formaram os Time for T?

Time for T - Time for T nasceu como um projecto a solo quando fui estudar de Portugal para Brighton, Inglaterra. Fui fazendo amigos em bandas e acabei por 'roubar' todos os melhores membros das várias bandas e começámos uma 'super banda' por assim dizer.

TM – Como caraterizam a vossa sonoridade? A nosso ver achamos que deixa as pessoas bastante alegres.

Time for T - Nós gostamos de pôr o pessoal alegre, especialmente nos concertos ao vivo. No fundo, as canções até falam de tópicos tristes mas tentamos camuflar essa seriedade com boa disposição musical e emocional em palco. Acho que tocamos uma mistura de géneros que achamos funcionar juntos. Acabamos por nos caracterizar como Tropical Psych Rock.

TM – O que vos influenciou a compor Hoping Something Anything? Alguma artista, filme ou livre em especial?

Time for T - Acho que a maior influência neste disco foi uma viajem à Índia no princípio de 2016. Viagens em geral sempre foram uma grande fonte de inspiração. Há certos álbuns e artistas que ouvimos e que talvez subconscientemente nos influenciaram: Caetano Veloso, The War on Drugs, Jorge Ben, Beach House e Patrick Watson.

TM – Como se sentiram ao produzirem o próprio disco?

Time for T - Sentimo-nos completamente livres mas ao mesmo tempo perdidos pois o mundo sonoro não tem limites. Por vezes exploramos certos sons ou arranjos até ao ponto de loucura. Acho que, por fim, conseguimos um trabalho unido mas ecléctico - um desafio que sempre estará presente na nossa música.

TM – Tem alguma história por detrás da capa meio cósmica de Hoping Something Anything?

Time for T - Quando falei do título do álbum com a artista Kim Schaedlich, ela disse logo que imaginava um enorme buraco para simbolizar 'o nada' ou o 'vazio'. Nós gostámos dessa ideia pois conecta bem com o espírito deste disco, vem de um sítio natural e claro, gostamos de coisas cósmicas!

TM – Sentem que alguma coisa mudou dos outros trabalhos para este?

Time for T - Sim, este trabalho é muito mais maduro e foi concebido com muito mais atenção comparando com os nossos outros trabalhos. Não foi apenas gravar 13 canções e juntá-las, foi um processo de ver como podiam crescer lado a lado e como este disco podia funcionar como um trabalho em si.

TM – Podem-nos contar sobre a vossa aventura em Ronda?

Time for T - Foi um concerto de última hora num festival de vinho. Convidaram-nos para tocar pois tínhamos uns amigos de Madrid, Club del Rio, que iriam tocar lá também. Não tínhamos expectativas nenhumas mas acabámos por nos apaixonar completamente pela vila e pelas pessoas. Agora voltamos todos os anos e as pessoas conhecem-nos e cantam as nossas cancões ao vivo. A cidade parece uma cidade dos Elfos no Senhores dos Anéis. Vista magnífica e um espírito muito inspirador. Ernest Hemingway e Orson Welles são alguns dos artistas que lá residiram e trabalharam.


TM – Onde se sentem melhor recebidos, Reino Unido ou Portugal?

Time for T - Pergunta difícil! Depende muito do evento mas geralmente Portugal tem mais 'fome musical' então acaba por ser um concerto mais apreciado por parte do público. Ao mesmo tempo, já tivemos momentos incríveis a tocar em grandes Festivais Ingleses como Green Man e Shambala.

TM – O que andam a ouvir nas últimas semanas?

Time for T - Andamos a ouvir o novo álbum dos Grizzly Bear, Painted Ruins, Forca Bruta do Jorge Ben e o disco magnífico do Patrick Watson, Love songs for Robots.

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Paraguaii têm novo vídeo para "Ancient Gurl"


"Ancient Gurl" é o segundo tema de avanço do mais recente disco de estúdio dos vimaranenses Paraguaii, Dream About The Yhings You Never Do, e é apresentado agora em formato audiovisual. Através da visão de Pedro Bastos/Bando à Parte, o vídeo pretende desafiar a energia circunscrita ao ser humano, propondo uma beleza onírica que se mistura com a realidade.

O disco, editado em março deste ano pela BLITZ Records e Sony Music Entertainment, mostra uma nova fase no trabalho da banda, apresentando-se como um registo mais pop. "Ancient Gurl" vem dar sucessão aos já lançados vídeos para os temas "Straight or Gay" e o lado B homónimo "Dream About The Things You Never Do".


Podem apanhar a banda, ao vivo, nas próximas datas:

6 de outubro | Carmo ’81 | Viseu
14 de outubro | Festival Rock no Espeto | Vila Verde
27 de outubro | Cambra Fest | Vale de Cambra

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Steve Hauschildt e Jari Marjamaki tocam em Lisboa a 25 de outubro


Steve Hauschildt, membro fundador dos seminais Emeralds (2006 - 2013), é considerado um veterano dentro comunidade da música exploratória, movendo-se entre as sonoridades ambientais e electrónicas. As composições de Steve Hauschildt utilizam geralmente sintetizadores, computadores e processadores digitais com o objectivo de prestar homenagem e desvirtuar as normas previamente estabelecidas.

Além do concerto já agendado no Semibreve, em Braga, a Nariz Entupido traz o músico até Lisboa, a 25 de outubro, na Igreja de St. George, para apresentar o seu mais recente trabalho Strands (2016) que tem recebido os maiores elogios. A abrir o concerto, o finlandês mais lisboeta de todos os lisboetas, Jari Marjamaki, músico, DJ, produtor e mentor do Desterro, espaço de liberdade e criação, apresenta a solo a sua electrónica estimulante. 


Os concertos têm início marcado para as 21h30. Os bilhetes têm um preço de 8€ em pré-venda (até 24 de outubro) e de 10€, adquiridos no dia, à porta.

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STREAM: Callaz - Beer, Dog Shit & Chanel N°5


No passado dia 15 de setembro saiu cá para fora o EP de estreia de Callaz, projeto musical da artista visual e designer Maria Soromenho, intitulado de Beer, Dog Shit & Chanel N°5. O disco, composto por um total de cinco faixas produzidas por Filipe Paes, apresenta uma artista sadcore (com semelhanças a projectos como Princess Chelsea e Nico) com um sentido estético único e um processo de trabalho guiado pela filosofia DIY.

Em  Beer, Dog Shit & Chanel N°5 há um tema que se destaca acima dos restantes, o segundo single do disco, "Dramatic End" - cujo trabalho audiovisual pode ser visto aqui. A trazer um aura musical de uns franceses Air e Melody's Echo Chamber na composição, Maria Soromenho apresenta uma voz que é fofinha mas também poderosa e marcante. "London" e "Hell/Smell", vêm seguir as pisadas, embora mais influenciados pelos elementos psych, conseguindo igualmente conquistar o coração. O EP pode ser reproduzido integralmente, em baixo.
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Reportagem: Melt-Banana [Maus Hábitos, Porto]


A noite de quinta-feira ficou marcada pela estreia absoluta dos japoneses Melt-Banana em Portugal. No ano em que os nipônicos comemoram 25 anos de carreira, as portuenses Lovers & Lollypops e Amplificasom juntaram forças para trazer o agora duo japonês ao melhor quarto andar da cidade do Porto. Detentores de uma sonoridade muito característica e influente para os mais diversos artistas, muitos deles consagrados (John Zorn, Melvins e Mike Patton para referir alguns), os Melt-Banana, agora compostos apenas por Yasuko Onuki e Agata, apresentaram-se perante um Maus Hábitos esgotado que não tardou em mostrar o entusiasmo que se vivia na sala.

Depois de alguns minutos a testar o som, o duo entrou ao som de um instrumental, seguindo-se de imediato os temas saídos de Fetch, o último disco editado pela banda japonesa em 2013. Ouve-se “The Hive” e “Lie Lied Lies” e o público não tarda a abrir o pit.  Volume sempre no máximo e  blast beats de velocidade estonteante marcaram um concerto que nunca perdeu o ritmo nem a  intensidade, balanceado apenas por pequenas pausas onde Yakusa, com o seu tom de voz particular quase cartoonesco nos contava o quão satisfeita estava por finalmente visitar Portugal.



Entre os diversos temas de uma já extensa carreira marcada por experimentalismos pop e electrónicos assumidamente noisecore, houve espaço ainda para uma inesperada surpresa com a dupla a interpretar uma versão de “Uncontrollable Urge” dos igualmente excêntricos Devo, banda que no final dos anos 70 se encontrou no cruzamento entre o punk e a new wave.  “Lost Parts Stinging Me So Cold” foi sem dúvida um dos momentos altos do concerto, e o único tema presente em Cell-Scape (discutivelmente o melhor álbum da banda) a integrar o alinhamento. 

O concerto terminaria com mais dois momentos essenciais, primeiro com uma cómica versão de “What a Wonderful World” de Louis Armstrong, seguindo-se a poderosa “Candy Gun” para deixar o público em fervor uma última vez. Uma hora intensa que mais pareceu passar a correr e que jamais será esquecida por quem lá esteve presente. Quem também não se irá esquecer desta atuação serão os nossos ouvidos que nunca mais voltarão a ser os mesmos.




Melt-Banana @ Maus Hábitos, Porto

Texto: Filipe Costa 
 Fotografia: Ana Carvalho dos Santos

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STREAM: Iguana Garcia - Cabaret Aleatório


Iguana Garcia, projeto a solo de João Garcia, lançou na passada sexta-feira (29 de setembro) o seu primeiro disco longa-duração Cabaret Aleatório. O disco, gravado, misturado e masterizado nos estúdios HAUS, além de disponível para audição na íntegra, pode ser descarregado de forma gratuita, até ao dia 29 de outubro, aqui.

Misturando grooves distorcidos, ritmos dançantes, guitarradas e sintetizadores irreverentes, o disco de estreia de Iguana Garcia convoca os tempos modernos, com os pés a bater nos anos 80. O concerto de lançamento de Cabaret Aleatório será a 4 de outubro na festa de abertura do Tap Room da cerveja Musa.

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segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Fotogaleria: Radio Moscow + Kaleidobolt [Hard Club, Porto]

radio-moscow-kaleidobolt-hard-club

No passado dia 30 de setembro passámos pelo Hard Club, Porto, para assistir a passagem dos californianos Radio Moscow pelo nosso país. A banda de Heavy Psych, que atuou em Lisboa no dia seguinte, veio apresentar o seu mais recente disco de estúdio, New Beginnings, editado no passado dia 29 de setembro. A primeira parte do concerto ficou a cargo dos finlandeses Kaleidobolt. A foto-reportagem do evento organizado pela Garboyl Lives segue abaixo, pela lente de Francisca Dores.


Kaleidobolt


Radio Moscow

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O OUT.FEST arranca já esta semana


O OUT.FEST - Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro - regressa ao Barreiro já esta semana, entre os dias 4 e 7 de outubro para aquela que vem a ser a 14ª edição, trazendo como principais atrações no cartaz nomes como Pere Ubu, Bookworms, This Is Not This Heat, Nocturnal Emissions, Black Dice, entre outros. O Auditório Municipal Augusto Cabrita, a ADAO (Associação Desenvolvimento Artes & Ofícios), o Museu Industrial da Baía do Tejo e a Igreja de Santa Maria são os quatro monumentos nacionais do concelho que acolhem esta nova edição de festival. O programa completo do evento pode ser consultado abaixo.



O passe geral para o festival tem um preço de 30€. Também estão disponíveis os bilhetes diários, com preços entre os 8€ (dia 4) e os 20€ (dia 7). Para mais informações basta consultar o site do festival, em www.outfest.pt ou vir até aqui.




Programa Completo

4 de outubro (4ªf)
Igreja de Santa Maria
Jonathan Uliel Saldanha & Coral TAB + Coro Be Voice

5 de outubro (5ªf)
Museu Industrial da Baía do Tejo
Caterina Barbieri
Charlemagne Palestine
Quarteto de Sei Miguel

6 de outubro (6ªf)
Auditório Municipal Augusto Cabrita
Pere Ubu (The Moon Unit)
Casa Futuro (Pedro Sousa, Johan Berthling & Gabriel Ferrandini)
Lolina (Inga Copeland)

7 de outubro (sáb)
ADAO
Bookworms
Nocturnal Emissions
This is not This Heat
Jejuno
Simon Crab
Colectivo Vandalismo
GyurBlack Dice
DJ Nigga Fox
Putas Bêbadas
Alex Zhang Hungtai​ ​/​​ ​David Maranha​ / ​Gabriel Ferrandin
iDJ Problemas​

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domingo, 1 de outubro de 2017

Éme, Riding Pânico e Iguana Garcia na abertura da Tap Room - Fábrica Musa

© Valter Vinagre

 A marca de cerveja artesanal, Musa, vai inaugurar no próximo dia 4 de outubro (quarta-feira), a TAP ROOM, um espaço de prova ao público que também pode ser chamado de bar ou brewpub e ficará situada na Fábrica Musa. Para construir a festa de inaugiração, a Musa juntou-se à Haus, Cuca Monga e Filho Único, que são as associações/editoras/agências responsáveis pela curadoria musical deste dia e dos próximos a decorrerem num prazo de seis meses. A palco trazem Riding Pânico, Éme e Iguana Garcia para ligarem os amplificadores, além dos DJ's set.




A entrada é livre a partir das 20h30 e todas as informações adicionais podem ser consultadas aqui. O programa completo segue abaixo.


Programa:
17h30: Apresentação aos jornalistas do TAP ROOM e Fábrica Musa
18h30: Welcome Beer
20h30: Abertura ao público com concertos de Éme, Riding Pânico e Iguana Garcia. DJ Sets da Haus, Cuca Monga e Filho Único.


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Falta uma semana para este cenário de despedida: SWANS


Os norte-americanos Swans despedem-se de Portugal para sempre nos próximos dias 8 e 9 de outubro. É o aclamado fim definitivo, após  o cantor, compositor e multi-instrumentalista Michael Gira, os ter reencarnado em 2010, datando 13 anos de ausência. A banda de rock experimental, com influências da no-wave traz a solo português, Deliquescence (2017), o álbum ao vivo que documenta a tour de despedida dos Swans e que servirá de mote às canções apresentadas no Porto e Lisboa. A julgar pela setlist dos últimos concertos, o público que se dirigir ao Porto (Hard Club - 8 de outubro) e Lisboa (Lisboa ao Vivo - 9 de outubro) ouvirá ecoar singles como "The Knot", "Screen Shot", "Cloud Of Unknowing", "The Man Who Refused to Be Unhappy" e "The Glowing Man".


A abertura de ambos os concertos (Porto e Lisboa) ficam a cargo da artista e performer norte-americana Baby Dee, que já colaborou com nomes como Antony Hegarty, Current 93, Will Oldham ou Andrew W.K. e apresentará o mais recente disco I Am Stick (2015).



Os bilhetes, com o preço único de 25€, estão já à venda em amplificasom.com/amplistore e na Ticketline. A edição física pode ser comprada na Louie Louie (Porto), Hard Club (Porto), Piranha (Porto), Black Mamba (Porto), Bunker Store (Porto), Flur (Lisboa), Glamorama (Lisboa) e Vinilexperience (Lisboa).Os concertos contam com o selo Amplificasom.

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We Bless This Mess lança vídeo para "Ocean"




We Bless This Mess, projeto a solo de Nelson Graf Reis, lançou na passada sexta-feira o primeiro single oficial extraído do novo disco de estúdio, "Ocean" que foi apresentado em formato audiovisual. "Ocean" é liricamente sincero e com um instrumental que vai direto ao assunto, não fugindo à regra do que tem vindo a ser a composição de We Bless This Mess. Desde que formou o projeto, em 2014, acompanhado algumas vezes por banda, só no primeiro ano, Nelson Reis tocou 49 vezes em apresentação de Love And Thrive (2015). Desde então tem-se destacado não só cá dentro, mas também lá fora.

O novo disco segue, contudo, ainda sem data de lançamento divulgada. O tema "Ocean" traz a chancela da Oh Lee Music em parceria com a Lusitanian Music Publishing, tendo sido gravado e misturado, em Londres, por Ricardo Monteiro ("Screaming Culture") e masterizado por Pete Maher (U2, The Rolling Stones, Jack White, entre outros). 


 

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