sábado, 17 de março de 2018

ZDB. Croatian Amor e Khalil em noite Posh Isolation

Abril será um mês especial para os fãs da vanguarda escandinava. A convite da galeria Zé dos Bois, o espaço lisboeta irá receber alguns dos melhores exemplos da qualidade irrevogável da ainda jovem Posh Isolation, prolífica editora norueguesa que ao longo dos seus 3 anos de existência editou mais de 200 edições, dos quais se apontam projetos de nomes como Varg, Puce Mary e Croatian Amor

No dia 7 de abril, o aquário da ZDB será lugar para uma noite dedicada ao melhor da editora, com Croatian Amor, Khalil, Astrid SonneSoho Rezanejad a integrar um cardápio de luxo e imperdível. 

O primeiro é um dos muitos monikers de Loke Rahbek, co-fundador da editora e membro de uma variedade incrédula de projetos (Lust For Youth, Body Sculptures, Sexdrome) que se apresenta novamente em Portugal depois de um belíssimo encontro no claustro da Sé de Viseu, aquando da edição transacta dos Jardins Efémeros.


Khalil é um dos novos reforços da editora escandinava. O trio, composto pela voz de Nikolaj Vonsild (When Saints Go Machine) e pelas produções de Simon Formann e Villads Klint aka Minais B, traz uma proposta entusiasmante e eclética que cruza estilos tão díspares como trap, gltich e R&B. The Water We Drink é o disco de estreia deste novo organismo alienígena e desconcertante que é Khalil, organismo este que poderão comprovar ao vivo e a cores nesta imperdível noite de abril.



Astrid Sonne é mais um dos nomes por descobrir nesta noite. O seu trabalho é puro deleite sensorial, com estilhaços imprevisíveis a surgir em forma de som nas suas composições frias e complexas. Sob a chancela da Escho, Astrid Sonne editou Human Lines, o primeiro longa-duração da artista dinamarquesa.



Soho Rezanejad distancia-se dos demais pela sua abordagem mais synth em relação às suas composições, ainda que seja possível traçar uma linhagem genética. Six Archetypes é o seu mais recente disco editado este ano pela Silicone Records, composto por 14 temas fortemente inspirados pela nostalgia da década de 80, seja pela sua estrutura post-punk ou pelos devaneios de sintetizador que a colocam no altar da nova cena darkwave. Membro mais recente dos Lust For Youth, esta será uma oportunidade rara de a ver a solo por cá.


Em janeiro, a Posh Isolation lançou a sua primeira compilação, I Could Go Anywhere But Again I Go With You, disponível apenas em formato digital e onde podemos encontrar temas destes quatro músicos e produtores. 

O evento decorre dia 7 de abril e os bilhetes encontram-se disponíveis ao preço de 8 euros na Flur Discos, Tabacaria Martins e ZDB.

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I Feel Fine lançam novo single, "Lifer"

© Jennifer Sanson

De Brighton, Reino Unido, surgem novidades da banda de emo/punk I Feel Fine. A banda lançou recentemente um novo single de avanço para o seu novo EP, de seu nome "Lifer", o segundo depois de "Everyday Safari". O EP, intitulado Long Distance Celebration, vai ser lançado oficialmente no dia 4 de maio, e tem Lewis Johns (Gnarwolves, Rolo Tomassi) como produtor e Ryan Schawabe (Hop Along, Sport, Algernon Cadwallader) a cargo da masterização.


"Lifer" demonstra uns I Feel Fine em topo de forma, com as guitarras, apesar de energéticas e melódicas, a denotar uma melancolia inequívoca, que é vincada pelos vocais em coro a denotar desespero à flor da pele, o que é seguramente um presságio demonstrável do que se pode esperar quanto ao EP em si. Podem ouvir o single em questão abaixo:

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sexta-feira, 16 de março de 2018

Supernova em entrevista: "Há falta de mobilidade e as pessoas têm de ser espicaçadas a acordarem um pouco"

© Gil Simão

O Supernova é um festival itinerante que parte do Maus Hábitos, no Porto, para o resto do país em parceria com a Super Bock. A terceira edição deste ciclo de festas ainda agora acabou, e já está em marcha a promoção da próxima explosão estrelar. Esta que vai ocorrer entre 7 de abril e 2 de junho por todo o país, a contar com Scúru Fitchadu, Stone Dead e Sunflowers.

A propósito disto estivemos a falar com Daniel Pires, um dos fundadores do Maus Hábitos e uma das mentes por trás do Supernova, na noite da paragem do evento no Ginjal Terrasse. Leiam aqui a nossa conversa.

Threshold Magazine (TM) - O que vos levou a fazer um evento com um conceito tão diferente e itinerante dos outros que andam por aí?

Daniel Pires (Daniel) - Eu não sei se o conceito é efectivamente tão diferente do que se tenta fazer por aí, que é criar uma rede de casas de música ao vivo. Surgiu do convite de um parceiro comercial nosso, a Super Bock, que pretende ter uma noite onde se promova a ascensão e a difusão de bandas portuguesas de música rock e pop. Acompanham-nos no projecto que nós já temos, que é o trabalho contínuo do Maus Hábitos, criando uma marca nova a nível nacional, ou seja, para não ficar só dentro de portas, mas também sair e construir a tal rede.

TM - Quais foram as diferenças entre fazer um festival ortodoxo (só numa sala) e um festival itinerante?

Daniel - O que a gente propõe fazer são micro-festivais. Não com a mesma intensidade, mas tentando criar os códigos da intensidade do que é a criação de um festival e mantê-lo em circulação.

TM - Acham que o público encara melhor este tipo de iniciativas em que a música vai quase de porta em porta? Trazendo uma oferta mais condensada a sítios diferentes.

Daniel - Eu acho que em determinadas regiões do país, quando nós saímos dos grandes centros urbanos e vamos para as capitais das províncias, isso é absolutamente necessário. Há falta de mobilidade e as pessoas têm de ser espicaçadas a acordarem um pouco para o que se está a passar noutros sítios. Nós tentamos que a rede se desvincule dos grandes eixos e que vá a outras cidades, onde falta este tipo de conteúdos. Portanto, projecta mesmo isso, estruturar uma rede de casas de música ao vivo, de forma a que ela possa ser sustentável, que possa viver por ela própria. É importante também que os parceiros tenham confiança entre eles para poderem programar e para poderem acolher os músicos da melhor maneira possível. 

TM - Ao fim ao cabo é dinamizar mais as salas de concertos.

Daniel - É criar uma rede para a mesma. Rede até no sentido literal da coisa, em que se tu caíres tens possibilidade de sobreviver. Porque tens uma estrutura financeira, ganhas mais, tens mais parceiros. Toda essa estrutura é muito importante.

TM - Como é que são escolhidas as bandas? Na primeira edição apostaram numa maior variedade de nomes e agora apostam em 3 bandas, mas em vários sítios?

Daniel - Essa pergunta relativamente à programação devia ser feita ao Luís Salgado. Parte dele essa construção do cartaz com uma banda grande, uma média e uma pequena. Depende dos sítios, depende até dos estilos. Porquê ser monoteísta, e porque não juntar várias tribos de várias religiões nessas mesmas itinerâncias? Assim tocas para mais pessoas, vais ao público mais rock e ao público mais pop. 

TM - Falando de Lisboa, porquê a razão de terem escolhido o Ginjal aqui na Margem Sul? Dado que o movimento está quase todo do outro lado.

Daniel - Não há muito por onde escolher. Fora os grandes eixos, continuamos com o mesmo problema, não há assim tantas casas de música ao vivo. Nós vamos onde elas existem e onde estão a fazer um bom trabalho. E, efectivamente, que também vendam Super Bock, porque isto é um projecto deles. Portanto, qualquer casa que se predisponha a vender Super Bock e queira fazer música ao vivo, poderá no futuro aspirar a ter uma programação. Uma programação muito superior ao que o mercado poderia pagar por ela. Essa também é a realidade, no fundo. Isto faz com que se estejam a alavancar as casas, para terem melhores equipamentos de som, para perceberem como se recebem os artistas de outro nível. Isto tudo é uma aprendizagem. Depois eles podem pensar em fazer uma programação, o que é o conceito.

TM - Vamos voltar a ver este festival nos próximos meses?

Daniel - Nós fazemos ciclos de 3 em 3 meses. Estamos garantidos até ao próximo inverno.

TM - Na próxima edição vão haver novos sítios a ser explorados?

Daniel - Sempre. Uma situação obrigatória é que em cada turné nós encontramos dois ou três sítios novos. Mesmo preferindo algumas casas, a condição é que vamos percorrendo mais território. Para não ficarmos resumidos aos que existem.

TM - É só isto, obrigado!

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Bruma estão de volta com "Espamo"


Os Bruma, quarteto bracarense que em 2016 nos presentearam com o EP Pesadelo, estão de volta com um novo tema. Em "Espasmo" os Bruma continuam a sua aventura pelos caminho exploratórios e inovadores do jazz, onde o piano e o baixo se destacam claramente dos outros instrumentos. Já se torna até cliché a comparação com uns BadBadNotGood, mas enquanto a qualidade lá estiver, não nos importamos de o fazer.

Oiçam então aqui "Espasmo".

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[Review] Snoop Dogg - Snoop Dogg Presents Bible of Love

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Snoop Dogg Presents Bible of Love // Snoop Dogg // março de 2018
6.0/10

O ano é 2018. O estado do mundo encontra-se em permanente mudança e confiar apenas num chavão que seja para o definir é cair em erro - espiões russos, Trump, Brexit, Síria, refugiados, garraiada. Pensar no mundo como uma definição concreta passou a ser problemático. Isto é, claro, se o estado do mundo for importante para nós. Snoop Dogg largou a atualidade e embarcou nos livros de história, de onde desenterrou aquele que se tornou num dos grandes precursores da música negra - Snoop Dogg (vulgo Snoop Doggy Dogg, Snoop Lion ou Snoopzilla) tirou da dispensa os categóricos ingredientes com que se baptizou o R&B e hip hop contemporâneos e num só prato infundiu estes sabores com o paladar do evangelho na palavra. O gospel (gospel hop? Jesus rap? J.C. the real O.G.?) ressuscitou após uns anos valentes e continua exatamente como estava quando foi enterrado. O que não são necessariamente boas notícias.

O primeiro contacto com esta dádiva do camaleão do hip hop descendeu dos céus no dia 2 de Fevereiro. "Words Are Few" conta com a participação de B Slade e, por entre uma produção despreocupada/desleixada, somos enfrentados por um videoclip que nos põe na casa do Senhor. À primeira é complicado habituar-nos a esta nova roupagem do rapper americano - desta vez as mulheres que rodeiam Snoop Dogg não estão semi-nuas nem há uma explícita homenagem ao cânhamo - apenas santidade, hip hop e berros que só a emoção de espalhar o evangelho são capazes de explicar (a explicação alternativa ficará sempre atribuída à escolha incrivelmente acertada de artistas convidados). Ainda assim, depois destes 7 minutos de primeiro contacto com o recém-nascido Snoop Dogg, não nos conseguimos preparar para o épico Snoop Dogg Presents Bible of Love.


Depois de "Thank You Lord (Intro)" - uma quase tradicional e espiritual entrada (com algum esforço era possível ouvi-la num álbum de Alice Coltrane) - entramos imediatamente num mundo onde reina a música negra (que fique latente que, apesar de este não ser nem de perto o maior expoente da música negra, é talvez um dos representantes mais versáteis). Antes de nos apercebermos que estamos a entrar numa viagem de mais de duas horas - 2 horas, 13 minutos e 52 segundos, para ser mais preciso - já é tarde para virarmos as costas a este disco (nem que seja pela ridícula curiosidade que a quantidade de convidados - mais de 20 convidados habitam as mais de 30 faixas que compõe o disco). Por vários momentos somos confusos por sequências de temas clássicos de R&B, gospel, G-funk sagrado e hip hop evangélico sem que haja grande tempo para respirar entre músicas, até percebermos verdadeiramente o elo comum - a palavra. "Pure Gold" (com a participação especial das Clark Sisters, um dos expoentes do gospel vocal), surge facilmente como um dos destaques do disco, onde ouvimos canalizada uma intensidade de Aretha Franklin num gospel que lentamente desenvolve para um groove catedrático. "New Wave" (que conta com Mali Music na voz) podia ser facilmente agrupado com os temas mais conhecidos de James Blake pela sua abordagem minimalista ao pop e ao forte foco no piano não fosse pelo final em rap. Logo a seguir, em mais uma reviravolta alucinante, B Slade redime-se de "Words Are Few" num funk endiabrado - perdão, abençoado - capaz de expulsar o capeta pela força da jinga de anca. "Come As You Are" (com o encargo vocal dividido entre Marvin Sapp e Mary Mary) torna-se na melhor "Come As You Are" que eu já ouvi, graças à sua abordagem jazz-estilo-Thundercat com sunshine pop

No entanto, nem tudo corre bem na terra do Senhor - para além de "Words Are Few" (o tema escolhido, por alguma razão, para fechar o disco), "Changed", em terra de entrudos, consegue soar ainda mais despropositada, num infeliz (ainda que contagiante) casamento entre trap e gospel, "Crown" e "Call Him" são exemplos desnecessários de pop rap que quase conseguem arruinar um disco inteiro por trazerem os piores clichés possíveis. Numa tentativa de redenção por estes erros de casting, "Voices of Praise" é a faixa de pré-encerramento e eleva as expectativas de uma maneira que "Words Are Few" nunca preencheria - há amor neste G-funk, há polka nesta faixa que finalmente nos dá o Snoop Dogg que merecemos, com um grande final em ascensão orgânica e orgâsmica. Infelizmente - e não me canso de o dizer - ainda de aturar a produção constrangedora de "Words Are Few". Mas todo o santo cometeu o seu pecado.


Snoop Dogg Presents Bible of Love é um dos álbuns pop mais esquizofrénicos que já ouvi - apesar de ter um tema comum, as constantes mudanças tornam esta experiência sagrada numa montanha russa de emoções, sonoridades e vozes. Onde o álbum melhor encontra a sua perdição é numa distribuição pobre de músicas e sonoridades - há momentos em que corre bem, mas quando corre mal não há salvação possível. No entanto, ficam momentos bons que mostram que, apesar de não arriscar na inovação, Snoop Dogg continua a ser capaz de conjurar música que faz juz ao monumental Doggystyle, não deixando de cair nos erros que comete em álbuns mais recentes: baralhar a relação entre qualidade e quantidade. É impossível condensar tudo o que pode ser dito sobre este disco numa review. Apesar do pensamento ocidental ter formalizado a religião, uma experiência espiritual é digna de opiniões e subjectivismos, sendo que a palavra parafraseada de S. Tomé deve servir de mote: "Ouvir para crer". Ide, meus filhos, testemunhai e espalhai o evangelho de S. Dogg.

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CAIO em entrevista:"Saí de um planeta onde sou o único ser vivo"


CAIO é o projecto que dá voz a João Santos, lisboeta que se apresenta a solo pelas salas do nosso país e que nos vem aquecer o coração com o seu cancioneiro emocional. O artista editou ontem o seu novo álbum de estúdio, Mundo Incerto, sucessor de Viagem (2017) e de Desassossego (2016).

Com uma sonoridade influenciada por José González e Elliott Smith, João Santos não precisa mais do que a sua voz e guitarra para exprimir os seus sentimentos. O cantautor vai apresentar Mundo Incerto no Sabotage Club a 23 de março (estamos a oferecer bilhetes). Em baixo podem ler a nossa conversa com João Santos, num final de tarde chuvosa perto do São Jorge.

Threshold Magazine (TM) - O teu perfil de Facebook diz que vens do planeta Caio. Onde é que fica esse planeta? É possível ir lá visitá-lo?

CAIO - Nós todos somos capazes de ir ao planeta CAIO porque esse planeta, de certa forma, é uma metáfora para um sítio onde podemos estar todos à vontade, em paz connosco mesmo. Este projeto chama-se CAIO exatamente por aí. Saí de um planeta, o planeta CAIO, onde sou o único ser vivo, e venho mostrar às pessoas como chegar a esse planeta que cada um de nós tem.

TM - O planeta CAIO é uma cena interior.

CAIO - Não é budismo, mas é parecido.

TM - Como eu li na press release do teu single "Benedita" e comprovei mais tarde ao ouvir, notei que este transmitia uma sensação de conforto. Gostei de ouvir!

CAIO - Obrigado!



TM - Folk mais intimista, mais simples, mas carregada de sentimento.

CAIO - Muito da minha posição na música e o que quero projetar é as pessoas terem essa intimidade com elas próprias através da música, da mesma forma que eu tive essa intimidade a ouvir música com várias experiências na vida. O que eu quero tentar realçar é que as pessoas são capazes de se sentir bem com elas mesmas, por mais merda que aconteça na vida, ou qualquer tipo de coisas.

TM - Se tivesses de associar a tua música a alguma região de Portugal, qual seria?

CAIO - Porto. A minha primeira grande paixão veio do Porto. Acho que foi o primeiro passo para eu começar a escrever e a fazer música.

TM - Se calhar o ouvinte nunca associará a tua música ao Porto, associa talvez mais para o sul do país.

CAIO - É o Porto. Foi lá que senti o amor a sério. Tem muito a ver com a cidade e com essa pessoa.

TM - O álbum chama-se Mundo Incerto. O que é para ti um Mundo Incerto?

CAIO - É um bocado o nosso dia-a-dia, com as experiências que passamos. Mas este Mundo Incerto vem já do EP e do disco que eu fiz. Funciona como uma espécie de ponto final num livro. Não é um ponto final de fazer música, mas é como se estivesse a contar uma história e chegado a esta conclusão. Cheguei à conclusão de um mundo incerto.
Acho que todas as músicas tratam isso, não só do lado intimista que estávamos a falar, mas também da parte do mundo pessoal que se associa ao meu dia-a-dia. Cada música vai construindo uma história até chegar ao fim. O disco começa na "Saudade" e acaba com o "Porto (des)sentido". No meio disso tudo, é como se percorresse o mundo, o meu mundo. Para chegar a essa conclusão, que a “Saudade” vem do “Porto (des)sentido”.

TM - Que expetativas é que tens em relação a este trabalho?

CAIO - Gostava muito de ter casas cheias, de ter uma posição na música portuguesa e, principalmente, gostava de fazer mais música, que isto fosse uma porta para eu começar a trabalhar com outras pessoas, fazer outras coisas no mundo da música e envolver-me mesmo a 100%.

TM - Por exemplo, às vezes um artista, uma banda lança um álbum e as pessoas sentem que aquele é o “álbum” que os vai projetar. Sentes isso com Mundo Incerto?

CAIO - Neste momento diria-te que sim, mas se calhar, daqui a dois meses digo-te que não. Eu sou daquelas pessoas que acabo de gravar um disco e já estou a pensar num disco novo, já tenho imensas ideias. Adorava que todos os álbuns fossem o "Álbum".

TM - Há aquelas alturas em que as pessoas não conhecem um artista e depois, de repente...

CAIO - Eu acho que vai ter piada para certas pessoas que agora vão ouvir este disco e perguntar quem é este gajo. Depois vão ver e reparam que já lançou um EP e um disco. Acho que isso é melhor do que agora lançar um CD e ser apenas conhecido por isso. Prefiro que oiçam Mundo Incerto e depois queiram conhecer o resto do meu trabalho.

TM - Por vezes é melhor do que conhecer logo a banda ou artista nos primeiros trabalhos, onde se notam logo as influências mais diretas. É preciso espaço para crescer. No teu caso, terceiro trabalho, já é uma vantagem conhecer-te nessa altura.

CAIO - Isso pode ser uma vantagem ou não. No meu caso eu acredito que isso vai ser uma grande vantagem.

TM - Diferenças entre Viagem e Mundo Incerto, tanto no processo da composição?

CAIO - Este disco gravei no estúdio HAUS e levei banda. A única diferença em termos de composição foi que eu trazia o material e fazia as coisas no estúdio. Não te vou dizer que fui eu que compus tudo, porque não fui. Sem os músicos com que eu estava, as músicas sairiam completamente diferentes. O processo de escrita acho que é muito igual, só muda o espaço e as pessoas. Já no Viagem foi muito semelhante, eu escrevia, tocava, levava para o estúdio e trabalhava lá a música. Acho que a única diferença foi mesmo as pessoas com quem fiz este disco. E claro, a maturidade que tenho, isso também importa muito, mais a escrever do que a tocar.

TM - Tens 20 anos agora. Quando lançaste o teu primeiro trabalho, Desassossego, tinhas 18.

CAIO - Mas falo de maturidade em me lançar, de ir tocar, de conhecer pessoas novas. Acho que o meio é muito importante para fazeres as coisas. Não o meio artístico, mas o meio onde tu te posicionas, os teus amigos, a tua família.

TM - A primeira vez que ouvi falar do teu projeto foi através de um amigo que me disse que a tua sonoridade era parecida à do Elliot Smith, isto na altura do Desassossego. O que achas desta comparação?

CAIO - Boa observação. Gosto muito do gajo, mas não tinha pensado nisso dessa forma. No Desassossego utilizei muitas sonoridades da natureza, é muito à base da guitarra e da voz. Acho que esse disco tem mais a ver com o trabalho do José González, mas não é uma influência máxima. Acho que tem muito mais a ver comigo, não tanto com influências. O teu amigo até tem alguma razão, agora que estou a ver isto desta perspetiva, até faz algum sentido.

TM - Não é um folk tão habitual.

CAIO - Sim, é um bocado diferente.

TM - Em Portugal, em termos de cantautoria, temos nomes maiores como B Fachada, Luís Severo, Éme.

CAIO - Lá está, eles como se conhecem muito bem, tem influências muito parecidas. O que não é mau de todo, eles são bons músicos. Agora, não se pode falar numa grande variedade no folk.

TM - Falando das músicas do álbum, tens alguma favorita? A que eu gostei mais foi a "Saudade". Prendeu-me logo ali a abrir o álbum.

CAIO - A "Saudade" funciona muito uma música de prefácio. Tu abres um livro e queres ver de que é que este trata. É a melhor música que se pode ouvir antes de iniciar o disco porque depois vai abrir um caminho em que se ouve muita música fora do contexto da "Saudade", muita música com banda, muita música a solo. A música que me marcou mesmo e me faz mossa sempre que a oiço, o que é raro porque oiço muito poucas vezes as minhas músicas, é a "Só mais um Adeus". É instrumental, não tem voz nenhuma, mas é a que tem a maior mensagem do disco.

TM - A música “Pedrógão” está relacionada com os acontecimentos trágicos do último ano? É uma espécie de homenagem?

CAIO - Está sim.

TM - Isso afetou-te diretamente?

CAIO - Afetou porque viajei muito no verão e vi Portugal completamente queimado. Conheci várias pessoas que passaram por essa dor. Foi uma coisa que valeu mesmo a pena escrever. A música fala sobre a posição das pessoas, não fala sobre os incêndios em si, fala sobre o que as pessoas perderam e nós, como seres humanos, somos capazes de dar o pé à frente e continuar a ser capazes de superar as coisas. Acho que o tema de Pedrógão, como qualquer tema de outros incêndios, é muito importante para eu passar esta mensagem e transmitir uma dor do que se passou em Portugal.

 
TM - Compreendo. Consigo associar a tua música à natureza. Talvez mais visualmente por causa da capa dos álbuns. A primeira na praia, a segunda no campo e a terceira no céu. Consigo também associar a tua música a viagens e passeios pelo campo.
Atuaste no final do festival Termómetro e até chegaste à final. Como foi essa experiência?

CAIO - Muito fixe porque houve uma fase depois deste disco que estive muito sozinho. Estive sem ninguém a trabalhar comigo, senti que estava a ser esquecido. Fui para o Termómetro com zero esperanças naquela de: vou ser o gajo que está a tocar sozinho. Tive um hype enorme pelas pessoas, senti-me valorizado, algo que já não sentia há muito tempo. Foi muito importante para conhecer pessoas e mesmo pessoalmente, para me dar valor.

TM - O Termómetro já existe há 20 e tal anos. Achas que continua relevante?

CAIO - Acho que é muito mais relevante agora pelas bandas que estão a surgir. O festival tem bom ouvido e consegue fazer grandes eventos com pessoas brutais. Conheci bandas muito boas tipo Jerónimo, SEASE, pessoal muito porreiro. De certa forma, não é bem uma porta porque essas pessoas são inteligentes e conseguem safar-se. É uma oportunidade que se dá e isso tem mesmo muito valor.

TM - Falando de concertos, para já tens duas datas no Sabotage e no Café au Lait. Tens mais algumas datas que nos possas adiantar?

CAIO - Posso-te dizer que vou tocar pelo país todo até julho. Depois estou a pensar fazer festivais. Vou muito ao norte e ao Alentejo.

TM - O que tens ouvido nas últimas semanas? Assim algum disco que te tenha marcado.

CAIO - As pessoas vão gozar comigo, mas tenho ouvido muita música pop. Principalmente cantoras, Maggie Rogers, Jorja Smith, assim com um flow mais hip hop, mais funk. Tenho ouvido muito Paraguaii. Nils Frahm, Jonathan Wilson e Michael Kiwanuka. De resto tenho ouvido muito pop, à fartana. Este tipo de cantoras que oiço inspiram-me muito a pegar na guitarra e escrever. Não é uma influência, mas traz-me um espírito mais criativo.

TM - Alguma mensagem final para os leitores desta entrevista?

CAIO - Oiçam o meu disco, se me virem na rua venham falar comigo e vamos beber um café. Sejam felizes. Espero que este próximo trabalho tenha um impacto positivo nas pessoas.

TM - Obrigado pela conversa!

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JPEGMAFIA em Portugal


JPEGMAFIA vai andar em digressão europeia esta primavera, passando por Portugal no mês de abril: no dia 10 de abril no Ginjal Terrense em Almada; dia 12 nos Maus Hábitos no Porto; dia 13 na BangVenue em Torres Vedras.

Veteran, disco editado este ano, é um trabalho introspectivo, distanciando-se — mas não muito — da crítica inflamada à realidade sócio-política norte-americana que marca a lírica de JPEGMAFIA. Abaixo fica o poster da tour europeia e o link para Veteran. Em todas as datas portuguesas,  teremos os franceses Daisy Mortem a abrir para JPEGMAFIA.





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quinta-feira, 15 de março de 2018

O psych-rock dos Gloria passa por Portugal na próxima semana


Lisboa e Porto são as cidades contempladas na tour de apresentação do novo EP dos GloriaOidophon Echorama, editado a 9 de março (com edição física em cassete Ya Ya Yeah e em vinil pela Howlin Banana Records e Ample Play Records), que é agora apresentado por Portugal em Lisboa, a 20 de março no Sabotage Rock Club, e no Porto a 22 de março, no Maus Hábitos.

Os Gloria estrearam-se em 2016 com o LP In Excelsis Stereo, disco que esgotou em 3 meses, sempre envolto em mistério pela ausência da banda do mundo virtual. Mais recentemente, com Oidophon Echorama EP, os Gloria apresentam um disco fuzzy e country, a proporcionar uma viagem aos territórios de bandas como Shangri-Las ou The Pretty Things, numa perspectiva contemporânea.


Todas as informações adicionais para o concerto em Lisboa seguem aqui e para o concerto no Porto podem ser encontradas aqui.



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STREAM: Dancing Plague - Pure Desperation


O músico norte-americano Conor Knowles lança hoje o seu primeiro disco de estúdio sob o moniker Dancing PlaguesPure Desperation, um conjunto de dez canções que se encaixam entre a minimal-wave, a darkwave e o post-punk apresentando uma tonalidade monocromática e uma voz grave a trazer à memória William Maybeline (QUAL, Lebanon Hanover). Além da versão digital o disco foi disponibilizado em versão cassete, numa edição limitada a 50 unidades, que está quase a esgotar. Podem comprá-la aqui.

Do novo disco já tinham sido disponibilizadas anteriormente as faixas "Cataracts", "An Endless Want", "Pure Desperation" e a versão ao vivo de "No Drive". Para além das referidas faixas recomenda-se ainda a audição do electro "Decades Go By", a experimentação noise  e new-wavw de "Forget" e o tema de encerramento industrial-ish "An Endless Want". O disco pode ser reproduzido na íntegra, abaixo.

Pure Desperation foi editado esta quinta-feira (15 de março) pelo selo alemão Black Verb Records.


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Slowdive de volta a Paredes de Coura


Após uma vinda a Portugal este mês, durante a qual deram concertos em Lisboa e no Porto, os Slowdive vão regressar ao Vodafone Paredes de Coura, por onde passaram em 2015. A banda lançou o ano passado o seu quarto álbum, o primeiro desde que se reuniu em 2014, e continua a ser dos mais marcantes nomes do shoegaze e dream pop.

Os outros nomes já confirmados são King Gizzard & The Lizard Wizard, The Mystery LightsJapanese BreakfastShameConfidence ManBig ThiefFleet Foxes…And You Will Know Us By The Trail of DeadCurtis Harding, SkeptaArcade Fire The BlazeO festival decorre de 15 a 18 de agosto na praia fluvial do Taboão. Os passes gerais estão à venda por 100 euros.

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SEXTILE in interview: "We may have started the revolution"


On Sunday, February 25th, we interviewed the North-American band Sextile on their first ever concert in Portuguese territory. They came to present the new album Albeit Living (Felte Records, 2017), their second studio album, and to give a concert with accelerated BPMS. In this interview, we wanted to know about the band, their sonority, ideologies, perspectives on the music market, plans for the future among other things. You can read the interview below.

TM - As it is known, you eventually became friends and formed Sextile due to common interests. So, from your point of view, who are Sextile?

Brady - Oh that’s a big question! 
Eddie - Sextile is a loud alien transforming brain in the future music to the masses. 
Brady - It’s definitely a collective idea amongst all of us. I would say it’s music we all make and listen to.

TM – Have you always been a quartet?

Brady - Yes we have. 
Melissa - Technically, but the other one that used to be in the band contributed not much, and for me, that sounds rude. He wasn’t even there for recording, he didn’t show up. His name is on the first album and he played only two songs. 
Brady - He didn’t write any parts. Cameron is writing now, these guys have all written. Cameron - I've been in the band for like eight months. 
Melissa - I feel like in the beginning, when the band first started, it wasn’t really fully formed, compared to what it became later on. 
Brady - And before Sextile was Sextile, it was different. Melissa was playing synthesizers, Eddie was playing guitar, we had another bass player, a drummer, and everything. 
Melissa - That wasn’t even Sextile
Brady - We played a show and got signed to Felte. Then, we recorded a record in the way he had it in the beginning, and we didn’t like it, we felt it was too "rocky". So we had the idea of switching all up and changing it around. 
Eddie - We just set the record straight, they all knew each other in New York and Melissa actually met Cameron before. 
Melissa - Yeah, I actually knew Cameron in a long time. When we first started the band, the other member we needed showed us signs of not working out, I’m talking about before we even played our first show, so we talked about with Cameron.

TM – So, you were saying that you got signed to Felte Records after your first show, once Jeff Owens (the owner of the label), was there, saw your concert and went to talk to you. Do you still remember how the talks went? This took place in which year?


Eddie - He said: the future of the music is here. 
Melissa - No, he didn’t. He said "I really like your band, I would like to speak to you later" and then we met out on a coffee. 
Eddie - We played on a Sunday and then we met on a Tuesday, three days later. 
Brady - That was a good deal for us once we had nothing. 
Eddie - We just met like two weeks before, me and Brady, and we played on a Sunday. Then on Monday he called me and asked if we wanted to meet with the label tomorrow. That was December of 2014, Sextile’s first show was May of 2015, as Sextile.

TM - At that time, did you have some songs for A Thousand Hands?

Eddie - The album was complete, just not released. 
Brady - Not when we played the first show for Jeff, no. None of those songs. 
Eddie - A couple of songs, maybe. "Smoke in The Eye" and "Into The Unknown” are from the original recording sessions. 
Brady - But the show we played at the Echo, those songs were not written yet. 
Eddie - "Smoke In The Eye" was, we played it in the first show.

TM - In terms of musical genres/styles what are the major differences that you would point out between A Thousand Hands and Albeit Living?

Melissa - Albeit Living has a lot more of synthesizers on it. I honestly feel like we really grown as a band, during A Thousand Hands. People really liked it, though. It seems like a lot of people who like Sextile really like that first record, some like it even better. I personally like the new one better. It comes into musical genres that I would prefer to hear now. Something fun, as well as being dark. In our first record, I can see why we’re more classified as a death "rocky" band or all the comparisons to Joy Division. Unfortunately, any band gets compared to Joy Division these days. It just really doesn't make any sense, considering there are so many post-punk bands that sound like Joy Division. But Joy Division didn’t have that many synths, it’s more about the vocals that people automatically identify with one thing.




TM – Personally I think your first album sounds more post-punk than Albeit Living.

Melissa - Do you think so? Our first record it’s way more dramatic and I think this new record is more post-punk. Whatever post-punk is being called now probably, it’s more identifiable with it. To me, the first record it’s more "darkwavy". But when I think about classic post-punk and stuff that’s more danceable and disco, I think of what we are doing now. 
Eddie - We got more abstract. 
Melissa - No, I think it’s more like no-wave and then everything it followed from, once everyone was listening to Cabaret Voltaire, Human League, and Suicide, like that kind of stuff. Anytime someone compares us to them it’s awesome. When do you hear Suicide it makes you feel like a badass, and I want people to feel like that when they hear us. Because we feel like fucking tuff and sexy. That is a good feeling to have. I feel like the new record kinda has more of that. The first record was more sad or dramatic (laughs).

TM - From a subjective perspective, I would consider that your music, has an ideological doctrine, the darker side of the American politics, which is essentially notable in your lyrics. Do you consider yourselves a revolutionary/political band?

Brady - I would say yes, we are a political band. To me, personally, and I don’t think they may agree with me, but in the United States right now, if you are not doing anything about the situation, you are part of the problem. 
Eddie - We all agree. 
Brady - I didn’t even really wanted to make Sextile a political band, but there are issues going on, and if we pretend they don’t exist we are just bad as everything that is happening. The reason why the record feels aggressive is because we are trying aggressively to bring attention to these issues, but not in a "gutural" way. It’s more like: hey let’s get up and do something about it, more movement, more energy, kinetic. 
Eddie - First, we all agree that there’s a responsibility for being an artist. It’s like he said, we are seeing the way things are happening in the world and we’re not comfortable with it, we are not ok with it. So we’re going to talk about it. We are not like activists.
Melissa - I would say that if you have a platform like music is so much easier. It doesn’t make sense that people that have platforms don’t mention these things. Especially when you are a band that can travel the world. You do carry this kind of message and people pay attention, or feel whatever you are doing. So they connect in other ways and there’s a really good way to find people too. Punk music always becomes more political whenever there’s a… 
Eddie - An enemy! (laughs) 
Brady - We may have started the revolution. Hopefully, some people that came to our show were political activists, and they started the revolution. The music is a platform for people with the same political ideologies to meet each other.

TM - "Current Affair", the most recent song, has the voicework of Sienna Scarritt, who also composed the lyrics. Do you want to work with another artist or if you have a dream name to work with, which one would it be?

Melissa - Yeah, Johnny Jewel (laughs). He owns that record label, Italians Do It Better, and he is in the bands Chromatics and Glass Candy, he produces so much stuff. He did all the whole Drive soundtrack. 
Eddie Johnny Jewel is a great producer, man! He approaches electronics in a cool modern way, he makes retro-sounds his own. 
Melissa - Our friend, Choir Boy, he is pretty new but he sings like Jimmy Somerville from Bronski Bea, and he has got this really great operatic crazy 80's like he is perfect for 80’s like synthpop. I just think he would be so good at the Sienna song, it would just sound different. 
Eddie - Keep your eyes peeled for Choir Boy



Melissa - The Sienna Song happened because we were all living together. She was our roommate at that time, during the elections, and that’s how the song was made. 
Eddie - I will choose Nine Inch Nails
Brady - Brian Eno for me. 
Melissa – You don’t have Coldplay money. 
Brady - I don’t have got Coldplay money but I have dreams. 
Eddie - Brian Eno, we know you’ve got a heart, dude (laughs).
Melissa - He doesn’t give a shit.

TM - You are about to open the concerts of A Place to Bury Strangers during their US West Coast tour, as a promotional act for their new album Pinned. How did this happen?

Eddie - Let’s not forget about Ty Segall, too. I mean we love our booking agent. 
Melissa - Our booking agent is good but I think A Place To Bury Strangers have reached out to our booking agent to sit with us. He actually asked us to do their Europe tour in April. 
Brady - Also I think Jeff Owens had a hand in organizing that because he is friends with the manager so, we have a little team working with us now. It’s really cool they are helping put that together. 
Melissa - Yeah, basically the people that are working for us made all that shit. They’re awesome. I’m very excited and also kind of nervous because A Place To Bury Strangers are so amazing live, and I think we are good live too, but they just break shit. We can’t afford to break shit (laughs). But they do that awesome thing, their performance is so loud. I can’t imagine that they don’t blow speakers all the time, I never seem them live but they are super chaotic.

TM - By the way, you were talking about Ty Segall, once you’ll have concerts with him. Do you feel like now is the moment with the most hype in SEXTILE’s career?


Eddie - Absolutely, the biggest time! 
Melissa - I think it’s probably going to be the best time for this band. The Ty Segall thing is a perfect example of how it didn’t come for people that work for masses, later just from him seeing us. It’s like music taking a life on its own. 
Brady - The show before we left. We played a show before we left and Ty Segall was there, tell them the story (to Melissa). 
Melissa - He was at the show, and he just came up to me and said: "Hey man, I really like your fucking band!" and I was joking about it: "So take something to remember the music", and he said, "I Will". I was like joking around and he actually made it happen. Most people don’t really keep their word but Ty seems to do it better, like a solid dude. And he offers way more money than most people do for support tours. 
Brady  - Yeah he is very unique.
Melissa - I think he knows when it’s like to be a musician and not make money for all the work you’re doing. I think he wants to be really fair and I have so much respect for that, because, especially touring America, they don’t give you shit, they don’t give you food, they don’t give you a place to stay… 
Brady - You get three gin tickets and 5 dollars. 
Cameron - Things are kinda harder because of a struggle, sometimes the artists benefit from the that. I think there’s a lot of great American punk music and rock music because you are on your own, it’s not guaranteed. 
Melissa - There’s a lot of bands in the 80’s too, that if it wasn’t for being on the dull at the time, if it wasn't for welfare, they wouldn’t be able to make their music, the Jesus and Mary Chain being one of them. Those guys refused to get a job and recorded all day at their house, and that’s how they made. 
Brady - I definitely feel like we’re going this way: on the rise.
Melissa - Yeah, we are progressing. 
Eddie - So if we think about it, it hasn’t even been three years since our first tour, and on our first tour, we didn’t even have the first album out yet. We are doing fucking alright and we are happy. We’ve been all of the United States, we’ve been on Europe, a couple of shows in Texas… We are writing and working… 
Brady - And working other jobs. Just kinda surviving between tours, and then we live again.

TM - We read that Melissa has an obsession with music and that greatly influences the other band members…

Melissa - Not Cameron! Cameron, it’s always been, like, all over since I knew him. He always looks exactly the same way too. 
Cameron - But we witnessed a lot of music in Brooklyn together. There was a lot of movement in New York when we lived in New York
Melissa - Yeah, we lived there at a really special time, in the mid 2000’s. 
Brady - I knew about sound design techniques stuff because that was what I was studying, I wasn’t really into punk when I met Melissa
Melissa - Didn’t know about punk at all
Brady - I knew about producers (laughs).
Melissa - The first thing we mentioned was about The Germs, and you had never heard of them. 



Brady - No. But I was really into Brian Eno
Melissa - Yeah, you were into David Bowie, Brian Eno songs. But I also was excited to show somebody else those bands. I moved to New York when I was 17, so I was right away around all these people and in an immersive culture, but I went there - I was already doing this in Florida - I just get stoned and go to the record store and buy albums I thought the cover looked cool. Music always had a strong impact, some people feel it more than others. I just felt particularly inspired by. When I met him (Brady), I felt inspired to show him some stuff, and then I played a couple of chords on the guitar and started writing songs right away. Eddie was already a well-versed musician. 
Eddie - I love all the kinds of music and I play all kind of shits, but whenever I listen to her, like her knowledge, I don’t know, she remembers dates, albums, the years. And Cameron is an artist in all kinds of shit.

TM - What's your opinion regarding the digital era that the musical industry current lives in? In which ways does it affect your path as a band?

Melissa - I feel like, if the time is changing, I have to go with it, fighting it, if it does make any sense. Nothing is changing if you are still a narc and an asshole. I love that there is easy access to records, even for records that I couldn’t afford to buy because they didn’t come out on tape. I came here now because someone put it on the internet. There’s a lot of people and things that actually come out, they are super revolutionary. I mean there has been a million bands no one gave a shit about but now, all of a sudden when they get reissued, everybody loves them and know who they are. But of course, there’s no money to be made now, especially for bands who have been around for a long time. The Jesus and Mary Chain they are a perfect example of a band that, clearly to me, when we see them live they don’t like playing songs and they even seem to like each other. But they definitely are doing it because they don’t make money from record sales anymore. And I totally understand why that is, that seems like a rough scenario for that time, even if they put on a new record now, people aren’t really gonna buy it, there are no finances to come from it. I think now it is different, people used to think that if you borrow your music to a commercial you were not really a punk band, you were an indie band, you were part of the problem and the system, but now people don’t seem to shy away from that.


Brady - When I talked to Penny Rimbaud, he even said the drummer of Crass had a conversation with him and he said: "If Macy's wants to buy your song for 4 thousand dollars and they're not asking you to change yourself artistically in any way, that’s not selling out, just get the 4 thousand dollars and play for some many people".
Eddie - Here’s the thing: At the end of the day, a musician makes less than everyone around the musician. So, in my opinion, I agree with accessibility because you can record and upload an album or EP, right now to the internet. You’re fully in control which is great, but in terms of selling out the records it’s like: dude, musicians either, for the sake of culture and art, perform to live with nothing all the time, unless you’re lucky. 
Cameron - Besides the capitalistic point, I think the format – we always think our records like Side A, Side B, and other records could be like a 40 min song, but now all you have to do is - there is no such thing such as an EP or LP or a 7''-inch anymore, and so you can have a three album record where you don’t have to do Side A, Side B. Side B always starts with another song and now you don’t have to do that, you can have a record then it’s ten minutes long.
Melissa - Now people have no intention to listen to a full album. If you go to Spotify or to YouTube and people never heard of a certain band, they’ll listen to the thing that has the most plays. 
Brady - Or the first song. So you have to think about what the first song is going to be on your record every time, because when people go to Spotify it suggests a record and you press play. It will play the first on the record, so that first song is going to determine what people will continue to listen to.

TM - Your European tour ends tomorrow, in Lisbon. What do you take home from this first experience in European territory?

Eddie - Oh, that’s hard to tell you! Do you mean like physically or spiritually?

TM – Like the things that had the biggest impact on you.

Eddie - Oh, it’s so hard to tell you right now because I had no processing time. I can tell you, for me, this is been the greatest adventure of my life and I’m leaving with so much, like spiritually speaking. I’m leaving with excitement to come back and to keep moving forward for myself. 
Cameron - For me, it’s nice just to be able to visit other people. You play for your friends all the time, it’s preaching to the choir. You can reach people that you never ever will see maybe again and so it’s kinda cool, you’re just delivering information. 
Brady - For me, I definitely feel like a grew a lot, and met a lot of new people and friends. Also, there are so many similarities between the United States and Europe. Except Spain and Portugal. But actually going through the cities, they looked so much like Southern California. A lot of interesting things, like he said, I haven’t really had time to process it.

TM - To conclude, what are your plans for the future?

Melissa - We were trying to talk to people to figure out if we can put something out in August or September, but we don’t know yet. We have been writing but you can imagine how much time takes to record all that stuff. Everyone needs to bring 5 demos each. 
Brady - The future will continue to be in the direction of "Current Affair". 
Melissa - That’s what he says. You keep saying that! 
Brady - I like it. More music, more shit, more survival (laughs).




TM - Thank you.
Entrevista por: Sónia Felizardo
Fotografias: Francisca Campos

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