segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Reportagem: A Place To Bury Strangers + Numb.er [Hard Club, Porto]


Na passada sexta-feira, dia 31 de agosto, dirigimo-nos até ao Hard Club para assistir à estreia dos californianos Numb.er por terras lusas e rever os A Place To Bury Strangers, que se apresentavam no país com nova formação. Ambas as bandas traziam na bagagem os mais recentes discos e, os concertos no Porto, agendados para as 22h00, arrancaram sem nenhum atraso registado. 

A subir a palco em formato quinteto, os Numb.er - projeto liderado pelo criativo Jeff Fribourg (fotógrafo, designer e ex-membro dos Froth) - abriram concerto com "Numerical Depression", tema retirado do disco de estreia, Goodbye que chegou às prateleiras este ano pela Felte Records, uma das mais conceituadas editoras dentro dos nomes emergentes da cena post-punk, synthwave e derivados. A abrir de forma admirável q.b. os Numb.er arrancaram do público mais desinibido os primeiros passos de dança assim que fizeram ecoar pela sala "State Lines", um dos temas mais aplaudidos da noite. Prosseguiram com "Father", tema que roubou ao público que não conhecia a banda alguma atenção e que também começou a revelar alguns dos problemas da banda ao vivo para quem já os conhecia em formato estúdio. 


Numb.er

Apesar disso assim que se ouviu "Fear", o primeiro tema de carreira dos Numb.er (que não faz parte do alinhamento deste novo disco), o ambiente de folia e dança estava completamente instaurado na sala. Com "Hate" a fazer-se escutar na sala começavam igualmente a tornar-se notórias as dificuldades de Jeff Fribourg em colocar os sintetizadores afinados no tempo e o retrato de uma banda que ao vivo apresenta uma qualidade inferior à de estúdio. 

A faltarem duas músicas para o fim do concerto, Jeff Fribourg apresentou a banda e trocou de lugar com a baixista para interpretar "We Hide" em plano de foco, numa prestação que se tornou bastante interessante comparativamente aos atos anteriores. Para encerrar, os Numb.er apresentaram "Again", o primeiro single de avanço de Goodbye que lhes garantiu uma prestação ok, mas pouco surpreendente no geral. 


Numb.er [Hard Club, Porto]

Com início marcado para as 23h00, os A Place To Bury Strangers subiram a palco um minuto antes da hora prevista para assoalhar os ouvidos do público com a sua música ruidosa. O trio que conta com Oliver Ackermann (guitarra/vocal), Dion Lunadon (baixo) e mais recentemente com Lia Simone Braswell (bateria), trazia a Portugal Pinned, o novo LP de estúdio que sucede Transfixiation (2015). 

A banda de noise-rock - que se tornou muito aclamada entre a comunidade internacional por mostrar que escavacar guitarras, partir cordas e ensurdecer os ouvidos são das poucas liberdades que a sua existência ainda lhes permite - mostrou no Porto um concerto menos ruidoso e mais contido, mas sempre com aquela aura poderosa e estridente. Para uma sala bastante composta, além dos temas de Pinned os A Place To Bury Strangers foram ainda repescar algumas das malhas de Exploding Head (2009) e Transfixiation (2015), das quais "I Lived My Life to Stand in the Shadow of Your Heart" e "So Far Away" serviram como aperitivo de entrada. 


A Place to Bury Strangers

Num concerto marcado pelo uso constante das luzes strobe, que se tornariam incomodativas a longo prazo, os A Place To Bury Strangers souberam dar um espetáculo muito aplaudido que ganhou um destaque interativo a partir do momento em que Oliver Ackermann salta do palco para o público em direção à cabine de som, conduzindo até ao meio do público a nova maquinaria de som e luz dos A Place To Bury Strangers. No meio do público juntam-se também, discretamente, Dion Lunadon e, mais tarde, a incansável Lia Simone para duas jams onde a distorção e o ruído tiveram maior destaque. Aliás toda a performance de Lia Simone foi um momento incrível de absorver, com uma prestação que não deu tréguas ao cansaço.


A Place to Bury Strangers

A despedirem-se do público com "Situations Changes", os A Place To Bury Strangers abandonaram palco pelas 00h10 sem direito a retorno. Curto mas bom.


A Place To Bury Strangers [Hard Club, Porto]

Texto: Sónia Felizardo
Fotografia: Francisca Campos

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