quinta-feira, 10 de maio de 2018

[Review] Wiegedood - De Doden Hebben het Goed III


De Doden Hebben het Goed III // Century Media Records // abril de 2018
8.5/10

Ainda que apenas tenham sido formados em 2014, os belgas Wiegedood trazem-nos já o seu terceiro disco, De Doden Hebben het Goed III. Este é o último capítulo de uma trilogia dedicada a um amigo da banda, Florent Pevée (dos Kabul Golf Club), que faleceu em 2013. A temática da morte acaba por permear a identidade do grupo, com Wiegedood a significar síndrome de morte súbita infantil e podendo-se traduzir “De Doden Hebben het Goed” como “os mortos é que estão bem”.


O trio, formado por Levy Seynaeve (vocais, guitarra), Gilles Demolder (guitarra) e Wim Coppers (bateria), faz parte do coletivo Church of Ra, ou não fizessem os seus membros também parte de grupos como os Amenra e os Oathbreaker, já renomeados na cena metal belga. Ainda assim, a sonoridade explorada afasta-se destes outros projetos ao focar-se na vertente mais tradicional do black metal juntamente com umas pitadas de secções atmosféricas. A produção, a cargo de Jack Shirley (Deafheaven, Oathbreaker), destaca-se ao adicionar ainda mais visceralidade às já intensas composições, especialmente através dos vocais ríspidos de Levi Seynaeve que transmitem uma sensação de pavor e desespero, como comprovado na edição de 2015 do Amplifest.
                                   

O disco é novamente composto por quatro temas, que perfazem pouco mais de meia hora, e tem “Prowl” a abrir as hostilidades com um berro arrepiante e riffs bem afiados, mantendo-se esta intensidade e atmosfera tenebrosa ao longo de toda a sua duração. A bateria, repleta de blast beats, brilha na reta final da música ao tornar-se quase claustrofóbica. O ritmo continua bem elevado no início de “Doodskalm” mas esta termina com uma secção mais limpa que demonstra perfeitamente o lado mais atmosférico do grupo e que dá uma tonalidade algo gótica e fúnebre à composição.


Segue-se o tema homónimo do disco e a sua peça central, com 12 minutos de duração. O riff principal inicia a música de forma mais minimalista mas torna-se progressivamente mais hostil, tal como o resto dos instrumentos. A intensidade nunca atinge os níveis das restantes músicas do disco, brilhando aqui os arranjos mais atmosféricos ao conseguirem criar uma aura de perturbação, tal como o vídeo oficial do tema. Embora seja longa, “De Doden Hebben het Goed III” mantém-se sempre fresca através das variações que o riff principal, a bateria e os vocais vão sofrendo, e é provavelmente a música mais forte de toda a trilogia. “Parool” fecha o álbum com uma nova dose de vocais rasgantes, riffs galopantes e blast beats frenéticas.

Apesar de sonicamente semelhante aos dois outros discos da trilogia, De Doden Hebben het Goed III contém o material mais polido da banda, ultrapassando o problema da falta de fulgor de algumas das composições presentes nos anteriores álbuns, e coloca os Wiegedood como um dos nomes jovens mais interessantes da cena black metal atual.


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