terça-feira, 31 de julho de 2018

Reportagem: Animal Hospital + UNITEDSTATESOF + Sal Grosso [Sabotage Club, Lisboa]

Animal Hospital

Numa noite fria de julho (17), daquelas onde o vento nos aborda pelas ruas do Cais do Sodré, fomos até ao Sabotage Club assistir uma noite de música exploratória preparada pela
Rotten \ Fresh, label DIY de Lisboa. No cartaz estevam presentes os projetos nacionais Sal Grosso e UNITEDSTATESOF, sendo que o grande destaque ia para Kevin Micka e o seu projeto a solo, Animal Hospital.

Passavam 15 minutos das 23h quando António M. Silva subiu ao palco com o seu projeto Sal Grosso. O produtor apresentou-nos um set composto por um conjunto de texturas sonoras, que ora percorriam caminhos mais ambientais e minimalistas, ora puxavam pelos graves intensos e ruidosos. Ao todo, foram aproximadamente 35 minutos de uma atuação agradável, mas pouco memorável para os presentes na sala lisboeta. Aguardemos por mais notícias de Sal Grosso, que, ao que parece, irá revelar em breve Lets all just go wild and put our hands in the air a bit, pelas mãos da recém-nascida combustão lenta records


UNITEDSTATESOF

Por volta da meia noite, foi a vez de João Rochinha entrar em cena com o seu projeto UNITEDSTATESOF. Dono de um dos álbuns nacionais mais interessantes a ser editado este ano pela Rotten \ FreshSelections 0, o artista deixou de lado este trabalho e surpreendeu-nos com um set de maior variedade de elementos sonoros que nos concertos a que assistimos anteriormente. Apostando no improviso, construíu um conjunto de paisagens sonoras a partir da sua guitarra, de alguns pedais e um controlador midi. Foi a melhor atuação que vimos até agora de UNITEDTATESOF, sendo bem notória a evolução do artista. 

Faltavam pouco de menos de 10 minutos para a 1h da manhã quando Kevin Micka, técnico de guitarra dos Yo La Tengo, banda que atuou este ano no NOS Alive,  se apresentou no palco do Sabotage. Em Animal Hospital, Micka assume a função de um "engenheiro de som", fundindo elementos eletrónicos com consolas de mistura, amplificadores e unidades de delay, enquanto constrói pacientemente várias camadas de loops formadas pela sons de bateria ao vivo, acordes de guitarra, entre outras melodias. 

Durante a atuação a sua sonoridade oscilou entre as texturas mais ambientais e as mais ruidosas, onde a percussão, resultante de uma pequena caixa metálica com microfones implantados, assumiu completamente o comando. O concerto, que teve uma duração de 45 minutos, apresentou como maior destaque a interpretação do tema "...And Ever", do álbum editado em 2009, Memory, bastante fiel ao reproduzido em estúdio. Em suma, tratou-se de uma confusão sonora estranhamente organizada, bem ritmada para os nossos ouvidos. 

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