sábado, 6 de janeiro de 2018

Zigur & FUGA no Maus Hábitos


Na próxima sexta-feira, 12 de janeiro, acontece o primeiro passo da residência da ZigurArtists no Maus Hábitos, em parceria com a FUGA.


Será assim um início de ano em grande na noite portuense. A partir das 22h00 horas de sexta-feira vamos ter em palco Coelho Radioactivo, Bardino (apresentação do novo EP, incluído no nosso top de revelações nacionais de 2017), Talea Jacta e Mr. Herbert Quain b2b Marco Coelho (dj-set). Os bilhetes para os concertos + dj set têm um preço de 5€, quem optar apenas pelos dj-set pagará 3€. Todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui.



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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Flávio Torres em entrevista: "Cresci como cidadão de um mundo estranho, capitalista e invejoso"

© Marco Aurélio

O casamento da Covil com a Tago Mago é rijo como o aço e flexível como a pinga. Com o A.C. Mercado Negro como pano de fundo deste 2018 recheado de concertos, fomos conhecer melhor o Flávio Torres e as canções que poderão trautear no próximo Sábado, dia 6 de janeiro.

1 - Cinco anos depois da edição de Canções de Bolso, o que mudou no Flávio Torres e no país que tanto mencionas nos discos? 

Flávio Torres: Em mim muito mudou nestes últimos cinco anos, seja no aspecto criativo, ou na forma de ver o mundo e o país. Sinto-me também mais confiante na maneira de levar as minhas canções a um maior número de público, e quero muito que isso aconteça. Viajei e vivi durante os últimos anos por países do leste Europeu e África, o que fez com que enriquecesse e aprendesse outras formas de estar junto de outras culturas, ou mesmo outros estados da humanidade. Neste momento estou também dedicado a 100% à música, o que me faz lutar ainda mais pela mesma e criar com outro ritmo. Lidei também com a morte do meu pai e isso fez-me crescer como cidadão de um mundo estranho, capitalista e invejoso, e tento fazer o melhor que posso para inverter esses valores terríveis do ser humano. Quanto ao país, acho que Portugal continua num marasmo crítico, não por culpa da corja, mas sim do povo que continua a não se impor às estupidezes impostas. 

2 - 2012 foi o ano da troika, do aguçar da crise e da adoção do termo "austeridade" como se de um "bom dia" se tratasse. Serão estes momentos de retração mais propícios para à criação artística? 

Flávio Torres: Penso que são momentos criativos importantes para que um artista exponha o desagrado imposto por este tipo de situações. Uma canção, uma peça de teatro ou outras formas de expor arte, que se manifestem contra determinado conflito ou injustiça numa sociedade são, sem dúvida, uma força para que se abram diferentes espectros no povo. E é com esta linguagem que a mensagem pode motivar mais pessoas a irem contra algo que está mal. Não digo isto de forma a criar raiva nas pessoas mas pelo contrário, o efeito perfeito seria que houvesse um melhor entendimento para fazer o bem com a mudança. E sim, acho que vivemos numa fase complicada no mundo que efetivamente proporciona criar, fazer arte sincera em prol do melhor para nós e para a paz das nações. Os artistas têm o poder de fazê-lo e devem de o fazer sem medos.




3 - Em Canalha, último disco editado em 2014, continuas com a reflexão social em formato de canções. É algo que pensas manter no futuro, ou este governo da Geringonça acabou por acalmar as coisas? 

Flávio Torres: Irei falar de coisas que me incomodam, coisas que me fazem bem, amor, inquietação... enfim, tudo o que me apetecer. A "Geringonça" continua a fazer um trabalho muito bem feito para o lado deles, apenas larga alguns trunfos para que o povo continue calado e sem acção. Eu tenho esperança/fé de um futuro melhor para todos, mas, acho que o caminho continua a ser de corrupção, exploração e infantilidade propositada. Resta aqueles que têm consciência de fazer pelo bem e a "esperança" que falei mais atrás penso que parte daqui. 

4 - "Procuras a companhia perfeita para o teu dia", é o verso inicial de "Assobio Bêbado", tema deste disco. Se a malta da Covil não me puser na bilheteria, qual seria a melhor companhia para ver o teu concerto: tinto ou um bom whisky velho? (risos) 

Flávio Torres: Bom, acredito que sejas uma óptima companhia. Infelizmente ou felizmente, já não bebo bebidas brancas com regularidade. Aprecio um bom vinho tinto seja Douro, Alentejano, Dão ou Beiras, e essa será sempre a minha melhor opção. É também uma boa companhia espiritual e é, sem dúvida, o meu drink favorito. Quanto ao Whisky velho, já foi também um companheiro de longa data, e é óbvio que de vez em vez sabe muito bem. Seja de que forma for, faremos um brinde com toda a certeza. 

5 - Com 'Homem da Montanha', projeto de covers que tens em paralelo, navegas por entre os clássicos do blues e do folk. Sentes que andar pelo país a interpretar estas canções te dá uma certa bagagem no momento de compôr? 

Flávio Torres: Bom, eu sempre tive bandas de versões e foi com as músicas de outros artistas que aprendi muito. Desde miúdo que eles foram a minha escola e a minha inspiração para criar. O Homem da Montanha é um projeto que me faz regressar aos meus 14 anos: toco muitas coisas dos anos 60, 70 e 80 como Hendrix, Dylan, Nancy Sinatra, Tom Petty etc... e gosto de tocar aquelas que não foram os hits do momento. Mais do que tudo, faço as minhas versões em acústico com percussões de pé e alguns loops. Acho o projeto muito giro e divirto-me muito, e a malta também se diverte bastante. As minhas composições são fruto de tudo isto dos 20 anos ligados à música quase num anonimato: a muitos projetos, a muita coisa, à estrada, às viagens, às experiências de vida...tudo isto é a bagagem para compôr. 

6 - O que podemos esperar do disco que prometes lançar este ano? 

Flávio Torres: Nem eu sei bem o que vai sair daqui, mas novas experiências, outros instrumentos. Talvez saia um álbum mais ligado à World Music, mais roots e com ambientes diferentes do que já foi feito anteriormente, numa linguagem de proximidade e de união ao Universo e ao Cosmos. Mas os temas serão, com certeza, em bom Português. Vamos aguardar. Os bilhetes estarão disponíveis no dia do concerto, a 4€ cada. 

Informações do evento aqui.


Entrevista por: Luís Masquete


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Whales, Nada-Nada e TIPO no aniversário do BranMorrighan


O blogue BranMorrighan nasceu em Dezembro de 2008 e comemora agora o seu 9º aniversário. Ao longo dos últimos anos tem-se dedicado à descoberta e divulgação da nova música portuguesa. Como tem sido tradição desde 2014, as comemorações chegam sob a forma de duas festas, em Lisboa e Porto, nos meses de Janeiro e Fevereiro. 

Em Lisboa será dia 5 de Janeiro, pelas 22h, na sala emblemática Musicbox. O cartaz é de luxo no que toca a projectos emergentes portugueses: Nada-Nada (projecto de Cláudio Fernandes dos Pista), TIPO (projecto de Salvador Menezes dos You Can’t Win Charlie Brown) e Whales (banda leiriense vencedores do festival Termómetro). A noite promete ser de descoberta e de concretização, mas acima de tudo de muito boa disposição.

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Os melhores álbuns nacionais de 2017


Em 2017 assistimos a um ecletismo musical a invadir os nossos ouvidos. O panorama musical nacional não fugiu à regra com as experimentações eletrónicas de Surma e Ermo, o ruído e distorção psicadélicos de 10 000 Russos e o afrobeat de Nídia e DJ Lycox. Chegou a altura de publicar os vinte cinco melhores álbuns nacionais que mais se destacaram no ano passado. 



25. 800 Gondomar - Linhas de Baixo


24. Império Pacífico - Império Pacífico


23. Éme - Domingo à Tarde


22. Stone Dead - Good Boys


21. Jasmim - Oitavo Mar


20. Pás de Probleme - Silence Is Gold


19. Lula Pena - Archivo Pitoresco


18. Ulnar - Dreaming of Sailing Further West


17. Cat Soup - Cat Soup


16. Hitchpop - Hitchpop


15. Berlau & AM Ramos - Monte da Lua


14. Grandfather's House - Diving


13. Dear Telephone - Cut 


12. Gonçalo - Boavista


11. Marco Franco - Mudra


10. Iguana Garcia - Cabaret Aleatório


9. ATILA - body


8. PZ - Império Auto-Mano


7. Luís Severo - Luís Severo 


6. Pega Monstro - Casa de Cima


5. DJ Lycox - Sonhos & Pesadelos


A fervilhante cena musical luso-africana da lisboeta Príncipe já não passa despercebida a ninguém, e a crítica internacional que o diga. Nomes como DJ Marfox, DJ Firmeza e Nídia (que lançou em junho o fabuloso Nídia é má, Nídia é fudida) encontram-se na dianteira de um dos movimentos culturais mais progressistas e refrescantes do momento, aliando música de dança a sonoridades influenciadas pela cultura africana que vão do kuduro à tarraxinha. A juntar-se a estes está também DJ Lycox, que nos surpreendeu este ano com o viciante Sonhos & Pesadelos. Na sua estreia nos longas-duração, DJ Lycox traz um descomplexado disco rico em melodias contagiantes e ecléticas que peca apenas pela curta duração das suas faixas (à exceção de “Solteiro”, nenhum dos temas ultrapassa os 4 minutos). São 27 minutos (33 na versão digital) de um disco que desejamos que nunca acabe.

4. Nídia - Nídia É Má, Nídia É Fudida


Nídia (ex-Nídia Minaj) não é um nome novo no panorama nacional. Já conhecida bem antes de entrar para a Príncipe, com o EP Danger, a artista cabo-verdiana continua a surpreender. Com o mais recente disco Nídia é Má, Nídia é Fodida, Nídia prova que é um dos nomes importantes a ser seguidos no paradigma da música eletrónica portuguesa. O seu afro-house influenciado pelo kuduro, tarraxinha e batida (sem nunca perder a sua identidade própria) tem vindo a ser bem aceite tanto no nosso país como lá fora, como se provou ao ser convidada para estar presente no festival Linecheck, em Milão, ao pé de nomes como Thundercat, Perfume Genius, Freddie Gibbs, entre muitos outros. Apesar da tenra idade, Nídia demonstra que este último trabalho é um dos grandes álbuns de 2017.  

3. 10 000 Russos - Distress Distress


Muito pode ser dito acerca do mais recente trabalho da banda portuense 10 000 Russos, mas é muito mais fácil explicar ao simplesmente entregar uns headphones ao leitor e colocá-lo numa sala escura enquanto ouve o álbum de inicio ao fim. Esta mistura de rock psicadélico, industrial e krautrock resulta num drone que abre um bizarro apetite para mover o corpo, ora num discreto a bater o pé ou numa dança pouco ortodoxa. Muito se pode louvar pelo trabalho dos músicos, desde o baixo de André Couto que oscila entre os ritmos mais mecânicos e repetitivos, à guitarra de Pedro Pestana carregada de deliciosos e minuciosas distorções e a batida contínua de João Pimenta que nos acompanha ao longo desta viagem. Os arranjos vocais soturnos e carregados de reverb são colocados de forma estratégica na construção das músicas de forma a criar um contraste com o instrumental e proporcionar um ambiente mais sinistro. Distress Distress é mais do que um álbum. É uma viagem, uma experiência, um ritual. A vontade de fechar os olhos e ouvir a música é muito, mas vontade de dormir nem vê-la.

2. Ermo - Lo-fi Moda


Lo-Fi Moda traz um novo e revolucionário capítulo ao duo bracarense Ermo, que confronta a vaidade e a presunção dos portugueses através de uma atitude de crítica presente numa lírica consciente e bem aguçada. A voz abafada por boas doses de auto-tune e os instrumentais essencialmente digitais contribuem para um organismo alienígena e viciante desprovido de humanidade, executado de modo magistral ao longo dos seus nove temas. Ao segundo disco, os Ermo viram costas ao passado e superam-se com um dos discos mais viscerais do ano, uma obra do presente com olhos postos no futuro e que se demonstra mais vital e necessário do que nunca.

1. Surma - Antwerpen


A jovem Débora Umbelino, mais conhecida por Surma, deu os seus primeiros passos a sério nestas andanças há apenas um par de anos, com o lançamento do single “Maasai”, e desde então tem feito por reivindicar o seu destaque por direito na cena musical nacional, reivindicação essa que ganhou outro argumento de peso com o lançamento do álbum de estreia Antwerpen. Surma é uma aventureira sonora, a entrar em demandas espaciais e agridoces que passam por vários géneros musicais. Ela é pop, é electrónica noisy, é post-rock, é o que lhe dá na real gana, e é essa mesma gana que culmina numa identidade própria peculiar como poucas no panorama nacional. Com músicas como “Plass”, “Hemma” e “Voyager”, o ouvinte consegue captar o imaginário devaneador e contemplativo que Surma lhe transmite através das suas experimentações e da sua voz gentilmente áspera. Esperemos ansiosamente o próximo capítulo desse imaginário.

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Vem aí novo disco dos Titus Andronicus


Os Titus Andronicus regressam às edições no mês de março com o lançamento de A Productive Cough, o quinto disco da banda de Patrick Stickles que sucede The Most Lamentable Tragedy, a "ópera rock" editada em julho de 2015. "Number One (In New York)" é o tema de avanço do disco, uma balada épica de 8 minutos que poderão encontrar em baixo acompanhada por um excerto daquele que será um filme documentário de 60 minutos.

A Productive Cough sai dia 2 de março via Merge.





A Productive Cough

Number One (In New York)
Real Talk
Above the Bodega (Local Business)
Crass Tattoo
(I'm) Like a Rolling Stone
Home Alone
Mass Transit Madness (Goin' Loco')


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Primeiros nomes do Sonic Blast Moledo


O festival Sonic Blast Moledo anunciou os primeiros nomes das bandas que vão atuar no festival que decorre no concelho de Caminha, com os alemães Kadavar, os americanos Nebula, os ingleses Conan e os gregos Naxatras a fazerem parte da primeira fornada de nomes.

Depois de terem cancelado o concerto do ano passado por motivos familiares, Kadavar regressa assim a Portugal para apresentar o seu mais recente trabalho Rough Times.


Os Nebula formaram-se em 1997 depois de Eddie Glass e Ruben Romero terem abandonado os Fu Manchu. Estavam em hiatus desde 2010, contudo regressaram no ano passado aos concertos.


Depois de terem estado em 2016 no festival SWR Barroselas, os gigantescos Conan regressam a Portugal para transformar o recinto minhoto num autentico campo de batalha. Leiam aqui a critica de Revengeance que saiu no não tão distante ano de 2016.


Naxatas fazem a sua estreia em Portugal naquele que promete ser um dos melhores e mais psicadélicos concertos da presente edição.


Os bilhetes já se encontram disponíveis através da Bilheteira Online, Lojas FNAC, Worten e CTT, com o passe geral a um preço de 40€ até 28 de fevereiro, os bilhetes diários para já são 35€.

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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Vox Low lançam disco de estreia em fevereiro. Apresentam novo vídeo


Depois da edição de incontáveis EP's os franceses Vox Low decidiram-se finalmente a ingressar pelos caminhos dos trabalhos longa-duração, anunciando no passado ano o seu disco de estreia, que chegará às prateleiras no próximo mês pela francesa Born Bad Rrecords. Para quem não sabe Vox Low é o projeto dos dois instrumentistas Benoit Raymond e Jean Christophe Coudrec que fizeram parte do grupo francês Think Twice  formado há cerca de dois anos atrás (2015) - onde os dois misturam e expressam as suas principais influências do post-punk à coldwave, psychedelic, garage e strong electronica, alimentada por sintetizadores antigos, grandes linhas de baixo e vozes fantasmas.

Como primeiro avanço deste trabalho​ a banda mostrou hoje (quarta-feira, 3 de janeiro) o já conhecido tema "Now We're Ready To Spend" que segue abaixo com direito a trabalho audiovisual. Este novo álbum de estreia homónimo dará sucessão aos EP's Trapped On The Moon (2016) e Loving Hell (2016).

Vox Low tem data de lançamento prevista para 2 de fevereiro pelo selo Born Bad Records



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terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Giant Gutter From Outer Space têm novo single, "Charred"


Os Giant Gutter From Outer Space começaram o ano a partilhar nova música com "charred" - a dar seguimento ao recentemente lançado "encoded" - e a trazer mais uma amostra daquilo que se puderá esperar de Charred Memories, o quinto trabalho de estúdio da dupla que une Hernan Oliveira e Johnny Rosa. Este novo trabalho vem dar sucessão ao longa duração black bile (2016) e "charred" vem afirmar a banda nos campos do math-rock em fusão com a electrónica. Podem ouvir o tema na íntegra abaixo.

Charred Memories tem data de lançamento prevista para 1 de fevereiro pelo selo Sinewave Net Label (Brasil), Terranean Recordings (Finlândia), HNM Records (UK) e MuteAnt Sounds Records (US).



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