Rodellus em entrevista: “Ruílhe é Rock!”

Rodellus em entrevista: “Ruílhe é Rock!”

| Julho 6, 2018 11:13 am

Rodellus em entrevista: “Ruílhe é Rock!”

| Julho 6, 2018 11:13 am
© Joana Rita / Shootsounds



A propósito da quarta edição do festival de música urbana em cenário campestre – o Rodellus – que este ano toma lugar entre os dias 19, 20 e 21 de julho na habitual aldeia de Ruílhe, em Braga, falámos com Jorge Alexandre Dias, uma das figuras maiores por trás da organização desta odisseia no campo. Num total são 22 os artistas e bandas que vão marcar presença em Ruílhe e nós quisémos saber, além da história, principais atrações entre outros assuntos, o que faz do Rodellus um festival tão especial.


A festa minhota mais aguardada do verão está mesmo à mão de semear e se precisam de mais motivos para ingressarem nesta experiência completamente fora de série que é o Rodellus, então esta entrevista é para vocês.

Como e quando é que surgiu a ideia de organizar um festival urbano em meio campestre? E já agora porque é que o decidiram fazer? 

Jorge Dias: A ideia já marinava há algum tempo mas só em 2015 é que decidimos arregaçar as mangas e fazer algo que conseguisse mudar e por a mexer a freguesia. Nascia assim o Rodellus Music Fest, com a duração de um dia e que contou desde logo com 16 projetos musicais. Esta semente cresceu, perdeu o Music Fest, pois é bem mais do que isso, e vai já para a sua 4ª edição. A ideia era trazer a festa ao campo. Sempre bebemos um pouco de vários estilos musicais, estilos que estavam reservados a meios urbanos. A ideia passou por descentralizar estas subculturas de maneira a que se quebre preconceitos para com a ruralidade e felizmente, estamos bastante satisfeitos com os resultados que temos atingido. 

Porquê em Ruílhe? 

Jorge DiasGrande parte da organização é de Ruílhe. O Rodellus é um esforço comunitário para revitalizar a região, gerar ruído suficiente e contribuir direta e indiretamente para o seu desenvolvimento. Não faria sentido em outro lado. 

Entre 2014 e 2015 (ano em que nasceu o Rodellus) Portugal viu um boom nos festivais em Portugal. O Rodellus foi nomeado e ganhou, entretanto, alguns prémios de renome. Olhando em retrospetiva como se conseguiram manter no ativo?

Jorge DiasFazemos o Rodellus com muito gosto e dedicação. Como todos os festivais, passamos por momentos menos bons mas sempre conseguimos dar a volta à situação e com alguma consistência e apresentar cartazes refrescantes. Aguentamos bem as “dores de crescimento” e para já, queremos sempre melhorar e inovar de ano para ano. 



Por quantos elementos é constituída a organização do Rodellus? 

Jorge DiasSomos sensivelmente 20 pessoas na organização mas claro, não o conseguiríamos fazer sem a ajuda da comunidade e de todos os voluntários. O festival torna-se bonito pela partilha e companheirismo que existe em todos os momentos da construção do Rodellus

Quanto tempo que demora o planeamento de um festival como o Rodellus? 

Jorge DiasTentamos que o planeamento seja contínuo. Pretendemos sempre melhorar de ano para ano e isso obriga a que, após o final de uma edição, comecemos desde logo a trabalhar na próxima. Há sempre um período de descanso e de estabilização mas digamos que diminui a intensidade. Queremos sempre elevar a expectativas e julgo que da edição 2017 para esta, em 2018, conseguimos de facto fazê-lo. 

Como é que fazem as escolhas das bandas que irão tocar no campo? Não pode ser assim qualquer uma suponho 😉

Jorge DiasNão, de facto. Ouvimos muita coisa, pesquisamos e tentamos estar atualizados de maneira a não cair no erro de repetir line ups ou de não ter nada disruptivo face a outros cartazes. Acho que aí temos feito um bom trabalho. Nos últimos 4 anos já conseguimos trazer mais de 85 projetos musicais, de várias latitudes geográficas e musicais, sem que a repetição fosse um problema. Julgo que só repetimos duas bandas no total e sempre em anos intercalados. Quando a saudade aperta lá tem de ser. 

Como caracterizam a persona/festivaleiro que vai ao Rodellus? 

Jorge DiasÉ uma pessoa cansada dos conceitos pop up que vão surgindo. Todos os anos temos novos festivais, com os mesmos nomes de sempre, por vezes com valores desproporcionais para a realidade atual. O Rodellus é a antítese disso quer na programação quer na maneira como acolhe as pessoas e até mesmo no preço. É um festival low cost, intimista e comunitário. Nos dias que correm, é quase um luxo encontrar algo com estas características. 

O Rodellus tem a capacidade de acolher quantas pessoas por dia? 

Jorge DiasTemos capacidade para 5000 pessoas mas ainda não as registamos. Estamos a gostar deste nosso registo de “pequeno grande festival” e o crescimento não tem que ser sempre quantitativo. Como te disse, temos que aguentar as dores de crescimento. 

Se eu quiser fazer um festival tão “fora de série” como é o Rodellus quais os principais conselhos que me dão? 

Jorge DiasOra bem; tem que ter um propósito, caso contrário é só mais um evento avulso. Tem que ter várias mensagens subliminares que abordem temas como a sustentabilidade, a inclusividade, a partilha e descentralização. Tem que gerar conversas e criar discussões que vão muito para lá das propostas artísticas. Essas serão o culminar de algo bem mais importante do ponto de vista social caso contrário perde força e importância. Não são conselhos cobertos de verdade absoluta mas é um bom ponto de partida. De resto é mãos à obra e fazer com que as coisas sejam feitas da melhor maneira possível. 

Quais são aquelas bandas deste ano que não dá mesmo para perder? 

Jorge DiasFilho da Mãe no Palco Cunha é um sonho tornado realidade mas, destaco os SLIFT ou Ecstatic Vision como bandas a ter debaixo de olho. Já sabemos que The Cosmic Dead nos vão levar na viagem mas temos tanto mais; Astrodome com álbum novo, Imploding Stars com o poderoso Riverine, os The Cavemen em tour mundial, os Omie Wise que vão surpreender. Até nos pratos temos surpresas com Funkadilla em estreia absoluta numa colaboração mais que provável entre Midnight e Dj Quesadilla, o terror dos dancefloors suados. E ainda faltam tantas outras… Vai ser bom vai. 



Há novidades para a edição de 2018, além do programa musical, que ainda não foram reveladas? (Além de ainda podermos comprar o bilhete geral a 12€ se reunirmos 10 amigos prontos para cultivar o amor à terra) 

Jorge DiasO programa ambiental do festival, os transfers a ligar campismo e recinto e mais uma serie de surpresas que temos a certeza que vão marcar as pessoas. É ficar atento.

Onde é que os festivaleiros do Rodellus podem ficar alojados, além do tradicional campismo que é gratuito? 

Jorge DiasExistem algumas casas particulares que podem ser alugadas pela altura do festival mas julgo que é tarde demais. O pessoal já está cheio de pica há bastante tempo… 

Olhando em retrospetiva para as últimas edições quais foram os momentos mais marcantes deste tão português Rodellus? 

Jorge DiasAo longo destes 4 anos acumulamos vários episódios, vários momentos e até firmamos tradições… A pergunta é difícil porque não existe espaço para todas as histórias mas destaco os Plus Ultra em 2016, com o seu “Soundcheck is for the weak”, os The Vintage Caravan que deixaram tudo e todos de boca aberta com o seu espetáculo, os Los Wilds a trepar o palco deixando todos em sobressalto… Existem mais, muitas mais. Em 2018 iremos ter mais umas quantas de certeza.



Estamos quase a terminar. O que é que tem rodado na vossa playlist ultimamente? 

Jorge DiasYamantaka//Sonic Titan, Mother Engine, The Lazys, GHOUL, Steak, Puta Volcano, Mr. Elevator & The Brain Hotel, Serpent With Feet


Alguma mensagem final para os leitores desta entrevista? 

RodellusRuílhe é Rock! Apareçam e venham conhecer um dos festivais mais bonitos do país!

Os bilhetes para os três dias de festival podem ser adquiridos por 20€ na bilheteira online, aqui, ou então fisicamente nos locais habituais. Todas as informações podem ser encontradas aqui.

Entrevista por: Sónia Felizardo
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