segunda-feira, 5 de março de 2018

[Review] Eraldo Bernocchi & Chihei Hatakeyama - Solitary Universe


Solitary Universe // Aagoo Records // fevereiro de 2018
8.0/10

Solitary Universe é mais que um disco, Solitary Universe é um livro de fotografias e um CD completo numa parceria que junta o compositor, produtor e guitarrista italiano Eraldo Bernocchi ao guitarrista japonês Chihei Hatakeyama, para cinco músicas que prometem coordenar corpo e mente numa viagem espiritual. Este CD vem acompanhado de um livro unicamente visual, com fotografias da artista e designer gráfica Petulia Mattioli e do músico e fotógrafo Yasushi Miura, cujo  trabalho se baseia no conceito de usar ferramentas facilmente disponíveis, como uma Nintendo DS, iPhone, ou programas de freeware, por exemplo.

Eraldo Bernocchi começou a sua carreira no final dos anos 70 como guitarrista em bandas punk e, em meados dos anos 80, cofundou o projeto de áudio conceptual Sigillum-S (com Paolo Bandera e Luca di Giorgio), que acabou por crescer, como um ato de culto, no panorama artístico internacional. Nos anos 90, juntamente com sua esposa Petulia Mattioli, fundou a Verba Corrige Productions, tendo colaborado com inúmeros artistas. Em 2008 fundou a RareNoise Records com sede em Londres, cidade onde atualmente vive. Chihei Hatakeyama é um artista de som e músico que, além dos trabalhos em nome próprio, fez parte do duo de música eletroacústica Opitope, juntamente com Tomoyoshi Date. Em parceria, Eraldo Bernocchi e Chihei Hatakeyama lançam agora Solitary Universe, uma experiência que transcende o espectro auditivo e que pode ser igualmente apreciada em livro.



Nas cinco faixas que compõem Solitary Universe, uma coisa é certa: este não é um disco com aquela energia propulsante nem um álbum que se oiça facilmente numa altura aleatória. É antes, uma viagem audiovisual que explora certos traços de personalidade - como a paciência - e que conduz o ouvinte a momentos autorreflexivos, mas igualmente relaxantes. Solitary Universe é uma proposta ao confronto entre o lado racional e emotivo e um desafio à procura do equilíbrio entre situações inconstantes. Não há uma grande divergência entre as sonoridades que compõem as faixas, pelo que Solitary Universe é um álbum extremamente equilibrado na sua evolução e nada solitário, no resultado sentido após a sua audição na íntegra. 



Tanto "Waiting", tema de abertura, como "Shapeless Buildings" ou mesmo o tema de encerramento "Unopened Letters" são boas propostas para iniciar a audição deste disco, contando que o objetivo do ouvinte seja o do encontro de uma sonoridade puramente instrumental, de desenvolvimento moroso e essencialmente envolvente. Solitary Universe reúne os três critérios e, numa eletrónica ligeira resultante da gravação do som processado de duas guitarras, mistura os mais variados sentimentos em sons, formas, cores e elementos possíveis de adaptar às mais divergentes realidades.

Solitary Universe é um disco com energias muito positivas que consegue de alguma forma atenuar os efeitos da ansiedade e stress experienciados na sociedade atual. Pessoal do Yoga, este é um disco essencial para a playlist dos exercícios de relaxamento. Para ouvir, sentir e viajar.



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