domingo, 22 de abril de 2018

[Review] VOWWS - Under The World


Under The World // Weyrd Son Records // abril de 2018
8.0/10

Os VOWWS regressaram este ano aos discos com Under The World, o seu segundo disco de estúdio que chega às prateleiras, três anos depois do bastante aclamado The Great Sun (2015), com o selo belga Weyrd Son Records. Apesar de editado em abril este novo trabalho já se encontra disponível para audição gratuita na íntegra desde o início do mês de março, mostrando uma evolução muito interessante na sonoridade da banda que, até então, abordava músicas sombrias de toada death-pop. Envolto em camadas sujas e oscilantes da música eletrónica este trabalho apresenta tonalidades cinematográficas e acima de tudo um conteúdo muito sensacionalista, tão depressa dramático como contemplativo e libertador. 

A dupla australiana, composta por MATT e RIZ, encontra-se atualmente sediada em Los Angeles e, na composição deste Under The World (gravado no estúdio privado do engenheiro Kevin S. McMahon, em Nova Iorque) integra elementos de diversos géneros musicais que, no seu todo, apresentam uma sonoplastia facilmente assimilável. A evolução entre o primeiro disco e este é notória essencialmente ao nível da voz de MATT que surge neste registo mais limpa e com menos recurso à distorção. Este novo disco apresenta ainda um nível de produção com um rigor acima do primeiro e, as permutações entre os diversos géneros que os VOWWS integram soam a frescas e diferentes do que se costuma ouvir dentro dos ramos da dark-pop, coldwave, new-wave, synth-pop e até mesmo música industrial - alguns dos genéros que aportam na sua eletrónica base. 




Se já no disco de estreia os VOWWS se tinham destacado pela abordagem inovadora dentro dos ramos da chamada dark-pop, neste Under The World apadrinham uma aura ora poderosa e de ritmos rápidos (como é o caso dos temas "You Never Knew" e "ESSEFF"), ora nostálgica e de ritmos ligeiros (apresentada em temas como "Burn" e "Game") que é sobreposta em camadas sintetizadas e muito inteligentes. Outro tema que merece destaque neste Under The World é "Agents Of Harmony", tema que inicia dentro das sonoridades características dos VOWWS e que, por volta do minuto 01'30, começa a fazer lembrar as paisagens sonoras da art-rock e eletrónica típica dos Django Django, voltando subtilmente à abordagem eletrónica da dupla australiana. Esta subtileza, utilizada na mudança de ritmos e sonoridades, é a característica central da banda e verificada também ao nível da voz. Ambos os timbres de MATT e RIZ são semelhantes e, conjugados entre si, funcionam muito bem. 



Under The World é um disco bastante interessante, pronto para colocar as pistas de dança ao rubro e mais um trabalho de excelência na ainda pequenina discografia dos VOWWS. Além dos já referidos temas, não tem como não mencionar as grandes malhas como "Forget You Finery" - com aquele trago amargo da pop, mas coberto  de uma eletrónica meia Kap Bambino e energética quanto baste – "Structure Of Love"- com influências do post-punk e da synthpop – "Wild Wind" – um dream pop contemplativo de ritmos marcados – e ainda "Inside Out" – com aquele ritmo inicial meio retro wave e lírica completamente cativante. Acima do já mencionado progresso, os VOWWS souberam manter as bases que os tornaram na banda relevante dentro do panorama underground que são e, ainda, satisfazer quaisquer expectativas que eventualmente foram criadas. Under The World é um disco muito bom que merece definitivamente uma audição cuidada e destaque nas edições de 2018.



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