sábado, 3 de março de 2018

Reportagem: Tricky [Hard Club, Porto]


O último dia de fevereiro ficou marcado pela atuação de Tricky na Invicta. Depois da atuação na capital no dia anterior, o autor de "Hell is Round The Corner" subiu ao norte para uma segunda data de apresentação do seu mais recente disco, ununiform, que tem vindo a servir de mote para as suas últimas performances ao vivo. Figura bem conhecida do público português, o artista natural de Bristol, agora residente em Berlim, conta com mais de uma dezena de atuações no nosso país, e a lotação da sala principal do Hard Club é prova viva do fenómeno ”tricky kid”.

Afinal, falamos do autor de um dos mais visionários e aclamados discos da década de 90. Maxinquaye, o disco em questão, viveu de um cruzamento perfeito entre o florescimento do punk e do hip hop numa época em que a britpop reinava, abordando o poder do verso e da rima com melodias dub e a sensualidade rítmica do R&B. No entanto, a carreira de Tricky não vive (nunca poderia) apenas de velhas glórias, e o alinhamento que apresentou é prova disso mesmo. Figura maior da trip hop, Tricky transcende o próprio género (cujo termo sempre repudiou), e a prova disso fez-se através de umm perfromance cujo alinhamento seguiu uma roupagem bem mais rock que o habitual.



Apontado para as 22:00, o concerto começou com um ligeiro atraso, mas nada que impedisse o entusiasmo notório que se sentia na sala. Ao som de “Vybes”, Tricky entrou em palco na companhia da sua banda, a sua silhueta visível por entre a neblina num dançar de ancas delicado, como que um exercício de descontração do artista para com o público. Depois do bruto riff de guitarra de “You Don’t Wanna”, seguiram-se então alguns dos temas que integram o mais recente ununiform como “New Stole” e “The Only Way”, mas foi com o finalizar de “Sundown”, na sua versão gloriosamente extensa (uma norma para a grande maioria dos restantes temas) que se deu o primeiro imprevisto. Uma pausa inesperada fez-nos questionar se o concerto não teria terminado antes de sequer aquecer, mas não foi o caso, felizmente. O “intervalo” levou cerca de 10 minutos, e não viria a ser o único da noite.

Há males que vêm por bem, pois para compensar aquela que seria a segunda pausa da noite seguiu-se o celebrado hit do artista, “Hell Is Round The Corner”, um pequeno mimo para o público portuense já que os da capital não receberam a mesma sorte, mas aqui sem direito à voz de Tricky, deixando apenas Martha (a voz feminina que o acompanhou durante todo o concerto) e o genial sample dos Portishead fazer a magia. Tricky regressaria ao palco logo a seguir para uma versão eletrizante de “Dark Days”, aqui com um tratamento bem mais poderoso e extenso que o seu original.



A caminhar para as duas horas de concerto, e naquele que não podemos confirmar se terá sido um encore ou não, houve ainda espaço para uma intensa versão de “Here My Dear”, com Tricky a orquestrar cada momento em toda a sua extensão.

Houve polémica, houve conflito e, acima de tudo, muita imprevisibilidade por parte de um artista que nunca nos habituou a menos. Houve também momentos menos positivos, de selvajaria mesmo, fosse pelos flashes constantes em plena primeira fila ou pelos insultos pouco elegantes por parte de alguns membros da plateia, mas tudo conviveu num organismo fascinante e enigmático que não poderia ser melhor, e que fez jus às infames performances do artista britânico que, mais uma vez, comprovou a persona única e conflituosa de um artista que nunca soube jogar pelas regras.
  

TRICKY [Hard Club, Porto]

Texto: Filipe Costa 
Fotografia: Francisca Campos

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Jesus the Snake iniciam hoje tour internacional


A banda de Vizela, Jesus the Snake, começa hoje uma tour que os vai levar a percorrer grande parte do território português mas também a viagens além fronteiras. A banda que consiste em Jorge Lopes (guitarra), Gonçalo Palmas (teclas), Rui Silva (baixo) e João Costa (bateria) lançou um EP em novembro do ano passado através da HertzControl Studio.


Na meia hora de duração deste lançamento é possivel ouvir influências de bandas psicadélicas do século passado como Pink Floyd ou The Doors, ou mesmo de conjuntos stoner mais recentes, como Dead Meadow, Samsara Blues Experiment ou All Them Witches. Também é audível a "portugalidade" do som, com destaque para as influências de Black Bombaim, Big Red Panda ou Astrodome. Este EP foi destacado por blogs como El Coyote ou La Habitación 235, colocando-o na lista dos 10 melhores EP's de 2017.



Nas datas de Santarém e do Porto, as bandas vão se fazer acompanhar pela banda de Alcobaça, Fuzzil.

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Último Club Souto acontece a 16 de março no CCOB, Barcelos

 Astrodome

O Club Souto começou em 2015 com pequenos concertos no Café Plátano, na freguesia de Roriz, que também é a sede do festival Souto Rock, organização responsável por este ciclo de concertos. Em 2018, os concertos migram para o centro da cidade de Barcelos, mais especificamente o CCOB tendo sido marcadas três datas, a primeira a 20 de janeiro, a segunda a 17 de fevereiro e a terceira e última etapa, a  decorrer a 16 de março com concertos de Astrodome - em apresentação do mais recente disco de estúdio, II - Gator, The Alligator - o jacaré hiperativo carregado de poderes místicos do fuzz - e Sulfur Giant - conjunto de veteranos do stoner rock em busca da melodia perfeita - para uma despedida poderosa. TUDO A BARCELOS.

Os concertos têm início previsto para as 22h00 e a entrada tem o custo de 5€. Todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui.



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Slowdive cada vez mais perto


Os Slowdive regressam a Portugal já na próxima semana, para data dupla, e com eles volta também a nostalgia do shoegaze e da dream-pop fabricados nos anos 90, que mais tarde influenciaria inúmeras bandas por todo o mundo. É com o homónimo Slowdive (2017) em mote, disco que marca o regresso da banda aos discos 22 anos depois de Pygmalion (1995), que os Slowdive retornam a Portugal, três anos depois da atuação no Vodafone Paredes de Coura, para dois concertos em nome prórpio marcados para 8 de março em Lisboa no LAV (Lisboa ao Vivo) e no dia seguinte, sexta-feira 9 de março, no Hard Club, Porto. 

A banda liderada por Rachel Goswell formou-se em 1989, em Reading, Inglaterra e conta com um total de quatro álbuns de estúdio, duas compilações, entre outros EP's e singles. Além de Slowdive (2017), deverão também ser ouvidos temas como "Crazy For You" de Pygmalion (1995), "Avalyn", "When The Sun Hits" e "Alison" de Souvlaki (1993) e ainda "Catch The Breeze" de Just For a Day (1991). A primeira parte do concerto ficará a cargo dos franceses Dead Sea que apresentam os primeiros temas de carreira.


Outra informação que vale a pena relembrar é a de que não devem fumar no local de concerto dado que Rachel Goswell é asmática. Os horários dos concertos, com o selo de qualidade At The Rollercoaster, estão disponíveis abaixo. Ainda podem comprar bilhetes para o concerto em Lisboa aqui e para o do Porto aqui

Horários dos concertos: 
DEAD SEA - 20H00. 
SLOWDIVE - 21H00.



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sexta-feira, 2 de março de 2018

FERE anunciam lançamento do seu disco de estreia, Montedor



Formados em 2015, os portuenses FERE acabam de anunciar a edição do seu primeiro álbum, Montedor. O colectivo conta com Jaime Manso (baixo), João Pedro Amorim (guitarra), Pedro Alves (baixo) e José Pedro Alves (bateria) nas suas fileiras, nomes já conhecidos da cena nacional de post-rock.

Em 2016, o grupo foi convidado pelo Teatro Experimental do Porto a compor a banda sonora da peça de teatro "Nunca Mates o Mandarim", tendo sido interpretada ao vivo durante as apresentações da peça no Teatro Nacional São João. No ano passado, a banda estreou-se finalmente ao vivo, apresentando composições baseadas no post-rock mas com momentos mais pesados que se aproximam da sonoridade de grupos como Isis ou Sumac.

Montedor tem lançamento marcado para o próximo dia 20 de março pela Raging Planet, tendo sido revelado um teaser do primeiro videoclip, realizado por Gonçalo Delgado,  que podem ver em baixo.

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STREAM: Rose Mercie - Rose Mercie


No ativo desde 2013, as Rose Mercie editam hoje o seu primeiro longa-duração de 2018. Formadas por Charlène, Inès, Louann e Michèle, a química entre estes quatro elementos é incrível e conduz cada canção em um imaginário, cuja doce amargura infunde corpo e espírito. Ao mesmo tempo trata-se de um registo melancólico, emocionante, percussivo, mas também dotado de magníficas harmonias vocais. 

Situado entre The Shangri-Las, The Raincoats, Rosa Yemen, Sleater-Kinney, Josephine Foster ou Marianne Faithfull, o som das Rose Mercie interage substancialmente com várias influências, que resultam neste LP de estreia disponível para escuta abaixo. Recomendam-se a audição de singles como "Les Glycines", "Moyen-Age", "Spring and Fall" e "In The Valley".

Rose Mercie é editado esta sexta-feira (2 de março) pelo selo SDZ Records.


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Un Âne Gonflable - "Miss Lulu" (video) [Threshold Premiere]


Based in Berlin, the indie band Un Âne Gonflable mixes powerful guitars with dancy, syncopated grooves, enriched by a hint of clarinet and today are releasing their debut and self-titled album, as well as a new video for the single "Miss Lulu". Shot by French director Manon Heugel, the story plays in a cardboard cutout world, where people perform the most divergent activities. In this song Un Âne Gonflable tells a story with humor and irony, that could ring a bell to users of apps such as Tinder. 

Besides "Miss Lulu", of Un Âne Gonflable LP had previously been released the single "Stupid Kids", which video was also directed by Manon Heugel. Both "Miss Lulu" and "Stupid Kids" features the first EP of the band as well as "Pingpong Bar" e "Coralie". The video for "Miss Lulu" can be watched below.




Un âne gonflable is out today, march 2nd, in self-released format and you can listen to it in full here.

Un âne gonflable Tracklist:

01. Strawberry Sunday 
02. 12 Hours 
03. Stupid Kids 
04. Pingpong Bar 
05. Miss Lulu 
06. Langueurs du Dimanche 
07. Coralie 
08. Feeling Like Hank Moody 
09. La Presqu'île 
10. Tropiques

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STREAM: The Men - Drift


Os The Men editam hoje Drift, o sétimo disco de originais que vem dar sucessão ao bastante aclamado Devil Music (2016). Este novo trabalho é composto por nove faixas, gravadas em fita de 2'' no Brooklyn’s Serious Business Studios juntamente com Travis Harrison (Guided By Voices). A banda fez uso de uma variedade de instrumentos - sintetizadores, cordas, saxofone, aço, harmónica, tapes - além da habitual guitarra, baixo e bateria.

Do disco já tinha anteriormente sido divulgada a faixa de abertura "Maybe I’m Crazy" e o furioso "Killed Someone". O resto do álbum derruba estradas estranhas e pode ser escutado na íntegra abaixo. Recomendam-se ainda os temas "Secret Light" - uma improvisação inspirada num antigo riff de piano de Perro - "Rose on Top of the World" e "Final Prayer".

Drift é editado esta sexta-feira (2 de março) pelo selo Sacred Bones Records.

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The Raincoats em Portugal para três concertos


Em junho, as The Raincoats apresentam-se em Portugal para três datas imperdíveis. Lideradas pela portuguesa Ana da Silva, as The Raincoats marcaram o panorama independente da década de 70 e 80 com a sua curta mas fulcral discografia, inspirando toda uma geração de artistas que se sucederam, desde Kurt Cobain a Sonic Youth, passando pelo movimento riot girrrl de bandas como  Sleater-Kinney e Bikini Kill.

De regresso e com a formação original (Ana da Silva, Gina Birch e Anne Wood), as Raincoats apresentam-se então em Portugal nos meses de junho e julho para três atuações a começar em Braga, no gnration (dia 29 de junho), seguindo-se Lisboa, na galeria Zé dos Bois (dia 30 de junho, inserido no Festival Rama em Flor), e ainda Coimbra, no Salão Brazil (dia 3 de julho).  

Esta será uma oportunidade única para rever ao vivo alguns dos temas do seminal álbum de estreia homónimo, editado em 1979 e que deu mote a mais uma das edições da coleção "33 1/3", assim como dos seus sucessores Odyshape (1981) Moving (1983), duas maravilhas da pop artística e arrojada que se seguiram ao descalábrio punk da década de 70. 

O evento bracarense irá contar ainda com os portugueses Dear Telephone, que irão apresentar os temas do seu mais recente disco Cut.

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ZON – "Void" feat. John Stanier (video) [Threshold Premiere]


In late 2016 the German band ZON - formed by more than ten years close friends and metalheads Phillip Tielsch (Von Spar) and Mario Katz (Cologne Tape) - released Palace, an intense and sharp-edged instrumental metal set composed by nine songs, and featuring John Stanier from HelmetBattles and Tomahawkon drums.

Now, they are back with a video for the single "Void", included in Palace LP, where they explore the combination between geometric shapes, colors and 3D objects, in an ethereal metal song of two and a half minutes. Honey for your ears. "Void" appears as the first part of a trilogy where film artist Christopher Marquez and ZON are working on. The video for this single can be watched below. Palace LP can be streamed here.



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STREAM: Anna von Hausswolff - Dead Magic


Três anos depois da edição de The Miraculous (2015) a sueca Anna Von Hausswolff regressa agora aos trabalhos de estúdio com Dead Magic, o seu quarto disco de originais e um paradoxo para abrir portas aos distúrbios e à ansiedade. O título do disco incorpora a desorientação, uma sugestão inquietante de que nada pode ser conhecido e que, por escolha do artista, não será mais explicado. O álbum foi composto em 2016 e gravado por Anna Von Hausswolff, banda e Randall Dunn durante nove dias em Copenhaga.

De Dead Magic, já tinham sido divulgadas anteriormente as faixas "The Mysterious Vanishing of Electra" - um som entre os campos musicais de Swans e Diamanda Galás e "The Truth, The Glow, The Fall". O restante disco pode agora escutar-se abaixo.

Dead Magic é editado oficialmente esta sexta-feira (2 de março) pelo selo City Slang. Podem comprar o álbum aqui.


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Tio Rex conta-nos uma mão cheia de tragédias no seu novo disco


Miguel Reis vem de Setúbal e já cá anda há alguns anos. Ora repare: Preaching to a Choir of Friends and Family (2013), 5 Monstros (2014) e Ensaio Sobre a Harmonia (2015). Três trabalhos muito elogiados para o cantautor que se mostra ao mundo como Tio Rex e que se prepara para lançar este mês o seu próximo álbum de estúdio, 5 Tragedies, produzido por Sérgio Miendes e pelo próprio.

"This Is An Intervention" é o primeiro avanço deste disco a editar pela Planalto Records a 18 de Março e trata-se de uma cautionary tale que escrutina a densidade do vício e a qualidade avassaladora com que molda personalidades, hábitos e a forma como nos relacionamos. Podem ouvi-lo aqui.

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quinta-feira, 1 de março de 2018

Iceage anunciam novo álbum, Beyondless

 Photo by Christian Friedländer


Os dinamarqueses Iceage acabam de anunciar a edição do seu quarto disco, Beyondless, que sucede a Plowing Into the Field of Love, editado em 2014. O álbum inclui a anteriormente revelada "Catch It" mas o grupo revelou também outra música, "Pain Killer", que conta com a colaboração da americana Sky Ferreira e que pode ser escutada em baixo.



Por agora ainda não existe data para o regresso da banda a solo português, que atuou pela última vez em Portugal na edição de 2015 do Festival Paredes de Coura. Beyondless será lançado a 4 de maio pela editora Matador e contará com a seguinte artwork e tracklist:



Beyondless tracklist:
1. Hurrah
2. Pain Killer
3. Under the sun
4. The day the music dies
5. Plead the fifth
6. Catch it
7. Thieves like us
8. Take it all
9. Showtime
10. Beyondless

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Selofan lançam novo disco, Vitrioli, em abril


Com 4 álbuns de estúdio aclamados, a dupla de synth-wave de Atenas, Selofan, anuncia agora o lançamento do seu quinto disco de estúdio Vitrioli, esperado para abril. Segundo a nota de imprensa, o som deste novo disco é intenso, inflamatório e, por vezes, angustiante ao tocar nas profundezas da loucura. 

Famosamente provocativos, os Selofan criam  em Vitrioli um reino dramático e despovoado, onde os amantes tristes ingressam numa personagem destrutiva, obsessiva e ambiciosa pelo desejo impulsionado. O novo disco segue ainda sem nenhum single de avanço.

Vitrioli tem data de lançamento prevista para 13 de abril pelo selo Fabrika Records.

Vitrioli Tracklist:

01. Give Me a Reason 
02. Billie Was a Vampire 
03. Black Box 
04. I’m Addicted 
05. Ist Die Liebe Tot? 
06. Un Amor Eterno 
07. The Language Of Love 
08. Living Scandal 
09. Βιτριολι 
10. Φουξια Χαμελαιων 
11. Η Μοναξια ΕΙναι Της Μοδας 
12. Υστερια

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