quinta-feira, 12 de abril de 2018

[Review] Fresh Flesh Flash - Space Calls


Space Calls // m-tronic // abril de 2018
7.0/10

Fresh Flesh Flash é o novo projeto de Herwig Holzmann (Photophob) que apresenta uma sonoridade que transporta os ouvintes aos saudosos anos 80, através do recurso aos sons analógicos e retro futuristas que tão em voga têm sido colocados atualmente por artistas como Carpenter Brut, Perturbator ou Dan Terminus para citar alguns. O artista regressa agora aos discos com o muito aguardado Space Calls do qual já estão disponíveis para escuta 8 singles de um total de 17 canções que compõem este novo trabalho. Se são fãs de sonoridades eletrónicas com influências de géneros como synthwave, future funk, retrowave ou vaporwave este Space Calls é uma boa viagem a diversos submundos eletrónicos, como aliás já é habitual do artista. 

Space Calls é editado na próxima terça-feira (17 de abril) e traz o selo da francesa m-tronic, uma das grandes referências dentro do panorama underground da música eletrónica. Para quem já segue o trabalho da label, saiu o ano passado uma compilação dos artistas da editora, intitulada Table Of Elements Vol. 4.0, onde foi apresentado o tema "For The Rest Of My Life", que já mostrava a abordagem eletrónica de Fresh Flesh Flash com recurso a samples e sonoridades que vão desde aquelas que se ouvem no Boiler Room às que só os colecionadores muito afincados de música possuem nas prateleiras. Neste Space Calls, contudo, a abordagem é muito mais retro e inspirada na comunicação, sendo que vai buscar influência às sonoridades darkwave, de minimalismos estéticos e que conferem arranjos muito interessantes ao longo das faixas. 



Apesar de composto por 17 faixas isso não faz de Space Calls um disco extremamente longo. São cerca de 42 minutos de experimentalismos nos sintetizadores em conjugação com samples (a base dos cinco temas bónus para quem comprar o disco) que, se forem projetados para as pistas de dança underground, serão certamente um sucesso. Faixas como "Flight Stimulation" - a fazer lembrar uma conjugação entre os nomes da coldwave e minimal wave com os grandes velhos da retrowave como o já referido Perturbator, Ghost e, mais recentemente, Hollywood Burns (numa abordagem mais clássica) - "Welcome To Pinkerton's Port" – a juntar a eletrónica monocromática aos sintetizadores etéreos – ou até mesmo os 48 segundos de "Eat Galacticorn" são boas escolhas para iniciar a reprodução deste disco. Para fãs de MGMT, "Hover Ride" será certamente do agrado. 



Space Calls é, em suma, um disco de fácil audição, repleto de samples interessantes e sintetizadores ora fofinhos e amigáveis, ora ritmados e de dança obrigatória. Contudo, além das tendências à repetição - que acabam por se tornar aborrecidas em algumas faixas como é o caso de "Waltzing Around In Space"-, este também é um disco que se perde um bocado em termos de coerência, havendo alguns temas dispensáveis. Agora para quem procura por uma viagem nostálgica aos anos 80, sem espírito crítico assim só para entreter, valerá certamente a pena ouvir este Space Calls.



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