sábado, 3 de fevereiro de 2018

Oiçam: I Feel Fine




Os I Feel Fine são uma banda de indie/punk natural de Brighton, Reino Unido, cujo single de estreia se encontra agora disponível. "Everyday Safari" é um tema rico em instrumentais dinâmicos e vozes agoniantes tipicamente emo. Influenciados por bandas como Crash of Rhinos, Sport e The Hotelier, os I Feel Fine misturam na sua música a fúria do punk com linhas de guitarra de cariz melódico e emocional.

Formados em 2015 por um grupo de quatro amigos, os I Feel Fine assinaram recentemente pela Failure By Design Records, e preparam-se para lançar o primeiro longa-duração Long Distance Celebration nos próximos meses.


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STREAM: RLGNS - CDC02


Os RLGNS editaram no passado mês de janeiro um novo EP de duas faixas que contaram  com gravação de André Isidro da Duck Tape Melodies e masterização de Iuri Landolt (EGBO), que já tinha colaborado anteriormente em CDC01. As duas faixas que integram o EP, "Ukiyo" e "Judy Barton", estão disponíveis para download gratuito.

O trio lisboeta, que reúne ex-elementos dos Treehouses 2290, é formado por Medley, Escumalha e Débora e, esta segunda parte da série de singles que têm lançado, volta a afirmar a banda como uma das mais promissoras na cena electrónica nacional. "Ukiyo" conduz-nos a um cenário dreampop de batidas soft, enquanto que "Judy Barton" constrói um ambiente de ficção científica em samples, numa eletrónica espacial.

CDC02 foi editado oficialmente a 25 de janeiro.



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AUTOBAHN têm novo single, "The World Around You Is Fractured Somehow"


Os Autobahn lançaram recentemente o seu segundo disco de estúdio, The Moral Crossing (2017), o qual tem servido de bilhete de apresentação por vários países. Portugal não ficou de fora e em maio a banda passará por Leiria, onde atua na terceira edição do festival MONITOR. Os Autobahn voltam a ser agora novo pano para notícia, ao lançar o novo single "The World Around You Is Fractured Somehow" - que foi apresentado em janeiro durante o NTS Radio Show de Zane Landreth, em Los Angeles, em promoção das influências e dos artistas da label Felte.

Em "The World Around You Is Fractured Somehow" os Autobahn voltam a explorar a sua veia mais synth-pop, tal como fizeram em temas como "Future", e apresentam um tema de melodias essencialmente alegres, a ouvir abaixo.

"The World Around You Is Fractured Somehow" é editado oficialemente hoje (sábado, 3 de fevereiro). A banda estreia-se em Portugal a 26 de maio.


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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Lost System anunciam disco de estreia, Left Behind


Os Lost System lançaram em 2016 o seu EP de estreia, No Meaning No Culture, que surgiu como um  dos EP's mais marcantes desse ano, na cena post-punk underground. As suas músicas, compostas por ritmos energéticos, dinâmicos e escuros, mostraram-se liricamente inspiradas pelas muitas frustrações do mundo que vivemos na atualidade e tornaram os Lost System numa das bandas mais promissoras dos próximos tempos. 


Cerca de dois anos depois, o quarteto norte-americano regressa às edições com o longa duração de estreia Left Behind. O anúncio foi oficialmente dado pela banda, esta sexta-feira  (2 de fevereiro) através da sua página no Facebook. Até ao momento não foi divulgada nenhuma faixa nem pormenores adicionais, além da capa do álbum, disponível abaixo.


Left Behind é esperado ser editado no verão pelo selo Neck Chop Records.

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STREAM: The Soft Moon - Criminal


The Soft Moon, o projeto a solo do instrumentista Luis Vasquez, editou esta sexta-feira (02/02/2018), o seu quarto disco de estúdio, Criminal que segundo o músico se trata de uma tentativa desesperada de encontrar alívio ao confessar os seus erros e culpar os outros pelas faltas que o afetaram na formação da personalidade. Criminal marca igualmente uma nova fase na carreira do produtor com um maior foco à auto-exploração, artisticamente e emocionalmente. 

Do disco já tinham sido divulgado os singles "Burn" e "Choke" e Criminal pode agora ouvir-se em escuta integral abaixo. Além dos referidos recomenda-se ainda a audição de faixas como "Like A Father", "The Pain", "ILL" e "Born Into This".

Criminal foi editado oficialmente hoje (2 de fevereiro), pelo selo Sacred Bones Records.



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Soft Grid passam por Portugal para cinco concertos

Sara Perovic

Dia 6 de fevereiro marca o arranque da mini-tour de estreia dos alemães Soft Grid em solo nacional. A banda vai estar em Portugal para cinco concertos nas cidades de Coimbra, Aveiro, Porto, Lisboa e Barreiro. O trio composto por Theresa, Jana e Christian traz-nos formas musicais que não cabem numa só caixa e serão apresentadas através do último e mais recente disco, Corolla (2016). 

Ao contrário de muitos outros grupos, que têm um som e uma direção predeterminados, os Soft Grid nasceram de uma abordagem descontraída, sem expectativas que resulta numa sonoridade altamente energética, através da mistura experimental do kraut com a synthwave pesada. 

As datas da mini-tour em Portugal e informações adicionais seguem abaixo.


SOFT GRID PORTUGAL TOUR DATES

06 de fevereiro - O Teatrão, Coimbra | 22h00 | Bilhetes: 5€
07 de fevereiro - Mercado Negro, Aveiro | 22h00 | Bilhetes: 5€ (4€ em pré-reserva)
08 de fevereiro - Maus Hábitos, Porto | 22h00 | Bilhetes: 6€ (+ PALMIERS)
09 de fevereiro - Damas, Lisboa
10 de fevereiro - Vitoriana at Penicheiros, Barreiro | 22h30 | Entrada Livre

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Club Souto leva Sunflowers, Le Voyeur e Mooon ao CCOB

Mooon

O Club Souto, uma iniciativa do Souto Rock, está de regresso ao CCOB em Barcelos a 17 de fevereiro para três concertos que contarão com a presença dos portugueses Sunflowers, dos espanhóis Le Voyeur e dos holandeses Mooon, numa noite que pomete ser um desafio intercultural com o rock, kraut e psychedelic como principais ferramentas de comunicação.


As entradas têm um preço de 5€ e os concertos têm início marcado para as 21h30. Todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui.


Sunflowers

Auto-intitulado como o duo mais selvagem e bonito do Porto, o projeto Sunflowers editou em 2016 o disco de estreia The Intergalatctic Guide to Find the Red Cow, depois de dois EP's que provocaram a agitação no meio do punk psicadélico português. Carlos de Jesus (voz e guitarra) e Carolina Brandão (voz e bateria) lançam já este mês o aguardado segundo álbum, Castle Spell. *





Le Voyeur

As coisas que não nascem nem morrem: aparecem quando devem e porque devem fazê-lo. Le Voyeur é a transformação de um projeto prévio numa pele contemporânea. Uma paisagem mística, erótica e apaixonante que se converteu num reflexo de um mundo mecânico e obscuro. Le Voyeur, a banda de Miguel Marcos (antes conhecido como Le Voyeur Méndez) nasce como uma máquina kraut, post-punk, noise e rock. Move-se entre a beleza dramática renascentista - esse ADN segue latente - e a discórdia pós-moderna e quotidiana. *





Moon

Os irmãos Tom & Gijs de Jong (Baixo e Bateria) e o primo Timo van Lierop (Voz e Guitarra) formam os Mooon. Apareceram no inicio de 2013 e um novo e barulhento som nasce na longínqua província chamada Aarle-Rixtel na Holanda. Eles produzem,aquilo que se chama de "Boa Música". *




*info via press-release

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Oiçam: Chevalier de Pas


Simão Reis, mais conhecido pelo seu projecto Chevalier de Pas (nome adoptado do primeiríssimo pseudónimo de Fernando Pessoa), é um promissor talento a dar passos para singrar no panorama musical nacional, já a contar com experiência enquanto membro dos Just the Tip e dos Sid. Com uma predileção pelas sonoridades mais psicadélicas, ele admira e tem como referência para o seu estilo próprio músicos como Jimi HendrixJohn Frusciante (ex-guitarrista dos Red Hot Chili Peppers), Connan Mockasin e AIR.




O seu estilo é uma ode às guitarras e sintetizadores com queda para as vibrações psicadélicas, com espaço para passagens de electrónica, jazz e pop, e do ponto de vista conceptual, as suas músicas revelam uma queda para o storytelling, com as suas letras a abordar temas como amor, sorte, sexo e a vida no geral. Só no ano passado, Chevalier de Pas contou com dois EPs (Naked Knight e Sad Guru) e dois álbuns (Getting Eye e Captain Love and Other Stuff). 




O jovem músico mantém essa rotina de trabalho bastante atarefada, lançando faixas não só do seu projecto a solo (como a que se pode ouvir em cima no vídeo), mas também das suas outras bandas, e planeando ainda outro álbum a solo, de nome Jasmin. Para fãs de projectos como Ariel Pink e John Maus, Chevalier de Pas é um nome a ter em conta.

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STREAM: Vox Low - Vox Low


Depois de uma mão cheia de EP's editados nos últimos anos, os franceses Vox Low regressam agora aos discos com o seu primeiro longa-duração oficial e homónimo. Do disco já havia sido divulgado anteriormente as faixas "Now We're Ready To Spend", "Something is Wrong" e "Trapped on the Moon", que integram a atual setlist dos concertos do quarteto francês ao vivo, e ainda "Rides Alone". O disco é composto por nove faixas que exploram uma série de temas como o ocultismo pop, a paixão do cristo e uma visão sintética do mundo, aí está, o tema sobre o qual o Vox Low é.

Formados Benoit Raymond e Jean Christophe Coudrec em 2015, os Vox Low apresentam-se em formato quarteto ao vivo e a sua música, tradicionalmente eltrónica, com influências do minimal krautrock post-punk é uma delícia para todos os que procuram por novidades. Do disco recomendam-se a audição de temas como "You Are A Slave", "Rides Alone", "We Can't Be Blamed" e "Rejuvenation".

Vox Low é editado hoje (sexta-feira, 2 de fevereiro) pelo selo Born Bad Records.


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STREAM: Minus & MRDolly - Man With a Plan


O produtor portuense Hugo Oliveira, mais conhecido pelo alter-ego Minus & MRDolly, fez na semana passada a sua estreia em formato instrumental pelo mão da Kids Alone Records. Depois de já ter editado o EP Distracções (2012) e o álbum Árvores, Pássaros & Almofadas (2014), para além de um projeto colaborativo com o rapper Logos (do Conjunto Corona) no grupo Ollgoody’s, participou no álbum KSX2016 de KESO e nos três álbuns do Conjunto Corona.

A 26 de Janeiro editou Man With a Plan, álbum que resulta de um estilo de produção reminiscente da golden age do rap nova-iorquino, recordando e recorrendo à técnica de recorte de várias peças, sobretudo, jazz e soul. A tradição do sampling é também embalada pela eletrónica, quando Minus decide adicionar os sintetizadores para criar uma mistura orgânica e progressiva neste disco de dez faixas.

Man With a Plan soa a um refúgio à rotina, um plano de férias por cumprir, delineado faixa-a-faixa. Os instrumentais buscam a imaginação fértil infantil, uma fuga para mundos alternativos. Neste álbum, o ambiente da viagem é sugerido mas a escolha do destino é livre.

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STREAM: Elan Noon - Have a Spirit Filled


Elan Noon é o alter-ego do músico Mittag-Degala, baterista dos canadianos Jons. Oriundo de Victoria, Canadá, Ela Noon presenteia-nos com a sua pop de facetas mais sonhadoras e suaves, trazendo à tona nomes como Mac DeMarco, Unknown Mortal Orchestra, Connan Mockasin, MGMT e Sleep Party People.

Depois dos singles “Blue”, “Could It Be” e “False Idols”, chegou a altura da edição do seu álbum de estreia. Have a Spirit Filled saiu na passada sexta-feira, 26 de janeiro com o selo da Field Mates Records. Podem ouvi-lo aqui na íntegra, aqui mesmo.

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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Cinco Discos, Cinco Críticas #33



Em nova edição do Cinco Discos, Cinco Críticas fazemos uma retrospetiva a 2017 para opinar sobre os trabalhos de Haram بس ربحت, خسرت "When You Have Won, You Have Lost" e Conan Osiris - ADORO BOLOS -, editados em novembro e dezembro, respetivamente, do passado ano. Já com foco em 2018 a seleção inclui No Cross No Crown dos Corrosion of Conformity​, All Melody de Nils Frahm e III de Weedpecker. As críticas aos trabalhos seguem abaixo.

No Cross No Crown // Nuclear Blast // janeiro de 2018
7.3/10

Originários da Carolina do Norte e com a alma sulista a rugir alto desde os anos 80, os veteranos do metal mais lamacento ​Corrosion of Conformity​ regressam aos álbuns com o oitavo registo ​No Cross No Crown. Como parte da velha guarda do sludge/stoner metal, pode-se esperar vibes groovy ​(cortesia da herança cultural sulista, seguramente), potência instrumental que faz ponte entre o metal, blues e punk-hardcore, e graças ao regresso do seu antigo vocalista e guitarrista Pepper Keenan - que também faz parte dos ​Down​, com o ex-Pantera Phil Anselmo - parte da garra que tornou álbuns antigos da banda como ​Deliverance ​ e ​Wiseblood ​em registos consagrados dentro do género. 
Apesar de demonstrar uma flagrante homogeneidade e faixas a mais, fãs da banda e do género certamente apreciarão erupções de intensidade sonora como "Cast the First Stone", "Nothing Left to Say" e "Old Disaster".

Rúben Leite



All Melody // Erased Tapes Records // janeiro de 2018
8.0/10

All Melody é o novo lançamento do alemão Nils Frahm, autor de discos como Felt e Spaces. É um artista que se destaca pelas suas composições ecléticas e modernas, que misturam alguns dos instrumentos mais habituais da música clássica com diferentes sintetizadores eletrónicos. Neste álbum, cria atmosferas minimalistas, quentes e relaxadas com uma grande variedade de sons e texturas, que tornam as composições variadas e interessantes. Há vozes, especialmente bem usadas em "Momentum", dando origem a um som diferente ao que se ouve no resto do álbum, mais sinistro e cinemático, mas também muito bonito. Há órgãos, violinos, uma trompete em "Human Range" e "Fundamental Values", e vários outros instrumentos, alguns em destaque e outros a passarem mais despercebidos, sendo usados para pormenores e detalhes que recompensam audições mais atentivas. 
Este é um dos discos de Frahm em que este mais se afasta da música clássica e dá maior presença aos sons eletrónicos dos sintetizadores. Apesar de All Melody conter várias faixas pouco rítmicas, muito espaçadas, outras colocam os sintetizadores no centro, a criarem sons dançáveis e mais típicos da música eletrónica. Isto acontece, por exemplo, em "All Melody" e na excelente "Kaleidoscope". As diferenças entre faixas não impedem o álbum de ser coerente e uma boa experiência ao ser ouvido como um todo. Pelo contrário, tornam-no mais complexo e mais interessante, fazendo justificar a sua duração de mais de uma hora. Há um par de músicas que podem passar algo despercebidas no meio do disco, mas nem esses momentos são maus. All Melody é um álbum bonito, original e interessante que merece ser ouvido mais que uma vez e explorado com atenção.

Rui Santos





بس ربحت, خسرت "When You Have Won, You Have Lost" // LA VIDA ES UN MUS DISCOS / Toxic State Records  // novembro de 2017 

8.0/10

Os Haram são uma banda nova-iorquina composta por Nader Haram, Mike Gallant, James Stuart e Martin O'Sullivan. Apesar de todos os membros do coletivo terem nacionalidade norte-americana, Nader (o vocalista e mentor da banda) é filho de refugiados libaneses que na década de 1980, fugiram do Líbano e se instalaram em Yonkers. A banda existe desde 2015, ano em que lançaram uma demo. Um ano depois, editaram o EP What Do You See? e em 2017, o When You Have Won, You Have Lost. Desde a génese dos Haram, Nader foi alvo de inquéritos por parte da Joint Terrorist Task Force (uma espécie de super-polícia anti-terrorismo que atua em solo norte-americano) e ainda investigado pelo FBI e pela NYPD por suspeitas deste estar ligado ao ISIS. Todas as suspeitas foram infundadas, e a verdade é que os Haram repudiam qualquer acto de violência física. Ao invés disso, eles espalham a sua mensagem através da violência sonora. 
Desde a lírica (articulada totalmente em árabe) que se conjuga com a instrumentação num cocktail sonoro que oscila entre a rápida combustão e a introspecção, passando pela imagética subversiva – Nader inclusive explica numa entrevista à Circa News que na faixa que ele usa pode ler-se "Não é Terrorista", faixa essa que é normalmente usada pelos terroristas como ferramenta de intimidação – ao nome que a banda assumiu ("Haram" significa "proibido" na língua árabe) todos estes elementos servem para amplificar a mensagem dos Haram. Uma mensagem de coragem – não esquecer que esta banda tem como berço um dos países que mais discrimina imigrantes e descendentes de imigrantes – ceticismo ("What do you see when you look at me? I don’t care" diz Nader numa entrevista à CLRVYNT quando questionado sobre a experiência social de viver um ataque terrorista nos EUA sob a perspectiva de um árabe-americano) mas também de esperança. Esperança porque, acima de tudo, os Haram querem reconfigurar não só a percepção que os ocidentais têm do mundo árabe (nomeadamente em relação aos seus indivíduos e às suas práticas) como também mudar as mentalidades árabes, ao convidar toda uma comunidade à integração nestes círculos de música extrema, afirmando sem medo que ser árabe é também gostar e fazer hardcore punk. Acima de tudo, os Haram querem que ninguém tenha medo de viver a sua vida, sejamos nós pretos, brancos, amarelos, azuis, norte-americanos, árabes ou portugueses.

Edu Silva



ADORO BOLOS // AVNL Records // dezembro de 2017
9.0/10

Encontrávamo-nos próximos do iniciar do ano novo quando nos surgiu do nada a notícia de que Conan Osiris lançara o seu segundo longa-duração. O título sugestivo chamou de imediato a atenção e não foram precisas muitas audições para nos depararmos com aquele que é, seguramente, um dos registos mais refrescantes e insólitos dos últimos tempos no que diz respeito ao circuito musical nacional. ADORO BOLOS, o título do disco em questão, recebe novamente o selo da irreverente AVNL Records, e traz uma abordagem inesperada e surpreendentemente eclética, conjugando nos seus 11 temas estilos tão díspares como música cigana, ritmos dos balcãs, fado, trap, techno e kuduro
Sempre peculiar e diversificado, Conan Osiris faz uso de um jogo de samples inteligente e imprevisível, mas é nas palavras de Osiris que encontramos a verdadeira essência do disco, presente numa lírica aguçada ora abstrata (e até risível – veja-se "BORREGO" e "CELULITITE"), ora sôfrega e comovente ("BARCOS (BARCOS)", "AVE LAGRIMA"). Quando questionado sobre as referências que mais o marcam a nível lírico numa entrevista ao Rimas e Batidas, o produtor apontou apenas "Sr. Extraterrestre" de Carlos Paião, mas podemos encontrar na sua música um pouco de Variações, Amália ou até mesmo Arca
Escrito, gravado, produzido e masterizado por Conan Osiris, ADORO BOLOS é o seu registo mais completo e bem sucedido até à data, superando o excelente MUSICA, NORMAL de 2016 com uma visão futurista e revolucionária, mas sem nunca esquecer as origens e a portugalidade dos temas que o inspiram.

Filipe Costa






III // Stickman Records // janeiro de 2018 
8.0/10

Com um nome como "Weedpecker", não é preciso puxar muito pela imaginação para ter uma ideia de como estes polacos soam quando pegam nos seus instrumentos. Contudo, a sua paixão pelo stoner é banhada por outras influências que tornam a experiencia mais acessível e o som mais interessante, pessoal e característico. 
A banda criada pelos irmãos Piotr e Bartek Dobry nas guitarras e nas vozes, que contam ainda com o baterista Falon, ex-membro dos Belzebong, e com Mroku no baixo, da banda Dopelord, admitem ter como influências não só bandas de stoner atuais, como os Elder (com o qual partilham editora), mas também grupos psicadélicos mais calmos e tranquilos, como Tame Impala ou Morgan Delt
Depois dos álbuns self-titled e de II terem despertado a atenção do público para este conjunto, no seu terceiro longa duração a banda atinge uma maturidade que permite que as suas composições quebrem o rótulo negativo associado ao seu género musical. Seja quando estão a desenhar paisagens cósmicas ou quando estão a esgalhar "fuzzalhadas" incríveis, III é um dos melhores meios de transporte para galáxias distantes deste ano.

Hugo Geada




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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

STREAM: GOLD - Faces I Don't Recall - The Optimist Remixes EP


Os holandeses GOLD lançaram o ano passado o poderoso Optimist e, este ano, regressam às edições com o EP Faces I Don't Recall - The Optimist Remixes que recria as faixas "You Too Must Die" e "White Noise" em remixes assinados por Bestial Mouths e Necro Deathmort, respetivamente. O curta-duração é editado hoje, estando já disponível para audição na íntegra, via Bandcamp. Pode ver-se também um novo vídeo para a faixa "You Too Must Die", disponível abaixo.



Faces I Don't Recall - The Optimist Remixes EP foi editado hoje, 31 de janeiro, pelo selo Oaken Palace Records.


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Spiritual Front anunciam novo disco, Amour Braque


Cinco anos depois da compilação Open Wounds (2013) o trio italiano de pop suicida, Spiritual Front, anunciou hoje (terça-feira, 31 de janeiro) finalmente o seu muito aclamado sucessor Amour Braque. O disco, que virá a ser o sexto na discografia da banda, é conceptualmente descrito como "uma análise sincera e cruel do relacionamento amor/sexo, um caminho que alterna entre ternura e podridão".

Formados em 1999 por Simon Salvatori, a identidade musical única dos Spiritual Front é composta por temas líricos que tratam questões como a procura da auto-identidade, a sexualidade, as duras realidades e as rupturas de relações, cada uma matizada de sarcasmo, niilismo e humor mordaz. Ainda não é conhecido nenhum tema de avanço, mas está já desde o ano passado disponível o teaser da faixa "Children Of The Black Light", disponível abaixo.


Amour Braque tem data de lançamento previsto para 23 de março via Auerbach Tonträger / Prophecy Productions.

Amour Braque Tracklist:

1. Intro/Love's Vision 
2. Tenderness Through Violence 
3. Disaffection 
4. The Abyss Of Heaven 
5. Children Of The Black Light 
6. Pain Is Love 
7. Beauty Of Decay 
8. Devoted To You 
9. This Past Was Only Mine 
10. Battuage 
11. An End Named Hope 
12. The Man I've Become 
13. Vladimir Central

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A Place To Bury Strangers anunciam novo LP, Pinned

© Ebru Yildiz

Os A Place To Bury Strangers vão lançar novo disco em abril com novo line-up face à formação inicial, com Lia Simone Braswell a assumir a bateria, além de contribuir com vozes secundárias no álbum, adicionando um novo elemento ao som da banda. Este novo disco, intitulado de Pinned, vem dar sucessão a Transfixiation (2015) e vê divulgado como primeiro tema de avanço o post-punkish "Never Coming Back", cujo trabalho audiovisual pode ver-se abaixo.

Sobre as novas mudanças o mentor da banda, Oliver Ackermann, avança "As things go on, you don’t want them to be stagnant. Being a band for ten years, it’s hard to keep things moving forward. I see so many bands that have been around and they’re a weaker version of what they used to be. This band is anti-that. We try to push ourselves constantly, with the live shows and the recordings. We always want to get better. You’ve got to dig deep and take chances, and sometimes, I questioned that. It took really breaking through to make it work. I think we did that."


Pinned tem data de lançamento prevista para 13 de abril pelo selo Dead Oceans.


Pinned Tracklist:

1. Never Coming Back 
2. Execution 
3. There’s Only One Of Us 
4. Situations Changes 
5. Too Tough To Kill 
6. Frustrated Operator 
7. Look Me In The Eye 
8. Was It Electric 
9. I Know I’ve Done Bad Things 
10. Act Your Age 
11. Attitude 
12. Keep Moving On

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[Review] Calexico - The Thread That Keeps Us


The Thread that Keeps Us // Epitaph // janeiro de 2018
7.3/10

Criados em 1995 por antigos membros dos Giant Sand de Howe Gelb, em Tucson, Arizona, o ensemble indie-rock Calexico lança pela Epitaph Records o seu décimo álbum, The Thread That Keeps Us, com a sua fórmula patenteada de desert noir, uma categorização que denomina a maneira da banda celebrar o culture clash que tem lugar na fronteira entre os EUA e o país vizinho México. Neste álbum, a banda inspira-se em temas sérios como a tensão entre ambos os países na era da presidência de Trump e questões relativas ao ambiente.

A fórmula musical da banda é um cruzamento improvável alternativo de cariz soalheiro e etéreo - quase a roçar o post-rock - com outras sonoridades da cultura americana, como o Country, o Folk e o Jazz, e das culturas caribenha e latino-americana, como os sons Mariachi, Tejano, e Conjunto, criando uma palete que celebra a diversidade e remonta o ouvinte aos desertos áridos da fronteira entre ambas as nações.

O álbum abre com "End of the World With You", começando com uma guitarra levemente dissonante que é logo acompanhado por uma instrumentação mais virada para o country/folk prazenteiro. "Voices in the Field" mantém esse ambiente, com direito a uns solos de guitarra bem inebtriantes em contraste com as trompas. "Under the Wheels" cruza trompetes mariachi com uma guitarra reggae, sendo uma das faixas mais festivas graças ao ritmo contagiante. 




"The Town and Miss Lorraine" é um ponto baixo do álbum, revelando ser demasiado delicodoce para o seu próprio bem. "Flores y Tamales" é uma interessante demonstração do quão familiar a banda está com a parte latina do seu ADN, até sendo cantada exclusivamente em espanhol. "Another Space" é inesperadamente enérgica, graças a um trabalho de teclados electrizante. "Eyes Wide Awake" é outra faixa que fica aquém, com o excesso de guitarras dissonantes a tornar a experiência mais frouxa. "Dead in the Water" revela o lado mais rock 'n' roll da banda, sendo uma faixa que se destaca devido a uma natureza mais brusca em relação ao resto do alinhamento. 

Também valerá a pena referir os interlúdios instrumentais "Shortboard", "Unconventional Waltz" e "Spinball", que apesar de curtos, dão um certo volume ao alinhamento no geral. A recta final do álbum é composta por "Thrown to the Wild", discutivelmente a faixa com background mais jazzy - talvez devido ao piano a acompanhar - e outra faixa tingida de country-folk "Music Box".

Com este álbum, pode-se seguramente dizer que a banda demonstra uma consistência significativa no que toca a manter o seu estilo distinto dos seus contemporâneos. Infelizmente, isso não implica necessariamente que este álbum esteja ao nível de um Carried to Dust ou de um The Black Light, pecando por ter menos momentos memoráveis em comparação com estes registos. Mesmo assim, The Thread that Keeps Us tem o seu quinhão de momentos que certamente irá de encontro a quem procure algo incomum dentro do género.

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terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Reportagem: Scott Kelly & John Judkins [Understage, Porto]



Scott Kelly apresentou-se em Portugal no fim de semana passado para duas datas a decorrer no Sabotage, em Lisboa, e no Porto para um concerto Understage no Teatro Municipal Rivoli. Acompanhado pelo multi-instrumentalista John Judkins, o vocalista, guitarrista e membro fundador dos Neurosis apresentou em palco alguns dos temas que integram os discos The Wake e The Forgiven Ghost In Me, assim como alguns inéditos que poderão integrar um possível novo registo do norte-americano.

As expectativas para o regresso de Scott Kelly eram notoriamente elevadas e fazia-se cerimónia com sala mais que esgotada no Porto. Já com os dois artistas em palco, o concerto iniciou com “Catholic Blood”, seguindo-se o tema que dá título a The Forgiven Ghost In Me, o último disco de Scott que vê na sua carreira a solo como que um refúgio para os fantasmas do seu interior. É sob esta premissa que Scott nos canta em modo canção as histórias e experiências que assistiu ao longo da sua vida, através de uma partilha honesta e tocante dos sucessos e falhanços, dos amores frustrados e os sentimentos de perda que marcam o seu passado. Folk soturna e sóbria, simples mas de um peso enorme que se distancia do volume das guitarras para se focar nas melodias minimalistas de uma cinematográfica paisagem árida dos desertos  americanos.



Como tem vindo a ser habitual nas suas setlists, Scott Kelly homenageou dois dos grandes poetas e cantautores americanos com duas bonitas interpretações, primeiro com “Cortez The Killer”, de Neil Young, e depois com “Temcuseh Valley” do malogrado Townes Van Zandt, que em 1997 sucumbiu a um ataque cardíaco após uma vida tormentosa assombrada pelo  abusivo consumo de álcool e drogas, mas que deixou um legado importantíssimo na história da música folk e country contemporânea com algumas das mais bonitas obras poéticas americanas, obras essas que viriam a ser homenageadas num disco que juntou Scott Kelly, Wino e Steve Von Till em 2012.



Num cenário solene e de respeito, ouviram-se mais dois temas originais de Scott, que ao longo do concerto não pôde deixar de dar o seu veredicto e agradecer o apoio fantástico tanto do público como da própria organização. 

A sua performance ao lado de John Judkins soube a aconchego da alma, a calor e conforto, e ninguém poderia ter saído mais satisfeito.


Scott Kelly [Understage, Porto]


Texto: Filipe Costa
Fotografia: David Madeira

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