sábado, 14 de outubro de 2017

ANTEVISÃO: SEMIBREVE 2017

© Adriano Ferreira Borges / SEMIBREVE

Está quase a chegar mais uma edição do festival Semibreve, o evento dedicado ao que melhor se faz no mundo da música electrónica e artes digitais. Apoiado desde o início por reconhecidos media internacionais como o The Quietus e a The Wire, o Semibreve tem levado desde 2011 (ano da sua primeira edição) alguns dos mais reconhecidos nomes da música electrónica como Hans-Joaquim Roedelius, Jon Hopkins, Fennesz, Alva Noto, Ben Frost, Forest Swords, The Haxan Cloak, Plaid, Andy Stott e Laurel Halo

Pronto para a sua sétima edição, o Semibreve tem-se destacado como uma das maiores referências no que toca à exploração do universo electrónico mais experimental em paralelo com as artes digitais, contando todos os anos com diversas instalações nos campos do audiovisual e multimédia. Realizado novamente na cidade de Braga, o Semibreve volta a invadir dois dos mais bonitos espaços da cidade: o Theatro Circo e a Casa Rolão, conciliando assim duas naturezas muito diferentes que se encontram numa oposição entre o moderno e o clássico, a música electrónica e artes digitais com a arquitetura clássica e barroca dos edifícios. Para além destes dois espaços, o festival realiza-se desde 2014 no gnration, o antigo quartel da GNR agora renovado e dedicado à criação, produção e consumo de atividades artísticas e criativas que recebe no Semibreve a sua vertente mais club e dançante.

De regresso a Braga nos dias 27, 28 e 29 de outubro para mais uma edição esgotada (ainda é possível adquirir os bilhetes diários da sala principal do Theatro Circo), o Semibreve conta este ano com um cartaz imperdível composto por Gas, Deathprod, Lawrence English, Visible Cloaks, Fis, Valgeir Sigurðsson, Steve Hauschildt, Laurie Spiegel, Beatriz Ferreyra, Karen Gwyer, Kyoka, Blessed Initiative, Rabih Beaini e Sabre. Em baixo, fiquem com algumas sugestões dos concertos e instalações a não perder nesta edição. 


Gas



Gas é o projeto do alemão Wolfgang Voigt, um dos fundadores da aclamada editora Kompact ao lado de Jürgen Paape e Michael Mayer. Casa do chamado “som de Colónia”, esta editora alberga no seu repertório artistas de referência como The Field, The Orb, Guy Boratto e Ulf Lohmann, mas é sob o moniker de Gas que se destaca o trabalho de Voigt, que se apresenta pela primeira vez em Braga com o mais recente disco Narkopop, o primeiro em 17 anos. Narkopop dá seguimento a uma curta mas influente discografia composta por marcos do techno mais atmosférico e ambient como Zauberberg (1997), Königsforst (1999) e Pop (2000), e traz uma abordagem mais negra e sombria que os seus anteriores registos. Inspirado pelas florestas alemãs, Voigt implementa na sua música composições minimalistas ricas em texturas e atmosferas que têm tanto de enigmático como de cinematográfico. A sua passagem pela sala principal do Theatro Circo é uma das mais aguardadas desta edição e promete uma experiência rica e imersiva.


   


Deathprod



O trabalho do norueguês Helge Sten pode ser escutado em diversos projetos desde os Motorpsycho, na sua vertente mais psicadélica, até ao jazz mais improvisado e eletroacústico dos Supersilent, mas é como Deathprod que o seu trabalho é mais reconhecido. Afinal, falamos de um dos projetos de referência no que diz respeito à dark ambient. Autor de Morals and Dogma (2004), Deathprod é sem dúvida uma das figuras mais importantes dentro do género, cujas composições sombrias e imersivas vieram a influenciar o trabalho de artistas como The Haxan Cloak e Demdike Stare. Drones prolongados e atmosferas industriais e sombrias são alguns dos elementos mais presentes na sua música, onde aplica regularmente samples, sons processados e efeitos analógicos aos quais refere como “Áudio Vírus”. Em maio, a trilogia de álbuns composta por Treetop Drive, Imaginary Songs From Tristan da Cunha e Morals and Dogma receberam direito a reedição em vinil pela norueguesa Smalltown Supersquad. A sua passagem por Braga promete elevados níveis de intensidade e volume capazes de fazer tremer a sala maior do Theatro Circo.


   


Steve Hauschildt 



O percurso de Steve Hauschildt nos campos da música electrónica exploratória é inegável. Membro dos seminais Emeralds entre 2006 e 2013, o músico natural de Cleveland, Ohio apresenta-se agora a solo e em nome próprio. Para além de uma infinidade de discos com os Emeralds, Steve conta ainda com quatro álbuns pela Kranky, casa de nomes como Stars of The Lid, Grouper, Labradford, etc.. Em 2016 editou Strands, um belíssimo disco rico em texturas e camadas delicadas de sintetizador que serão apresentadas em Braga numa performance muito especial. À semelhança do que aconteceu com Christina Vantzou (The Dead Texan), que tocou ao lado do Ensemble Harawi na edição passada (ver vídeo aqui), Steve Hauschildt irá apresentar-se também na Capela Imaculada do Seminário Menor para uma performance igualmente imperdível e memorável num evento com as portas abertas ao público.


 


Lawrence English 



Lawrence English é um artista e compositor prolífico sediado em Brisbane, Austrália. Ao longo das últimas duas décadas, English foi-se destacando como uma das figuras centrais da música ambient e da utilização de técnicas de captação de sons como field recording. Entre bandas sonoras e colaborações com artistas como John Chantler, Liz Harris, Ben Frost e Jamie Stewart, contam-se na sua discografia mais de 30 álbuns desde 2003. Cruel Optimism é o seu mais recente disco e o que deverá receber maior atenção na sua performance em Braga. Com um título inspirado no livro do mesmo nome da escritora americana Lauren Berlant, Cruel Optimism transmite uma mensagem politizada e de protesto perante os possíveis futuros conturbados que se avistam. Thor Harris e Norman Westenberg (Swans) são algumas das figuras presentes na produção de um disco rico em paisagens densas e vibrantes. Para além da sua performance, English irá ainda orientar um workshop muito especial a decorrer dia 28 de outubro (um dia antes da sua atuação) no Mosteiro de Tibães. The Radical Listener é o nome desta sessão imperdível dedicada às técnicas de field recording e de escuta exploradas frequentemente no seu trabalho.


   


Visible Cloaks



Visible Cloaks é a dupla composta por Spencer Doran e Ryan Charlie. Oriundos de Portland, Oregon, Spencer e Ryan formam um dos grupos mais sui generis presentes nesta edição do festival. A sua música frequentemente rotulada como ambient distancia-se da maioria, incorporando new age e elementos típicos da cultura oriental não só nas suas composições, mas também em diversas playlists compiladas por Spencer Doran que poderão encontrar aqui. Reassemblage, o mais recente disco da dupla editado em fevereiro de 2017 via RVNG, incorpora diversos instrumentos virtuais de modo a criar uma ideia de pan-globalismo através da simulação digital, formando um organismo vivo de experiência sensorial através de cores e sons. Ao vivo estarão acompanhados pela artista digital Brenna Murphy, autora dos vídeos de Reassamblage que trará ao Theatro Circo a vertente estética e multi-sensorial presente no álbum.




Laurie Spiegel



No campo da instalação temos Laurie Spiegel, que se apresenta como o grande destaque da edição relativamente a este formato. A carreira de Laurie Spiegel é extremamente marcante para o desenvolvimento da música contemporânea, reconhecida internacionalmente como uma das artistas pioneiras no desenvolvimento de sistemas de música electrónica e de computador. O seu trabalho foca-se essencialmente no software interativo e na estética da estrutura musical e processo cognitivo. Autora de The Expanding Universe (1980), viria a influenciar toda uma nova geração de artistas com as suas particularidades rítmicas e drones frequentemente associados ao Minimalismo.

Ao Semibreve traz uma instalação das composições que compôs para a peça de vídeo Maya Deren: Prelude to Generating a Dream Palette, a peça de vídeo do amigo, realizador, ator, dramaturgo, argumentista e locutor de rádio Peter Shmideg (1953-2014).





Adam Basanta / Gil Delindro



Permafrost é o nome da instalação que junta pela primeira vez o português Gil Delindro ao canadiano Adam Basanta. Vencedores do EDIGMA Semibreve Awards, os dois artistas vão expor o seu mais recente trabalho pela primeira vez em Portugal no gnration. O termo “Permafrost” deriva de um tipo de solo encontrado no Ártico constituído por terra e rocha permanentemente congelado que armazena diversos organismos, bactérias e reservas de gás que, com o aquecimento global, têm vindo a derreter e a libertar substâncias tóxicas que aceleram a o processo de decomposição e derretimento destas camadas, criando fissuras e instabilidade no solo.

Com base neste conceito, diferentes blocos de solo congelado são suspensos no espaço expositivo. A desintegração destes blocos resulta na queda percursiva de pequenos detrimentos numa plataforma equipada com sensores, microfones e altifalantes modificados. O acumular da terra provoca movimentações que proporcionam um caráter imprevisível à peça escultórica, opondo simbolicamente duas realidades diferentes – o orgânico e o digital – o tempo geológico e o tempo tecnológico.




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Tisiphone in interview: "Tisiphone is sort of a butterfly, too"


On Saturday, September, 23, we interviewed the French band Tisiphone, the third band to perform in the second edition of the mini-festival Post-Punk Strikes Back Again. The trio, owner of a peculiar and exploitative rhythmic sonority inside the coldwave, was in Portugal for the second time to present their most recent debut album. In the interview, we wanted to know the origin of the band, ideologies, perspectives on the music market, what could be expected from the concert - considered by many the best of the festival - and plans for the future and artists who they have been listening. 

The full interview can be found below.

How did you meet, and what made you form Tisiphone? Was it related to the culture of your town, and/or other ideologies?

Clara: Léonard and Suzanne, they met each other ten years ago.

Léo: Yes, In the conservatory of music, Music School in Lyon (Conservatoire de Lyon).

Clara: They were friends before I met Léo, in the drummer school. We were friends and they were playing music already. We wanted just to make a band together.

Léo: We were on a collocation together, and Clara…

Clara: We were hanging around together and…

Léo: ... and in my room, there was a drum. But nobody was playing the drum, but forgot, we make a band with this drum.

Clara: We were watching Twin Peaks, the series, and listening to The Cure (like the Pornography album) and Joy Division, kind of post-punk/coldwave/stag music. We were together most of the time so, we wanted to make a band, or so, individually. 

By the way, I know this is trivial, but how did you come up with the name?

Clara: Tisiphone is one of the tree furies – the Erenyes - of the greek mythology. You have Tisiphone (which is one of the revenge), Alecto and Megaera and they basically are not really gods, but they were punishing people who were making evil. And like they were invisible to people, they were making hell, punishing the people who made evil stuff.

Léo: And, it’s sort of a butterfly, too, Tisiphone.

This is a trivial question too, but I want to know where do you find inspiration to write new songs?

Clara: Like, first, we said: "huh, let’s make a band together, let’s make coldwave together", you know, but we were look like a fan of it, or like really just in to it, like they do also classical music. We are listening to really old types of music, we love rock, jazz, classical, but is true that we wanted to make this band around this coldwave thing, post-punk. It was also an aesthetic style that we loved.

Léo: Aesthetic sad, dark, romantic or... trance.

Clara: We wanted to make this all mixed, but the idea to make a coldwave band, once we weren't into it, because we didn’t know really the codes of coldwave, the sentences…

Léo: We are not gothic...

Susanne: I didn’t even know this.

Clara: … And we are also a bit (laughs). 


I know you have just one album, but how do you compose your music? Do you have a structured process you can describe?

Clara: It just the three of us, yes, making music like in the jams.

Susanne: We also compose our lyrics.

Clara: It depends on the piece that we make but also the lyrics. For example, sometimes we just jam together and we like the music that we are making, like the ideas, or something with the guitar, something with the bass. Sometimes it’s also because of the lyrics that we wrote, or something, they keep a switch.

Susanne: whatever do you imagine this music and we just write a story about the music.

I don't know how much attention you pay to press, but critics are typically discussing the record in a post-punk context. Do you guys see yourself as part of, say, any kind of post-punk or coldwave lineage?

Clara: That’s funny, because, that’s kind of a subject that we are always speaking off, because we don’t really want to be extreme in one type or another, because this is not us, to be just into it, or just into that. And to me, I feel like I’m part of this line but also in the other lines.

Susanne: The first album would be very different.

Clara: Actually, we like to move and to hear other things, we like to search, like in the laboratory, like. We make experiences, and it’s kind of always into what it could be, into this coldwave, it’s always here. Sometimes we input more distance with it, sometimes there is more rap, like that.

Looking back at your work: you started by releasing three singles in 2015 - "Empty Streets", "Looking Down" and "Black Velvet" – that was later included in the first album. Do you still enjoy those first songs you released or do you prefer the new material?

Léo: Playing live allows to listen to new energy, so, for the moment, it’s always a pleasure to play both songs.

Clara: For me, it’s easier now to like them again, like they were fresh, because there are a fresh new ones.. and then you have this comparison of different things.

Léo: And we have not a lot of songs, for the moment, we compose better when we are not full of songs, so we are obliged to defend a song.


Have you ever collaborated with other artists? If not, do you plan to do it in a near future? With who?

Léo: No, we have no collaboration.

Clara: No, we have never collaborated… Hm.. David Bowie (laughs). Actually, it happened that we talked about that, like with whom we want to.

Maybe a collaboration with the bands of the festival?

Léo: We don’t really know the other bands.

Clara: Of course, I will discover it tonight.

You played live in Portugal for the first time in MONITOR, a mini-festival dedicated to postpunk and minimal wave, and you now have returned to play at Post-Punk Strikes Again. What are your thoughts on Portugal and its people?

Susanne: I don’t know Portugal, it’s the second time that I come but I think the audience is really cool, very pleasant and good listening…

Léo: And it was really crazy to come in Portugal last year because it was the first time, we are a young band, and it was the first time that we flew…

Clara: And playing so far from home it was an experience like we were running.

Léo: For us, it was crazy to feel the joy of the people.

Clara: Yes, that joy that we kind of gave to people, and then people gave to us, like so hot, so strong, like a fan environment. We are not used to it, at all.

Léo: And when Jorge said to us to came back: Yes, Ok. I hope tonight would be good too.

So, moving on to tonight’s show, can we expect to listen to new songs?

Clara: Yes.

Léo: Yes, but just one, because...

Clara: No, two!

Léo: Two? Oh yes, because each band play only 40 minutes.

Clara: So we have to make it fast, we cannot play all the songs, but two!


Clair Obscure or Joy Division?

Clara: Joy Division.

Susanne: I don’t know Clair Obscure.

Léo: Yeah.

Rephrasing the question, Television or Joy Division?

Léo: Televison? No, Joy Division!

If you had to recommend a band/artists to someone, which one would you recommend and why?

Clara: Tombouctou!

Léo: Lots of!

Clara: Tombouctou, is a band of Lyon, like us, kind of noise, rock-noise, anti-music thing really fucking good. It’s Tombouctou like the city in Africa (Tombuctu), and they are from Lyon, they are friends, and they are really good.

Susanne: Le Prince Harry!

Léo: Ah yeah, Le Prince Harry is a belgian artist…

Clara: ...kind of really fast electronic-punk. 


By the way, can you tell me some artists that have influenced your work?

Clara: Joy Division! Ah, this is like abusive I cannot say that.

Léo: Hmm, I don’t know… Hmm, personally, I like Drab Majesty.

Clara: I like Malaria! I’ve been listening to Malaria a lot! We have a lot, of course, but it’s true that when we make interviews, or when people ask us about it, it’s always a band that without thinking about it, it’s like: Malaria! Malaria it's a band of the 80’s, just women… Berlin, post-punk, it’s really, really nice!

What's your opinion regarding the digital era that the musical industry current lives in, and in which ways does it affect your path as a band?

Léo: It’s always a question of money.

Clara: I prefer to make people that buy our CD. I would prefer it physically if I had to choose.

Léo: We wanted to make a vinyl, but we have not the money to produce the vinyl.

Clara: And you cannot do it without internet, of course, all of this, cannot happen without internet, and digital.

What about the possibility of allowing your album to be preordered, while giving a prize - like a single - for the people who do it?

Susanne: Yeah, it’s nice.

Clara: Yes.

Léo: Sure! It must be a reflection at all of this question, all that you sell, the strategy... For instance, we love the free price, but…

Clara: .. but it’s started to be complicated for us to make it because we sold a lot of CD’s at free price and at one point we were like ok it’s good that people buy our CD and also, yeah, give 5 give whatever you want, but it’s true that… Well, I don’t want to be, I can’t assume to be a capitalist because it’s working, and, it’s also just to ask for support to our work. I think it’s ok to understand that, but I don’t want to be in this way, or sort of thinking that If you don’t have money you cannot listen or we cannot share to you at all.

Léo: And we have no help from a label, we do all the work, so, at the moment we are obliged to do so.

Susanne: We really have a sort of a label, but everything’s unmade, so it’s very slow to do the things. As we tell you, we have not a precise style, so it’s very hard to find a label who say, here, ok you are with us.

Ok, we are almost done. Which were the last concert you've seen and the last record you've listened to?

Léo: For me it’s Le Prince Harry, the CD. The concert…

Susanne: Le Prince Harry, yeah, I think it was mine too.


Clara: The thing is that I saw a concert really recently...

Susanne: ..yeah, we saw.

Clara: Like really not so famous, and I was like: fuck off, fucking really great, but I cannot remember, sorry.

Susanne: We saw a lot of concerts because we did a lot of concerts this last month, so it’s all mixed.

Clara: What did we saw? Sorry, we are not really remembering... Yeah, I don’t know let’s say hm...

Léo: There are also a band from Lyon, called PRATOS.


(after the interview)

Clara: oh I did remember a band I’ve been listening to a lot. It’s called Slint, they were an american math/post-rock band.

To conclude, do you have a date for the release of the new album?

Léo: No.

Clara: It will be out in the next year, but we don’t know exactly when because we want to take the time to make it good.

Susanne: We need to take the time to produce, just the three. We want to produce different things, from punk music, so maybe we have our CD really soon.

Do you want to add anything else?

Léo: Viva Portugal! Obrigado. 




Entrevista por: Sónia Felizardo
Fotografia: Virgílio Santos

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Passatempo: Ganha bilhetes para Chinaskee & Os Camponeses no Musicbox

© Maria Inês Peixoto
Está quase à porta o concerto de apresentação de Malmequeres, no Musicbox, em Lisboa, o disco de estreia oficial dos lisboetas Chinaskee & Os Camponeses, que saiu cá para fora no final de setembro. O disco composto por um total de sete canções psychedelic-pop pintadas em tons lo-fi e com camadas de reverb é apresentado, ao vivo no Musicbox Lisboa, a 20 de outubro (22h00 de sábado). 

Em parceria com o Musicbox Lisboa, estamos a oferecer 2 entradas duplas para o concerto de Chinaskee & Os Camponeses, que tem como convidados especiais os Mighty Sands. Se queres ser um dos contemplados só tens de participar neste passatempo e seguir as instruções em baixo:

1. Seguir a Threshold Magazine no facebook.


2. Partilhar este passatempo no facebook em MODO PÚBLICO e identificar pelos menos 2 amigos.


3. Preencher o seguinte formulário:


O passatempo termina no dia 19 de outubroo às 23:59, e os bilhetes serão sorteados de forma aleatória através da plataforma www.random.org.

Boa sorte!



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Atualizado às 12h55 de 20 de outubro de 2017

Os vencedores do passatempo são:
Henrique Guerreiro
Guilherme Oliveira

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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

STREAM: Surma - Antwerpen


Depois de nos últimos tempos ter vindo a criar um hype tamanho dentro dos novos projectos do panorama musical português, Surma, projeto a solo e alter-ego da artista leiriense Débora Umbelino, disponibilizou hoje o seu LP de estreia e marco nas edições portuguesas do ano, Antwerpen. A artista foi também confirmada para a edição de 2018 do festival norte-americano South By Southwest (SXSW).

As composições de Antwerpen encontram-se embebidas numa atmosfera dream-pop e electrónica, enriquecida por vocais ora celestiais, ora sedutores. Das mais calmas "Drög", "Kismet" e "Miratge" (num campo mais Beach House) às mais ritmadas "Hemma", (a fazer lembrar uns Sleep Party People no feminino) e "Nyika", Antwerpen é um disco de audição obrigatória.

Antwerpen é editado oficialmente hoje, 13 de outubro, pelo selo Omnichord Records.

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quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Psychic TV com concerto no Porto inserido no Fórum do Futuro

EDIT: O concerto foi cancelado.


As sessões do Fórum do Futuro estão de regresso ao Porto para diversas conferências e atividades em diversos espaços da cidade. Na era do Antropoceno, o Fórum do Futuro traz ao Porto um evento focado em cinco domínios centrais: cllima, violência, sexualidade, tecnologia e extinção, contando com diversas conferências, performances e concertos por parte dos mais diversos artistas e pensadores. 

Inserido também no programa e a abrir as hostes do primeiro dia no que toca a música estão os Psychic TV. A banda liderada por Genesis Breyer P-Orridge passa pelo Porto em data única para uma atuação muito especial no grande auditório do Teatro Municipal Rivoli. Figura influente da música industrial e experimental, Genesis fundou os icónicos Throbbing Gristle na década de 70, assim como o controverso coletivo de arte/performance COUM Transmissions. Dos Gristle sairia um legado inegável de onde surgiriam bandas como Coil e os próprios Psychic TV, influenciando posteriormente uma série de novos artistas nas décadas que se prosseguiram. No dia 5 de novembro apresentam-se ao vivo com o seu mais recente disco Alienist, de 2016, num concerto agenciado pela Amplificasom.

Para além do concerto, Genesis irá dar ainda uma conferência moderada pelo artista e curador Stanley Schinter no Palácio do Bolhão, seguida de uma performance que explorará os temas debatidos durante a conversa.

Ainda nos concertos e para encerrar o evento estão os Flamingods, que regressam a Portugal para apresentar o mais recente disco Majesty. A curadoria do concerto recebe a mão da Lovers & Lollypops.

Todas as informações disponíveis aqui


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STREAM: Chinaskee & Os Camponeses - Malmequeres



Está quase à porta o concerto de apresentação de Malmequeres, no Musicbox, em Lisboa, o disco de estreia oficial dos lisboetas Chinaskee & Os Camponeses, que saiu cá para fora no final de setembro. O disco é composto por um total de sete canções psychedelic-pop pintadas em tons lo-fi e com camadas de reverb e é apresentado, ao vivo em Lisboa, a 20 de outubro (sábado). O álbum foi gravado e produzido por Filipe Sambado, no Estúdio da Maternidade.

Se ainda não ouviram está ali na íntegra abaixo, disponível para audição gratuita. Do disco destacam-se essencialmente o já conhecido "Dia de Praia", "Assim Assim" (que passa de uma balada a um ritmo ferveroso no final), "Má Água" e o envolvente "Mal Me Queres".

Malmequeres foi editado oficialmente a 29 de setembro pelo selo Revolve.

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Os Exploded View estão de regresso às edições


Os mexicanos Exploded View estão de regresso com o tema "Summer Came Early", o novo tema oficial extraído do novo EP, do mesmo nome, anunciado para novembro. Este trabalho foi gravado depois do período de composição do homónimo Exploded View (2016), incluindo faixas que foram masterizadas ao mesmo tempo do LP de estreia, como é o caso de "Mirror of the Dead Man".

"Summer Came Early", uma ode ao ambiente, mostra uma banda que sabe criar uma lápide sónica e sombria nas palavras, apesar da estrutura melodicamente simples. A combinação de sons suaves e letras sérias reflete a montagem paradoxal do vídeo que a apresenta - cores e formas distintas que representam a natureza (flores) e os atentados humanos contra esta (bombas nucleares). O single pode ser visto e ouvido abaixo.


Summer Came Early tem data de lançamento prevista para 11 de novembro pelo selo Sacred Bones Records.

Summer Came Early EP Tracklist:

1 - Summer Came Early (3:26)
2 - Forever Free (2:42)
3 - Mirror of the Madman (3:46)
4 - You Got A Problem Son (3:10)
 

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quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Dean Blunt e Mica Levi juntam-se para uma ópera


A londrina Hyperdub anunciou hoje que Dean Blunt e Mica Levi têm uma ópera preparada para o fim de outubro. Sim, uma ópera escrita e dirigida pelo sempre imprevisível Dean Blunt com música composta por Mica Levi (Micachu). Inna é o nome deste curioso projeto cuja performance decorre durante os dias 27 e 28 de outubro no Instituto de Arte Contemporânea de Londres

Inna dá seguimento a uma série de projetos semelhantes tais como  The Narcissist (2012), Lord KnowsLausanne (2013)I’m Just Passin Thru To Show Some Love (2013) e Urban (2014). Mica Levi junta-se a esta nova aventura de Dean Blunt depois de em 2016 ter contribuído com a banda sonora de Jackie, o filme de Pablo Larraín que lhe valeu uma nomeação para o Óscar para Melhor Banda Sonora.

Em baixo, fiquem com um pequeno teaser de Inna.


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Paisiel na primeira parte de And So I Watch You From Afar

© Red Door

O regresso dos And So I Watch You From Afar a Portugal acontece este mês, dia 29 no Hard Club (Porto) e dia 30 no Musicbox (Lisboa), como já anunciámos. A Amplificasom, que organiza os concertos, divulgou hoje a banda que irá abrir ambos: Paisiel. Este duo, que se move livremente entre géneros como a música experimental, o jazz e o rock, é composto pelo percussionista João Pais Filipe e pelo saxofonista alemão Julius Gabriel.

Os bilhetes para cada concerto custam 18€. Os ASIWYFA vão lançar no próximo dia 20 o seu novo álbum The Endless Shimmering.

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Cinco Discos, Cinco Críticas #30


Os novos trabalhos de Ufomammut (8), Institute (Subordination), The Oscillation (Evil In The Tree), Rocky Wood (Ok, No Wait...) e DAVYS (This Is Where I Leave You - com edição prevista para 27 de outubro), foram os nossos mais recentes alvos de análise em mais um número do Cinco Discos, Cinco Críticas. Se ainda não os ouviram descubram abaixo quais valem a pena.

8 // Neurot Recordings/Supernatural Cat // setembro de 2017
8.0/10

A​ ​banda​ ​italiana​ ​de​ ​sludge/doom​ ​metal​ ​Ufomammut​ ​regressa​ ​com​ ​o​ ​seu​ ​nono​ ​álbum simplesmente​ ​intitulado​ ​​8​ .​ ​O​ ​que​ ​se​ ​pode​ ​esperar​ ​deste​ ​registo​ ​é​ ​mais​ ​uma​ ​evolução natural​ ​da​ ​fórmula​ ​vencedora​ ​da​ ​banda,​ ​ou​ ​seja,​ ​um​ ​cruzamento​ ​de​ ​riffs​ ​pesadões​ ​e lamacentos,​ ​mas​ ​ao​ ​mesmo​ ​tempo​ ​groovy,​ ​complementados​ ​pelo​ ​baixo​ ​predominante​ ​e arrasador,​ ​um​ ​​ambient​ ​ ​pontuado​ ​com​ ​vários​ ​momentos​ ​de​ ​sintetizador​ ​psicadélico alucinantes​ ​e​ ​um​ ​trabalho​ ​de​ ​bateria​ ​ora​ ​vagaroso,​ ​ora​ ​vertiginoso.​ Tudo​ ​combinado​ ​com umas​ ​composições​ ​complexas​ ​- ao​ ​ponto​ ​de​ ​se​ ​tornarem​ ​vagamente​ ​indigestas​ ​(no​ ​bom sentido,​ ​claro)​ ​- e​ ​uma​ ​atmosfera​ ​psicadélica​ ​espacial,​ ​mas​ ​de​ ​certa​ ​forma​ ​sufocante.​ A mistura​ ​resulta​ ​em​ ​mais​ ​uma​ ​adição​ ​sólida​ ​à​ ​discografia​ ​destes​ ​veteranos​ ​de​ ​quase​ ​vinte anos.​ ​
Este​ ​som​ ​não​ ​é, todavia,​ ​o​ ​mais​ ​acessível,​ ​e​ ​consequentemente​ ​não​ ​irá​ ​apelar a ​todos os ouvidos. No​ ​entanto,​ ​tal​ ​como​ ​provavelmente​ ​acontecerá​ ​com​ ​aficionados​ ​do​ ​género,​ ​aqueles​ ​que​ ​se atrevem​ ​a​ ​aventurar-se​ ​irão​ ​encontrar​ ​uma​ ​coleção​ ​de​ ​momentos​ ​memoráveis​ ​e​ ​impetuosos como​ ​o "Babel","Zodiac",​ ​"Core”" ​e​ ​"Psyrcle". 
Rúben Leite



Subordination // Sacred Bones Records // junho de 2017
6.5/10

Em 2015 os norte-americanos Institute lançaram o primeiro disco de estúdio, Catharsis, pelo aclamado selo Sacred Bones (com quem voltam a repetir a dose neste novíssimo Subordination) tendo-se destacado entre a imprensa pela sua sonoridade tipicamente punk (influenciada pela corrente anarcho-punk britânica) e apetrechada do revivalismo post-punk. Se a conjugação parece aliciante o som resultante toma de assalto qualquer ouvinte. 
Quatro anos depois da formação oficial, em 2013, os Institute fazem de Subordination um álbum facilmente mastigável, de ritmo acelerado, curta duração (cerca de 26 minutos) e fiel às anteriores produções – sempre com mensagens politicamente carregadas. Abordando temas como a farsa solitária de seguir as regras da sociedade, a procura incessante por dinheiro e poder, os padrões da normalidade, entre outros, Subordination passa a incluir elementos do hard-rock (ouvir "Exhibitionism"), e do heavy proto-punk ("Only Child"), mantendo ainda veias antigas, como "Oil Money", a fazer lembrar "Perpetual Ebb", e "Good Ol’ Boys" na fase garage-punk. Subordination é um disco coerente, perspicaz e essencialmente punk. Pelas características do estilo, apesar de breve, e das sonoridades interessantes, acaba por ser pouco inventivo e relevante. Nem muito bom, nem muito mau.
Sónia Felizardo



Evil In The Tree // Wrong Way Records // agosto de 2017
7.5/10 

The​ ​Oscillation​ ​é​ ​uma​ ​banda​ ​britânica​ ​oriunda​ ​de​ ​Walthamstow,​ ​Londres,​ ​e​ ​assim​ ​sendo,​ ​a influência​ ​de​ ​nomes​ ​consagrados​ ​da​ ​atmosfera​ ​musical​ ​tão​ ​própria​ ​da​ ​capital​ ​(pense-se​ ​Joy Division​ ​e​ ​Pink​ ​Floyd,​ ​por​ ​exemplo)​ ​é​ ​inegável.​ ​Como​ ​resultado,​ ​a​ ​banda​ ​enquadra-se​ ​como uma​ ​luva​ ​na​ ​cena​ ​musical​ ​em​ ​questão,​ ​com​ ​o​ ​seu​ ​som​ ​a​ ​cruzar​ ​elementos​ ​do rock​ ​progressivo e psychedelic,​ ​com​ ​(atrevo-me​ ​a​ ​dizer​) ​algum​ ​pós-punk​ ​à​ ​mistura,​ ​criando​ ​uma​ ​mistura que​ ​é​ ​ao​ ​mesmo​ ​tempo​ ​noisy​ ​e​ ​com​ ​uma​ ​vibe​ ​​cool​,​ ​com​ ​espaço​ ​para​ ​​throwbacks​ ​ ​dos momentos​ ​mais​ ​célebres​ ​do​ ​​krautrock​.​ ​Neste​ ​single, ​"Evil​ ​in​ ​the​ ​Tree",​ ​tais​ ​impressões​ ​são​ ​predominantes, ​com​ ​um​ ​baixo​ ​bem​ ​groovy​ ​e​ ​uma​ ​guitarra​ ​bem​ ​noisy​ ​em conjunto​ ​com​ ​a​ ​voz​ ​estilosa​ ​de​ ​Demian​ ​Castellanos,​ ​e​ ​o​ ​b-side​ ​"Paranormal​ ​Non-Activity"​ ​a ser​ ​um​ ​instrumental​ ​carregado​ ​de​ ​experimentação​ ​​reverb​,​ ​que​ ​dá​ ​asas​ ​a​ ​um​ ​ambiente​ ​mais spacey.​ ​Para​ ​os​ ​audiófilos​ ​que​ ​anseiam​ ​por​ ​mais​ ​psicadélia​ ​pura,​ ​dura​ ​e​ ​que​ ​não​ ​foge​ ​muito aos​ ​cânones​ ​estabelecidos​ ​na​ ​fase​ ​moderna​ ​do​ ​género,​ ​este​ ​single​ ​serve​ ​como​ ​uma admirável​ ​introdução​ ​aos​ ​The​ ​Oscillation
Rúben Leite



Ok, no Wait… // On The Camper Records // outubro de 2017
7.0/10

Ok, no Wait… é o novo EP da banda multicultural Rocky Wood e apresenta um total de cinco canções ótimas para disfrutar num final de dia. Influenciados pela art-folk pop suiça e americana os Rocky Wood estão presentes no mercado musical desde 2012, apresentado a peculiaridade de tocarem vários instrumentos, numa composição complexa e rica, mas essencialmente relaxante. A vocalista Romina Kalsi apresenta um timbre que consegue ser grave e sensual, fazendo faixas como "Enough" e "White" adquirirem uma aura angelical com texturas harmónicas, ao lado de elementos eletrónicos e acústicos.
Este Ok, no Wait… é um disco essencialmente construído à base de melodias, apresentando uma sonoridade de alguma forma refrescante mas também envolvente e intrincada de elementos diversificados. Do mais mexido e compassado "Enough" até ao mais calmo "Lisbon", os Rocky Wood apresentam uma abordagem eloquente e discreta que consegue prender o ouvinte, de forma espontânea, ao longo da reprodução deste novo EP. Ok, no Wait… é uma demonstração de talento e idoneidade musical de uma banda que promete virar boas cartas no futuro.
Sónia Felizardo



This Is Where I Leave You // Self-Released // outubro de 2017
4.5/10

DAVYS é o projeto psychedelic/indie-rock a solo de Jacopo Cislaghi, o frontman da banda de rocknroll italiana The Red Roosters, nos últimos sete anos. O vocalista e instrumentista apresenta agora em nome próprio o seu LP de estreia, This Is Where I Leave You, que traz um total de 10 canções, com a colaboração de outros músicos e amigos na composição final. 
This Is Where I Leave You não é um álbum mau, mas facilmente se torna aborrecido numa só reprodução. A falta de um desenvolvimento e elementos criativos na composição musical, e a própria voz de Jacopo Cislaghi, são características que acabam por tirar valor à obra final, mesmo que a composição apresentada seja harmónica. Um exemplo encontra-se em "Down South" e "Landing" que, embora até nem sejam más canções, simplesmente não conseguem convencer. A voz soa demasiado banal e a instrumentação não possui grande carácter inventivo. Essa sensação vai-se perdurando com a restante audição deste This Is Where I Leave You e acaba por tirar ao ouvinte a curiosidade de o querer reproduzir na íntegra.
Sónia Felizardo

 

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