sábado, 4 de novembro de 2017

Lisboa Dance Festival anuncia data e primeiras confirmações


Lisboa Dance Festival está de regresso à capital para a sua terceira edição. Depois de duas edições bem sucedidas e de ter sido reconhecido como Best New Festival e Best Indoor Festival nos Iberian Festival Awards 2017,  o novo festival regressa novamente com uma aposta forte na vanguarda da criatividade e da música de dança e conta este ano com um novo espaço: O Hub Criativo do beato, um dos mais efervescentes espaços lisboetas.

Sempre atentos ao que melhor se faz na música eletrónica, o Lisboa Dance Festival conta este ano com o regresso a Portugal do furacão soul e R&B NAO, que em 2016 editou o primeiro longa-duração For All We Know e que promete nova música e aventuras com o contagiante novo single "Nostalgia". Nosaj Thing é mais um dos grandes destaques da primeira senda de confirmações. A Lisboa traz o mais recente Parallels, um disco de ambiências requintadas e universos ecléticos executados por um dos mais visionários produtores dos últimos anos.  Também confirmados estão Joe Goddard (Hot Chip, Two Bears), Midland e Saoirse, que prometem trazer à pista o lado mais frenético e agitado da música de dança.

Dias 9 e 10 de março, o Lisboa Dance Festival volta então à cidade para a maior celebração da música eletrónica. Os passes gerais encontram-se disponíveis ao preço promocional de 20 euros e podem ser adquiridos aqui. O bilhete diário possui o custo de 30 euros.




Bilhetes à venda nos locais habituais: Site Lisboa Dance Festivalblueticket.pt, FNAC, Worten, El Corte Inglés, Media Markt, Turismo de Lisboa, ACP, rede Pagaqui e Abep.

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sexta-feira, 3 de novembro de 2017

STREAM: Autobahn - The Moral Crossing


Os britânicos Autobahn estão de regresso aos discos de estúdio com The Moral Crossing que, segundo o vocalista Craig Johnson se trata de um álbum "mais melancólico que dissonante", face ao registo de estreia. O sucessor de Dissemble (2015) marca um período em que a banda deixou de gravar as coisas de forma independente e dentro da sua sonoridade mais punk-rock para criar o seu próprio estúdio e investir noutros caminhos, como já tinham avançado anteriormente em "Future".

O disco traz um total de 10 canções inéditas que exploram os campos do post-punk, synthwave e darkwave. Além dos já apresentados e mais fiéis "The Moral Crossing" e "Execution/Rise" também se recomenda a audição de "Creation", "Fallen" e singles mais melodiosos como "Torment" e "Vessel". O disco pode ser reproduzido na íntegra abaixo.

The Moral Crossing foi editado hoje (sexta-feira), dia 3 de novembro pelos selos Felte Records e Tough Love.

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RAKTA tocam no Mercado Negro, Aveiro


Tago Mago está imparável e ainda bem. Depois dos franceses Twin Stoners e dos portugueses 800 Gondomar é agora a vez dos Aveirenses poderem experienciar o psychedelic post-punk das brasileiras RAKTA na cidade. O quarteto atua na Associação Cultural Mercado Negro no próximo dia 15 de novembro e promete reverberar a cave do Mercado. Fãs de bandas como 10 000 Russos, Savages ou Tisiphone já sabem, é ir.

As RAKTA  têm ganho destaque na cena alternativa dos últimos anos pela sua sonoridade explorativa dentro dos ritmos post-punk e a atmosfera obscura que cria várias osmoses, tempos e travessias. Formadas em 2011 trazem já uma discografia numerável que conta com edições como Rakta (2013), Rakta em Transe (2015), o LP III (2016) - que as levou a tocarem na KEXP e, mais recentemente, Oculto Pelos Seres (2017), que será apresentado no concerto.


Os bilhetes para o evento (numa parceria com a também aveirense Covil) têm o preço único de 5 euros, podendo ser reservados aqui. O concerto está previsto para as 22h00. Todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui.

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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Band Of Holy Joy de regresso a Portugal


É já nos próximos dias 3 e 4 de novembro que os Band Of HolyJoy regressam a Portugal para dois concertos (Lisboa e Porto). Com o lançamento do EP Brutalism Begins At Home, janeiro 2017, e o longa duração Funambulist We Love You, outubro 2017, muitas aparentam ser as novidades que a banda vai trazer a terras lusitanas. A tarefa de abrir o palco para a banda de Johnny Brown compete aos Quiet Afair.

O primeiro concerto realiza-se dia 3 de novembro no Sabotage em Lisboa, no dia seguinte (4 de novembro) a atuação será no Porto, na Cave 45. Ambos os concertos são promovidos pela Ilha dos Flamingos e têm como preço 10€ em compra antecipada e 12€ no próprio dia.



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Reportagem: Semibreve - dia 3

©Adriano Ferreira Borges

Como tem vindo a ser hábito, o último dia de Semibreve aguarda-nos apenas duas atuações no Theatro Circo. Os concertos decorrem mais cedo e sente-se uma certa tranquilidade no espaço, o público é notoriamente menor e a sensação de desolação começa surgir com o aproximar do fim de um evento tão especial.

Ao entrar na sala, já o palco se encontrava envolto numa forte neblina branca, com a parafernália de Lawrence English presente em palco. As duas enormes colunas acompanhadas de dois amplificadores previam um espetáculo intenso e vibrante, e a obra não foi caso para menos. Antes de iniciar a sessão, English aproveitou a ocasião para dar um breve discurso, o único em toda a edição. O seu discurso humilde e bem articulado criou uma bonita interação entre público e artista, congratulando a organização por um excelente fim de semana e pela oportunidade rara de assistir Deathprod ao vivo, aproveitando ainda para convidar ao palco os participantes do seu Radical Listener, o workshop que orientou na manhã anterior no Mosteiro de Tibães.



Com os seus 15 “discípulos” deitados em palco e já com a plateia chegada para a segunda metade do recinto (mais uma das sugestões de Lawrence para um melhor experiência corporal), English iniciou então a sua arrebatadora performance. A música de English é o resultado de uma procura exaustiva por uma experiência sensorial expansiva, desde a audição ao lado mais físico e corporal do ouvinte, sendo que cada um ouve e sente de modo diferente, experienciando algo único.  As fortes vibrações que emanam das colunas fazem-se sentir por todo o espaço e de imediato sentimos arrepios a desenvolver-se nos nossos corpos. As frequências vibrantes das suas composições são expansivas ao ponto de se apropriarem do próprio espaço e das pessoas, envolvendo tudo num organismo vivo, físico e visceral.

Assim como Deathprod, English optou por uma apresentação austera sem necessidade de acompanhamento audiovisual, optando antes por um jogo simples de vermelhos contrastantes e saturados, alternado ainda com uma forte parede de strobes brancos disparados do topo do palco. Uma apresentação sem grande aparato visual, mas que realçou o lado físico e corporal de uma das mais densas e arrepiantes experiências desta edição.




Valgeir Sigurðsson foi o responsável por fechar a sétima edição do festival, uma pressão ainda mais acentuada depois da arrebatadora experiência proporcionada por Lawrence English. A apresentação do islandês manteve um registo semelhante ao de English, se bem que com uma abordagem mais clássica e orquestral que o anterior. As suas composições compostas por drones melodiosos e contemplativos de tendência clássica criaram uma interessante relação com a arquitetura do espaço, fazendo-se acompanhar ainda de um tocador de viola de gamba. A dinâmica entre o digital e o acústico resultou especialmente bem no contexto, conseguindo um diálogo bem sucedido entre a visão vanguardista e experimental das composições de Sigurðsson com a vertente clássica proporcionada pelas melodias da guitarra de gamba. Mas não foi só de beleza e contemplação que se fez o concerto, com Sigurðsson a surpreender através de inesperados beats explosivos e glitch capazes de estalar as colunas do espaço, sintonizados com strobes brancos e gritantes.




Terminada a sessão, lentamente nos apercebemos que assim chegara o fim de mais uma memorável edição por parte de um festival que se afirma cada vez mais como uma referência, um evento que procura ultrapassar barreiras e que estende cada vez mais o seu legado além fronteiras. Com uma programação coesa e bem pensada, o Semibreve destaca-se como um dos principais veículos na projeção de matérias avant-garde e exploratórias, provando que a cultura também possui um lugar especial fora dos grandes centros.







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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Reportagem: Semibreve - Dia 2

©Adriano Ferreira Borges

O segundo dia desta sétima edição do Semibreve ficou marcado pela tormenta trazida por Fis e Deathprod, que pintaram de negro o grande auditório do Theatro Circo com duas atuações feitas de extremos, mas antes fez-se luz na Capela Imaculada do Seminário Menor com uma performance única de Steve Hauschildt. À semelhança de Christina Vantzou em 2016, o ex-Emeralds apresentou-se no mesmo espaço para uma performance angelical e marcante, uma demonstração sublime das capacidades de Steve como mestre exímio na execução de paisagens gélidas e delicadas em finas camadas de sintetizadores digitais. A introspeção reinou nesta belíssima experiência, que mais uma vez recebeu o público do festival e não só com uma atuação a portas abertas e de entrada gratuita. A convivência feliz entre a arquitetura moderna da capela com as composições visionárias de Steve Haushildt resultaram particularmente bem e proporcionaram um início de tarde magnífico cheio de apontamentos subtis. Com Strands  ainda fresco, foi possível experienciar ao vivo as bonitas atmosferas de temas como “Time We Have”, ouvido já bem perto do fim do concerto e a realçar o lado mais etéreo e celestial do concerto. 

A tormenta seguia-se no Theatro Circo com o furacão kiwi Fis a trazer o lado mais negro e denso ao festival. Acompanhado por uma interessante componente visual, onde se avistavam texturas e cenários marítimos sempre em tons enegrecidos, Fis e Jovan Vucinic (o homem por trás da vertente audiovisual do espetáculo) apresentaram uma boa dinâmica entre som e imagem, com as tenebrosas paredes sonoras de Fis a encaixarem na perfeição com o trabalho de Vucinic. No entanto, o jogo entre silêncios e sons abruptos e gritantes nem sempre entusiasmou. A procura por uma experiência violenta e visceral tornou-se previsível, repetitiva, as composições nunca chegaram a desenvolver-se totalmente ignorando qualquer tipo de melodia. É certo que não assistíamos a uma atuação “normal”, e o objetivo não seria com certeza agradar o público, mas a sua atuação fez-se apenas a dois tons, sem intermédios ou meio termos, apenas caos e revolta, como que relâmpagos em alto mar em dia de tempestade.



A procura por uma experiência densa e poderosa seria bem mais conseguida com o concerto que se seguiu. Numa das raras oportunidades de ver Deathprod ao vivo, o músico sediado em Oslo apresentou-se pela primeira vez em Portugal para uma das mais marcantes atuações desta edição. Sob um fino raio de luz azul e acompanhado por uma atmosfera austera e nebulosa, Helge Sten proporcionou uma intensa experiência onde o silêncio desempenhou um papel crucial na sua performance. Os drones atmosféricos e industriais que executa colocam-nos num estado tal de concentração que tudo o que se segue é de uma imprevisibilidade absurda. Seguem-se autênticos trovões após silêncios que nos servem como aviso para algo que se aproxima, como que um alarme para o perigo que se avista. O perigo, esse, materializa-se numa descarga sonora descomunal e abrasiva que nos atormenta e fascina. A parede sonora branca envolta numa nebulosidade densa previa o fim da atuação, ouvindo-se finalmente o silêncio em estado prolongado e interrompido apenas por uma merecida ovação por parte do público, abismado e grato por uma das mais avassaladoras experiências desta edição.



A intensidade destas duas densas atuações exigia uma pequena pausa, mas seguimos de imediato para o auditório pequeno para assistir à performance de Blessed Initiative, que deu continuidade ao tom enegrecido deste segundo dia. O projeto de Yair Elazar Glotman trouxe, à semelhança de Deathprod, um cenário austero e simples, envolto apenas num raio subtil vermelho que contornava a figura do produtor sediado em Berlim. O seu set foi simples e bem estruturado, procurando um equilíbrio entre graves techno e melodias ambient com boas doses de experimentalismo e atmosferas industriais. As particularidades da sala permitiram uma experiência sensorial expansiva, com detalhes limpos a surgirem da infinidade de colunas que a sala possui. Os ritmos repetitivos de Blessed Initiative exigem um tempo e concentração especial, mas assim que se entra no esquema situámo-nos numa experiência densa e imersiva onde o tempo parece reduzir-se para metade. 

A noite continuou até de madrugada no gnration com a imprevisibilidade do libanês Rabih Beaini e com o duo português Sabre.    






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Reportagem: And So I Watch You From Afar + Paisiel [Hard Club, Porto]



Na noite que marcou o regresso dos irlandeses And So I Watch You From Afar a Portugal, os primeiros a serem ouvidos foram Paisiel, duo composto pelo saxofonista alemão Julius Gabriel e pelo português João Pais Filipe, baterista e percussionista. A banda deu um concerto curto, de aproximadamente meia hora, no qual passaram tanto por músicas mais atmosféricas, como por outras que chegavam a ter momentos (quase) dançáveis. Enquanto a percussão se mantinha sem alterações durante longos períodos de tempo, o saxofone ficava com o protagonismo, com as suas diversas melodias a captar a atenção. João Filipe usou alguns dispositivos para alterar o som e criar efeitos que tornaram o concerto mais interessante. Por vezes, certos sons da bateria sobrepuseram-se demasiado ao saxofone, mas sem nunca prejudicar muito as músicas.


Paisiel

Ao som de “Tooth Moves”, de Clark, entraram em palco os And So I Watch You From Afar. O quarteto começou em grande, com “Search:Party:Animal”. Os riffs das guitarras, o poder do baixo, tudo foi amplificado ao vivo e tenho que admitir que fiquei impressionado com um início tão poderoso. De seguida tocou-se “Like a Mouse”, uma das várias músicas com melodias vocais. Não acho que encaixem sempre, mas no caso desta música resultam. Parte do público cantou em conjunto com a banda e já se notava que o ambiente estava muito bom.

O concerto continuou com músicas como “BEAUTIFULUNIVERSEMASTERCHAMPION” e “Dying Giants”, entre muitas outras. Algumas mais viradas para o math rock, outras para o pós-rock, quase todas energéticas e contagiantes, nem todas perfeitas. Não faltou energia dentro e fora do palco e a paixão de alguns fãs era notável. Fiquei com a opinião de que, às vezes, se sentiu pequenas quebras de qualidade no alinhamento ou havia demasiada repetição entre músicas, mas nada que tenha criado um verdadeiro aborrecimento. Foi sempre interessante ver estes músicos de qualidade tocar as suas músicas bem e energeticamente. Em “Set Guitars To Kill” desceram a intensidade imenso, até tocarem extremamente baixo, para depois voltarem a subir o volume.


And So I Watch You From Afar

Antes de se despedirem pela última vez, voltaram ao palco para um encore. "Run Home", "Big Thinks Do Remarkable" e "The Voiceless" fecharam o concerto. Achei a última uma má e estranha escolha para terminá-lo, pois é das músicas menos características da banda, tendo uma sonoridade pós-rock mais típica. Isto não originou um final tão espetacular como poderia ter havido com uma música mais explosiva, mas não me impediu de sair contente do Hard Club.

Reportagem fotográfica completa aqui.

Texto: Rui Santos
Fotografia: David Madeira

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Ought anunciam novo disco. Oiçam aqui o novo single


Os Ought vão regressar às edições no próximo ano com Room Inside The World, o trabalho inédito que chega três anos depois do muito bem recebido Sun Coming Down (2015). Este novo disco que já tinha sido especulado em outubro (quando os Ought avisaram que iam trocar a Constellation Records pela Merge) segue agora com todos os pormenores adicionais revelados bem como o primeiro single de avanço, "These 3 Things".

Apesar da espera morosa, e depois de Tim Darcy se ter afastado para trabalhar no seu projeto a solo, os Ought apresentam este "These 3 Things" que é cantando numa voz mais grave que a dos anteriores trabalhos. A linguagem musical adotada também é mais post-punk que art-rock, como nos anteriores trabalhos. Oiçam o resultado em baixo. A faixa foi igualmente disponibilizada em formato audiovisual, aqui.


Room Inside The World tem data de lançamento prevista para 16 de fevereiro de 2018 pelos selos Merge Records / Royal Mountain.

Room Inside The World Tracklist:

1. Into the Sea
2. Disgraced in America
3. Disaffectation
4. These 3 Things 
5. Desire
6. Brief Shield
7. Take Everything
8. Pieces Wasted
9. Alice  

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Ele Ypsis in interview: "an album is like giving birth to something"

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On October 30th, Ele Ypsis released their third studio album, the first one on the french label m-tronic, where they present a slow and striking celestial aura, alternating with some fast and powerful rhythms. In this interview the duo - marked by a fusion in the fields of neoclassical and light electronics - were asked about the origin of the band, the making process of Meiosis, perspectives on the music industry, the ironic description on their Facebook's page and plans for the future, among other things.
The full interview can be read below.

1 - Let's start with a trivial, yet important question to get to know the origins of Ele Ypsis. So, I'd like to know how did you get to know each other and how did you get to form the entity known as Ele Ypsis?

Ele Ypsis - A common sense of interest and disinterest for a surprising amount of things, music being the first one. One of us sang very well, the other not so much, things took off from there.

2 - "tortured child of distant artistic lovers" is the way you describe Ele Ypsis on its bandcamp. Why did you choose that specific description?

Ele Ypsis - We're living a couple of seas from each other, and rarely got to meet to work together. We were lucky enough to start Meiosis in the same room, but soon after went back to our respective shores to work around the initial concept for the album. We tend to feel like an album is like giving birth to something, adding from both side into a new recipient, tortured by each insights to what it should sound like. Lovers because we do love it, and artistic because we are.

3 - You released your first two albuns, EKSÜ (2013) and SPIRALIS (2015) under the label of 561743 Records DK, yet two years later you return to m-tronic in order to release Meiosis. What do you feel has ocurred for that change to take place?

Ele Ypsis That number label only refers to an official release accountability, in fact, it's a self release process, Meiosis is our first album being released by someone other than us. What made it possible was the interest for Laure's talent shared by the label M-Tronic's co-managers. (http://www.m-tronic.com/)


4 - By the way, congratulations on the release of your new record Meiosis. How long was it in the making?

Ele Ypsis Thanks a lot for your kind reception and loving words towards it, we're both very happy to finally be able to confront it to the world and letting it live by itself. Regarding the time of making, I'd say about a year of squeezing time between other projects. There was no rush, so we didn't.

5 - Meiosis is the third record you release that happens to have a total of eight tracks. Is there any related symbology to the number 8?

Ele Ypsis - You mean, the fact that Eksu our first album is also 8 tracks, 4 letters, that Spiralis is also 8 tracks and 8 letters, that Ele Ypsis is an 8 letters word, all containing 8 tracks? No idea what you're talking about... 8 sounds lovely though, a lot more elegant than 9 or 11, what kind of apathetic monster would release a "9 letter album"...?

6 - ËKSU was released during the Winter of 2013, SPIRALIS during the Spring of 2015 and Meiosis was released during this year's Fall. Is the next record to be released during the Summer of 2019?

Ele Ypsis - That's an excellent idea! We'll finally get the long awaited opportunity to do a summer hit song, something about bikinis under the sun, or soda ice cream or something, we'll figure something out, grab some money out of it. A clip maybe..., something on the beach with a dance, a catchy hook, guitars and techno kicks, thanks for the suggestion, you'll be credited!

7 - At a personal level, I feel that with this new release, when it comes to the musical composition, you entered a more explorative approach on the electronics. In this record, this enormous cohesion between Stélian's instrumentation and Laure's voice is very palpable, and so is the evolution on this electronic approach, in comparison with your previous work. I can't help but feel that your music was made by a single soul, seeing how your style feels so balanced. Meiosis could be Ele Ypsis' highlight. Would you agree?

Ele Ypsis That soul is the very person you're talking to right now, Laure speaks for Stélian and Stélian speaks for Laure by addressing an unilateral ambition to please each other's expectation of the other's creative qualities. I'm the punctual expression of that combination, thank you very for noticing and putting it the way you did, we hoped of succeeding in this regard, and thank to your attention, we did. What made this record different is the initial creative direction suggested by Laure at the very beginning of it and a new working process suggested by Stélian in the making of it.

8 - Similarly to other projects from Laure, there's also a tendency to use a language that isn't neither english neither your maternal tongue. I think that one of your objectives is for the listener to focus on the result of the composition and not only on the lyrics' meaning. What do you pretend to express while communicating without words and/or imaginary languages? Is there any relation between the language used on Ele Ypsis and the ones used on Öxxö Xööx or even on Rïcïnn?

Ele Ypsis - She always uses this instinctive langage in all she composes with her voice. It really came naturally like a sensitive thing, all she wanted to sing must be something new, like "pure". Also, she loves the idea of really feeling the present while recording the voices, like a communication of what is really true inside at the moment and what she finds once following deeper and deeper. After which she can analyse it and choose the best and words appear. All the sensations, all the pictures , the univers she had comes into those words that she finally manages to translate into a "material" langage. She thinks that people need to understand what it is about on her songs and for her it is like a therapy , it helps her a lot to understand her own state of mind.


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9 - In the “About” section of your Facebook page you indicate that some of your favourite artists are Beethoven, Stravinsky, Ikue Asazi, Ravel, Debussy, Massive Attack, Burial, Dead Can Dance, Arvo Pärt, among others. If you had to mention some of your biggest influences among these artists, who would you nominate?

Ele Ypsis We wrote it because we had to write something into that segment, not sure how many people went this far, but since you did, I can say we wrote it for you. We could have gone a lot further in the number of musicians, not sure about the influence, but the love for each one is great. I tend to cheer for the quietest individual in real life, Beethoven is the most dead of them all, so let's pick him. Purcell is very dead too...

10 - In the same section you also say that you “hate a lot of artists too”. Do you want to confide us some of them?

Ele Ypsis That mention must have been written to bring some lightness to the whole thing, or not to sound like a devotee, or just to be funny. We don't really consider hating someone we don't know, it tends to take a lot of energy. That being said, making music too similar to an already existing artist or genre is a very recurring thing that betrays a will to be a musician rather than being an artist. We don't praise that so much.

11 - About the musical industry and the digital panorama it is going on, in what way do you think that affects your course as a band so far? For example, with the arising of pre-orders, do you feel it's easier to have an idea of how many sales you'll get? What are your thoughts on both physical and digital editions? Do you feel it's easier for potential listeners to get access to your work, or for you to get in contact with your target audience?

Ele Ypsis We believe that the difference between the sane and the insane doesn't reside in an opinion but rather in the position taken towards it. When things are what they are, you do you, whatever the extend of your influence. The course of our "band" is a lot more influenced by the weather outside the studio's window than it is by the influence of internet on the music industry. 

I'm guessing that pre-orders do have a great appeal for a more asserted artist with a greater fan base, so far we're barely anybody, yet anybody is pretty likely to be found online, as long as you have someone actually looking for you, which is where the disillusion usually starts.


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12 - What was the last notable record you listened to, and the last live concert you attended to, as part of a crowd?

Ele Ypsis Laure is actually on tour with Igorrr and she is always composing or discover new bands on the road so when she finishes all that stuff, all she needs is SILENCE and maybe returning in a state of quiet to get space for other melodies, as for Stélian, he's latest outgoing was to attend the interpretation of one of Mozart's mass live in Brussels and listened to the '36 Chambers' by Wu-Tang while vacuuming his house a couple of days back.

13 – And what about plans for some live Meiosis presentation concerts? Will it happen?

Ele Ypsis - It's all feasible, although the ego fades, with the right formation the project would be a great live act for sure. A video of the song "Meiosis" being rehearsed live has even been released online on our youtube channel.


14 - Do you want to add anything else?

Ele Ypsis - Cigarettes are bad for you, global warming is real, gravitational waves as well, eat fruits and vegetables, avoid milk and drugs, meditate, be kind, listen to Liszt, be real, aim for wisdom, Rachmaninov too, stay quiet and thank you so much for your interest, we partially live through it.

So this is not a question, but I just had to mention that I laughed a lot when I was browsing your Facebook page. Once I read "Money, fame, drugs and yoga" on the band's interests, and "Big cars, money, skinny bitches, and deep meditation" on personal interests, I couldn't help but burst out laughing. Thank you for the ironic insight and this interview!

Ele Ypsis - We should definitely update those at some point because in the mean time we've lost interest for big cars returning to the more fundamental and pragmatic approach to materialistic value being that the most important aspect of a car remains the fact that it needs to be powerful, flashy and attractive to women rather than just being big, as you can see we're constantly reinventing ourself, we're such great artists...

Thanks again for this interview and allowing us to conduct it in English. 

Entrevista por: Sónia Felizardo

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