sábado, 5 de maio de 2018

[Review] Filho da Mãe - Água Má


Água Má // Lovers & Lollypops // Maio de 2018
8.5/10

Filho da Mãe já é um sedimento na música portuguesa - ao longo dos anos, o rio que Rui Carvalho evoca com a própria música criou o pós-hardcore dos If Lucy Fell, os caos acústicos de Palácio e Cabeça e o Mergulho no pouco convencional, não esquecendo ainda colaborações com artistas como Ricardo Martins. Apesar da jornada ter sido longa e variada, o guitarrista de Lisboa regressa à complexidade que usou para fazer o seu primeiro álbum a solo, Palácio, e infunde-lhe uma dose extra de americana e primitivismo.

Agua Má - o resultado de uma residência na Madeira - é já o quarto álbum de estúdio que Filho da Mãe edita em nome próprio em apenas 7 anos e revela-se como um exercício mais sóbrio sobre velhas tendências. Melodias e harmonias bem pensadas são reforçadas por uma produção minimal, em que as respirações que pautam e marcam o compasso humano de cada tema são tão musicais como a música em si. Rui Carvalho continua a impingir a sua impaciência musical nas pequenas variações que incute às frases que constrói à volta de cada tema, sendo possível, como sempre, respirar a mesma substância que certamente também terá inspirado Norberto Lobo, suada pelos grandes nomes da guitarra primitiva de John Fahey, Robbie Basho e Sandy Bull, entre outros.


Vera Marmelo ©
Surpreendentemente, a empunhar o típico instrumento mais cliché possível e a fazer apenas uso dele, Filho da Mãe consegue ser ainda dos artistas portugueses mais refrescantes da atualidade, não precisando de esquemas complexos ou de sonoridades caricatas para fazer render as 6 cordas que enchem salas e corações. Por todo o disco há uma sensibilidade musical característica, ressoando ao logo da primeira metade de Água . Somos levados por linhas orelhudas que, por breves instantes, se ausentam para abrirem desarmonias - um caso catedrático é "Não, não danço", com uma melodia quasi-pop, a tornar imprevisível a agradável sensação de estranheza que acordes mais dissonantes causam.

"Perseguição de bananas" marca a entrada no lado mais ambicioso do disco. Abandona-se o pop mas retém-se a sensibilidade, com o "pós-folk" de "Camelo nas Levadas", o dedilhar incessante e incansável de "Poncha como o vento", e as reverberações exageradas e sinuosas de "Marraram as ondas, partiu-se o pontão", uma epopeia em menos de 7 minutos àquele que é Filho da Mãe - um tema que nos deixa ao abandono para mais tarde nos vir buscar, um tema que é perder para de novo encontrar, um tema que castiga para mais tarde abraçar e que se destaca como o melhor momento deste disco. De uma maneira pouco comum, "Casa", a última "música" do disco é talvez a que nos soa mais familiar, uma gravação de campo com lugar que chegue para o íntimo.

Como não há maneira de o pôr sem soar bajulador, digo-o de uma só vez: este é o melhor trabalho que Rui Carvalho, em todas as suas incarnações, produziu. É simultaneamente sensível e agressivo, com uma premonição sobre-humana para saber o que é preciso em cada momento para que as frases musicais se concretizem em temas concretos. Esta água pode não ser boa de nome, mas faz-nos tão bem.

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sexta-feira, 4 de maio de 2018

O Woodrock já tem o cartaz fechado


O Woodrock Festival regressa em 2018 à Praia de Quiaios, na Figueira da Foz entre os dias 19 e 21 de julho para a 6ª edição de festival que encerrou cartaz esta semana com Capitão Fantasma, entre os principais destaques devido ao concerto inserido na tour de celebração dos 30 anos de carreira. Da Escócia para Quiaios estão os The Cosmic Dead, banda que dará, seguramente, um dos concertos do festival. A eles juntam-se também os promissores projetos portugueses Heavy Cross Of Flowers e Cosmic Mass.

Estes quatro nomes que juntam-se assim aos já confirmados Riding Pânico, Dream WeaponFast Eddie NelsonEarth Drive, Igwana, NU, Planet Of Jesus (Suécia),  Ecstatic Vision (EUA), Huanastone (Suécia) e Niña Coyote Eta Chico Tornado (Espanha). Num total são 14 os artistas que se constituirão o line-up desta sexta edição de Festival Woodrock.



Os passes gerais  já se encontram à venda nos locais habituais por um preço de 24€ e incluem campismo gratuito. 

O valor dos bilhetes diários é o seguinte: 
Quinta-Feira (19 de julho) - 8€ 
Sexta Feira (20 de julho) - 13€ 
Sábado (21 de julho) - 13€

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PARQ é o novo festival de música eletrónica em Aveiro


Aveiro está a dar tudo e no próximo dia 7 de julho recebe o primeiro festival diurno dedicado à música eletrónica e às artes - o PARQ - cuja primeira edição acontece no jardim do Parque da Baixa de Santo António, localizado no centro da cidade. O PARQ pretende assumir-se assim como uma experiência centrada na música de dança, prometendo cativar os amantes deste género nas suas mais variadas vertentes. Desde o jazz à eletrónica, sem esquecer o house e techno mais alternativo.

Esta sexta-feira (4 de maio), a organização do festival avançou com os primeiros nomes que marcarão presença em Aveiro e incluem Jazzanova (DJ set por Alex Barck), Dyed Soundorom (Apollonia), Steve O'Sullivan (Live!) e JEPE (Moodmusic).

Ainda não são conhecidos os preços dos bilhetes mas o evento tem hora de início marcada para as 12h00 do dia 7 de julho. Todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui.


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Hannah Epperson atua em Espinho em data única no país


A violinista Hannah Epperson está de regresso a Portugal para um concerto único agendado para a próxima sexta-feira, 11 de maio, no Auditório de Espinho, que marca o regresso da artista à cidade dois anos depois de se ter estreado no país, aí. Com novo disco na bagagem, Slowdown, editado em fevereiro deste ano pela Listen Records, a artista do Canadá, atualmente sediada em Nova Iorque, apresentará as suas canções pop que soam a doces e intimistas, num concerto que será certamente muito especial.

O concerto está marcado para as 21h30 e os bilhetes para o concerto custam 7€, existindo ainda descontos para os detentores do Cartão Amigo AdE.Todas as informações acerca deste concerto podem ser encontradas aqui.


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STREAM: TWINS - That Which Is Not Said


Já está cá fora o novo disco do produtor Matt Weiner sob o moniker TWINS, acrónimo para That Which Is Not Said que dá nome a este novo disco de estúdio. Influenciado por incontáveis nomes relevantes da época dos anos 80 este novo disco de TWINS é uma excelente surpresa para todos os fãs das sonoridades artísticas dentro do campo da música eletrónica. That Which Is Not Said chega três anos depois de Nothing Left (2015) e o conceito do disco baseia-se na aprendizagem da aceitação do eu e da realidade de tudo o que vem de fora, talvez por isso seja também um disco que mostre novos horizontes na carreira do produtor.

Deste novo trabalho já se conheciam os temas "Glass Breaks Glass", onde o produtor oferece uma variedade intrigante de ruído, post-punk e arranjos eletrónicos a lembrar as técnicas dos Suicide, e ainda os synthpop / minimal-wave "Stuck" e "Open Up". Além destes, recomenda-se ainda a audição dos temas "Lightweight", "Taste Of Peppermint" e "Before This Runs Out".

That Which Is Not Said é editado esta sexta-feira (4 de maio) pelo selo 2MR.


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STREAM: Vive la Void - Vive la Void


Vive la Void, projeto a solo co-fundadora e teclista dos Moon Duo, Sanae Yamanda, lança hoje o seu disco de estreia homónimo que resulta de uma espécie de meditação sobre os estranhos ritmos das tours a longo-prazo, a constante mudança e os encontros breves. O disco foi composto e gravado no período de dois anos e apresenta um total sete faixas onde são exploradas atmosferas densas e de mudança, em sintetizadores.

Deste Vive la Void já tinham sido anteriormente apresentadas as faixas "Death Money" e "Death Rider", ambas a funcionarem como uma mistura ondulante e éterea de psych-rock com minimal-wave, impulsionada pelas melodias vocais discretas de Yamada e as suas profundas letras. Além destas recomenda-se ainda a audição de "Matter", "Devil" e o dream-pop experimental de "Atlantis", faixa de encerramento.

Vive la Void foi editado esta sexta-feira (4 de maio) pelo selo Sacred Bones Records.


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Festival A Porta confirma Emperor X, Urso Bardo e Primeira Dama


Falta pouco mais de um mês para a quarta edição do Festival A Porta. O festival regressa a Leiria para mais uma edição recheada de bons nomes, aos quais se juntam agora Urso Bardo, Primeira DamaEmperor X, marcando assim o regresso de Chad Matheny a Portugal. Oversleepers International é a sua mais recente aventura pelos campos da folk de cariz lo-fi, sempre com o cunho tocante e intimista que marcaram as quase duas décadas de carreira do cantautor norte-americano. 

Dead Combo, Bonga, Conan Osiris, The Parkinsons, Memória de Peixe, Nice Weather for Ducks e Blue Crime são os restantes nomes que compõem o cartaz do festival, que decorre em diversos pontos da cidade de 16 a 24 de junho. As restantes confirmações deverão ser anunciadas nas próximas semanas.


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[Review] JOY/DISASTER - Ressurrection


Ressurection // Manic Depression // março de 2018
7.0/10

Os franceses JOY/DISASTER regressaram este ano aos discos com Ressurection, novíssimo disco com o selo Manic Depression Records que chegou às prateleiras em março deste ano, cinco anos depois de Broken Promises. Conhecidos pelas suas sonoridades post-punk, envolvidas em camadas melódicas, neste Resurrection a banda explora com mais pormenor as ondas do rock e subgéneros num disco coeso que tem tudo para resultar, tanto em estúdio como ao vivo. Formados em 2005 os JOY/DISASTER editaram até à data (incluindo este Ressurection) seis discos, sendo que StäyGätôW (2010) – disco explorativo e revivalista dentro de géneros como o post-punk, coldwave e rock gótico dos nostálgicos anos 80 - foi o mais bem recebido até à data. No currículo colecionam ainda uma série de partilhas de palco com bandas como The Chameleons, Pink Turns Blue, Gene Loves Jezebel, 45 Grave, Cinema Strange, Paradise Lost, Combichrist, Suicide Commando, Covenant ou Front 242, por exemplo. 

Neste Ressurection a equação composicional já utilizada em registos anteriores mantém-se e, logo às primeiras audições, sobressaem temas como "Let It Bleed" (curiosamente parecido com "New Generation") que, independentemente de não ter nada a ver em termos sonoros, é inegável a lembrança aos icónicos Joy Division como influência, quando se pode ouvir no refrão "She’s Lost Control" (e o próprio nome da banda inicia com Joy). Mas depois também há temas como "Enclosed", que logo no início faz lembrar um bocadinho Opeth, passando a ser sobreposto por aqueles riffs de guitarra do rock progressivo que proporcionam uma toada estética inegável. Aliás, a guitarra de Simon Bonnafous neste Resurrection é tão poderosa que, em várias músicas, consegue deixar a sua marca de destaque. 



Apesar de não ser um disco de sonoridade propriamente revolucionária, Ressurection consegue entreter e cativar um ouvinte menos exigente, e destacar-se ainda em faixas como as belíssimas "My Secret Garden" e "Swallow". A voz textural de Nicolas Rohr (guitarra, voz principal), que se adapta aos ritmos e tonalidades que as músicas deste LP vão apresentando, também é um dos aspetos positivos do álbum. Sem copiar as tonalidades características das grandes bandas que operam neste género, Rohr consegue cantar e transmitir emoções, como acontece por exemplo em "Kisses and Pain", "Million Faces" ou no tema de encerramento, o homónimo "Resurrection". 


Ao sexto disco de estúdio os JOY/DISASTER mostram que o rock não está morto e que, apesar do período de hibernação e do in vogue da música eletrónica, ainda é possível lançar um disco rock sem se tornar automaticamente maçudo ou uma cópia a papel milimétrico de tudo o que já foi feito. Não é o melhor disco dos JOY/DISASTER mas é definitivamente um disco que tem umas malhas interessantes para quem não se inibir de o ouvir até ao fim. Podem comprar o disco aqui.


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STREAM: Spiralist - Nihilus


Depois de ter sido apresentado ao vivo no Porto, Nihilus, o disco de estreia de Bruno Costa sob o moniker Spiralist, está finalmente cá fora para escuta integral. Criado tanto como uma reação à morte de projetos musicais e bandas anteriores, como devido à necessidade de materializar a sua visão artística, Nihilus conta a história de um personagem sem nome que é gradualmente corrompido pela entidade epónima do álbum, a nível físico, psicológico e até mesmo moral, num conto metafórico que espelha os efeitos da depressão em si. 

Desta estreia, tão sombria quanto o seu conceito lírico, já tinha sido mostrado inicialmente o single homónimo, "Nihilus". Para fãs do black-metal e de elementos da música doom, hardcore-punk e ambient este será certamente um disco a destacar-se nas edições do ano e muito provavelmente o disco que fará Spiralist uma das revelações nacionais de 2018.

Nihilus é editado esta sexta-feira (4 de maio) pelo o selo Microfome.


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quinta-feira, 3 de maio de 2018

DUDS em Portugal


Eis que pela mão da Ya Ya Yeah os DUDS se estreiam em Portugal. A banda de Manchester que funde o post-punk com a no wave vem ao nosso país apresentar Of A Nature Or Degree, o seu mais recente LP, editado no ano transacto e que conta com a assinatura da Castle Face Records. Abaixo ficam as datas da digressão ibérica dos DUDS.

24 de maio - Porto - FAUP FEST 4.0
25 de maio - Leiria - Stereogun
26 de maio - Lisboa - Musicbox 
27 de maio - Sevilha - SALA X

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STREAM: Rougge - Cordes [Threshold Premiere]


For fans of contemporary and classical music, today we present you the new album of Rougge which materializes his ongoing collaboration with a string quintet. After two previous solo albums, he reinterprets 11 pieces, venturing this time out of his usual intimacy to reach new vibrations and a different intensity. If you like Thom Yorke's voice or the sensitivity of Antony and the Johnsons or Sigur Rós, you will probably fall in love with this new record called Cordes, that you can now stream it exclusively below.

This new album follows his much-acclaimed work Monochrome (2016) and his latest EP of music arranged for the piano, voice and string quintet - released in March 2017 - as the first step towards this Cordes. Condensed in a piano/voice solo project, the eleven songs featured on the album are simply honey for your ears.

Cordes is out on May 4th, 2018 via The Gum Club. You can pre-order the album here.




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Wire de regresso a Portugal para dois concertos


Os Wire, banda de rock britânico formada em 1976, percussora do movimento post-punk e uma das das primeiras banda de punk-rock a misturar as suas sonoridades com conceitos artísticos, estão de regresso a Portugal para dois concertos a terem lugar no Porto, a 23 de novembro no Hard Club e em Lisboa, a 24 de novembro no RCA Club, em Lisboa. Estes concertos trazem o selo da promotora At The Rollercoaster e como mote terão a apresentação do mais recente disco da banda, Silver/Lead (2017) e, muito provavelmente, novos temas.

Os Wire influenciaram e continuam a influenciar imensas bandas a nível mundial e o seu marco de carreira, o álbum de estreia Pink Flag (1977), foi tido como um álbum original para a data dada a abordagem punk minimalista, combinada com estruturas pouco ortodoxas. A banda teve dois períodos de hiatus sendo que desde 1999 se mantém no ativo. Depois de terem atuado no Museu de Arte Contemporânea, em Serralves, os Wire regressam ao país, dez anos depois, com cinco novos álbuns na bagagem, Red Barked Tree (2010), Change Become Us (2013), Wire (2015), Nocturnal Koreans (2016) e Silver/Lead (2017).

Os bilhetes para ambos os concertos têm um preço único de 22€.


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quarta-feira, 2 de maio de 2018

[Review] A Perfect Circle - Eat the Elephant


Eat the Elephant // BMG // abril de 2018
6.0/10

Após catorze anos desde o seu último registo, o supergrupo de rock alternativo A Perfect Circle regressa com o seu quarto álbum Eat The Elephant, lançado pela BMG. Criada originalmente pelo antigo roadie Billy Howerdel, a banda conta com um conjunto de talentos migrados de grupos consagrados como os Tool ou os Smashing Pumpkins, e devido ao membro mais ilustre ser nada menos que o vocalista Maynard James Keenan, as conexões com os Tool em particular são bastante frequentes, sendo vistos como um contraste mais melódico e emocional da banda de metal alternativo/progressivo e habitualmente categorizados como sendo um dos melhores exemplos modernos mainstream do prog rock, art rock e até mesmo post-grunge.

Este contraste intensifica-se em Eat The Elephant, que aposta em amadurecer o estilo musical melancólico da banda e abordar vários temas do foro social e político. Essa missão começa com o tema-título, que faz um bom trabalho em introduzir o ouvinte ao tom que irá dominar o resto do álbum: um som mais atmosférico e mais melódico que o habitual, com uso substancial de teclado e electrónica. A seguir vem a faixa "Disillusioned", que é provavelmente a que demonstra melhor esse tom, enquanto que "The Contrarian" começa com um instrumental que não passaria ao lado de algo mais new age mas que acaba até por ser decente no seu todo. Ao passo que "So Long and Thanks for All the Fish" é revelada como sendo uma faixa estranhamente mais animada, "The Doomed" e "TalkTalk" são dos únicos temas no álbum que carregam consigo uma energia similar a faixas anteriores da carreira da banda, como o single "Judith".



A segunda metade do álbum, no entanto, revela-se como sendo mais run-of-the-mill. Apesar de "By and Down the River" e "Delicious" terem queda para mais uns riffzitos, também deixam uma sensação meio desconfortável de deja-vu. Após um breve interlúdio em "DLB", "Hourglass" dá o ar da sua graça como um emaranhado desconexo de várias ideias concentradas numa só faixa. "Feathers" é um tema que cai um bocado no esquecimento, sendo mais derivativa e massuda. A última faixa do alinhamento, "Get the Lead Out", é mais electrónica e começa de forma interessante, mas à medida que progride, torna-se mais e mais morno, revelando-se como um fim de álbum não tão forte.

Apesar da infame foto de capa, o álbum ouve-se relativamente bem. A banda cumpriu o que pretendia deste álbum, que era abstrair-se do seu som mais pesado para se revelar como um conjunto com um som mais atmosférico e com ambição mais artsy, e que batesse certo com o seu perfil melancólico. Infelizmente, visto que neste caso há partes bastante derivativas ou não tão fortes como se esperava de um grupo desta envergadura, isso não quer dizer necessariamente que o resultado faça com que a transformação tenha valido a pena - ou pelo menos, serve de prova que ainda não foi desta de que a transformação se frutificou em pleno. É esperar que um eventual seguimento venha para conseguir fazer isso mesmo, se bem que isso ainda deverá demorar.

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Reportagem: Christian Death [Hard Club, Porto]


No ano que marca o 20º aniversário da morte do icónico vocalista dos Christian Death - Rozz Williams - a banda de death-rock, desde 1985 liderada pelo guitarrista e vocalista Valor Kand, regressou a Portugal para um concerto único no país – inserido na tour europeia Romantic Death - que decorreu na passada sexta-feira, dia 27 de abril no Hard Club, Porto com o selo da promotora At The Rollercoaster, para uma sala mais ou menos composta. Na bagagem a banda trazia o seu mais recente disco de estúdio The Root of All Evilution, editado em 2015. 

Embora já não possuam nenhum dos membros fundadores, os Christian Death subiram a palco em versão trio com o já conhecido guitarrista Valor Kand - que foi o primeiro a pisar o palco para iniciar concerto com alguns acordes em guitarra -, a baixista e vocalista Maitri e o baterista Jason Frantz, que subiram a palco pouco depois de Kand. Do público via-se um palco com dois ecrãs, uma bateria central de porte grande, imensas flores vermelhas e uma espécie de poltrona com a fotografia de Rozz Williams onde se podia ler R.I.P.. Marcado para as 22h00 e a arrancar por volta das 22h19 com voz off, o concerto dos Christian Death abriu com "The Nascent Virion", tema retirado do disco Amen (1995), que permitiu ao público começar a dar os primeiros passos de dança. 


Christian Death

Como já era esperado o grande destaque da noite foi para a baixista Maitri que se fez acompanhar de vestimentas bastante ousadas – apresentava-se de chapéu, sem calções, meias de rede e uma camisola de decote violento - , além de Valor Kand, acompanhado do seu chapéu (aliás quase no fim do concerto o próprio admitiu que era um homem de muitos chapéus) e da habitual máscara que lhe tapava metade da cara. Antes da performance de "We Have Become", Valor Kand tirou o casaco preparando o público para um espetáculo que seria baseado essencialmente na exploração de quebras de ritmos e alguma reverberação. Aliás, durante os primeiros segundos deste single foi notória essa reverberação, em excesso, o que se tornou desconfortável com o avançar do tempo. A sorte é que Maitri reparou no descuido antes de ter uma plateia a cair para o lado. 


Christian Death

Do concerto, destaque ainda para temas como "Seduction Thy Destruction" e "Out of Control" que, antes de ser ouvida, fez Valor Kand virar-se para o público e pedir para que este perdesse o controlo. Durante a sua prestação ouviram-se ainda alarmes, gritos do público e um single que resultou bastante bem ao vivo em relação à versão estúdio. Além destes temas, de mencionar ainda "Illuminazi" que teve direito a uma projeção do videoclip oficial perfeitamente coordenada com a performance ao vivo. 

Depois de tocarem "Sick of Love", Kand disse adeus ao público e Maitri ficou do género, ah ok, "bye", numa espécie de performance teatral para que se tocasse o único e inaugural tema dos Christian Death da altura de Rozz Williams,  o clássico "Romeo's Distress", em memória ao próprio. Aqui, contrariamente ao previsto, quem tomou posse do microfone foi Maitri e, numa opinião completamente pessoal, confesso que arruinou completamente o tema original, o que me fez olhar para este concerto como algo que não marcará as minhas memórias futuras. A fechar com "This Is Heresy", o concerto dos Christian Death teve fim por volta das 23h22.

Christian Death [Hard Club, Porto]

Texto: Sónia Felizardo
Fotografia: Francisca Campos

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Dirty Projectors com novo disco em julho, Lamp Lit Prose


Apenas um ano após o lançamento do seu disco homónimo, os Dirty Projectors regressam com novo disco, Lamp Lit Prose. Desta vez, Dave Longstreth e companhia contam com a participação de vários convidados: Haim, Robin Pecknold (Fleet Foxes), Rostam, Empress Of, Dear Nora, Syd e Amber MarkO grupo revelou também o primeiro avanço do álbum, "Break-Thru", que parece distanciar-se da onde melancólica que percorria Dirty Projectors, e que podem escutar em baixo.


Lamp Lit Prose tem lançamento marcado para 13 de julho pela Domino. Em baixo podem ver a sua capa e tracklist.


Lamp Lit Prose tracklist:

1. Right Now (ft. Syd)
2. Break-Thru
3. That’s a Lifestyle
4. I Feel Energy (feat. Amber Mark)
5. Zombie Conqueror (feat. Empress Of)
6. Blue Bird
7. I Found It in U
8. What Is the Time
9. You’re the One (feat. Robin Pecknold and Rostam)
10. (I Wanna) Feel It All (feat. Dear Nora)

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Hexenschuss - "Capital Pledge" (video) [Threshold Premiere]


Hexenschuss is the bass-percussion project of the electronic post-rock/kraut-pop dutch duo composed by Gil Luz (keyboard) and Assi Weitz (drums) that has been in action since 2013. With typically instrumental, minimalistic and sometimes "dirty" music, Hexenschuss presented us last year their new Gobbledegook LP, which merged classic EBM sensibilities with contemporary sound interests. Since then, the duo has been promoting this great second full-length through a video trilogy that culminates now with the last audiovisual work for the single "Capital Pledge". The other released singles where "Are you multifocal?" (video here) and "Insert" (video here).

For those who don't know, the band members are influenced by a variety of artists such as the German kraut-rockers Faust, or the post-punkers Wire and The Fall, to name some. The rhythms of this second album are complex for being involved in simple beats, repetitions of bass lines and, later, transformed into an obscure and cinematographic aura, that ends up making them very characteristics. The video for "Capital Pledge" can be watched below in exclusive for Portugal.

You can listen and buy Gobbledegook over here.



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terça-feira, 1 de maio de 2018

Indignu apresentam Umbra em Lisboa e Porto


Os Indignu regressam este ano aos discos de estúdio com Umbra, quarto trabalho de originais que será apresentado ao vivo em Lisboa, no Musicbox e no Porto, no Passos Manuel nos dias 11 e 12 de maio. Estes concertos servem de antecipação ao disco que chega às prateleiras a 11 de maio e que conta com a voz de duas referências maiores da música portuguesa contemporânea: Manel Cruz e Ana Deus, em dois temas. As informações relativas às datas de apresentação do disco seguem abaixo.

Da tristeza, da dor e da saudade os Indignu usam poucas palavras, inspirando guitarras em fúria e orquestrações dilacerantes. Deste Umbra, "um disco em memória de todas as almas que ficaram na penumbra de uma tragédia incendiária que violou Portugal no ano passado", já se podia ouvir "Marcha Sob Marte", tema lançado em março e estando agora também disponível "Nem só das cinzas se renasce", que conta com a voz de Manel Cruz.


Umbra tem data de lançamento prevista para 11 de maio (podem fazer pre-order do álbum aqui).

Datas de Apresentação de Umbra

11 de maio - Musicbox [Lisboa] 22h00 Preço: €8 - Bilhetes aqui.
12 de maio - Passos Manuel [Porto] 22h00 Preço: €10 - Bilhetes aqui.

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Passatempo: Ganha bilhetes para Saturnia no Musicbox


Saturnia é criação do multi-instrumentista e produtor Luís Simões (Blasted Mechanism e Shrine), na guitarra, sitar indiano, theremin, gongo, bass pedals, orgão, sintetizador, piano eléctrico, mellotron e voz. Este ano editou The Seance Tapes, uma vez mais com o selo da editora alemã Elektrohasch, tendo como convidados Daevid Allen (Gong), Nik Turner (Hawkwind) e Stefan Koglek (Colour Haze).

Deixando para trás as influências electrónicas iniciais, o actual som está muito mais no espírito de bandas do fim dos anos 60/início dos anos 70 de space-rock-psicadélico, proto-progressivo, com assumidos piscares de olho a artistas como Pulsar, Pink Floyd, Hawkwind, Can, King Crimson, Tangerine Dream e por vezes até toques de Ravi Shankar.

A apresentação deste novo trabalho está marcada para 5 de Maio, no Musicbox, em Lisboa. Com raras aparicões ao vivo, e um processo criativo desde sempre envolto em secretismo, este concerto é um convite a uma viagem à música de transe semi improvisacional de Saturnia, dominada por camadas de órgão, sintetizador, guitarra e sitar que tecem ambientes calmos, efeitos hipnóticos e melodias esvoaçantes em torno de grooves fundamentais, tudo encimado pela voz suave de Luís Simões.


Em parceria com a Gato Escaldado, estamos a oferecer dois bilhetes simples para o concerto de Saturnia no Musicbox, que se realiza às 22 horas do próximo dia 5 de maio. Se queres ser um dos contemplados só tens de participar neste passatempo e seguir as instruções em baixo:

1. Seguir a Threshold Magazine no facebook.


2. Partilhar este passatempo no facebook em MODO PÚBLICO e identificar pelos menos 2 amigos.



3. Preencher o seguinte formulário:



O passatempo termina no dia 4 de maio às 18:00, e os bilhetes serão sorteados de forma aleatória através da plataforma www.random.org. 

Boa sorte!


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Atualizado às 21h00 de 4 de maio de 2018

Os vencedores do passatempo são:
Ricardo Mondim
Leonor Pereira

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Ricardo Remédio em entrevista: "Há sempre algo mais profundo por detrás dos trabalhos que edito"

Marta Macedo ©

Ricardo Remédio é um dos artistas convidados para a celebração do quinto aniversário do Sabotage Club, atuando a 4 de maio antes dos britânicos The KVB. O membro fundador de LÖBO, editou o seu trabalho a solo Natureza Morta em 2016 pela Dissociated Records. Dono de uma sonoridade emocionalmente densa, o produtor tanto exibe paisagens mais negras e industriais influenciadas por Ben Frost e Nine Inch Nails, como explorações sonoras mais calmas provocadas pelos devaneios dos sintetizadores. 

Há alguma filosofia ou ideologia por trás da música que produzes?

Ricardo Remédio - Penso que há sempre algo mais profundo por detrás dos trabalhos que edito. Tanto o EP de LÖBO como o EP de RA foram influenciados por trabalhos sobre o existencialismo, por exemplo. O Natureza Morta teve um conceito mais abstracto mas mesmo assim lidava com o ciclo da vida e renovação. Tendo dito isto, não é o meu objectivo principal ao fazer música. São elementos e ideias que surgem depois da composição. Dar um contexto ao que fiz.

O que distingue o teu outro projeto a solo, RA, deste em que adotas o nome próprio como artista?

Ricardo Remédio - Não há um corte radical entre os 2 projectos - sendo que RA neste momento não existe mais. A mudança de nome surgiu devido a ser um nome comum - desde uma banda rock americana a post punk escandinavo -  e senti que não me ia ajudar no futuro um nome “partilhado” com tantos outros artistas. Como o meu nome próprio é único, fez sentido assumi-lo e passar a editar com ele.



Estudaste algo relacionado com música ou aprendeste a compor sozinho ou com a ajuda de colegas?

Ricardo Remédio - Sempre fui autodidacta e ainda hoje o meu conhecimento teórico musical é muito básico. Acho que a evolução que possa ter tido aconteceu por ouvido e por memória muscular. Perceber que notas funcionam bem entre si.

Como funcionou o teu processo de composição em Natureza Morta e o que te influenciou?

Ricardo Remédio - Acho que, para este álbum, o processo de composição numa fase essencial foi bastante parecido ao de RA. Agarro-me aos teclados e ao Ableton até sair algo que gosto. No que toca a influências acho que a partir de certa altura têm menos a ver com bandas ou artistas em particular e mais com maneiras diferentes de abordar o som que fazes. Com o Natureza Morta a ideia foi abrir um pouco o som. Torná-lo menos opressivo.

Como é que o público reagiu a Natureza Morta?

Ricardo Remédio - As reacções têm sido positivas, tanto a nível do álbum como de concertos.

Como foi trabalhar com o Daniel O’Sullivan e o James Plotkin?

Ricardo Remédio - Foi tudo feito à distância, mas sinto que aprendi bastante, principalmente com o Daniel. Ver a música de maneira diferente, sair um bocadinho dos meus vícios. Acho que sempre que se colabora com alguém aprendemos algo.


Sentes que em Portugal há mercado para a música que produzes?

Ricardo Remédio - Acho que sim. Porém enfrento as mesmas limitações que outros estilos de música mais alternativos enfrentam - mercado pequeno e muito localizado em Lisboa e no Porto. Não há volta a dar a isso.

Já equacionaste fazer uma tour europeia?

Ricardo Remédio - Já claro. Simplesmente nunca se proporcionou mas está nos planos.

Tens alguma novidade para nos contar a nível de músicas novas produzidas ou planos para um futuro álbum?

Ricardo Remédio - Existe já um conjunto de músicas que estão neste momento a ser refinadas e fechadas, que serão, se tudo correr bem, a base de um álbum novo. Ainda é cedo, porém para adiantar mais.

Por acaso sabes quantas vezes é que já tocaste no Sabotage? Nós já te vimos lá atuar uma das vezes com o Ricardo Martins e BØDE.

Ricardo Remédio - Já toquei... pelo menos 3 vezes. 4? Toquei uma vez como teclista ao vivo de uma banda chamada Tree of Signs, toquei com LÖBO e nessa data que mencionaram. Penso que é isso :)

Como te sentes ao fazer parte da festa de celebração do 5º aniversário de uma casa de concertos tão icónica de Lisboa?

Ricardo Remédio - É óptimo fazer parte do 5º aniversário do Sabotage. Acho que é uma sala óptima e sem dúvida que veio dinamizar a musica ao vivo em Lisboa. Não há muitos sítios com uma programação tão intensa e onde tantos estilos diferentes de música possam tocar lá.

Qual foi o último concerto que viste e o último disco que ouviste?

Ricardo Remédio - Vi os Bell Witch a tocar no Cartaxo e ouvi o novo dos A Perfect Circle, Eat The elephant.

 
Entrevista por: Rui Gameiro

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