terça-feira, 13 de março de 2018

Reportagem: Super Nova [Ginjal Terrasse, Almada]


No dia 3 de março, além de uma tarde de temporal intenso, foi noite de Super Nova no Ginjal Terrasse. O evento particionado pela Super Bock terminou agora a sua terceira edição, e já tem edição futura marcada no horizonte com Scrúru Fitchádu, Stone Dead e Sunflowers

A noite, como já dissemos, estava de um temporal imenso como já não se via há uns tempos. Com aquela chuva a cair forte antes do concerto, já imaginava na minha cabeça uma menor afluência ao evento. O que acabou por ser completamente errado. Os concertos podem ter atrasado uma hora de acordo com o previsto, mas ao menos a sala já estava bem composta para ver os Whales.





A banda leiriense entrou em palco com tudo, sempre bem-disposta e com energia a comunicar com o público. Aqui apresentaram os temas do seu álbum homónimo de estreia, a sair brevemente no dia 16 de março. Apesar da música dos Whales não me atrair muito, e isso trata-se apenas de um gosto pessoal, há que reconhecer o valor por detrás desta banda da Omnichord Records. Com uma sonoridade a fazer a ponte entre o indie rock e a eletrónica, fazendo mesmo lembrar Foals, o trio apresentou-se em grande forma nesta casa da Margem Sul. Os presentes corresponderam aos pedidos da banda para se aproximarem do palco, e à medida que o concerto foi avançando, o público foi se soltando gradualmente. No fim, já eram muitas as pessoas que davam o seu passo de dança, umas mais outras menos, mas todas graças aos Whales. A banda, que no final agradeceu sentidamente a uma sala completamente cheia, conseguiu concretizar aqui um bom concerto para abrir as festividades desta paragem do Super Nova. Um evento que percorre vários géneros e gostos musicais, o que se iria comprovar a seguir com os 10 000 Russos





O trio portuense entrou pouco depois dos Whales abandonarem o palco. A sala estava agora completamente cheia e aquecida emocionalmente, havia muita boa disposição no ar apesar do tempo lá fora, capaz de entristecer qualquer um dos que se atreveram a ir a Cacilhas naquela noite. O último disco dos 10 000 Russos, Distress Distress, foi editado em abril do ano passado pela lendária Fuzz Club Records. Desde aí percorreram a Europa quase toda em apresentação deste álbum, numa tour que veio dar à Margem Sul, onde a guitarra espacial de Pedro Pestana, o baixo hipnótico de André Couto e os ritmos post-punk da bateria de João Pimenta inundaram rapidamente (e de que maneira) o Ginjal. O público respondeu de maneira diferente ao concerto anterior. Em vez de dançarem, agora foi tempo de fechar os olhos para percorrer o espaço e as estrelas em introspecção. A acompanhar isto estava uma voz banhada de reverb e distorção, a entrar sorrateiramente pelos nossos ouvidos. Músicas como “UsVsUs” do primeiro álbum homónimo dos 10 000 Russos, e “Germinal” de Distress Distress foram algumas dos temas com que eles nos presentearam nesta noite. Mas infelizmente, devido ao atraso em mais de uma hora e ao horário dos transportes, tivemos de abandonar o Super Nova ainda antes de 10 000 Russos acabar. 

Com muita pena mesmo, não conseguimos ver Throes + The Shine esta noite. Vimos noutras ocasiões e sabemos a explosão de energia que eles costumam proporcionar num público. Fica para a próxima, prometemos.


Texto: Tiago Farinha
Fotografia: Gil Simão

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