sábado, 11 de novembro de 2017

Isto é um videoclip para a "Dragging Smiles" dos El Señor


O trio de surf-rock El Señor lançou recentemente o novo vídeo para a faixa "Dragging Smiles", retirada do EP de estreia Alvorada Beat, que foi gravado e produzido pel' O Cão da Garagem. A faixa que "traz para o Outono a brisa saudosa do Verão e o sabor inconfundível do bagaço das tascas minhotas, bebido em noites de folia e de celebração da amizade"* é agora apresentado num trabalho audiovisual muito lo-fi com filmagens da banda ao vivo, das viagens, dos amigos, enfim de toda uma presente vida.


Alvorada Beat foi lançado oficialmente a 15 de junho pelo selo Pointlist e O Cão da Garagem. Podem ouvir o EP na íntegra aqui.

Podem ainda acompanhar a banda ao vivo nas segunintes datas e locais:

18 nov - BLACK BASS ÉVORA FEST, Évora
24 nov - VODAFONE MEXEFEST BUS, Lisboa
1 dez - CONTEMPLARTE, Joane
2 dez - SÉ LA VIE, Braga
7 dez - TABACARIA, Coimbra
8 dez - CCOB, Barcelos
23 dez - BAR EMBORA, Santiago de Compostela (SP)
12 jan - QUINA DAS BEATAS CAEP, Portalegre
13 jan - ANIVERSÁRIO POINTLIST DAMAS, Lisboa

*via press release

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STREAM: Exploded View - Summer Came Early


Os mexicanos Exploded View regressaram às edições este ano com o EP Summer Came Early, a segunda edição da banda pelo selo Sacred Bones. No registo encontram-se quatro canções inéditas que foram gravadas depois do período de composição do homónimo Exploded View (2016). No disco está presente ainda a faixa "Mirror Of The Dead Man" que foi masterizada na altura do LP de estreia embora tenha ficado de fora.

Summer Came Early traz a mesma vibe do trabalho de estreia e do EP já era conhecida a faixa homónima "Summer Came Early". Também no mesmo EP as letras das músicas refletem uma crítica social com base em temas como o aprisionamento mental e as opções de liberdade possíveis, problemas ambientais, esquecimento entre outras. Podem ouvir o disco na íntegra abaixo.

Summer Came Early foi editado oficialmente na sexta-feira (10 de novembro) pelo selo Sacred Bones Records.




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Reportagem: The Underground Youth + Has A Shadow [Sabotage Club, Lisboa]


Dia 5 de novembro seria o regresso dos The Underground Youth a Portugal e para mim, o terceiro concerto que iria ver, tendo por isso alguma curiosidade em observar a evolução e confirmar ou não, a estranheza com que fiquei após a última visita no âmbito do Lisbon Psych Fest.

Longos são já os anos desde que os The Underground Youth saíram do quarto de Craig Dyer em Manchester, se para uns sair para o mundo é prejudicial, se para outros é transcendental, no caso do agora quarteto de Berlim, é este último caso. O ambiente claustrofóbico do post-punk no meio da distorção e do psicadelismo, o negro das vocalizações mantém-se, mas nota-se um agigantamento e uma libertação à medida que se percorrem os já numerosos trabalhos editados.

The Underground Youth

O concerto abriu e fechou com "You made it baby" e "Your Sweet Love" músicas de What Kind of Dystopian Hellhole Is This?, o ultimo trabalho da banda. O alinhamento foi bem construído tendo a banda aquecido com quatro temas novos e com revisitas aos trabalhos anteriores, sendo o público brindado com os magníficos "Morning Sun", "Delirium" e "Rules of Attraction", esta com a presença de Craig no meio do público, mostrando a sua maturidade e de Olya, enquanto mentores e a banda enquanto uma máquina muito bem oleada.

The Underground Youth

Desde a surpresa do primeiro concerto na Caixa Económica Operária em 2012, à estranheza do segundo no Teatro do Bairro em 2016 junta-se, desde o último domingo a certeza de quem viu, quem esteve presente, a confirmação de uma grande banda ao vivo. Com os The Underground Youth vieram os colegas de editora, Has a Shadow, mexicanos que apresentaram Sorrow Tomorrow com a competência a que as bandas da Fuzz Club nos tem habituado. O psicadelismo negro associado aos teclados de inspiração gótico-dark pop aqueceram os ânimos e prepararam os presentes para o que viria a seguir.

Has A Shadow

Fotogaleria completa aqui

The Underground Youth + Has A Shadow [Sabotage Club, Lisboa]

Texto: Bruno Cordeiro
Fotografia: Virgílio Santos

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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

The Jesus and Mary Chain visitam Lisboa e Porto em maio


Os míticos The Jesus and Mary Chain estão de regresso ao nosso país para apresentarem o seu novo álbum, Damage and Joy, quebrando o silêncio que durou 19 anos. Desta vez, a banda britânica,  que atuou na última edição do Festival Vilar de Mouros, tem passagem dupla agendada em Portugal, com concertos no Coliseu de Lisboa e na Casa da Música, Porto, a 28 e 29 de maio, respetivamente.

Os bilhetes estarão à venda a partir de amanhã na BOL e locais habituais e têm o preço de 28€ em Lisboa e os 35€ no Porto.

Recordemos aqui o mítico clássico que os irmãos Reid nos trouxeram em 1985.

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STREAM: Gil Hockman - Becoming


Gil Hockman é um músico de Joanesburgo, África do Sul, que começou a sua carreira na área já um pouco tarde, por volta dos trinta anos. Desde então, ele tem vindo a compensandr o tempo perdido, atuando ao vivo com uma guitarra elétrica, sintetizador e estação de loop, contando ainda com tours pela Europa e África do Sul. Com uma sonoridade tipicamente folk futurista de fragmentos eletrónicos, o músico regressa agora aos discos com Becoming, o quarto disco de estúdio que traz uma maior modulação vocal face aos registos anteriores, e que já se encontra disponível para audição gratuita na íntegra.

Em Becoming as ferramentas tradicionais de Gil Hockman foram novamente combinadas com elementos que são mais eletrónicos e atmosféricos num álbum mais focado, especialmente em termos líricos, uma vez que o o cantor e compositor apresenta uma toada mais dramática. Do disco recomenda-se essencialmente a audição de temas como "Untitled", "Somewhere Else", "Top Of The Hill" e "Dreaming". O álbum segue anexado em baixo.
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Becoming foi editado oficialmente esta sexta-feira (10 de novembro) em formato self-release. Podem acompanhar o trabalho do músico aqui.

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Her Name Was Fire, Earth Drive e Monkey Flag no Musicbox este sábado

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A Raging Planet vai tomar conta do Musicbox no próximo sábado, 11 de novembro. 

Os Her Name Was Fire nasceram em 2015 e são João Campos e Tiago Lopes. Apresentam-se como um coeso duo de rock com groove, stoner, grunge e blues e trazem na bagagem o seu mais recente trabalho, Road Antics, editado este ano. 



Com eles trazem Earth Drive, banda de rock alternativo psicadélico que vem apresentar o seu álbum de estreia, Stellar Drone, editado no passado dia 20 de outubro.



Quem também se junta à festa é o quarteto de noise e doom metal do Seixal, Monkey FlagOs concertos têm início às 21h30 e os bilhetes têm o custo de 6€.

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:papercutz apresentam King Ruiner por esse país fora

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Maria Louceiro ©
O projeto de Bruno Miguel, :papercutz, produtor portuense que já partilhou palcos com Caribou, Blonde Redhead, Nicolas Jaar e Four Tet, e que agora conta com a colaboração na voz de Catarina Miranda, mais conhecida por Emmy Curl, anda em digressão nacional a apresentar o seu mais recente álbum, King Ruiner.

"Trust/Surrender" é o single de apresentação de King Ruiner e pode ser ouvi aqui mesmo.



Consultem em baixo todas as datas do duo até ao final do ano.

10 Novembro - Club 11, Vila Pouca De Aguiar
11 Novembro - CT, Viseu
18 Novembro - O Nariz Teatro, Leiria
07 Dezembro - NAAAM, Viana do Castelo
15 Dezembro - CCOB, Barcelos
22 Dezembro - Casa Independente, Lisboa
23 Dezembro - Bang Venue, Torres Vedras

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DJ Boring em Portugal


Esta semana, DJ Boring passa pelo Porto, tendo-se já estreado em Portugal no passado dia 19 de outubro no Musicbox. DJ Boring é um dos mandatários do Lo-Fi House, um movimento vanguardista que subtraí muitos dos traços característicos da EDM actual com vista à construção de uma nova estética. Com as suas raízes no House tradicional e na sua vertente Deep, o Lo-Fi House rejeita a faceta sobre-produzida da EDM, optando por arranjos mais crus que evocam os idos tempos da música electrónica analógica. Teremos oportunidade de escutar o futuro da EDM no dia 11 de novembro, no Industria Club. A aquecer os pratos para DJ Boring teremos Midi e Dupplo.

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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Cinco Discos, Cinco Críticas #31


Os mais recentes trabalhos de estúdio dos Hope, Kaitlyn Aurelia Smith, Dear Telephone, Yves Tumor e Soft People foram destacados na nova edição do Cinco Discos, Cinco Críticas sendo que, dos cinco, o que mais surpreendeu foi o LP Experiencing The Deposit of Faith do artista americano Yves Tumor. Entre outros destaque fica Cut, o novo disco dos portugueses Dear Telephone e Hope, disco de estreia dos alemães Hope.


Hope // Haldern Pop Recordings // outubro de 2017
8.0/10

Os alemães Hope lançaram recentemente o seu disco de estreia, o homónimo Hope, dos quais já eram conhecidos os singles "Cell" e "Kingdom", ambos a ganharem destaque pelos trabalhos audiovisuais de atmosfera negra com que foram apresentados. Aliás, tudo nos Hope é obscuro: as letras, a imagem, a própria sonoridade e toda a comunicação envolvente. Influenciados por bandas como Portishead e Talk Talk os Hope construíram em Hope uma sonoridade muito interessante e rica instrumentalmente. Há singles muito bons e marcantes pela sua textura ritmada como é o caso de "Glass" (a fazer lembrar uns Tisiphone) e "Drop Your Knives", mas a presença de compassos lentos com uma atmosfera psicologicamente densa como acontece em "Skin", o grandioso e já referido "Cell" ou "Raw", é o que define e reflete, essencialmente, a essência deste registo. Também em destaque está a voz da vocalista Christine Börsch-Supan que fazem músicas como "Moths And Birds" - definitivamente um dos grandes temas do álbum - parecerem grandiosas apesar da pouca instrumentação utilizada (o que se volta posteriormente a repetir em "Here Lies Love", tema de encerramento). Hope é um disco bastante coeso na forma como é apresentado, mostrando que mesmo na escuridão e em tempos de rigor severo, há definitivamente esperança.
Sónia Felizardo



The Kid // Western Vinyl // outubro de 2017
5.8/10

The Kid é o novo disco da americana Kaitlyn Aurelia Smith. O seu domínio do equipamento e dos instrumentos necessários para fazer a sua música é óbvio. Os sons de sintetizadores são variados, os efeitos ocasionais e a modulação da voz são bem realizados. Infelizmente, nem sempre contribuem para a música da melhor maneira. Este disco é caótico e quase todas as músicas estão preenchidas por sons que preenchem e misturam-se demasiado e criam uma sonoridade que se torna cansativa passado algumas músicas. "I Am Consumed" dá tempo para respirar durante 1 minuto só, enquanto que "Who I Am & Why I Am Where I Am" pode servir o mesmo propósito durante mais uns minutos, mas é apenas razoável. "To Follow & Lead", onde as melodias têm espaço para brilhar e os diferentes sintetizadores criam uma atmosfera bastante agradável, é provavelmente a música mais bonita, divertida e orelhuda do disco. "An Intention" também não passa despercebida e "To Feel Your Best" merece alguma atenção. No entanto, a maior parte das faixas não é muito memorável, especialmente quando ouvidas todas de seguida. Se ouvir algo deste álbum, prefiro que seja numa dose mais curta e não durante 52 minutos. Há aqui bons momentos e sons interessantes, mas não acho que a sua utilização tenha sido a melhor.
Rui Santos


Cut // PAD // outubro de 2017
8.0/10

Os Dear Telephone são Graciela Coelho (White Haus), André Simão (Sensible Soccers, La La La Ressonance), Ricardo Cibrão (La La La Ressonance) e Pedro Oliveira (peixe:avião) e vêm de Barcelos/Braga. Formados em 2010, regressaram este ano aos álbuns de estúdio com o mais recente trabalho, Cut, editado em formato vinil pela PAD no passado dia 27 de outubro e sucessor de Taxi Ballad (2013), álbum que lhes valeu uma presença na edição de 2014 do NOS Primavera Sound.
Cut é constituído por nove faixas que se estendem ao longo de 42 minutos. A faixa de introdução "Fur" expõe prontamente os novos territórios experimentais que a banda agora percorre: as melodias têm espaço para progredir e respirar, bem patente nos riffs de guitarra e ritmos de bateria mais lentos. Um elemento que resultou muito bem foi a introdução dos saxofones de Fernando Ramos e Romeu Costa em algumas das músicas.
Apesar da grande coesão de Cut, os temas que mais se destacam são "Fur", "Slit", "Automatic" e o seu conjunto de suspensões sonoras do teclado, e "Nighthawks". Importa também destacar a enorme qualidade vocal que Graciela apresenta ao longo do álbum, comandando a banda neste novo rumo.
Rui Gameiro


Experiencing The Deposit of Faith // self-released // setembro de 2017
8.7/10

Como diria Pessoa numa das suas frases mais emblemáticas "Deus quer, o Homem faz, a obra nasce". Yves Tumor com o seu mais recente LP Experiencing The Deposit of Faith, traz-nos uma obra-prima, talvez alcançado com este o seu opus magnum.
Experiencing The Deposit of Faith é o despertar dum sonho, basta começar com "Synecdoche", a primeira faixa, e apercebermo-nos disso, acordamos dum sonho angelical, calmo, como se estivéssemos a renascer das cinzas. Yves Tumor consegue-o através de muito estudo de caso, de muito bom ouvido pois encontramos neste LP desde música contemporânea samplada até música clássica com Ravel a ser samplado em "Ayxita, Wake Up", onde se escuta o piano de "Le Tombeau" de Couperin acompanhado de voz apenas. Mas a grande faixa será mesmo "E.Eternal" a terceira de doze grandes faixas, transportando-nos para algo como um mosteiro tendo como back vocals canto como poderíamos observar em Amenvs, algo sacro com a guitarra a desvanecer para dar ênfase às vozes.
"My Nose My Lips Your Head Shape" será uma faixa que se compara a Limerence, música inserida no álbum da PAN Mono No Aware, graças ao facto de ser uma faixa narrada com instrumental. Yves adivinha-se, ou podemos apostar, como um dos grandes nomes no futuro da música ambient e não só, é um artista que consegue muito facilmente explorar música electrónica como hip-hop, soul ou psych-rock. É isso mesmo, Yves Tumor é significado de música exploratória como muitos outros nomes, caso de Caretaker, Basinsky ou mesmo Blunt, artista a que muitos assemelham Tumor. É ouvir.
Duarte Fortuna


American Men // self-released // novembro de 2017
6.5/10

American Men é o primeiro trabalho a solo dos californianos Soft People, projeto que une a dupla Caleb Nichols e John Metz para criar um disco focado num olhar severo aos políticos sombrios, à masculinidade equivocada, ao capitalismo tardio e à nova e angustiante realidade política na América. O resultado é um álbum que explora diversos géneros, sendo composto por 12 canções e cuja sonoridade traz à cabeça bandas como Deerhunter, na fase mais recente, e Deerhoof, por exemplo. Apesar da crítica, ironia e temas contemporâneos e de interesse comum abordados na lírica, o disco American Men peca por não conseguir criar a ideia de coesão entre as músicas, isto é, ouvido como um todo a ideia gerada pelas primeiras audições é a de que os Soft People ainda se encontram claramente à procura de uma zona de conforto – o que se pode verificar na audição de "Think Piece", uma música completamente fora do circuito das restantes. No entanto, singles como "16 Years Of Somewhere Else", "Georgia Reel", "Berenstein" ou o já conhecido "Man With A Gun" são faixas interessantes que merecem sem dúvida um audição cuidada. American Men é, em suma, um álbum que espelha uma banda com potencial mas que ainda não conseguiu transmitir a sua personalidade no campo sonoro.
Sónia Felizardo



 

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Nick Cave confirmado no NOS Primavera Sound


Segundo avança a Blitz, o australiano Nick Cave irá estar presente no NOS Primavera Sound 2018. A confirmação surge de Warren Ellis, membro dos Nick Cave & The Bad Seeds e o director musical do grupo.

O multi-instrumentalista confessou ainda que a atual digressão não passou por Portugal devido a "algumas confusões", contudo garantiu que a próxima tour não deixará Portugal de fora, sendo o Porto a paragem escolhida.

Esta é a primeira confirmação do NOS Primavera Sound que irá decorrer do dia 7 até dia 9 de junho, no Parque da Cidade do Porto. A primeira remessa dos bilhetes já se encontra esgotada, contudo os bilhetes ainda podem ser adquiridos por 105€.

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Fotogaleria: John Maus + Gary War + Vives Les Cônes [Maus Hábitos, Porto]


Na noite de Halloween, 31 de outubro para o mais desatentos, estivemos no Maus Hábitos, Porto, para assistir ao concerto de John Maus. O artista americano veio ao nosso país (passou pela Galeria Zé dos Bois, Lisboa, no dia 1 de novembro) apresentar o seu mais recente trabalho Screen Memories, seis anos após a pérola do pop hipnagógico We Must Become the Pitiless Censors of Ourselves. A noite ficou completa com as atuações de Gary War, Vives Les Cônes e O Cão da Morte. A foto-reportagem do evento organizado pela Lovers & Lollypops segue abaixo, pela lente de Ana Carvalho dos Santos.

John Maus


Gary War


Vives Les Cônes

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Thurston Moore no Lux Frágil a 23 de novembro


Thurston Joseph Moore, um dos homens mais carismáticos e impulsionadores da música noise para toda a nova geração de bandas independentes, está de regresso a Lisboa para atuar no Lux Frágil, Lisboa, no dia 23 de Novembro, num concerto organizado pela Galeria Zé dos Bois.

Moore, um dos fundadores dos icónicos Sonic Youth, vem apresentar o seu novo trabalho Rock n Roll Consciousness, editado pela americana Caroline International e não pela habitual Matador Records, apresentando na capa uma fotografia da autoria de Vera Marmelo.

Em Rock n Roll Consciousness podemos encontrar temas como "Smoke of Dreams", carregada de fumos e distorções, e a alta rebelião de "Aphorodite", que nos leva à nostalgia dos ares vividos em New York pelos enormes Sonic Youth

Atualmente, Thurston reside em Londres, mas para ele "Lisboa parece igualmente tranquila e bastante barata", com uma enorme vontade de voltar cá aos palcos.



Texto por Miguel Leonardo

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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Vodafone Mexefest com cartaz completo e horários disponíveis


Foram hoje anunciadas as últimas confirmações da edição de 2017 do Vodafone Mexefest. O festival que invade a Avenida da Liberdade, em Lisboa, nos dias 24 e 25 de novembro, conta agora com novos reforços do hip hop como Eva RapDiva, a rainha ginga do rap angolano, CJ Fly e Nasty Niles, dois nomes fortes do coletivo de hip hop de Brooklyn.

No que diz respeito à música nacional, foram confirmados Killimanjaro, Surma, Conjunto Corona, Panado, Lavoisier, Tomara, O Gajo, El Señor, Iguana Garcia, Vaiapraia e as Rainhas do Baile, Primeira Dama, Haëma, La FLAMA Blanca, Kumpania Algazarra, Fogo Fogo, DJ Slimcutz, Grupo Coral e Etnográfico Os Camponeses de Pias, Sopa de Pedra, Hak Baker, Luca Argel, Kastrupismo e o funk da dupla de DJs formada por André Granada e Tiago Pinto, Funkamente!.

Foram também disponibilizados os horários dos dias 24 e 25 de novembro.



Os bilhetes para o Vodafone Mexefest encontram-se neste momento à venda nos locais por 45€, sendo o preço 50€ nos dias de festival.

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Silent Runners lançam disco de estreia em dezembro


Os holandeses Silent Runners confirmaram que o primeiro disco oficial de estúdio, The Directory, tem finalmente data de lançamento agendada para dezembro. Do disco, que contará com um total de 11 canções inéditas, já tinham anteriormente sido divulgados os singles "Cavemen" e "Dark Mountain", ambos a explorarem a habitual veia post-punk e enriquecidos por camadas de sintetizadores alegres. A banda está de regresso agora com o novo single "Nobody Here" - um dos melhores singles deste novo trabalho.

Em "Nobody Here" os Silent Runners baixam a intensidade dos sintetizadores para dar destaque às guitarras, baixo e à percussão e mostrarem um tema mais calmo e mais clássico nos ramos da música post-punk e darkwave. O resultado é um tema poderoso que delicia de segundo a segundo e faz lembrar muitas bandas referências no género.

The Directory tem data de lançamento prevista para 8 de dezembro e vem dar sucessão ao EP homónimo editado em 2015.

The Directory Tracklist: 

1. Dark Mountain
2. Wilderness
3. Make It Right
4. Drawing
5. The Knife
6. Forgotten
7. Nobody Here
8. Cavemen
9. The Road Of Gold
10. Roadkill
11. The Directory

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STREAM: Ana - Um



Gabriel Salgado, a cara por trás do projeto Ana, regressou aos trabalhos de estúdio no início do mês com Um, o seu primeiro trabalho longa-duração que vem dar sucessão ao EP Abril editado no início de janeiro deste ano. À semelhança do anterior trabalho o álbum Um foi produzido por Diogo Alves Pinto (aka Gobi Bear) e apresenta uma evolução clara na sonoridade do artista, que se mostra mais maduro e reflexivo, sempre com os loops de guitarra em destaque.

Um é um trabalho completamente instrumental. Do disco recomendam-se a audição de singles como "Às Vezes Mudo de Ideias", "Orla", "Interlúdio" e o grande tema de encerramento "Fenda". A capa é da autoria de Katharina Leppert.

Um foi editado oficialmente a 3 de novembro pelo selo Planalto Records.

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Reportagem: HOLYGRAM + The Woodentops [Hard Club, Porto]


No passado sábado (4 de novembro) a irreverente At The Rollercoaster voltou a proporcionar mais uma icónica noite aos fãs da música underground e de tonalidades obscuras no Hard Club, Porto. Como principal atração estava o regresso dos britânicos The Woodentops para um concerto único em Portugal, e igualmente histórico. As altas expectativas tendiam, contudo, para os alemães HOLYGRAM que se tornaram relevantes na cena post-punk com a edição do muito aclamado EP de estreia homónimo, editado o ano passado.

HOLYGRAM

HOLYGRAM

Com concerto previsto para as 22h00 os HOLYGRAM subiram a palco pelas 22h05 com "Hideaway" como pano de fundo e quatro, dos cinco elementos integrantes, prontos para surpreender o público com a sua música para os perdidos. A banda alemã rapidamente se tornou um fenómeno, mesmo apesar de jovens, após editar o primeiro trabalho curta duração em outubro do ano passado. Basta observar a quantidade de pessoas que suportaram o trabalho do quinteto no Bandcamp, as edições em cassete completamente esgotadas e fazer o streaming do EP para perceber que estamos perante uma banda com uma prospeção tamanha. A At The Rollercoaster estava atenta e soube trazê-los numa altura certeira, em estreia absoluta, para uma abertura de concerto que foi icónica (se fossem a banda principal ninguém desconfiava). "Daria", o segundo single apresentado, foi também o que começou a elevar os ânimos em sala, pela sua aura ritmada (não tem como não dançar) e aquele refrão que não sai da cabeça (não tem como não cantar).

Apesar das pausas um pouco prolongadas entre as canções – que serviram para trocar umas poucas palavras entre banda e público – os alemães tiveram uma prestação incrível e ainda trouxeram mais dois novos singles para mostrar ao público português. A primeira apresentada creio que se chama "Signals" (segundo este vídeo da mesma música apresentado na edição do Wave Gotik Treffen deste ano) e a segunda, "She’s Like The Sun", que para quem ainda não conhecia tornou-se super fácil de assimilar com a progressão da música especialmente pelo seu ritmo à la 80’s - a fazer lembrar um cruzamento entre bandas de luxo como The Sound e DIIV - e também pelo refrão simples "She’s Like The Sun, Far Away (x4)" (podem ouvir uma versão ao vivo aqui) e as melodias psicadélicas intrínsecas.

O ponto alto do concerto aconteceu com o mais parado "Accelaration", canção na qual o palco, lentamente, se foi enchendo por um fumo que se projetou para o público até a um ponto em que o vocalista já não se via e reconheciam-se apenas as silhuetas do baixista e guitarrista. Foi como ver HOLYGRAM no nevoeiro com toda aquela toada negra e obscura e um fundo azul, afinal a música é mesmo para os perdidos. Já na reta final a banda afirmou que já só faltavam duas músicas para se irem embora (para nosso infortúnio) tendo tocado o enorme e já muito aguardado hit "Still There" que colocou toda a gente a cantar. A finalizar "Distant Light", a música que também encerra o EP de estreia e que funcionou como uma malhão de fuzz para gastar de vez as energias. Que concerto enorme! Os HOLYGRAM são definitivamente um dos novos nomes no panorama musical a reter e o concerto que deram veio demarcar que a sua projeção tem uma qualidade indubitável tanto em álbum como ao vivo. Um dos grandes concertos de 2017.


The Woodentops

The Woodentops

A subir a palco pelas 23h05, os britânicos The Woodentops regressavam a Portugal seis anos depois de terem atuado no Teatro Municipal de Vila do Conde, com uma setlist recheada dos grandes êxitos do disco Giant (1986) e o alguns singles mais recente Granular Tales (2014). Com três membros da formação atual e sem a teclista Aine O’Keeffe, os Woodentops apresentaram-se em formato quarteto para apresentar 34 anos de carreira. Para dar início ao concerto ouviu-se "Get It On", um dos memoráveis singles do disco de estreia Giant editado pela conceituada Rough Trade. Embora com um jogo de luzes inferior ao dos HOLYGRAM, os Woodentops apresentaram-se cheios de energia em palco (também pudera, Rolo McGinty encontrava-se bastante embriagado) e prontos para colocar o público presente na sala - que ainda parecia estar em ressaca do concerto anterior - a dançar. 


Apesar da pouca comunicação do público com a banda, os aplausos, após o findar de cada canção mostravam-se fervorosos e os Woodentops certamente que encheram as medidas ao público que estava ali propositadamente para os ver, talvez não da forma mais memorável, mas eventualmente uma das mais divertidas (Que dava para rir com a performance do vocalista, dava). A setlist contemplou quase todas as canções de Giants e, embora Rolo McGinty não conseguisse ler as músicas da setlist, as falhas que ocorreram foram passando despercebidas com os constantes apelos de interação do vocalista com o público. 


Rolo McGinty quis uma noite marcante e teve-a, o espaço do palco parecia insuficiente para uma tamanha vontade de expressão, o que o levou a saltar para o meio do público várias vezes durante o volver do concerto. Além disso ainda durante a performance Rolo McGinty foi buscar umas baquetas junto ao baterista Paul Ashby para invadir a bateria dos HOLYGRAM na execução de "Good Thing". Houve ainda espaço para ouvir a "Why", música que no seu final colocou o vocalista a desatarraxar o microfone enquanto gritava "punishment" (ok isto não foi giro). Após uma breve apresentação dos músicos que o acompanhavam em palco, Rolo McGinty e banda tocaram "Stay Out Of The Light" para encerrar a despedida do território nacional.


Depois de um fim que não teve pedido de encore por parte do público, os The Woodentops abandonaram o palco agradecendo ao público. O que não era esperado era que cerca de três minutos depois voltassem a palco com vontade de tocar mais e a dizerem: "Actually we will play one more song". Bem lá animados estavam. De uma forma geral o concerto dos The Woodentops foi tipo o concerto dos The Replacements no palco principal do Nos Primavera Sound 2015, divertido mas pouco eficaz.

HOLYGRAM + The Woodentops [Hard Club, Porto]

Fotogaleria completa aqui.

Texto: Sónia Felizardo
Fotografias: Edu Silva

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terça-feira, 7 de novembro de 2017

STREAM: LSKA - Void [Threshold Premiere]


Luca Scapellato, o produtor por trás de LSKA cuja música vai beber influências a géneros como o dub e a minimal wave, com uma veia experimental, está de regresso aos discos de estúdio com Void, o seu quarto longa-duração que chega três anos depois de About Time (2014). Focado na interação entre o som e imagem, os instrumentos e o utilizador e as relações que crescem durante o improviso entre o músico e/ou performer, em Void LSKA apresenta um trabalho essencialmente exploratório.

O disco é composto por um total de quatro canções inéditas que permitem viajar por entre os campos da eletrónica ligeira com pinceladas ambient numa duração aproximada a 26 minutos. De Void recomenda-se essencialmente a audição dos singles "A New Skin" e "5" e "João's Head".

Void tem data de lançamento prevista para 7 de novembro (sexta-feira) com edição própria. Podem acompanhar todo o trabalho de Luca Scapellato aqui.




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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

[Review] Converge - The Dusk in Us


The Dusk in US // Epitaph Records // novembro de 2017
8.0/10

Os veteranos do espectro mais brusco e pesado do metalcore Converge lançam o nono álbum pela Epitath, The Dusk in Us, cinco anos depois do senhor álbum que foi o All We Love We Leave Behind. Os fãs da banda podem muito bem estar descansados, pois a espera valeu a pena, como aliás, sempre vale a pena, visto que os Converge demonstram uma valente consistência em termos de qualidade, peso e fúria durante 27 anos passados a serem porta-estandartes de um movimento fora do comum - a que mais tarde se daria o nome de mathcore - dentro do heavy metal e do punk hardcore.

A sonoridade dos Converge é, em poucas palavras, visceral, intransigente, agressiva. Os vocais ásperos de Jacob Bannon, juntamente com o ataque sónico da guitarra de Kurt Ballou e do baixo de Nate Newton, e com a polirritmia da bateria de Ben Koller, formam um behemoth que não deixa ninguém indiferente e que tenta sempre - ou quase sempre - fazer algo de inovador pelo caminho, formando um following leal e sendo uma banda com um cunho bem vincado, que influenciou bastantes outras bandas do género de uma ou de outra forma ao longo de vários anos. 

Quanto às faixas deste novo registo, pode-se dizer que passam a visão de emoção e de nervos à flor da pele que a banda tem tido. "A Single Tear" faz um bom trabalho em introduzir o ouvinte a mais uma investida de violência sonora pura e dura. "Under Duress" provavelmente é das faixas mais noisy dentro do disco, e isso só por si ajuda a causar mais impacto no ouvinte. "Arkhipov Calm" e "I Can Tell You About Pain" soam a uma batalha musical entre os membros da banda e deverão ser das faixas em que mais se nota a sua esquizofrenia rítmica. O tema-título é a faixa mais longa e também mais lenta. Também será provavelmente das mais marcantes no álbum, apelando a uma abordagem mais atmosférica e emocional, tal como a penúltima faixa "Thousands of Miles Between Us". O resto do álbum é mais straightforward, com "Wildlife", "Trigger", "Broken by Light" e "Cannibals" a terem uma costela mais punk-hardcore em comparação com o resto; "Reptilian" fecha o álbum com chave de ouro. 


Resumindo, o ouvinte pode então contar com um álbum com a qualidade habitual dos Converge. Enquanto que o factor de originalidade está um bocado pálido neste registo, tiveram ao menos o bom senso de não reparar o que não está partido, deixando como resultado um álbum coeso e sem espinhas. Os Converge continuam a ser verdadeiros a si próprios neste disco, ou seja, a serem raivosos, frenéticos e catárticos sem sacrificarem nada no seu som característico. E pessoalmente, não os queria de outra maneira. 


Texto por: Rúben Leite
 

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