sábado, 9 de dezembro de 2017

SunKing apresenta o seu EP de estreia, Pouco Original


SunKing é o novo projeto a solo de Luís Tojo, teclista de Chinaskee & Os Camponeses. Editou na semana passada (1 de dezembro) o seu primeiro EP, Pouco Original, com o selo conjunto Colado/French Sisters Experience, produzido por Miguel “Chinaskee” Gomes no Estúdio Voador.

Pouco Original não vem aí sozinho, trazendo consigo uma cerveja na mão e mais dois EPs prontos a serem lançados sucessivamente daqui até ao Verão. No final, este três EPs estes que terão no final direito a uma edição física para agregar isto tudo.

Se estão à procura de canções pop simples, com coros bonitose e solarengas, ouçam então Pouco Original.

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Terminal Gods e The Ghost of Lemora estreiam-se em Portugal


Os britânicos Terminal Gods (imagem acima) vão estrear-se em Portugal em fevereiro do próximo anono Porto, mais precisamente no Heaven's Bell, a 3 de fevereiro para apresentar a sua música 80's style post-punk de composição arrojada. Desde a sua formação em 2011, a banda lançou inúmeros singles e EPs que culminaram no lançamento do álbum de estreia Wave / Form no ano passado. Em palco português a banda apresentar áo seu mais recente disco de estúdio, Meridian, editado em agosto pelo próprio selo Heavy Leather.



Também no mesmo dia o Heaven's Bell recebe os também britânicos The Ghost Of Lemora, banda que conta com 16 anos de carreira dois discos de estúdio e um EP, Hello Mr, lançado em 2015. O agora quinteto sofreu uma alteração no line-up, após a edição deste curta duração, passando a integrar Jeff Simon na bateria, Colin Ness no baixo e Peter Jennings nos teclados que se apresentarão nesta formação no Porto. O mais recente trabalho da banda é Sweet Satan EP (2016). A banda deverá apresentar ainda novos temas de um futuro disco de estúdio.



Os bilhetes para o concerto estão à venda pelo preço promocional de 11€ até ao dia 31 de dezembro. Após esta data o bilhete passa a custar 13€ até ao dia do concerto. Informações adicionais aqui.

Este poderá vir a ser o derradeiro fim (ou então um marco) da Darkland Events, uma promotora independente que nos últimos antes trouxe a Portugal bandas como os lendários Pink Turns Blue, Kirlian Camera, Factice Factory, Winter Severity Index, Hapax, Christine Plays Viola, entre outros, uma vez que, nas palavras de um dos organizadores, Sérgio Peculi, "servirá para analisarmos se há realmente público suficiente para continuarmos". Podem ler a informação completa aqui.

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quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Hoje. Laraaji encerra programação musical do gnration


2017 foi mais um ano memorável para o gnration. Ao longo do ano o espaço foi casa para alguns dos melhores artistas nacionais e internacionais, contando com apresentações ao vivo de artistas como Xiu Xiu, Jenny Hval, Evan Parker, The Bug, Karen Gwyer e Forest Swords, e ainda a exposição de projetos multimédia e audiovisuais de Ryoichi Kwrokawa e Gil Delindo & Adam Basanta (integrado na programação do Semibreve).   

Hoje, a programação do gnration termina (no que toca a concertos) em chave de ouro com a apresentação ao vivo de Laraaji, o "homem-cor-de-laranja" que vem a Braga apresentar os mais recentes discos Sun Gong e Bring On The Sun, ambos com selos Warp/All Saints Records.

Figura importante da new age, Laraaji viveu de perto a espiritualidade de Alice Coltrane e inspirou-se nas performances e gravações de Sun Ra e John Coltrane. Em 1980 edita Ambient 3: Day of Radiance, produzido por Brian Eno e que o tornou numa referência da música atmosférica e de meditação.

Depois de um workshop de meditação e riso no dia anterior, Laraaji apresenta-se na Blackbox para uma performance única e imperdível, com o preço simbólico de 5 euros. Os bilhetes ainda se encontram disponíveis. Podendo, é ir.

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Rui P. Andrade apresenta 'All Lovers Go To Heaven' no DAMAS

@Raquel Sousa

Co-fundador do Colectivo Casa Amarela, Rui P. Andrade tem testado várias possibilidades por entre o black metal, o noise, o drone e o silêncio através de projectos como Ecos, Ulnar e colaborações com Aires ou Nélson P. Ferreira com uma honestidade e propósitos de valor em torno de gravações campo e guitarra processada. Dia 14 de dezembro estreia-se no DAMAS, em Lisboa para apresentar All Lovers Go To Heaven, álbum editado este ano pela londrina ACR no passado dia 11 de setembro em formato digital e cassete. All Lovers Go to Heaven é uma visão trabalhada ao longo de oito anos; uma carta aberta ao amor ganho e perdido escrita a spoken word, meditações graves e vagas de ruído avassaladoras – tratado paciente e lisérgico sobre aquele vazio complacente dos dias que restam após o final de uma relação.

Rui P. Andrade apresentar-se-á no palco do DAMAS com a colaboração estética de Martim Alvarez, jovem artista plástico lisboeta, que, tanto no mundo da produção de moda como styling, procura desconstruir a realidade e criar daí coordenados e cenários quasi-cubistas, contrariando as ideias de not wearable e reinventando o conceito das peças com que trabalha. Em foco estará HUMAN, trabalho de Carla Campos apresentado na secção Sangue Novo do ModaLisboa do ano corrente. HUMAN mostra-se como uma colecção masculina largamente influenciada pela essência do streetwear/sportswear das tribos urbanas nos anos 90; uma perspectiva visceral sobre o espetro emocional de ser-se humano. 
Press release

O evento de entrada gratuita está marcado para as 23h.

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[Review] Glassjaw - Material Control

glassjaw-material-control

Material Control // Century Media // dezembro de 2017
6.5/10

Material Control é o novo álbum da banda veterana Glassjaw, que ajudou a modelar o movimento emo/post-hardcore dos anos 90 juntamente com nomes como At The Drive-In e Refused - se bem que discutivelmente menos consagrada, ou talvez até divulgada, em comparação. Sendo o primeiro álbum de uma banda com tal estatuto de culto lançado em quinze anos (bem, isto se não contarmos os EPs lançados nesse espaço de tempo), pode-se dizer com certeza de que há, pelo menos, alguma curiosidade em ver se a banda ainda tem o fulgor de álbuns como Worship and Tribute e Everything You Wanted to Know About Science.

Partindo do princípio de que o post-hardcore é visto como o movimento musical em que o hardcore punk é submetido a abordagens mais emocionais e a amálgamas experimentais (algumas delas forçadas) com outros géneros - tal como o post-punk foi com o punk-rock - , os Glassjaw provavelmente pertencem ao espectro menos convencional do género (o que por si só já é dizer muito). O estilo deles revolve à volta de letras sobre desamores, lutas internas e assuntos políticos acompanhados por um hardcore envolvido em namoricos com noise rock, rock progressivo, jazz e heavy metal, entre outros. Agora a questão é saber se Material Control fará mossa no panorama atual do estilo, ou se ficará pelo caminho.


O álbum tem um bom começo com os dois singles de avanço “New White Extremity” e “Shira”, que apresentam uma vibe bastante frenética, dissonante e furiosa. Esse modus operandi mantém-se - se bem que já a demonstrar algum desgaste - até à quarta faixa “Strange Hours”, em que o grupo torna-se num ato mais chill-out, tornando-a num dos destaques no álbum. A faixa seguinte, “Bastille Day”, é um interlúdio a apostar em experimentação com percussão mais tribal, servindo de introdução para “Pompeii”, que torna-se gradualmente mais caótico à medida que progride. “Bibleland 6” e “My Consciousness Weights a Ton” demonstram um trabalho de baixo bastante distinto. Tal como “Bastille Day”, a faixa-título “Material Control” é mais um interlúdio em que demonstram as suas tendências minimais. Eventualmente dá-se lugar à última faixa “Cut and Run”, que fecha o álbum de forma meio autopilot.


No seu todo, o álbum tem boas ideias, como se espera de alguém com bastante experiência nestas lides, mas nunca chegam ao seu pleno potencial no geral. Material Control fica assim num limbo em que o alinhamento está tão perto de chegar a um patamar considerável, mas falha por pouco pois houve qualquer coisa que falhou ali pelo meio. Houve demasiada mesmice ao longo da tracklist que faz empalidecer esse mesmo potencial, poucos momentos que fazem o álbum destacar-se, por exemplo, dos Las Disputes ou Touchés Amores desta vida, o que é uma pena. A ver se um eventual próximo álbum releva mais a natureza esquizofrénica dos Glassjaw.

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Woodrock Festival está de volta em 2018

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O Woodrock Festival anunciou as suas primeiras novidades para a edição de 2018. O festival vai decorrer nos dias 19, 20 e 21 de julho na Praia de Quiaios, Figueira da Foz, e as primeiras confirmações sãos os gregos Planet of Zeus e o one man band português Fast Eddie Nelson.

O  cartaz do Woodrock Festival vai contar com um total de 14 bandas. Os passes gerais estão já disponiveis online em https://woodrock.bol.pt e em 2 pontos de venda físicos na Figueira da Foz. Têm o valor de 18€ até dia 31 de Janeiro. Após essa data passam a custar 21€ até 31 de Março, data após a qual se fixam nos 24 € até aos dias do evento. Os passes gerais garantem acesso gratuito ao Parque de Campismo de Quiaios.

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Anna von Hausswolff anuncia novo disco, 'Dead Magic'

© Anders Nydam

A sueca Anna Von Hausswolff anunciou hoje o sucessor do aclamado The Miraculous (2015), que chega às prateleiras em março do próximo ano e vê como primeira extração "The Mysterious Vanishing of Electra", que de uma forma resumida aproxima-se daquilo que seria uma junção entre os Swans e a Diamanda Galás, num ambiente mais obscuro, mas igualmente experimental. Uma grande malha da cantora a deixar as expectativas altas para o que se pode vir a esperar do novo trabalho.

O disco apresentará um total de cinco faixas inéditas e foi gravado pela cantora com a banda, durante 9 dias, num estúdio em Copenhaga. "The Mysterious Vanishing of Electra" pode ser ouvido na íntegra abaixo.

Dead Magic tem data de lançamento prevista para 2 de março pelo selo City Slang. Podem fazer pre-order do álbum aqui.




Dead Magic Tracklist:

1. The Truth, The Glow, The Fall 
2. The Mysterious Vanishing of Electra 
3. Ugly And Vengeful 
4. The Marble Eye 
5. Källans återuppståndelse

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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Corpo-Mente apresentam novo single ao vivo, "Lucil"


Os franceses Corpo-Mente estão de regresso aos holofotes da música. O quinteto acabou de disponibilizar no Youtube o seu novo single "Lucil" que foi apresentado pela primeira vez ao vivo no Castelo de Leiria em Portugal. A versão partilhada é ao vivo e foi gravada durante a performance da banda na Arménia, pouco tempo depois de terem passado pelo icónico Entremuralhas.

"Lucil" deverá ser o primeiro tema de avanço do novo disco que ainda não foi anunciado. Relembre-se que o último trabalho, obra-prima e disco de estreia da banda, o homónimo Corpo-Mente, foi lançado em março de 2015. Podem ouvir a versão ao vivo em baixo.


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Protomartyr no Musicbox a 12 de abril

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Os Protomartyr já têm regresso agendado ao nosso país no ano de 2018. A banda norte-americana que atuou na edição de 2016 do NOS Primavera Sound, vai desta vez rumar ao Musicbox Lisboa, a 12 de abril, num concerto inserido na sua tour europeia. Na bagagem trazem Relatives in Descent, o mais recente álbum editado em setembro que lhes valeu excelentes críticas. Por enquanto ainda não há informações relativas ao preços dos bilhetes.

Fiquem com "A Private Understanding", uma das malhas do ano.


Confiram também as restantes datas da tour europeia de Relatives in Descent.

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Nicolas Jaar anuncia Deluxe Edition de 'Sirens', partilha o primeiro de três novos temas


O produtor chileno-americano Nicolas Jaar anunciou uma edição de luxo para o seu mais recente disco Sirens, editado em 2016. A nova versão de Sirens está prevista para esta sexta-feira via Other People Records, e contará com três novos temas - "Coin In Nine Hands", "Wildflowers" e "America/I'm For The Birds" - produzidos nas mesmas sessões que deram origem ao disco. A capa e respetiva tracklist, agora reordenada consoante a ordem que o produtor considera ser a correta desde o início, já se encontram disponíveis e poderão ser encontradas em baixo. "Coin In Nine Hands", o primeiro dos três novos temas a ser disponibilizado, poderá ser escutado também em baixo.

Em outubro, Nicolas Jaar anunciou via Twitter que está a trabalhar num novo disco ambient.





Tracklist:

Killing Time
Wildflowers
The Governor
Coin In Nine Hands
Leave
No
Three Side of Nazaré
History Lesson
America / I´m For The Birds


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Fugly anunciam primeiro álbum e avançam single


Foi há dois anos que os garageiros nortenhos Fugly lançaram o seu EP de estreia, Morning After. Com ele na bagagem, andaram por todo o nosso país a espalhar aquela "fuzzalhada" que nós todos gostamos. Músicas descomplicadas, mas rápidas e poderosas. Se realmente existir um paraíso depois da morte, e o Lemmy Kilmister estiver a olhar para esta banda (com um whisky cola na mão), ele com certeza estará orgulhoso.

O primeiro álbum de longa duração vai se chamar Millenial Shit, e como não podia deixar de ser, irá ser lançado pelo Cão da Garagem. Um registo que fala sobre o romance jovem, as noites loucas e espalhafatosas em que tudo de mau e bom acontece. O arrependimento causado por um dia seguinte cheio de perguntas sem resposta e todo o existencialismo associado.

Millenial Shit irá ser editado em janeiro de 2018, e em baixo poderão ouvir o single de avanço. Preparem-se.


 

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[Review] Silent Whale Becomes A° Dream - Requiem


Requiem // Elusive Sound // novembro de 2017 
8.0/10 

Os Silent Whale Becomes Aº Dream estão de volta e trazem consigo uma das surpresas de 2017. Formado em 2004, o conjunto francês editou a sua primeira demo em 2006, seguindo-se o seu primeiro disco, Canopy, em 2009. Os quatro temas presentes em Canopy abordam uma vertente do post-rock instrumental com claras influências de música clássica e ambiente, tal como executado por grupos como os Mono e os Yndi Halda, mas acabaram por não ter a devida atenção aquando do seu lançamento. Ainda assim, rapidamente se desenvolveu um certo culto pela banda, tendo Canopy sido reeditado em 2011 pela Arbouse Recordings e novamente em 2013, numa colaboração entre a Arbouse Recordings e a Music Fear Satan. Os anos passaram e a banda apenas tinha dado sinais de vida em 2014 com o lançamento do tema "Architeuthis", até que em fevereiro deste ano anunciaram que tinham assinado com a Elusive Sound. Em setembro passado, o conjunto confirmou que o seu segundo disco, intitulado de Requiem, teria edição digital já em novembro deste ano, seguindo-se uma edição em vinil em 2018.


Novamente composto por 4 temas, Requiem continua a explorar os mesmos recantos do post-rock já abordados em Canopy mas com uma maior maturidade e uma produção notavelmente superior. As composições voltam todas a ter uma longa duração que se revela fundamental para que estas cresçam naturalmente, dando maior fluidez às transições entre as secções mais ambiente e as passagens intensas, algo expectável após os franceses terem anunciado Requiem como sendo "an ode to slowness and to the art of feeling the world, a tribute to rare things, to things that need time to be". 

Os títulos de todos os temas do disco parecem ter sido retirados do canto gregoriano "Dies Iræ" (Dia de Ira), que era habitualmente parte da tradicional missa católica dos mortos e que aborda o julgamento dos nossos pecados e a misericórdia após a morte. Esta temática pode ser transposta para a sonoridade explorada ao longo dos quatro temas, que nos transporta para um estado de introspecção profundo. Similarmente, a fantástica capa do disco também nos leva a relembrar o passado com nostalgia.


Logo a abrir temos "Dies Iræ, Dies Illa", tema anteriormente revelado e que estabelece adequadamente a paisagem transcendental a ser navegada durante a próxima hora, ainda que não traga nada de novo à palete de sons usada pelo grupo. Segue-se "Cor Contritum Quasi Cinis" com um ritmo lento, quase fúnebre, bem ditado pela percussão e um ambiente mais sombrio muito bem conseguido pela secção de cordas. Em "Recordàre" temos o tema mais facilmente comparável ao trabalho dos Mono, com um ambiente etéreo e cinemático, mas com maior foco nas secções ambiente quando comparado com as composições do grupo japonês. Após o momento de reflexão final chega o julgamento, através de "Lacrymósa Dies Illa", com um ritmo ligeiramente mais acelerado e que, com a sua parte final intensa e épica, nos indica que a nossa viagem está a terminar, pois há mais do que apenas relembrar o passado. 

Ainda que não quebre fronteiras dentro do post-rock, Requiem é um disco sólido e ambicioso, que certamente evocará emoções diferentes em cada ouvinte e que é sem dúvida capaz de transmitir a ideia de grandiosidade a que os Silent Whale Becomes A° Dream se tinham proposto neste regresso: "We want to tell you minimalist and deep stories. Stories about the infinite sky over your head, about the harsh ground under your feet. As promising and frightening as the vast ocean right in front of you".



Texto por: João Barata

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Reportagem: GOLD [Cave 45, Porto]


Na passada sexta-feira (1 de dezembro) os holandeses GOLD brilharam no palco da Cave 45 para abrir em altas o último mês de atividades da Home of Rock’n’Roll no Porto. O concerto do sexteto holandês era o primeiro dos dois em Portugal e na bagagem a banda trazia o mais recente e terceiro disco de estúdio Optmist – que contou com a produção de Randall Dunn (Sun O))), Earth, Ash Borer, Marissa Nadler) - e, consequentemente, uma performance que se esperava ser bastante intensa. Acompanhados de toda a instrumentação a que recorreram, os GOLD subiram a palco pelas 23h55 com "Images" de Nina Simon a fazer-se ouvir como hino de enquanto os músicos permaneciam parados e silenciosos em palco, escutando. Com a guitarra de Thomas Sciarone (ex-The Devil's Blood) a rasgar começamos a ouvir os primeiros acordes de "Sunder Thunder" que instalam na Cave 45 o ambiente do "post-everything" de trama negro, que a banda tem vindo a explorar ao longo dos últimos álbuns. 


GOLD

Formados em 2011, os GOLD começaram a destacar-se entre a comunidade da música underground com a edição de No Image, o segundo disco de estúdio, do qual apresentariam a enorme faixa "Old Habits", com Milena Eva a fazer ecoar sua voz vulnerável, dobrando as texturas obscuras de cada música consoante a sua vontade. Apesar da voz soar um pouco oprimida no meio de tanta instrumentação, a performance dos músicos em palco foi bastante notória e conduziu várias pessoas a soltarem os primeiros gestos de envolvimento com a música que os GOLD nos estavam a mostrar. Este novo disco, Optimist, foi lançado no mês de fevereiro pela Ván Records e para quem explorava ali as suas primeiras impressões tornou-se automaticamente um dos discos referência de 2017. Como diria a banda "A escuridão é o contexto da luz, portanto, há absolutamente luz no núcleo deste álbum", e o concerto soube transmitir esse conceito como já era espectável: música psicologicamente densa de toada sombria a iluminar todos os presentes na sala. 

Com "I Do My Own Stunts" a fazer escutar-se, os GOLD pilotaram o concerto para o grandioso momento de adrenalina que tanto se esperava e mantiveram os ânimos em auge com a evolução para singles como o icónico tema de abertura do disco "You Too Must Die", o brilhante e encantador "White Noise" e o cativante "No Shadow", completamente difícil de ignorar devido ao refrão que fica facilmente preso na cabeça. A verdade é que o concerto dos GOLD foi definitivamente um concerto de uma "post-everything dark rock band", ouviu-se post-rock, post-metal, post-punk e no fundo também post-nothing. O sexteto holandês soube mostrar que merece ser ouvido e, os aplausos e gritos calorosos vindo do público fizeram sentir isso mesmo, sempre que cada música tinha fim. 


GOLD

Os GOLD foram enormes e foi essa a sensação com que o público ficou pós-concerto, já com "Tear" a ouvir-se na despedida. Um concerto poderoso com cerca de 55 minutos de duração e já com um trago a saudades, uma vez que não houve encore. Milena Eva e companhia souberam matar as tentações como meio de sobrevivência e mostrar claramente que são uma das grandes bandas a destacar-se no panorama underground da atualidade. Foi absolutamente incrível. 

Mais uma vez um obrigado enorme ao pessoal da Cave 45 que nos últimos três anos deixou definitivamente uma marca na música alternativa ao vivo, no Porto. Até sempre.

GOLD [Cave 45, Porto]

Texto: Sónia Felizardo
Fotografia: Edu Silva

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Vai rolar um micro clima na SMUP - 14, 15 e 16 de dezembro

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A SMUP, Sociedade Musical União Paredense, vai organizar nos próximos dias 14, 15 e 16 de dezembro o festival Micro Clima.

Uma curadoria partilhada por voluntários, colaboradores e amigos da SMUP, que se juntaram para proporcionar três lindas noites de concertos e artes performativas nas suas esplendorosas, e agora acusticamente perfeitas, instalações. Nestes três dias, a SMUP vai dar voz (o micro) a projetos embrionários e a outros que já têm um sólido caminho percorrido. Há representantes de várias zonas do país e de diferentes áreas musicais. 

A entrada no festival tem o preço de 10€ para o bilhete geral de 3 dias e 5€ para o bilhete diário. Consultem em baixo o alinhamento.

QUINTA FEIRA 14 DEZ
21.30h - Ensaio aberto da Banda Filarmónica da SMUP
23.00h - La Negra

SEXTA FEIRA 15 DEZ
21.30H – Hércules
Performance Aurora Pinho
22.30h – Bifannah
Performance Cláudia Oliveira e Cristiana Pardal
23.30h – Mighty Sands
02.00h - DJ set Luísa Tudela (Tony´s Bar)

SÁBADO 16 DEZ
18.00h - Sallim
19.00h – The Faqs
Performance Daniela Serra e Alex Cortez
22.30h - Black Wizards
Performance Matilde Tudela e Gonçalo Pinela
23.30h - Pás de problème
02.00h - DJ set Incredible Padrada Boys Gang - (Tony´s Bar)




A SMUP é uma sociedade musical com 119 anos de existência que alberga uma banda filarmónica afinada, um grupo de teatro amador, um grupo de dança contemporânea, entre outras atividades ligadas à cultura e aprendizagem artística. A SMUP acolhe residências artísticas e tornou-se ponto de encontro de vários públicos, diferentes gerações, diversas áreas, conhecimentos e ideias. A SMUP tem acolhido diversos concertos com destaque para o jazz e música improvisada. O trabalho em rede tem sido um dos principais motores da SMUP.

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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Reportagem: Thurston Moore Group [Lux Frágil/ZDB, Lisboa]


Na passada quinta-feira (23 de novembro) assistimos à sublime atuação de Thurston Moore e da sua banda no Lux Frágil, em nome da Galeria Zé dos Bois. Moore trouxe na bagagem o seu novo álbum de originais, Rock n Roll Consciousness, responsável por uma noite bem ruidosa.

Fazendo-se acompanhar por Steve Shelley (Sonic Youth, Sun Kil Moon), Deb Googe (My Bloody Valentine, Primal Scream) e James Sedwards (Nought, Chrome Hoof), Moore subiu energicamente ao palco quinze minutos após a hora prevista. A fila para entrar no Lux era grande e, sendo este um concerto esgotado, a banda teve a gentileza de esperar que todos estivessem presentes para iniciar a viagem sónica.

Com a guitarra de Moore a romper o silêncio, começámos a ouvir os primeiros acordes de "Cease Fire", single lançado em março deste ano. Este tema que não está incluído em Rock n Roll Consciousness, aborda a temática das armas, revoltando-se contra o clima de insegurança e violência que se vive neste mundo. 



Ao fim da primeira música uma certeza se assola nas nossas mentes. É como se os Sonic Youth estivessem ali à nossa frente, particularmente o período mais tardio da banda. Seguiu-se "Speak to the Wild", uma das melhores músicas do compositor pós-Sonic Youth. O público já estava ligado à corrente. A partir daqui era impossível ficar indiferente à descarga sonora perante nós, às guitarras desafinadas tão características e tão nostálgicas.

Manifestando-se contra a sociedade capitalista (curiosamente no dia seguinte era a black friday), o concerto prosseguiu com a progressiva "Turn On". Nenhuma música interpretada durava menos seis ou sete minutos e tanto os jovens como o público mais velho e saudosista estavam a sentir a adrenalina.

A intensidade do concerto era tal que foi preciso a acalmia introspetiva de "Smoke of Dreams" para restaurar energias. Já com o devido descanso segui-se a melódica "Aphrodite". Por sua vez, "Exalted" trouxe-nos à memória Daydream Nation, álbum lendário dos Sonic Youth. Foi neste ambiente caótico que a banda abandonou pela primeira vez o palco. 


Os gritos e os aplausos calorosos do público levaram a que a banda subisse ao palco para um encore. Tocaram "heavenmetal", música do outro projeto de Moore, Chelsea Light Moving e a experimental "Ono Soul", do álbum  de 1995 Psychic Heart's. Foram ao todo cerca de noventa minutos de concerto em que os músicos apresentaram uma performance notável. 

Foi uma noite memorável, de celebração do melhor ruído sónico que se fez nas décadas de 80, 90 e 00. Thurston Moore está numa excelente forma nem parecendo ter quase 60 anos. Sempre muito simpático quando se dirigia ao público, agradeceu à ZDB pelo convite e tratou Lisboa como uma das suas casas, onde será sempre bem-vindo.

Até deu gosto sair do Lux com os ouvidos a zumbir.


Reportagem por: Rui Gameiro
Fotografia por: Vera Marmelo

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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

David Byrne confirmado no EDP Cool Jazz


Amantes do bom art punk norte-americano? Pois bem, já lá vão os saudosos tempos em que os Talking Heads surpreendiam o panorama punk das décadas de 70 e 80 com uma aguçada e engenhosa pop intelectual, envolta num dos maiores cultos da cultura musical norte-americana que nos trouxe discos seminais como Fear of Music e Remain In Light. O fim da influente banda ficaria marcado para dia 2 de dezembro de 1991, mas o trabalho do líder e vocalista David Byrne prosseguiria a solo, colaborando posteriormente com nomes como Brian Eno (que chegou a produzir alguns dos discos da banda), Ryuichi Sakamoto e St. Vincent.

Em 2018, David Byrne visita-nos para uma atuação única no festival EDP Cool Jazz. Dia 11 de julho, o ex-Talking Heads apresenta-se a solo no Parque dos Poetas, em Oeiras, juntando-se assim ao já confirmado Gregory Porter, que atuará nos jardins do Marquês do Pombal no dia 20 de julho. O preço dos bilhetes para o concerto de David Byrne varia entre 25 e 70 euros.

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Cinco Discos, Cinco Críticas #32


Nesta edição do Cinco Discos, Cinco Críticas destacamos os mais recentes trabalhos de Bicep - o homónimo LP Bicep -; Jolly Cobra - com o novo EP Chronium Hawk -; Holoscene 85' e o seu EP de estreia Surface; Stephen Wilkinson (Bibio) - que editou recentemente o LP Phantom Brickworks - e por fim os alemães Kadavar - que em setembro meteram cá para fora Rough Times. As opiniões sobre os disco seguem abaixo descritas com a disponibilização dos discos para escuta integral.


Bicep // Ninja Tune // setembro de 2017 
7.5/10 

A dupla irlandesa Bicep, composta por Andy Ferguson e Matt McBriar, apresenta-nos finalmente o seu disco de estreia, após o lançamento de vários singles e EPs desde a sua formação em 2009. Criadores do blogue Feel My Bicep (e da editora homónima) onde partilham pérolas do house, techno e disco, os irlandeses apresentam-nos 12 temas com uma base house mas repletos de influências de outras cenas e idealizados para o dance floor, como demonstrado pela sua visita a Portugal no mais recente NOS Primavera Sound
A produção impecável permite que o ambiente de cada tema seja adequadamente realçado, como em "Opal", claramente influenciada pela cena garage do Reino Unido e a fazer lembrar Caribou, ou na cinemática e etérea "Orca". Outros destaques incluem a batida jungle de "Glue", "Rain", onde a mistura de vocais indianos com uma batida house mais aguçada poderá fazer lembrar Four Tet, e ainda "Aura", que fecha o disco com nova descarga de adrenalina através dos seus belíssimos synths
Alguns dos temas poderiam beneficiar de uma duração mais longa para uma melhor exploração das suas ideias, como "Drift", com os seus synths carregados de tensão, e "Spring", enquanto alguns acabam por ser tiros ao lado, como "Kites", o mais comercial "Vale" ou o downtempo de "Ayr". Ainda assim, Bicep é um portento de energia e um dos discos house mais refrescantes dos últimos tempos.
João Barata




Chronium Hawk // Kung Fu Ninja Records // novembro de 2017
7.0/10

Chronium Hawk é o EP mais recente dos Jolly Cobra, banda norueguesa com um apreço muito denotado pelos suspeitos do costume, isto é, os vovôs do movimento psicadélico/stoner rock Black Sabbath e Hawkwind e que faz por seguir os passos de tais bandas para criar algo próprio. O alinhamento começa com o trabalho de teclado de teor ominoso nos primeiros segundos da faixa "Chromium Hawk Pt.1", que por sua vez dá lugar a uma mão-cheia de riffs prazerosos e solos colossais. 
A partir de "Ain’t Got Nothing", a situação altera-se um bocado, em que o trabalho rítmico torna-se ligeiramente mais vertiginoso. "Greyhound Express" também é outro destaque, graças aos seus riffs mais fuzzy sem perder o fator frenético. "Desert Storm", de teor ligeiramente mais dinâmico, é também bastante bonita, com o seu momento de solo mais ou menos calmito. A faixa final "Chromium Hawk Pt.2" é um fecho de registo sólido, com um momento ambiente psych a servir de acalmia depois da tempestade. Chromium Hawk, apesar de não demonstrar muitas surpresas por aí além, irá certamente revelar um bom serão aos fanáticos do género.
Rúben Leite





Surface EP // self-released // novembro de 2017 
8.0/10

Holoscene 85' é o projeto a solo de Francisco Oliveira, músico do Porto. Após o lançamento de várias músicas desde dezembro do ano passado, chega agora o seu primeiro EP, Surface, um disco de música eletrónica que passa pelo ambiente e pelo IDM. É um lançamento curto, mas dinâmico. Em certos momentos é pouco rítmico e foca-se principalmente em criar um ambiente envolvente e atmosférico, enquanto noutros a percussão eletrónica entra em ação e torna a música quase dançável. Isto é especialmente eficaz em "Acrylic Clear" e na excelente "A Story About Light", que com os seus diferentes sintetizadores e linha de baixo repetitiva e groovy me fez lembrar Boards of Canada. "Surface", faixa de abertura, repleta de melodias bonitas, relaxantes e agradáveis, também se destaca como um dos melhores momentos do EP. A contrastar com ela está "Scentless Silhouette", que fecha o disco muito bem, mas com texturas e sons mais tensos e ruidosos. 
Surface EP é composto por cinco músicas que combinam muito bem umas com as outras e originam uma experiência agradável ao longo de toda a sua duração. Apesar de haver músicas que me cativaram menos que outras, nenhuma me incomodou ou aborreceu. Não é demasiado curto nem longo e recompensa uma audição atenta com os pormenores ou sobreposições de diferentes sons existentes em certos momentos. Holoscene85' é sem dúvida um dos nomes nacionais que mais me agradou este ano e que mais potencial tem.
Rui Santos





Phantom Brickworks // Warp Records // novembro de 2017
8.8/10

Stephen Wilkinson regressou às edições no passado mês de novembro com o surpreendente Phantom Brickworks, o nono disco sob o moniker de Bibio. Editado novamente pela conceituada Warp, Phantom Brickworks traz uma nova etapa ao produtor britânico que ao longo de mais de uma década se dedicou a um projeto frequentemente associado a sonoridades que fundem música electrónica, folk, hip-hop e rock. O mais recente trabalho de Bibio, no entanto, explora paisagens mais atmosféricas e ambiente através de loops idílicos que remetem para o trabalho de William Basinski e Yves Tumor nos temas da sua mais recente compilação. Ao longo dos seus mais de 70 minutos de duração, Phantom Brickworks consegue manter um foco bastante coeso e unificado, passeando entre temas longos cheios de detalhe e minúcia e uma produção caseira que valoriza as propriedades texturais das suas composições. Carregadas de emoção e sentimento, as paisagens que Bibio pinta carregam em si uma certa sensação de solidão, deambulando por cenários bucólicos aparentemente nebulosos e densos que exploram as memórias reais e imaginárias do produtor. Os loops agoniantes e imersivos de "Capel Celyn", por exemplo, servem como uma pequena homenagem à vila rural galesa que em 1965 se transformou em reservatório de água, afogando a sua história de modo a fornecer água para a indústria inglesa. Memórias abandonadas que Bibio recupera e abraça em temas simples mas carregados de significado e emoção, e que fazem deste o seu melhor registo até à data.
Filipe Costa





Rough Times // Nuclear Blast Records // setembro de 2017
7.0/10

Os alemães Kadavar, ao quarto álbum, mostram que tal como as suas belas barbas não param de crescer, a sua discografia também não. Conhecidos pelas suas influências psicadélicas retro dos anos 70, em "Rough Nation" estes optam pelo peso e pela objetividade, evidente pelas músicas mais curtas e a redução dos momentos de improviso. A primeira parte do álbum é marcadamente stoner doom, com a abertura do álbum, música que partilha o nome com o disco, a ser um autêntico pontapé na cara com o baixo de Dragon sedento de fuzz e a intimidante bateria de Tiger a marcar ritmo. No entanto a atmosfera é mudada drasticamente com a chegada dos singles repletos de clichés que não funcionam tão bem como era suposto. "Die Baby Die" ou "Tribulation Nation" são um "travão de mão" para o impulso que a banda tinha formado. No entanto, para quem continuou a audição, os Kadavar guardaram umas surpresas, com o destaque, pessoal, para a balada, "You Found The Best In Me", com influências de Neil Young e de Creedence Clearwater Revival. Apesar da mudança de som neste álbum ser bem-vinda, a inconsistência na qualidade de algumas músicas impedem que este tenha uma avaliação melhor e complica a sua disposição juntamente com os trabalhos mais memoráveis do catálogo da banda.
Hugo Geada



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