terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

[Review] Summoning - With Doom We Come

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With Doom We Come // Napalm Records // janeiro de 2018
7.5/10

Há mais de duas décadas atrás e, sob o olhar desaprovador dos fundadores do género, os austríacos Summoning conseguiram praticamente criar um novo sub-género dentro do black metal com o lançamento do seu segundo disco, Minas Morgul. Desde aí, o duo constituído por Protector e Silenius tem refinado a sua fórmula a cada obra, mas com a base a manter-se praticamente inalterada: peças maioritariamente longas, produção lo fi, vocais maioritariamente ríspidos, teclados épicos (e por vezes cheesy), riffs melódicos, e uma drum machine com um ritmo quase militar.

Embora cada um dos seus álbuns anteriores tenha uma identidade própria, devido maioritariamente ao nível de protagonismo dado às guitarras e aos teclados na produção, em With Doom We Come temos uma continuação da sonoridade explorada no seu antecessor, Old Mornings Dawn, o que acaba por não surpreender pois a maioria das composições aqui incluídas tiveram origem nas sessões deste último. Os teclados voltam a ter maior destaque, com a guitarra a servir mais como suporte, mas um dos pontos fracos do disco acaba por ser a sua produção, principalmente pelo desequilíbrio na mistura destes dois instrumentos, e levando a que a parede de som criada nunca tenha a textura sublime que encontramos nas suas obras anteriores.


Maioritariamente com base nas obras de J. R. R. Tolkien, as composições transmitem um ambiente mais soturno e primordial em comparação com a sonoridade triunfante de discos como Stronghold ou Let Mortal Heroes Sing Your Fame. A primeira faixa, "Tar-Calion", nunca chega a construir uma dinâmica apropriada e acaba por não justificar a sua longa duração, em muito devido à menor presença da guitarra e à fraca produção. Imediatamente a seguir, "Silvertine" corrige este erro com teclados bem apoiados por riffs em tremolo, juntando-se a voz distorcida de Silenius e uma excelente melodia de piano, que facilmente nos transportam para a Terra Média. O miolo do disco acaba por conter os temas mais medíocres que nunca derivam o suficiente da fórmula típica da banda para terem um impacto notório, destacando-se ainda assim o poderoso riff central de "Carcharoth".

"Night Fell Behind" dá início à fantástica reta final do álbum, com os seus vocais tenebrosos e dando novamente maior destaque à guitarra, sendo seguida de "Mirklands", tema com ambiente mais soturno e uma construção bastante lenta bem sustentada pelos seus teclados. Para terminar com chave de ouro, "With Doom I Come", o single e primeira canção revelada do álbum, contém um pouco de todos os ingredientes já utilizados pela banda na sua história, como um coro e uma voz feminina, algo já habitual no fecho dos seus álbuns. As vozes ficam a cargo de Protector, apresentando-se limpas e suaves (tal como em "Earthshine" do disco anterior), e servindo para dar ainda mais ênfase ao sentimento de melancolia que percorre todo o álbum.

Ainda que a produção seja defeituosa em certos momentos e que a solidez de algumas composições fique um pouco aquém daquilo que a banda já demonstrou ser capaz, With Doom We Come consegue saciar a sede dos fãs do grupo após cinco anos de espera com uma boa dose de temas robustos que poderiam perfeitamente ser inseridos na banda sonora da trilogia O Senhor dos Anéis, realizada por Peter Jackson.

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