sábado, 14 de abril de 2018

Reportagem: Golden Retriever [Passos Manuel, Porto]


Foi no passado dia 12 de abril, quinta-feira, que nos dirigimos à Invicta para assistir à estreia nacional dos Golden Retriever em Portugal. O duo composto por Jonathan Siellaf e Matt Carlson (Parenthetical Girls) trouxe consigo o mais recente Rotations, oitavo disco disco dos norte-americanos e terceiro pela conceituada editora Thrill Jockey (Tortoise, Colleen). Desenvolvido a partir de uma igreja em Portland, Rotations nasceu da interação do duo com um ensemble de 10 músicos e instrumentistas. O resultado foi um conjunto de composições harmoniosas e expansivas que fazem deste o disco mais acessível do duo até à data. 

Com Matt Carlson no sintetizador modular e Jonathan Siellaf no clarinete baixo, o duo explorou um universo ortodoxo de experimentações sónicas e viagens pelo cosmos da música exploratória, reforçado por uma forte componente visual rica em tons vibrantes e coloridos. As tessituras orgânicas e arranjos de câmara de Rotations foram substituídas por uma sonoridade mais plástica e digital, presente em padrões de sintetizador bem delineados e pequenos fragmentos glitch a fazer lembrar os trabalhos de Oneohtrix Point Never e Visible Cloaks. Aplicando uma parafernália de pedais, Siellaf gerava sons exacerbados em efeitos que tornam o som do seu clarinete irreconhecível, mas que pelo seu carácter encorpado permite melodias graves e poderosas. 



Numa atuação essencialmente onírica e introspetiva, houve espaço para uma mudança temperamental abrupta. Porque onde há sonho pode existir pesadelo, os Golden Retriever surpreenderam-nos com um momento bruto e intenso, onde as melodias se transformaram numa amálgama turbulenta e impenetrável de sons que não duraria muito tempo. O regresso à vertente mais artificial e sonhadora que compôs a maior parte do set marcaria o aproximar do seu fim, com a epicidade de “First Light” a encerrar o concerto de forma gloriosa. 



Com uma carreira a rondar os oito anos, os Golden Retriever apresentaram-se exímios e infalíveis nesta sua primeira visita a Portugal, que só não terá sido mais sonante devido à escassez de público que se assistiu no auditório do Passos Manuel. A sua performance foi puro deleite multissensorial, uma verdadeira viagem pelos campos da música electrónica mais arrojada que ficará, com certeza, na memória dos poucos que a assistiram como uma das mais interessantes atuações deste 2018.


Fotografia: Ana Durão
Texto: Filipe Costa

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Suave em entrevista: "Inspirei-me nos músicos da Motown"

© Vera Marmelo
Suave é o mais recente projeto de Nick Suave, anteriormente conhecido como Nick Nicotine e pseudónimo de Carlos Ramos. Ao todo são quase duas décadas dedicadas ao panorama mais alternativo do rock n' roll nacional, não fosse ele o responsável por um dos mais antigos e carismáticos festivais portugueses, o Barreiro Rocks. Continuando a louvar os feitos do semper Nick, já participou em dezenas de bandas (Nicotine’s Orchestra, The Act-Ups, Los Santeros, Bro-X, The Jack Shits, entre muitas outras), dividindo-se entre a voz, guitarra, baixo e bateria.

Editou a 13 de abril o seu 57º disco da carreira (talvez sejam mais, segundo esta entrevista), iniciando uma nova fase de escrita e interpretação em português. Em Português Suave, o artista apresenta-nos universos sonoros apontado aos corações alicerçados numa música onde se conseguem ouvir claramente as suas maiores influências: Motown e o rock n' roll mais antigo. Leiam em baixo a nossa conversa com Nick Suave numa tarde lisboeta de primavera.


Threshold Magazine (TM) - Usaste durante muito tempo o nome Nick Nicotine e agora passaste a ser conhecido por Nick Suave. Como surgiu essa ideia da passagem de Suave?

Suave - Foi um conjunto de situações engraçadas em torno desse nome. Deixei de fumar (risos). Daí também brincar com o nome do disco, Português Suave, associado ao tabaco. Em Suave apresento um tipo de música um bocado diferente em relação àquilo que eu fazia, por isso senti que devia mudar de nome, mais uma vez.

TM - Sendo tu uma pessoa associada ao rock n’ roll (Barreiro Rocks e inúmeras bandas Nicotine’s Orchestra, The Act-Ups, Los Santeros, Bro-X, The Jack Shits) como é que se deu esta mudança de estilo de um som mais cru para um som mais romântico e dançável?

Suave - Eu acho que até nem anda muito longe daquilo que a Nicotine’s Orchestra já fez. A Nicotine’s Orchestra tinha essa característica, dado que é o meu projeto a solo, tudo o que não cabia nas outras bandas ia lá parar e tinha a liberdade de explorar outras expressões musicais, outras linguagens. Qualquer uma destas músicas poderia ser uma música da orquestra. Depois tem essa componente do cantar em português e então aí já afasta realmente muito daquele panorama em que estávamos a jogar.

TM - Como é cantar e escrever em português?

Suave
 - É algo que já tinha feito uma ou outra vez na Nicotine’s Orchestra, como laboratório para experimentar algumas coisas. No entanto, fazer assim um disco inteiro, na altura, foi um desafio que me trouxe uma questão pertinente e ao mesmo tempo ridícula que era porque é que nunca tinha feito isso. Na realidade tinha um pouco a ver com falta de referências portuguesas neste tipo de canção. Ou eu as desconhecia ou então não existiam. Aquela soul, Motown e o rock n' roll, foi algo que eu cresci a ouvir e sempre me fez sentir daquela forma. Quando começas a tentar tens de ter sempre alguma voz de referência. Depois vais te conhecendo e começando a cantar à tua maneira. Inicialmente precisas sempre de uma referência. 

Ao fim destes anos todos já conheço a minha forma de cantar e tentei adaptar isto a um português com o qual eu fique satisfeito, que não me embarace, que me sinta bem a fazê-lo. Já são muitas canções em inglês, permite-te já ter uma desenvoltura na escrita em inglês que ainda não a tens no português, julgas tu. Mas depois quando começas a escrever, apercebes-te que esta é a tua língua mãe e torna-se até bastante simples no sentido em que, de repente, começas a ter ideias em português, algo que nunca pensei que fosse tão fácil de começar a acontecer ou mudar esse processo. Quando começas a melodia, já começas a encaixar palavras em português quando antes ias obrigatoriamente para o inglês.

TM - Como funcionou o processo de composição? 

Suave - Anda sempre mais ou menos em torno da mesma fórmula. Vou armazenando compulsivamente todas as ideias, vai tudo para o iPhone e ficam lá a marinar. Normalmente, começo sempre pela parte da melodia, música na cabeça e depois vou à procura das palavras. A única coisa que mudou agora, na realidade, é a língua.

TM - Há alguma temática associada a Português Suave? É sobre alguém que está mal de amores?

Suave - Não é só. Fala do amor muitas vezes dessa forma, mas aí já é defeito de anos e anos a cantar em inglês, provenientes da escola do blues: ok, estás em baixo. Nem todas as canções são sobre esse desespero, como é o caso do "Perdido". O disco trata as alturas mais negativas da vida de uma forma mais leve e com algum humor. A minha ideia não foi fazer algo muito pesado, pelo contrário, tem também momentos alegres. Inspirei-me nos músicos da Motown, em que as coisas eram faladas a sério, mas de uma forma mais direta, mais engraçada por vezes.


TM - Falando disso, de não ser tão pesado, até se nota pela capa do disco e pelas fotos da press release, repletas de cores vivas e alegres, o fato vermelho e azul.

Suave - Faz parte de uma postura pessoal, do propósito do disco existir e de como é suposto ser transportado para um concerto. É uma altura de comemoração, de ser um entretainer, na conceção antiga da palavra, fazer com que as pessoas passem um bom momento durante uma hora e se divirtam.

TM - Há alguma música favorita no álbum? Para mim foi "Que mais hei de fazer?"

Suave - Ultimamente tenho andado a curtir de tocar a última que é o "Só bem acompanhado". Gosto muito da maneira como essa letra foi surgindo, acho que ficou engraçada. Tenho de começar a tocá-las ao vivo para perceber como é que elas vão crescer.



TM - Voltando a falar da tua carreira, como é que se consegue chegar ao 57º disco de carreira? 

Suave - Afinal são mais, apareceram mais dois que eu não me lembrava (risos).

TM - Basicamente, tu não páras.

Suave - Eu não tenho muito essa noção, vão se acumulando os discos, vou fazendo música, é o que me compete.

TM - Quais as expectativas para Português Suave?

Suave - Durante este ano e o próximo quero me dedicar exclusivamente a nível musical ao Suave. A minha expetativa é conseguir tocar o máximo possível e fazer as tais festas acontecerem um pouco por todo o lado. E que a malta venha aos concertos e se divirta. Trazer um bocado mais de alegria (risos).

TM - Falando em concertos, tens o concerto de apresentação no Musicbox, a 27 de abri. Que outras datas é que nos podes adiantar?

Suave - Vou atuar na FNAC de Sta. Catarina e Casa da Música, Porto, a 9 de maio. Depois a 26 de maio no Auditório Municipal Augusto Cabrita, Barreiro, e a 28 de julho na Tabacaria do Teatrão, Coimbra.

TM - Há alguma surpresa preparada para dia 27?

Suave - Há. Posso dizer que vamos ter um convidado que eu respeito muito. Não só vai lá cantar como vai cantar uma música que fizemos em conjunto. Vamos aproveitar para apresentá-la.

TM - O que tens ouvido nas últimas semanas?

Suave - Tenho ouvido um single em repeat o disco dos Shannon& The Clams, especialmente o single "The Boy". A minha mulher anda a ouvir a Linn da Quebrada, portanto tenho andado numa dieta assim um bocado estranha (risos). Ela foi vê-la à ZDB e trouxe o cd. Portanto ando numa de Linn da Quebrada com rock garageiro.

TM - Alguma mensagem final para os leitores desta entrevista?

Suave - A de sempre. Divirtam-se e apareçam no dia 27 ou no outro dia qualquer e venham pagar-me um copo.

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HRNS anunciam EP de estreia, After The Angels

©Raquel Sousa
HRNS é o duo composto por Afonso Arrepia Ferreira (FARWARMTH) e Rui P. Andrade, dois jovens músicos e produtores que exploram a beleza insustentável do drone, presente nas suas composições frias e lascivas carregadas de emoção.

Depois do lançamento de Cortina, o primeiro single do duo pela editora britânica ACR, os HRNS preparam-se agora para avançar com o primeiro EP deste promissor projeto. After The Angels é o título do registo com data prevista para dia 23 de abril, disponível novamente sob a chancela da ACR que editou também os mais recentes trabalhos de Rui P. AndradeFARWARMTH.

After The Angels estará disponível em formato físico (limitado a 70 cassetes) e digital. "After The Angels" é o primeiro avanço do EP com o mesmo nome que poderão averiguar em baixo, no Soundcloud da editora. A capa e respetiva tracklist de After The Angels também foram reveladas, sendo que o trabalho contará ainda com 3 remisturas inéditas de ot to, not to, Adam Badí Donoval e Wim Dahen.





After The Angels
1. Royal Blue
2. Marble Contours
3. After the Angels
4. Shoulder Blade Cut Through (AtA edit) (ot to, not to Remix)
5. Marble Contours (Adam Badí Donoval Remix)
6. (225°, 73%, 57%) (Wim Dehaen Remix)

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STREAM: Human Tetris - Memorabilia


Os russos Human Tetris vão passar por Portugal já no próximo mês em apresentação do seu novo disco de estúdio, Memorabilia, um conjunto de sete canções que podem agora ser ouvidas na íntegra, abaixo. Este novo disco serve como antecipação do concerto agendado para dia 10 de maio no Sabotage Club, em Lisboa, onde deverão ser tocados os novos temas.

Este novo trabalho vem dar sucessão a River Pt. 1 (2016) que marcou o regresso da banda a estúdio depois de ter anunciado o seu fim, em 2012. Canções melodiosas com arranjos minimalistas de guitarra são a base para estas sete canções, altamente apelativas aos fãs de nomes como Motorama. Recomenda-se a audição de temas como "Melancholy" e "Ugly Night".

Memorabilia foi editado a 13 de abril.


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sexta-feira, 13 de abril de 2018

A menos de um mês para Christian Death


No ano que marca o 20º aniversário da morte do icónico vocalista dos Christian DeathRozz Williams, a banda de death-rock desde 1985 liderada pelo guitarrista e vocalista Valor Kand está de regresso a Portugal para um concerto único no país agendado para o próximo dia 27 de abril no Hard Club, Porto com o selo At The Rollercoaster

A banda, formada em 1979, ganhou destaque entre a crítica especializada após a edição do disco de estreia Only Theatre of Pain (1982) pelo facto dos membros fundadores serem bastant novos e da música ser, de certo modo, recolucionária para a altura. Os Christian Death sobem agora ao palco do Hard Club num concerto integrado na tour europeia Romantic Deathem versão trio com o já conhecido guitarrista e vocalista Valor Kand, a baixista e vocalista Maitri e o baterista Jason Frantz. A banda reeditou em 2016 Deathwish.



O concerto tem início marcado para as 22h00 e não vai contar com banda de abertura, estando ainda limitado a 350 pessoas. Os bilhetes para o evento têm um custo de 20€. Todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui.

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O Gringo Sou EU apresenta novo EP no Porto na abertura a Sleaford Mods


Na próxima segunda-feira, dia 16 de abril, O Gringo Sou EU - projeto a solo de fusão eletrónica-rap-baile funk do brasileiro Frankão atualmente a residir em Portugal - apresentará o seu novo disco Cada Vez Pior, um conjunto de sete canções que certamente serão tocadas no concerto que antecede a atuação dos britânicos Sleaford Mods, no Hard Club, Porto. O evento é promovido pela editora Lovers & Lollypops e tem a participação especial das Tukbatuk, um coletivo feminino de 6 jovens adolescentes de Guimarães, formado por Frankão em 2014 no âmbito dos projetos de intervenção comunitária que o artista também desenvolve.

O concerto d'O Gringo sou EU tem início marcado para as 21h00 e pelas 22h00 deverão estar a subir a palco os Sleaford Mods. Os bilhetes para o concerto no Porto custam 12€ em pré-venda e 15€ no dia. Todas as informações adicionais aqui.


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Ghost regressam com "novo" líder em Prequelle


Habemus Papam! Os Ghost estão de regresso com Prequelle, o seu quarto disco de originais. Sem dúvida um dos projetos mais excitantes a surgir na cena do metal na última década, com a sua mistura de heavy e doom metal com rock psicadélico, os suecos terão Cardinal Copia como o seu novo líder, sucedendo este ao Papa Emeritus III. Desde o início da banda que cada novo álbum introduz uma nova versão de um "Anti-Papa demoníaco" como seu vocalista, mas todos têm sido sempre interpretados pelo cérebro (e único membro permanente) do grupo, Tobias Forge.

O último álbum do grupo, Meliora, foi lançado em 2015 mas os suecos têm-se mantido ocupados com o lançamento do EP Popestar em 2016 e do disco ao vivo Ceremony and Devotion no ano passado. Em baixo poderão ver o vídeo para o primeiro single de Prequelle, "Rats", onde está bem patente a habitual teatralidade da banda:


Prequelle será lançado a 1 de junho pela Loma Vista (pre-order aqui), tendo a seguinte tracklist e soberba artwork:


Prequelle tracklist:
1. Ashes
2. Rats
3. Faith
4. See The Light
5. Miasma
6. Dance Macabre
7. Pro Memoria
8. Witch Image
9. Helvetesfonster
10. Life Eternal

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STREAM: Bush Tetras - Take The Fall


O rock não morreu e o post-punk nunca esteve tão vivo. Se ainda não conhecem os Bush Tetras é paragem obrigatória e o novíssimo disco, Take The Fall, é mel para os ouvidos dos fãs dos Public Image Limited e, bem, para os fãs do rock'n'roll, música nostálgica dos anos 80 e misturas. Este é o primeiro disco em 10 anos dos Bush Tetras, a banda americana que se formou em 1979 e já contou com uma série de line-ups e fins e inícios.

Ao contrário da maioria das bandas que tiveram o auge nestes anos, os Bush Tetras nunca tiveram o seu período de fama, mas este Take The Fall é mesmo muito bom e mostra que uma banda consegue fazer sempre melhor se estruturar bem a forma de composição do disco. Take The Fall é amor instantâneo à primeira audição e basta ouvir faixas como "True Blue" ou "Mouse" para cair em tentação. Ora comprovem ali em baixo.

Take The Fall é editado esta sexta-feira (13 de abril) pelo selo Wharf Cat Records.


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quinta-feira, 12 de abril de 2018

STREAM: Hollywood Burns - Invaders


Já podem ouvir na íntegra e descarregar de forma gratuita Invaders, o disco de Hollywood Burns, projeto a solo de synth/retrowave de Emeric Levardon, que em fevereiro anunciou o disco pela casa Blood Music, através de "Scherzo No. 5 in Death Minor" single que apresentava as suas claras influências da música clássica, com dinâmicas de música de soundtrack para filmes. No início de março chegou "Came to Annihilate", com vocais fazer lembrar  Daft Punk e, no final do mesmo mês surgiu "Bazaar of the Damned", inspirado nos filmes de terror dos anos 50.

Invaders conta ainda com a colaboração de Olivier Marechal (guitarra), Remi Meilley (bateria) e Florent Gerbault (Nord ex Light Deflection) na voz e, em suma, é uma viagem intergalática  que mistura o espírito dos filmes de ficção científica clássicos com a eletrónica dos anos 80, a funk e a disco dos anos 70 e os envolve em arranjos orquestrais surpreendentes. Para fãs de Carpenter Brut, Perturbator, Dan Terminus e GosT este é um disco fortemente recomendado.

Invaders é editado em vinil e CD esta sexta-feira (13 de abril) pelo selo Blood Music.


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[Review] Fresh Flesh Flash - Space Calls


Space Calls // m-tronic // abril de 2018
7.0/10

Fresh Flesh Flash é o novo projeto de Herwig Holzmann (Photophob) que apresenta uma sonoridade que transporta os ouvintes aos saudosos anos 80, através do recurso aos sons analógicos e retro futuristas que tão em voga têm sido colocados atualmente por artistas como Carpenter Brut, Perturbator ou Dan Terminus para citar alguns. O artista regressa agora aos discos com o muito aguardado Space Calls do qual já estão disponíveis para escuta 8 singles de um total de 17 canções que compõem este novo trabalho. Se são fãs de sonoridades eletrónicas com influências de géneros como synthwave, future funk, retrowave ou vaporwave este Space Calls é uma boa viagem a diversos submundos eletrónicos, como aliás já é habitual do artista. 

Space Calls é editado na próxima terça-feira (17 de abril) e traz o selo da francesa m-tronic, uma das grandes referências dentro do panorama underground da música eletrónica. Para quem já segue o trabalho da label, saiu o ano passado uma compilação dos artistas da editora, intitulada Table Of Elements Vol. 4.0, onde foi apresentado o tema "For The Rest Of My Life", que já mostrava a abordagem eletrónica de Fresh Flesh Flash com recurso a samples e sonoridades que vão desde aquelas que se ouvem no Boiler Room às que só os colecionadores muito afincados de música possuem nas prateleiras. Neste Space Calls, contudo, a abordagem é muito mais retro e inspirada na comunicação, sendo que vai buscar influência às sonoridades darkwave, de minimalismos estéticos e que conferem arranjos muito interessantes ao longo das faixas. 



Apesar de composto por 17 faixas isso não faz de Space Calls um disco extremamente longo. São cerca de 42 minutos de experimentalismos nos sintetizadores em conjugação com samples (a base dos cinco temas bónus para quem comprar o disco) que, se forem projetados para as pistas de dança underground, serão certamente um sucesso. Faixas como "Flight Stimulation" - a fazer lembrar uma conjugação entre os nomes da coldwave e minimal wave com os grandes velhos da retrowave como o já referido Perturbator, Ghost e, mais recentemente, Hollywood Burns (numa abordagem mais clássica) - "Welcome To Pinkerton's Port" – a juntar a eletrónica monocromática aos sintetizadores etéreos – ou até mesmo os 48 segundos de "Eat Galacticorn" são boas escolhas para iniciar a reprodução deste disco. Para fãs de MGMT, "Hover Ride" será certamente do agrado. 



Space Calls é, em suma, um disco de fácil audição, repleto de samples interessantes e sintetizadores ora fofinhos e amigáveis, ora ritmados e de dança obrigatória. Contudo, além das tendências à repetição - que acabam por se tornar aborrecidas em algumas faixas como é o caso de "Waltzing Around In Space"-, este também é um disco que se perde um bocado em termos de coerência, havendo alguns temas dispensáveis. Agora para quem procura por uma viagem nostálgica aos anos 80, sem espírito crítico assim só para entreter, valerá certamente a pena ouvir este Space Calls.



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Marbled Eye lançam disco de estreia este verão


Os post-punkers Marbled Eye, cuja sonoridade apresentada nos primeiros dois primeiros EP's vai emebeber influências aos trabalhos de Sonic Youth, Thurston Moore ou mesmo Institute, estão de regresso aos discos desta vez com o tão aguardado álum longa-duração que é esperado para sair no verão e do qual são agora divulgados dois temas inéditos, em formato promoção do LP e da primeira tour europeia que a banda tem agendada para o final de abril.  

O disco ainda não tem data de lançamento certa mas será editado em formato cassette pelos selos Digital Regress (US) e Erste Theke Tonträger (EU). Podem ouvir as faixas "Leisure" e "New Crease" abaixo, bem como dois remixes extra.




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Golden Retriever em Portugal para duas datas

© Sarah Meadows

É já esta noite que os Golden Retriever marcam a sua estreia em território nacional. O projeto de Jonathan Siellaf e Matt Carlson (Theoretical Girls) passa pelo nosso país para duas datas no Porto e em Lisboa, respetivamente. Com eles trazem Rotations, o mais recente registo da dupla que explora os campos da música ambiente, unindo o minimalismo das suas composições à exaltação cósmica da escola de berlim.

O concerto no Porto decorre no Passos Manuel e possui o custo simbólico de 5 euros. Em Lisboa, o concerto decorrerá na galeria Zé dos Bois, dia 13, e contará com Carga Aérea na primeira parte.

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quarta-feira, 11 de abril de 2018

Oitavo Esquerdo lançam single de estreia "Se Eu Soubesse"


Os Oitavo Esquerdo são Fábio Teixeira, Miguel Pedras, Vasco Abreu e Francisco Meirelles e lançaram hoje o seu primeiro single "Se Eu Soubesse". Nem sempre foram um quarteto, tendo começado como um duo formado apenas por Fábio e Miguel, nos tempos de faculdade, quando organizavam no seu apartamento tertúlias boémias de guitarra, versos soltos e cantorias. Do apartamento adotaram o nome - oitavo esquerdo - e iniciaram por graça e com uma boa dose de improviso a sua própria banda de rock português. 

O entusiasmo cresceu e a banda adicionou mais dois membros ao seu alinhamento, o Vasco e o Francisco. Entretanto, o quarteto está já a preparar o lançamento do seu álbum de estreia Episódios De Um Quotidiano Qualquer, a ser editado pela Watermelon Records em Junho, do qual farão parte músicas originais repletas de ironia e uma melodia contemporânea marcada pela herança do velho rock nacional.

Vejam em baixo o vídeo para "Se Eu Soubesse". A artwork do single ficou a cargo de Raquel Raimundo.

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Novo EP de Jenny Hval


Jenny Hval anunciou a edição de The Long Sleep, o sucessor de Blood Bitch, um dos melhores LPs do ano 2016. O álbum tem data de lançamento marcada para dia 25 do próximo mês e conta com o selo de qualidade da Sacred Bones.

Abaixo, deixamo-vos o single "Spells" do vindouro EP.

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TWINS regressa aos discos com 'That Which Is Not Said'

© Jean Langkau

TWINS (acrónimo para That Which Is Not Said), o projeto a solo do produtor Matt Weiner conhecido pela sua música crua, emotiva e sintetizada, regressa este ano às edições de estúdio com That Which Is Not Said disco que chega três anos depois de Nothing Left (2015) e cujo conceito se baseia na aprendizagem da aceitação do eu e da realidade de tudo o que vem de fora, talvez por isso seja também um disco que mostre novos horizontes. O disco foi escrito e gravado ao longo de dois anos recorrendo a sintetizadores, samplers, baterias eletrónicas e a própria voz de Matt Weiner.

Do disco já foram apresentados os temas "Glass Breaks Glass", onde o produtor oferece uma variedade intrigante de ruído, post-punk e arranjos eletrónicos a lembrar as técnicas de Suicide e ainda o synthpop / minimal-wave "Stuck".


That Which Is Not Said tem data de lançamento prevista para 4 de maio pelo selo americano 2MR

That Which Is Not Said Tracklist:

01. Glass Breaks Glass 
02. Lightweight 
03. Taste Of Peppermint 
04. Stuck 
05. Before This Runs Out 
06. What We All Sing 
07. Open Up 
08. The Sky Remains The Same

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Dj Raph anuncia disco de estreia para maio


Raphael Kariuki é Dj Raph, um músico eletrónico, produtor e DJ de Nairobi, no Quénia. Ele é uma figura notável na crescente cena eletrónica underground do país e anunciou recentemente o seu disco de estreia intitulado Sacred Groves, que trata a música de forma emocional e contagiante. O respeito que o produtor tem pela herança cultural africana é profundamente visceral e palpável ao longo das dez canções que o produtor nos apresenta em maio. 

Com o anúncio deste novo registo foi também divulgada a primeira faixa de avanço, "Drum Rhythms" um universo musical intemporal, transmitido pela mistura de música eletrónica moderna, cantos africanos e ritmos tradicionais. Além deste tema (que pode ser ouvido abaixo) foi também divulgado um teaser do álbum que pode ser visto aqui.


Sacred Groves tem data de lançamento prevista para 4 de maio pelo selo alemão NOLAND.

Sacred Groves Tracklist:

01. Drum Rhythms 
02. Chant of the Umuhara 
03. Earthstep 
04. The Boy from Digenenthi 
05. Reeds from Chad 
06. Bird Trap 
07. Ikondera 
08. Dance of the Agasambi 
09. ButchersŒ Rhythm 
10. Yayaya Twins 2:11

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STREAM: Instant Music - Instant Music


Instant Music é o disco de estreia homónimo do trio alemão composto por Bernd Schöll (baixo, voz, ritmo), Mike Hauer (guitarra, sintetizador, percussão) e Marion Siekmann (voz) e formados em 1980 pela insatisfação com o ambiente musical circundante. Inspirados pelos Velvet Underground, Kraftwerk e Giorgio Moroder, eles criaram sua própria marca Neue Deutsche Welle ao fundir o movimento de arte Dada com as expressões musicais disco e krautrock. Um ano mais tarde, em 1981, estavam a editar o disco de estreia o homónimo Instant Music, uma simples configuração de guitarra, baixo e teclados, além de uma drum-machine, apresentada em formato seis canções. 

A banda já não está no ativo mas a Dark Entries Records está agora a fazer uma re-impressão do disco em vinil, sendo que também já é possível comprar a edição digital. Deste Instant Music, para quem ainda não conhecia, recomenda-se a audição de temas como "Do Not", o incrível "Charade" a trazer à memória os trabalhos que Morphine e Bärlin exploraram depois e ainda o tema de encerramento "Optimate Minimum".

Instant Music foi editado no passado dia 10 de abril pelo selo Dark Entries Records. Podem comprar o disco aqui.


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Electric Moon encerram cartaz do 5º aniversário do Sabotage Club

© Michael May
Os Electric Moon são mais um dos nomes que vão marcar presença nas celebrações do 5º aniversário do Sabotage Club, a realizar-se em Lisboa entre os dia 2 e 5 de maio. O trio alemão de sons fuzz e cósmicos, que desde 2009 tem espalhado música que é um estado de mente, foi hoje confirmado pela organização juntamente com os portugueses Xinobi e Ricardo Remédio que se juntam agora aos nomes que já tinham anteriormente sido divulgados: The KVB, Jibóia, Debut! e Talea Jacta


Ao todo são sete os concertos (além do clubbing) - dois de bandas internacionais e cinco de bandas nacionais - que podem ser vistos neste quinto aniversário e que têm início marcado sempre para as  22h30. Todas as informações podem ser encontradas aqui.


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[Review] QUADRA - Cacau


Cacau // self-released // abril de 2018
8.0/10

Os portugueses QUADRA nasceram no final de 2016 e, cerca de seis meses mais tarde, estavam a colocar no mercado o seu EP de estreia, homónimo, composto por cinco canções intensas, puramente instrumentais e ponto de foco e convergência de diversos estilos musicais. Ainda nem um ano passou desde esse primeiro lançamento, mas os QUADRA já estão de volta aos holofotes da música, desta vez, com Cacau o primeiro longa-duração da banda de Braga que se apresenta agora com novo alinhamento. Apesar das mudanças, o conceito e processo de composição do agora quinteto, mantém-se baseado na criatividade musical explorando géneros que vão desde o rock, como base, à eletrónica passando ainda pelo post-rock e, atrever-me-ia ainda a dizer, por também algum jazz fusion

Ao todo são nove as músicas que a banda de Braga nos apresenta neste longa-duração e, embora não sejam todas novidades para quem já ouviu atentamente a edição passada – dado que "Dança Modular", "Mapa de Fuga" e "Vendetta" foram reaproveitadas para este Cacau, tendo sido regravadas e masterizadas –, os QUADRA mostram-se perspicazes ao tornarem o seu som mais envolvente e poderoso. Fora estas músicas, a banda de Braga tinha também anteriormente lançado o primeiro single de avanço deste Cacau, "Mutações", uma simbiose perfeita entre ritmo, guitarras, rock e componente eletrónica, que é um excelente cartão de visita para iniciar a audição deste novo trabalho. 



Cacau é definitivamente uma boa surpresa nas edições nacionais do ano ao refletir uma banda que consegue agarrar nas sonoridades que já estão em voga dentro do que se vai produzindo ao nível nacional e juntar-lhes elementos muito próprios. Um exemplo disto encontra-se em "Pulsar", single que se destaca logo nas primeiras audições, essencialmente pela forma como a bateria marca o ritmo e é acompanhada de forma eficaz pelos envolventes sintetizadores, mas também, por ir beber influências às guitarras tropicais e loops solarengos de bandas como Memória de Peixe ou PISTA. Por outro lado, em "Batalha", já são exploradas as atmosferas mais sombrias do rock numa abordagem do género Equations ou La Flag, mas com o pormenor das guitarras claramente dos QUADRA. Depois ainda há "Iberia", tema que começa por adquirir uma aura bem fofinha que, por volta do primeiro minuto é transformada num corpo mais pesado, para voltar posteriormente aos ritmos calmos e novamente aos mais hostis, ou seja, uma viagem numa montanha russa de sons, cores e acima de tudo ritmo, palavra de ordem dos QUADRA

Antes de fechar, destaque ainda para o tema homónimo "Cacau", single iniciado numa tensão proporcionada pela guitarra cintilante, à qual vão sendo sobrepostas novas sonoridades. Aliás é esta técnica, a de sobreposição de camadas, que define um pouco tudo aquilo que Cacau é, esta fusão de elementos e sensações. Cacau, para um LP de estreia, é um trabalho muito bem conseguido e a prova de que os QUADRA são uma grande banda dentro dos novos nomes do panorama musical português e que nós não estávamos enganados quando os assumimos como uma das bandas revelação.


 © Valéria Martins

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