sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Reportagem: The Black Angels + Ron Gallo [Hard Club, Porto]


Foi na passada terça-feira (dia 4 de setembro) que os Black Angels regressaram ao nosso país para um concerto em nome individual no Hard Club (o qual contou com as honras de Ron Gallo e da sua banda a abrir as hostes e com o espetáculo visual de The Mustachio Light Show). Desta vez pela mão da Everything is New, este concerto marca a terceira visita dos Black Angels a terras lusas — a primeira foi na primeira edição do Reverence Valada e a segunda foi na edição do ano passado do NOS Primavera Sound — e a sua primeira vez em sala em Portugal. O percurso da banda de Austin começou em 2004 mas foi em 2006 com o lançamento do LP Passover que eles começaram a ganhar a atenção das massas. Atualmente uma das bandas de culto do movimento Psych Rock, o quinteto lançou no ano passado o LP Death Song, homenageando uma vez mais os Velvet Underground (o nome dos Black Angels deriva do tema “The Black Angel’s Death Song” dos Velvet Underground e o seu logótipo é composto por uma fotografia da Nico).

Como seria de esperar, Black Angels revisitaram alguns dos seus temas clássicos — abriram com a “Bad Vibrations”, tocaram a “Black Grease” e acabaram com a “Young Men Dead” — num concerto que tinha como mote a apresentação de Death Song ao vivo. E Death Song será talvez o trabalho mais político dos Black Angels até à data, tecendo críticas ao capitalismo no tema “Currency” e denunciando as mentiras por detrás das promessas de paz após fazer a guerra em “I’d Kill For Her”. “Comanche Moon” homenageia os conterrâneos 13th Floor Elevators ao mesmo tempo que reflecte sobre os danos causados à comunidade nativa dos EUA. “Half Believing” pode tanto ser um discurso sobre a desconfiança inter-conjugal como também um reflexo sobre a desconfiança no governo, outrora um símbolo-mor da idoneidade e justiça.


Antes deste Death Song, não via nos Black Angels uma banda de statements políticos. Eles sempre reclamaram para si próprios o espaço da paranóia e da incerteza, é certo. Mas até agora, nunca tinham dirigido esses sentimentos para um plano mais palpável. Na cultura nativa norte-americana é costume compor uma canção da morte para ser entoada em alturas de perigo e na hora da própria morte, para encorajar o espírito para as provações e mudanças que se adivinham. Por isso, mais do que uma homenagem aos Velvet Underground, este é um período de mudança para os Black Angels, que sentem o perigo no horizonte. E que perigos são esses? A administração Trump? As guerras sem fim no horizonte? O complexo industrial-militar? Escolham vocês. Todos eles são bem reais. 


The Black Angels + Ron Gallo [Hard Club, Porto]

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