sábado, 7 de abril de 2018

Graveyard anunciam novo álbum, Peace


Os Graveyard, bem conhecidos na cena do stoner rock, vão editar novo disco já no próximo mês. Peace será o quinto álbum dos suecos, sucedendo a Innocence & Decadence lançado em 2015, e surge após o grupo se ter voltado a reunir (sem o baterista Axel Sjöberg) depois de um fim que apenas durou quatro meses. O primeiro single revelado, “Please Don’t”, mantém a sonoridade habitual da banda, podendo ser ouvido em baixo:


Peace será editado a 25 de maio pela Nuclear Blast, sendo já possível fazer pre-order. Em baixo podem ver a sua capa e tracklist.


Peace tracklist:
1. It Ain't Over Yet
2. Cold Love
3. See the Day
4. Please Don't
5. The Fox
6. Walk On
7. Del Manic
8. Bird of Paradise
9. A Sign of Peace
10. Low (I Wouldn't Mind)

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sexta-feira, 6 de abril de 2018

A tempestade METZ está quase a chegar


Quando Alex Edkins (guitarra e vocais), Chris Slorach (baixista) e Hayden Menzies (baterista) decidiram formar os METZ em 2008, mal sabiam eles o sucesso que iriam ter pelos fãs da face mais agressiva e brutal do punk rock. Muitas vezes comparados com nomes como The Jesus Lizard e Drive Like Jehu, o trio canadiano apresentou-se ao mundo com METZ. O álbum de nome homónimo foi lançado em 2012 pela lendária Sub Pop Records, e desde aí começaram a ser o foco das atenções pelas altas autoridades da imprensa musical. Eles chegaram e rebentaram imediatamente com os padrões do que definia um bom álbum de punk rock no século XXI. Na verdade é difícil destacar músicas neste álbum. Talvez "Get Off" e "Wasted" se sobressaiam em METZ, o que seria injusto dizer devido à consistência com que eles se apresentaram ao mundo neste registo.


(Uns longos) 3 anos depois, veio o segundo registo da banda canadiana. Produzido novamente por Graham Walsh dos Holy Fuck, II é talvez o álbum mais agressivo e feroz dos METZ até hoje. O que é evidente logo na primeira faixa "Acetate". Um malhão que começa com uma poderosa linha de baixo, onde se juntam a guitarra distorcida de Alex Edkins e a bateria destruidora de Hayden Menzies. "The Swimmer" e "Landfill" são dois dos pontos altos do álbum, mas é em "Nervous System" que se chega ao pico de brutalidade em II. Oiçam por vocês próprios e verão o que falamos.


Diz-se que o terceiro álbum costuma ser o mais difícil para todas as bandas, principalmente depois do legado que os METZ deixaram com os seus dois primeiros registos. Agora produzidos por Steve Albini (Shellac), o trio canadiano editou Strange Peace em setembro de 2017, o seu último álbum de estúdio. Daqui resulta uma mistura da sonoridade dos primeiros dois álbuns, com uma agressividade mais trabalhada e melódica do que em II. A qualidade continua sempre presente, tomando como exemplo músicas como "Cellophane" e "Drained Lake", dois malhões tremendos que devem furar ouvidos ao vivo. "Caterpillar" e "Sink" são as duas músicas que ficam um bocado de parte neste álbum, onde não se percebe bem a intenção dos METZ com elas. Ao tentarem fugir da sua sonoridade habitual acabaram por ser demasiado experimentais, mas no final, isto acaba por não estragar o resto de Strange Peace. "Raw Materials" fecha este disco com a faixa mais longa que o trio canadiano alguma vez compôs. Fazer uma boa música de punk rock com 6 minutos não é nada fácil, está ao alcance de muitos poucos, mas eles também não são uma banda qualquer.



Os METZ vão passar por Portugal em dose dupla a meio deste mês, nos dias 17 e 18 de abril no Musicbox (Lisboa) e Hard Club (Porto) respectivamente, onde vão começar a sua tour europeia para Strange Peace. Não os percam, a sério.

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[Review] Lebanon Hanover - Let Them Be Alien


Let Them Be Alien // Fabrika Records // abril de 2018
8.5/10

Os Lebanon Hanover, uma das bandas mais iconográficas dentro da nova vaga do post-punk / darkwave / minimal-wave, estão de regresso aos discos com Let Them Be Alien, o quinto trabalho de estúdio que chega seis anos depois do muito aclamado álbum de estreia The World Is Getting Colder (2012) e três depois de Into The Abyss (2015), o último disco, que mostrou uma banda a explorar novas sonoridades e instrumentação. Só para terem uma noção a arte dos Lebanon Hanover (que incluiu toda uma filosofia além da própria música) é tão importante e influente no mercado do revivalismo post-punk e dentro da comunidade gótica (conhecida pela fidelidade às bandas que ouve) que a banda conseguiu algo histórico nos dias de hoje: vender 1.000 cópias do disco antes sequer dele estar disponível para compra no mercado. Isto torna-se ainda mais surreal se tivermos em conta que o álbum foi anunciado a apenas um mês da sua edição e o primeiro  tema "Alien", só ficou publicamente disponível cerca de duas semanas antes da edição deste Let Them Be Alien



A música dos Lebanon Hanover é repleta de composições simples à primeira audição, mas que se encontram mistificadas por uma filosofia de vida muito profunda e analítica no que toca ao eu e à sociedade vivenciada pelo eu. A melhor parte disto tudo é verificar que desde a edição de estreia The World Is Getting Colder (2012) até este Let Them Be Alien os Lebanon Hanover tornaram-se bons músicos integrando, além das sonoridades dos saudosos anos 80, elementos da synthwave contemporânea e do jazz (como mostraram em Into The Abyss (2015)). Além dos excelentes liristas – que sempre foram - Let Them Be Alien mostra um ponto de equilíbrio entre as sonoridades pré e pós Into The Abyss – definitivamente o álbum mais ambicioso da banda, ao explorar territórios que até então não tinham sido abordados. Depois de um disco como o anterior é aceitável que em Let Them Be Alien algum do público seguidor admita que este novo registo seja do tipo chiclete, ou seja, mais do mesmo, afinal de alguma forma os Lebanon Hanover voltaram a abrigar-se nos campos sonoros que nos apresentaram com as três primeiras edições. 

No entanto é na lírica que este Let Them Be Alien se destaca. Lembram-se dos tempos em que a dupla cantava "why not just be normal"?. Seis anos mais tarde vêm dar resposta a isso com o tema "Alien", um single que reflete mais que nunca a sua essência como banda (na lírica pode ler-se "And until then my desolation / Will be my trademark / Iʼll always remain alien"). Em "Petals", o tema de encerramento e um dos mais magistrais singles deste disco, pode ouvir-se "The darkness never been so dark / Without you my sweetheart", e a verdade é que estes três anos sem músicas novas dos Lebanon Hanover (além do single Babes of 80’s) foram mesmo escuros e vazios. Em "Kiss Me Until My Lips Fall Off" William Maybelline canta "I've tried everything to block out the pain / But it just seems to haunt me / In every possible way" - isto é o retrato da sociedade atual, da quantidade de coisas que são consumidas e/ou experienciadas para evitar a dor, mas no fundo, todos temos algum medo que nos assusta por muitas coisas que se coloquem em prática para o evitar. Em Let Them Be Alien isso torna-se evidente. 



Os Lebanon Hanover conseguem com as suas letras dizer aquilo que muita gente sente e não consegue dizer alto, conseguem descrever os sentimentos de quando se entra num existencialismo niilista, de quando toda a existência humana é questionada e, consequentemente, todas as sensações que invadem a alma quando se entra neste ciclo de pensamentos. Os Lebanon Hanover são uma daquelas bandas que faz muitos acreditarem que não estão sós no mundo. Haverá coisa mais bela que pensar que o problema está na nossa própria existência e no fundo do poço estarem os Lebanon Hanover a cantarem "Alone here I will drown in ignorance / They try to, try to break me / Tear me down into pieces / With their thinking of low capacity"? E a música, por muito monótona ou pouco criativa que possa soar, não deixa de ser enriquecida pelo seu minimalismo estético e explicada pela monotonia da rotina que todos nós levamos diariamente. 

Neste novo registo os Lebanon Hanover mantêm os seus vocais sombrios e emocionais, o baixo repetitivo e os teclados dramáticos, relembrando a época de ouro da música industrial e gótica, projetada nos tempos atuais. Acima de tudo, a banda volta a mostrar a coerência que criou desde o primeiro trabalho e que tem utilizado ao longo das edições, mantendo a sua genuinidade e poesia lírica ao conjugar o inglês com o alemão. Em suma e à semelhança das edições anteriores, Let Them Bem Alien é mais um registo muito bem conseguido na carreira dos Lebanon Hanover que soa ainda melhor quando ouvido naqueles dias mais negros.



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FMFL lança disco de estreia em maio


FMFL é o novo projeto a solo de Adam Matschulat, produtor e engenheiro de masterização mais conhecido pelo seu projeto de noise Matschulat.  Em FMFLAdam Matschulat cria uma sonoridade dentro dos campos da dream-pop e ethereal-wave, em composições sentimentais e vulneráveis. O primeiro tema de avanço deste novo projeto surgiu a 19 de março do presente ano quando o artista lançou "Hear My Heart", uma experiência de synthpop com voz robótica que é agora apresentada em formato audiovisual, disponível abaixo. 

Em maio o artista lança cá para fora Functional Music for Lovers, o disco de estreia que contará com um total de doze canções inéditas. 

Functional Music for Lovers tem data de lançamento prevista para 28 de maio.

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STREAM: MIEN - MIEN


Os MIEN, super banda formada por Alex Maas (The Black Angels), Tom Furse (The Horrors), Rishi Dhir (Elephant Stone)  e John-Mark Lapham (The Earlies), lançam hoje o seu disco de estreia, o homónimo MEIN, que surge de como resultado de uma colaboração iniciada em 2004, quando Rishi Dhir se encontrou casualmente com o vocalista dos Black Angels (Alex Maas), enquanto tocava cítara com a sua ex-banda num projeto com Brian Jonestown Massacre, no SWSW. Mais tarde juntava-se à banda John Mark Lapham e, para fechar o alinhamento, juntou-se uns anos mais tarde o teclista dos The Horrors, Tom Furse.

A primeira edição da super banda surge agora em formato LP com o homónimo MIEN, um conjunto de dez canções que oferecem espaço para uma propulsão radiante, baseada em grooves sombrios e alucinogénicos, que misturam a era de ouro da música psicadélica dos anos 60 com as sonoridades eletrónicas da segunda década do séc. XXI. De MIEN recomenda-se a audição de temas como "(I'm Tired of) Western Shouting", "You Dreamt" E "Hocus Pocus".

MIEN é editado esta sexta-feira (6 de abril) pelo selo Rocket Recordings.


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STREAM: Bambara - Shadow On Everything


Os Bambara estão de regresso aos discos com Shadow On Everything, o terceiro disco longa-duração da banda e o primeiro na casa Wharf Cat Records. O trio, que nas prestações ao vivo partilha membros com os Liars e que ficou inicialmente conhecido pela sua sonoridade noise-rock apresenta um novo conceito sonoro em Shadow On Everything, incluíndo elementos da música punk e post-punk, apresentando uma sonoridade quase cópia de bandas como Iceage (inclusivé ao nível vocal) e Holograms (no último disco Surrender).

Este novo trabalho foi produzido por Andy Chugg (Pop. 1280, PILL) e de Shadow Of Everything tinham já anteriormente sido revelados os temas "José Tries To Live", "Doe Eyed Girl" e "Sunbleached Skulls". Embora não seja um disco inovador (apesar de ser considerado o mais ambicioso dos Bambara), para fãs do género o disco pode ser ouvido abaixo.

Shadow On Everything é editado esta sexta-feira (6 de abril) pelo selo Wharf Cat Records.


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Vida do antigo frontman dos Christian Death tema de novo documentário


A vida de Rozz Williams, um dos pioneiros do movimento gothic rock e fundador da banda seminal Christian Death, irá tornar-se no tema de um novo documentário chamado Spiritual CrampO documentário propõe-se a fazer uma revisita à história da vida de Williams, que formou os Christian Death aos 16 anos, influenciado por uma vida a ser julgado pela sua homossexualidade num domicílio bastante religioso, e também pela tribo urbana da cena punk de Los Angeles, na Califórnia.

O projecto está a ser pretexto para uma campanha de donativos por parte de uma galeria sitiada em Los Angeles chamada Lethal Amounts, o mesmo sítio que albergou uma exposição sobre o músico sob o contexto do vigésimo aniversário da sua morte. Para os interessados, pode-se visitar a página aqui.



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Reportagem: Tremor - "A ilha tem imensos segredos a descobrir e o Tremor dá-nos a liberdade de os conhecer"

 © Paulo Prata 

Dia 4

Um festival como o Tremor permite que nas manhãs se curem ressacas ou, para quem não gosta de beber muito, que se passeie pela cidade ou zonas envolventes da ilha. Foi isso que fizemos ao quarto dia. Dia em que, segundo as escrituras, surgirão as estrelas e os corpos celestes, como o Sol, que não nos acompanhou apesar do grande calor se fazer sentir, e a Lua, que foi companheira na noite que SE iria suceder com concertos de Julius Gabriel, José Valente, Paisiel, ou seja, João Pais Filipe e Julius Gabriel, ou ainda Aïsha Devi, Snapped Ankles, a grande revelação da noite, BLEID, ou Voyagers.

A ilha tem imensos segredos a descobrir e, como acima foi dito, o Tremor dá nos essa liberdade e oportunidade de os conhecer, desde as 7 Cidades às Furnas, às Termas da Ferraria onde decorreu o Tremor Na Estufa, os vastos campos, a verdejante flora e a fauna que nos remete para a pacatez, o silêncio, a reflexão e sossego após três longas noites a fazer tremer, três noites brutas e fartas musicalmente. A quarta noite não seria muito diferente, até seria muito mais pesada.

A quarta e penúltima noite dá-se no Arquipélago-Centro de Artes Contemporâneas, espaço cultural na Ribeira Grande construído à base do Basalto, pedra vulcânica mais comum dos Açores, sendo a característica mais visível à chegada, concedendo um ar mais dark, mais obscuro ao local onde iriam decorrer os concertos. O primeiro concerto para abrir as hostes é o de Julius Gabriel, artista que este ano lançou Dream Dream Beam Beam, um dos melhores álbuns lançados pela mão da Lovers & Lollypops no que toca a música experimental e a jazz como é o caso de Julius.

Paulo Prata ©

Com o início do concerto começa a derrocada musical. O peso do saxofone, dos sons por ele transmitidos, valem como uma derrocada capaz de derrubar qualquer um dos que assistiam, cada vez mais atentos ao alemão. Apenas com um saxofone fazia sons distorcidos, gritos, urros, berros, tudo o que parece incomodar mas que é música para os ouvidos de quem observa. Este concerto fica marcado por um dos melhores do ano, por ter apresentado um dos artistas mais proeminentes e profícuos a pisar o solo português para lançar um álbum e para algumas parcerias, leia-se de antemão Paisiel, o duo de que faz parte com o baterista João Pais Filipe, e ainda o trio criado para o festival entre José Valente e Paisiel, juntando as cordas à percussão e sopro.

O concerto de Julius teve o free jazz natural, como se o saxofone fosse prolongamento da voz do artista, como o seu álbum transmite logo à partida. Julius Gabriel tem o dom e a sabedoria que dominam o saxofone. Com ele faz uma bela pintura dos dias de hoje, atribulados, com mil e uma coisas a passarem-nos pela mente, e tenta, com a sua música também, fazer essa purificação, fazer com que cada nota que dá tenha a total atenção de todos os que o ouvem. Excelente concerto que fez lembrar as noites no Bar Irreal, na capital, a ouvir artistas como Pedro Dias. Logo em seguida deu-se o concerto de José Valente, um dos melhores violinistas nacionais que poderemos ouvir, com uma grande projecção, fazendo parte de muitos projectos quer internacionais quer nacionais. Tem previsto para este ano o lançamento do seu álbum Serpente Infinita.

Carlos Brum Melo ©

O seu talento não é medível, desde os temas que pareciam mais clássicos aos acompanhamentos com música contemporânea, José Valente é versatilidade, maleabilidade e atractividade. Durante todo o concerto chegaram pessoas para assistir ao som da viola de arco do português que surpreendia a cave do Arquipélago. Um concerto curto numa noite em que a Cave esteve sempre cheia de caras satisfeitas, caras de pessoas que a cada fim de concerto começavam a debater-se acerca do próximo e do que tinha passado, o que tinha tido de bom  e de mau. Após uma pausa, dá-se um dos pontos altos da noite. Mesmo depois de ter visto Julius Gabriel, este junta-se a João Pais Filipe, para encarnar o seu duo, Paisiel, que tem excelentes músicas como "Desert Eagle" ou "Satellite", lançada há pouco mais de um mês.

Carlos Brum Melo ©

Mais uma derrocada musical em que o espaço parece curto para tanta gente que tenta observar, dançar, sentir o som que ecoa nas paredes da Cave. É tribal, é noise, é bateria, é saxofone, é um dos duos mais exímios que podemos ter oportunidade de ver a actuar, juntando-se a Ferrandini e Maranha ou Ondness e Pedro Dias, que fazem música pura, jazz livre, solto e que deixa todos a tentar apanhar a meada de som que constroem. Um concerto demolidor como nunca antes tinhamos tido oportunidade de observar, num espaço que ajudou a proporcionar tal emoção. Quando ouvimos Paisiel estamos no topo da ilha, observando tudo o que nos rodeia, surgindo-nos a ideia de estarmos num sítio inóspito, no fim do mundo, num mundo em que estamos apenas com a banda sonora criada por dois grandes virtuosos: Julius Gabriel e João Pais Filipe, que envergava uma camisola da banda de música experimental britânica Coil.

Paulo Prata ©

Tivemos tempo ainda para ir até ao Teatro Ribeiragrandense ver a actuação da banda Snapped Ankles, oriundos do Reino Unido. Como uma certa mística a recordar os Genesis, graças à indumentária utilizada pelos membros da banda de música punktronica, meio arborígene, meio primitivo, como os homens das cavernas, visto que empenhavam varas biforcadas como instrumentos musicais e as vestes faziam lembrar arvoredo ou vegetação. Uma actuação que teve de tudo, desde a surpresa ao espanto, até membros da banda a tocarem no meio do público, o que fez com que se preservasse mais um momento de performance e de proximidade no Tremor 2018. Ficam no ouvido os sons post-punk, electrónicos com um toque de tropicalismo, como se dos sons da ilha se tratassem, como se estes se quisessem exprimir e ser protagonistas da noite que já se fazia longa.

Setlist:
Logs Intro
Come Play The Trees
Tailpipe
Energy Flash
NSA Man Violation
True Ecology
Director's Nostalgia
Ghosts
Hanging With The Moon
I Want My Minutes Back
Johnny Guitar Calling Gosta Berlin

Em seguida, os Voyagers elevaram o ritmo e a fasquia para outro nível, muito mais cósmico e galáctico, fazendo do Teatro uma nave espacial, levando todos por galáxias a partir de sintetizadores bem alinhados. Três comandantes da nave fizeram muitos elevar-se e aguentar mais umas horas.
Parecia a banda sonora de um filme da "Guerra das Estrelas" ou de um documentário sobre viagens espaciais de aeronaves como o Challenger ou o Sputnik. Foi algo que inverteu o rumo da noite para outro nível, um nível galáctico. O resto é pura História que se fez mais uma vez na quinta edição do Tremor.

Texto: Duarte Fortuna

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quinta-feira, 5 de abril de 2018

STREAM: The Caretaker – Everywhere at the end of time - Stage 4


Já se encontra disponível o quarto volume de Everywhere at the end of time, uma série de seis álbuns do músico e produtor norte-americano Leyland Kirby sob o acarinhado moniker The Caretaker. Composto por 4 temas de extensa duração, Stage 4 dá seguimento ao processo moroso e delicado de um alter ego confinado à total perda de memória. A música de grafonola característica dos anteriores volumes torna-se cada vez mais distante e críptica, a sanidade do seu personagem vai-se desvanecendo e a demência torna-se cada vez mais visível.

Os 4 temas (G1, H1, I1 e J1) encontram-se disponíveis no Bandcamp do artista, juntamente com os restantes temas dos anteriores volumes, podendo ser adquiridos digitalmente pelo preço simbólico de, pelo menos, 5 euros. As edições físicas encontram-se limitadas a 600 unidades (vinil duplo), numa edição especial com selo Boomkat. As cópias podem ser adquiridas aqui e vêm acompanhadas de 3 pinturas da autoria de Ivan Seal.


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STREAM: Marissa Nadler - covers 2


Marissa Nadler não editou nenhum trabalho inédito desde Strangers (2016), o último disco de estúdio com selo Sacred Bones, mas disponibilizou, ontem, no Bandcamp um álbum de covers, intitulado covers 2, que contém um total de dez canções na reinterpretação da artista. No disco é possível ouvir temas de bandas como The Cure, Peggy Lee, Bee GeesSammi Smith, Daniel Johnston e mais, na voz sonhadora e guitarra fofinha de Marissa Nadler

A artista norte-americana encontra-se a trabalhar no sucessor de Strangers, que segue ainda sem detalhes confirmados.

covers 2 foi editado oficialmente a 4 de abril.


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Mars Red Sky estão de regresso a Portugal


Os franceses Mars Red Sky, nome grande da cena heavy-rock europeia, vão regressar a Portugal em julho para quatro concertos nas cidades Lisboa, Leiria, Viana do Castelo e Porto, com o selo Ya Ya YeahDepois de passagens por festivais como o Reverence Valada e SonicBlast Moledo, o trio de Bordeaux vem apresentar alguns dos temas do seu próximo trabalho e encerrar o capítulo de APEX III, disco editado em 2016 pela Listenable Records e apresentado por alguns dos mais prestigiados clubes e festivais europeus, como Hellfest e Download Fest

As datas da tour e informações adicionais seguem abaixo. 


Mars Red Sky Portugal
10 de julho - Lisboa - Sabotage Club 
11 de julho - Leiria - Texas Bar | 22h00 | Bilhetes: 8€
13 de julho - Viana do Castelo - Cave Avenida 
14 de julho - Porto - Woodstock69

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[PERSPECTIVA] Admirável Mundo Novo I - Um Retrato do Artista Como Inteligência Artificial

Admirável Mundo Novo é uma crónica da Threshold Magazine sobre as novas tecnologias na música e o impacto que podem vir a ter, desde novas maneiras de gerar música até à síntese de novos instrumentos.


DADABOTS é um nome que ainda não diz muito a muita gente, mas é possível que possa vir a ser um dos projectos mais ecléticos de sempre - desde math rock até black metal, os naturais de Boston, Massachussets, podem vir a criar, com particular facilidade, um pouco de tudo. O primeiro álbum, Deep the Beatles! começa por soar a um cruzamento entre plunderphonics e um pesadelo de pensamentos abstractos, deixando que, pouco a pouco, os The Beatles se deixem infiltrar na sonoridade deste projecto. Parecendo a sinopse de um álbum conceptual sobre a evolução da música, este disco é apenas uma consequência do algoritmo utilizado para gerar toda a música produzida pelos DADABOTS - usando um só álbum ou conjunto de álbuns de um artista, uma rede neuronal profunda (atualmente, o algoritmo de inteligência artificial mais utilizado e investigado) "ouve" estes álbuns e cria música nunca antes ouvida a partir deles.

O processo que permite que isto aconteça é algo relativamente bem estabelecido: ao processar um número de sons (i.e. músicas ou partes de músicas), e vendo o que acontece antes e depois, o algoritmo utilizado pelos DADABOTS - SampleRNN - é capaz de gerar novas músicas. Para além disso, quantas mais vezes ouve as mesmas músicas, mais se começa a aproximar delas no que toca às suas composições. Este processo, para uma sonoridade semelhante, é ligeiramente análogo ao que um artista humano faz quando ele próprio compõe música e é influenciado pela música que mais ouve. Mas haverá lugar para uma generalização deste pressuposto? - conseguirão os DADABOTS funcionar da mesma maneira que um John Zorn ou um Mike Patton, convergindo vários géneros no mesmo?

A resposta, por agora, é bastante provavelmente negativa - infelizmente, quando se trata de uma inteligência artificial generativa (capaz de produzir coisas do nada), a variabilidade que lhe apresentamos é o seu maior inimigo: se mostrássemos Abba e Death aos DADABOTS, seria muito improvável que o resultado fosse remotamente parecido ao Imaginary Sonicscape dos Sigh; na verdade, o produto final seria i) uma aproximação criminosa de uma cacofonia ou ii) música que soaria intermitentemente a Abba ou a Death, numa espécie de zapping nervoso pelo modo aleatório. Em vez de colmatar a variação com combinações engenhosas (hindustaani, jazz e rock em Mahavishnu Orchestra) ou questionáveis (hip-hop e metal em Limp Bizkit), este tipo de inteligência artificial vai basear a maneira como a música continua ao ouvir o que já aconteceu antes, com alguma possibilidade de combinar tudo o que já ouviu, mas sem conseguir aprender como o fazer. Essencialmente, é um modus operandi semelhante ao de um garoto a cozinhar pela primeira vez e achar que convergir um bife com natas e um cheesecake de morango num só prato é bem pensado.

Não obstante a este obstáculo aos DADABOTS e à sua SampleRNN, alguns esforços preferiram encarregar-se apenas da parte da composição e deixar a reprodução para meios mais bem estabelecidos - uma tarefa consideravelmente mais fácil, visto que não envolve a geração de uma música propriamente dita, que envolve sons, composição e criatividade. Alguns exemplos de músicas compostas por inteligências artificiais já foram compostas - Daddy's Car e Mr. Shadow, ao estilo dos Beatles (aparentemente uma referência para investigadores em inteligência artificial) e interpretada por um artista de carne e osso, bem como corais ao estilo de Bach, foram criados como parte da Flow Machines, um projecto da Sony Computer Science Laboratories. Magenta, um projecto de investigação fruto da Google Brain, criou uma série de abordagens e tentativas de resolver este problema, desde o AI Duet, uma inteligência artificial que aprendeu regras simples para poder acompanhar qualquer pessoa num registo de "duelo de solos", o Melody Mixer, que cria maneiras de criar transições entre duas melodias simples, ou o Beat Blender, que usa inteligência artificial para misturar batidas.

Para além da composição, a Magenta também se aventura na geração de sons "novos", tendo como exemplos catedráticos disso The Infinite Drum Machine, que usa sons do dia a dia para gerar novos sons de bateria e batidas ou (o meu preferido) NSynth, que consegue combinar dois ou mais sons num só - desde trompetes e sintetizadores até cães e gatos -, abrindo uma infinidade de possibilidades para novos timbres. Noutro polo, o Augmented Instruments Lab também traz novidades interessantes, como o New Acoustic Stringed Musical Instruments, um projecto que tenta descodificar digitalmente o que cria o timbre dum instrumento de cordas de forma a poder alterá-lo e criar novos sons, e outros projectos de cariz mais complexo e académico.

Apesar de tudo o que foi referido aqui ter sido posto nos termos mais simples possíveis, a investigação por detrás de cada um destes avanços é consideravelmente complexa e assenta na convergência de campos tão diversos como albegra linear, ciências computacionais e estatística; felizmente, não havendo necessariamente um sítio que garanta uma aprendizagem rápida, algumas pessoas escreveram uma série de artigos que facilitam uma compreensão pelo menos superficial de vários aspectos da inteligência artificial no geral ou naquela usada em situações artísticas e generativas (exemplos notáveis e simpáticos disto podem ser encontrados em What is Artificial Intelligence? In 5 minutes., Computer evolves to generate baroque music!, A Quick Introduction to Neural Networks, The Unreasonable Effectiveness of Recurrent Neural Networks ou Google's Deep Dream for Dummies, sem contar com uma miríade de TED Talks e vídeos no Youtube, para me ficar por alguns).

No fundo, é necessário reconhecer que o que foi aqui falado é relativamente compreensivo para o mundo atual, mas numa questão de anos (ou até mesmo meses) pode vir a ser redundante ou, pelo menos, superficial. Para além disso, este tipo de pesquisa abala uma série de concepções aparentemente humanas, como a criatividade, e abre precedentes para um número de questões ao transferirmos este tipo de "aprendizagem" para humanos: como é que a influência e o plágio podem ser separados - será que é apenas uma questão de intenções ou qualquer influência tem algum grau de plágio? Numa altura em que o excesso caracteriza não só o nosso comportamento, como o que nos rodeia, haverá maneira de ser original? Quando é que algo gerado num meio académico deixa de ser pesquisa e passa a ser arte? Não vou tentar responder a estas questões por isto requerer um artigo à parte e análise mais série e ponderada de cada caso - utilizar uma só linha de pensamento para generalizar toda a variedade de novas tecnologias pode ser arriscado e redutor. A inteligência artificial já revolucionou a nossa vida, seja em sistemas de recomendação inteligentes ou deteção de spam, sendo agora capaz de mudar não só a maneira como ouvimos música, mas a maneira como a música que ouvimos é feita - resta saber se seremos capazes de processar esta nova informação.

Texto: José G. Almeida


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Selofan - "Give Me a Reason" (video) [Threshold Premiere]


Dimitris Pavlidis and Joanna Badtrip formed Selofan in 2011 and since then, they have already released four studio albums through Fabrika Records, the label that they also founded together and that has released bands like Lebanon Hanover, Die Selektion or She Past Away, over the past years. Now, on April 13th, the Greek duo will be launching their fifth record, Vitrioli, whose tracks "Give Me a Reason" and "Βιτριολι (Vitriol)" had already been shown. According to the press release, "The sound of Vitrioli is intense, inflammatory and (...) Selofan creates an unpopulated dramatic realm where sad lovers shapeshift into a destructive, obsessive and ambitious persona":

Today we are premiering the new music video for "Give Me a Reason", an astonishing darkwave song about a desire to hold onto a relationship, with audiovisual work signed by Dimitris Chaz Lee. The video depicts the fragile nature and the conflicts in the emotional demands and vulnerability of each person in the relationship and can be watched below.

Vitrioli is out on April 13th via Fabrika Records. You can pre-order the album here.



Selofan will be on tour in April and May 2018 supporting their label mates Lebanon Hanover.

April 13 | Oberhausen – DE | Kulttempel 
April 14 | Leipzig – DE | Conne Island 
April 20 | Frankfurt – DE | Das Bett
April 21 | Strasbourg – FR | La Laiterie 
April 26 | London – UK | Academy Islington 
April 27 | Barcelona – ES | Sala Upload 
April 28 | Paris – FR | La Machine du Moulin Rouge (Fabrika Fest) 
May 11 | Athens – GR | Gagarin 205 
May 12 | Thessaloniki – GR | 8Ball

Vitrioli Tracklist: 

01. Give Me a Reason 
02. Billie Was a Vampire 
03. Black Box 
04. I’m Addicted 
05. Ist Die Liebe Tot? 
06. Un Amor Eterno 
07. The Language Of Love 
08. Living Scandal 
09. Βιτριολι 
10. Φουξια Χαμελαιων 
11. Η Μοναξια ΕΙναι Της Μοδας 
12. Υστερια

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quarta-feira, 4 de abril de 2018

Oneohtrix Point Never de regresso com Age Of

Atiba Jefferson


Daniel Lopatin, mais conhecido por Oneohtrix Point Never, está de regresso às edições com Age Of, que sucede a Garden of Delete lançado em 2015. Desde aí, o músico americano compôs a banda sonora do filme Good Time, realizado pelos irmãos Safdie, e pela qual venceu um prémio no Festival de Cannes

Em baixo podem ver o trailer de MYRIAD, uma instalação ao vivo anunciada em novembro passado e que terá estreia na Park Avenue Armory e no Red Bull Music Festival no próximo mês de maio, e onde se espera que sejam apresentadas músicas do novo disco.



Age Of será lançado no dia 1 de junho pela Warp. Podem ver a sua capa e tracklist em baixo, e fazer pre-order aqui.


Age Of tracklist:
1. Age Of
2. Babylon
3. Manifold
4. The Station
5. Toys 2
6. Black Snow
7. myriad.industries
8. Warning
9. We’ll Take It
10. Same
11. RayCats
12. Still Stuff That Doesn’t Happen
13. Last Known Image of a Song

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Spiralist toca 'Nihilus' na íntegra antes da edição

© Mestria
Em antecipação e celebração do lançamento do álbum de estreia Nihilus de Spiralist - projeto a solo de Bruno Costa -, editado a 4 de maio, a Microfome e o artista vão realizar duas listening parties do álbum, nos próximos dias 21 e 22 de abril no Estúdio Entreparedes no Porto. Para além da audição do álbum por completo, o evento contará com a estreia em exclusivo do primeiro videoclipe do músico, para o single "The Deepest Abyss", bem como uma entrevista com Q&A para o público, conduzida por Riça, artista da Microfome que em 2016 se estreou com o EP Bicho Com Mau Gosto.

Este disco de estreia de SpiralistNihilus, conta a história de um personagem sem nome que é gradualmente corrompido pela entidade epónima do álbum, a um nível físico, psicológico e até mesmo moral, num conto metafórico que espelha os efeitos da depressão em si. Sonicamente, o álbum é tão sombrio quanto o seu conceito lírico, empregando a atmosfera pesada dos elementos de black-metal, doom, hardcore-punk e ambient.


O valor de entrada de 2 euros é também descontável na compra do álbum ou merchandising, e todos os membros da audiência habilitam-se a ganhar um pack do álbum com t-shirt ao participar no evento. Todas as informações adicionais seguem aqui.

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