sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

gnration apresenta programação para o primeiro trimestre de 2018


Já é conhecida a programação para os primeiros 3 meses do gnration em 2018. Depois de apresentar uma programação forte ao longo do ano, levando ao espaço nomes como Xiu Xiu, Jenny Hval, The Field, The Bug Vs. Dylan Carlson, Forest Swords ou Shabazz Palaces, o gnration dá a conhecer uma proposta cultural intensa em música, instalação, workshops e ainda o habitual programa de serviço educativo.

Com uma aposta desafiante e eclética, o ano irá iniciar com o concerto do coletivo português The Selva, trio jazz formado por Ricardo Jacinto, Nuno Morão e Gonçalo Almeida, que estará em concerto de apresentação da residência artística que levarão a cabo durante as primeiras semanas de janeiro. Quem também marcará presença no primeiro mês do ano será o conceituado artista suíço Zimoun, que se apresentará no gnration em dois formatos diferentes: numa performance em total escuridão de sala (a 20 janeiro) e com uma instalação sonora em que utilizará centenas de caixas de cartão e motores de corrente contínua (20 janeiro a 7 abril).

Fevereiro será o mês do regresso dos Moon Duo a Portugal . A banda liderada por Ripley Johnson irá apresentar os dois volumes de Occult Architecture em três datas marcadas para os dias 9, 10 e 12 no gnration, Salão Brazil (Coimbra) e ainda no Musicbox (Lisboa), respetivamente. A primeira parte do concerto em Braga será assegurada pelo trio psicadélico português 10000 Russos, que traz na bagagem o mais recente Distress Distress. O segundo grande destaque para este mês faz-se dia 24 com a imperdível atuação de Ben Chasny. A faceta por trás de Six Organs of Admittance, uma das maiores referências do american primitivism contemporâneo, apresenta-se na Blackbox do gnration para uma performance intimista e única onde irá percorrer os temas do seu mais recente disco Burning The Threshold. Ben Chasny irá também orientar um workshop sobre The Hexadic System, o seu jogo de cartas para guitarra. Ainda nesta noite, Luís Martins apresenta Tentos, Invenções e Encantamentos.

  
Para o mês de março, o gnration estreia Binário, um ciclo de performances audiovisuais que dará a conhecer alguns dos trabalhos mais interessantes das artes digitais na atualidade. A 2 de março, o músico e artista audiovisual francês Alex Augier inaugurará o ciclo com a apresentação de _nybble_, uma flutuação estética entre o minimalismo digital e o orgânico.

A 17 de março, os Dead Men Talking apresentam-se ao vivo com novo material resultante da residência artística inserida na iniciativa Trabalho de Casa, ciclo que promove a criação e apresentação de novos trabalhos por artista locais e que já contou com nomes como Ermo e Máquina del Amor.

A terminar o trimestre, a 22 de março, o guitarrista tuaregue Mdou Moctar traz até Braga o seu mais recente disco, Sousome Tamacheck. A primeira parte estará a cargo dos bracarenses Bed Legs.

No que diz respeito à media art, AGF é a nova convidada do Scale Travels, um programa inserido na programação do gnration que alia arte a nanotecnologia que recebeu este ano o trabalho do japonês Ryoichi KurokawaAntye Greie-Ripatti, ou AGF, apresentará uma nova instalação que estará patente na galeria INL de 16 de março a 16 de junho.


+

Reportagem: The Horrors + Mueran Humanos [Lisboa ao Vivo]

reportagem-the-horrors-mueran-humanos-lisboa-ao-vivo

Numa noite de autêntico temporal, com a Ana a soprar-nos no corpo, fomos até ao Lisboa ao Vivo assistir à passagem dos The Horrors pela capital. A banda britânica que no dia anterior tinha atuado na cidade invicta, veio ao nosso país apresentar o seu mais recente e quinto álbum de estúdio, V, editado em setembro.

Como não estava fácil andar por Lisboa com a tormenta que se fazia sentir, chegámos à sala com algum atraso e já decorria o concerto da dupla argentina (atualmente sediada na Alemanha), Mueran Humanos. Só nos foi possível escutar as últimas três músicas da banda cuja sonoridade flutua entre darkwave e o industrial. Após 40 minutos que serviram para apresentar temas do disco Miseress (2015) e ainda algumas músicas novas editadas em 2017, a dupla formada por Carmen Burguess (voz, caixas de ritmos, sintetizadores) e Tomas Nochteff (voz e baixo) abandonou o palco. O concerto ficou marcada pela falha de luz já na última música e pelo pouco entusiamo demonstrado tanto pelo público como pela banda.

Mueran Humanos

Passavam cinco minutos das 22 horas quando o quinteto britânico subiu ao palco. Sem qualquer apresentação, começaram o concerto com o tema de abertura de V, a industrial e psicadélica “Hologram”. Seguiu-se “Machine”, single de apresentação deste novo trabalho e que tão bem resulta ao vivo, com seu noise e distorção a furarem-nos os tímpanos. Se o mítico álbum Primary Colours (2009) tivesse sido gravado em 2017, esta certamente faria parte do alinhamento. 

Faris estava irreconhecível e quase que subiu para o público. Com vestes de cariz gótico, parecia uma espécie de Dave Gahan (vocalista dos Depeche Mode) meets Edward Scissorhands. Nunca antes o tínhamos visto mexer-se assim, de modo tão enérgico, tal como o resto da banda. 

E por falar em obras primas, surge “Who Can Say”, uma das músicas de Primary Colours e das mais conhecidas dos Horrors. No entanto, nem tudo era perfeito. Interpretada a um ritmo excessivamente rápido, a parte mais peculiar da música em que Faris confessa que tem sentimentos por outra mulher acabou por passar quase despercebida, quebrando a mágoa sentida nas letras.

Após estes dois temas notava-se que o público estava em êxtase. Foi então que surgiu a dançável “In and Out of Sight”, incursão única no menos conseguido Luminous, álbum que despertou a banda para uma viragem de página. Eram notórias as influências de New Order, funcionando esta música como um prenúncio para as sonoridades de V.



Regressando a Primary Colours, “Mirror’s Image” voltou a levar a plateia ao delírio completo. E o que dizer do melhor tema da banda, “Sea Within a Sea”? Seguindo a mesma toada energética que “Who Can Say”, estes temas sofreram com o seu ritmo elevado. De certezas que os fãs esperavam uma reprodução mais fiel ao que se pode ouvir em estúdio, ainda para mais falando de Primary Colours.

Seguiram-se “Weighed Down” e “Press Enter to Exit”, músicas que pouco se destacaram na atuação. “Endless Blues” representou a primeira visita a Skying (2011). Não sendo um dos singles, surpreendeu a escolha deste tema, o qual acabou por resultar de forma distinta. Foi com a música mais conhecida da banda que os Horrors abandonaram o palco pela primeira vez. “Still Life” teve direito à entoação do público, apesar do som vindo do baixo e dos teclados não estar nas melhores condições.

Os aplausos calorosos do público levaram a que a banda subisse de novo ao palco para um encore. Antes de iniciarem uma nova música, Faris perguntou ao público, meio indignado, “Quem é o gajo que está a pedir Sheena Is A Parasite?”, tema do primeiro álbum da banda, Strange House (2007), que já não é tocado há muitos anos. Ao que parece, uns rapazes da plateia queriam reviver a fase mais rebelde da banda. Em vez disso, focaram-se em V, com “Ghost”, música que resulta tão bem ao vivo como em estúdio, e “Something to Remember Me By”, single que naturalmente pôs a audiência toda a dançar, qual pista de Ibiza, qual quê.

Foram ao todo cerca de setenta e cinco minutos de concerto em que o quinteto britânico mostrou a sua nova faceta mais dinâmica, acabando com a atitude de quase corpo presente dos concertos no passado. A voz de Badwan está tão forte e audível ao vivo como se verificou em estúdio, sendo claramente um upgrade à qualidade da banda. Por outro lado, a velocidade com que a maioria das músicas foi interpretada empobreceu um pouco a experiência dos fãs que se deslocaram até ao LAV, dando a impressão que a banda queria concluir o concerto rapidamente.

The Horrors + Mueran Humanos [LAV, Lisboa]

Texto: Rui Gameiro
Fotografia: Virgílio Santos

+

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Paredes de Coura traz Björk a Portugal



Björk é a primeira confirmação para o Vodafone Paredes de Coura 2018. A artista islandesa está de volta a Portugal para apresentar o seu novo álbum, Utopia. Vai tocar no sábado, dia 18.

O festival decorre entre 15 e 18 de agosto. Os passes gerais custam 85€ e o fã pack Fnac, que inclui uma t-shirt natalícia, está à venda por 90€.

+

Tricky passa por Portugal em fevereiro


Tricky, o projeto a solo do produtor, vocalista e músico Adrian Nicholas M. Thaws, vai regressar a Portugal com data dupla já no próximo mês de fevereiro para a apresentação do seu 13º disco de estúdio, ununiform, que saiu para as prateleiras em setembro do presente ano. O músico toca a 27 de fevereiro (terça-feira) no Lisboa Ao Vivo e no dia seguinte, a 28 de fevereiro, sobe até ao palco do Hard Club. Ambos os concertos contam com o selo da promotora At The Rollercoaster.

Este é o primeiro álbum feito desde que Tricky se mudou para Berlim, há três anos: uma ruptura limpa, em todos os sentidos da palavra. Este novo trabalho é também o álbum mais resolvido e em paz com a vida do que qualquer outro que o Tricky tenha gravado, mesmo apesar de apresentar um toque de referências como o fim da vida. ununiform servirá assim de pano de apresentação aos concertos em Portugal, além dos seus mais conhecidos e conceituados singles


Os bilhetes para ambos os concertos custam 25€ e estarão disponíveis a partir do dia 21 de dezembro  na bilheteira online. O cartaz segue abaixo.




+

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Clap Your Hands Say F3st! está de regresso em 2018

Ermo
Clap Your Hands Say F3st! está de volta para a sua segunda edição. O novo festival invadiu este ano a cidade de Leiria nos meses de janeiro, fevereiro e março, sendo o resultado da cooperação entre três entidades leirienses já bem conhecidas a nível nacional - Fade In - Associação de Acção Cultural (organizadora do Entremuralhas), Omnichord Records e Rastilho Records. O evento que conta também com o apoio da Câmara Municipal de Leiria, decorrerá no Teatro Miguel Franco.

De 5 de janeiro até 23 de março vão atuar neste espaço algumas das bandas emergentes portuguesas que mais se destacaram neste último ano.

5 janeiro - O Gajo, Jerónimo
12 janeiro - Whales, Wipeout Beat
26 janeiro - She Pleasures Herself, The Rooms
2 fevereiro - Mike El Nite, António Cova
9 fevereiro - Ermo, Obaa Sima
23 fevereiro - Eden Synthetic Corps, Fugly
2 março - Nerve, Escumalha
9 março - Luís Severo, Rua Direita
23 março - Benjamim, Rodrigo Cavalheiro

Sempre às sexta-feiras, com início às 21h30, os concerto têm o preço fixo de 5 euros por cada sessão. O cartaz está disponível na em baixo.

+

Pointlist anuncia festa de aniversário nas Damas


A Pointlist é uma agência/produtora/promotora eborense, fundada em janeiro de 2014 por João Modas e Tiago Alexandrino. O seu primeiro concerto promovido foi em março desse ano, onde levaram Capitão Fausto a Évora numa festa que levou mais de 200 pessoas. Nestes 4 anos que passaram, a Pointlist realizou mais de 100 concertos por todo o país, criou o já conhecido Black Bass Évora Fest, e acolheu na sua família bandas como: Sunflowers, 800 Gondomar, Fugly, entre muitas outras.


A festa de aniversário desta promotora ocorre novamente nas Damas, à semelhança do que foi no ano passado. O cartaz deste ano é composto pela banda espanhola Kings of the Beach e pelos barreirenses Moon Preachers, com os El Señor a serem os headliners desta festa. Depois dos concertos, a mesa de mistura vai estar encarregue pelas Latrinas Femininas até às 5 da manhã.

O evento tem entrada gratuita e os concertos vão começar por volta das 22h30.

Cartazes por A Cristina Faz

+

Lucy Railton atua amanhã no Museu da Marioneta

lucy-railton-atua-amanhã-no-museu-da-marioneta


A Nariz Entupido termina o ano de 2017, pródigo em variadas experiências sonoras e artísticas, com um concerto que pretende vincar o lado autoral, neste caso de Lucy Railton e Garcia da Selva. O encontro está marcado para o dia 14 de Dezembro no Museu da Marioneta, em Lisboa.

As possibilidades combinatórias de um violoncelo com outros instrumentos ou com a introdução de sons de diferente proveniências são praticamente infinitas e são alvo de abordagens muito diferenciadas nos anos mais recentes. Lucy Railton fá-lo com uma capacidade invulgar, não só por aumentar o número dessas possibilidades combinatórias, mas sobretudo por ser capaz de trabalhar cada novo detalhe, aprofundando-o de uma forma invulgar.

O trabalho de Lucy Railton estilhaça limites, corrompe a linearidade das divisões estilísticas impostas exteriormente. Ligações à música erudita, há-as certamente, mas também em proporção semelhante com que as estabelece com a música exploratória, electrónica ou jazz. 



A primeira parte do concerto é da responsabilidade de Garcia da Selva, heterónimo de Manuel Mesquita, artista multifacetado que se destaca no panorama artístico nacional tanto na música como no cinema ou nas artes performativas, tendo contribuído com diversas trilhas sonoras ou instalações artísticas.

O evento tem ínício às 21h30 e os bilhetes têm o custo de 8€. O cartaz é da autoria de Nuno Moreira.

+

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Reportagem: VNV Nation [Hard Club, Porto]


Os VNV Nation passaram pelo Hard Club, Porto, no passado dia 7 de dezembro (quinta-feira), para um concerto único que ditaria o regresso da banda cinco anos depois de terem passado pelo festival Entremuralhas, em Leiria. Casa quase cheia, como já era de esperar, e o último concerto do ano da promotora At The Rollercoaster que nos últimos tempos tem trazido a Portugal concertos de excelência dentro do circuito da música alternativa. Como chegámos a tarde e más horas não conseguimos apanhar a banda de abertura, os portugueses NU:N


Em palco os VNV Nation subiram pelas 22h00, como estava previsto, em formato trio e apenas com um membro original, o Ronan Harris, que trazia uma energia pronta para contagiar todos os presentes já com "Arclight" a fazer-se escutar na Sala 1 do Hard Club. Com o clássico "Kingdom" a  desenvolver, começaram também os primeiros passos de dança e os primeiros braços no ar. Embora o concerto estivesse a começar de alguma forma, sentia-se alguma euforia e "Kingdom" foi muito bem metida ali para começar a elevar as expectativas. Para quem não sabia, Ronan fez questão de frisar que o concerto estava inserido na Automatic Empire Tour da banda e que apenas se ouviriam os singles dos álbuns Empires (1999) - considerado o mais inovador na discografia da banda - e Automatic (2011), o penúltimo disco de estúdio. Já com "Space & Time" a chegar ao fim, foi também a primeira vez, de inúmeras tentativas posteriores, que Ronan pediu ao público para deixar os telemóveis no bolso, aos fotógrafos para arrumarem as "big cameras" e a todos os presentes para curtirem o concerto, como uma performance dos VNV Nation merece ser apreciada. O vocalista aproveitou também o discurso para apresentar a próxima música, "Darkangel". 

Com o volver da performance, mesmo apresentando uma energia contagiante, Ronan mostrou-se claramente descontente com as pessoas que continuavam a fotografar o concerto, mesmo apesar dos seus constantes apelos para que não o fizessem. Já durante performance de "Further", aconteceu um dos momentos mais humorísticos do concerto: o vocalista virou-se para um dos elementos do público a perguntar porque é que a pessoa em causa continuava a filmar, afirmando "C'mon guys, you don’t work for Youtube". A pessoa mostrou a imagem tirada a Ronan, à qual este reage com um "What the fuck happened to my hair?", tudo isto durante "Further". Embora tenha sido um momento bastante engraçado começou a notar-se que algumas pessoas foram abandonando a sala a partir de então. 



Mais para a frente, já a ouvirem-se os momentos finais de "Saviour" e com uma sala bastante quente, hora de preparar todas as energias finais para aquela que era espectada ser a última música do concerto e uma das melhores malhas dos VNV Nation, o enorme "Control". Claro que foi uma escolha memorável para terminar a passagem única por solo nacional e claro está, foi o momento alto e mágico da performance do trio, dançar até mais não. Depois de saírem do palco e, após vários aplausos e gritos para que o trio voltasse a palco, os VNV Nation regressaram para tocarem mais quatro músicas, "Radio", "Standing Motion""NOVA" e uma das preferidas de Ronan, "Resolution". 


VNV Nation [Hard Club, Porto]


Texto: Sónia Felizardo
Fotografia: Francisca S. Campos

+

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

METZ regressam em data dupla a Portugal


Existe o mito de que os canadianos são um povo extremamente simpático e acolhedor, esse mito certamente não tem em conta a agressividade presente na música dos METZ. Este trio oriundo de Toronto vai regressar às nossas terras em abril de 2018 para dois concertos, depois de terem ido ao Amplifest em 2015.

Na bagagem agora trazem Strange Peace, o último álbum desta banda canadiana editado pela lendária Sub Pop. A sonoridade violenta dos METZ é inspirada em grande parte pelo primeiro trabalho dos Nirvana, Bleach. Guitarras distorcidas ao máximo em passo rápido, a bateria e o baixo tocados quase ao ponto de estragarem os seus amplificadores, é isto que melhor define a sonoridade deste trio canadiano.

Os METZ vão passar por Portugal nos dias 17 e 18 de abril, no Musicbox (Lisboa) e no Hard Club (Porto) respectivamente. Os bilhetes para ambos os concertos vão ter o custo de 20 euros, e já se encontram à venda nos locais habituais. Tragam tampões para os ouvidos, vai doer.


+