sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Sun Blossoms edita single surpresa e anuncia novo álbum


Alexandre Fernandes é a voz que dá alma a Sun Blossoms, o projeto lo-fi pop deste guitarrista oriundo do Cacém. Depois de ter lançado o primeiro álbum a solo em 2015, Sun Blossoms prepara-se para o seu próximo registo com Cruising / You, um conjunto de músicas gravadas numa noite de inspiração para Alexandre. 3 malhas com aquele noise espacial a que estamos habituados dele, embora nos fora revelado que o álbum será um pouco mais pesado.

Este álbum de que falamos vai ser o primeiro em banda de Sun Blossoms, com Luís Barros (Alek Rein) na bateria e Alexandre Rendeiro (aka Alek Rein) no baixo, e em principio será editado no começo do próximo ano. Esperem novidades e muita distorção deste lado.


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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Novo álbum de Fever Ray sai amanhã à meia noite


Depois de na passada semana ter quebrado o silêncio e apresentado o seu primeiro tema em 8 anos, Karin Dreijer, uma das cara-metade dos suecos The Knife, vai editar o seu segundo álbum sob o heterónimo de Fever RayPlunge é o nome deste novo trabalho, sucedendo o aclamado álbum homónimo de 2009, e vai estar disponível já amanhã à meia noite nos serviços de streaming. Os formatos vinyl e CD chegam só a 23 Fevereiro de 2018 através da Rabid Records.

Plunge foi maioritariamente gravado nos estúdios de Karin Dreijer em Estocolmo com a colaboração dos produtores Paula Temple, Deena Abdelwahed, NÍDIA, Tami T, Peder Mannerfelt e Johannes Berglund.

"To The Moon and Back" é, para já, o único tema conhecido de Plunge.


Foram também disponibilizados a capa e o alinhamento de Plunge.



Plunge:

1. Wanna Sip
2. Mustn't Hurry
3. A Part Of Us
4. Falling
5. IDK About You
6. This Country
7. Plunge
8. To The Moon And Back
9. Red Trails
10. An Itch
11. Mama's Hand.




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STREAM: May Roosevelt - Junea


Junea marca o regresso de May Roosevelt, a conceituada thereminista grega, aos discos de estúdio. O seu quarto longa-duração é o primeiro no selo Inner Ear e baseia-se essencialmente nos sintetizadores criando, consequentemente, um ambiente de som multi-camadas e batidas rítmicas. Os vocais etéreos e as letras criptografadas levam a um universo paralelo que espelha esta nova fase de exploração.

Deste novo disco já tinha sido divulgado o single de arranjos clássicos "Pa", de um total de oito faixas. Junea pode agora ser ouvido na íntegra, abaixo. Destaque ainda para singles como "Flowers", "In Your Eyes" e "Ta".

Junea foi editado oficialmente a 23 de outubro pelo selo grego Inner Ear Records

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Soft People - "Man With A Gun" (video) [Threshold Premiere]


Soft People é o novo projeto musical dos californianos Caleb Nichols e John Metz que se preparam agora para editar o seu primeiro longa-duração oficial intitulado de American Men. Tal como o nome indica, o novo disco  traz um olhar severo aos políticos sombrios, à masculinidade equivocada, ao capitalismo tardio e à nova e angustiante realidade dentro e fora da Casa Branca. Um dos exemplos, encontra-se no novo single "Man With A Gun", o segundo tema extraído de American Men e o primeiro a ser apresentado em formato audiovisual.

Ente novo single tem influência de uma experiência pessoal vivida por Caleb Nichols que citamos de seguida: "I was doing just that – listening to something we were working on for Soft People and walking Millie around the pond by our 50's era suburban brick house - when a man came from out of nowhere about 300 feet in front of me and did the most absurd thing I have ever personally witnessed. He pulled a rather large handgun out of the waistband of his pants and began angrily shooting it up into to the air, like a character in a movie would do". Depois deste acontecimento Caleb Nichols fugiu o mais rápido que pôde e quando voltou à segurança da sua casa escreveu os versos e as melodias principais de "Man With A Gun". O vídeo pode ser visto abaixo.


American Men tem data de lançamento prevista para 7 de novembro em formato self-release.

American Men Tracklist:

1. 16 Years of Somewhere Else 
2. American Man
3. Daddy
4. Berenstein
5. Baby
6. Georgia Reel
7. Alchemy of Male Feelings
8. Man With a Gun
9. Golden Age of Television
10. Brood VI
11. Think Piece
12. New Kampf 

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Fields Of The Nephilim em Portugal


Os Fields Of The Nephilim - banda de rock gótico, que deu os primeiros passos na década de 80, em Londres - estão de regresso ao Porto a 31 de março, para um concerto histórico e exclusivo no país com o selo da promotora At The Rollercoaster. O quinteto, com dois dos membros originais, deverá apresentar em solo nacional novos temas, além das músicas do último trabalho Mourning Sun (2005).

A banda lançou o seu primeiro álbum Dawnrazor em 1987, sendo que os posteriores The Nephilim (1988), e Elizium (1990) fizeram aumentar a popularidade do grupo e fixar um culto a nível mundial. Depois de 1991 os britânicos entraram num hiato que  se quebrou com o quarto disco de estúdio Mourning Sun. Até à data ainda não foi anunciado nenhum sucessor.

Os bilhetes vão custar 25€. Todas as informações adicionais podem ser encontrada aqui.



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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Surma em entrevista: "Antwerpen é um disco muito de pormenor e muito de “quarto” "

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© Sal Nunkachov

Depois de nos últimos tempos ter vindo a criar um hype tamanho dentro dos novos projectos do panorama musical português, Surma, projeto a solo e alter-ego da artista leiriense Débora Umbelino, editou no passado dia 13 o seu álbum de estreia, Antwerpen, pela também conceituada editora leiriense Omnichord Records.

Em Antwerpen estamos perante uma paisagem sonora sonhadora, envolta em camadas eletrónicas enriquecida por vocais ora celestiais, ora sedutores, lembrando-nos uns Beach House, Sleep Party People, CocoRosie e mesmo Björk. Leiam em baixo a nossa conversa com a Débora.

Threshold Magazine (TM) - Como descreves a tua sonoridade?

Surma - Nunca sei responder muito bem a esta pergunta! De uma maneira geral não gosto de labelizar o género de música que um artista compõe. É a imaginação dele com a interpretação de cada um. Costumo dizer que são variados estilos misturados num só, dando o género “estranho” (risos). Costumo abstrair-me completamente de tudo quando vou compor, tentando fazer uma coisa um pouco fora da caixa (o que é difícil hoje em dia, já está tudo descoberto).

TM - Sabemos que a Islândia sempre foi uma grande influência na tua vida, desde a adolescência. Porquê este fascínio tão grande pelas terras frias e intimistas dos países nórdicos?

Surma - Não sei bem dar uma razão assim específica da obsessão que ganhei por toda a cultura dos países nórdicos. Foi através de um trabalho para a escola, na altura, que acabei por ir dar a um site que me levou aos países nórdicos, em que o principal da página era a Islândia! Fiquei automaticamente estupefacta com todas aquelas imagens e com tudo o que se estava a passar com aquele ambiente único. Foi a partir dos meus 14 anos que sempre tive o sonho e a obsessão por estes países! São únicos, só tendo a experiência pessoal é que se sente o quão especial são.

TM - Que expetativas tens em relação ao lançamento do teu disco de estreia?

Surma - Costumo ter sempre os pés muito bem assentes na terra. Não gosto de ter muitas expectativas em relação ao futuro, nem sou uma pessoa muito ambiciosa. O meu principal objectivo, neste momento, é tocar em todo o lado e que o álbum chegue às pessoas e que estas gostem do meu trabalho e que se identifiquem comigo. É esse o meu principal objectivo para agora. 

TM - Podemos considerar Anterwerpen essencialmente um disco eletrónico e experimental?

Surma - Podemos dizer que sim, mas acima de tudo é um disco muito de pormenor e muito de “quarto”. Desde o início em que entrei em estúdio com a Casota Collective que quisemos dar um ar lo-fi e de “quarto”ao álbum. Podemos dizer que é um disco muito acolhedor que liga muito a ruídos de pormenor e de detalhes!




TM - Como está a correr o processo de transição de estúdio para o palco das canções de Antwerpen? Será difícil reproduzir todos aqueles pormenores presentes numa excelente produção.

Surma - Está a ser complicado em reproduzir tudo ao vivo! Andamos em fase de experimentações e a ver como será mais fácil de tocar todas as coisas live. Acho que a estrada nos vai dar bastante “calo” para vermos o que está e o que não está a funcionar. Espero que resolvamos (risos).

TM - Existe alguma razão para que os títulos das músicas apresentem línguas diferentes entre si?

Surma - Desde o início de composição que quis fazer um disco do Mundo. Não me fechar num determinado género musical nem numa determinada língua. Por isso é que decidi não dar letras às músicas deixando a interpretação a cada pessoa. Vai do Islandês ao Africanêr. Quis criar uma ligação muito própria entre a Surma e as pessoas. Este disco foi feito para todos vós.

TM - Tens alguma música favorita em Antwerpen? A nossa é “Nyika”.

Surma - Ahah sim. Essa dá para abanar bem o capacete (risos). Não consigo dizer que tenho uma favorita do disco, todas elas me são muito queridas de uma maneira muito diferente. Mas tenho uma que me é um pouco mais especial que é a "Begrenset"! Não sei porquê, mas sinto-a de uma maneira diferente.






TM - Como é que a Surma tem tanto amor para dar?

Surma - Ahahah é graças às pessoas que me têm acompanhado desde o início nesta jornada. Não sei bem o que se tem passado, tem sido inacreditável e sinto que nunca tenho palavras nem abraços suficientes para agradecer tudo aquilo que têm feito por mim. Se fosse pela minha pessoa passava os dias a agradecer e a abraçar a toda a malta que me tem dado este apoio inacreditável. Lá está, estou num sonho constante.

TM - O que tens ouvido nas últimas semanas?

Surma - Stavroz, Ian Chang e St.Vincent.


Entrevista por: Rui Gameiro

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STREAM: Lilly Rose - Mellifera


O cravo é um instrumento belo, que por si só enriquece uma música de início ao fim. Lilly Rose, a artista portuguesa que flutua como uma ofélia num sonho feito de morfina, estreia-se nos registos com Mellifera e vem mostrar isso mesmo, a epopeia que um único instrumento, o cravo, consegue construir em canções curtas e de aura obscura. Mellifera é um conjunto de cinco músicas - quatro delas totalmente instrumentais - que conseguem levar o ouvinte a viajar uns bons anos no tempo, à época barroca, sem nunca descurar de comparações a nomes como Domenico Scarlatti.

Apesar de simples, Mellifera é um conjunto de cinco temas muito bonitos, compostos com alguma mestria e profundamente sentidos. Como principais temas destaque para "A Witche's Progress", o poderosíssimo "Dancing Star" e "The Unfortunate Drowning of Ophelia", a única música com recurso a voz.

Mellifera foi editado oficialmente a 21 de outubro de 2017. 

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Mueran Humanos abrem para The Horrors no Porto e em Lisboa


O aguardado regresso dos britânicos The Horrors a Portugal faz-se em dezembro nos dias 9 e 10, no Porto e em Lisboa. A banda de Faris Badwan e companhia traz na bagagem o quinto e mais recente disco V, editado em setembro com selo Caroline / Wolf Tone e onde podemos encontrar os singles 'Machine' e 'Something To Remeber Me By'. Aclamado pela crítica internacional especializada, V traz uma vertente mais acessível e claramente mais pop do que os seus antecessores, marcando um ponto de mudança na carreira de uma banda que não sabe parar e que preza sempre pela diferença e pela procura de novas identidades.

A abrir os concertos dos britânicos vão estar os argentinos Mueran Humanos. A dupla sediada na Alemanha composta por Carmen Burgess e Tomás Nochteff apresenta-se novamente em Portugal depois de ter atuado no warm-up do NOS Primavera Sound em Junho e novamente em setembro para uma atuação no mini festival Post-Punk Strikes Back Again. Em agosto lançaram o segundo longa-duração homónimo que deverá receber grande foco nas suas atuações, trazendo novamente a fusão frenética entre a música eletrónica e punk, a pop e o rock, sempre com boas doses de experimentalismo e avant-garde.

Agenciados pela promotora Sons em Trânsito, os concertos decorrem dias 9 e 10 de dezembro, no Hard Club (Porto) e no Lisboa ao Vivo (Lisboa), respetivamente. O custo de ambos os ingressos possui o preço único de 23 euros.

LOCAIS DE VENDA: www.ticketline.sapo.pt, Fnac, Worten, El Corte Inglés , C. C. Dolce Vita, Casino Lisboa, Galerias Campo Pequeno, Ag. Abreu, A.B.E.P., MMM Ticket e C. c. Mundicenter, Fórum Aveiro, U-Ticketline, C.C.B, Shopping Cidade do Porto, Lojas NOTE, SuperCor – Supermercados e ASK ME Lisboa.


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Zanibar Aliens tocam esta sexta-feira em Campanhã, Porto


Zanibar Aliens, o quinteto formado entre Lisboa e Suécia aterra no Porto já na próxima sexta-feira (27 de outubro) para um concerto no Woodstock69 Rock Bar, em Campanhã, em apresentação do seu mais recente e segundo disco de estúdio Space Pigeon (2017). A banda formou-se há pouco mais de quatro anos e ao Porto traz mais uma das suas viagens intergaláticas.

Imbuídos em assegurar que o rock não morra, nunca, os Zanibar Aliens cultivam o rock'n'roll genuíno, sem artifícios e com ingredientes da melhor espécie, dos blues ao hard & heavy, sem esquecer as referências clássicas de 60's e 70's, como Cream, MC5, Stones, Clapton ou Zeppelin. O resultado é um rock autêntico, orgânico e explosivo que, por certo, atingirá o Woodstock69 como um canhão.

O concerto tem início previsto para as 22h00. A entrada é livre com donativo consciente. Todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui


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The KVB celebram 5 anos de 'Always Then' com reedição

© Rebecca Cleal
Foi há cinco anos que os britânicos The KVB, dupla que une Nicholas Wood a Kat Day, lançaram Always Then, o seu bastante aclamado disco de estreia, numa edição limitade de vinis, pelo selo Clan Destine Records. O álbum foi escrito e gravado em 2011 numa máquina Fostex de fita, por Nicholas Wood e, no final desse ano, Kat Day juntou-se a ele para formar uma dupla. 

Cinco anos depois, o disco volta a ser editado numa edição de aniversário que apresenta uma nova cover art - com uma fotografia atualizada do mesmo edifício -  o álbum de estreia reestruturado e ainda a faixa bónus "Always Then Revisited", que consiste em quatro canções repensadas e regravadas da álbum original.

Always Then Aniversary Edition tem data de lançamento prevista para 24 de novembro pelo selo Invada Records.


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"Haunt", o novo tema dos Black Rebel Motorcycle Club já circula por aí


Quatro anos depois de  Specter At The Feast (2013), os Black Rebel Motorcycle Club regressam aos discos de estúdio com Wrong Creatures, que segue agora com  a balada "Haunt" como novo single de avanço. Do novo trabalho já tinha sido anteriormente divulgada a faixa "Little Thing Gone Wild", que serviu de base para a escolha do título do álbum.

Em "Haunt", os Black Rebel Motorcycle Club surgem com uma aura mais parada, em formato balada, num tempo de execução aproximado a seis minutos, onde desenvolvem tempos retardados e uma instrumentação nebulosa de aura psych. O single pode ser reproduzido na íntegra abaixo.


Wrong Creatures tem data de lançamento previsto para 12 de janeiro de 2018 pelo selo Vagrant Records.

Wrong Creatures Tracklist:

1. DFF
2. Spook
3. King of Bones
4. Haunt
5. Echo
6. Ninth Configuration
7. Question of Faith
8. Calling Them All Away
9. Little Thing Gone Wild
10. Circus Bazooko
11. Carried from the Start
12. All Rise 

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terça-feira, 24 de outubro de 2017

Discharge em Portugal


Depois de uma passagem pela edição do ano passado do Vagos Metal Fest, eis que os Discharge regressam a Portugal. O concerto vai ter lugar na sala 2 do Hard Club, no dia 11 de novembro. A acompanhar os precursores do D-Beat teremos os Trinta & Um e os Misantropia. Lembramos também que os Discharge lançaram no ano transacto o End of Days, uma gessada com selo de qualidade da Nuclear Blast. 

Em baixo, deixamo-vos uma amostra daquilo com que podem contar no próximo dia 11. 

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John Maus no Maus Hábitos a 31 de outubro


Este ano o Halloween celebra-se no Maus Hábitos. É já no próximo dia 31 que John Maus se apresenta na cidade Invicta com o seu novo álbum Screen Memories, a convite da Favela Discos e da Lovers & Lollypops. Também o Cão da Morte, projeto singular de Luís Severo, vai dar a sua aparição nesta noite. Gary War (Sacred Bones), Afonso Macedo, Vives les Cônes e DJ Fitz vão também aquecer esta noite de outono.

Um evento a não perder no Maus Hábitos - Espaço de Intervenção Cultural, Porto, por 10€ (3€ depois dos concertos). Os bilhetes podem ser adquiridos fisicamente no Maus Hábitos, BOP e Louie Louie e online pela plataforma BOL.

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[Review] Ele Ypsis - Meiosis


Meiosis // m-tronic // outubro de 2017
9.0/10

Os Ele Ypsis estão de regresso às edições de estúdio, com Meiosis, aquele que vem a ser o terceiro disco oficial do duo, cuja edição física e digital acontece no final de outubro. A dupla, que une a vocalista e compositora Laure Le Prunenec (Rïcïnn, Igorrr, Corpo-Mente, Öxxö Xööx) ao compositor e produtor Stélian Derenne, formou-se em 2008 e até à data editou os discos SPIRALIS (2015) e EKSÜ (2013) pela 561743 Records DK que, de forma resumida, conjugam elementos da música neoclássica à eletrónica ligeira, construindo aquilo com que se definem, "tortured child of distant artistic lovers". Agora na casa m-tronic, os Ele Ypsis trazem ao público Meiosis e um total de oito canções inéditas que apresentam essencialmente uma aura celestial, com ritmos ora rápidos e poderosos ora lentos e marcantes.

Quem conhece Laure Le Prunenec sabe que o seu nome está associado a projetos revolucionários – pelo seu carácter extremamente inventivo – no panorama musical contemporâneo. A sua voz, tipicamente grave, alcança timbres operáticos e angelicais que, com vocalização sem palavras e/ou linguagens imaginárias conseguem trazer algo completamente marcante e único. Em Ele Ypsis, Laure Le Prunenec, está muito bem acompanhada ao lado do produtor e compositor Stélian Derenne, que produz o som resultante contribuindo para a natureza abstrata e disfuncional que é projetada nos arranjos eletrónicos.

O álbum, anunciado oficialmente em maio, viu em julho serem anunciados os primeiros dois singles a integrar a obra, o homónimo "Meiosis" – que funciona como uma projeção de mundos mistos, expressada essencialmente através do som e nas características físicas que este apresenta - e "Pachytene" – que traz algumas semelhanças daquilo que se ouviu em Lïan, o primeiro trabalho a solo de Laure Le Prunenec como Rïcïnn. Esta influência é novamente mostrada em "Diakinesis", cuja abertura traz automaticamente à memória o icónico "Orpheus". O que muda então?


Em Meiosis as viagens proporcionadas pelos apetrechos eletrónicos de Stélian Derenne são muito intensas e carregam uma incontestável beleza na forma como são compostas. A prova disso surge logo em "Anaphase", single de abertura e o mais longo tema do álbum. A introdução calma e éterea com cerca de dois minutos de duração é pontualmente substituída por beats acelerados que são acompanhados por gritos e coros atenuados, em pano de fundo. Por volta dos três minutos voltamos a ter o som relaxante de início que perdura, aproximadamente, até aos sete minutos e meio. Aqui, começa então a ganhar novas camadas e atinge o auge aos oito minutos e 54 segundos. Uma garantida viagem ultrassónica às bases do som. Outro single que se apresenta como uma enorme surpresa é "Prophase" que de alguma forma, no seu início, traz à memória a produtora islandesa Björk.

O grande tema de Meiosis é, sem dúvida, "Zygotene". "Zygotene" é um tema muito especial, diria até divino. O que Stélian Derenne faz com a eletrónica por volta do primeiro minuto e 27 segundos é um dos sons mais bonitos de sempre, dura cerca de 20 segundos, mas são os 20 segundos mais perfeitos do disco. E o melhor é o desenvolvimento que o sucede. Aqueles violinos lindos a que o trabalho da vocalista está automaticamente associado voltam a ouvir-se, mas a forma como são apresentados é incrivelmente singular. Que single dominador! De alguma forma, a lembrar um pouco do processo de decomposição associado a projetos como Aaron Funk e Arvo Pärt. "Diplotene" também não lhe fica atrás e é uma das composições que também ganha destaque, especialmente pelos arranjos eletrónicos e explorativos que apresenta. A fechar, "Telophase", o single mais curto do disco e outro malhão impecável.

Meiosis vem de encontro aos processos criativos produzidos de tão díspares nomes como Dead Can Dance ou Debussy, por exemplo, e afirma a dupla nas índoles da avant-garde music, com uma sonoridade incrivelmente única. A Laure Le Prunenec é definitivamente a melhor coisa que aconteceu à música neste século e um exemplo icónico de uma artista profissional que não consegue produzir trabalhos inferiores a excelente. Meiosis é mais um magnífico trabalho na sua discografia, composto ao lado do também não menos meritório Stélian Derenne. Um disco a que definitivamente se pode chamar obra.

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Três a Solo volta a acontecer já esta sexta-feira


O Três a Solo - um concerto em três momentos - volta a acontecer este ano para a segunda edição novamente na sala principal do Cine-Teatro Garrett, em Póvoa de Varzim. Nesta evento os destaques são Captain Boy - responsável pela abertura da noite com o seu mais recente disco de estreia 1, na bagagem - Emmy Curl - a apresentar os temas de Navia - e Norberto Lobo - que fechará em grande o dia, em apresentação do seu mais recente disco Muxama. Os três músicos tocam na próxima sexta-feira (27 de outubro) e os concertos têm início previsto para as 21h30.


Três a Solo é um concerto promovido e programado pela MEMO. O objetivo é, mais uma vez, dinamizar e contribuir positivamente para a diversidade artística e cultural fora dos grandes centros urbanos. Todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui.

Bilhete: €10 (com oferta de bebida no Rouge Pub)
Locais de venda de bilhetes: Cine-Teatro Garrett, bol.pt, lojas FNAC, Worten e CTT
Abertura de portas: 21h00
Início de espetáculo: 21h30 

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VI Infected Fest traz Dope Calypso, The Parkinsons e mais ao Popular Alvalade


O Infected Fest celebra este ano a sua sexta edição no Popular Alvalade, em Lisboa, no fim-de-semana de 2,3 e 4 de novembro, trazendo a palco um total de nove bandas, duas delas internacionais. Com o lema "música feita com o coração em ambiente super acolhedor", além do cenário, os portadores de bilhete poderão assistir a três concertos por dia, todos depois das 21h00. 

Na quinta feira (2 de novembro) sobem a palco Sam Alone & The Gravediggers, Jackie D. e os húngaros Dope Calypso, que se estão a estrear por terras portuguesas numa mini-digressão de apresentação do mais recente disco Mau Mau (2016).



No segundo dia (3 de novembro) pode-se contar com concertos de TREVO, Artigo 21 e dos Pestox, que se encontram a celebrar 15 anos do lançamento do disco de estreia.



O último dia de festival (sábado, 4 de novembro) traz as atenções para The Parkinsons, que vão encerrar o festival, Anarchicks e o punk-rock dos franceses Shut up Twist again que é apresentado em data única em Portugal.





Os bilhetes diários custam 12,50€ e o passe para os três dias está à venda por 30€. Podem comprar os bilhete antecipadamente na Clockwork Store (Cais do Sodré) e na Glamorama Rockshop (Picoas), ou então online aqui. O Infected Fest é uma iniciativa da Infected Records.

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FMUP Music Fest regressa para a 6ª edição a 9 de novembro


A Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto vai levar a cabo mais uma edição do FMUP Music Fest, e traz um total de seis bandas ao palco da Sala 2 do Hard Club, no próximo dia 9 de novembro (quinta-feira). Este festival contará com quatro bandas a concurso - cuja identidade ainda é desconhecida - e mais duas bandas externas os lisboetas Madrepaz - que trazem à Invicta o mais recente disco de originais Panoramix (2017) - e os conimbricense Flying Cages - a apresentar o também novo Woolgather (2017).

As quatro bandas a concurso serão divulgadas após o período de candidaturas, que se encontra em aberto até ao próximo dia 30 de outubro. Se quiserem inscrever a vossa banda consultem todas as informações aqui. Para ficarem a par das novidades em primeira mão é só seguir a página oficial do FMUP Music Fest no Facebook ou aqui.


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Esta semana: Black Bombaim e Peter Brötzmann juntam forças para o derradeiro confronto

©Shhpuma
O power trio psicadélico português Black Bombaim possui já um curioso histórico com artistas da esfera jazz. Em 2012, fascinados com os arranjos experimentais e free jazz presentes em Funhouse dos The Stooges, convidaram o já falecido saxofonista Steve Mackay para contribuir num dos colossais temas de Titans, o terceiro disco da banda proveniente de Barcelos. Em 2014, com o lançamento de Far Out, juntam-se ao aclamado saxofonista português Rodrigo Amado. Em 2016, inserido na programação do último festival Rescaldo que decorreu na garagem da Culturgest, no Porto, juntaram-se pela primeira vez ao saxofonista alemão e lenda do free jazz europeu Peter Brötzmann  para um épico concerto. 

A convivência entre estas duas forças tão díspares a nível musical como geracional viria resultar num magnífico disco colaborativo. Editado no mesmo ano nos estúdios Sá da Bandeira, Black Bombaim & Peter Brötzmann recebeu reviews muito positivas pela crítica nacional e internacional, colocando em confronto a força do trio barcelense com o tornado que é Peter Brotzmann e o seu saxofone, que desde os anos 60 se destacou com um dos praticantes mais marcantes e influentes da escola free jazz europeia, contando no seu repertório com uma infinidade de colaborações e aclamados discos como Machine Gun (1968) Schwarzwaldfahrt (1977).

Dias 25 e 26 de outubro, no Jameson URBAN Routes e Passos Manuel, respetivamente, Black Bombaim e Peter Brötzmann aliam-se pela última vez para dois concertos obrigatórios com curadoria Lovers & Lollypops. Em Lisboa, os bilhetes para a sessão do JUR possuem o custo de 15 euros (comprar aqui) e a primeira parte fica assegurada pelos SCÚRO FITCHÁDU. No Passos Manuel os bilhetes ainda se encontram disponíveis online ao preço de 12 euros, subindo à porta para os 15 euros. A primeira parte fica a cargo do duo Paisiel.


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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

STREAM: Arcanjo - Portugal Morreu?


Arcanjo, o alter-ego de Miguel Arcanjo (vocalista dos Igualdade Paralela) regressou ontem (domingo, 22 de outubro), às edições, desta vez em formato longa-duração com Portugal Morreu?, aquele que é o primeiro trabalho oficial do artista. Do disco já eram conhecidos os singles "Beijo do Calar", "Anna Bu" e "Poetry Letters", sendo que este último foi divulgado na passada semana.

Segundo o artista, "o álbum Portugal Morreu?, trata-se de ser uma pergunta ao país em questão, e ao iniciar de um novo ciclo na música moderna em Portugal, um espaço mais surrealista e mais poético com muitas artimanhas escondidas dentro das letras ora arcaicas, ora nostálgicas, aos tempos antigos e aos tempos modernos em questão". O disco já está disponível para audição e compra digital, via bandcamp, ou então ali em baixo.

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