quarta-feira, 28 de março de 2018

Reportagem: CAIO + Jorge Barata [Sabotage Club, Lisboa]


A noite era chuvosa, mas isso não impediu os mais resistentes de se deslocarem até ao Sabotage na passada sexta-feira, 23 de março, para celebrar o lançamento de Mundo Incerto, novo álbum de CAIO, projeto a que João Santos dá voz.

Faltava meia hora para a meia noite quando Jorge Barata subiu sozinho ao palco. O artista veio apresentar Pelo Peito Morre o Jorge, o álbum de estreia que editou no final do ano passado com o selo da Watermelon Records, e que, segundo o próprio, era bom para cortar os pulsos, tal como indica o título. Antes de iniciar o concerto propriamente dito, houve um momento caricato em que Jorge perdeu a sua palheta de vista e pediu ao público se alguém lhe podia emprestar uma. 

Começou o concerto apenas com a voz e um leve bater de palmas, interpretando um tema de José Afonso, “Menino do Bairro Negro”. Pegou depois na guitarra elétrica e interpretou “Será Pedir Muito”, música onde as influências do Bossa Nova são notórias. Como só um tema de José Afonso não basta, atirou-se a “Saudadinha” antes de mergulhar em “Gabriela”, tema cantado em brasileiro. “Peito Sobre o Tejo” levou-nos até ao piano num momento mais intimista. Por fim, Jorge Barata presenteou o público com uma música alentejana sobre traição, “Laurinda”. Foram sensivelmente 30 minutos em que Jorge nos mostrou do que é feito. 

Passavam dez minutos da meia noite quando CAIO subiu ao palco do Sabotage, apenas acompanhado da sua guitarra acústica. Começou a atuação com “Partida” do seu álbum Viagem (2017), sendo acompanhado pelo público, que entoava a letra. Seguiu-se depois o tema que dá nome a este último trabalho. Ao fim de duas músicas juntaram-se a CAIO no palco Jorge Reis, na bateria, e Bernardo Manteigas, no baixo. Agora com a guitarra elétrica nas mãos de CAIO, o trio tocou “Pedrógão”, aproveitando para mostrar a lado mais ruidoso e improvisado, numa espécie de jam“Benedita”, single de apresentação de Mundo Incerto, foi o tema que deu continuidade a esta atitude mais enérgica por parte da banda. 



Foi após terem interpretado “Só mais um adeus”, tema instrumental que apresenta um excelente ritmo percussivo, que CAIO desabafou que não estava habituado a tanto rock. “Vinho” e “Procura” vieram fechar o ciclo de Mundo Incerto. “Chegada” de Viagem, trouxe-nos de novo um CAIO sozinho em palco e veio anunciar o fim do concerto. O artista ainda voltou ao palco para interpretar “M”, com ajuda das back vocals de Chinaskee e Jorge Barata. 

Foi um serão bem passado, com uma casa bem composta. As músicas de CAIO respiram bem ao vivo e as suas letras são simples, mas carregadas de significado, sendo fácil identificarmo-nos com os seres do planeta CAIOEsperamos ver estes dois artistas com tanto potencial mais vezes por aí, nesses festivais de verão que há aos montes.


Fotografia:Filipe Coelho

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