sábado, 21 de outubro de 2017

Está quase cá fora o novo disco dos Autobahn

© Adam Warren & Peter Stoddard
Os britânicos Autobahn regressam já em novembro aos discos com The Moral Crossing, o segundo disco longa-duração que vem dar sucessão ao aclamado Dissemble (2015). Depois de já terem divulgado, anteriormente, o homónimo "The Moral Crossing" e o synth-pop "Future", o quinteto volta a levantar os ânimos dos fãs desta vez com "Execution/Rise", um malhão de fuzz, post-punk e energia pronta a contagiar quem ouvir.

A banda vai estar em tour pela Europa em fevereiro, mas infelizmente as datas não contemplam Portugal. Sobre este novo tema vocalista Craig Johnson afirmou: "Actually, as a band, we’re more optimists. I don’t find talking about this stuff ‘dark’, but it’s stuff people don’t usually want to talk about—execution, rising from the dead, depression, feeling utterly lost and unsure where to go. To understand the moral crossing, to go one way or the other, and how it can change your life. For me, saying this stuff out loud gives the feeling that there’s a future". "Execution/Rise" pode ser reproduzido abaixo.


The Moral Crossing tem data de lançamento prevista para 3 de novembro pelos selos Felte Records e Tough Love Records.

The Moral Crossing Tracklist:

1. Prologue
2. Obituary
3. Future 
4. The Moral Crossing 
5. Torment
6. Low/High
7. Execution/Rise
8. Creation
9. Fallen
10. Vessel 

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STREAM: Spleen XXX - Poems Of Charles Baudelaire


Fãs de post-punk e da coldwave? Então o novo disco dos franceses Spleen XXX é altamente recomendado. Próximo das sonoridades de bandas como Veil Of Light, Lebanon Hanover, The Agnes Circle, ou Sextile e inspirados nos poemas de Charles Baudelaire, os Spleen XXX, lançam agora o seu primeiro LP de estúdio intitulado Poems Of Charles Baudelaire. O disco vê os singles ganharem nome através de algumas das criações do poeta francês, onde os Spleen XXX adaptam o conteúdo original para criarem as suas letras e sonoridade resultante.

Este primeiro disco teve como pré-promoção a divulgação de três vídeos para "Beauty", "Love And The Skull" e "The Possessed", que contam com a assinatura do artista e vocalista Isthmaël Baudry e fazem parte da trilogia sobre o poeta. O disco pode ser ouvido na íntegra, abaixo.

Poems Of Charles Baudelaire foi editado oficialmente a 5 de outubro para as plataformas digitais, e ontem (sexta-feira, 20 de outubro) em formato vinil pelo selo Meidosem Records e Monos Dei (RU).

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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Cocaine Piss hoje no Texas Bar, Leiria

cocaine-piss-hoje-no-texas-bar-leiria

Os Cocaine Piss estão de volta ao nosso país depois cá terem estado em maio e terem atuado na edição de 2017 do Milhões de Festa. Prontos para uma sessão de puro punk rock, os belgas, que ontem passaram pelo Musicbox, vão atuar hoje no Texas Bar, Leiria.

Na bagagem trazem o seu álbum de estreia, The Dancer, produzido por Steve Albini (Shellac), e o seu mais recente EP, Piñacolalove, editado em julho. A primeira parte ficará a cargo dos Nagasaki Skateboardingtrio nascido no Montijo com um possante som entre o punk e o post-hardcore.

O concerto promovido pela Ya Ya Yeah tem início marcado para as 22h00 e os bilhetes têm o custo de 6€.

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Fever Ray lança primeira música em 8 anos


Já foi em 2009 que Karin Dreijer, uma das cara-metade dos suecos The Knife lançou o seu primeiro e único disco como Fever Ray. Depois de oito anos em total silêncio, Karin regressa com a primeira música do seu adorado projeto a solo. "To The Moon and Back" é o tão aguardado novo single de Fever Ray, que ao longo das últimas semanas nos foi suscitando a curiosidade através de uma série de teasers, incluindo um misterioso gif no site oficial da artista sueca. 

Os dias de mistério terminaram e é possível agora ver o bizarro vídeo para o seu mais recente single. Realizado por Martin Falck, o trabalho audiovisual de "To The Moon and Back" remete para o surrealismo e choque de vídeos como "Closer", dos Nine Inch Nails, e "Fuck The Pain Away", de Peaches, resultando num cruzamento interessante que poderão confirmar com mais atenção no link em baixo.


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Almagest! - "Nne" (video) [Threshold Premiere]


Os Almagest! estão a celebrar 10 anos de carreira e Fun House Mirrors é a prenda de aniversário. O quarto disco do quarteto vem dar sucessão a Messier Objects (2013) e vê hoje ser lançado o trabalho audiovisual para o tema "Nne", tendo edição física prevista para o final do mês. Composto por cinco canções estritamente cinematográficas e cantada numa variedade de línguas europeias e inventadas, Fun House Mirrors é a exploração e máquina sonora dos Almagest!.

Diego Borgazzi, videomaker baseado em Torino, criou um vídeo pictórico e naturalista tão abstrato e suspenso no tempo, como as paisagens sonoras criadas pelos Almagest! A sobreposição das diversas imagens é como uma metáfora à sobreposição experimental das camadas sonoras de "Nne". O vídeo pode ser visto abaixo.


Fun House Mirrors tem lançamento previsto para outubro pelo selo Backwards Records.

Fun House Mirrors Tracklist:

1. Snake Oil
2. Lustighe Ghai
3. Piume
4. Nne
5. Durch den Irrgarten Hindurch

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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

The Underground Youth com concerto único no Sabotage


Os britânicos The Underground Youth estão de regresso a Portugal para um concerto único agendado para o próximo dia 5 de novembro (domingo) a ter lugar no Sabotage Club, em Lisboa. A banda de Craig Dyer explora uma mistura de dark-psych aliado aos elementos cinematográficos compreendidos entre os anos 60/70 e volta a Portugal para apresentar o seu mais recente disco de estúdio What Kind Of Dystopian Hellhole Is This?, editado em fevereiro deste ano pela Fuzz Club Records.


Também do selo londrino Fuzz Club, regressam a Portugal os mexicanos Has A Shadow, que trazem na bagagem Sorrow Tomorrow (2017) que explora sonoridades intercaladas entre lo-fi, psych-rock e post-punk.


Os bilhetes já se encontram à venda no Sabotage Club, de segunda à sexta, das 15h00 às 18h00, ou então nos dias de concertos à porta. Em pré-venda custam 8€, no dia custam 10€. Todas as informações adicionais estão disponíveis aqui.

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Sevdaliza e Everything Everything entre as novas confirmações do Vodafone Mexefest


O cartaz do Vodafone Mexefest encontra-se cada vez mais composto. Sevdaliza, Everything Everything, Mahalia Moullinex, Paulo Bragança, Benjamim e Barnaby Keen são as mais recentes confirmações que que irão fazer mexer a capital do país durante os dias 24 e 25 de novembro.


A estreia de Sevdaliza em Lisboa é um dos claros destaques do cartaz desta edição. Depois da estreia nacional efetuada na Madeira, inserido na programação dos Concertos L da Estalagem da Ponta do Sol, Sevdaliza estreia-se então no continente com uma atuação imperdível onde irá apresentar o álbum de estreia Ison. Detentora de uma voz poderosíssima e de uma sensualidade inerente, a artista de descendência iraniana assume-se como um das porta-vozes da pop futurista e R&B atual, ao lado de Kelela e FKA Twigs.

Os Everything Everything já são uma presença familiar no circuito festivaleiro português, e regressam a Portugal com o mais recente disco A Fever Dream, o quarto da banda de Manchester. Sempre imprevisíveis, os Everything Everything assumem-se como uma banda em constante evolução e crescimento. Os seus discos são a prova disso, marcados por uma pop muita caraterística que se verifica cada vez mais progressiva e transcendente.

Mahalia pode ter apenas 19 anos mas o seu talento é inegável. Autora de "Sober", a jovem norte-americana assume-se como uma das novas promessas da música soul e R&B, contando com colaborações com nomes como Rudimental e Nineteen85, um dos muitos produtores de Drake.


Moullinex é um projeto que escusa apresentações. A sua presença ao vivo é contagiante, transformando qualquer sala numa autêntica pista de dança. Hypersex, o terceiro longa-duração de Luís Clara Gomes junta-o a nomes como Marta RenDa Chick e Best Youth, e traz uma sonoridade refrescante e exótica assumidamente disco que promete agitar as salas lisboetas.

Paulo Bragança é conhecido como o "fadista punk". A sua carreira com mais de 20 anos conta com discos marcantes como Amai (1994) e o seu disco de estreia chegou a ser editado pela editora de David Byrne (Talking Heads). Benjamim junta-se ao britânico Barnaby Keen para apresentar 1986, disco com selo Pataca Discos.

Vodafone Mexefest regressa a Lisboa durante os dias 24 e 25 de novembro e os bilhetes encontram-se disponíveis por 45 euros.

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Lamb nos coliseus acontece já no próximo mês


Os Lamb, banda natural de Manchester, celebram este ano o seu 21ª aniversário de carreira e a festa acontece já em novembro, nos coliseus do Porto e Lisboa, que ditam o encerramento da tour europeia e acontecem a 13 e 14 de novembro, respetivamente. A banda britânica regressa a Portugal seis anos depois do último concerto para apresentar os temas do mais recente disco Backspace Unwind (2014).

O projecto da vocalista Lou Rhodes e do instrumentista e produtor Andy Barlow, teve o seu primeiro início em 1996, ano em que conquistou com o LP homónimo graças à mistura de géneros como o drum'n'bass, trip-hop e jazz. Tendo posteriormente sofrido um hiato entre 2004-2009, a banda conta até à data com um total de seis álbuns de estúdio, um DVD ao vivo e vários singles de sucesso, nomeadamente "Gabriel".


Os bilhetes encontram-se à venda nos locais habituais e bilheteira online e custam 26€ para Lisboa e entre 26€ e 34€, no Porto. As informações adicionais do concerto na capital podem ser encontradas aqui e para o concerto na Invicta aqui. O regresso dos Lamb em território português têm o selo da promotora Everything Is New


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STREAM: RLGNS - CDC01


Os RLGNS, trio lisboeta formado por Medley, Escumalha e Débora e que reúne ex-elementos dos  Treehouses 2290, gravaram duas faixas ao vivo na Casa da Cultura, em Setúbal, que disponibilizam agora para audição integral sob o título CDC01. Ambas "Madeleine Elster" e "Karōshi" foram masterizadas por Iuri Landolt  (EGBO) e podem ser descarregadas gratuitamente, ou através da funcionalidade "name your price" aqui.

Tanto em "Madeleine Elster" como em "Karōshi" a banda apresenta uma exploração atmosférica nos campos da dream-pop e chill-step, sendo que o primeiro apresenta um ritmo mais acelerado comparativamente a "Karōshi". Ambas as faixas são dedicadas às pessoas que possuam algum tipo de doença mental.

CDC01, foi editado oficialmente hoje (quinta-feira, 19 de outubro).


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Fotogaleria: Pierre Bastien + António Caramelo [Sabotage Club, Lisboa]


O multi-instrumentalista francês Pierre Bastien, estreou-se no Sabotage Club e na capital portuguesa, ontem, quarta-feira, 18 de outubro, para vir apresentar o seu mais recente trabalho de estúdio, Quiet Motors, uma performance única que combina sons de trompete de bolso com a sua orquestra mecânica, elaborada através de um conjunto de autómatos musicais. A primeira parte ficou assegurada por António Caramelo, que veio apresentar a sua peça sonora No-Fi com megafones

A foto-reportagem do evento, organizado pela Nariz Entupido, Matéria Prima e A Tarumba Teatro Marionetas, segue abaixo (e/ou pode ser consultada aqui), pela lente do Virgílio Santos


Pierre Bastien + Manuel Caramelo [Sabotage Club, Lisboa]


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MDME SPKR atuam no Woodstock69, Porto, esta sexta-feira

MDME-SPKR-woodstock69

Vindos de Londres, os MDME SPKR chamam-nos à atenção e à acção através do seu rock-urgente, que vai desde o proto-punk mais básico ao trance espacial. 

O duo formado em 2014 convida quem não tenha medo dos tempos de agora, quem procure a liberdade de expressão e o amor pela humanidade, e fá-lo com a garra e a raiva que têm surpreendido todos os públicos que os têm enfrentado tanto na Europa como nos E.U.A.

O duo baixo e bateria vai até ao Woodstock69, Campanhã, Porto, na próxima sexta-feira, 20 de outubro, apresentar o seu mais recente EP editado em abril, Last Thoughts

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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Dope Calypso com mini-degressão de estreia em Portugal


Os garage-rockers húngaros Dope Calypso vão estrear-se em Portugal numa mini-digressão que para já vê confirmadas cinco datas em Portugal nas cidades de Viana do Castelo, Portalegre, Cascais, Lisboa e Évora. Fãs assumidos dos Pixies, os Dope Calypso criam melodias com semelhante fórmula através da base bateria, teclado, voz e duas guitarras, sempre com a energia rock e a atitude punk.

Em três anos de carreira a banda já editou três discos, sendo que o mais recente Mau Mau (2016), servirá como mote de apresentação nos concertos agendados. A banda já se encontra em processo de composição de um novo disco podendo-se, portanto, esperar ouvir novos singles.


Os concertos decorrem entre os dias 27 de outubro e 4 de novembro. As datas confirmadas e os locais de atuação podem ser confirmados abaixo. Todas as informações adicionais aqui.



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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Cows Caos e The Brooms na próxima Cartaxo Sessions

© Alex Cortez
No próximo sábado, 21 de outubro, acontece mais uma edição da Cartaxo Sessions que recebe, desta vez, as bandas Cows Caos - em apresentação do récem-lançado EP Sunrise Bang (nas lojas amanhã, 18 de outubro) - e os barreirenses The Brooms - que desvendam os temas do seu segundo álbum de originais, Mystical Bandstand. A noite promete portanto muito rock'n'roll, surf, space rock e muita festa. Aproveitem para conhecer melhor o trabalho das bandas ali em baixo.



Os concertos têm início previsto para as 22h30 e os ingressos custam 5€. Todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui.

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May Roosevelt lança novo disco este mês


May Roosevelt está de regresso aos discos com Junea, o seu quarto álbum de estúdio em nome próprio, que é editado já na próxima semana, sendo primeiro registo pela editora grega Inner Ear. Com este novo disco, May Roosevelt acresenta novas identidades musicais, criando um som ambiente de multi-camadas e batidas rítmicas. Os vocais etéreos e as letras criptografadas levam a um universo paralelo paralelo e tridimensional que espelha a exploração do artista em novas coordenadas musicais.

O primeiro tema de avanço, "PA" resume um pouco o que se pode esperar deste novo Junea, apresentando arranjos clássicos de alguma forma ligados às vagas iniciais da música eletrónica. O single pode ser ouvido abaixo.


Junea tem data de lançamento prevista para 23 de outubro pelo selo Inner Ear Records.

Junea Tracklist: 

1. Air
2. PA
3. Flowers
4. Be
5. Let's
6. In Your Eyes
7. Ta
8. Tides

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Grandfather's House em entrevista: "Fizemos questão de fazer as coisas de forma diferente"

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© Tiago Da Cunha
Os Grandfather’s House vêm de Braga e com eles trazem já o famoso selo de qualidade desta cidade cultural. Surgiram em 2012 e contam com Tiago Sampaio na guitarra, Rita Sampaio nos sintetizadores e vocais e João Costeira na bateria. Editaram o seu primeiro EP Skeleton em 2014 e, em 2016, trouxeram-nos o seu primeiro longa-duração, Slow Move.

Agora chegou a vez de Diving, disco editado no passado dia 15 de setembro, que conta com as participações de Adolfo Luxúria Canibal (Mão Morta), Nuno Gonçalves e Mário Afonso. Leiam a conversa completa em baixo.


Threshold Magazine (TM) - Qual é a origem do vosso nome?

Tiago - O projeto foi criado na casa do avô. E vem um bocado da influência dos blues e daquilo que eu queria fazer na altura, do típico bluesman que tocava no alprendre de casa. Normalmente, a imagem que temos disso eram sempre pessoas mais idosas. Era aquilo que me influenciava na altura, ver vídeos por exemplo de R.L.Burnside, William Johnson, a tocar no alpendre de casa. Aquilo fascinava-me muito na altura e queria fazer uma coisa assim. Juntei o melhor dos dois mundos e decidi que se ia chamar Grandfather's House.


TM - Editaram no passado dia 15 de setembro o novo álbum intitulado Diving. Que expetativas é que têm em relação a este lançamento?

Tiago - A crítica para já tem sido boa, tanto do pessoal que é mais chegado como mesmo dos media. A opinião geral tem sido ótima. Uma diferença que notámos bastante e que ainda ontem estávamos a comentar foi que antigamente as pessoas diziam "Epá, gosto muito da vossa cena". E de repente as pessoas agora dizem: "Eia, o vosso álbum está brutal". O que é óptimo para nós, porque nunca nos tinham dito algo tão direcionado ao álbum, falavam sempre no geral, da performance ao vivo, das músicas. Ficamos muito contentes com isso.

TM - Sentem alguma diferença entre este álbum e os anteriores?

Rita - Foi composto na sala de ensaios e depois foi gravado e apresentado no gnration, na BLACKBOX. Foi um processo completamente diferente em termos de métodos de composição. Entrou mais um elemento, não fomos só nós os três do costume. Tivemos o Nuno Gonçalves nas teclas connosco, a compor todo o álbum. Claro que isso faz logo diferença e é mais uma pessoa a influenciar. 
Para além disso, fizemos questão de fazer as coisas de forma diferente no sentido em que trabalhamos todas as ideias que foram surgindo, sempre na sala de ensaios, todos juntos. E depois fazíamos um exercício engraçado que foi levarmos todos um álbum e ouvirmos música a música, todos juntos, para termos ideias. Nesse sentido foi bastante diferente. Acho que ajudou com que o álbum se tornasse uma peça mais coesa.

Tiago - Foi algo que nos ajudou e direcionou. Nós fazíamos metade do ensaio a ouvir os álbuns, a dissecar e a dar opiniões sobre partes e riffs que soavam bem. Isso tudo ajudou. Demos muita liberdade ao Nuno, para ele poder dar um cunho um bocado diferente daquele que nós já vínhamos a fazer. O Nuno teve um papel muito importante neste disco.

TM - Numa das músicas contam com a colaboração do Adolfo Luxúria Canibal. Como é que foi trabalhar com esse "dinossauro"?

Rita - Foi ótimo, super intuitivo. Nós mostramos-lhe o tema por email e ele disse que gostou muito. Depois mandamos a letra e ele chegou ao ensaio sem ideia do que ia fazer. É muito engraçada a noção de tempo que ele tem nas músicas. Um músico pensa em compassos mas ele olha para as músicas e sabe quando tem de entrar pelo tempo mesmo, pelos segundos certo. Notou-se bem a experiência que ele tem porque fez um trabalho incrível e foi super calmo. Percebeu aquilo que nós queríamos.

Tiago - Neste disco, ao trabalharmos com mais músicos de fora como o Nuno, o Adolfo e o Mário no saxofone, notámos que toda as suas metodologias de trabalho nos ajudaram a perceber e a abrir horizontes, que se calhar não tínhamos porque estávamos habituados a trabalhar os três.



TM - Não têm receio que as pessoas pensem que essa música com o Adolfo é Mão Morta?

Rita - Não porque encaro o tema como algo que fomos nós que pensámos, que faz parte do álbum. É normal que se associe logo a Mão Morta, é inevitável quando tens uma voz tão característica.

João - Podia ser o Manuel Cruz, digo eu. São vozes muito características e inconfundíveis.


TM - O que vos influenciou em Diving? Vocês falaram que ouviram vários álbuns. Algum livro, filme ou mesmo a vida?

Tiago - A vida no sentido mais implícito e inconsciente, vai estar sempre lá. Os discos que nos influenciaram bastante e marcaram todo o processo foram o Dummy do Portishead, o Moon Safari dos AIR e o In Rainbows dos Radiohead. Mesmo na composição, nós íamos debatendo partes das músicas que ouvíamos e por vezes tentávamos tocar um ou outro riff que gostássemos mais. Às vezes era influência do bom e do mau, podíamos ou não fazer. Não sei quantas vezes ouvimos os álbuns. Acabávamos de ouvir e dizíamos "vamos tocar".


TM - Falando da capa de Diving, há algum conceito por detrás?

Rita - Sim (risos). Faz sentido tendo em conta o conceito do álbum em si. A temática do álbum anda muito à volta das lembranças, memórias, que de certa forma estão adormecidas no inconsciente da personagem que fala nas letras. Fala do explorar dessas emoções e sensações que se calhar uma pessoa às vezes tenta evitar, que não trazem boas recordações. O facto de existir nudez na capa do álbum, assim como no próprio videoclip do primeiro single, "You Got Nothing to Lose", tem a ver com isso, com a forma como a personagem está exposta. Despe-se de preconceitos.

Tiago - Ela está a mergulhar num mar negro, um local onde não está confortável. É um lugar misterioso.



TM - Há alguma música que gostem mais no álbum? Eu sei que esta é difícil, porque eu tentei escolher uma e não consegui, há várias.

Rita - Sim (risos). Temos algumas. A "Sorrow".

Tiago - Eu gosto muito da "Sorrow", também.

Rita - Gostamos bastante dos singles que lançámos pois foram as primeiras escolhas. Mas depois também temos músicas como a "Drunken Tears" e a "Nick's Fault".


Tiago - A música do Adolfo vai ser aquela música que se calhar daqui a 10 anos vamos olhar para trás e dizer: "adoro esta música". São todos temas que nós compusemos e tentámos que fossem coesos, ao ponto de gostarmos mesmo de os ter no disco. É sempre complicado escolher.



TM - Falando de concertos, vocês o ano passado fizeram uma tour europeia. Têm alguma história caricata para contar?

Rita - Temos bastantes.

João - Fomos apanhados pela polícia na auto-estrada, à paisana.

Rita - Passei o meu aniversário na tour. Fomos para uma festa punk em Berlim. 

Tiago - Nessa da polícia, nós tínhamos dormido cerca de quatro horas. Tínhamos ido pela noite adentro para a festa com o promotor do concerto. Estivemos lá a curtir e de repente lembrámo-nos que tínhamos de ir embora porque tínhamos de ir para a Bélgica e ainda estavamos na Alemanha. Metemo-nos dentro do carro, andámos, andámos, chegámos e a noite também correu bem. Depois tínhamos de ir para a Áustria e ainda eram umas 15 horas de viagem. Não dormimos, metemo-nos dentro da carrinha e fomos andando. Eu tomei 4 cafés e 2 red bulls. Começámos a andar até que de repente, eu já estava naquele modo de zombie a conduzir e a tremer por todo o lado, a polícia alemã manda-nos parar. E nós: "o que é que se passa?". Eles começaram a encher-nos de perguntas, a vasculhar tudo, a ver se tínhamos algo ilegal. Ainda perdemos cerca de 1 hora e meia. Chegámos muito atrasados a Viena. Saímos à 1 da manhã da Bélgica e chegámos às 7 ou 8 da noite à Áustria. 
Depois fizemos uma das viagens mais lindas das nossas vidas, os Alpes Austríacos. Viam-se estâncias de ski secas, vilas com se calhar 20 a 30 casinhas, de todas as cores. Durante a viagem passámos bué calor, neve, morremos de frio. Apanhamos com muitas mudanças climáticas. Foi mesmo incrível.

TM - Partiram aqui de Portugal?

Rita - Sim, e depois terminámos a tour em Portugal. Demorámos 2 semanas. Foi mesmo chegar aqui e comer logo comida portuguesa.

Tiago - Foi em Bragança o primeiro concerto. Chegámos lá e de repente estavam a dizer o menu do dia: Feijoada à transmontano. E nós logo: "pode ser isso!" (risos). Foi a comida que nos matou. Na tour toda chegámos a comer puré com queijo, com tostas. O melhor que comemos foi pizza em Itália.

Rita - Foi muito fixe e é para repetir (risos).

Tiago - Vamos agora também em dezembro. Acho que começamos dia 30 de novembro uma tour por Espanha. São 10 datas no total, 8 em Espanha e 2 no sul de França. Vai ser uma coisa mais pequenina e depois para o ano vamos outra vez. Vamos mais dias, vamos quase o mês inteiro.

TM - O que têm ouvido nas últimas semanas?

Rita - Descobri um artista que estou a gostar muito, Perfume Genius e o álbum No Shape, estou viciada. Nick Cave, mais ou menos uma constante. Sharon Van Etten também. 

Tiago - Eu descobri uma banda há pouco, para aí há 2 meses, e o último álbum que eles lançaram. São os C2C e o álbum é o Tetr4. Eu oiço aquilo todos os dias. São uma mistura de dance music com blues, com muitos samples à mistura. 

João - James Blake e Benjamin Clementine.

Tiago - E BadBadNotGood também.



Entrevista por: Rui Gameiro

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800 Gondomar tocam 'Linhas de Baixo' em Aveiro


Depois da estreia com Twin Stoners, a TAGO MAGO regressa novamente à Associação Cultural Mercado Negro, em Aveiro, para mais uma noite de rock rápido, festa e copos. Desta vez as estrelas do evento são os 800 Gondomar e sobem ao palco da cave a 27 de outubro (sexta-feira). O dj-set da noite está assegurada por PR1ME SINISTER e enquadra-se-à entre as ondas techno, acid-house e world-music.

Os 800 Gondomar apresentam em Aveiro o disco de estreia Linhas de Baixo, editado no passado dia 13 de outubro pela Pointlist. O álbum, composto por um total de 14 canções youth-punk-rock foi masterizado por Rafael Silver (The Lazy Faithful, FUGLY, Fémur) e é o primeiro trabalho do trio a ser gravado num estúdio a sério. O disco, de uma forma geral, relata os acontecimentos de uma noite passada no Porto. Vamos ver como corre em Aveiro.


O concerto tem início previsto para as 22h30 e as entradas têm um preço de 4€. Todas as informações adicionais aqui.

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STREAM: NAKED - Total Power Exchange


Agnes Gryczkowska e Alexander Johnston são os NAKED, banda  sediada em Londres que em 2015 lançou o disco de estreia, Youth Mode, na altura em formato trio e com uma sonoridade synth-pop gélida. Agora, em dupla, regressam aos holofotes musicais com Total Power Exchange, um EP que conjuga a eletrónica mais pesada com experimentações vocais que trazem à cabeça bandas como Crystal Castles ou Bestial Mouths

Total Power Exchange é uma formação do conceito inicial da banda, que acrescenta agora tonalidades de ruído, gritos e outras samples que fazem adquirir à sonoridade resultante um ambiente exorcista.

Total Power Exchange EP foi editado a 6 de outubro e pode ser ouvido na íntegra abaixo.

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The Soft Moon regressa às edições na casa Sacred Bones

© Marion Costentin
O multi-instrumentalista Luis Vasquez, que nos últimos anos tem sido conhecido pelo seu trabalho a solo como The Soft Moon, está de regresso às edições de estúdio com aquele que será o seu quarto álbum oficial, Criminal, um trabalho confessional. Neste novo disco Luis Vasquez documenta o som desagregador resultante dos auto-conflitos criados na sua mente, sendo consequentemente o trabalho mais auto-reflexivo do artista até à data e o primeiro na conceituada casa Sacred Bones. Nas palavras do músico o conceito de Criminal  "is a desperate attempt to find relief by both confessing to my wrongdoings and by blaming others for their wrongdoings that have affected me".

Como primeira amostra do que poderá vir a ser este novo longa-duração foi divulgado o tema "Burn" mostrando, através da letra, os tais sentimentos de culpa, que o autor diz serem o seu maior demónio desde a infância conturbada. O single vem acompanhado de vídeo, que pode ser visualizado abaixo.


Criminal tem data de lançamento prevista para 2 de fevereiro de 2018 pelo selo Sacred Bones Records.

Criminal Tracklist: 

1. Burn 
2. Choke
3. Give Something
4. Like a Father
5. The Pain
6. It Kills
7. ILL
8. Young
9. Born Into This
10. Criminal

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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Fotogaleria: Jay-Jay Johanson [Teatro Tivoli BBVA, Lisboa]

(Feliz Aniversário, Sr. Johanson)


Noite de quarta-feira, Jay-Jay Johanson apresenta-se em Lisboa no Teatro Tivoli BBVA para o segundo concerto da mini-digressão em Portugal a comemorar os 20 anos de Whiskey, o seu disco de estreia, e presenteia-nos com Bury The Hatchet, o novo trabalho. O elenco é composto por Erik Jansson (piano) e Jörgen Wall (bateria), elementos que o têm acompanhado ao longo dos anos.

Jay-Jay Johanson

Jay-Jay é um "crooner" melancólico, que cria ambientes sonoros para escrever sobre “chegadas / partidas”, corações partidos, as saudades nas relações humanas. Ao longo destes 20 anos, emigrou para outras paisagens sonoras e visuais, como em 2012 através do "electroclash" no álbum Antenna, mas a eterna saudade trouxe-o de volta. Genuinamente cantou-nos “O amor é o início. O amor é o meio. O amor é o fim" (Joaquim Pessoa), que para o ser humano não existe fuga possível. 

Jay-Jay Johanson

No final na noite veio junto dos seus fãs, abraçá-los, trocar algumas palavras e as obrigatórias fotografias e autógrafos, tendo sido presenteado com um "Feliz Aniversário, Sr. Johanson", em português.


Jay-Jay Johanson

A foto-reportagem do evento, organizado pela Lemon Live Entertainment, segue abaixo (e/ou pode ser consultada aqui), pela lente do Virgílio Santos.

Jay-Jay Johanson [Teatro Tivoli - Lisboa]

Texto: Virgílio Santos

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domingo, 15 de outubro de 2017

Reportagem: OUT.FEST 2017 - Dia 4 [ADAO, Barreiro]


O último dia, 7 de outubro, da 14.ª edição do OUT.FEST - Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro, trouxe ao peculiar espaço da ADAO (Associação Desenvolvimento Artes e Ofícios), nada mais nada menos do que uma dúzia de concertos, divididos por quatro palcos: Palco Oficina, Sala das Colunas, Sala de Jantar e Salão Nobre.

Esta Associação de Artistas, tem o seu "gigante" atelier num antigo Quartel dos Bombeiros do Barreiro. É um espaço com cerca de 3200 metros quadrados, que pelas suas características e dimensões acaba por ser o lugar ideal para um evento desta natureza, ateliers de moda, fotografia, salas de exposições, tornaram este espaço cultural num local aprazível como desejaríamos nós que houvesse em todas as cidades. Este ano, para além do espaço da ADAO, o evento realizou-se também na Igreja de Santa Maria, no Museu Industrial da Baía do Tejo e no Auditório Municipal Augusto Cabrita. Na ADAO, a noite teria que ser de escolhas, pois alguns concertos eram à mesma hora, talvez algo a "afinar" no futuro.

OUT.FEST 2017 - Ambiente

Cerca das 21h30 na Sala das Colunas, bem composta, surge em palco Simon Crab, figura central dos Bourbonese Qualk, banda mítica do chamado underground da cena electrónica, formados, em Inglaterra, nos anos 80. Em palco acompanhado de uma jovem baterista portuguesa, a Diana Combo, levou-nos a uma viagem por terras da electrónica, onde pontificam, agora, sonoridades menos cinzentas e até, aqui e ali, mescladas de laivos de cor e luz.

Simon Crab

O ponto alto da noite, estaria reservado para as 22h00 no Palco Oficina, com a presença dos históricos This Heat, agora denominados This Is Not This Heat. Formados em 1976 em Camberwell, Londres, pelos multi-instrumentistas Charles Bullen (guitarra, clarinete, viola, voz e tapes), Charles Hayward (bateria, teclados, voz e tapes) e Gareth Williams (teclados, guitarra, baixo, voz e tapes). Gareth Williams morreu em 2001, pouco após a banda se ter reunido em novos ensaios. Em 2016, Charles Bullen e Charles Hayward resolvem recuperar a banda, agora com a denominação: This Is Not This Heat (mas são).

This Is Not This Heat

No Barreiro tivemos oportunidade de conferir que as deambulações sonoras, variam entre vários estados, da electrónica, à acústica, passando pela colagem, o rock, o punk, a improvisação, tudo isto numa perfeita harmonia, onde por vezes o caos é a ordem… existe harmonia no caos. Com uma assistência onde a média de idades era sem dúvida elevada, viveram-se autênticos regressos ao passado, visivelmente estampados no rosto de quem ali estava. Havia arrepios, havia sorrisos, a cumplicidade era mútua a cada tema que se ouvia. 

Quase duas horas de um fantástico e energético concerto presenteado pelos "velhinhos" This Heat, que em palco apresentaram-se com uma nova geração de músicos e percorreram os seus dois, fabulosos, álbuns, This Heat (de 1979) e Deceit (de 1981) e o EP Health and Efficiency (de 1980). Foi, sem dúvida um momento único! This Heat… This Is Not This Heat… enfim, a música é a deles! 

This Is Not This Heat

Há mesma hora dos This Is Not This Heat, no Salão Nobre, as sonoridades eram bem diferentes e estavam entregues a Nocturnal Emissions. O projeto fundado em Derbyshire no final da década de 1970 por Nigel Ayers, contou, na altura, com a colaboração de Danny Ayers e Caroline K.A a partir de 1984. As sonoridades extrovertidas do projecto Nocturnal Emissions, continuaram a ser produzidas, mas só já pelo seu fundador Nigel Ayers. O artista, que conta já com uma existência invejável, cerca de 40 anos de produção de sonoridades, trouxe ao Barreiro as suas características e próprias ambiências sonoras, ora ruidosas, ora harmoniosas. 

Nocturnal Emissions

Na Sala de Jantar, DJ Problemas (projeto de Afonso Mota) servia pratos de electrónica / house / trance e sei lá o que mais, muita gente sem ter reservado mesa esperava a sua vez no exterior (corredor). Um problema.

DJ_Problemas

O trio que veio de Brooklyn, os Black Dice, no Palco Oficina mostraram que a música não é para meninos, noise, rock e electrónica, colagens sonoras às carradas não deixaram ninguém indiferente à sua actuação.

Black Dice

Fotogaleria completa do evento aqui
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OUT.FEST 2017 [ADAO, Barreiro]

Texto: António Caeiro
Fotografias: Virgílio Santos

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