sábado, 28 de abril de 2018

As noites mais emocionantes do Sabotage Club


O Sabotage Club vai celebrar o seu quinto aniversário como uma das salas de concertos mais relevantes de Lisboa e que mais contribuíram para a passagem de bandas internacionais pelo nosso país. É também um espaço que sabe muito bem acolher as melhores bandas nacionais, tanto as mais novas, que apenas editaram um álbum/EP ou lançaram algumas músicas no Bandcamp, como as bandas mais experientes, que despertam sempre uma nostalgia no público dito mais velho, como são exemplos os Mão Morta e Pop Dell’Arte. Foram 5 anos que passaram a correr, e nós, como espectadores assíduos, decidimos coleccionar alguns dos momentos que mais nos marcaram neste clube lisboeta.

Messer Chups

Messer Chups + The Japanese Girl [Sabotage Club, Lisboa]

Curiosamente, um dos melhores concertos que vi nesta casa foi também inserido no cartaz de um aniversário do Sabotage, mais propriamente em 2016. Os Messer Chups vieram na altura inseridos na tour europeia de Spooky Hook, tendo ainda passado por Porto e Faro além desta paragem em Lisboa. Acompanhados por um filme com zombies e raparigas nuas projectado na parede, os Messer Chups tocaram algumas das músicas dos seus dois últimos álbuns, Spooky Hook e The Incredible Crocotiger, ambos editados em 2015. Esta festa de aniversário atingiu o auge neste concerto, numa noite que ainda contou com a abertura dos portuenses The Japanese Girl antes. O público mais solto juntava-se à frente do palco para dar uns bons passos de dança, alguns já com uns copos em cima, o que é completamente recomendado e compreensível. Faz tudo parte de uma festa normal nesta casa do Cais, que tão bem nos tem tratado nos seus 5 anos de existência. Foi neste ambiente enérgico que o concerto rumou ao fim. A banda multinacional ainda tocou "Magnet", do álbum The Incredible Crocotiger, onde houve espaço para um pequeno moshpit. E depois de um encore que sucedeu devido aos pedidos do público, os Messer Chups encerraram aqui mais um excelente concerto no Sabotage Club.

Tiago Farinha

King Khan & BBQ Show


Já perdi a conta dos concertos que vi no Sabotage Club, e na verdade foi difícil escolher os meus concertos favoritos neste espaço. Mas um deles sem dúvida nenhuma, foi o último concerto dos King Khan & BBQ Show em Lisboa. Foi há mais de um ano que King Khan e Mark Sultan entraram em palco, com as suas típicas fantasias bondage, para dar começo a uma noite de puro rock n’roll. O ambiente era de festa e a banda ia respondendo na melhor maneira. Nos intervalos das músicas, os dois membros de King Khan & BBQ Show iam conversando com os presentes, sempre simpáticos e com muito bom humor à mistura. Os presentes dançavam, e o Sabotage ia ao rubro quando King Khan se aventurava pelo público, a tocar na sua guitarra com toda a dedicação possível. A banda passou um pouco por toda a sua discografia, tocando músicas como “Love You So” e “I’ll Be Loving You”. Havendo espaço ainda para um cover de Johnny Thunders, “You Can’t Put Your Arms Around a Memory”, em tributo a um amigo da banda que falecera. No final do concerto, depois de um encore encorajado pelo público, a banda americana abandonou o palco decerto felizes pela festa ali realizada. 

Tiago Farinha


Emma Ruth Rundle


O Sabotage Club é sempre associado ao rock n’ roll e não é à toa que nestes cincos anos atuaram lá as bandas mais ruidosas e entusiasmantes do rock. No entanto, há alturas em que a eletricidade é vencida pela acalmia e introspeção do acústico. Falando dos melhores momentos que passei neste clube do Cais do Sodré, recuemos até abril de 2017, quando Emma Ruth Rundle visitou a sala lisboeta para apresentar Marked for Death (2016) e Some Heavy Oceans (2014), tendo também passado pelo Porto e Vila Real. Completamente sozinha em palco, proporcionou-nos ao longo de uma hora momentos prazerosos nos domínios da folk e do etéreo, sendo inevitáveis as comparações com Chelsea Wolfe. Numa sala completamente lotada, o público soube estar em silêncio (algo raro nos dias que correm) e isso ajudou a que se ouvisse a sua voz perfeita. Delicada, tímida, mas muito simpática, Emma encheu os corações de quem se deslocou ao Sabotage nessa noite.

Rui Gameiro

Rolando Bruno

Threshold Magazine - "O Melhor 13 de maio do país"

Vou ao Sabotage Club esporadicamente, porque não sou de Lisboa, mas nenhum concerto me marcou tanto como aquela aparição do Rolando Bruno no dia 13 de maio de 2017, quando Portugal se fez grande, num dia de festejos um pouco por todo o país. Essa foi uma daquelas noites de coração ao peito e, na altura, aconteceu do voo do Rolando Bruno se ter atrasado por causa do mau tempo, pelo que, até à hora da sua entrada pela porta principal foi aquele momento do “será que vai mesmo acontecer?” E aconteceu! Mesmo em cima da hora e num soundcheck de cinco minutos feito em cima do joelho o Rolando Bruno deu um daqueles concertos que vai ficar para sempre na memória dos que festejaram o futebol, a eurovisão e a vinda do papa dentro do espaço Sabotage Club. Houve comboinhos, danças entre público, grandes risos, abraços e sei lá, ouviram-se muitos aplausos e foi um ambiente de festa com o público altamente pronto para dar tudo e suar até a festa acabar. Para uma pessoa fora da cena musical que é abordada pelo Rolando Bruno, como é o meu caso, foi definitivamente o melhor 13 de maio do país e um dos melhores concertos que lá vi(vi).

Sónia Felizardo

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