terça-feira, 17 de abril de 2018

[Review] Wyatt E. - Exile To Beyn Neharot


Exile to Beyn Neharot // Shalosh Cult // setembro 2017
8.0/10

Os Wyatt E. são um trio instrumental, oriundo da Bélgica, que além de partilhar elementos de bandas como Deuil, The K. e Leaf House, conjuga elementos do doom / post-rock / drone / down-tempo para criar uma sonoridade que definem como "music for gods". A banda é fortemente influenciada por artefactos culturais que vão desde as pinturas de Jean-Auguste Dominique Ingres ao cinema de Pier Paolo Pasolini. Wyatt E. é o resultado dessas influências artísticas na produção de uma experiência auditiva que promete culminar em seis edições. A primeira, Mount Sinai/Aswan, um LP de duas canções com uma duração aproximada a 27 minutos, saiu em 2015 e veio apresentar uma banda pronta para absorver o ouvinte, quase como um comportamento automático, pela adição de camadas de sons ásperos e polidos numa atmosfera tipicamente obscura. 

Dois anos mais tarde o trio belga regressa com Exile To Beyn Neharot, a segunda das seis edições, que se apresenta com a cover-art do disco anterior, mas espelhada. Segundo a banda, em entrevista à Arctic Drones, a capa do primeiro disco foi feita por um amigo, tendo como base a fantasia do oriental e o mistério por trás disso. Esta temática parece manter-se neste segundo disco e bastam ouvir-se os primeiros minutos de "Nebuchadnezzar II", para se entrar num mundo de efeitos de sintetizados que vão dando lugar a uma percussão ritualística, de aura flutuante. É quase que impossível não ficar hipnotizado com os primeiros cinco minutos desta malha de abertura. 



Neste novo registo os Wyatt E. exploram diversas atmosferas sonoras, sem nunca descurar a coesão e coerência que se pretende num álbum e, em apenas duas canções, constroem uma jornada de aproximadamente quarenta minutos carregada de sensações ao ritmo que o doom requer. Além desta atmosfera de desenvolvimento lento vamos encontrando pequenas influências de outros géneros como é o caso do psych-folk tribal que aparece ali por volta dos sete minutos de "Nebuchadnezzar II", para perto dos onze minutos adquirir as tonalidades mais negras do post-metal ou daquele baixo cativante que abre "Ode to Ishtar" e vai sendo sobreposto por guitarras do prog-rock e, mais tarde, sintetizadores atenuantes. 

Exile To Beyn Neharot mostra uns Wyatt E. a posicionarem-se em campos de bandas como Godspeed You! Black Emperor ou Om, mas a operar em territórios tribais e ritualísticos. Exile To Beyn Neharot pode até ter sido lançado em 2017, mas é definitivamente um disco que apresenta uma música intemporal e acima de tudo futurista. As músicas que o compõem, além de apresentarem uma clara introdução, desenvolvimento e conclusão, sabem conduzir cautelosamente o ouvinte entre ambientes calmos, pesados e imprevisíveis sem causar desconforto ou repulsa. É uma excelente sucessão a Mount Sinai/Aswan e uma completa experiência auditiva.


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