sexta-feira, 11 de maio de 2018

[Review] TWINS - That Which Is Not Said


That Which Is Not Said // 2MR // maio de 2018
9.0/10

Desde 2007 que Matthew Weiner, o produtor norte-americano e co-diretor e diretor dos selos DKA e CGI, respetivamente, tem utilizado o moniker TWINS para os seus trabalhos a solo de música eletrónica, que englobam géneros desde o techno ao house, EBM e ainda algum post-punk (como se notou em 2016 com a edição do Music From The Insider II, pela Clan Destine Records). Embora TWINS - acrónimo para That Which Is Not Said, que dá nome ao seu mais recente LP de estúdio editado no início do mês de maio pela 2MR – funcionasse, no início, como um projeto secundário este é, agora, o projeto principal de Matt Weiner (que também divide palco com Chris Daresta nos Pyramid Club). Matt Weiner explica melhor a génese deste nome em entrevista à Immersive Atlanta
"I came up with that acronym, I guess, because music is about expressing things you can’t say and I’m not always very articulate with my feelings sometimes, so for me it’s the best way to get it out."
That Which Is Not Said chega três anos depois de Nothing Left (2015) e dois depois de Music From The Insider II (2016) e o conceito do disco baseia-se na aprendizagem da aceitação do eu e da realidade de tudo o que vem de fora. Talvez por isso este seja também um disco que mostra novos horizontes na carreira do produtor, além de ser definitivamente a obra-prima na discografia de Matt Weiner sob o moniker TWINS. Influenciado por incontáveis nomes relevantes da época dos anos 80 (sem nunca esquecer de mencionar Kraftwerk), este novo álbum afirma a sinceridade sinistra e auspiciosamente engenhosa de TWINS nos sintetizadores, num total de oito canções que espelham uma eletrónica contemporânea e de elementos muito próprios, conjugada com as influências de bandas revolucionárias dentro dos campos da new-wave, post-punk e algum kraut (Depeche Mode, Bauhaus, Cabaret Voltaire, Agent Side Grinder e Opera Multi Steel são alguns dos nomes que vêm assim à cabeça). 

Mas o melhor deste That Which Is Not Said é mesmo a marca única de Matt Weiner na produção do disco. A trabalhar num estúdio em casa, Weiner seleciona subtis flagelos de som e explora-os de forma ousada, numa eletrónica rítmica e sonicamente expansiva, explorando tão depressa uma darkwave como logo a seguir a posicionar-se em territórios da synth-pop que envolvem a estrutura do kraut-rock, como é o caso de "What We All Sing". E não é só, o primeiro tema de avanço "Glass Breaks Glass", foi definitivamente uma escolha de génio para primeira música no álbum e primeira amostra do disco, ao oferecer uma variedade intrigante de ruído, post-punk e arranjos eletrónicos a lembrar as técnicas dos Suicide, num disco gravado essencialmente de forma improvisada. Ainda antes do disco ser editado tivemos também a oportunidade de ouvir "Taste Of Peppermint" - single cuja letra é inspirada em mudanças na vida pessoal de Weiner - e ainda os synthpop / minimal-wave "Stuck" e "Open Up", que foram mais que suficientes para projetar neste disco, uma das grandes apostas do ano. 



That Which Is Not Said superou as expectativas e é indiscutivelmente o melhor disco de Matt Weiner sob o moniker TWINS. Primeiro, porque é o disco onde há definitivamente uma maior aposta na voz, com diferentes experimentações e tonalidades; segundo, porque Matt Weiner escolheu criteriosamente os oito melhores temas de todas as demos que tinha feito; terceiro, porque usa as suas influências de forma subtil sem nunca as copiar; quarto, porque este disco já rodou umas 20 vezes deste lado e torna-se melhor a cada audição; e quinto, porque este produtor é do caraças e vocês precisam mesmo de o conhecer com este disco. Tudo a clicar no play.



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