domingo, 15 de abril de 2018

Reportagem: Nadah El Shazly [Understage, Porto]


Foi no passado dia 13 de abril que regressamos ao Understage do Rivoli para mais um concerto agenciado pela Lovers & Lollypops, desta feita para a atuação de Nadah El Shazly. A cantautora egípcia subiu ao norte depois de se apresentar em Lisboa, na Zé dos Bois para mostrar o seu primeiro e mais recente disco, Ahwar.

Ex-vocalista punk, agora produtora e compositora, Nadah El Shazly descobriu o gosto pela música electrónica através de pequenas experiências produzidas em casa, sempre com o cunho da música tradicional árabe presente, seja na sua vertente clássica, seja na sua vertente improvisada. Ahwar (“pântano” em árabe) foi produzido ao longo de dois anos de trabalho com o guitarrista líbio Sam Shalabi e o egípcio Maurice Louca, membros dos The Dwarfs of East Agouza ao lado de Alan Bishop. Editado em novembro de 2017, Ahwar trouxe uma amálgama interessante de estilos e sonoridades, uma espécie de híbrido que cruza música tradicional árabe com explorações sónicas que vão do rock ao jazz, sempre com a electrónica e o avant-garde na sua génese.



Sob uma neblina cerrada de tons azulados, Nadah apresentou-se sozinha em palco para um apanhado de canções vulneráveis e harmoniosas. A voz sedutora e frágil de Nadah é profundamente emocional, o tremer da sua voz cantado na sua língua materna a transmitir uma crueza visceral que se amplifica quando complementada pelos coros que ouvimos sair através de samples que vai aplicando ao longo das suas composições.

Em “Koala”, o único tema exclusivamente instrumental de Ahwar, vemos Nadah percorrer os caminhos de uma electrónica progressiva, presente numa secção potente de instrumentos de sopro e padrões bem definidos de guitarra, percursão e sintetizador (este sim tocado ao vivo) a proporcionar uma viagem cósmica pelo jazz mais frenético.


Antes de finalizar o concerto, a artista egípcia proporcionou ainda um momento bem humorado e de maior proximidade com o público, relatando-nos o modo como as companhias aéreas afetam o equipamento dos seus instrumentos, nomeadamente do seu sintetizador que produzia um ruído constante.

Exótica, arrojada e confiante, Nadah manifestou a sua visão imprevisível e entusiasmante através de um set curto e conciso sem grandes explorações e fugas a nível instrumental, mantendo um foco forte na performance vocal que fez jus ao trabalho de estúdio.


Nadal El Shazly [Understage, Porto]


Texto: Filipe Costa
Fotografia: Eduardo Silva

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