domingo, 25 de fevereiro de 2018

O inferno ao virar da esquina: o regresso de Tricky em dose dupla em Portugal

Sebastian Pielles 
Tricky escusa apresentações. O seu percurso como figura crucial do panorama musical alternativo sente-se desde o final da década de 80, por alturas do coletivo de músicos e DJs local The Wild Bunch, que viria a ser a génese dos Massive Attack. Podemos ouvir a sua voz nos dois primeiros discos da banda, Blue Lines (1991) e Protection (1994), mas foi em 1995 que Tricky se apresentou na sua primeira aventura a solo. Maxinquaye, o primeiro longa-duração do artista de nome Adrian Nicholas Matthews Thaws, marcou-o como um dos artistas mais curiosos e visionários, transcendendo os rótulos da trip hop que marcaram o período e que Tricky sempre repudiou através de uma mescla imprevisível e diversa de géneros musicais, juntando as batidas e rimas do hip hop aos riffs abrasivos do rock e da música post-punk, sempre com o techno, a ambient e a dub à espreita. 

Ícone andrógeno e queer antes do boom do movimento, Tricky marcou uma geração de artistas pela sua irreverência e pensamento fora da caixa. Com uma carreira extensa e prolífera, Tricky conta com uma variedade enorme de discos de curta e longa duração e um nome infindável de colaborações (Björk, Neneh Cherry, Gravediggaz e Martina Topley-Bird são alguns dos exemplos de maior peso). Em 2017, o produtor e vocalista regressou com ununiform, disco que o junta novamente a Martina Topley-Bird para um tema e que traz de volta as atmosferas enigmáticas e sensuais de Maxinquaye, sem nunca perder a essência exploradora e desafiante do seu autor. 

ununiform servirá assim de pano de apresentação para os concertos em Portugal, que decorrerão nos dias 27 e 28 de fevereiro no Lisboa ao Vivo e Hard Club (Porto), respetivamente, pela mão da promotora portuense At The Rollercoaster. Os ingressos para ambos os eventos possuem o custo de 25 euros e podem ser adquiridos aqui


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